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domingo, 21 de junho de 2015

O OUTRO FILHO


Autor: Alexander Söderberg

Título original: The other son



Sinopse: Enquanto Hector Guzman se encontra em estado de coma, o seu império definha lentamente. Aron Geisler, o seu braço direito, esforça-se para manter o barco à superfície. Sophie Brinkmann está dominada e é usada para manipular os parceiros de negócio e inimigos, levando-os a pensar que está tudo sob controlo... Mas essa não é a realidade.
Quando o irmão de Hector é assassinado em Biarritz, Sophie acha que pode impedir que uma série de acontecimentos sejam desencadeados. Mas uma boa decisão leva a um resultado errado... terrivelmente errado.
Sophie torna-se peão num jogo com regras que desconhece, onde a lealdade e a amizade não têm lugar. Indefesa e sozinha num mundo onde reina a mentira e a violência desmedida, tudo em que acreditava e que a definia, parece-lhe sem sentido.


Após ter lido o primeiro livro desta trilogia (opinião aqui) fiquei com bastante curiosidade para ver onde o autor levaria a história após um final que deixava tudo em aberto. Foi essa curiosidade que me fez começar de imediato a ler para ver, tal como a sinopse indica, como seria a história com Hector em coma. 

Com tal cenário, o livro começa lento, criando o necessário para os acontecimentos da segunda metade do livro. O autor começa por explorar outras personagens e por definir certos conceitos que se desenvolvem com o terminar do primeiro livro, levando a que a conjetura do enredo se altere ligeiramente, principalmente porque algumas personagens têm aqui a oportunidade de conseguirem o que querem, e ao mesmo tempo acabam por ser exploradas pelo autor, tornando o enredo mais abrangente. 

Contudo, aos poucos o ritmo aumenta e começa a prender o leitor. Em muitos aspetos, nota-se que o autor está mais experiente e sabe de forma mais concreta o que quer para esta trilogia. Com isto, os diálogos tornam-se mais objetivos e a narrativa perde-se menos, levando-me a acreditar que este livro tem uma qualidade superior ao anterior, pois tudo faz agora mais sentido. Por outro lado, devido à quebra inicial de ritmo, o livro pode demorar algum tempo a agarrar o leitor. No meu caso tal não aconteceu, talvez por querer saber todas as mudanças que poderiam surgir com a mudança de paradigma no enredo.

Droga, sexo, tráfico... são temas bem aprofundados pelo autor, que aos poucos vão marcando a história com alguns momentos inesperados. O autor tenta fugir a alguns clichés e opta por caminhos mais complicados, mas que acabam por dar frutos, principalmente na forma como começa a desmascarar algumas revelações. Pelo meio outras perguntas se levantam para o último livro da trilogia, tendo agora um caminho mais definido e uma base mais sólida com as suas personagens chave.Todavia, o autor terá agora de dar resposta/explicações sobre alguns momentos que parecem forçados mas que estão ainda "em aberto", dando a noção que podemos não estar a ver todo o cenário.

Existindo ainda um livro para o final da trilogia, não quero aqui revelar nada. O autor consegue um ritmo final alucinante que nos faz ler sem parar. Não é uma obra prima do seu género mas deixa-nos acordados toda a noite para o acabarmos de ler. Fiquei muito curioso para ler o último livro. Se gostaram do livro anterior, acredito que gostem mais de O outro filho.

Luís Pinto

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O AMIGO ANDALUZ


Autor: Alexander Soderberg

Título original: Den Andalusiske Vannen



Sinopse: Sophie Brinkmann é uma viúva que leva uma vida tranquila nos subúrbios de Estocolmo até conhecer Hector Guzman, um homem sofisticado e elegante. Ela não faz ideia de que sob o charme daquele homem se esconde algo sinistro. Hector é o cabecilha de uma organização criminosa. Ele está habituado a obter tudo o que quer, e o que ele agora quer é aniquilar os seus rivais.
Antes de se aperceber do verdadeiro mundo em que Hector se move, Sophie vê-se enredada numa implacável teia. Com a casa sob vigilância e a família em risco, em quem poderá ela confiar, quando a própria polícia é tão perigosa quanto os criminosos?
Neste primeiro volume da trilogia Brinkmann, Alexander Söderberg presenteia-nos com um magnífico romance sobre o mundo sórdido do tráfico de armas e droga, dando-nos ao mesmo tempo um retrato magistral da fragilidade humana.




Os policiais nórdicos estão na moda. Não o podemos negar, e as editoras apostam no género porque irá vender. Uns são bons, outros nem por isso. Este livro de Soderberg, autor que já vendeu milhões, começa com uma complexidade acima da média, principalmente graças a um número elevado de personagens para o que estamos habituados dentro dos thrillers policiais. O resultado é um início lento, onde temos de colocar as peças com cuidado por forma a sentirmos que estamos a perceber o que estamos a ler.

Facilmente percebemos que o autor arrisca ao criar um enredo confuso nas primeiras páginas, mas também percebemos que o objetivo desta aparente confusão é deixar-nos em pé de igualdade com a personagem principal que se vê envolta num cenário de mistério em que personagens aparecem e desaparecem sem que seja possível percebermos quem são, porque estão presentes, o que querem, o que são capazes de fazer.

E assim, tal como Sophie, tentamos ler estas personagens que o autor teima em enublar, desvendando aos poucos, levando-nos a perceber as decisões deste ou daquele homem.  Esta é a beleza do livro pois a sua base encaixa na narrativa. A base é simples e resume-se ao facto de precisarmos de muito tempo para conhecermos totalmente uma pessoa. Há segredos que demoram anos a revelarem-se e por vezes confiamos na pessoa errada. Confiar em alguém é um passo que devemos dar, umas vezes acertamos, outras não, e na maioria das vezes não decidimos, de forma consciente, confiar ou não numa pessoa. É algo que nos ultrapassa.

Este é um enredo em que Sophie confia no seu paciente e mais tarde descobre que não é quem aparenta ser. Nós, leitores, sentimos o mesmo em relação às restantes personagens e a beleza é essa, e se por um lado o livro estranha-se e demora a arrancar, por outro agarra-nos porque queremos saber o que a narrativa ainda não nos disse.

Sendo uma trilogia, o enredo tem margem para ser complexo e para nos deixar com várias perguntas que apenas serão respondidas nos próximos livros. Como tal, deixo o enredo "de lado" nesta crítica e foco-me no melhor deste livro: o leque enigmático de personagens. Apresentam falhas, apresentam segredos, e apesar de a grande maioria ser dona de decisões morais questionáveis, aos poucos percebemos essas decisões e notamos que são intervenientes com a complexidade exigida para uma boa saga, dando a clara sensação que se trata de um enredo que tem uma boa base para se tornar ainda melhor nos próximos livros.

Sendo um thriller não quero tocar na história, que é interessante e tensa. O livro tem como grande qualidade as suas personagens e a narrativa que consegue tornar enublado o que queremos saber, desvendando aos poucos, agarrando-nos para a página seguinte. Tem falhas e aspetos que deve melhorar, tem outros aspetos que percebemos que estão "escondidos" para serem revelados nos próximos livros. Resumindo, um bom início de saga, que não sendo deslumbrante, agradará aos fãs do género. Irei ler os próximos, pois fiquei muito curioso sobre que caminho o autor irá avançar.

Luís Pinto