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Posted: Apr 13, 2024 @ 6:12pm
Updated: Dec 29, 2025 @ 4:58am

The Elder Scrolls V: Skyrim Special Edition
Comecei a escrever essa análise no automático, até perceber o óbvio: já nem sei mais o que é do jogo original. Com 500+ mods, meu Skyrim virou um ser mutante: novos itens, missões, locais e tramas inteiras coladas à remoção de porcarias inúteis. Depois de 4000h, o que vejo hoje é um Frankenstein refinado, luxurioso, distante daquele Skyrim que zerei há mais de 10 anos. A alma é a mesma, mas o corpo? Costurado com tudo que me viciou.

"I fight for the men I've held in my arms, dying on foreign soil! I fight for their wives and children, whose names I heard whispered in their last breath. I fight for we few who did come home, only to find our country full of strangers wearing familiar faces. I fight for my people impoverished to pay the debts of an Empire too weak to rule them, yet brands them criminals for wanting to rule themselves! I fight so that all the fighting I've already done hasn't been for nothing! I fight... because I must." - Ulfric Stormcloak



Entre Ecos e Lendas: Até a Pedra Tem Drama
“When you're beautiful, every word is met with a smile. When it's gone, the whole world is shrouded in darkness.” - Zora Fair-Child

Gráficos e Sonoplastia: 10/10
Skyrim é de 2011, com edição refeita em 2016, então claro que rolou um tapa visual. Mas honestamente? Já nem sei mais o que é Vanilla e o que é maquiagem de modder. Nunca fui de exagerar nos mods gráficos, mas acabei cedendo a uns retoques estéticos. E mesmo sem ser um colosso técnico, Skyrim continua bonito: cabelos, corpos, vegetação, água cristalina... tudo bem feito, tudo agrada aos olhos.

A trilha sonora ainda impõe respeito, mas o destaque real tá na sonorização: dá pra ajustar o volume de tudo, passos dos NPCs, os seus, água, ambientação, feitiços, armas... tudo regulável. Dá pra calibrar com precisão, sem quebrar a imersão. E sendo honesto, talvez esse menu nem seja do jogo base. Provavelmente é mais um mod. Já nem sei mais. Virou bagunça, funcional, mas ainda assim bagunça.

História: 10/10
Skyrim te joga num continente à beira do colapso e faz questão de lembrar disso o tempo todo. No centro está a profecia do Dragonborn: um escolhido que deve enfrentar Alduin, o Devorador de Mundos, enquanto dragões mortos voltam a sobrevoar os céus. Mas se o apocalipse não for sua prioridade, você pode mergulhar na guerra civil que divide o país: de um lado, o Império servindo os Thalmor de cabeça baixa; do outro, os nórdicos de Ulfric berrando por independência com o machado em punho.

Se quiser algo mais íntimo, as guildas estão de portas semiabertas. Os Companions te jogam numa disputa ancestral com os Silver Hand e te dão uma maldição peluda de brinde. A College of Winterhold mergulha você em intrigas arcanas, com artefatos perigosos e a Thalmor cutucando onde não deve. A Thieves Guild apodrece em traições dignas de novela sombria. E se preferir matar em silêncio, a Dark Brotherhood espera por um novo Listener para reacender uma chama esquecida... junto a muito sangue seco.

As expansões seguem o mesmo ritmo. Dawnguard traz vampiros milenares contra caçadores devotos, com Serana, talvez a melhor companheira do jogo te guiando por castelos sombrios e dilemas eternos. Em Dragonborn, o confronto é direto: você contra o primeiro Dragonborn. Um duelo entre lendas numa ilha esquecida, onde só um sai andando.

E como tudo em Skyrim flerta com o caos... certas histórias parecem saídas da mente de um daedra inspirado demais. Em ruínas e templos esquecidos, você encontra relíquias de um reino chamado Hyrule, espadas sagradas, ocarinas, fadas em frascos e máscaras que não pertencem ali. E se forçar certos baús, pode acabar ativando maldições que aprisionam aventureiras distraídas. Funciona. E prende. Sempre.



Mundos Dentro do Mundo: Mods São Meu Deus Agora
“The Hero did not come, the goddesses abandoned us, and Hyrule is dying.” - Relics of Hyrule

Mundo Aberto e Mecânica: 10/10
Skyrim é mundo aberto de verdade. Mas aberto mesmo tipo aqueles caminhos que tu escolhe só pra ver no que vai dar. Nada de segurar tua mão ou reclamar se tu sair da trilha. Já na primeira missão dá pra ignorar a profecia, sumir nas montanhas, virar ladrão, lobisomem, casar com um argoniano ou passar o dia cozinhando estufado de salmão. E ninguém vai te julgar. Nem o céu. Nem os deuses. Talvez só tua consciência... se ela ainda estiver por aí.

O mapa é vasto, denso e vibrante. Tem cidade subterrânea, submundo das almas, uma ponta de Morrowind e até planos dos Daedric Princes. Cada canto guarda missão, mistério ou distração. Algumas escolhas mudam o rumo da história, outras só o visual mas até isso vale. Skyrim entende o valor do detalhe e sabe transformar o que é pequeno em algo memorável.

Diferente de Oblivion, aqui a liberdade é total. Dá pra fazer tudo. Ou absolutamente nada. E ainda assim se divertir.

As mecânicas acompanham esse espírito. O jogo oferece três classes base: mago, guerreiro e ladrão, mas, na prática, tu mistura tudo. Vira um mago com armadura pesada, arco nas costas e necromancia no bolso. Com o tempo, qualquer habilidade pode ser liberada. Sem travas. Sem limites.

E ainda tem atividades paralelas. No vanilla, muitas são dispensáveis. Mas com os mods certos? Até cortar lenha vira gameplay. Dá pra montar cavalo, usar carruagens, virar vampiro ou lobisomem. Cada raça tem bônus únicos, o combate muda com cada arma, e as magias ganham vida nova. Com mods? Centenas de feitiços, sistemas alternativos, alquimia mais elaborada e um mundo que se transforma a cada sessão.

★ Mods: 10/10
Aqui tá o verdadeiro diferencial de Skyrim: uma das maiores comunidades de mods da história. Cheguei a instalar 504... sim, quinhentos e quatro, e joguei por horas a fio. Até que, com quase 300 horas nas costas, um conflito estourou e fui forçado a “limpar”. Reduzi pra modestos 485, tirando só o que realmente dava pau. Só o essencial, né?

As possibilidades são indecentes. Gosto de mods que adicionam conteúdo, novas missões, itens, personagens, mecânicas. Uns 70% da minha lista ampliam o escopo do jogo com opções extras. Outros 25% mexem na jogabilidade: deixam o combate mais bruto, escalam inimigos com lógica e chutam as limitações vanilla pra escanteio. E só uns 5% são visuais, porque beleza nunca segurou minha atenção por muito tempo.

Na última vez que joguei, quase 400 horas se foram só explorando conteúdo de mod. Sem nem encostar nas campanhas originais. Isso diz tudo sobre o tamanho do buraco em que me meti e adorei.

Meu favorito? Relics of Hyrule e Cursed Loot. O primeiro enfia Hyrule no meio de Skyrim com classe: tem ambientação própria, narrativa elaborada, o Templo da Floresta, Kakariko em ruínas, Templo das Sombras, a Ocarina funcional, Majora te encarando, fadas em jarras e os quatro gigantes prontos pra ferrar teu dia. Já o segundo? Um presente maldito: baús que escondem armadilhas fetichistas, onde tu acha que vai pegar uma espada lendária… e sai com um vestido de látex colado no corpo que te impede de mover um dedo.



Considerações Finais
Skyrim tá longe de ser perfeito e tem falhas pra dar e vender, mas mesmo assim é impossível não amar essa desgraça. Todos os defeitos são facilmente perdoados pelos mods que transformam o jogo em algo único a cada jogada. Minha última partida não teve absolutamente nada a ver com a primeira, e depois de milhares de horas, cada uma ainda parece diferente da anterior. É impossível não recomendar um jogo no qual investi mais de 4000 horas da minha vida e ainda tenho tesão em voltar.

★ Nota Final: 10/10
Comecei em Helgen vendo Alduin voltar. Quando percebi, estava com a máscara de Majora enquanto Zora Fair-Child fazia piadas e terminei minha jornada vestida de coleira, látex e plug de pônei.
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