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Aplicação do LTAS na Fonoaudiologia

This document discusses the use of long-term average spectrum (LTAS) analysis in voice research and speech therapy. LTAS quantifies voice quality by showing the frequency distribution and intensity of voice harmonics. It provides objective parameters for evaluating aspects of voice quality that are usually based on subjective auditory perception. The document aims to demonstrate how LTAS can be applied in these fields, describing both the technical aspects required and its limitations. It concludes that knowledge of LTAS and other voice analysis tools, along with further research in this area, will contribute to new research on professional voices and voice therapy.

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Aplicação do LTAS na Fonoaudiologia

This document discusses the use of long-term average spectrum (LTAS) analysis in voice research and speech therapy. LTAS quantifies voice quality by showing the frequency distribution and intensity of voice harmonics. It provides objective parameters for evaluating aspects of voice quality that are usually based on subjective auditory perception. The document aims to demonstrate how LTAS can be applied in these fields, describing both the technical aspects required and its limitations. It concludes that knowledge of LTAS and other voice analysis tools, along with further research in this area, will contribute to new research on professional voices and voice therapy.

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Pró-Fono Revista de Atualização Científica, v. 18, n. 1, jan.-abr.

2006

O espectro médio de longo termo na pesquisa e na clínica


fonoaudiológica*****

The long-term average spectrum in research and in the clinical


practice of speech therapists
Suely Master*
Noemi De Biase**
Vanessa Pedrosa***
Brasília Maria Chiari****

*Fonoaudióloga. Doutora em Ciências Abstract


pela Universidade Federal de São Background: one of the great difficulties in evaluating a voice is the judgment of quality through the
Paulo - Escola Paulista de Medicina.
perceptual auditive analysis - although frequently used -, as it is influenced by socioeconomic and
Professora Assistente Doutora do
Departamento de Artes Cênicas da cultural aspects as well as individual preferences. Many are the adjectives and methods used in this
Universidade Estadual Paulista de assessment, especially because of the subjectivity involved in the process, leading to incompatibilities
Júlio Mesquita Filho. Endereço para between listeners and difficulties in reaching a consensus on the use of this or that terminology. In such
correspondência: Rua Dom Luís a context, the voice laboratory and more specifically the acoustic computerized analysis, has guided
Lasagna, 400 - São Paulo - SP -
CEP 04266-030
and complemented speech-language treatments. Among the several possibilities of spectrographic
(smaster@ia.unesp.br). analysis, the (Long-Term Average Spectrum - LTAS) quantifies the quality of voices, pointing differences
between gender, age, professional - spoken and sang - and dysphonic voices. The LTAS has been used
**Médica. Doutora em Medicina pela a lot in researches that investigate voice. As it evidences the contribution of the glottic source and of
Universidade Federal de São Paulo - resonance to the quality of voice, it provides objective parameters for the evaluation of this aspect
Escola Paulista de Medicina.
Professora Associada do Departamento which usually depends on our auditive perception. Aim: to demonstrate how LTAS can be applied in
de Fundamentos da Fonoaudiologia da voice research and in the speech-language therapy practice, describing both the technical aspects
Pontificia Universidade Católica de required for the production and interpretation of results, and its limitations. Conclusion: the area of
São Paulo. voice research has developed a lot in these last two decades especially because of the advent of the
voice and speech laboratory. For this reason, the knowledge about the applicability of more tools for
***Fonoaudióloga. Mestranda pela
Universidade Federal de São Paulo - voice analysis, as the LTAS, as well as the existing need for more studies in this area, will most certainly
Escola Paulista de Medicina. contribute for the creation of new research areas not only in the field of professional voice but also in
the field of therapy.
****Fonoaudióloga. Professora Titular Key Words: Voice Quality; Voice Training; Acoustical of the Speech; Speech Perception.
do Departamento de Fonoaudiologia da
Universidade Federal de São Paulo-
Escola Paulista de Medicina. Resumo
Tema: uma das maiores dificuldades que encontramos ao avaliar uma voz é julgar a sua qualidade por
*****Trabalho Realizado na meio da análise perceptivo-auditiva que - ainda que soberana - envolve desde aspectos sócio-econômicos
Universidade Federal de São
e culturais até preferências individuais. Muitos são os adjetivos usados nesta avaliação e os métodos
Paulo – Escola Paulista de Medicina.
empregados, pela subjetividade envolvida neste processo, acabam gerando discordâncias entre os ouvintes
e dificuldades de assumir um consenso em torno do uso desta ou daquela terminologia. Neste contexto,
o laboratório de voz e, mais especificamente, a análise acústica computadorizada, trouxe a possibilidade
de orientar e complementar a conduta fonoaudiológica. Entre as várias possibilidades de análise
Artigo de Atualização
espectrográfica, o espectro médio de longo termo (Long-Term Average Spectrum - LTAS) oferece a
Artigo Submetido a Avaliação por Pares possibilidade de “quantificar” a qualidade de uma voz, marcando as diferenças entre gênero, idade, vozes
profissionais - falada e cantada - e vozes disfônicas. O LTAS vem sendo muito utilizado em pesquisas na
Conflito de Interesse: não área de voz pois, ao evidenciar a contribuição da fonte glótica e da ressonância para a sua qualidade,
fornece subsídios objetivos para a avaliação deste parâmetro que depende basicamente da nossa percepção
auditiva. Objetivo: trazer o conhecimento sobre a aplicação do LTAS na pesquisa e na clínica
fonoaudiológica, descrevendo tanto os aspectos técnicos necessários à sua execução e à interpretação
dos seus resultados, bem como as limitações no seu uso. Conclusão: a área de voz tem se desenvolvido
muito nestas duas últimas décadas graças ao advento do laboratório de voz e fala. Assim sendo, conhecer
Recebido em 13.10.2004. a aplicabilidade de mais uma ferramenta de análise, o LTAS, considerando ainda a demanda existente de
Revisado em 28.04.2005; 23.05.2005;
estudos nesta área, certamente vai contribuir para a criação de novas linhas de pesquisa tanto em voz
29.07.2005; 06.12.2005; 06.02.2006;
profissional quanto na reeducação de alterações vocais.
14.03.2006.
Aceito para Publicação em 14.03.2006. Palavras-Chave : Acústica da Fala; Espectro Médio de Longo Termo; Qualidade de Voz; Treinamento
da Voz.

Referenciar este material como:


MASTER, S.; BIASE , N. D.; CHIARI, B. M.; PEDROSA, V. O espectro médio de longo termo na pesquisa e na clínica fonoaudiológica. Pró-Fono Revista de
Atualização Científica, Barueri (SP), v. 18, n. 1, p. 111-120, jan.-abr. 2006.

O espectro médio de longo termo na pesquisa e na clínica fonoaudiológica 111


Pró-Fono Revista de Atualização Científica, v. 18, n. 1, jan.-abr. 2006

Introdução

Uma das maiores dificuldades que encontramos contribuindo para o avanço dos nossos estudos
ao avaliar uma voz é julgar a sua qualidade por meio nesta área onde, até o presente momento, são
da nossa escuta que, ainda que soberana, envolve poucos os estudos feitos por meio deste método.
desde aspectos sócio-econômicos e culturais, até
preferências individuais (Biemans, 2002; Medrado Long term average spectrum (LTAS)
et al, 2005; Bele, 2005). São muitos os adjetivos
usados na avaliação perceptivo-auditiva e os No estudo de um som, muitas são as
métodos empregados nesta classificação, pela possibilidades de análise acústica. As mais usadas
subjetividade envolvida neste processo, acabam descrevem o som por meio da sua forma de onda e
gerando discordâncias entre os ouvintes e do espectro. Segundo Sundberg (1987), o espectro
dificuldades de assumir um consenso em torno do mostra em que freqüências estão os parciais do sinal
uso desta ou daquela terminologia (Bele, 2002). e a sua intensidade e é o correlato acústico da
Neste contexto, a análise acústica trouxe a qualidade de uma voz. Para o autor “existem
possibilidade de orientar e complementar a conduta propriedades importantes do espectro da fonte
fonoaudiológica com dados mais objetivos. glótica que só podem ser observadas num espectro
Entre as várias possibilidades de análise em decibéis. É o caso da amplitude dos parciais mais
espectrográfica, o espectro médio de longo termo agudos que, apesar de ser pequena, é de extrema
(Long-Term Average Spectrum - LTAS) oferece a importância para a nossa percepção do timbre”.
possibilidade de “quantificar” a qualidade de uma O LTAS, particularmente para Nordemberg e
voz, marcando as diferenças entre gênero, idade, Sundberg (2003), “Reflete a contribuição tanto da
vozes profissionais - falada e cantada - e vozes fonte glótica quanto do trato vocal na qualidade de
disfônicas (Leino, 1993; Mendoza et al., 1996; uma voz”. Dispõe em um só espectro, a média de
Navarro, 2000; Barrichelo et al., 2001; Hartl, 2001; vários espectros momentâneos obtidos, por
Linville e Rens, 2001; Bele, 2002; Camargo, 2002; exemplo, a cada 200 milésimos de segundo (5
Sjölander, 2003; Jónsdottir et al., 2003; Hartl et al., espectros/segundo, 300 em 1 minuto). No eixo das
2003 Laukkanen et al., 2004; Camargo et al., 2004; abscissas mostra o nível de pressão sonora em
Pinczower e Oates, 2005; Soyama et al., 2005). decibéis e no das ordenadas, a freqüência em Hertz.
Determinados traços mais estáveis de uma O tempo é excluído da análise do espectro de longa
emissão, como a qualidade da voz, tornam-se mais duração e, portanto, todas as variáveis a ele
evidentes a partir de amostras de fala de longa associadas tais como freqüência e amplitude (jitter,
duração e esta é precisamente uma das maiores shimmer, proporção harmônico/ruído), não são
vantagens em usar o LTAS (Camargo, 2002). Outra capturadas, a não ser que interfiram, de fato, no
vantagem é que, se o sinal acústico de fala for espectro da fonte glótica (Frokjaer-Jensen e Prytz,
suficientemente longo, o espectro médio resultante 1976; Kitzing, 1986; Löfqvist, 1986). Por este motivo,
não é afetado por diferenças no material de fala – o LTAS muitas vezes tem que ser complementado
conteúdo e articulação - fato este que indica um de outros tipos de análise acústica e, sobretudo,
certo grau de confiabilidade na comparação entre ouvir a voz é imprescindível para a interpretação
falantes e entre estudos (Frokjaer-Jensen e Prytz, dos resultados. A questão da reprodutibilidade do
1976; Kitzing, 1986; Löfqvist, 1986). experimento deve ainda ser considerada, já que a
voz de um mesmo indivíduo pode se apresentar
O objetivo do presente estudo é descrever as diferente em momentos diferentes. Por exemplo, uma
aplicações e interpretações dos achados do LTAS, voz normal, ao final de uma jornada de trabalho,
relacionando ainda eventos acústicos, percepção pode estar mais soprosa ou mais tensa, ou não
auditiva e fisiologia da fonação, a partir da coleta apresentar evidências de disfonia após uma noite
de textos completos na base de dados de descanso.
bibliográficos MEDLINE, textos estes publicados De acordo com Hammarberg et al (1986),
no decorrer do período que compreende o ano de Sundberg (1987) e Leino (1993), os picos ou regiões
1976 a 2005, com especial enfoque nos últimos 5 de maior concentração de energia do LTAS, estão
anos. O LTAS é uma excelente ferramenta de fortemente relacionados com a percepção de
trabalho que, ao objetivar o que percebemos diferentes qualidades de vozes.
enquanto qualidade vocal, complementa tanto a Para se fazer a análise com o LTAS, algumas
avaliação quanto o acompanhamento do trabalho considerações metodológicas precisam ser
de voz, seja ele terapêutico ou pedagógico, observadas.

112 Master et al.


Pró-Fono Revista de Atualização Científica, v. 18, n. 1, jan.-abr. 2006

Duração da amostra sound level) da emissão total e / ou de faixas de


freqüências. A inclinação da curva espectral
Para Kitzing (1986) e Löfqvist (1986), se a duração mostrou estar diretamente relacionada com a
do sinal a ser analisado for suficientemente longa, de qualidade da voz: vozes ressonantes, fortes,
20’ - 40’, o espectro médio resultante não será apresentam menor diferença entre as regiões forte
fortemente afetado por diferenças no material da fala e fraca do espectro, enquanto vozes pobres,
tais como acentuação, padrão de articulação e outras fluídas, apresentam maior diferença (Hammarberg
particularidades inerentes à emissão de cada et al., 1986; Leino 1993; Bele, 2002).
indivíduo. Isso porque as freqüências dos primeiros Os picos que se formam no espectro do LTA
formantes - F1 e F2 – cujos valores têm maior variação correspondem à extensão da variação da freqüência
entre as vogais, passam a ser representados por uma fundamental (f0) – difícil de identificar - e dos
média, evidenciando assim os formantes cujos valores formantes (F) e devem ser mensurados. A região mais
variam menos - F3, F4 e F5 – e que estão relacionados grave do espectro, de 100-1kHz, tem maior
com a qualidade da voz (Sundberg, 1987). concentração de energia sonora que as demais regiões
e se relaciona com o nível de pressão sonora médio
Eliminar da análise os sons não vozeados e as de uma emissão e com a loudness vocal (Nordemberg
pausas/ silêncio e Sundberg, 2003; Laukkanen et al., 2004). Assim,
pode-se calcular a diferença entre os picos em 1-5kHz
Para estudar a contribuição da fonte glótica e 5-8kHz e esta região mais forte do espectro.
para a qualidade da voz, é recomendável eliminar Mensurar a diferença entre a amplitude de f0 e
do material de fala os sons não vozeados, uma vez F1 (L1-L0) também fornece informações sobre o
que estes sons que são gerados por fonte de ruído, modo de fonação (Sundberg, 1987). Uma f0 mais
podem mascarar a informação da fonte de voz forte que F1 indica uma voz mais fluida, soprosa
(Linville e Rens, 2001). Para Löfqvist (1986), uma ou de intensidade fraca, enquanto um F1 muito
mesma amostra de fala analisada com e sem pausas, mais forte que f0, indica uma voz mais tensa, pregas
com e sem sons surdos, afeta o espectro vocais mais fortemente aduzidas ou uma voz em
principalmente na faixa de 5-8kHz. No estudo da intensidade forte (Frokjaer-Jensen e Prytz, 1976;
qualidade de uma voz profissional, cujas Kitzing, 1986; Hammarberg et al., 1986; Bele, 2002).
informações mais importantes se concentram na Normalmente, a amplitude de F1 é maior que a de
faixa que vai até 5kHz, não cortar os sons surdos f0. Na Figura 1, pode-se ver de forma
não interfere diretamente na avaliação, porém, para esquematizada, as diferentes extensões de regiões
análise de vozes disfônicas, é necessário descartar do espectro que correspondem à f0 e às freqüências
esta interferência da fonte de ruído no espectro. formantes, a partir da qual, os parâmetros acima
referidos são mensurados.
Formas de medir o LTAS Tanner et al., (2005), procurando estabelecer
índices de LTAS que direcionem a avaliação de um
Os parâmetros usados para mensurar o LTAS processo terapêutico, observaram que existe uma
consideram “o tempo no qual a energia do espectro relação forte entre a média e o desvio padrão das
está integrada e a faixa de freqüência em que a energia medidas obtidas em diversos espectros de um
é medida” (Navarro, 2000; Pinho e Camargo, 2001; mesmo indivíduo com disfonia funcional, antes e
Camargo et al., 2004). Porém, não existem índices depois da intervenção terapêutica, e a percepção
normativos ou formas-padrão de efetuar a mensuração de melhora na voz. Para os autores, estas medidas
do espectro do LTAS, o que de certa forma, prejudica de distribuição seriam possíveis marcadores de
um pouco a comparação entre estudos. melhora na qualidade vocal.
Em linhas gerais, observamos que ter uma
indicação da inclinação da curva, calculando-se a Normalização do espectro
relação entre a região mais forte e a mais fraca do
espectro, tem sido uma medida adotada por vários Com o objetivo de facilitar a mensuração e a
autores (Frokjaer-Jensen e Prytz, 1976; Kitzing, comparação entre espectros, sugere-se a sua
1986; Hammarberg et al., 1986; Pinczower e Oates, normalização, o que significa colocar o componente
2005). Este cálculo pode ser feito a partir da mais forte do espectro em zero dB, passando os
mensuração manual dos picos, em decibéis demais componentes a ter um valor em dB que é
relativos, ou ainda automaticamente, pelos negativo. Alguns programas oferecem esta
programas de análise acústica que fornecem a possibilidade enquanto outros, como o Praat, um
média do nível de pressão sonora (Leq- equivalent script tem que ser rodado.

O espectro médio de longo termo na pesquisa e na clínica fonoaudiológica 113


Pró-Fono Revista de Atualização Científica, v. 18, n. 1, jan.-abr. 2006

FIGURA 1. Extensões das regiões do espectro que correspondem à f0 e às freqüências formantes.

dB dB

Hz
HZ

Efeito do aumento da intensidade no espectro sendo, conhecendo-se o NPS de uma emissão, é


LTAS possível calcular o espectro do LTA resultante. Para
as freqüências mais graves do espectro, o fator-
Segundo Nordemberg e Sundberg (2003), ganho é linear, enquanto nas freqüências entre 1.5-
pesquisas que envolvam a mensuração da pressão 3.0kHz, este fator é de 1dB para 1.4dB para homens e
sonora e ainda, o registro da voz de pacientes, 1.6dB para mulheres, que precisam de uma maior
precisam ser minuciosamente monitoradas para não pressão subglótica para obter a mesma loudness.
incorrermos em conclusões precipitadas pois, para Em um estudo anterior, White e Sundberg (2000),
um mesmo aumento de intensidade, a resposta das analisando a variação de intensidade em espectros
freqüências não é linear. Os autores apontam que um de barítonos já haviam observado que um aumento
ganho em freqüências agudas é maior que nas graves de 10dB no NPS incidia em um acréscimo de 15-20dB
e assim, a região até 0.5kHz será menos afetada do nos parciais próximos a 2.5kHz, e que esta relação é
que 2-4kHz, por exemplo. Desta forma, pode-se função do log. da pressão subglótica. Na seqüência
questionar o valor de comparar dados produzidos de Figuras 2 a 4, podemos observar nas emissões de
em diferentes graus de intensidade mas, para um mesmo falante em 88,6dB, 91,2dB e 95,3dB à
minimizar esta interferência, o registro do sinal de distância de 15cm, que a relação F1-f0 se modifica
fala pode ser controlado pelo decibelímetro, bem como gradativamente e, num ajuste hipercinético, além do
a distância entre a boca e o microfone, já que monitorar aumento de energia na região do F4, a f0 torna-se
o esforço expiratório é praticamente impossível. muito mais fraca que F1 e ainda, F4 e F5 se aproximam
e formam um só pico.
Calibrar o programa de análise acústica por meio
de um som de referência, é também um procedimento LTAS e qualidade de voz
básico na mensuração deste parâmetro na maioria
dos estudos que envolvem o LTAS (Hammarberg et O LTAS vem sendo utilizado em numerosos
al, 1986; Leino, 1993; Laukkanen, et al., 2004; estudos porque permite “quantificar” a qualidade de
Pinczower e Oates, 2005). Nordemberg e Sundberg uma voz, marcando as diferenças entre gênero, idade,
(2003), considerando uma variação de intensidade qualidade da voz profissional - falada e cantada - e
entre loudness forte e fraca de 28dB, demonstraram vozes disfônicas, contribuindo para a avaliação e para
a existência de uma relação linear forte entre o nível o acompanhamento de treinamentos e/ou tratamentos
médio de pressão sonora e LTAS, ao menos até a (Kitzing, 1986; Hammarberg et al., 1986; Leino, 1993;
região de 4kHz, sendo provável que em níveis muito Mendoza et al, 1996; Cleveland et al, 2001; White,
altos de intensidade esta relação se modifique. Assim 2001; Laukkanen et al., 2004; Jorge et al, 2004).

114 Master et al.


Pró-Fono Revista de Atualização Científica, v. 18, n. 1, jan.-abr. 2006

FIGURA 2. Voz em loudness habitual. . voz feminina e masculina. Marcando as


diferenças acústicas entre vozes masculinas e
0 femininas para além da freqüência fundamental e
da estrutura de freqüências formantes, os
-10 resultados de Mendoza et al., (1996) mostraram
um nível alto de energia, provavelmente
proveniente de ruído aspirado, para o sexo
-20
feminino na região 3kHz, correspondente ao
dB
terceiro formante (F3) e, em função deste ruído,
-30 uma inclinação menos acentuada da curva
espectral. O ruído estaria relacionado com uma
-40 configuração glótica compatível com a fenda
triangular posterior comum às mulheres que lhes
daria uma qualidade de voz soprosa. Este padrão
-50
0 1000 2000 3000 4000 5000 de voz pode ainda ter sido “escolhido” tendo em
vista um comportamento sócio cultural, ao menos
Hz
entre as mulheres americanas e espanholas,
grupos até então estudados por meio do LTAS.
FIGURA 3. Voz em loudness moderada.
Comparando o LTAS em diferentes loudness de
fonação, Nordemberg e Sundberg (2003)
0 observaram que a freqüência do F3 é quase 20%
mais aguda para as mulheres, e que seus espectros
apresentaram picos em 2,9kHz e 4,1kHz. Para os
-10
homens, estes picos estão em 2,4kHz e 3,4kHz.
Referem que para um mesmo NPS de 70dB,
-20 mulheres apresentaram uma curva de espectro em
dB média 3.5dB mais forte na região de 1-4kHz,
provavelmente por que tendem a necessitar de
-30
um maior grau de esforço vocal para alcançar uma
mesma intensidade que os homens.
-40
. voz infantil. White (2001), para um grupo de crianças
-50 e adolescentes de ambos os sexos, observou um
0 1000 2000 3000 4000 5000 pico em 5kHz para o sexo masculino e para o sexo
Hz feminino, uma curva mais plana - queda menos
acentuada do espectro - na voz cantada. Também
observa diferenças na maneira de variar a
FIGURA 4. Voz em loudness forte. intensidade de fala, sendo que as meninas, como as
mulheres adultas, tendem a falar usando uma maior
0 adução glótica. Sjölander (2003), a partir do estudo
anterior, confirmou a relação entre estes achados e
a capacidade auditiva de diferenciar estas vozes.
-10
. voz senil. Linville e Rens (2001) pesquisaram em
-20 80 falantes, divididos por faixa etária e sexo, as
modificações ressonantais que acompanham com
dB
o envelhecimento, partindo do princípio de que
-30 existe um aumento da extensão do trato vocal em
decorrência de alterações de certas estruturas do
-40 aparelho fonador, e que o LTAS é um instrumento
sensível a estas mudanças. Os achados acústicos
mostram que os idosos de ambos os sexos
-50 apresentaram freqüências formantes mais graves,
0 1000 2000 3000 4000 5000
especialmente as mulheres, confirmando assim os
Hz achados anatômicos.

O espectro médio de longo termo na pesquisa e na clínica fonoaudiológica 115


Pró-Fono Revista de Atualização Científica, v. 18, n. 1, jan.-abr. 2006

Em conjunção com dados de estudos os vocal, cuja freqüência estaria em torno de 3kHz.
anteriores os autores propõem um modelo misto Esta região de agudos é precisamente a mesma
de ressonância do trato vocal e padrão articulatório onde nossa audição é mais sensível, 2-5kHz
afetando as freqüências formantes desta faixa (Sundberg, 1987). Para Titze (2001), o tubo da
etária. Em outro estudo, com o mesmo grupo, epilaringe, nestes casos, se estreita em relação à
Linville (2002) identificou diferenças entre os faringe e dificulta a passagem do ar para o trato
espectros de idosas, comparados aos de jovens: vocal superior, diminuindo o fluxo transglótico
maior amplitude em 340kHz e em outros pontos de ar entre as pregas vocais e modificando o seu
específicos da região 6-7kHz, e níveis baixos de modo de vibração. Desta forma, a fase de
energia em 3.040Hz e 3,2kHz. Ambos os grupos fechamento das pregas vocais fica menor, o que
femininos - jovens e idosas - foram faz aumentar a intensidade dos harmônicos
perceptivamente identificados como tendo uma superiores na região de 3kHz. Este processo
qualidade de voz soprosa - idosas mais - mas, em acontece dentro de uma visão linear de interação
princípio, esta qualidade seria revelada pelo fonte e filtro.
aumento de energia em diferentes pontos do
espectro, em 3kHz e 6kHz, sugerindo diferenças na Na mesma linha de raciocínio, Leino (1993)
configuração da fenda glótica que seria mais propõe o termo “formante do ator” ou “formante
posterior para jovens e mais anterior para mulheres. do falante” (Ff) para o agrupamento do terceiro,
Porém, estes aspectos merecem estudos mais quarto e quinto formantes (F3, F4 e F5) em torno
conclusivos, com uma população maior. O espectro de 3,5kHz, em vozes projetadas de atores
de jovens mostraram ainda uma menor diferença masculinos. Estudos realizados com atores
entre as faixas abaixo e acima de 1,6kHz, ou seja, finlandeses, alemães, africanos, suíços e
uma curva com menor inclinação. Os idosos, australianos comprovaram este achado (Leino,
quando comparados aos jovens, apresentaram 1993; Munro, 2002; Bele, 2002; Pinczower e Oates,
menores níveis de energia em 1,6kHz (F2), ainda 2005). A natureza do formante do ator ainda não
sem uma justificativa plausível do ponto de vista está totalmente esclarecida. A Figura 5 mostra o
fisiológico, e uma tendência a um aumento de “formante do falante” ou “formante do ator” que
energia na região de agudos. A freqüência aparece com -20dB em relação ao pico mais forte
fundamental da emissão dos idosos femininos e do espectro normalizado (Master et al, 2005).
masculinos é muito próxima – 160Hz – e com maior
amplitude que a do grupo de jovens. Soyama et al.,
(2005) investigaram 8 indivíduos de ambos os
gêneros e encontraram um aumento significativo FIGURA 5. “Formante do falante” ou “formante do ator”.
de energia na região de 2 a 4,5KHz para idosos e
6,5 a 10kHz para idosas. Acrescentam ainda que
apesar de 60 juízes terem identificado 0
perceptivamente os gêneros, os resultados da
análise acústica por meio do LTAS não apontaram -10
esta diferenciação.
-20
. voz profissional. No espectro de LTAS de
dB
cantores líricos masculinos, Sundberg (1987)
-30
identificou um pico - o “formante do cantor” (Fc)
- entre 2.8-3.4kHz, resultado do agrupamento entre
F3, F4 e F5, e que estaria relacionado com a nossa -40
percepção de “brilho” e de projeção vocal. Para o
autor este pico seria uma resposta “inteligente” -50
0 1000 2000 3000 4000 5000
do cantor lírico à sua orquestra: a orquestra
trabalha na região mais grave do espectro e o Hz
cantor, para destacar a sua voz, trabalha na região
mais aguda. Segundo o autor, para gerar um Fc, é
necessária uma determinada configuração laríngea
onde a epilaringe se torna uma caixa de
ressonância independente do restante do trato

116 Master et al.


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A partir destas colocações, com o objetivo de para as emissões fortes que para as emissões em
entender melhor as vozes profissionais, algumas condições confortáveis.
pesquisas foram desenvolvidas na fala e nos mais Alguns estudos tiveram êxito em acompanhar
diferentes estilos de canto, ou verificando a a evolução do treino de voz comparando emissões
possibilidade de carregar ajustes do canto para a de professores antes e depois da intervenção
fala e vice versa, ou ainda, tentando estabelecer a fonoaudiológica. Munro (2002) acompanhou um
correlação entre a variação de parâmetros tais como treinamento de voz e dicção por meio do LTAS e,
pitch, loudness de fonação e o espectro acústico e entre os resultados, observou uma maior
a análise perceptivo- auditiva. Eis algumas concentração de energia na faixa da freqüência
possibilidades de estudos: fundamental (f0) e do primeiro formante (F1)
Figueiredo (1993) observou que o LTAS é um decorrente da aproximação destas duas
instrumento de análise eficiente quando o objetivo freqüências e ainda, em 2,5kHz, 3kHz e em 4-4,5
é estabelecer a identidade de um falante por meio da kHz., eventos que se relacionaram com a
comparação de padrões vocais de análises fonéticas percepção de voz projetada. Laukkanenet al.,
e espectrográficas. Navarro (2000), estudando a (2004) treinaram a voz falada de um grupo de
emissão de locutores esportivos por meio de alunos de teatro, com e sem o apoio visual de
diferentes variáveis da análise perceptivo-auditiva análise acústica em tempo real, durante dois
e acústica, observou que os espectros de longo meses, e puderam observar que em ambos os
termo (ELT) sugeriam uma qualidade vocal grupos houve um aumento de 3-4dB na região de
crepitante, para a fala espontânea destes locutores 3-5kHz no espectro do LTAS. Os autores
e qualidade de voz fluída, para a narração esportiva. chamaram a atenção sobre a efetividade de treinar
Cleveland et al., (2001), partindo do principio de que variação de intensidade com um apoio visual para
os cantores de country cantam de um modo muito evitar que mecanismos hiperfuncionais, revelados
próximo da forma que falam, compararam o LTAS de por um F1 muito mais forte que f0, se
5 sujeitos na fala e no canto, confirmaram esta desenvolvam.
hipótese pois, um pico muito forte, na região 3.5kHz Bele (2002), comparando vozes de atores e
foi identificado em ambas emissões. Barrichelo et professores noruegueses, observaram as seguintes
al., (2001) examinaram a possibilidade dos cantores diferenças no LTAS: atores têm mecanismos de
de ópera levarem para a fala o efeito de ressonância emissão mais eficiente em intensidades fortes e
tecnicamente adquirido no canto, responsável pelo portanto, valores menores na relação entre f0 e F1,
brilho da voz. Os resultados sugerem uma maior a região do “formante do falante” é mais forte para
concentração de energia na região do “formante do os atores mas não tão forte como referido pela
cantor/ator”, tanto nas emissões cantadas quanto literatura. Segundo a autora, a avaliação auditiva
faladas dos cantores líricos. Stone et al., (2003), entre foi mais eficiente que o LTAS na diferenciação
várias medidas acústicas, pesquisaram também por destas vozes, o que a leva a seguinte questão:
meio do LTAS as vozes de cantores líricos e de algo afeta o nosso julgamento subjetivo de
cantores no canto da Broadway, estilos associados qualidade vocal, algo que não pode ser
com diferentes técnicas vocais. Os resultados, como objetivamente mensurado. A autora observa que
uma casuística muito pequena, indicaram uma f0 pico em 3.5kHz também poderia estar relacionado
mais fraca e parciais mais fortes entre 0.8-1.6kHz com vozes nasalizadas, ásperas e em fry, reforçando
sugerindo, para o canto Broadway, uma adução a necessidade de considerar a análise perceptivo-
glótica maior – característica semelhante à fala em auditiva quando forem realizadas análises com o
loudness forte. Diferenças entre estes dois estilos LTAS.
de canto teriam origem em nível glótico e nas
ressonâncias do trato vocal. Pinczower e Oates .vozes disfônicas. O LTAS não faz diagnóstico das
(2005), comparando vozes de atores masculinos em alterações laríngeas (Hammarberg et al., 1986). É
loudness confortável e em nível máximo de projeção, preciso considerar a qualidade da voz sabendo que
puderam distinguir estas vozes entre si por meio para um mesmo diagnóstico etiológico, esta
das análises acústica e perceptiva. Destacam que o qualidade pode variar consideravelmente e que
espectro mostrou maior concentração de energia uma mesma qualidade vocal pode estar presente
nas freqüências agudas, em torno de 3,4kHz (Ff), em diferentes alterações laríngeas.

O espectro médio de longo termo na pesquisa e na clínica fonoaudiológica 117


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Nas vozes soprosas ou emitidas em loudness F4 e, nas vogais anteriores, diminuição do F2 –


fraca, as principais características do espectro são: relacionado ao estreitamento da faringe. No
pouca concentração de energia na região de 0,4- indivíduo masculino, ainda, existem evidências de
4kHz, correspondente aos principais formantes, e um ajuste motor hiperfuncional. Camargo et al.,
grande concentração na região acima de 5kHz (2004) em um estudo com 5 pacientes disfônicos,
(Soyama et al., 2005). O nível da pressão sonora de estabeleceram correlações positivas entre ajustes
f0, quando comparado com o do F1, também é mais laríngeos e supra-laríngeos constatados na
forte (Sundberg, 1987). Nas disfonias avaliação vocal com motivação fonética (avaliação
hiperfuncionais, nas vozes emitidas com loudness perceptivo auditiva) e medidas do LTAS, mais
aumentada, nas vozes tensas e nas ressonantes, o especificamente com a inclinação espectral.
envelope do espectro cai de maneira menos
acentuada e, a região do espectro de 2-4kHz, FIGURA 6. Voz fluída e/ ou soprosa.
apresenta maior concentração de energia porém, o
F1, é muito mais forte que f0 (Frokjaer-Jensen e 0
Prytz, 1976; Kitzing, 1986; Hammarberg et al., 1986;
Löfqvist, 1986; Leino, 1993). -10
A Figura 6 mostra uma voz grave e fluída que,
tomando-se como referência o espectro da fonte
-20
glótica que cai 12dB por oitava (Sundberg, 1987)
dB
sofreu pouco efeito da ressonância. Pode-se
observar que f0 é mais forte que F1e que o envelope -30
do espectro apresenta ainda uma queda de energia
razoavelmente acentuada na região de 2-3kHz, e -40
um pequeno pico em 3-4Hz em -40dB, relativo ao
F4. -50
Uma grande contribuição do LTAS no campo 0 1000 2000 3000 4000 5000
do tratamento das disfonias é poder avaliar de
maneira objetiva a qualidade da voz no pré e no Hz
pós de uma terapia fonoaudiológica e de
intervenções cirúrgicas, especialmente a
soprosidade enquanto sintoma de paralisia de
pregas vocais, segundo Hartl et al., (2001). Os FIGURA 7. Voz de qualidade áspera e soprosa em sulco vocal unilateral.
autores compararam dois casos de paralisia
laríngea, antes e depois do surgimento do sintoma -1.267
de soprosidade, e observaram um aumento de
energia na região média e aguda do espectro e -11.01
decréscimo na região mais grave.
Na Figura 7, observa-se a f0 muito forte em
-20.76
relação à F1 e uma a grande concentração de
dB
energia no espectro a partir de 5kHz, característica
-30.51
de vozes soprosas, fracas, pobre em harmônicos.
Laukkanen et al., (2004) investigaram os aspectos
fisiológicos, acústicos e perceptivos da “voz na -40.25
garganta”, em apenas dois casos, um indivíduo do
sexo masculino e outro feminino. Esta qualidade de -50
0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 8000
voz, embora não esteja associada às lesões laríngeas,
é nociva à saúde vocal. Dentre os resultados,
Hz
relacionaram a percepção desta qualidade ao
aumento de energia na região de F1, diminuição em

118 Master et al.


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Conclusão
proporção harmônico-ruído e análise de freqüências
O LTAS é um método de análise acústica formantes, que dependem de uma resolução de
sensível às diferentes qualidades da voz e, pelos tempo, não são contempladas pelo LTAS e, por este
aspectos evidenciados, uma ferramenta adequada motivo, outros tipos de análise acústica são
para complementar de maneira objetiva a nossa necessários em complementação. O fato de suas
percepção auditiva deste parâmetro. Não tem uma possibilidades e limitações ainda não serem bem
metodologia de trabalho fácil de ser apreendida, compreendidas, bem como a normatização dos
principalmente se o estudo envolve a mensuração parâmetros que nele podem ser mensurados, aponta
do nível de pressão sonora, mas mostrou ser uma para um longo caminho de estudos.
ferramenta eficiente para análise da qualidade da Rastrear neste artigo, os aspectos técnicos
voz, dos seus traços mais estáveis, na medida em envolvidos na sua elaboração bem como a
que “resume” por meio de uma média, uma coleção interpretação dos seus resultados, contribui tanto
de espectros momentâneos, revelando a para a atuação fonoaudiológica quanto para as
contribuição da fonte glótica e do filtro para a pesquisas nesta área.
qualidade da voz. Não é um método diagnóstico e a O Brasil, por ser um país de cultura muito rica e
avaliação perceptiva auditiva faz-se imprescindível. diversificada em diferentes estilos de canto e tantas
Alguns aspectos tais como f0, jitter, shimmer, outras manifestações populares pouco exploradas,
constitui-se em um vasto terreno de pesquisas.

Agradecimentos: Professor Doutor Anne Maria Laukkanen; Professor Doutor Timo Leino e Professor Doutor Paulo Augusto de Lima
Pontes. Fundação para o Desenvolvimento da UNESP e Fundo de Auxílio aos Docentes e Alunos da UNIFESP.

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