U n i t e d n at i o n s C o n f e r e n C e o n t r a d e a n d d e v e l o p m e n t
trainfortrade proGramme
Promover o Turismo susTenTável
Mapeamento da situação
do turismo na república
de Angola
Província
de Benguela,
Angola
6 a 10
de Novembro
de 2010
New York and Geneva, 2011
ii MAPEAMENTO DA SITUAÇÃO DO TURISMO NA REPÚBLICA DE ANGOLA
UNCTAD/DTL/KTCD/2011/1
Copyright © United Nations, 2011
All rights reserved. Printed in Switzerland
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
iii
note
This Publication was produced in the framework of the UNCTAD
TrainForTrade Project for Angola, financed by the European Commission
The views expressed in this volume are those of the authors and do not necessarily reflect the views of the United
Nations Secretariat. The designations employed and the presentation of the material do not imply the expression
of any opinion whatsoever on the part of the Secretariat of the United Nations concerning the legal status of any
country, territory, city or area or of its authorities, or concerning the delimitation of its frontiers or boundaries.
The material contained in this study may be freely quoted with appropriate acknowledgement.
Contact:
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Knowledge Sharing, Training and Capacity Development Branch,
Division on Technology and Logistics (DTL)
UNCTAD
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Switzerland
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Fax: + 41-22-917-0050
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[Link]/trainfortrade
O TURISMO SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO
iv MAPEAMENTO DA SITUAÇÃO DO TURISMO NA REPÚBLICA DE ANGOLA
Acknowledgements
This study was prepared by Ms. Dominique Verdugo, international consultant on sustainable tourism, and Mr.
Amândio Mavela, national consultant on tourism and development, within the framework of the activities of the
UNCTAD TrainForTrade programme for Angola. All photographs were taken by Ms. Verdugo while preparing the
study in 2010. UNCTAD gratefully acknowledges the financial support provided by the European Commission.
Este estudo foi preparado por Dominique Verdugo, consultora internacional sobre turismo sustentável, e por
Amândio Mavela, consultor nacional sobre turismo e desenvolvimento, no âmbito das actividades do programa
CNUCED / TrainForTrade para Angola. Todas as fotogrfias foram feitas por Dominique Verdugo durante o estudo
em Novembro 2010. A CNUCED agradece o apoio financeiro concedido pela Comissão Europeia.
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
v
índice
note............................................................................................... iii
Acnowledgements.......................................................................iV
Introdução................................................................................... 1
I. o turismo em angola: a indústria da paz.............................. 3
A. Um crescimento exceptional....................................................................................................4
B. Os obstáculos e desafios do desenvolvimento do turismo em angola................................5
NOTAS: Capítulo I...........................................................................................................................8
II. as dinâmicas do turismo na província de benguela............. 9
A. Contextualização da Província de Benguela.........................................................................10
1. Contexto histórico e geográfico................................................................................................ 10
2. Contexto económico e socioambiental..................................................................................... 10
B. A
situação actual do turismo..................................................................................................10
1. Esquema actual de regulamentação do turismo...................................................................... 12
2. As infra-estruturas turísticas...................................................................................................... 14
3. O papel do turismo na luta contra a pobreza .......................................................................... 14
4. Identificação e mapeamento dos atores na Província de Benguela...................................... 15
Direcção Provincial do Comercio, Hotelaria e Turismo - Organização interna...................................................15
Direcção Provincial da Cultura.............................................................................................................................16
Associação de Hotelaria de Benguela..................................................................................................................16
Mapeamento dos actores e parceiros..................................................................................................................16
C. Os desafios do turismo na Província de Benguela..............................................................18
1. O Potencial turístico (análise FOFA – SWOT na designação Inglesa)....................................... 18
2. O papel da sociedade civil nas dinâmicas do turismo............................................................. 18
3. Turismo e impacto sócio–económico e ambiental................................................................... 20
Notas: Capítulo II..........................................................................................................................22
III. Perspectivas e proposições para a implementação de
projectos de turismo sustentável...................................... 23
A. Perspectivas.............................................................................................................................24
1. Abordagem das iniciativas para desenvolver o turismo sustentável..................................... 24
B. Proposições ............................................................................................................................26
1. Lembranças: aumentar as despesas dos turistas.................................................................... 26
2. Áreas protegidas: Parque e Reserva......................................................................................... 27
3. Turismo escuro (dark tourism) ................................................................................................... 27
4. Criação de imagem: definir e valorizar um produto principal no interior.............................. 28
Notas: Capítulo III.........................................................................................................................30
Conclusão.................................................................................. 31
Referências...................................................................................................................................33
O TURISMO SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO
vi MAPEAMENTO DA SITUAÇÃO DO TURISMO NA REPÚBLICA DE ANGOLA
anexos........................................................................................ 35
Anexo 1: Proposições de Projectos de Turismo Sustentável..................................................36
1. Lembranças: aumentar as despesa dos turistas ..................................................................... 36
Resumo do projecto...............................................................................................................................................36
Acções....................................................................................................................................................................36
Resultados esperados...........................................................................................................................................37
Parceiros potenciais do projecto..........................................................................................................................37
2. Áreas protegidas: Parque Natural Regional Chimalavera....................................................... 37
Resumo do projecto...............................................................................................................................................38
Acções....................................................................................................................................................................38
Resultados esperados ..........................................................................................................................................38
Parceiros potenciais do projecto..........................................................................................................................39
3. Turismo escuro (dark tourism) Canjala...................................................................................... 39
Resumo do projecto...............................................................................................................................................39
Acções....................................................................................................................................................................39
Resultados esperados ..........................................................................................................................................39
Parceiros potenciais do projecto..........................................................................................................................40
4. Criação de imagem: valorização de um producto ‘farol’......................................................... 40
Resumo do projecto...............................................................................................................................................40
Acções....................................................................................................................................................................40
Resultados esperados ..........................................................................................................................................41
Parceiros potenciais do projecto..........................................................................................................................41
Notas: Anexo 1..............................................................................................................................42
Anexo 2: Notícias das actividades sobre o turismo..................................................................43
Anexo 3: As acções de apoio à sociedade civil.........................................................................48
Anexo 4: Programa da missão e das entrevistas......................................................................49
Imagens
Imagem 1: Angola e suas províncias............................................................................................... 2
Imagem 2: Artigo na imprensa especializada................................................................................. 5
Imagem 3: Feira de Artesanato ....................................................................................................... 5
Imagem 4: Artesão local de Lobito................................................................................................ 26
Imagem 5: A produção do Mel da Ganda...................................................................................... 41
Figuras
Figura 1. Chegadas internacionais via aérea 2002-2009................................................................ 4
Figura 2: Formação no sector de hotelaria ao nível nacional em 2009........................................ 6
Figura 3: Repartição geográfica das unidades hoteleiras na Província de Benguela.............. 20
Figura 4: Disponibilidade de camas no Lobito ............................................................................. 20
Quadros
Quadro 1: Amostra da capacidade de oferta turística na Provincía de Benguela.................... 11
Quadro 2: Um exemplo de excursão de um dia, partindo de Benguela ou do Lobito.............. 12
Quadro 3: Património cultural na Província de Benguela........................................................... 12
Quadro 4: Decreto executivo conjunto no42/02 de 27 de Setembro........................................... 13
Quadro 5: Lista dos decretos e das resoluções oficiais relativos ao sector da hotelaria e
turismo............................................................................................................................ 13
Quadro 6: Índice Humano em Angola............................................................................................ 14
Quadro 7: Indicadores sociais em Angola ................................................................................... 15
Quadro 8: CAN 2010........................................................................................................................ 15
Quadro 9: Parque Natural Regional Chimalavera......................................................................... 27
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
vii
Quadro 10: Exemplo de um roteiro turistico em oferta incluindo o Parque Chimalavera........ 38
Quadro 11: As referências ao mel biológico................................................................................. 41
Quadro 12: “Angolan and Zimbabwean ministries of tourism sign protocol”........................... 43
Quadro 13: “Flight to Africa’s Land of Diamonds”........................................................................ 43
Quadro 14: “Projecto público lança centenas de hotéis”............................................................ 44
Quadro 15: “Angola 35 anos – Independência ‘abriu portas’ para desenvolvimento do
turismo”...................................................................................................................... 45
Quadro 16: “Decorre seminário sobre turismo sustentável”....................................................... 46
Quadro 17: “Turismo em Angola cresce em mais de trezentos porcento”................................ 47
Tabelas
Tabela 1: Ministério de Hotelaria e Turismo - MINHOTUR............................................................. 6
Tabela 2: Dados turísticos de 2009 e do premeiro semestre de 2010........................................ 12
Tabela 3: Infra-estructuras Julho 2010.......................................................................................... 14
Tabela 4: Mapeamento dos actores e parceiros........................................................................... 16
Tabela 5: O Potencial turístico (análise FOFA – SWOT na designação Inglesa)........................... 19
Tabela 6: Abordagem das iniciativas de desenvolvimento do turismo sustentável; “Matriz do .
Produto - Mercado”......................................................................................................... 25
Tabela 7: Analíse FOFA (SWOT na designação Inglesa)................................................................. 29
Tabela 8: Dados do Parque Natural Regional Chimalavera......................................................... 37
Tabela 9: Visita ao Parque............................................................................................................... 37
Tabela 10: Programa da missão..................................................................................................... 49
Tabela 11: Programa de entrevistas............................................................................................... 50
O TURISMO SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO
Introdução
2 MAPEAMENTO DA SITUAÇÃO DO TURISMO NA REPÚBLICA DE ANGOLA
Introdução Neste contexto, o estudo de oportunidades faz uma
análise temática, que, em primeiro lugar, tenta com-
preender a realidade local para a implementação de
O turismo, como pilar de desenvolvimento económi- actividades turísticas sustentáveis usando o instru-
co, poderá representar, para os Países em Desenvol- mento de análise SWOT, e aborda os laços das acti-
vimento (PED) e os Países Menos Avançados (PMA), vidades existentes com a política de desenvolvimento
uma fonte de riqueza e uma das possibilidades viáveis turístico nacional e a estratégia regional; a segunda
de diversificação das economias nacionais. Devi- parte identifica as práticas turísticas e os agentes en-
do à sua natureza transversal e incidência em todos volvidos (sector privado, ONG, sector público, socie-
os sectores da economia, o turismo representa um dade civil…), seus níveis e tipos de envolvimento e
vector privilegiado para a redução da pobreza e para
suas reais contribuições para o desenvolvimento de
o crescimento, com vista a atingir os Objectivos de
um turismo sustentável, e a terceira, propõe ideias
Desenvolvimento do Milénio (ODM). Os bons resul-
para o desenvolvimento de projectos inovadores no
tados obtidos recentemente, apesar da crise global,
âmbito do turismo sustentável em Benguela.
contribuíram para criar um ambiente propício à imple-
mentação crescente de iniciativas no sector do Turis- A abordagem metodológica utilizada consistiu na inte-
mo Sustentável. gração da informação qualitativa e quantitativa, atra-
A fim de apoiar as autoridades angolanas no aprovei- vés de consultas e entrevistas aos diferentes actores
tamento destas oportunidades, o projecto TrainFor- que intervêm no sector do turismo nos níveis nacional,
Trade/Angola tem contribuído para a implementação provincial, com enfoque nos municípios de Benguela,
de uma estrutura de formação nacional e de reforço Ganda e Lobito.
das capacidades na área do comércio internacional,
contando com a colaboração das autoridades nacio-
nais e locais, da sociedade civil e do sector privado.
Assim, sob a liderança do Comité de Coordenação
Nacional, deverá ser criada uma Comissão Técnica
sobre o Turismo Sustentável para coordenar as activi-
dades e garantir a sua coerência global.
O Comité de Coordenação Nacional do Projecto ela- Imagem 1: Angola e suas províncias
borou um plano de acção para esta componente, que
prevê i) a criação de uma Comissão Técnica sobre o
Turismo Sustentável para as questões de desenvol-
vimento, ii) o reforço das capacidades locais através
de seminários a nível das províncias, iii) a elaboração
de um estudo nacional de mapeamento da situação
do turismo em Angola com um foco nas oportunida-
des do turismo sustentável, iv) o intercâmbio de boas
práticas e ideias no domínio do turismo sustentável
(viagem de estudos), v) a divulgação e validação de
um plano de acção.
Após a realização do seminário sobre turismo sus-
tentável para o desenvolvimento a nível provincial
(Benguela), em Novembro de 2010, desenhou-se o
Mapeamento da Situação do Turismo em Angola, que
tem por objectivo, além da análise da situação do tu-
rismo actual na Província de Benguela, a identificação
dos parceiros potenciais e a promoção de iniciativas
inovadoras e sustentáveis de turismo.
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
1
O turismo em Angola:
a indústria da paz
4 MAPEAMENTO DA SITUAÇÃO DO TURISMO NA REPÚBLICA DE ANGOLA
O ambiente de paz que se desfruta em Angola há A existência de recursos naturais e culturais nume-
oito anos tem sido a alavanca para um rápido cresci- rosos e inexplorados, para além da consolidação da
mento económico. No entanto, o desenvolvimento do estabilidade económica e política no país, permite
turismo em Angola é ainda embrionário e com pou- projectar a tendência do crescimento do número de
cas oportunidades nas Províncias e particularmente visitantes e turistas no país nos próximos anos. Ape-
nos Municípios do interior. Essa situação pode, em sar do estado embrionário em que se encontra o sec-
si, representar diversas oportunidades para introduzir, tor, as estatísticas de chegadas internacionais por via
desde o início da abordagem, os princípios do turismo aérea demonstram a sua vitalidade ao nível nacional.
sustentável nas estratégias e nas políticas nacionais, O país vive um clima político e económico favorável
particularmente no Plano Director do Turismo previsto devido à reconstrução e ao rápido desenvolvimento
para 2012. macroeconómico, que proporciona o aumento de
Angola tem uma vantagem e uma oportunidade ex- chegadas internacionais (MICE1 e VRF2) e, conse-
quentemente, a criação de uma imagem de destino
cepcional para transformar o turismo num sector es-
turístico assente em negócios e lazer.
tratégico, que possa impulsionar o desenvolvimento
económico e social, protegendo e valorizando os Os principais motivos de chegada de turistas no ano
recursos ambientais, apoiando-se num crescimento 2009 foram: visita a familiares (42%), serviço (37%)
importante do fluxo de turistas internacionais. Para e negócio (21%). Comparado aos anos anteriores
atingir tal objectivo, será preciso vencer obstáculos (2007 e 2008), onde o motivo de serviço predominava
inerentes ao sector do turismo angolano, como a falta entre o fluxo de turistas em Angola, em 2009 as visitas
de formação dos empregados trabalhando na área e a familiares apresentaram maior expressão. A grande
a fraca política de concorrência no país. maioria dos turistas que efectuaram viagens a Angola
era do sexo masculino (86%).
A. Um crescimento Paralelamente, a realização de alguns eventos inter-
nacionais, como por exemplo a Copa Africana das
exceptional Nações (CAN), estimulou a construção de várias uni-
dades hoteleiras3, reforçando o desenvolvimento das
Figura 1. Chegadas internacionais via aérea 2002-2009 actividades turísticas.
No plano da cooperação internacional, Angola assi-
400 000 nou, no dia 29 de Outubro de 2010, um Protocolo de
350 000 2002 Cooperação4 com o Zimbabué que foca a formação
2005
e o intercâmbio de experiências dos empregados do
300 000
sector do turismo dos dois países. O Memorando
250 000 2008
tem como objectivo ajudar a promoção das poten-
200 000 2009
cialidades turísticas, o desenvolvimento do turismo
na África austral e a identificação de novas áreas de
150 000
investimento.
100 000
A formação inclui cursos de Inglês e de estatísticas
50 000 turísticas de acordo com os padrões da Organização
Mundial do Turismo (OMT). O Ministro da Hotelaria e
0
Turismo, Pedro Mutindi, assegurou que o protocolo
Fonte: MINHOTUR e Boletins Estatísticos do mercado hoteleiro irá contribuir para o reforço do sector do turismo em
e turístico de Angola 2008 e 2009
Angola, permitindo ao país aproveitar as oportunida-
des que estão surgindo no sector.
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
O TURISMO EM ANGOLA: A INDÚSTRIA DA PAZ 5
Imagem 2: Artigo na imprensa especializada Imagem 3: Feira de Artesanato
A ATA (Africa Travel Association)
reconhece o sucesso que se tem
registado e assegura a revista in-
ternacional AFRICA Travel Magazi-
ne6 o seu apoio a Angola.
A primeira Feira Nacional de Artesanato foi organizada em
Luanda em 2010
Neste contexto, em Novembro de 2010, os indica-
dores nacionais favoreciam Angola, no sentido de
B. o
s obstáculos
se tornar brevemente um novo destino turístico. Os e desafios do
projectos de construção de hotéis à luz dos padrões desenvolvimento do
internacionais, os artigos na imprensa nacional5 e na
imprensa especializada internacional, e os eventos
turismo em angol
nacionais e internacionais, como a 1ª Feira de Arte-
sanato e o CAN 2010, são sinais encorajadores para O primeiro seminário sobre as perspectivas do tu-
o desenvolvimento do sector turístico a nível nacional rismo «Que Turismo para Angola?», organizado pelo
Em Angola, o turismo está inscrito no Plano Nacional Ministério de Hotelaria e Turismo no Dia Mundial do
2010/2011, sendo visto como um sector de impor- Turismo em 27 de Setembro de 2010, contou com a
tante potencial económico, que poderá constituir uma participação de vários Ministros. Apesar do facto que
das alternativas de diversificação produtiva, com vis- os resultados deste seminário não terem sido divulga-
ta a assegurar o desenvolvimento sustentável, a ge- dos até a conclusão deste estudo, acredita-se que o
ração de emprego e a criação de rendimento7. tema do visto de entrada para os turistas estrangeiros
tenha sido identificado como um dos principais obs-
Angola tornou-se pela primeira vez membro do GCI
táculos.
(Global Competitiveness Index8) em 2010, ocupando
com o Chade as duas últimas posições no ranking A realidade de outros países, em particular africanos,
mundial (138 países). No entanto, o país ainda não demonstra que onde há mais disponibilidade de vis-
consta da lista do The Travel & Tourism Competitive- tos, incluindo nos aeroportos, à chegada dos turistas,
ness Report 20099. No último relatório do WTTC em há maiores arrecadações turísticas. Se esse processo
2010 (World Travel & Tourism Council), sob o título não for possível, será ainda mais difícil optimizar o po-
Travel & Tourism Economic Impact 2010, que mede a tencial turístico de Angola10.
contribuição do turismo na economia nacional, Ango-
la aparece na 67ª posição num total de 181 países, e É também essencial afirmar que, à excepção de al-
em 7° no ranking de 42 países da África subsaariana. guns destinos turísticos como o Egipto, África do Sul,
As previsões do WTTC (growth forecast 2020) mos- Marrocos, Tunísia, Botswana e Quénia, o turismo de
tram uma perda de quota de mercado, passando o negócios é o mais importante segmento no continen-
país da 64ª posição para a 97ª, e do 7º para o 26º te africano. Ao nível mundial, uma média de 80% do
lugar na classificação. turismo de lazer é constituída por fluxos nacionais (na-
cionais e residentes estrangeiros que viajam dentro do
Não obstante, a parte do turismo na economia an-
país de acolhimento).
golana começa a ser significativa, tendo em conta as
receitas directas através dos impostos comerciais, Em segundo lugar, a contribuição do sector tende
que representaram uma fatia de 500 milhões de dó- a declinar, tornando-se um elemento negativo para
lares em 2009, provenientes de hotéis, restaurantes o desenvolvimento do país. Segundo as previsões
e agências de viagens. No entanto, existem alguns do World Travel & Tourism Council (WTTC), a con-
obstáculos que impedem que o turismo se torne um tribuição do turismo no Produto Interno Bruto (PIB)
motor de desenvolvimento efectivo. declinará de 10.8% em 2010, para 8.3% em 202011.
O TURISMO SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO
6 MAPEAMENTO DA SITUAÇÃO DO TURISMO NA REPÚBLICA DE ANGOLA
Do mesmo modo, a contribuição da economia do tu- A DNOPT determina que, no que concerne aos pla-
rismo nos empregos directos e indirectos diminuirá de nos de Ordenamento do Território, todo e qualquer
8.9% (1/11.2 empregos) até 6.8% (1/14.7 empregos) processo referente ao Sector do Turismo deverá me-
em 2020. recer o parecer técnico desta e dos Governos Provin-
Esta realidade pode ser associada ao facto do turis- ciais. A DNOPT tem as seguintes competências:
mo posicionar-se em 10º lugar como prioridade nos • Definir as áreas de interesse turístico;
objectivos do sector económico do Executivo de An-
• Estudar e propor a criação de áreas
gola12. Designadamente, os cinco objectivos prioritá-
consideradas de interesse para o turismo nos
rios do sector económico são:
pólos de desenvolvimento turísticos, no âmbito
• Agricultura; do ordenamento territorial do turismo;
• Pescas; • Articular a estratégia turística com o
• Petróleo; ordenamento e o planeamento do território
• Geologia e Minas; • Dar parecer sobre os planos regionais do
• Indústria transformadora. ordenamento e do planeamento do território;
• Emitir parecer técnico em relação aos pedidos
Neste quadro, o reforço institucional e a formação dos
de informação prévia sobre a viabilidade de
funcionários podem contribuir para alterar as tendên-
instalação dos empreendimentos turísticos;
cias negativas previstas pelo WTTC, pois permitiriam
a modernização do sector, o aumento das capacida- • Emitir declarações para obtenção de licença de
des técnicas e estratégicas, o que, entre outras con- construção junto aos órgãos da administração
sequências, facilitaria a elaboração de Planos Directo- local.
res de Turismo sustentável. A formação dos recursos humanos aparece como
No âmbito político, a primeira Política Nacional do Tu- tema recorrente no sector turístico em Angola. No en-
rismo foi publicada em Julho de 199713. As questões tanto a qualidade e a eficiência do serviço nos hotéis
do marketing do país (promoção, materiais, Feiras in- está aquém do desejado. A nível nacional, em 2009,
ternacionais, etc.) estão sob a tutela do INFOTUR14 apenas 1 em cada 27 empregados hoteleiros tinha
do Ministério. formação na área.
Tabela 1: Ministério de Hotelaria e Turismo - MINHOTUR Figura 2: Formação no sector de hotelaria ao nível
nacional em 2009
Data de criação 1997
Números de trabalhadores 24015
Emprego no sector da hotelaria em Angola
Plano Director do Turismo
(previsto para 2012), inl-
cuindo o IRT - Inventário 100%
dos Recursos Turísticos
Prioridades 80%
Revisão da legislação em
vigor no sector 60%
Reforço institucional e for- 40%
mação de funcionários
20%
0% Empregados formados
Apesar disto, em relação ao ordenamento da activi- Empregados sem
dade o país não dispõe de uma estratégia coordena- formação especifica
em turismo
da com base na legislação em vigor. A nova Direcção
Nacional de Ordenamento de Projectos Turísticos
(DNOPT), criada sob o Decreto Presidencial n°82/10
Fonte: MINHOTUR / Direcção Nacional de Formação Hoteleira
de 27 de Maio 2010, confirma todavia a tendência de e Turística
mudança da política do MINHOTUR.
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
O TURISMO EM ANGOLA: A INDÚSTRIA DA PAZ 7
Essa percentagem pode mesmo ser maior, sobretudo as capacidades receptivas. Os trunfos, em termos de
nas zonas periféricas de Luanda e das capitais pro- potencialidades turísticas de Angola, são verdadeiros
vinciais. e se afirmam com o crescimento excepcional do nú-
Assim, a formação dos quadros encontra-se numa mero de entradas de turistas no país durante os últi-
situação preocupante, mesmo contando com o nú- mos anos.
mero de pessoas formadas noutras áreas do saber.
No entanto, o desenvolvimento do sector ainda se en-
Consequentemente, o maior desafio do sector é a
contra limitado por diferentes obstáculos, tais como
profissionalização dos operadores, em particular da-
os processos administrativos (como é o caso dos
queles que entraram no sector pela facilidade pro-
vistos de entrada), a política de preços nas unidades
porcionada no quadro da privatização das unidades
hoteleiras. hoteleiras, a falta de preparação dos actores e a fraca
promoção do país como destino turístico.
Com a obtenção da paz, a retoma económica e a or-
ganização do CAN 2010, um dos importantes inves- Com o intuito de aprofundar esta análise, o capítulo
timentos foi a reabilitação das infra-estruturas aero- seguinte se dedica a um estudo das dinâmicas do
portuárias, rodoviárias e hoteleiras, a fim de aumentar turismo a nível provincial.
O TURISMO SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO
8 MAPEAMENTO DA SITUAÇÃO DO TURISMO NA REPÚBLICA DE ANGOLA
NOTAS: Capítulo i
1. MICE = Reuniões, incentivos, conferências e exposições (Meetings, Incentives, Conferences and Exhibitions)
2. VFR = Visita a amigos e família
3. Em Anexo 2
4. Em Anexo 2
5. Em Anexo 2
6. Em Anexo 2
7. Ministério do Planeamento (Dezembro 2009). Plano Nacional 2010/2011, pag 34
8. The Global Competitiveness Report 2010-2011 – World Economic Forum
9. World Economic Forum
10. Mesmo durante o CAN 2010 a obtenção de vistos era difícil. Alguns grupos de adeptos não conseguiram viajar para Angola.
Ex. Apenas 1/3 dos vistos solicitados por Moçambique foram concedidos. A obrigação da carta de chamada tornou o pro-
cesso pesado para muitos visitantes
11. WTTC (World Travel & Tourism Council) – Travel & Tourism Economic Impact 2010
12. Ministerio do Planeamento (Dezembro 2009). Plano Nacional 2010/2011
13. I Serie - No 29 (20 de Junho de 1997) – Comissão Permanente do Conselho de Ministros – Rosolução No 7/79 – Aprova a
Política Nacional de Turismo
14. Não foi possível reunir com a instituição durante a missão
15. Em comparação, existem cerca de 400 trabalhadores no Ministerio do Comércio
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
2
As dinâmicas do turismo
na Província de Benguel
10 Mapeamento da Situação do Turismo na República de Angola
A. Contextualização Tradicionalmente, a economia camponesa apoiava-se
na produção de cereais e tinha uma forte componen-
da Província de te mercantil. A cultura do milho é a base alimentar
Benguela e tem forte participação na comercialização, comple-
mentada por outras culturas anuais para consumo e
para o mercado, com realce para o feijão, a batata
rena e hortícolas. A Província de Benguela é também
1. Contexto histórico e geográfico dominante na cultura do café arábica explorada na
Comuna da Chicuma, Município da Ganda, e em qua-
A Província de Benguela é uma das 18 Províncias
se todo o seu território é praticada a economia agro-
da República de Angola. Situa-se na Costa Ociden-
pastoril1.
tal, a 600 quilómetros a Sul de Luanda, entre os 12°
32’ 50’’ e 15°07’00’’ de longitude Este, 11°47’ 00’’ e
13°53’ 00’’ de latitude sul, abrangendo uma área de
B. A
situação actual
39,826 km2, que correspondem a 3,19% do território
nacional. É limitada a Norte pela Província do Kwan-
do turismo
za Sul, a Leste pela Província de Huambo, a Sudeste
pela Província de Huila, a Sudoeste pela Província de Os comentários mais ouvidos da parte do sector pri-
Namibe, sendo banhada a Oeste pelo Oceano Atlân- vado em Benguela e no Lobito durante o trabalho de
tico numa extensão de 200 km. campo, em Novembro de 2010, é de que “as poten-
A Província tem a sua sede na cidade com o mesmo cialidades são enormes, mas o mercado está total-
mente virgem!”.
nome. Administrativamente está dividida em 9 muni-
cípios e 27 comunas, sendo 3 municípios no litoral De facto, o potencial turístico da Província de Ben-
(Benguela, Lobito e Baía Farta) e 6 no interior (Ganda, guela é caracterizado por paisagens rurais, termais,
Cubal, Chongoroi, Bocoio, Balombo e Caimbambo). monumentos históricos e boas praias, que se esten-
dem ao longo dos 200 km de costa. As praias mais
Benguela afirma-se como a segunda aglomeração
famosas, com excepção da Restinga de Lobito, estão
urbana de Angola, centro de negócios e plataforma situadas a sul da cidade de Benguela. A rede hotelei-
de internacionalização intercontinental do país, fruto ra concentra-se principalmente nas cidades de Ben-
das infra-estruturas portuárias e ferroviárias de que guela e do Lobito. A província está servida por hotéis,
dispõe, que lhe confere um grande potencial de li- pensões, restaurantes, bares nocturnos e recintos de
gação para alguns países encravados do continente dança. A rede hoteleira tem tradição desde os anos
africano. 60, sendo o Hotel Terminus, inaugurado em 1932, o
seu maior exemplo. Pela sua longevidade, este hotel
The relationship between economic growth and scien-
foi classificado como Património Histórico Nacional.
ce, technology and innovation (STI) is complex. On
Renovado em 2004e mantendo a sua imponência de
the one hand, from a theoretical standpoint, there is
outrora, o Hotel Terminus é um ‘ex-libris’ da hotelaria
broad agreement that innovation is one of the chief
angolana.
sources of economic growth. Empirical evidence also
shows that the most innovative countries and those As ilustrações na página seguinte foram produzidas
which invest most in research and development (R&D) precisamente para demostrar a situação actual do tu-
are also the most developed or most strongly growing rismo na província.
countries (ECLAC, 2008). As viagens de turistas ou excursões de lazer a locais
que despertam interesse são essencialmente feitas
2. Contexto económico e socioambiental aos fins-de-semana por turistas internos (nacionais e
alguns residentes estrangeiros), tendo como objecti-
A Província é uma das cinco que integram o Planal- vo as praias. Os estrangeiros que viajam a Benguela
to Central do Huambo e as zonas subplanálticas de são turistas de negócios. A Direcção do Comércio,
transição norte, com condições ambientais moldadas Hotelaria e Turismo analisou os dados de 2009 e do
pela altitude e pela localização continental, com um 1º semestre de 2010, e concluiu que a média de per-
clima mesotérmico, chuvoso. manência é de 1,6 noite por turista.
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
AS DINÂMICAS DO TURISMO NA PROVÍNCIA DE BENGUELA 11
Quadro 1: Amostra da capacidade de oferta turística na Provincía de Benguela
Serviços directos para os turistas: alojamento e restauração
Aparthotéis, hotéis, pensões, hospedaria, restaurantes, bares...
Atracções
Visitas e actividades em áreas protegidas
Património natural e paisagens – Litoral e interior
Património histórico
Suporte ao turismo: infra-estruturas
Estradas novas, bons caminhos de terra, comboio, rios e pontes...
Serviços directos para os turistas
Lembranças, artesanato e produção local
Café
Mel de eucaliptos
Tabaco
Estatuetas de madeira
Postais
Feijão
Cestos...
O TURISMO SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO
12 Mapeamento da Situação do Turismo na República de Angola
Quadro 2: Um exemplo de excursão de um dia, partindo
de Benguela ou do Lobito
• Partida e chegada do hotel Quadro 3: Património cultural na Província de Benguela
• Passeio em viatura todo-o-terreno c/motorista
• Pequeno-almoço no “Parque Chimalavera” • 12 Monumentos classificados
• Visita às praias do litoral azul • 2 Centros históricos (Benguela e Catumbela)
• Visita ao rio Catumbela • 10 Sítios arqueológicos
• 100 Monumentos não classificados
Preço: USD 120 / pax
Fonte: Direcção Provincial da Cultura da Província de Banguela
USD 80 / pax (sem refeições)
(mínimo 2 pax)
Tabela 2: Dados turísticos de 2009 e do premeiro semestre de 2010
Chegadas 2009 1o Semestre 2010
Angolanos residentes 6 916 7 932
Angolanos não residentes 1 379 2 449
Estrangeiros 11 238 5 048
Total 19 533 15 429
Fonte: Relatórios 2009 e do 1o Semestre 2010, DPCHT Benguela
A Província dispõe de recursos naturais, culturais e • (e) «promover a igualdade, oportunidade e
socioeconómicos que, na essência, constituem as reintegração social no apoio aos jovens, ex-
linhas básicas que poderão permitir o progresso do combatentes, a família, a promoção da mulher
turismo na Província. Contudo, os lugares com mais e aos portadores de deficiência; e
potencial turístico no interior estão adormecidos ou • (i) «ser referência nacional na preservação da
abandonados, como as águas termais de Balombo e cultura e todas as suas formas de expressão,
a Cascata de Cubal2. utilizando a Cultura como uma forma de mar-
keting do município, motor do desenvolvimen-
É importante ressaltar que o crescimento do sector
to do turismo e como fonte de geração de tra-
do turismo internacional requer decisão política para balho e renda».
diminuir as dificuldades de obtenção do visto e fa-
cilitar as entradas dos estrangeiros no país. É difícil O sector do turismo enquadra-se em todos os seis
considerar hoje o mercado internacional no âmbito do pontos do domínio do Desenvolvimento Económico.
O último ponto (f) trata do turismo e afirma claramente
turismo de lazer com as condições existentes.
a política da Província de Benguela no sentido de se
restabelecer «como um centro turístico de referência
1. Esquema actual de regulamentação do país».
do turismo A médio-prazo, de acordo com o programa do Go-
O estado actual da regulamentação do turismo ins- verno no âmbito do PIP 2009-2010, os projectos do
creve-se no conjunto de normas estabelecidas pelo sector de hotelaria e turismo são numerosos e varia-
Ministério de Hotelaria e Turismo, que orienta o exer- dos. Está prevista a construção e o apetrechamento
cício das actividades turísticas no país. Neste quadro, de seis Centros de Informação Turística (CIT) na Baía
foram instituídos órgãos afins, como o INFOTUR, com Farta, Balombo, Benguela, Cubal, Ganda e Lobito.
o seguinte mandato: Paralelamente, existe um projecto para inventariar
e diagnosticar o potencial turístico, identificando as
Os aspectos relativos ao desenvolvimento social e acções necessárias para melhor aproveitamento e
cultural deste programa, com realce para seus pon- exploração do potencial turístico dos municípios da
tos (e) e (i), fazem referência directa ao turismo sus- Baía Farta, Balombo, Benguela, Bocoio, Caimbambo,
tentável: Chongoroi, Cubal, Ganda, e Lobito.
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
AS DINÂMICAS DO TURISMO NA PROVÍNCIA DE BENGUELA 13
Quadro 4: Decreto executivo conjunto no42/02 de 27 de Setembro
Este Decreto visa adequar a orgânica do Instituto de Fomento Turístico de Angola às regras de organização,
estruturação e funcionamento dos institutos públicos, estabelecidas pelo Decreto – lei n.º1/01 de 24 de Maio;
Nos termos das disposições combinadas do artigo n.º 36.º do Decreto – lei n.º1/01 e do n.º 3 do artigo
114.1/01 da lei Constitucional, foi determinado o Programa Provincial de Médio-Prazo 2009-2013, Governo
da Província de Benguela, com enfoque nos seguintes quatro domínios3:
I – Desenvolvimento Social e Cultural
Promover o desenvolvimento humano dos benguelenses, erradicando a fome e a pobreza, promoven-
do o nível educacional e sanitário da população, garantindo a igualdade, reintegração social e oportu-
nidade, numa sociedade democrática e participativa.
II – Desenvolvimento económico
Garantir um ritmo elevado de crescimento económico local sustentável, afirmando as suas potencia-
lidades e vantagens comparativas nos sectores da agro-pecuária, das pescas, da indústria, do trans-
porte e do turismo.
III – Desenvolvimento das Infra-estruturas e Ambiente
Desenvolver de forma harmoniosa e ordenada o território da Província, garantindo a mobilidade, habi-
tação e o respeito ao meio ambiente, com a melhoria da qualidade de vida da população.
IV – Desenvolvimento Institucional
Possuir uma máquina administrativa moderna e tecnologicamente avançada para corresponder às
modernas técnicas de gestão, de forma intersectorial, alinhada com as estratégias do Governo Central
e com os indicadores de resultados reconhecidos pela comunidade internacional.
Quadro 5: Lista dos decretos e das resoluções oficiais O futuro Hotel Escola de 3 estrelas, com uma capaci-
relativos ao sector da hotelaria e turismo dade de 600 alunos/ano, encontra-se em Benguela.
I Série – N° 21 (25 de Janeiro de 1975) O subprograma de marketing turístico da Província
Decreto N° 66/75 de 25 de Janeiro ref. Estabeleci- contempla um calendário de eventos, roteiros turísti-
mentos hoteleiros e similares cos, sites na internet, bem como uma assessoria de
imprensa permanente. Existem também projectos de
I Série – N° 29 (20 de Junho de 1997) parcerias público-privadas (PPP), estando prevista a
Comissão Permanente do Conselho de Ministros
construção de um aldeamento no Parque Chimala-
Resolução N° 7/97 – Aprova a Politica Nacional de
vera, hotéis de 2 ou 4 estrelas de 40 a 100 quartos
Turismo
no Dombe Grande, Baía Farta, Baía Azul e na Caota.
I Série – N° 31 (27 de Junho de 1997)
A última série de projectos está relacionada com o
Comissão Permanente do Conselho de Ministros
Resolução N° 9/97 – Aprova a estratégia sectorial da apoio ao desenvolvimento, através da criação de um
Hotelaria e Turismo centro ou banco de dados, disponibilização de infor-
mações turísticas e hoteleiras, um subprograma de
I Série – N° 38 formação profissional e técnica em hotelaria e turis-
Decreto-Lei N° 6/97 – Estabelece as normas respei-
mo, e outros nove subprogramas de sensibilização
tantes ao aproveitamento dos recursos turísticos
para a valorização do turismo na região, com realce
do país e ao exercício da indústria hoteleira e si-
para as actividades viradas para a sensibilização da
milares – Revoga o Decreto6Lei N° 49399, de 24
de Novembro de 1969, posto em vigor em Angola população local, das entidades policiais e doutras
por força da Portaria Ministerial N° 208/74 de 20 de directamente ligadas à causa turística e à formação
Março e toda a legislação em contrário. contínua de mão-de-obra na Baía Farta, Balombo,
Fonte: Diário da Repûblica – Ógão Oficial da Rebública de Benguela, Bocoio, Caimbambo, Chongoroi, Cubal,
Angola Ganda e Lobito.
O TURISMO SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO
14 Mapeamento da Situação do Turismo na República de Angola
2. As infra-estruturas turísticas O sector do turismo em Benguela tem conhecido um
crescimento substancial, não só fruto da paz em que
A reabilitação e a melhoria das infra-estruturas e dos
vive o país desde 2002, mas sobretudo pela pressão
eixos rodoviários provinciais favorecem o crescimento
da chegada de estrangeiros, em negócios e eventos
do turismo. Além disso, o desenvolvimento do siste-
desportivos organizados por Angola. Em resultado
ma integrado de infra-estruturas de base, incluindo a
disso, aumentou também o número de infra-estrutu-
energia eléctrica e a água, bem como o crescimen-
ras turísticas para 3.127 estabelecimentos, absorven-
to urbanístico ordenado com a preservação do meio
do uma força de trabalho estimada em 134 mil em-
ambiente, favorecerá o desenvolvimento do turismo
pregados, dos quais apenas cinco mil têm formação
sustentável.
média, básica, ou superior ligada ao sector5.
A meta, em termos do desenvolvimento da hotelaria
Tabela 3: Infra-estructuras Julho 2010 e do turismo, é aumentar o número de hotéis na pro-
Alojamiento víncia, para atingir 4118 camas na globalidade, em
Camas 2088 2013. A segunda meta é aumentar o fluxo de turistas
Quartos 1951 na província, para uma movimentação de 225.000 tu-
Establecimentos 115 ristas por ano.
Classificação Segundo a dimensão 3. O papel do turismo na luta contra a
Unidades com < 5 camas 8 pobreza
Unidades de 5 a 9 43
O turismo desempenha um papel chave para a eco-
Unidades de 10 a 19 34
nomia local devido aos efeitos de arrastamento sobre
Unidades de 20 a 29 19
o emprego e noutros sectores produtivos e de ser-
Unidades de 30 a 39 4
viços.
Unidades de 50 a 99 4
Unidades de 100 a 249 3 Em relação a Benguela, pode-se considerar que a ac-
tividade turística ainda possui margem de evolução
para contribuir para o desenvolvimento económico
Repartição Segundo o tipo de alojamiento
local, não obstante a falta de incentivos para a diversi-
Hotéis 13
ficação dos produtos turísticos que permita a redução
Aparthotéis 3
dos custos de investimento. Como efeito, o turismo
Pensões 44
local continua a ser mais um sector de sobrevivên-
Pousadas 2 cia e, por enquanto, não contribui para o aumento da
Hospedarias 51 renda dos investidores, nem indirectamente para as
Complexo turístico 1 camadas pobres associadas ao sector.
Campismo 1
Ademais, e tal como sucede noutros sectores econó-
Fonte: Relatório do I Semestre 2010, Direcção Provincial do micos, existe um imposto de consumo de 10% para
Comércio, Hotelaria e Turismo
as unidades de alojamento e de restauração, dos
quais 6% se destinam às despesas públicas e 4% ao
fomento do turismo. No entanto, os operadores turís-
Quadro 6: Índice Humano em Angola
ticos privados reclamam do destino dado aos 4% que
Segundo o relatório do PNUD 20104, o índice de deviam ser direccionados ao fortalecimento do sector.
desenvolvimento humano em Angola é de 0.403. O
Não obstante, a situação de pobreza na Província me-
país situa-se na 146ª posição num ranking de 177
países. Em Angola, 58.4% dos angolanos são con- lhorou notoriamente devido aos esforços empreendi-
siderados pobres. A incidência de pobreza é mais dos pelo Governo na construção de infra-estruturas.
alta no meio rural que no meio urbano. A situação actual da Província de Benguela é muito
Fonte: PNUD/IDH. Edição 20ª, 2010: [Link]
distinta da que se viveu no período de guerra, carac-
media/HDR_2010_PT_Complete_reprint.pdf terizada por indicadores sociais muito baixos.
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
AS DINÂMICAS DO TURISMO NA PROVÍNCIA DE BENGUELA 15
Quadro 7: Indicadores sociais em Angola Quadro 8: CAN 2010
O país, de maneira geral, vivia dentro de circun- Foi difícil construir-se uma opinião sobre o impacto
stâncias especiais, o que inviabilizou a melhoria de económico do CAN 2010 na Província de Ben-
vida da maioria da população6: guela. Alguns falam de fracassos com os hotéis
• Mais de 60% do povo abaixo de níveis médios que ficaram vazios. Outros falam de hotéis cheios
de pobreza a 100% por 20 ou 25 dias. Há relatos frequentes
• Mais de um terço da população na condição de que os adeptos de algumas equipas fizeram ar-
de deslocado ranjos em relação ao alojamento com pessoas nos
• 2ª maior taxa de mortalidade infantil a nível bairros. Outros ficaram na placa do aeroporto, com
mundial, com 200 mortos em 1000 nascidos o avião mobilizado até ao fim do jogo para regres-
• Dezenas de milhares de crianças de rua sarem a Luanda. Outros preferiram a praia. Outros
• Mais de 100 mil mutilados de guerra angolanos dormiram nas pensões mas compraram ingredien-
• Esperança de vida inferior a 42 anos de idade tes para com a ajuda dos cozinheiros das pensões
• Mais de 70% de analfabetos confeccionarem a sua própria comida. Outros não
• Salários muito baixos e desemprego acima de puderam entrar no país por não obterem o visto de
55% entrada.
• Fuga acentuada e crescente de jovens e quad- Todos reconhecem o investimento feito pelo Gover-
ros nacionais para o estrangeiro no em prol do CAN. Apesar disso, o sector privado
Fonte: Júlio Cardenas Perez, A pobreza, o flagelo da não parece ter merecido a atenção suficiente, de
humanidade. Sua presença num bairro da Africa austral. http://
[Link]/trabalhos2/a-pobreza-angola/a-pobreza- modo a aumentar a sua capacidade de resposta
[Link] ao mercado.
Duma forma geral, os esforços empreendidos permi- Direcção Provincial do Comercio, Hotelaria e Turismo
tiram uma melhoria da empregabilidade nas camadas - Organização interna
mais pobres. Além disso, a livre circulação de pes- • Recursos humanos: A DPCHT conta com um
soas e bens é um marco para as acções de redução efectivo de 57 funcionários;
da pobreza, porque permite às populações exerce-
• Serviços de apoio consultativo: A DPCHT con-
rem actividades economicamente úteis. ta com dois Órgãos de apoio consultivo – o
Há, portanto, a considerar a necessidade de reforçar Conselho de Direcção Restrito (CDR) e o Con-
os mecanismos que permitem o aumento da renda selho de Direcção Alargado (CDA).
das pessoas economicamente desfavorecidas, atra- As acções concretas do sector na Província incluem
vés da profissionalização dos serviços de apoio ao apoio metodológico e funcional às unidades hotelei-
sector do turismo. ras para a sua reclassificação em termos de qualida-
de (por exemplo, a construção da Hotel Escola, em
Neste contexto, o turismo pode ser regulamentado,
Benguela, cujo arranque foi previsto para princípios
permitindo a oferta de pacotes atractivos. O processo de Novembro 2010), e a tomada de medidas contra
pode ser acompanhado da criação de bases logísti- a ocupação anárquica dos espaços enquanto não é
cas com custos controlados, através da regulamen- aprovado um Plano Director de Turismo, e, em cola-
tação dos preços de serviços e do desenvolvimento boração com o Governo Provincial, vedar ou colocar
de políticas de turismo que, por exemplo, facilitem a placas “Reservas do Estado” em zonas de interesse
emissão de vistos. público e em sítios com alta pressão urbanística, na
maioria dos casos nas praias.
4. Identificação e mapeamento dos Por exemplo, a Direcção Provincial do Comércio,
atores na Província de Benguela Hotelaria e Turismo orientou, durante a 2ª reunião do
Conselho de Direcção Alargado de 18 de Outubro de
O universo de actores que intervêm no desenvol- 20107, o levantamento de locais de interesse turístico
vimento do sector do turismo é vasto, abarcando (descrição e fotografia). Os participantes no encon-
quase todos os segmentos sociais, repartidos pelos tro receberam orientações de como fazer o cadas-
sectores público, privado e social, designadamente: tro destes locais, sendo importante conhecer a sua
O TURISMO SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO
16 Mapeamento da Situação do Turismo na República de Angola
história, datas importantes, imagens fotográficas e Na preparação da CAN 2010, foi constituída uma co-
distância a partir da sede provincial. Na mesma reu- missão pela Direcção para elaborar uma carta turísti-
nião, foi recomendado que as repartições municipais ca de Benguela e também para formar guias.
incentivassem os proprietários das fazendas agrícolas
a contactarem a Direcção Provincial, no âmbito do Associação de Hotelaria de Benguela
aproveitamento dos locais turísticos.
Constituída em 1993, não apresenta um trabalho
Direcção Provincial da Cultura visível junto do governo. O seu presidente nunca foi
reeleito e os mais de 110 membros encontram-se
Em termos de benefícios financeiros, não está legisla-
do por enquanto o pagamento das entradas nos mo- praticamente inactivos. A actual direcção pretende re-
numentos. Existe em todo o país apenas um monu- dinamizar a associação com pelo menos cinco mem-
mento que cobra um preço módico de entrada, que bros activos.
é o Museu da História Natural em Luanda. Este Mu-
A prioridade para 2011 é o desmembramento da as-
seu funciona em regime de Parceria Público-Privada
sociação em várias associações profissionais, nas
(PPP).
áreas de:
O património histórico e cultural constitui um produto
com grande potencial turístico. Por exemplo, um livro • Alojamento;
sobre o património arquitectónico classificado e não • Restauração;
classificado, publicado em 1995, esgotou-se, não
• Agência de viagens e guias.
existindo sequer um exemplar na Direcção de Cultura.
A primeira Feira Nacional de Artesanato foi organizada Mapeamento dos actores e parceiros
em Luanda, em Outubro de 2010. A Direcção Pro-
A tipologia e a dinâmica dos actores e parceiros no
vincial da Cultura de Benguela apoia os artesãos da
sector do turismo são diferenciadas entre os que
Província recolhendo os produtos e contribuindo com
transporte para as feiras que frequentemente ocorrem detêm maiores capacidades e habilidades de inter-
em Luanda. A Direcção intervém até ao nível munici- venção e aqueles com limitada consistência organi-
pal com uma rede de pessoas que fazem a identifi- zacional e de relações. Distintamente registam-se os
cação e a recolha das peças. seguintes:
Tabela 4: Mapeamento dos actores e parceiros
Actores / Parceiros Seus interesses e responsabilidades Benefícios potenciais para o destino e as Envolvim-
comunidades ento em
turismo
Sector privado8 (op- • Desenvolvimento e promoção duma • Uma variedade de benefícios Sim
eradores turísticos, variedade de empresas (facilidades, económicos e sociais locais associad-
alojamento, restau- produtos e serviços) da qual a indús- os ao desenvolvimento de empresas,
ração, guias e trans- tria turística depende rendimento e emprego
porte)
Associação de Ho- • Reforçar o sector privado com uma • Apoio ao desenvolvimento de empre- Sim
teleiros e Turismo nova associação dinâmica e desen- sas, rendimento e emprego no sector
volvimento duma voz para colabo- do turismo
rar com as Direcções Provinciais e
• Facilitar o fomento do turismo através
aumentar as iniciativas de Parcerias
dos 4% da taxa de consumo
Público-Privado (PPP)
Comunidades e em- • Desenvolvimento e promoção de • Aumento das oportunidades locais Não
presários de negócios produtos e serviços com respeito em termos de emprego, bem-estar e
locais do ambiente e da cultura locais orgulho local
Direcção Provincial do • Actividades ligadas à identifica- • Apoio ao desenvolvimento económi- Sim
Comércio, Hotelaria e ção, planeamento e gestão das co local (aumento das chegadas
Turismo Benguela unidades hoteleiras e restaurantes, turísticas) e desenvolvimento de pro-
das atracções e sítios turísticos, em jectos e programas ajudando as co-
colaboração com o sector privado munidades locais
(serviços)
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
AS DINÂMICAS DO TURISMO NA PROVÍNCIA DE BENGUELA 17
Actores / Parceiros Seus interesses e responsabilidades Benefícios potenciais para o destino e as Envolvim-
comunidades ento em
turismo
Direcção Provincial do • Actividades incluindo planeamento • Aumento dos fundos para a gestão Sim
Ambiente, Recursos e gestão das áreas protegidas e das das áreas protegidas
Naturais, e Florestais zonas periféricas para assegurar o • Desenvolver uma sensibilização sobre
DP Agricultura apoio ao ecoturismo como ferra- assuntos de conservação da biodiver-
menta para a conservação e desen- sidade
volvimento de mercados agrícolas
• Novos mercados desenvolvidos para
• Avaliação das actividades ecoturísti- os produtos agrícolas
cas nas áreas protegidas para asse-
• Ecoturismo abre uma oportunidade
gurar o equilíbrio com os objectivos
ao emprego e rendimento locais e
de conservação
permite um apoio à conservação da
biodiversidade
Direcção Provincial da • Actividades ligadas à valorização da • Aumento dos recursos financeiros Sim
Cultura cultura e do património angolano e para a conservação do património
à gestão dos sítios ao nível local • Divulgação de conhecimento da cul-
• Criação de um contexto favorável tura local fora dos limites da Província
para a produção de lembranças e das fronteiras do país
turísticas • Desenvolvimento do turismo susten-
tável ajuda a diversificação da econo-
mia e da indústria locais
Comando Provincial • Segurança e bem-estar dos turistas • Desenvolvimento do turismo susten- Sim
da Polícia Nacional de tável aumenta o orgulho local, o bem-
Benguela estar e a segurança locais
Direcção Provincial • Rendimentos recebidos das activi- • Aumento dos rendimentos a partir Não
das Finanças dades turísticas das taxas directas e indirectas das
• Fundos reservados para os departa- actividades turísticas apoiando os
mentos ligados ao turismo programas provinciais de desenvolvi-
mento
• Facilitar o acesso ao crédito
bancário para as empresas locais
Direcção Provincial de • Desenvolvimento e gestão dos • Aumento dos fundos da Província Não
Transporte e Obras acessos as atracções e sítios turísti- para as estradas, o transporte e a con-
Públicas cos strução
Direcção Provincial de • Promoção de conhecimento e com- • Desenvolvimento de novas oportuni- Não
Educação, Ciência e preensão da formação em turismo dades educativas com benefícios para
Tecnologia sustentável o país
• Pesquisa para guiar a futura estru- • Assistência dos projectos turísticos
tura do turismo sustentável para o desenvolvimento dos pro-
• Produção de formandos profission- gramas escolares
ais em turismo sustentável
• Desenvolvimento de cursos em tur-
ismo sustentável
Gabinete de Estudos • Assegurar cooperação e sinergias • A transversalidade do turismo en- Não
Planeamento e Es- na planificação do turismo susten- coraja a cooperação entre as Di-
tatística tável recções Provinciais
• Redes de terra e direitos das comu- • Assegurar os direitos das comuni-
nidades dades / Melhor distribuição dos bene-
• Política de redução da pobreza fícios
Direcção Provincial de • Gestão dos serviços de saúde para • O crescimento do turismo sustentável Não
Saúde os turistas oferece uma melhor sensibilização
local aos assuntos de saúde e de hi-
giene
• Assistência aos projectos turísticos
para apoiar programas locais de
saúde
O TURISMO SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO
18 Mapeamento da Situação do Turismo na República de Angola
Actores / Parceiros Seus interesses e responsabilidades Benefícios potenciais para o destino e as Envolvim-
comunidades ento em
turismo
Direcção Provincial • Redes de trabalho • Protecção dos trabalhadores no sec- Não
da Administração tor do turismo
Pública, Emprego e
Segurança Social • Melhor eficiência
Direcção Provincial da • Assuntos de género introduzidos • Oportunidades empresariais no tur- Não
Família e Promoção na agenda do turismo e no planea- ismo para o “empoderamento” das
da Mulher mento turístico mulheres
Associações Juvenis • Divulgação das informações sobre • Aumento das oportunidades para Não
o desenvolvimento do turismo sus- pequenas empresas locais, bem-estar
tentável na Província e orgulho locais
Universidade Katy- • Desenvolvimento local • Apoio técnico às fases (1) localização Sim
avala Bwila / Depar- e (2) caracterização / descrição dos
tamento de Geografia recursos turísticos no Município da
do ISCED, Benguela Ganda com objectivo de desenvolver
o turismo rural e agro-turismo
• Apoio à produção de material promo-
cional em termos de conteúdo dos
livrinhos, panfletos, folhas...
ONG e agências de • Peritos em turismo sustentável e • Apoio aos Municípios e à Província Não
desenvolvimento apoio aos projectos ao nível local para atingir os objectivos da Provín-
cia
Apesar de estarem envolvidos no sector da hotela- 1. O Potencial turístico (análise FOFA –
ria e do turismo, os vários actores deveriam cooperar SWOT9 na designação Inglesa)
mais entre si, no sentido de servirem como parceiros
do destino ‘Benguela’, na reflexão conjunta sobre o Refira-se à Tabela 5.
desenvolvimento do turismo na Província, através de
uma visão comum e de uma planificação ordenada 2. O papel da sociedade civil nas
das actividades. dinâmicas do turismo
O papel da sociedade civil é claramente definido
C. Os desafios como organização não-estatal sem fins lucrativos,
do turismo na tendo em vista a prossecução do bem comum ao
Província de nível duma unidade, seja ela bairrista, profissional ou
Benguela social. Nalguns países em desenvolvimento o seu pa-
pel já é reconhecido.
Em Angola, o papel da sociedade civil tem evoluído
Com vista a compreender-se o contexto local para a
substancialmente, e este segmento tem funcionado
implementação de actividades turísticas sustentáveis,
com perícia técnica no processo de dinamização co-
foram realizados dois exercícios com grupos de inte-
munitária. Tendo em conta os obstáculos que enfren-
resse na sede do município da Ganda e na da provín-
cia de Benguela para realizar uma análise dos pontos ta relativamente à luta contra a pobreza, a sociedade
fortes e debilidades, oportunidades e obstáculos exis- civil necessita de um programa de apoio concreto10
tentes. A Tabela 5 faz uma abordagem dos laços das que lhe permita definir os diferentes níveis de estru-
actividades existentes com a política de desenvolvi- turação11 e a adopção de estratégias para o seu for-
mento turístico nacional e com a estratégia provincial. talecimento.
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
AS DINÂMICAS DO TURISMO NA PROVÍNCIA DE BENGUELA 19
Tabela 5: O Potencial turístico (análise FOFA – SWOT na designação Inglesa)
Objectivo: Apoiar o desenvolvimento do turismo sustentável na Província de Benguela
Origem do factor Positivo: Ajuda a atingir o objectivo Negativo: Impede a atingir o objectivo
Interna Forças Debilidades
Actual possibi- • Litoral e interior Ao nível provincial:
lidade de contro-
• Turismo de lazer / Praia • Falta de visão para o destino
lar e influenciar
• Turismo de negócios / Centros urbanos • Poucos trabalhadores formados em hotelaria
• Património arquitectónico nas cidades de • Formação hoteleira inexistente
Benguela e Lobito • Poucos operadores turísticos
• Posição central da Província - Acesso- • Ausência de guias turísticos
passagem / Norte – Sul do país e Luanda
• Fraqueza do financiamento
– interior
• Altas importações
• Infra-estruturas / Estrada – Aeroporto –
• Altos preços dos produtos de base
Porto
• Ruptura na oferta dos produtos de base nas lojas
• Unidades hoteleiras no litoral
• Limpeza das praias
• Entretenimento / discotecas
• Ausência de pacotes turísticos
• Comunicação
• Ausência de política para valorizar os recursos nat-
• Águas termais no interior / Balombo e
urais e culturais
Cubal
• Ausência de Plano de Ordenamento / Construções
• Mão-de-obra disponível
anárquicas / Desordem no litoral
• Ausência de informação turística
• E-Marketing
• Preços de hotéis
• Ao nível nacional:
• Turismo como sector de prioridade do Governo
• Legislação do turismo / Leis
• Plano Director de Turismo
• Concertação e diálogo com os actores das Províncias
Externa Oportunidades Desafios
Para o futuro • Infra-estruturas / Aeroporto internacional • Política de preços
Fora do controlo – Comboio • Abertura da escola de hotelaria
directo • Património cultural / Fortes tradições no • Inventário dos recursos turísticos no interior / Meios
interior necessários para a elaboração do inventário
• Turismo rural no interior • Integração do curso de turismo nas universidades
• Actividades náuticas ex. mergulho públicas e privadas do país
• Montanhas (actividades desportivas ex. • Apoio do Governo ao turismo
escalada e parapente) • Promoção do turismo nos Municípios
• Mercado nacional emergente / cresci- • Valorização do património local
mento da procura • Integração do sector do turismo na Estratégia Nacio-
• Divulgação da imagem da Província nal de Combate a Pobreza
como destino turístico • Qualidade das aguas nas praias
• Sensibilidade aos valores locais • Desenvolvimento dos outros serviços públicos como
• Escola de Hotelaria em construção em energia, água, saneamento, saúde...
Benguela
• Diagnóstico dos recursos turísticos no
Litoral (Dezembro 2010)
• Universidade / Formandos em geografia
e licenciatura em turismo
• Associações provinciais e locais
• Política de implementação de padrões de
qualidade nas unidades hoteleiras
• Melhor competitividade
• Nova proximidade do crescente mercado
de Luanda (5 horas de carro)
O TURISMO SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO
20 Mapeamento da Situação do Turismo na República de Angola
3. Turismo e impacto sócio–económico A ocupação anárquica do espaço litoral (ex. Praia
e ambiental de Santo António) provoca perda de qualidade das
atracções turísticas identificadas, limitando o acesso
Em relação ao ordenamento do território, o litoral con- dos banhistas às praias.
hece hoje a melhor oferta e a melhor procura. Mais
de 4/5 das camas encontram-se nos dois maiores As potencialidades no interior da zona da serra, com
centros urbanos (Benguela e Lobito), criando um des- 1000 metros de falésia escarpada, ideal para desen-
equilíbrio territorial em relação ao interior. volver actividades desportivas (ex. parapente e esca-
lada), não necessitam de investimento inicial e vão ter
um impacto mínimo no meio ambiente. Os ‘aficiona-
Figura 3: Repartição geográfica das unidades hoteleiras dos’ dessas actividades estão sempre à procura de
na Província de Benguela terrenos virgens para explorar e praticar a sua paixão
na natureza selvagem.
Unidades hoteleiras
Encontram-se exemplos de pequenos empresários
100% que fizeram o caminho pouco a pouco, em 15 ou 20
80%
anos, a partir de um pequeno negócio de venda de
comida, e que cresceram até serem proprietários de
60%
pensões com mais de 20 quartos.
40%
Os novos estabelecimentos hoteleiros introduzem no-
20%
vas medidas para poupar energia (economizadores
0%
com cartões) e o consumo de água, instalando, por
Benguela e Lobito Interior
exemplo, lâmpadas de baixa consumo e dois botões
Fonte : DPCHT - Direcção Provincial de Comercio, Hotelaria e de descarga nos autoclismos das casas de banho.
Turismo
Alguns vão instalar brevemente painéis para água
quente.
O crescimento rápido do número de unidades e de Através desses modelos, introduzir-se-á uma nova
camas no município de Lobito pode provocar um
abordagem da preservação do meio ambiente, que
desequilíbrio na indústria turística local. Os pequenos
poderá ser utilizada fora do sector da hotelaria. No
hotéis vão sentir mais a concorrência e aqueles sem
entanto, o pior impacto provém das águas residuais,
condições vão ter que baixar os preços, não estando
enquanto não se desenvolve o seu tratamento ao ní-
assegurado que possam manter a qualidade. Segun-
vel dos centros urbanos, onde o sector privado, com
do os actores do sector privado, essa situação é o
interesse no turismo, pode ser chamado.
resultado de se ter deixado construir novas unidades
sem controlo de qualidade em termos de projecto, lo- Paralelamente, quanto ao Rendimento sobre inves-
calização e facilidades. timento (ROI, return on investment), não parece ha-
ver um clima favorável para que os indivíduos ou as
famílias possam investir no sector da hotelaria. Por
Figura 4: Disponibilidade de camas no Lobito exemplo, a falta de incentivos financeiros para a hote-
Camas de Lobito laria, obriga ao recurso a meios alternativos, tanto na
formação como na importação de equipamento. Por
300%
outro lado, a falta de subvenções e os juros de crédito
250%
bancário de 26% inviabilizam a aposta de pequenos e
200%
médios investidores no ramo do turismo.
150%
100% Essa associação faz com que os arrendamentos se-
50% jam muito mais caros do que o financiamento de uma
0%
Ano 2011 nova construção e incentiva a baixa ocupação nas
Ano 2010
pensões. Consequentemente, os empréstimos ban-
cários não são honrados. A água é muito cara e é
difícil ter acesso à energia eléctrica, tornando os gera-
Fonte : Relatório do I Semestre da DPCHT (Julho 2010) dores em fontes obrigatórias, mas onerosas.
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
AS DINÂMICAS DO TURISMO NA PROVÍNCIA DE BENGUELA 21
Essas dificuldades repercutem-se nos preços, tornan- pequenas unidades sofrem.
do-os mais altos e limitando a ocupação de quartos
Quanto à promoção, os pequenos proprietários sen-
de forma sustentada. A grande maioria dos produtos tem a falta de publicidade na televisão sobre o turismo.
de base são importados (ex. sabão, iogurtes, mel…), Não há convite de emissões televisivas para acções
e a água engarrafada é, por exemplo, mais cara que o de marketing, apenas comunicação interpessoal. As
gasóleo. Os rendimentos não são como se esperava. pensões vendem directamente e não passam através
As dificuldades estão no pagamento aos bancos e no dos operadores turísticos. A promoção independente
financiamento. É difícil baixar os preços e, por isso, as é demasiado cara.
O TURISMO SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO
22 Mapeamento da Situação do Turismo na República de Angola
Notas: Capítulo II
1. IDA, Programa de Extensão e Desenvolvimento Rural
2. DPCHT
3. Programa Provincial de Medio Prazo 2009-2013, Governo da Provincia de Benguela
4. Fonte: PNUD/IDH. Edição 20ª, 2010: [Link]
5. [Link]
medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+angolabelazebelo%2FxJMd+%28AngolaBela%29
6. Júlio Cardenas Perez, A pobreza, o flagelo da humanidade. Sua presença num bairro da Africa austral. [Link]
com/trabalhos2/a-pobreza-angola/[Link]
7. ACTA da 2a reuniao do Conselho de Direcçao Alargado
8. Durante a missão na Província de Benguela não foi possível encontrar guias para as entrevistas
9. A Análise SWOT é uma ferramenta utilizada para fazer análise de cenário (ou análise ambiente), sendo usada como base para
gestão e planeamento estratégico. O termo SWOT é uma sigla oriunda do inglês, sendo um acrónimo de Forças (Strengths),
Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats).
10. Ver Anexo 5
11. O mapeamento dos actores não-estatais realizado em Março de 2010 idenfica quatro níveis de actuação da sociedade civil,
apresentando ao mais alto nível as conferências nacionais e regionais, no 3º as redes e ONGs nacionais, culminando com as
Organizações Comunitárias de Base, que na sua maioria funcionam à margem da legislação sobre as ONGs
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
3
Perspectivas e proposições
para a implementação de
projectos de turismo sustentável
24 MAPEAMENTO DA SITUAÇÃO DO TURISMO NA REPÚBLICA DE ANGOLA
A. Perspectivas sa depois do alojamento e antes da restauração na
capital do Gana2.
Com base na análise da situação actual do turismo na
As preocupações mais urgentes em termos de ne- Província de Benguela e dos desafios para o desen-
cessidades cruciais para desenvolver o sector do tu- volvimento do turismo sustentável, as propostas con-
rismo no país seguem o mesmo padrão de 20081 e centrar-se-ão no desenvolvimento de produtos novos
consubstanciam-se no: que podem interessar ao mercado interno existente.
• Reforço das capacidades humanas; Vender um produto novo a um mercado existente
• Criação de escolas de formação; pode estimular mais despesas da parte dos turistas
• Constituição de uma legislação sobre o turis- e permitir um novo rendimento às comunidades. Os
mo; produtos novos têm de corresponder ao interesse do
mercado e agradar aos turistas, com o suporte de
• Formação sobre marketing e comunicação
uma boa e dinâmica publicidade.
para atrair investidores;
• Formação linguística (inglês / francês); Outro enfoque pode ser a diversificação dos produ-
tos, como os do interior, e a venda de um produto
• Concessão de incentivos fiscais aos projectos
(ex. isenção do pagamento de imposto e do novo a um mercado novo. O risco por enquanto é
pagamento de imposto sobre aplicação de ca- demasiado alto para as comunidades locais. Seria ne-
pitais). cessária a participação de uma empresa com um bom
orçamento para a promoção, com o apoio do destino.
Por essa razão, pode-se projectar a promoção de um
1. Abordagem das iniciativas para destino do interior através da sua produção agrícola,
desenvolver o turismo sustentável em colaboração com as cooperativas e empresas lo-
O turismo balnear para o mercado interno e o turismo cais, ONG e os hotéis do litoral.
de negócio nos dois centros urbanos de Benguela e
Estas iniciativas devem enquadrar-se nos três pilares
do Lobito para o mercado interno, regional e inter-
do turismo sustentável, que são:
nacional, são os dois produtos existentes em 2010
na Província de Benguela. O resultado é que o litoral • Viabilidade económica e competitividade3;
conhece a melhor procura e a melhor oferta hoteleira • Equidade social e culturalmente sensível;
(como referido anteriormente, mais de 4/5 das camas • Responsabilidade ambiental.
encontram-se entre os centros urbanos de Benguela
e do Lobito), criando, a médio-prazo, um desequilíbrio Para consolidar o quadro necessário ao nível da Pro-
territorial. víncia de Benguela e assegurar assim o desenvolvi-
mento das iniciativas propostas, recomendam-se, em
As propostas vão tentar, numa primeira fase, introduzir primeiro lugar, cinco acções a nível provincial, que su-
um desenvolvimento da oferta para o mercado exis- portarão as quatro proposições:
tente na Província. As potencialidades ‘adormecidas’
do interior aparecem mais favoráveis para os projec- • Sensibilização e capacitação em turismo: ao
tos de desenvolvimento do turismo sustentável, com nível dos Municípios, das administrações mu-
foco na redução da pobreza. Os turistas de negócio nicipais e dos actores potenciais do sector pri-
poderão também aproveitar um aumento da oferta vado, das cooperativas e da sociedade civil4.
de produtos (especialmente os roteiros de meio-dia a • Reforço das Associações dos profissionais do
partir dos hotéis das cidades litorais) e, assim, deixar sector da Hotelaria e do Turismo.
alguns benefícios suplementares no destino, para • Reforço dos vínculos entre o turismo e os ou-
além do alojamento e da restauração. tros ramos e sectores da economia provincial e
Sem conduzir uma análise da cadeia de valor do tu- facilitação da criação de uma plataforma com
rismo em Benguela e no Lobito, considera-se um es- todos os actores, para contar com uma visão
quema ‘clássico’ das despesas turísticas para o alo- comum e com uma planificação ordenada das
jamento e a restauração, que não se verifica sempre. actividades relativas ao desenvolvimento do
Estudando o turismo de negócio em Acra, por exem- turismo sustentável ao nível do destino Provín-
plo, a prostituição aparece como a segunda despe- cia de Benguela.
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
PERSPECTIVAS E PROPOSIÇÕES PARA A IMPLEMENTAÇÃO DE PROJECTOS DE TURISMO SUSTENTÁVEL 25
• Reflexão sobre os três pilares da indústria turís- as crianças dos empregados, etc.).
tica: Produto – Qualidade – Preço. Devem ser • Para além dos aspectos cruciais relativos ao
decididos em conformidade com o mercado-
futuro Plano Director de Turismo, à revisão do
alvo. A futura plataforma da Organização da
aparelho legislativo e à formação em todos os
Gestão de Destino (DMO - Destination Mana-
níveis, propõe-se também um eixo de acção
gement Organisation) deverá tomar em consi-
ao nível nacional que reforce a colaboração in-
deração os nichos de mercado que quer atin-
gir e servir. Os mercados do Norte estão cada terministerial entre o Departamento do Comér-
vez mais interessados em conhecer o impacto cio Rural do Ministério de Comércio e os vários
económico e social do turismo na população departamentos do Ministério da Hotelaria e Tu-
local (ex. condições de trabalho, salários dos rismo, em relação às iniciativas de valorização
empregados, segurança social, escolas para da produção local (ex. Artesanato, mel, etc.).
Tabela 6: Abordagem das iniciativas de desenvolvimento do turismo sustentável; “Matriz do Produto - Mercado”
Matriz do PRODUTO
Produto – EXISTENTE NOVO
Mercado5
1. Penetração de mercado 2. Desenvolvimento de produto
= vender mais de um produto existente a um mer- = vender um produto novo a um mercado existente
EXISTENTE
cado existente
Pode estimular mais despesa da parte dos turistas e au-
Estratégia com risco fraco, mas a oferta pode mentar o rendimento das comunidades
sobrepor-se à demanda levando a uma baixa de Os produtos novos têm de corresponder ao interesse do
preço e falta de sustentabilidade mercado e agradar aos turistas
Mercado
3. Desenvolvimento de mercado 4. Diversificação
= vender um produto existente a um mercado = vender um produto novo a um mercado novo
novo
NOVO
Risco alto para as comunidades
Pode ser difícil para as comunidades pobres de- É necessária a participação de uma empresa com um
senvolver mercados, mas o destino deve consid- bom orçamento para a promoção, com o apoio do destino
erar a possibilidade de mercados novos que po-
dem atrair benefícios para os pobres
Matriz PRODUTO
Produto – EXISTENTE NOVO
Mercado
1. Penetração de mercado 2. Desenvolvimento de produto
Produto: turismo balnear (de sol e praia) Produto: turismo rural
Mercado: interno Mercado: interno
Produto: turismo de negócio Produto: turismo cultural
EXISTENTE
Mercado: interno, regional e internacional Mercado: interno
Produto: turismo de áreas protegidas (wildlife tourism)
Mercado
Mercado: interno
Produto: turismo de actividades desportivas de natureza /
turismo de aventura
Mercado: interno
3. Desenvolvimento de mercado 4. Diversificação
NOVO
Produto: turismo balnear (de sol e praia) Produto: turismo rural e cultural / turismo de natureza
Mercado: regional e internacional Mercado: regional e internacional
Fonte: 2010 UN World Tourism Organisation and Netherlands Development Organisation (SNV)
UNWTO/SNV (2010) Manual on Tourism and Poverty Alleviation - Practical Steps for Destinations
O TURISMO SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO
26 MAPEAMENTO DA SITUAÇÃO DO TURISMO NA REPÚBLICA DE ANGOLA
B. Proposições Actualmente os ateliers dos artesãos são poucos,
mas foram criadas redes de solidariedade que per-
mitem que vários artesãos trabalhem juntos e, com
O sucesso da implementação das iniciativas requer os seus aprendizes, produzam sobretudo estatuetas
o estabelecimento de parcerias com actores sérios e de madeira.
comprometidos. Além disso, a obtenção de sucesso
Os custos actuais envolvidos na aquisição da ma-
necessita de uma coordenação e da responsabilidade
de cada parceiro com um objectivo claramente defi- téria-prima, como a madeira, são altos, apesar do
nido. Dentro deste contexto “virgem” e “há tudo por facto de todo o material ser comprado localmente. A
fazer” deve-se avançar cuidadosamente e demons- madeira6 vem da Província de Benguela, de Cabinda
trar as vantagens do desenvolvimento do turismo e de Luanda (ex. Mbobulu - Pau Preto). Por isso, é
sustentável com projectos modestos, práticos e bem importante desenvolver uma gestão cuidadosa dos
coordenados. clientes para inverter o actual quadro, caracterizado
A seguir, apresenta-se quatro apostas para reflexão: por poucas encomendas. Neste contexto, é imperati-
vo implementar as seguintes actividades:
1. Lembranças: aumentar as despesas dos turis-
tas; • Estímulo do mercado local de venda do artesa-
2. Áreas protegidas: construir vínculos com as nato, às individualidades locais e compradores
comunidades vizinhas do Parque; estrangeiros;
3. Turismo escuro (dark tourism): um produto • Produção de cartões de visita para projectar a
novo que precisa de estudos apropriados so- imagem dos artesãos e atrair os compradores
bre a importância da historicidade e das me- aos ateliers;
mórias de guerra para o desenvolvimento do
turismo; • Replicação da experiência adquirida no âmbi-
to da organização feita em prol da CAN 2010,
4. Criação de imagem: definir e valorizar um pro-
duto principal do interior. em que os artesãos foram convidados a ex-
por suas peças nos estádios, hotéis e demais
locais públicos. Para o efeito, será necessário
1. Lembranças: aumentar as despesas
um maior envolvimento dos próprios artistas e
dos turistas
artesãos na criação de condições, na respon-
Hoje, os circuitos turísticos não incluem um espaço sabilização e no controlo do processo;
para que os turistas possam comprar lembranças e
• Criação de um Núcleo de artesãos locais em
deixar assim mais receita no destino, para além do
alojamento, da restauração e do transporte. Por outro Benguela que possa vir a fazer parte duma as-
lado, existe um artesanato de madeira com peças à sociação mais abrangente ao nível da Provín-
venda que os turistas podem facilmente comprar e le- cia (madeira, têxteis, ferro, cerâmica, cestos,
var, dependendo do tamanho e do peso das mesmas. etc.) ou de todo país.
Imagem 4: Artesão local de Lobito
Obra do atelier do Cristo, artesão na Restinga de Lobito Aprendiz a preparar uma peça para comercialização
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
PERSPECTIVAS E PROPOSIÇÕES PARA A IMPLEMENTAÇÃO DE PROJECTOS DE TURISMO SUSTENTÁVEL 27
2. Áreas protegidas: Parque e Reserva 3. Turismo escuro (dark tourism)
A província de Benguela, para além das suas ricas O turismo escuro7 (chama-se também turismo preto)
paisagens naturais, dispõe de duas áreas protegi- constitui a actividade turística destinada às visitas e
das, designadamente, o Parque Natural Regional viagens aos sítios ligados à morte e ao sofrimento.
CHIMALAVERA. Tendo em conta a sua fauna e lo- Incluem-se campos de batalhas, castelos, sítios de
calização geográfica próxima da capital provincial, os desastre, prisões famosas. O destino mais conhecido
dois pólos podem ser de interesse turístico. para o turismo escuro é o campo de concentração
As iniciativas para o desenvolvimento do turismo sus- de Auschwitz, na Polónia. Pode-se ouvir também o
tentável podem ser concebidas com a participação termo “turismo de campo de batalha” (battlefield tou-
das comunidades locais, através de: rism) relativo a batalhas históricas, como a do “Muro
do Atlântico”, sítio da Segunda Guerra Mundial.
• Promoção de iniciativas extensivas às comu-
nidades no desenvolvimento e organização do O turismo de guerra encerra uma ideia diferente de
Parque; viagem de recreio até zonas activas de combate e,
• Criação a médio-prazo de mecanismos de be- por isso, muito perigosas. Alguns jornalistas de guerra
nefícios financeiros para as comunidades vizin- chamam, com humor, os praticantes deste turismo de
has do Parque. “turistas de guerra”.
Dois Professores da Glasgow Caledonian University,
Quadro 9: Parque Natural Regional Chimalavera John Lennon8 e Malcom Foley, que escreveram um
livro sobre “Turismo escuro”, concluíram que as pes-
soas são atraídas por regiões e sítios onde acontece-
ram “tragédias e actos desumanos”, devido à cober-
tura mediática, e querem ver esses sítios tristemente
famosos na memória popular local ou nacional. Visi-
tas, por exemplo, aos sítios onde ocorreram os inci-
dentes mais notáveis de uma guerra.
O guia turístico mostra os lugares aos turistas e conta
“estimativas de mortos e feridos numa determinada
batalha no dia X”9. O guia leva os turistas para ver
as posições onde ficavam os combatentes dos dois
lados e a posição de onde atacavam, indica alguns
pormenores mais marcantes sobre as mesmas, etc.
Existem na Europa roteiros de turismo escuro relativos
à Segunda Guerra Mundial e à mais recente guerra
na Bósnia.
Benguela é uma das Províncias, entre tantas outras,
Foi estabelecido como Reserva Especial da Chi-
atingidas directamente pela guerra e identifica-se com
malavera pelo diploma legislativo nº 4124 de
05/06/1971, e elevado à condição de Parque Na- o Turismo Escuro, nomeadamente por apresentar
cional Regional da Chimalavera pela Portaria nº352 em todo o seu território marcas de onde ocorreram
de 15/04/1974. Está localizado a cerca de 24 km grandes confrontações armadas. As principais zonas
da cidade de Benguela e tem acesso fácil, pois é situam-se ao longo das estradas nacionais que ligam
servido por estrada asfaltada. Luanda a Benguela via Canjala; Benguela ao Huam-
bo nas vias Ganda e Balombo; Benguela à Huila via
A área total do Parque é de 150 Km2, com uma
Chongoroi; e Benguela ao Namibe via Lucira.
altitude que vai dos 50 aos 265 metros, constituída
por uma planície elevada, rodeada de montanhas. O desenvolvimento do turismo sustentável na verten-
A circulação no interior faz-se por caminhos de te- te turismo escuro pode ser explorado através dos se-
rra batida, transitáveis durante todo o ano. guintes pontos:
O TURISMO SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO
28 MAPEAMENTO DA SITUAÇÃO DO TURISMO NA REPÚBLICA DE ANGOLA
• Introdução do conceito do turismo escuro em 3. Desenvolvimento de iniciativas economica-
Angola para lembrar aos jovens e aos turistas mente rentáveis viradas para a produção agrí-
o passado escuro do país e aprender as lições cola, no âmbito do turismo sustentável para o
relativas aos excessos da humanidade; combate à pobreza no Município da Ganda.
• Desenvolvimento de projectos alternativos de Os principais produtos do campo incluem: Mil-
rendimentos para as comunidades rurais resi- ho; Feijão; Masambala; Batata rena; Alho; To-
dentes em zonas conhecidas como tendo sido mate; Abacaxi; Café; Mel.
palco de confrontações armadas. O exemplo
típico pode ser as zonas circundantes da co- O alho, o café e o mel parecem ser as três produções
muna da Canjala. agrícolas com vantagens comparativas relativamente
à concorrência com os outros Municípios da Provín-
cia de Benguela. As qualidades destes três produtos
4. Criação de imagem: definir e valorizar
são reconhecidas na Província e fora dela. O alho é
um produto principal no interior
um produto especial da Ganda e poderá futuramente
As potencialidades ‘adormecidas’ do interior são fa- tornar-se num produto principal. A Ganda já é famosa
voráveis para a implementação de projectos de des- pelo seu Café Arábica, produzido na Chicuma, e pelo
envolvimento do turismo sustentável, com o objec- seu Mel de Eucalipto. O café, chamado ‘Ouro Negro’
tivo de combater a pobreza. Os turistas de negócio
pelos membros da Cooperativa, aparece como um
poderão também aproveitar o aumento da oferta de
produto único na Província de Benguela. É produzi-
produtos (especialmente os roteiros de meio-dia a
do pela Cooperativa Agro-Industrial Pesca e Café da
partir dos hotéis das cidades litorais) e assim deixar
Ganda.
algumas receitas adicionais no destino, para além do
alojamento e da restauração. Será necessário um investimento considerável para
No caso da Ganda desenham-se várias oportunida- reabilitar a unidade de produção paralisada durante
des para o desenvolvimento do turismo sustentável, o período de conflitos na região. Quanto ao mel, é
devido ao seu manancial de recursos. Os possíveis sabido que os viajantes fazem desvio de percurso à
projectos podem focalizar-se em: Ganda somente para comprar este precioso produto.
As mulheres compram o mel aos produtores na mon-
1. Estudos sobre o potencial cultural e folclórico
tanha, depois acondicionam-no em garrafas de um
dos vários locais sagrados identificados na
Ebanga, Chicuma, Calava e Chacuma e seus litro para venda no mercado. O mercado interno exis-
crânios de sobas. Este manancial de roteiros te e o mel vende-se logo, tornando-se fonte de sobre-
turísticos, apesar da distância e do alto preço vivência das famílias. Não existe qualquer empresário
do pré-ritual e para o acesso aos sítios, inclui industrial para explorar este produto com qualidade.
o Santuário da Ganda, inaugurado pelo primei- Por enquanto, a quantidade de mel produzido não
ro Bispo de Benguela nos princípios de 1970 parece ser suficiente para a exportação.
e reinaugurado pelo actual Bispo da Província
O potencial turístico da província de Benguela é vas-
Dom Del Corso.
to, implicando, para o seu aprofundamento, a repli-
2. O estudo sobre os locais sagrados deve apoiar
cação deste exercício no domínio do turismo sus-
a compreensão dos Rituais e a sua importância
tentável. Para este efeito, pode-se recorrer a várias
no desenvolvimento dos povos e culturas da
ferramentas, tais como os diagnósticos participativos
província (por enquanto, o custo para ter aces-
para análise das Forças, Fraquezas, Oportunidades e
so aos lugares sagrados ronda os 300,000 Akz
ou 3,160 USD, em Nov. 2010). O estudo pode Ameaças/Desafios, e os estudos científicos realizados
tecer recomendações das formas de desen- pelas instituições de ensino e pesquisa. No caso da
volvimento das iniciativas no sentido de divul- Ganda, a análise FOFA (SWOT na designação Ingle-
gação desse manancial para o bem da ciência sa), permitiu recolher informações que podem sus-
e, com isso, desenvolver a atracção turística tentar variantes de projectos de turismo sustentável
no Município da Ganda. Também se deve me- destinados a reduzir a pobreza na região, conforme
dir os competidores nos outros municípios. se descreve abaixo:
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
PERSPECTIVAS E PROPOSIÇÕES PARA A IMPLEMENTAÇÃO DE PROJECTOS DE TURISMO SUSTENTÁVEL 29
Tabela 7: Analíse FOFA (SWOT na designação Inglesa)
Objectivo: combater a pobreza através do desenvolvimento do turismo sustentável no Município da Ganda
Positivo Negativo
Ajuda a atingir o objectivo Impede de atingir o objectivo
Interno Forças Debilidades
Actual • Administração e instituições municipais • Conhecimento de base sobre o turismo
Possibilidade • Autoridades tradicionais e religiosas • Alojamento – hotéis
de controlar e • Associações e cooperativas • Restauração
influenciar
• Bancos • Infra-estruturas
• Operadores comerciais – praça, padarias, • Estruturas de saúde
farmácias • Museu
• Acesso (Benguela e Huambo) • Destruição do meio ambiente
• Bomba de combustível • Pessoal qualificado em hotelaria
• Restaurantes e hospedarias
• Sítios de interesse turístico - Nascente do
Rio Catumbela, Aguas Claras da Babaera,
locais sagrados
• Património cultural – danças tradicionais e
locais sagrados (a)
• Produtos únicos de interesse turístico – Café
Arábica da Chicuma e Mel de Eucalipto (b)
Externo Oportunidades Desafios
Para o futuro • Estrada nacional Benguela - Huambo • Sensibilização ao turismo
Fora do controlo • Estrada secundária Kwanza Sul - Luanda • Acessos as comunas em caso de chuva
directo • Caminho-de-ferro • Minas terrestres
• Concorrência bancária • Inflação
• Reconstrução de uma Escola do Ensino Su- • Concorrência turística entre Municípios
perior • Formações adequadas (nível e custo) em hote-
• Reabilitação do Hospital laria e em turismo
*A análise foi feita com a colaboração de 8 participantes, membros da Cooperativa 25 de Maio da Ganda e outros parceiros do
sector privado e da sociedade civil.
O TURISMO SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO
30 MAPEAMENTO DA SITUAÇÃO DO TURISMO NA REPÚBLICA DE ANGOLA
Notas: capítulo III
1. Relatório da CNUCED / MINHOTUR 2008
2. SNV/ODI (June 2009) Pro-poor analysis of the business and conference value chain in Accra (unpublished)
3. Em termos de competitividade, lembra-se que Angola entrou no Global Competitiveness Index pela primeira vez este ano,
com a posição 138 a nível mundial, sendo um dos dois últimos países antes do Chad. Angola não aparece, todavia, na lista do
The Travel & Tourism Competitiveness Report 2009. Em Moçambique, a corrupção aparece como umo dos entraves mais im-
portantes à competitividade do sector turístico. É referido que nas zonas mais turísticas as companhias privadas gastam cerca
de 9.5% dos seus rendimentos na corrupção (Responsible Tourism – Critical issues for conservation and development, 2008)
4. Repetir o seminário « Promover o turismo sustentável » com o apoio e a colaboração dos formandos do curso de Benguela
(3-5 Novembro 2010)
5. UNWTO/SNV (2010) Manual on Tourism and Poverty Alleviation - Practical Steps for Destinations
6. Origem da Madeira (praticamente 100% angolana) proveniente da região de Cabinda.
7. O termo « turismo escuro » circula desde os anos noventa. Foi publicado em 1996 num jornal de especialistas: International
Journal of Heritage Studies.
8. Lennon, J. & Foley, M. (2000) Dark Tourism. The attraction of death and disaster. (Tourism, Leisure & Recreation). London
9. Exemplo da recente Guerra na Bósnia
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
Conclusão
32 MAPEAMENTO DA SITUAÇÃO DO TURISMO NA REPÚBLICA DE ANGOLA
Conclusão de turismo, podendo, por esse meio, contribuir para
a diversificação do sector e a descentralização dos
benefícios em favor de uma mais importante parte
Este mapeamento conclui que, apesar do desenvolvi- da população angolana. Benguela poderá ser um
mento do turismo se encontrar em fase embrionária, viveiro de novas experiências em matéria de turismo
existe potencial caso se adoptem os princípios do sustentável, no sentido do desenvolvimento de uma
turismo sustentável, que tem uma abrangência trans- actividade que considera a preservação dos recursos
versal, à semelhança dos Objectivos do Desenvolvi- naturais, culturais e o desenvolvimento social e eco-
mento do Milénio (ODM). A aposta na capacitação, no nómico.
treinamento e na promoção de iniciativas inovadoras
As quatro propostas, cujos detalhes se encontram
e sustentáveis de turismo pode transformar esse po-
nos anexos, aparecem em forma de projectos, tendo
tencial numa indústria de paz.
todos o mesmo objectivo, que é a redução da pobre-
Angola regista um importante crescimento económico za. As ideias de projectos consistem em: produção de
em paralelo com um alto crescimento das chegadas lembranças a nível de toda a Província; investimentos
de turistas. O mapeamento da situação do turismo nas Áreas Protegidas para o Parque Regional de Chi-
em Angola identificou três grandes obstáculos a um malavera e Reserva do Búfalo; iniciativas para o Tu-
desenvolvimento ainda maior da actividade, que são: rismo Escuro para a zona de Canjala ou outras áreas
a falta de flexibilidade para a entrada de turistas, a com sinais de guerra; e criação de uma imagem para
fraca profissionalização e a pouca promoção do turis- o turismo virado principalmente para o interior, com
mo. Além disso, verificou-se que existem discrepân- destaque para o Município da Ganda.
cias entre as diferentes regiões do país (litoral/interior,
capital/províncias). Sendo assim, o sucesso dessas experiências pode
impulsionar o sector, contribuindo para a definição
No entanto, o potencial da actividade é inegável. Seria de políticas e estratégias nacionais que facilitariam a
preciso coordenar esforços para que o sector contri- replicação desse exemplo noutras províncias. As pro-
bua de facto para o desenvolvimento económico e posições dos projectos esboçam um conjunto inova-
social do país. dor de acções que ficam à disposição dos actores
A Província de Benguela, sendo o segundo aglome- locais, incluindo estatais e sociedade civil, interessa-
rado populacional em Angola, apresenta um perfil dos no desenvolvimento dos conceitos do turismo
favorável à implementação de projectos inovadores sustentável em Angola.
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
33
Referências
Documentos:
1. Programa Provincial de Médio Prazo 2009–2013 (Dezembro 2007), Governo da Província de Benguela, República de Angola
2. Acta da 2ª Reunião do Conselho de Direcção alargado (15 de Outubro de 2010), Direcção Provincial do Comércio, Hotelaria e
Turismo, Governo da Província de Benguela, República de Angola
3. Bandeira M. F. (2009) El turismo en la región litoral central de Angola: análisis y valoración de las potencialidades locales –
Memoria para la obtención del grado de Doctor en Ciencias Económicas y Empresariales – Departamento de Economía de
las instituciones, estadística – ULL Universidad de la Laguna
4. Lennon, J. & Foley, M. (2000) Dark Tourism. The attraction of death and disaster. (Tourism, Leisure & Recreation). Londo
5. Ministério do Planeamento (Dezembro 2009). Plano Nacional 2010/2011
6. Programa Provincial de Médio-Prazo 2009-2013, Governo da Província de Benguela, in Decreto executivo conjunto n.º42/02
de 17 de Setembro
7. Relatório Anual 2009, Direcção Provincial do Comércio, Hotelaria e Turismo de Benguela
8. Relatório do I Semestre (28 de Julho de 2010), Direcção Provincial do Comércio, Hotelaria e Turismo, Governo da Província
de Benguela
9. The Global Competitiveness Report 2010-2011 – World Economic Forum
10. The Travel & Tourism Competitiveness Report 2009 – World Economic Forum
11. The Bradt Travel Guide ANGOLA First published October 2009
12. UNWTO/SNV (2010) Manual on Tourism and Poverty Alleviation - Practical Steps for Destinations
13. WTTC (World Travel & Tourism Council) - Travel & Tourism Economic Impact 2010 – Angola
Referências Weblinks:
1. Júlio Cardenas Perez, A pobreza, o flagelo da humanidade. Sua presença num bairro da África austral. [Link]
com/trabalhos2/a-pobreza-angola/[Link]
2. A Verdadeira Riqueza das Nações. Vias para o Desenvolvimento Humano, in PNUD/Índice de Desenvolvimento Humano.
Edição 20ª, 2010. [Link]
3. Programa de Extensão e Desenvolvimento Rural ([Link]/pdfs/fomento/desenvolvimento_rural/[Link] ),
in Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Rural (2006). [Link]
4. Angola_o número de turistas triplicou, 02/11/2010. [Link]
[Link]?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+angolabelazebelo%2FxJMd
+%28AngolaBela%29
5. Parques e Reservas Nacionais de Angola, 09/11/2009. Http://[Link]/Africano/Park_Angola.Html
O TURISMO SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO
Anexos
36 MAPEAMENTO DA SITUAÇÃO DO TURISMO NA REPÚBLICA DE ANGOLA
Anexo 1: Proposições Esse espaço pode, a médio ou a longo-prazo, servir
de base ao desenvolvimento de uma loja de venda de
de Projectos de artesanato da Província. É necessário aproveitar esse
Turismo Sustentável lugar, com uma posição privilegiada e não explorada
por enquanto.
Entretanto, para melhorar a vida dos artesãos, po-
1. Lembranças: aumentar as despesa dem-se propor acções com vista a apoiar a produção
dos turistas de artesanato.
Acções
Objectivo do projecto: Apoiar a produção artesanal
angolana e criar oportunidades económicas para Desenvolvimento do produto
os artesãos • Criar produtos inovadores e competitivos
Dois objectivos específicos: • Concentrar-se no desenho dos produtos em
1. Melhorar as condições de vida dos artesãos madeira
e das comunidades • Estimular ideias para produzir novos desenhos
2. Criar oportunidades de compras para os tu-
• Introduzir novas técnicas de produção, incluin-
ristas
do o controlo de qualidade e anomalias am-
O terceiro objectivo de longo-prazo seria desen- bientais (origem da madeira)
volver a exportação do artesanato angolano como • Calcular os custos e os preços
uma nova forma de exportações não-tradicionais.
• Adaptar a embalagem (packaging) e a apre-
sentação
Resumo do projecto • Estabelecer um conhecimento da produção
É necessário criar oportunidades para os turistas po- angolana e dos países da região (oferta)
derem gastar dinheiro fora das despesas de alojamen- • Estabelecer um conhecimento do mercado in-
to, de restauração e de transporte. Propõe-se desen- ternacional (procura)
volver um lugar que os turistas possam visitar, beber
Treinamento em Negócios
refresco de frutas locais1 e comprar lembranças. Além
disso, o projecto está a propor um apoio de capa- • Aumentar as capacidades dos artesãos em
citação aos artesãos para melhorar as suas vidas e negócios, através de formação para poderem
promover o artesanato nacional. concorrer no mercado global
Existe hoje um roteiro turístico no Rio Catumbela, ofe- • Compartilhar informação com os artesãos so-
recido por um operador turístico baseado no Lobito. bre os mercados
Além do passeio que se faz de carro até à barragem • Apoiar os artesãos no desenvolvimento sus-
no rio, estão a desenvolver um produto mais exclusi- tentável de um artesanato lucrativo
vo em colaboração com as comunidades locais: pas-
• Ligar com a Exposição da Feira SARCDA2, na
seio de canoa no rio ao pôr-do-sol. O sector privado
África do Sul
esforça-se no sentido de desenvolver esses produtos
turísticos. No entanto, continuam a faltar oportunida- Acesso ao mercado
des para os turistas adquirirem, particularmente arte-
• Desenvolver a estratégia de cadeia de distri-
sanato.
buição
Para além do aeroporto internacional, encontra-se en-
• Definir a politica de preços
tre as cidades de Benguela e do Lobito um património
histórico situado num ponto estratégico que permite • Ligar os artesãos a novos mercados e aos ex-
acesso fácil aos veículos e estacionamento, com vista portadores
do Rio Catumbela ao Oceano e oferecendo acesso a • Criar sinergias com exportadores de produtos
pé até Cruz, junto à ponte do Rio Catumbela. de artesanato africano
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
ANEXOS 37
Resultados esperados A Imogestin S.A. trabalha em colaboração com o IDF
(Instituto de Desenvolvimento Florestal).
• Aumento das Vendas
• Melhoria dos orçamentos dos artesãos
• ONG própria criada para apoiar iniciativas no Tabela 8: Dados do Parque Natural Regional Chimalavera
sector do artesanato Data de (re)abertura Outubro 2009
• Desenvolvimento das exportações angolanas Infra-estruturas e bens no- 1 área pública com duas
vos casas de banho
Parceiros potenciais do projecto 1 veículo 4x4
Pessoal 1 gestor e 4 guardas
• Direcção Provincial da Cultura
Água Alimentação semanal com
• Administrações municipais de Benguela e do camiões de Benguela
Lobito Energia Gerador
• Direcção Provincial de Comércio, Hotelaria e Prioridades dos gestores Base e análise de dados
Turismo relativas a fauna
• Associação dos Hoteleiros Vedação do Parque
• Associação de Transporte Importação de animais da
Namíbia
• Associação de Guias Bungalows
• Associação de agências de viagem Desenvolvimento de ac-
• ONGs especializadas em desenvolvimento das tividades desportivas (ex.
bicicletas – escalada)
habilidades de negócios
2. Áreas protegidas: Parque Natural Tabela 9: Visita ao Parque
Regional Chimalavera
A fauna do parque, com incidência para a cabra de
leque (Antidorcas marsupialis angolensis), sua princi- Direito de entrada5
pal atracção, triplicou entre 2003 e 2008, de acordo 750 AKz / adulto
com dados do IDF. O crescimento da fauna, em que Criança com menos de 12
se destacam ainda o macaco da savana, o chacal e anos: gratuito
as zebras, deveu-se à intensificação da fiscalização
levada a cabo em sistema de patrulhamento.
Regulamento 1 guia por viatura para den-
O Parque Chimalavera tem uma vegetação típica des- tro do Parque
ta zona semi-árida, onde apenas se registam quedas Duração Mais de 1 hora
pluviométricas da ordem dos 350 mm por ano, sen- Visitantes Indivíduos e famílias com
do a época de Março a de maior precipitação. Existe carros própios
vegetação herbácea, e fundamentalmente diversos ti- Visitas de grupos até 30
pos de acácias (espinheiras), destinada, em maior ou pessoas em autocarro
menor grau, à alimentação dos animais do Parque3. Condições de segurança Não há zonas minadas
dentro do Parque
Com a assinatura em Outubro 2009 duma concessão
de 25 anos4 e do contrato de exploração turística en-
tre a Imogestin, S.A. (companhia privada) e a Direcção
A promoção do Parque Natural Regional CHIMALA-
Provincial do Ministério do Ambiente, tenciona-se
VERA é feita pela Imogestin S.A. através do website
criar condições de pernoita para os futuros visitantes
[Link]. Em breve será imprimida e
dentro da área do Parque, bem como criar condições
para promover a recuperação da fauna e flora exis- distribuída uma brochura com fotografias dos animais
tentes nesta região, recorrendo inclusive, no futuro, e das instalações. A promoção faz-se também atra-
ao repovoamento de espécies actualmente extintas, vés do Hotel Terminus no Lobito, pertencente à mes-
com importação a partir de reservas da Namíbia. ma companhia Imogestin S.A.
O TURISMO SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO
38 MAPEAMENTO DA SITUAÇÃO DO TURISMO NA REPÚBLICA DE ANGOLA
Um operador turístico6 trabalha em conjunto com os Acções
gestores do Hotel Terminus, propondo aos turistas A curto-prazo
passeios turísticos. Na sua brochura incluem “City
• Tomar em conta a população local que sobre-
Tour Lobito e Benguela”, “Rio Catumbela”, as “Praias
vive com dificuldades numa zona semi-árida
do Litoral Sul” e o “Parque Chimalavera”. O operador
(menos de 350 mm de chuva por ano e um
turístico quer também oferecer brevemente como ac- solo pouco fértil)
tividades extra a descoberta do Parque Chimalavera
• Ter em conta a realidade social, cultural e his-
em BTT (bicicletas de montanha). tórica da população local
Todavia, o Parque não entrou na 1ª edição de Outubro • Identificar os representantes da população lo-
de 2009 do guia turístico “Bradt Angola”. cal
O Parque Natural Regional Chimalavera encontra-se • Partilhar a informação do projecto de desen-
volvimento do Parque com os representantes
ainda na 2ª parte da tabela “Produto-Mercado Matrix”,
da população local
sendo um produto novo para o mercado existente.
• Consultar os representantes da população lo-
cal sobre questões-chave relacionadas com as
Quadro 10: Exemplo de um roteiro turistico em oferta
incluindo o Parque Chimalavera etapas de desenvolvimento do Parque, levan-
do em consideração as prioridades
Partida e chegada do seu hotel, passeio em viatura
• Implicar os representantes da população local
4X4 c/motorista, pequeno-almoço no “Parque Chi-
na tomada de decisão e nas escolhas rela-
malavera”, visita às praias do litoral azul, visita ao rio
cionadas com a elaboração de um plano de
Catumbela
acções do Parque Chimalavera
Preço: • Sensibilizar a população local para os benefí-
• USD 120 / pax cios de ter a Área Protegida Chimalavera no
• USD 80 / pax (sem refeições) contexto “conservação da fauna e da flora vs
sobrevivência da população local”
• (mínimo 2 pax)
Fonte: [Link] A médio-prazo
• Criar um Fundo de Desenvolvimento para a
Objectivo do projecto: estabelecer vínculos com as população local a partir dos benefícios econó-
comunidades vizinhas da área protegida micos (ex. taxa incluída no preço das entradas
no Parque)
Objectivos específicos:
• Criar postos de trabalho7 dentro do Parque
• Envolver as comunidades no desenvolvi- para membros da população local (ex. guarda
mento e organização do Parque e senhora da limpeza para os futuros bunga-
• Criar a médio-prazo benefícios financeiros lows)
para as comunidades vizinhas do Parque. • Construir tanques de água para o gado fora
dos novos limites do Parque8
Resumo do projecto
Resultados esperados
A promoção do turismo sustentável deve incluir a A curto-prazo
equidade social. O projecto tenta estimular a partici-
pação da população local de criadores que vivem em • A população local é tida em conta nas diferen-
grupos pequenos, sem condições, ao redor de todo tes vertentes da sua realidade (social, cultural
e histórica)
o Parque Chimalavera. Essa participação deve acon-
tecer agora na fase de preparação, para que na fase • Os representantes da população local identi-
de execução a população local possa tirar vantagens ficados;
económicas e sociais, tanto a nível colectivo como in- • A informação do projecto de desenvolvimento
dividual. Os criadores e suas famílias parecem ter cla- do Parque partilhada com os representantes
ras privações sociais e necessidades consideráveis. da população local
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
ANEXOS 39
• Os representantes da população local consul- O novo caminho-de-ferro, que irá até Moçambique,
tados sobre questões-chave relacionadas com parte do Lobito. Lobito é hoje o 2º Porto marítimo do
as etapas de desenvolvimento do Parque, le- país.
vando em consideração as prioridades O Lobito é conhecido pelos seus desempenhos, ten-
• Os representantes da população local impli- do-se destacado em 2º lugar no carnaval do mundo
cados na tomada de decisão e nas escolhas lusófono. É também a única cidade angolana a per-
relacionadas com a elaboração de um plano tencer ao Fórum Internacional das Cidades sobre a
de acções do Parque Chimalavera Biodiversidade, e dedica-se ao tema da sustentabili-
• A população local sensibilizada sobre os bene- dade como membro activo do Fórum.
fícios de ter a Área Protegida Chimalavera no Além disso, uma das batalhas de referência da guerra
contexto “conservação da fauna e da flora vs civil angolana ocorreu no Norte do Município do Lobi-
sobrevivência da população local” to, no vilarejo de Canjala, ao longo da estrada nacio-
nal Lobito–Luanda.
A médio-prazo
A administração municipal quer desenvolver e propor
• O Fundo de Desenvolvimento para a popu-
aos turistas, cada vez mais numerosos, um novo pro-
lação vizinha do Parque criado duto turístico, com as visitas aos campos de batalha
• Uma ou mais pessoas da comunidade vizinha da memória colectiva angolana, onde Canjala tes-
são empregadas do Parque temunha os elementos escuros do passado. Desde
• Um ou mais tanques de água para o gado são o início o projecto considerará a integração de uma
construídos fora dos limites do Parque abordagem participativa com as comunidades vizin-
has dos campos de batalha.
Parceiros potenciais do projecto
Acções
• Imogestin S.A
• Definir a zona apropriada para desenvolver o
• IDF
projecto
• Associação dos proprietários/criadores de • Promover o conceito e as regras relativas ao
gado turismo escuro
• Cooperativas agrícolas • Responsabilizar os parceiros em relação aos
• Direcção Provincial do Comércio, Hotelaria e turistas
Turismo • Preparar uma mensagem clara apoiando-se
• Futura escola de formação em hotelaria e tu- numa versão imparcial e objectiva da história
rismo de guerra angolana
• Organizar um roteiro de lembrança
3. Turismo escuro (dark tourism) Canjala • Proibir a exploração comercial ou propagan-
dística
Objectivo do projecto: criar um produto turístico • Identificar e formar guias turísticos, gestores
novo no Município de Lobito dos sítios e pessoas das comunidades vizin-
Objectivo específico: desenvolver uma alternativa has sobre a forma de orientar as visitas
de rendimentos para as comunidades rurais de
Canjala.
Resultados esperados
• Definida uma zona apropriada para se desen-
Resumo do projecto volver o projecto
• Organizadas secções de sensibilização ao
O dinâmico Município do Lobito tem potencial para
conceito e às regras do turismo escuro
constituir-se como um dos maiores pólos de turismo
de Angola. A cidade celebrará o seu Centenário em • Os parceiros responsabilizados em relação
2013. Em breve, será concluído o Aeroporto interna- aos turistas
cional. • Preparadas mensagens claras e objectivas
O TURISMO SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO
40 MAPEAMENTO DA SITUAÇÃO DO TURISMO NA REPÚBLICA DE ANGOLA
• Organizado um roteiro de lembrança Resumo do projecto
• Proibida a exploração comercial ou propagan- Ganda é uma zona rural relativamente remota e com
dística poucas atracções desenvolvidas, não tendo até hoje
• Gestor do lugar formado e operacional verdadeiramente passagem e visitas de turistas.
• Guias turísticos, provenientes da comunidade A localização geográfica da Ganda e o facto de não
vizinha, formados e operacionais integrar os roteiros turísticos actuais limitam as opor-
tunidades de acesso dos turistas ao município. Uma
Parceiros potenciais do projecto das potencialidades encontra-se na cadeia de distri-
• Administração municipal do Lobito buição dos produtos agrícolas. Promover o Município
da Ganda através de um produto ‘farol’ de produção
• Direcção Provincial de Comércio, Hotelaria e
agrícola seria a primeira fase de desenvolvimento de
Turismo iniciativas locais, em termos de turismo sustentável.
• Direcção Provincial da Cultura / Secção de
Os hotéis do litoral e das duas cidades (Benguela e
Museografia
Lobito) proporcionam aos seus clientes o consumo
• Forças armadas da Província do mel de importação produzido em Portugal, na
• Associação dos ex-combatentes Suíça, etc. Os gerentes parecem interessados em
• Comunidades locais de Canjala apoiar as produções locais e propor aos clientes pro-
dutos locais de qualidade.
• Sociedade civil
• Hotéis do Lobito e de Benguela O mel aparece hoje como o produto mais adequa-
do e o mais favorável para promover a imagem do
• Agências de viagem e operadores turísticos da
“destino” Ganda e para valorizar o território da Ganda
Província no exterior do Município, começando pelos hotéis do
litoral. Já existe um mercado local para este produto
4. Criação de imagem: valorização de e há margem de crescimento. Com um mínimo de in-
um producto ‘farol’ vestimento e de apoio técnico, as próprias comunida-
des podem promover o desenvolvimento da iniciativa.
O projecto baseia-se na promoção do interior e do
Município da Ganda através dos seus produtos agrí- Acções
colas. Hoje, o Município da Ganda encontra-se na ja-
• Controlo de qualidade do produto existente
nela 4 da tabela Produto-Mercado. Se o turismo for
para ser apropriado ao consumo, com a pro-
desenvolvido na Ganda, o Município oferecerá um
cura de antibióticos eventuais no mel produzi-
produto novo para um mercado novo. O risco por en-
do, que constitui uma mais-valia relativamente
quanto é demasiado alto para os actores locais (que,
ao mel com açúcar acrescentado9
primeiro, necessitam de ser capacitados em turismo)
e particularmente para as comunidades locais. Por • Apoiar a produção do mel e os apicultores10
em matéria de negócio, saúde e higiene
essa razão, essa proposta trata de promover um des-
tino do interior através da sua produção agrícola, em • Levantamento (inquérito) dos apicultores e das
colaboração com as cooperativas e empresas locais, quantidades produzidas
ONG, e os hotéis do litoral. • ¨Melhoria da qualidade integrando novas meto-
dologias e técnicas apícolas
• Assegurar a produção de um mel biológico
Objectivo do projecto: combater a pobreza através
do desenvolvimento do turismo sustentável no Mu- • Formar mulheres nas técnicas de apicultura e
nicípio da Ganda. no manuseio das colmeias modernas
• Acompanhar (monitorizar) a ocupação das no-
Dois objectivos específicos:
vas colmeias introduzidas11
1. Capacitar as mulheres rurais para se torna-
• Melhorar a apresentação da embalagem do
rem empresárias (Women empowerment)
produto
2. Criar a imagem do destino Ganda
• Apoiar a promoção do mel
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
ANEXOS 41
• Apoiar a criação de outros produtos feitos com
a cera (ex. velas, sabão caseiro, etc.)
• Desenvolvimento de uma marca (label / bran-
ding) Mel da Ganda Imagem 5: A produção do Mel da Ganda
• Promoção da Marca através das unidades ho-
teleiras no Litoral da Província
• Casa do Mel na Ganda: para servir de apoio Colmeia tradicional
aos apicultores e fazer de janela do futuro des-
tino turístico Ganda, com uma exposição per-
manente das metodologias relativas a apicultu-
ra na Ganda, incluindo as colmeias tradicionais
Resultados esperados
As mulheres vendem o mel
• Marca “Mel da Ganda” BIO © desenvolvida e na praça
registada
• Aumenta as capacidades e rendimentos dos
apicultores
• Aumenta as capacidades e rendimentos das
mulheres através da promoção e venda
• Reforço das capacidades e do rendimento das Vendedora de mel
mulheres apicultores
• A “imagem” da Ganda exportada fora dos limi-
tes do Município
• O Mel da Ganda vendido nos hotéis do Litoral
como produto “farol” do interior
• Diminuição das importações de mel Quadro 11: As referências ao mel biológico
Um mel bio é:
Parceiros potenciais do projecto
1. Colmeias rodeadas por culturas biológicas
• ADRA (Acção para o Desenvolvimento Rural e
ou selvagens, num raio de 3 km
Ambiente)
2. Zonas de forragem distantes das fontes de
• IDF (Instituto de Desenvolvimento Florestal)
poluição: cidades, auto-estradas, áreas in-
• Administração municipal dustriais, aterros de lixo…
• Cooperativas agrícolas na Ganda 3. Colmeias feitas em materiais não tratados,
• Autoridades tradicionais e as Igrejas (para gan- sem pintura nem envernizamento sintético
har confiança das comunidades) 4. Quadros de cera orgânica dentro da colmeia
• Direcção Provincial do Comércio, da Hotelaria 5. Abelhas alimentadas principalmente pelo
e Turismo seu mel e cuidadas só por homeopatia ou
• Direcção Provincial de Agricultura por fitoterapia
6. Tratamentos naturais exclusivos
• Hotéis
7. Uma colheita sem ingredientes químicos
O 1° Festival de Gastronomia12 de Benguela foi orga-
8. Uma extracção a frio e sem aquecimento
nizado em 2010, em colaboração com a Associação
Source: [Link]
de Hotelaria e Turismo, incluindo um concurso de
gastronomia local. Pode-se repetir o evento com um
tema específico por ano, onde se poderia introduzir
nas receitas o Mel de Eucalipto da Ganda.
O TURISMO SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO
42 MAPEAMENTO DA SITUAÇÃO DO TURISMO NA REPÚBLICA DE ANGOLA
Notas: Anexo 1
1. Goiaba, Abacate, Ananás, Maracujá, Papaia, Melancia, Manga, Gajaja
2. SARCDA International - Held at Gallagher Estate, Gauteng, in March
SARCDA Christmas - Held at Gallagher Estate, Gauteng, in August
3. [Link]
4. Por enquanto, o aluguer paga-se com os investimentos consideráveis feitos pela Imogestin S.A.
5. Novembro 2010
6. Travel & Services baseado em Lobito
7. O salário duma pessoa empregada no Parque pode contribuir para melhorar a vida da população local (por exemplo, mandar
várias crianças da comunidade à escola). No contexto da pobreza, qualquer rendimento assume grande importância para a
população local, muito carenciada.
8. O gado utilizou durante os anos da guerra os tanques do Parque, cujo acesso é agora vedado
9. Nao foi possível analisar uma amostra de mel da Ganda em Accra. Através de uma fábrica agro-alimentar na região de Accra
utilizando mel nos seus produtos (farinhas, bebidas, …) conseguimos saber os dois elementos mais importantes para definir
a qualidade do mel próprio para o consumo
10. Ver artigos “Strengthening enterprise development on beekeeping and eco-tourismin The Gambia” e “Mukogodo beekeep-
ers & environmental conservation group” Kenya) em anexo
11. O “KITUI Honey Project”, um projecto no Kenya, teve um sucesso muito limitado porque menos de 40% das novas colmeias
foram ocupadas com as abelhas. Necessita-se mais de 75% de ocupação para um sucesso económico e a sustentabilidade do
projecto [Link]
12. A gastronomia não faz parte dos sectores sob a responsabilidade da Direcção Provincial da Cultura
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
ANEXOS 43
Anexo 2: Notícias das actividades sobre o
turismo
Quadro 12: “Angolan and Zimbabwean ministries of tourism sign protocol”
Luanda, Sábado, 30 de Octobro de 2010
Luanda – The ministers of Hotel and Tourism of Angola, Pedro Mutindi, and of Zimbabwe Tourism and Industry
of Hospitality, Walter Nzembi, signed Friday in Luanda, a cooperation agreement aimed at exchanging expe-
rience between staff of both countries and train them.
The memorandum was signed in the presence of senior workers from both ministries, aimed also at inter hel-
ping promotion of tourist potentials of both countries, the development of tourism in Southern African region,
in which both are part of, and identify new areas of investments.
As part of the training, the diploma includes courses on English language, tourist statistic among others, ac-
cording to World Tourism Organization standards and training of tourism and hotels. The agreement expects
also construction of hotels and advice for definition of areas of tourist interest in both countries.
During the act, minister Pedro Mutindi stated that the signed protocol is a result of a visit made by his Zim-
babwean counterpart to Angola, seven years ago, and contributes greatly for the strengthening of his sector,
overcoming of ministry and consequently the development of the country.
Fonte: Agência AngolaPress
[Link]
protocol,[Link]
Quadro 13: “Flight to Africa’s Land of Diamonds”
Angola
Angola is a success story in the making – a fascinating, uplifting saga of recovery, renewal, revival, restoration,
and a massive face-lift for Luanda and points beyond. Shout it from the rooftops ... “Peace has come to An-
gola – at last it can be told.”
This resource rich republic on Africa’s South Atlantic Coast has finally escaped the shackles and shadows of
its topsy turvy past, and is becoming a shining example for emerging countries around the world. Thanks to its
presence in Angola, the Africa Travel Association (ATA) is the first international tourism organization to spread
the good news far and wide, in North America and to its growing global audience.
I saw the signs a few years ago, when Angola exhibited at an ATA Congress Trade Show. That positive move
signaled the country’s desire to get back on track for tourism -- and due to continued efforts by H.E. Eduar-
do Jonatáo. S. Chingunji, Minister for Hotels and Tourism, ATA has become the platform for Angola’s happy
return. Not only was ATA’s Ninth International Cultural and Ecotourism Symposium awarded the prestige of a
state event, a significant, lasting benefit was the inauguration of an active Angola Chapter of the Africa Travel
Association, with the Minister as Honorary President and First Lady Dr. Ana Paula dos Santos as its Patron.
Fonte: Africa Travel Magazine
[Link]
O TURISMO SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO
44 MAPEAMENTO DA SITUAÇÃO DO TURISMO NA REPÚBLICA DE ANGOLA
Quadro 14: “Projecto público lança centenas de hotéis”
Luanda, Terça-feira, 6 de Abril de 2010
A construção de uma vasta rede hoteleira e o reforço dos investimentos no sector turístico, de modo a possi-
bilitar que o país concorra com os demais países de África, são os grandes desafios do Ministério da Hotelaria
e Turismo. Prevê-se que 355 unidades hoteleiras sejam construídas até 2012.
“Com a aprovação do Plano Director, orçamentado pelo Governo, vai ser possível, em parceria com a em-
presa alemã Roland Berger, trabalhar na execução do projecto de ampliação da rede hoteleira de Angola,
num orçamento global de 1.8 mil milhões de dólares”, disse o assessor do Ministério da Hotelaria e Turismo,
Carlos Cunha.
Vão ser construídos, até 2012, 355 unidades hoteleiras em todo o país, incluindo três hotéis escola com 96
quartos cada. Um total de 30 hotéis vão ser entregues a empresários através de um concurso público com
abertura prevista para o terceiro trimestre deste ano.
Os hotéis escolas vão ser construídos nas províncias de Luanda, Benguela e Lubango.
O Ministério da Hotelaria e Turismo pretende investir em projectos inovadores e reforçar as competências dos
trabalhadores hoteleiros, com acções de formação e adopção de novas técnicas e práticas.
O assessor do ministro da Hotelaria e Turismo, Carlos Cunha, disse ao Jornal de Angola que os projectos a
serem desenvolvidos vão gerar mais de 50 mil empregos.
“O país está a viver um grande momento. Com a realização do Campeonato Africano das Nações em futebol,
Angola registou a construção de mais 29 unidades hoteleiras”, afirmou, adiantando que está prevista a cons-
trução de 30 hotéis de âmbito nacional e 19 nas capitais provinciais.
Nos municípios vão ser erguidas 165 unidades de duas estrelas, num investimento de cerca de quatro mil-
hões de dólares. A iniciativa privada está a construir, no total, 60 hotéis.
Dadas as crescentes necessidades do sector hoteleiro, o país vai ter, nos próximos anos, um Centro de Lo-
gística de Grande Dimensão, que já está em construção.
Carlos Cunha informa que o Estado vai alienar para o sector privado, por via de concurso público, parte do
seu património hoteleiro. As unidades privatizadas vão ser amortizadas num período de dez anos e os empre-
sários contemplados terão de pagar, previamente, 15% do valor do hotel e o custo de pré-abertura.
O Ministério da Hotelaria e Turismo pretende contratar uma empresa de fiscalização para inspeccionar as
obras em curso.
Segundo o assessor Carlos Cunha, o sector do turismo registou, em 2009, um crescimento de 60,1%.
O Estado arrecada anualmente cerca de 550 milhões de dólares em receitas do sector do turismo. O Ministé-
rio de tutela tem o objectivo, segundo o assessor do ministro, de duplicar os rendimentos para propiciar um
maior número de oportunidades de emprego.
Actualmente, de acordo com dados oficiais, Angola conta com 250 hotéis, 357 pensões, 11 aldeamentos
turísticos, cinco aparthotéis, 134 hospedarias, 1863 restaurantes e 57 agências de viagens.
O parque hoteleiro, segundo Carlos Cunha, resulta dos ganhos da paz e da reconciliação nacional, que pro-
piciaram a abertura do mercado angolano.
“O Ministério da Hotelaria e Turismo tem registado um grande número de empresários a apostar no sector do
turismo. Por este facto, pretendemos dar oportunidade aos empresários angolanos de construir mais hotéis
em Luanda e nas cidades das restantes províncias”, disse Carlos Cunha.
Fonte: Jornal de Angola
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PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
ANEXOS 45
Quadro 15: “Angola 35 anos – Independência ‘abriu portas’ para desenvolvimento do turismo”
Luanda, Quarta-feira, 10 de Novembro de 2010
Apesar da paz efectiva, conquistada a 04 de Abril de 2002, ter impulsionado o crescimento do sector turístico
no país, a independência nacional, alcançada a 11 de Novembro de 1975, abriu portas para o início do des-
envolvimento integrado do turismo em Angola, afirmou hoje, em Luanda, a directora do Instituto de Fomento
Turístico (Infotur), Rosa Cruz.
Ao falar à Angop a propósito dos 35 anos de independência, Rosa Cruz disse serem incalculáveis ganhos que
essa conquista proporcionou, tendo em vista o surgimento anual de inúmeras unidades hoteleiras, aliado à
descoberta e exploração oportuna de potenciais zonas turísticas naturais, a nível das 18 províncias.
Segundo explicou, com a independência, os turistas começaram a interessar-se mais por Angola que, por sua
vez, passou também de imediato a desenvolver o turismo, embora com alguma timidez, na altura, por causa
da guerra que o país viveu.
“São 35 anos e não 35 dias. É uma longa caminhada atrapalhada pela guerra intensa que o país viveu. Por-
tanto, a comemoração do 11 de Novembro é um momento regozijante para todos nós. Penso que todos
os angolanos vão sentir-se feliz nessa hora e farão uma reflexão sobretudo o que o país viveu durante esse
período” – considerou.
Rosa Cruz acrescentou ter sido um percurso duro, que registou momentos de muitas batalhas, mas também
de grandes vitórias, particularizando o sector do turismo que para si é dos que mais sofreu com o conflito
armado, tendo em atenção a destruição das infra-estruturas, sobretudo rodoviárias, mas que hoje se reergue
com firmeza
“Na prática, o turismo em Angola começou a funcionar efectivamente a partir de 2002. No tempo de guerra
ele andou inoperante, devido às vias que estavam bloqueadas, as infra-estruturas hoteleiras e turísticas des-
truídas, e claro que nesse clima de tensão ninguém tinha apetência de visitar uma localidade minada” aclarou
a responsável.
Contudo, a directora do Infotur qualificou de positivo os 35 anos de independência nacional, a julgar pelos
oito anos de actividade intensa e progressos registados nesse curto período, prevendo-se novos ganhos nos
próximos tempos, em virtude do contínuo desejo do governo em investir no sector e curiosidade das pessoas
em conhecer o país.
Fonte: Agência AngolaPress
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turismo,[Link]
O TURISMO SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO
46 MAPEAMENTO DA SITUAÇÃO DO TURISMO NA REPÚBLICA DE ANGOLA
Quadro 16: “Decorre seminário sobre turismo sustentável”
Benguela, Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010
Um seminário com o tema “Promover o turismo sustentável”, visando reforçar as capacidades dos quadros
e especialistas em turismo no país, decorre desde hoje, quarta-feira, em Benguela, numa organização da
TrainForTrade/Angola.
O evento, com a duração de três dias, conta com a cooperação da Direcção Provincial do Comércio, Hotela-
ria e Turismo de Benguela e é promovido pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvol-
vimento (CNUCED) e financiado pela União Europeia.
O seminário tem como objectivo proporcionar uma visão concreta dos aspectos relacionados com o turismo
sustentáveis, através do estudo de casos práticos e promoção da elaboração de projectos de turismo sus-
tentável na região de Benguela.
Segundo o perito em formação da conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento,
Nuno Fortunato, augura-se que no final do encontro os participantes aumentem a sua capacidade para avaliar
a contribuição do turismo para o desenvolvimento social e económico do país e na região de Benguela.
Considerou importante reconhecer os critérios de sustentabilidade com vista aplicá-los no desenvolvimento
turístico local e regional, identificar o papel da sociedade civil e valorizar a sua importância no processo de
desenvolvimento sustentável, bem como aprender os métodos de elaboração de projectos turísticos susten-
táveis, desde a fase de implementação às técnicas de participação.
De acordo ao perito em formação, o turismo sustentável inscreve-se numa dinâmica que combina a conser-
vação, o respeito e a valorização, a longo prazo, dos recursos naturais, culturais e sociais de cada região, daí
que as suas iniciativas, modo de produção e de consumo responsável articulam com objectivos de oferecer
a população local vantagens socioeconómicas devidamente repartidas.
Para o técnico, este desenvolvimento supõe uma gestão integrada dos recursos e a participação dos actores
locais com intuito de conciliar a sua implementação com as necessidades e capacidades de cada região.
Nono Fortunato afirmou ainda que o turismo é um verdadeiro pilar de desenvolvimento económico e poderá
representar uma fonte de riqueza e uma das possibilidades viáveis de diversificação da economia de Angola.
Devido a sua natureza transversal, continuou, representa ainda uma área privilegiada para redução da pobre-
za e o crescimento, com vista atingir o Objectivo do Desenvolvimento do Milénio.
Acrescentou que o CNUCED reconhece a importância do turismo sustentável e seu papel nas economias em
desenvolvimento.
A TrainforTrade é um programa de formação e capacitação implementado pela CNUCED, começou em finais
de 2007 e tem uma duração prevista de quatro anos e já realizou 15 secções de formação e assistência
técnicas em múltiplos domínios, como redução da pobreza, investimento, turismo sustentável, defesa do
consumidor, gestão portuária e protecção do ambiente, evolvendo mais de 400 quadros angolanos.
Participam do seminário o director nacional de formação hoteleira e turismo, Bumba Castro, e cerca de 25
cidadãos, representando instituições públicas e privadas como as direcções provinciais do Turismo de Ben-
guela, Huambo, Kwanza Norte, Moxico e Namibe, assim como as administrações municipais de Benguela,
Lobito, Baía Farta e de diversas unidades hoteleiras da província.
Fonte: Agência AngolaPress
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PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
ANEXOS 47
Quadro 17: “Turismo em Angola cresce em mais de trezentos porcento”
Benguela, Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010
O turismo em Angola cresceu em mais de trezentos porcento de 2002 a Setembro de 2007, em termos de
chegada de estrangeiros ao país, informou hoje, em Benguela, o director nacional de formação hoteleira e
turismo, Bumba de Castro.
O director, que falava na abertura do seminário “Promover o turismo sustentável”, em representação do mi-
nistro da Hotelaria e Turismo, Pedro Mutindi, disse que, em 2002, altura em que se alcançou a paz, o país
recebeu 91 mil turistas e dados estatístico lançados no dia 27 de Setembro sobre 2009 indicam que o número
ascendeu para 365 mil turistas.
Bumba de Castro informou que o número de empreendimentos turísticos também cresceu, cifrando-se ac-
tualmente em 3.127 estabelecimento, assim como uma força de trabalho estimada em 134 mil empregados,
dos quais cinco mil têm formação média, básica, ou superior ligada ao sector.
Acrescentou que, em termos percentual, o número de trabalhadores não reflecte um porcento da força de
trabalho necessária no país, avançando que com estes indicadores precisa-se apostar mais no turismo, per-
mitindo o seu crescimento de forma equilibrada.
“Desenvolver o turismo não implica fazer hotéis de grande porte, precisamos desenvolver outros sectores de
actividades, ter outras componentes de oferta que permitam uma actividade equilibrada, daí o alcance desta
formação”, disse o responsável, apontando que a sustentabilidade dos destinos permite ter uma actividade,
integrar a população local, criar metas em termos ambientais, culturais e sociais devidamente acauteladas.
Para a directora provincial da Hotelaria e Turismo de Benguela, Alice Cabral, que falava em representação do
governador provincial, Armando da Cruz Neto, o turismo é um fenómeno sócio-cultural, económico, ambien-
tal e científico.
Segundo a directora, o turismo é uma actividade complexa que não depende somente de belos lugares, mas
de um profissionalismo, estudo e pesquisas.
Acrescentou que o estudo de casos práticos inserido neste seminário irá permitir que se faça uma reflexão
sobre o desenvolvimento local, para que se possa identificar e analisar a gestão da actividade turística dentro
de uma nova perspectiva do turismo sustentável que é realizado e planejado de forma que contribua para a
valorização da população local e sua cultura.
Segundo Alice Cabral, o estudo do caso prático irá igualmente contribuir para a promoção de acções que
mude a configuração do meio ambiente local e estimula o desenvolvimento socioeconómico das comunida-
des envolvidas e proporciona ao turista uma experiência única.
Participam do seminário, organizado pela TrainForTrade/Angola e financiada pela União Europeia, cerca de 25
cidadãos, representando instituições públicas e privadas como as direcções provinciais do turismo de Ben-
guela, Huambo, Kwanza Norte, Moxico e Namibe, assim como as administrações municipais de Benguela,
Lobito, Baía Farta e de diversas unidades hoteleiras da província.
Fonte: Agência AngolaPress
[Link]
porcento,[Link]
O TURISMO SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO
48 MAPEAMENTO DA SITUAÇÃO DO TURISMO NA REPÚBLICA DE ANGOLA
Anexo 3: As acções de nizações tratam-se de actividades que foram financia-
das pela USAID, que as implementou em cooperação
apoio à sociedade civil com World Learning, por outras entidades europeias
(SNK, ACCORD, etc.) e pelo próprio PAANE. Em mui-
tos casos estas actividades são realizadas através da
As actividades e as acções de apoio à sociedade civil,
implicação de ONGs intermédias locais (como DW,
realizadas por parte dos parceiros técnicos e financei-
ros internacionais, podem ser enunciados da seguinte ADRA, etc.) ou internacionais (ex. CARE).
forma: Apoio à implementação de projectos e iniciativas de
Iniciativas de apoio à criação – funcionalidade das re- desenvolvimento: esta parece ser a modalidade mais
des: neste marco pode-se colocar algumas acções difundida de apoiar as OSC nacionais no financia-
do PAANE e o apoio de algumas agências europeias mento das suas actividades. Há também, para o
às conferências da sociedade civil; além destas acti- mesmo fim, muitas organizações internacionais (ex:
vidades, algumas redes temáticas foram apoiadas no PNUD, FAO, UNICEF), organizações bilaterais dos
marco dos programas de algumas agências da ONU: países europeus e a Comissão Europeia, através dos
FAO, UNICEF, OMS. co-financiamentos às linhas temáticas (pode-se incluir
também os programas de apoio à cidadania e à de-
Iniciativas de reforço da comunicação pública: neste
mocracia, como os implementados pela OSC “Omun-
marco encontra-se o trabalho de agências como a
BBC Foundation, que realiza actividades de capaci- ga”).
tação dos jornalistas, e a Open Society Foundation, Actividades de apoio ao processo de descentralização,
que inclui, além das actividades, a presença de uma que incluem actividades em colaboração com as
associação local, bem como algumas iniciativas reali- ONGs locais e o próprio envolvimento das entidades
zadas pelo próprio PAANE. da sociedade civil nos fóruns locais e nos CACS (ver
Iniciativas de reforço das capacidades institucionais: nos parágrafos precedentes). Neste âmbito de acção
incluindo tanto as actividades de reforço dos recursos são implicados: o PNUD e algumas ONG, tais como
disponíveis, as de reforço das capacidades de gestão Care International, Save The Children-UK e a Ebert
dos conhecimentos; as de desenvolvimento de orga- Stiftung.
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011
ANEXOS 49
Anexo 4: Programa da missão e das entrevistas
Tabela 10: Programa da missão
Dia Data Lugar Actividades
1 06/11 Benguela Reunião com o Vice-Reitor da Universidade de Katyavala
Lobito Exemplos de ordenamento territorial para o desenvolvimento do turismo balnear domésti-
co (com a visita às praias de Santo António, Praia Azul e Caotinha)
Reunião com actores do sector privado (OT e hotéis) e associativo
2 07/11 Parque Natural Visita às infra-estruturas do Parque com o Gestor
Regional Chi-
Reunião com representantes do sector privado
malavera
Visita ao Vale do Rio Catumbela
Benguela
Catumbela
3 08/11 Benguela Reunião com representantes de associação de desenvolvimento
Lobito Reunião com oficiais da Direcção Provincial da Cultura
Catumbela Reunião com representantes do sector privado (hotéis)
Visita a monumentos históricos
4 09/11 Ganda Reuniões com a Administração do Município da Ganda e membros da Cooperativa 25 de
Maio
Visita a colmeia tradicional / Visita ao mercado / Venda do mel da Ganda
5 10/11 Benguela Reunião com representantes da Direcção Provincial de Hotelaria e Turismo
Lobito Reunião com o Director da Direcção Provincial da Cultura e com um artista
Reunião com o Presidente da Associação de Hotéis, Restaurantes, Agências de Viagem e
Transportes de Benguela
Reunião com o Administrador do Município de Lobito e oficiais responsáveis pelo turismo
no Município
Reunião com artesãos de madeira e visita a atelier de produção e venda
O TURISMO SUSTENTÁVEL PARA O DESENVOLVIMENTO
50 MAPEAMENTO DA SITUAÇÃO DO TURISMO NA REPÚBLICA DE ANGOLA
Tabela 11: Programa de entrevistas
Nome Função / Organização Cidade
Bumba Manuel de Castro Director Luanda
Ministério da Hotelaria e Turismo
Direcção Nacional de Formação Hoteleira e Turística
Abel António Chefe de Departamento Luanda
MINHOTUR
Maria José Pinto Proprietária da Pensão “A Sombra” Benguela
Manuel Francisco Bandeira Universidade Katyavala Benguela
José Maria Serra Saraiva Presidente ASE / Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela Benguela
Aparthotel Mil Cidades
Lucélia Moreira Directora Comercial / MA Travel & Services Lobito
Carlos Alexandre Alves Gestor do Parque Natural Regional Chimalavera PNR Chimalavera
Emanuel Bucassa Presidente do Grupo “O Golfinho” Benguela
Armanda de Almida Ving Directora ADRA Benguela Benguela
Inácio Gil Ramos ADRA Benguela
José Balote Chefe de Secção do Património Cultural Benguela
Manuel Matias Chefe de Secção de Acção Cultural e Artes Benguela
Pedro Bandeira Director Hotel Terminus Lobito
Caetano Mateus Lopes Administrador do Município da Ganda Ganda
Laurindo Totó Cooperativa “25 de Maio” Ganda
Pires Albano Secretário da Administração Municipal Ganda
Alberto Kandolo Membro da Cooperativa “25 de Maio” Mavela Ganda
Inês Bernarda Tchinjamba Membro da Cooperativa “25 de Maio” Mavela Ganda
Padre Laura Pároco da Ganda Ganda
José da Costa Presidente da AIA Ganda
Agostinho António Comerciante/Fazenda Ganda
Avelino Bernardo Sawayanga Turismo Ganda
Ir Deonisia Candeia Igreja Católica Ganda
David Restaurante Ganda
Kajimbanga Director Provincial da Cultura Benguela
António Tomas Ana - ETONA Artista Plástico Benguela
Maria Alice dos Santos Cabral Directora Provincial do Comércio, Hotelaria e Turismo Benguela
João Eleazar Pereira Calete Direcção Provincial Comércio, Hotelaria e Turismo de Benguela Benguela
Margarett Francisco de Oliveira Direcção Provincial Comércio, Hotelaria e Turismo de Benguela Benguela
Esmelinda João Chefe do Departamento de Administração Benguela
Direcção Provincial Comércio, Hotelaria e Turismo de Benguela
António Pecho da Silva Chefe do Departamento de Inspecção Benguela
Direcção Provincial Comércio, Hotelaria e Turismo de Benguela
João Pedro Gorjão Director Geral Benguela
Mil Cidades Aparthotel
Jorge Gabriel Brito Presidente da Associação Provincial de Hotelaria, Restaurantes, Benguela
Transporte e Turismo
Amaro Cabral Administrador do Município de Lobito Lobito
Paulo Sérgio Mendes Administração Municipal de Lobito Lobito
Cristo Artesão de madeira Lobito
PROJECTO TRAINFORTRADE/CNUCED – ANGOLA 2011