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Apostila Biomecânica Júlio

1) O documento discute a aplicação da eletromiografia (EMG) na análise do movimento humano e fornece detalhes sobre o sinal eletromiográfico. 2) É explicado que a posição dos pés durante o agachamento não altera significativamente a ativação muscular dos principais músculos das coxas. 3) A ativação muscular é maior entre 75°-95° de flexão no agachamento, com o joelho sendo a posição mais solicitante entre 80°-90°.

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Apostila Biomecânica Júlio

1) O documento discute a aplicação da eletromiografia (EMG) na análise do movimento humano e fornece detalhes sobre o sinal eletromiográfico. 2) É explicado que a posição dos pés durante o agachamento não altera significativamente a ativação muscular dos principais músculos das coxas. 3) A ativação muscular é maior entre 75°-95° de flexão no agachamento, com o joelho sendo a posição mais solicitante entre 80°-90°.

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APLICAÇÕES BIOMECÂNICAS NA ELABORAÇÃO DOS

PROGRAMAS DE MUSCULAÇÃO
Prof.Dr. JÚLIO CERCA SERRÃO/SANDRO BARONE /ALLAN BRENNECKE
Laboratório de Biomecânica
Escola de Educação Física e Esporte - UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

A ELETROMIOGRAFIA NA ANÁLISE DO MOVIMENTO HUMANO


Em biomecânica, a utilização da EMG tem como propósitos fundamentais fornecer
parâmetros de controle do sistema nervoso, funcionar como identificador de
padrões de movimento e também como indicador de estresse (AMADIO, et al, 1996).
Neste cenário, de acordo com CLARYS & CABRI (1993), muitos objetos de pesquisa
se desenvolveram favorecendo-se da EMG, tais como: estudos da função normal de
músculos durante posturas e movimentos selecionados; estudos de atividades
musculares mais complexas nos movimentos esportivos, ocupacionais e de
reabilitação; estudos da contração isométrica e sua relação com o aumento da
tensão na contração voluntária máxima; avaliação da atividade muscular funcional
anatômica; estudos de coordenação e sincronização (cadeias cinemáticas); estudos
de fadiga; a relação entre EMG e força; a interação homem-máquina; estudos de
ergonomia; além de estudos que investigam a especificidade e eficiência de
métodos de treinamento.

Neste sentido, é coerente elucidar algumas informações referentes a que consiste o Sinal Eletromiográfico, bem
como sobre aspectos gerais da aquisição e tratamento deste sinal.

O SINAL ELETROMIOGRÁFICO (EMG)


A Eletromiografia (EMG) pode ser entendida como o estudo da atividade elétrica
gerada no músculo durante a contração. (ARAÚJO, 1998; AMADIO ET AL, 1996;
CLARYS & CABRI, 1993; WINTER, 1990).

O mecanismo de contração muscular é bem documentado na literatura. De maneira


geral, uma despolarização e repolarização da superfície da membrana da fibra
muscular (sarcolema) são provocadas quando um motoneurônio transmite o
potencial de ação para a placa motora (uma junção sináptica especial localizada na
superfície do sarcolema). O sarcolema é responsável pela transmissão desse impulso
elétrico em ambas as direções da fibra e para o interior desta através de um
sistema tubular transversal (Túbulos T). Isto resulta na liberação de íons cálcio
(Ca2+) do retículo sarcoplasmático, o qual se difunde rapidamente para os

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filamentos contráteis de actina e miosina, onde o ATP é hidrolizado para produzir
ADP, calor e energia mecânica. A manifestação mecânica, em específico, é o
deslizamento dos filamentos de actina e miosina do elemento contrátil (sarcômero),
culminando com a contração muscular (CLARYS & CABRI, 1993; WINTER, 1990).

A despolarização e subsequente repolarização da membrana, do sistema de Túbulos


Transversos e do Retículo sarcoplasmático, gera um campo elétrico em toda a
vizinhança das fibras musculares. Os eletrodos eletromiográficos de superfície
localizados neste campo conseguem detectar esta manifestação dos potenciais de
ação causados pela ativação de muitas das fibras musculares sob sua superfície de
captação do sinal. Desse modo, na eletromiografia de superfície, o sinal é a
representação dos potenciais de ação provenientes de muitas Unidades Motoras
(UM) ao mesmo tempo. Isto é, eletrodos colocados na superfície de um músculo, ou
mesmo dentro das fibras musculares (ex.:EMG de agulha), registram a soma
algébrica de todos os Potenciais de Ação das Unidades Motoras (PAUM) transmitidos
ao longo das fibras musculares, no tempo, em um determinado ponto. A EMG de
superfície é, contudo, menos seletiva que a EMG intramuscular. Ou seja, não
diferencia a atividade de uma fibra ou de determinada UM em específico, mas sim
uma ativação conjunta de muitas delas (CLARYS & CABRI, 1993; WINTER, 1990).

Dessa forma, os potenciais de ação das UM normais apresentam 3 ou mais fases, e


o sinal EMG pode conter uma série desses potenciais que, em uma contração forte,
podem estar sobrepostos, resultando em um traçado característico conhecido como
traçado de interferência (ARAÚJO, 1998; AMADIO ET AL, 1996).

Embora diversas pesquisas têm se desenvolvido em torno da EMG, especial atenção


deve ser dada para a interpretação do sinal eletromiográfico. Isto ocorre porque
este sinal está sujeito a muitas interferências. Tais interferências englobam os
ruídos do campo eletromagnético presente no ambiente; os artefactos (falsos sinais
gerados pelos eletrodos e pelo sistema de cabos) do próprio equipamento de
aquisição do sinal EMG. Incluem também as limitações associadas à localização do
eletrodo no ventre muscular e a preparação da pele para minimizar a resistência
oferecida por esta; o deslocamento do eletrodo sobre a pele, assim como o
deslocamento da própria pele sobre o músculo investigado quando da realização de
movimentos; além da área do ventre muscular que esta sendo investigado e a
possibidade da captação simultânea do sinal de outros músculos que não apenas
aquele de interesse (Cross-talk); problemas de interpretação do sinal e

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terminologias errôneas estabelecidas por pesquisadores, por exemplo nomear o
Envelope Linear como EMG integrada (IEMG), a qual é uma outra forma de
processamento do sinal (CLARYS & CABRI, 1993; WINTER, 1990).

EXERCÍCIOS PARA O MEMBRO INFERIOR: ações musculares


O Agachamento há tempos é utilizado pelos praticantes de musculação e de
treinamento esportivo para o fortalecimento dos músculos dos membros inferiores e
de ganho de massa muscular destes.
Infelizmente muitas deturpações têm ocorrido quanto da realização deste sobre
o aspecto da solicitação muscular e ângulos e serem adotados durante a execução
deste exercício.
De acordo com os avanços científicos nesta área podemos afirmar que muitas
destas deturpações são de caráter empírico, onde somente o “eu acho” ou “alguém me
disse” já servem de base para não realização ou realização de forma não otimizada
deste exercício. Tanto do que nos diz respeito aos níveis de solicitação muscular em
decorrência dos graus de flexão dos segmentos, quanto das possíveis lesões no joelho
quando adotados ângulos superiores a 90º.
Sendo assim, ESCAMILLA (2001a); ESCAMILLA et al, (1997); ISEAR et al, (1997);
SIGNORILE et al, (1994), admitem que o nível de solicitação neuromuscular aumenta
no quadríceps em decorrência do aumento dos graus de flexão do joelho (quanto mais
descer, maior a solicitação neuromuscular). Sendo que o ponto máximo desta ativação
muscular se dá entre 80º e 90º de flexão dos joelhos. Já para os Ísquiotibiais
(posteriores da coxa) estes estudos admitem que a maior solicitação neuromuscular
ocorre durante a fase ascendente do movimento, tendo seu pico de ativação entre 50º
e 70º de flexão do joelho. ESCAMILLA et al, (1998) afirmam que a solicitação
neuromuscular durante o agachamento e suas variações angulares, ocorre da seguinte
forma. Quanto maior for o grau de flexão dos joelhos, maior é esta solicitação, onde
esta ocorre de forma crescente, sendo seu ponto máximo de ativação, na fase de
flexão dos joelhos, para o Vasto Lateral entre 75º a 95º, para o Vasto Medial entre
71º a 95º e para o Reto Femoral entre 83º a 95º. Já para a fase de extensão dos
joelhos os valores máximos encontrados foram para o Vasto Lateral entre 95º a 70º,
para o Vasto Medial entre 95º a 60º e para o Reto Femoral entre 95º e 83º. Quanto à
região posterior da coxa os autores afirmam que para o Músculo Bíceps Femoral a
ativação neuromuscular se dá em maior escala na fase ascendente do movimento,
tendo seus maiores valores encontrados entre 80º e 50º de flexão dos joelhos e para
o grupo Semimembranoso/Semitendinoso ocorrendo de forma semelhante, sendo na

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fase ascendente sua maior solicitação. Ocorrendo pontos máximos desta entre 70º e
50º de flexão dos joelhos.
Outro tipo de deturpação encontrada em academias por freqüentadores e
professores/treinadores da área, reside no fato de muitos afirmarem que quando da
variação de colocação do pé no solo, podendo este, estar em uma posição neutra (pés
paralelos e apontando para frente), colocados em abdução (rotacionar o pé para fora)
ou adução (rotacionar os pés para dentro), geraria um maior nível de ativação
muscular em certos músculos durante a realização do agachamento. BOYDEN et al,
(2000) admitem que no agachamento realizado entre 80º e 90º de flexão dos joelhos,
não gera nenhuma variação no nível de ativação neuromuscular, para os músculos
Vasto Lateral, Vasto Medial e Reto Femoral, tanto para posição dos pés em abdução
(20º e 10º de rotação externa), neutra e adução (10º de rotação interna), mesmo
havendo uma variação das cargas utilizadas, podendo ser estas de 65% ou 75% do
máximo (1 repetição máxima).
Em um estudo realizado por ESCAMILLA et al, (2001b) tentou-se verificar as
diferenças encontradas no nível de solicitação neuromuscular no meio agachamento
(flexão dos joelhos entre 90º e 100º). Havendo a variação da distância de colocação
dos pés no solo, podendo esta ser com as pernas mais abertas (PA-57,2cm entre os
calcâneos) ou mais fechadas (PF-28,6cm entre os calcâneos) e também variando o
ângulo de colocação dos pés no solo, podendo este ser de 0º ou de 30º de abdução.
Em relação aos valores médios encontrados para o nível de ativação neuromuscular,
não foi notada nenhuma diferença estatística, para a posição das pernas mais abertas
ou mais fechadas, nos músculos Reto Femoral, Vasto Lateral, Vasto Medial, Porção
Medial e Lateral dos Ísquiotibiais e do Gastrocnêmio, sendo que o ponto máximo desta
solicitação foi notado no Reto Femoral a 95º de flexão dos joelhos, no Vasto Lateral a
89º, no Vasto Medial a 95º, no Porção Medial e Lateral dos Ísquiotibiais a 62º e no
Gastrocnêmio a 95º de flexão. Outro importante fato que os autores citam é que a
solicitação neuromuscular foi geralmente maior durante a fase de extensão dos
joelhos quando comparados à fase de flexão destes.
O Agachamento também acaba por ser muito utilizado nos treinos por mulheres,
para um ganho de massa muscular (hipertrofia) e maior enrijecimento muscular do
músculo Glúteo Máximo. Infelizmente esta utilização muitas vezes acaba por ser
errônea, já que é dada uma preferência para realização do Semi Agachamento (60º de
flexão dos joelhos) e do Meio Agachamento (90º de flexão dos joelhos) ao invés da
utilização do Agachamento Completo. De acordo com CATERISANO et al, (2002) um

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maior nível de ativação neuromuscular ocorre para o Glúteo Máximo, quanto maior for
o grau de flexão/extensão do quadril/joelhos. Os autores afirmam que durante o
agachamento na fase de subida (fase concêntrica), os maiores valores encontrados
ocorrem a 135º de flexão dos segmentos, tendo uma significativa diminuição quanto
menor for o grau adotado, sendo os menores valores encontrados a 45º de flexão. O
pico desta ativação também ocorre de forma muito similar, sendo maior durante a fase
concêntrica (subida) no maior ângulo adotado durante tal execução deste exercício.
Com estes dados para o agachamento podemos concluir que este exercício
realizado de forma completa (120º ou mais, de flexão dos joelhos) acaba por ser o
melhor exercício a ser utilizado, quando se necessita de um ganho de força e maior
hipertrofia muscular dos músculos do quadríceps, isquiotibiais e do glúteo máximo, em
detrimento do Semi Agachamento (60º de flexão dos joelhos) e do Meio Agachamento
(90º de flexão dos joelhos),
Ainda sobre exercícios para membros inferiores, podemos ressaltar outros
exercícios e suas utilizações. Entre os exercícios podemos citar o levantamento terra e
sua variação, o stiff, que acabam ser muito utilizados no treinamento da região
posterior da coxa.
Observando os dados fornecidos pela literatura, poucos estudos têm mostrado
a preocupação de fazer a analise da ativação muscular durante o movimento do
Levantamento Terra e da sua variação o Stiff.
WHIGHT et al., (1999) evidenciam num estudo que utilizou a EMG de
superfície, a atividade dos músculos semitendíneo e bíceps femoral durante a
realização da mesa flexora de joelho na horizontal (MF), do stiff (ST) e do meio
agachamento (MAG). A MF apresentou os seguintes valores (0,959±0,077 μV) e o ST
(0,832±0,206 μV), não apresentando diferenças significativas na fase concêntrica do
movimento para o bíceps femoral, mas ambos foram maiores que o AG (0,499±0,156
μV) nesta mesma fase. A MF (0,685±0,088 μV) apresentou uma fase excêntrica
significativamente maior do que a fase excêntrica do ST (0,511±0,114 μV) e do AG
(0,370±0,110 μV). O músculo semitendinoso mostra um comportamento bem parecido
com o bíceps femoral, pois não foi observada diferença significativa na fase
concêntrica entre a MF (0,929±0,107 μV) e o LTJE (0,815±0,211 μV) para este. Os
achados do estudo evidenciam que a MF e o ST mostraram uma maior atividade para
os músculos analisados do que o MAG.
ESCAMILLA et at, (2OO2) buscaram um enfoque diferente, pois foi comparada a
ativação muscular no levantamento terra para as duas técnicas distintas deste (sumo

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e convencional). No estudo, os autores limitaram-se a analisar o movimento no
intervalo de 0º a 90º na fase ascendente e descendente do joelho em 12 repetições
máximas (RM), tendo o sinal normalizado pela contração voluntária máxima isométrica
(CVMI). Constatou-se pequena, porém significativa diferença quando observados os
valores da média do estilo sumo em relação ao estilo convencional. A maior atividade
muscular do vasto lateral (48±24 da CVMI) e do vasto medial (44±27 da CVMI)
apresentada no estilo sumo, pode ser justificada com os resultados cinemáticos
relatados em ESCAMILLA et al. (2000,2001) que apontam o aumento do momento
extensor durante a técnica sumo em relação a convencional. Em relação aos bíceps
femoral, semitendíneo e semimembranáceo não foram verificados diferenças
significativas. O músculo tibial anterior (18±9 da CVMI) evidenciou um significativo
aumento na fase final do movimento para o estilo sumô quando comparado com o
estilo convencional (13±8 da CVMI).
Pelas poucas evidências na literatura que já foram relatadas anteriormente, há
a necessidade de recorrermos a movimentos semelhantes para tentarmos melhor
entender as ações musculares e suas conseqüências durante a execução do LT e do
ST.
Desta forma podemos hipotetizar que devido ao fato do ST ser uma variação do
LT, estes exercícios possuem seu padrão e potencial de ativação relativamente
semelhantes.
EXERCÍCIOS PARA O MEMBRO INFERIOR: Sobrecarga articular
Quanto às forças que atuam no joelho no momento de realização do
agachamento, estes autores afirmam que para as forças compressivas e de
cisalhamento Tibiofemoral, estas não são prejudiciais ao aparelho locomotor. Os
menores valores de atuação destas forças, para ligamento cruzado anterior (LCA), se
dão entre os ângulos de 0º e 60º de flexão do joelho, mas mesmo com um aumento
destas, com o aumento angular, estas forças acabam por não gerarem nenhum tipo de
lesão neste ligamento. Devido a estas forças neste ligamento serem baixas durante o
movimento é que se tem utilizado-o na reabilitação de lesão deste. Já para as forças
atuantes no ligamento cruzado posterior, estas possuem seus maiores valores entre
50º e 60º de flexão do joelho. Apesar do aumento encontrado destas forças do
ligamento cruzado posterior, em decorrência do aumento angular, o agachamento
completo não é lesivo para esta estrutura. Para a força compressiva tibiofemoral esta
acaba por ser um importante fator de estabilidade do joelho, causando uma
resistência às forças de cisalhamento e minimizando a translação da tíbia em relação

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ao fêmur. Para ESCAMILLA (2001ª), as forças compressivas patelofemoral ocorrem da
seguinte forma: quanto maior for o grau de flexão dos joelhos, maior é a incidência
desta força. Mas mesmo assim, esta acaba por não gerar danos à patela e suas
estruturas. Somente pessoas com condromalácia patelar, osteoartrite ou outras
desordens patelares não devem utilizar o agachamento completo, e sim realizá-lo com
flexão de joelho a um máximo de 50º.
Quanto às forças que resultam, no agachamento e suas variações angulares no
joelho ESCAMILLA et al, (1998) colocam que a força Tíbiofemoral possui na fase de
flexão do joelho seu maior valor a 81º de flexão deste e que na fase de extensão o
maior valor encontrado se dá a 53º. Já para a força tensil no Ligamento Cruzado
Anterior as forças aumentam quanto maior for a ângulo adotado, sendo que para
pessoas com lesão deste ligamento não devem ultrapassar 60º. Para o Ligamento
Cruzado Posterior, na fase de flexão, os maiores valores encontrados se dão a 95º e
na fase de extensão a 63º. Para as forças Patelofemoral, na fase de flexão do joelho
os maiores valores encontrados ocorrem a 85º e na fase de extensão a 95º.
ESCAMILLA et al, (2001b) também realizaram neste estudo uma avaliação das
forças que resultam no joelho durante o Agachamento, sendo que a força compressiva
Tíbiofemoral possui seus maiores valores na fase de flexão dos joelhos a 71º com PF e
a 72º com PA; para a fase de extensão do joelho os maiores valores encontrados
foram a 64º (PF) e a 65º (PA), sendo que os valores encontrados foram
significativamente maiores com as pernas mais abertas. Para a força tensil produzida
no Ligamento Cruzado Posterior, na fase de flexão dos joelhos, os maiores valores
foram a 88º (PF) e 81º (PA) e na fase de extensão a 77º (PF) e 76º (PA), onde
novamente notou-se que os maiores valores encontrados são com a perna mais aberta
no momento da execução do exercício. Quanto a força compressiva PateloFemoral os
autores afirmam que na fase de flexão os maiores valores encontrados se dão a 85º
(PF) e a 82º (PA) e na fase de extensão dos joelhos a 85º (PF) e a 80º (PA), tendo
novamente os maiores valores encontrados com a perna aberta quando comparado com
a perna fechada.
O agachamento acaba por ser um exercício altamente seguro, sem que este
acabe por gerar lesões no aparelho locomotor. Este exercício só deve ser evitado por
praticantes que possuem um historio patológico de desordens patelares ou
ligamentares.
EXERCÍCIOS PARA O MEMBRO SUPERIOR: A ções musculares

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Não obstante o Supino ser um exercício multiarticular amplamente utilizado para o
desenvolvimento muscular da porção superior do corpo, particularmente do peito,
há uma carência de pesquisas dirigidas ao entendimento mecânico deste movimento
(CLEMONS & AARON, 1997; NEWTON, et al. 1996; BARNETT, et al. 1995; McCAW &
FRIDAY, 1994; ELLIOT, et al. 1989). Os escassos estudos eletromiográficos, por sua
vez, têm revelado algumas informações interessantes em relação ao padrão de
ativação de alguns músculos da articulação gleno-umeral envolvidos na execução
deste exercício:

Peitoral Maior – ELLIOTT et al. (1989) e McCAW & FRIDAY (1994)


encontraram nível de atividade moderado e ocasionalmente máximo deste músculo
durante toda a fase excêntrica. Já na fase concêntrica ELLIOTT et al. (1989)
encontrou grande e sustentado aumento da atividade durante toda esta fase. Esta
ativação máxima apresentou-se já no início da fase concêntrica, bem sincronizada
com o movimento inicial ascendente da barra e manteve-se com pouca mudança
durante todo o levantamento. Esta sustentação da atividade foi tão mais evidente
quanto maior a carga conduzida. McCAW & FRIDAY (1994) também encontraram
maiores ativações na fase ascendente e proporcionais à carga, porém com moderada
redução ao final dessa fase.

Tríceps Braquial – ELLIOTT et al. (1989) e McCAW & FRIDAY (1994)


encontraram comportamento similar ao Peitoral Maior na fase excêntrica. E durante
toda a fase concêntrica ELLIOTT et al. (1989), também encontraram grande e
sustentado aumento da atividade. De forma semelhante, esta ativação máxima
apresentou-se no início da fase concêntrica, mas com um suave atraso em relação ao
peitoral maior e ao deltóide anterior. E assim como o peitoral, o tríceps manteve-se
com pouca mudança durante todo o levantamento. Esta sustentação da atividade
também foi tão mais evidente quanto maior a carga conduzida. McCAW & FRIDAY
(1994) também encontraram maiores ativações deste músculo e proporcionais à carga
na fase ascendente. McCAW & FRIDAY (1994) e NEWTON et al. (1996) também não
encontraram uma ativação sustentada do tríceps braquial durante toda a fase
concêntrica, mas apenas no início, reduzindo sua atividade ao final desta fase,
semelhante ao comportamento do Peitoral Maior. Dessa forma, NEWTON et al. (1996)
sugerem que estes músculos parecem contribuir bastante apenas nos estágios iniciais
da fase concêntrica reduzindo sua atividade à medida que a barra é desacelerada.

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Deltóide Anterior – Este músculo apresentou um comportamento
semelhante ao que cada autor observou sobre os dois músculos anteriores em
ambas as fases do supino. Tal comportamento foi particularmente mais parecido
com o peitoral maior, visto que ELLIOTT et al. (1989) observou uma sincronia com a
ativação destes músculos e o movimento inicial ascendente da barra, sem o suave
atraso apresentado pelo tríceps braquial.

Em termos práticos é possível afirmar que o Supino é um exercício capaz de


cumprir satisfatoriamente o papel de fortalecimento da porção superior do corpo.
Os músculos Peitoral Maior, Tríceps Braquial e Deltóide Anterior são ativados com
grande intensidade e também por prolongada duração dentro do ciclo do
movimento. Estes dois aspectos, Intensidade e Duração da ativação muscular, são
altamente necessários para que as adaptações decorrentes do treinamento de força
venham a ocorrer.

Contudo, é necessário ainda considerar os aspectos relacionados a carga,


velocidade de execução e largura da empunhadura no exercício.

INFLUÊNCIA DA CARGA E VELOCIDADE DE EXECUÇÃO

De modo geral, quando a carga e leve e consequentemente a velocidade de


execução mais rápida, os motores primários (Peitoral Maior, Tríceps Braquial e
Deltóide Anterior), tendem a produzir máxima atividade apenas no início da fase
concêntrica seguida de redução da atividade quando a barra entra na fase de
desaceleração.

Quando a carga é maior e conseqüentemente a velocidade de execução é


menor, a fase de aceleração da barra tende a ser maior, e portanto, os motores
primários tendem a ter aumentada seu tempo de ativação no ciclo do movimento.

Desse modo, as aplicações na otimização da potência e da força estão


intimamente ligadas a esses padrões de ativação os quais devem ser considerados
na aplicação dos treinamentos.

INFLUÊNCIA DA LARGURA DA EMPUNHADURA NO SUPINO

Os resultados de alguns trabalhos têm indicado que a largura da


empunhadura afeta tanto a perfomance no supino (WAGNER et al, 1992,
CLEMONS & AARON, 1997), como a atividade muscular (CLEMONS &
AARON, 1997; KEOGH et al. 1999; BARNETT et al. 1995). Para tanto, os

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estudos têm padronizado a largura da empunhadura para minimizar as
diferenças na medida e facilitar a comparação intersujeitos. Dois tipos
de padronizações foram comumente encontrados na literatura. A
primeira, baseada em medidas antropométricas, consiste em valores
percentuais da Largura Biacromial (LB) dos sujeitos (WAGNER, 1992;
BARNETT et al. 1995; CLEMONS & AARON, 1997). A segunda, considera a
largura como a distância entre os cotovelos flexionados em 90° e os
ombros abduzidos também em 90° (WILSON et al., 1996; KEOGH et al.
1999; MOOKERJEE & RATAMESS, 1999)

WAGNER et al. (1992), observaram a melhor performance da Força no


supino com empunhadura de 200% da LB (valores médios de aproximadamente 1180
N contra cerca 1135 N para 130% LB e 1100 N para 270 %). Por intermédio de uma
análise cinemática, estes autores ainda observaram que conforme a largura da
empunhadura aumenta, as distâncias horizontal e vertical da barra em relação ao
eixo de rotação dos ombros diminuem. A diminuição destas distâncias resultou em
uma diminuição no momento de força sobre os ombros em quase toda a fase
ascendente do movimento.

CLEMONS & AARON (1997) observaram aumentada atividade EMG dos


músculos peitoral maior, deltóide anterior, tríceps braquial e bíceps braquial a
medida em que a largura da empunhadura aumentou de 95% para 200% da LB. De
outro modo, BARNETT et al. (1995) reportaram maior atividade da porção clavicular
do peitoral maior e da cabeça longa do tríceps durante supino reto com
empunhadura de 100% da LB em relação a 200% da LB. A porção esterno-costal do
peitoral maior não foi afetada pela variação da empunhadura. Este quadro mostra a
necessidade de maiores investigações acerca da influência da largura da
empunhadura no supino sobre a ativação muscular.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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a análise do movimento humano . São Paulo: Laboratório de Biomecânica da
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