Resumo do livro
A VANTAGEM DA FELICIDADE:
Os Sete Princípios que Fomentam o
Sucesso e Desempenho no Trabalho
Shawn Achor
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Sumário
Sumário .....................……………………………………………………………………….............................. 2
Parte 1: Psicologia Positiva no Trabalho: Descobrindo a vantagem da felicidade............. 3
Princípio n 1: A Vantagem da Felicidade ..........................................................................10
Princípio n 2: O Eixo Central e a Alavanca.........................................................................19
Princípio n 3: O Efeito Tetris..............................................................................................31
Princípio n 4: Caindo Para Cima.........................................................................................37
Princípio n 5: O Círculo do Zorro........................................................................................43
Princípio n 6: A Regra dos 20 Segundos.............................................................................49
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Parte 1: Psicologia Positiva no Trabalho
Descobrindo a Vantagem da Felicidade
Se observarmos as pessoas ao nosso redor, veremos que a maioria delas
segue a fórmula aprendida na escola, no trabalho e com os pais: Se você
trabalhar muito terá sucesso, e somente então será feliz. Esse padrão de crença
explica o que nos motiva: Se eu receber o aumento, ou alcançar a próxima meta
de vendas, tirar notas altas, ou perder 3 quilos, então serei feliz. Primeiro o
sucesso, e depois a felicidade.
O único problema é que essa fórmula não funciona. Mais de uma década de
pesquisas na área da psicologia positiva e da neurociência provou que a relação
entre sucesso e felicidade funciona ao inverso. Agora sabemos que a felicidade é
a precursora do sucesso, e não o resultado deste. E essa felicidade fomenta o
desempenho – o que chamamos de Vantagem da Felicidade.
Esperar para ser feliz limita o potencial do nosso cérebro para o sucesso,
enquanto o cultivo de um cérebro mais positivo nos torna mais motivados,
eficientes, criativos e produtivos. Essa descoberta foi confirmada por milhares de
estudos científicos, por uma pesquisa com 1600 estudantes da Harvard, e com
dúzias das melhores empresas do mundo listadas na Fortune 500.
Shawn Achor, natural do Texas, jamais esperava passar no processo de
seleção da Harvard, e quando ele passou se sentiu muitíssimo privilegiado. Ele
concluiu a graduação e se tornou professor de mais de 15 disciplinas na
instituição. Também foi contratado para ser inspetor ou mentor dos residentes
recém-chegados, ajudando-os a se adaptarem e terem felicidade e sucesso no
campus. Permaneceu na Harvard por 12 anos se sentindo agradecido por cada
momento, até pelo estresse, exames e tempestades de neve.
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Sua experiência de 12 anos de ensino e acompanhamento dos alunos
residentes forneceu a ele uma visão de como milhares de estudantes da Harvard
avançam através do estresse e desafios. Foi quando ele começou a perceber
padrões. Muitos dos estudantes viam a Harvard como um privilégio, mas outros
rapidamente perdiam o olhar dessa realidade e focavam apenas nas tarefas, na
competividade e no estresse. Esses falavam incessantemente sobre
preocupações com o futuro, esquecendo-se de que estavam ganhando um
diploma que abriria muitas portas lá na frente. Sentiam-se sobrecarregados por
pequeninos revezes em vez de energizados pelas possibilidades à sua frente.
Após observar esses estudantes lutarem em sua caminhada, Shawn
percebeu que eles eram os mais suscetíveis ao estresse e depressão e seu
desempenho acadêmico era o mais prejudicado. Em 2009 Shawn visitou uma
escola na África que não tinha luz e nem água corrente, e descobriu que as
crianças de Soweto viam as tarefas escolares como um privilégio. Os estudantes
de Harvard que viam o aprendizado como obrigação estavam lutando com notas
baixas e focando no estresse. Aqueles que viam a Harvard como um privilégio
pareciam brilhar cada vez mais, e tinham uma atitude positiva que os colocava em
destaque em um ambiente competitivo.
Pesquisando Felicidade na Harvard
Apesar de a Harvard ter uma estrutura magnífica, um corpo docente
espetacular, e um corpo de discentes composto pelos melhores e mais brilhantes
estudantes do país, também abriga homens e mulheres cronicamente infelizes.
Uma pesquisa de 2004 revelou que em cada 5 estudantes da Harvard, 4 sofrem
de depressão tão debilitante que não conseguem funcionar. As taxas de
depressão hoje são dez vezes maiores que em 1960. Shawn saiu a procura da 1
pessoa em cada 5 que estava florescendo acima da curva em termos de
desempenho, produtividade, humor, energia e resiliência.
E ao mesmo tempo, outros professores da Harvard estavam estudando
sobre o que faz as pessoas florescerem, ou sobre a psicologia positiva. Não se
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trata de estudar a maioria, mas aqueles acima da média. A psicologia tradicional
comete “o erro da média”, procurando a pessoa da média, e se esquece daquela
que se comporta acima da média. Se estudamos a média, permanecemos na
média.
O Foco no Negativo
De acordo com Tal Ben-Shahar, o segundo erro que a psicologia tradicional
comete é estudar apenas aqueles abaixo da média. Claro, essas pessoas
precisam de ajuda para aliviar a depressão ou estresse e voltarem ao normal, mas
isso ainda representa apenas metade do grande total. Podemos aliviar depressão
e estresse sem fazer alguém feliz, e perder a oportunidade de elevar essa pessoa
acima da média.
Até 1998 encontrávamos 1 estudo em felicidade para 17 estudos em
depressão. Sabíamos tudo sobre depressão e pouco sobre florescimento. Nos
noticiários ouvimos sobre desastres, crimes, corrupção e isso engana o cérebro
sobre a realidade, como se a maior parte do que acontece na vida fosse negativo.
Não é saudável ou cientificamente responsável estudar apenas a metade negativa
da experiência humana.
Em 1998, Martin Seligman, o então presidente da American Psychological
Association (APA) anunciou que era hora de mudar o foco tradicional da psicologia
e começar a focar no lado positivo da curva, e que precisávamos estudar o que
funciona, e não apenas o que está quebrado. Então nasceu a psicologia positiva.
Em 2006, Shawn auxiliou Tal Ben-Shahar a desenhar uma nova disciplina
chamada psicologia positiva, ainda pouco conhecida. Em 2 semestres quase 1200
alunos se inscreveram, isso é um em cada 6 estudantes da Harvard.
Os estudantes da Harvard ficam sob muita pressão para serem os melhores,
e se isolam socialmente para estudar, até deixando de comer. A maioria não têm
sequer um envolvimento romântico durante os 4 anos de curso. Ao obterem uma
educação, aprenderem outras línguas fluentemente, e leem ótimos livros. No
entanto nunca aprendem como maximizar o potencial do cérebro para encontrar
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felicidade e significado. Eles se isolam de seus amados enquanto constroem um
currículo para preencher expectativas de outros.
Essas pessoas brilhantes em meio ao estresse se distanciaram do maior
indicador do sucesso e felicidade: sua rede social. Uma grande quantidade de
estudos mostrou que os relacionamentos sociais são a melhor garantia de bem
estar e menos estresse, antidotes para depressão e receita de alto desempenho.
Mas, em vez disso, esses estudantes se isolam em um cubículo na biblioteca, pois
aprenderam que sucesso traz felicidade.
Na verdade, novas pesquisas em neurociência mostram que nos tornamos
mais bem sucedidos quando estamos mais felizes e positivos. Por exemplo, os
médicos que estão de bom humor antes de dar o diagnóstico mostram quase três
vezes mais inteligência e criatividade que os médicos em estado neutro, e fazem
diagnóstico 19 vezes mais rápido. Vendedores otimistas vendem 56 por cento a
mais. Nosso cérebro está programado para desempenhar seu melhor não quando
estamos neutros ou negativos, mas quando estamos positivos.
Ouvindo os Atípicos Positivos (Outliers)
Quanto mais Shawn lia sobre estudos em psicologia positiva, mais se
convencia do quanto nos enganamos sobre o caminho rumo às realizações
pessoais e profissionais. Os estudos conclusivamente mostravam que o caminho
para a grande realização não era a concentração no trabalho. Esses estudos
estavam virando o mundo acadêmico e corporativo de cabeça para baixo. Ele viu
então a oportunidade de testar essas ideias com seus alunos. Conduziu pesquisa
com 1600 dos melhores alunos, o qual foi um dos maiores estudos em felicidade
já feitos com estudantes da Harvard. Após ter colhido e analisado uma grande
quantidade de dados Shawn agrupou-os em sete princípios específicos, que
preveem sucesso e realização.
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Os Sete Princípios
A Vantagem da Felicidade – Porque os cérebros positivos têm uma
vantagem biológica sobre cérebros neutros ou negativos, este princípio nos ensina
a treinar nosso cérebro para potencializar a positividade e melhorar a
produtividade e desempenho.
O Eixo Central e a Alavanca – A maneira como experimentamos o mundo,
e nossa habilidade para ter sucesso constantemente muda de acordo com nossa
atitude mental. Esse princípio nos ensina como podemos ajustar nossa atitude
mental (nosso eixo) de maneira a termos mais motivação (a alavanca) para
realizar e ter sucesso.
O Efeito Tetris – Quando nosso cérebro fica preso em um padrão que foca
no estresse, negatividade e fracasso, nos programamos para fracassar. Esse
princípio nos ensina como treinar nosso cérebro para encontrar padrões de
possibilidades, assim podemos ver e aproveitar as oportunidades quando as
vemos.
Caindo Para Cima – Em meio à derrota, estresse e crise, nosso cérebro
mapeia diferentes caminhos para nos ajudar a enfrentar as dificuldades. Esse
princípio se refere a encontrarmos o caminho mental que nos eleva acima da
derrota e sofrimento, e nos ensina a ser mais felizes e bem sucedidos.
O Círculo do Zorro – Quando os desafios surgem e ficamos
sobrecarregados, nosso cérebro racional é sabotado por emoções. Esse princípio
nos ensina como retomar o controle ao focar primeiro nas metas pequenas e
gerenciáveis, e então gradualmente expandir nosso círculo para alcançar metas
maiores e melhores.
A Regra dos 20 Segundos – Mudanças sustentáveis e duradouras parecem
impossíveis porque nossa força de vontade é limitada. E quando a vontade falha,
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voltamos para nossos velhos hábitos e para o caminho mais fácil. Esse princípio
mostra como, por ajuste de energia, podemos reorientar o caminho mais fácil e
substituir maus hábitos por bons hábitos.
Investimento Social – Em meio a desafios do estresse, alguns se isolam.
Mas as pessoas de sucesso investem em seus amigos, colegas e família para
poderem continuar. Esse princípio nos ensina como investir mais em um dos
maiores marcadores de sucesso e excelência – nossa rede de apoio social.
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A Vantagem da Felicidade no Trabalho
Ao palestrar para um grupo de líderes bilionários na cidade de Harare,
Zimbabwe em 2008, Shawn se sentiu nervoso, pois o país acabara de ser
devastado por um colapso econômico. E os sete princípios foram úteis para eles
em tempos de crise, maximizando sua produtividade, energia e desempenho no
trabalho. Dentro de um ano Shawn já havia visitado mais de 40 países em cinco
continentes, e descobriu que os mesmos princípios marcadores de sucesso na
Harvard funcionavam em todos os lugares que visitava.
Cada pessoa tinha uma história diferente de felicidade, luta e resiliência. Ele
aprendeu mais com suas visitas ao redor do globo do que com seus estudos
durante 12 anos na Harvard. Com a crise na América no norte, ele falou a líderes
que passavam por reestruturação e perdas em suas grandes empresas, e mesmo
assim, eram receptivos com a psicologia positiva. Os executivos da American
Express teriam com Shawn uma palestra de 90 minutos, mas cancelaram reuniões
para ouvi-lo por 3 horas. Eles estavam famintos pelo assunto da felicidade.
Os primeiros a abraçarem os sete princípios foram os diretores e CEOs de
bancos, e instituições financeiras. E as pessoas quase universalmente estão
abertas a usar a psicologia positiva para repensar a maneira como trabalham.
Enquanto isso os pesquisadores em psicologia positiva concluíram um estudo de
meta análise, envolvendo 200 estudos com 275 mil pessoas do mundo. Seus
achados combinaram com os princípios que Shawn estava ensinando – que a
felicidade leva ao sucesso em quase todo domínio, inclusive trabalho, saúde,
amizades, sociabilidade, criatividade e energia. Isso o encorajou a aplicar os
princípios em outras populações.
Shawn testou esses princípios com auditores de impostos em 2008, e
ofereceu um treinamento a 250 gestores da KPMG. Ao voltar, ele constatou que o
treino os vacinou contra os efeitos negativos do estresse, e os auditores
reportaram maior satisfação e menor estresse que o grupo que não recebeu o
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treinamento. O mesmo ocorreu em empresas gigantes como a UBS, Credit
Suisse, e Morgan Stanley.
Logo as faculdades de direito e empresas começaram a bater na porta de
Shawn. Advogados têm 3 vezes mais risco de depressão que outros profissionais.
Ele ensinou a eles como construir e fortalecer sua rede de apoio social para
diminuir a ansiedade e negatividade. Os resultados foram imediatos e
impressionantes, e eles puderam usar a vantagem da felicidade para redução do
estresse e alcance de mais realizações.
Mas os achados em psicologia positiva ainda são praticamente um segredo
no campo profissional e corporativo. As empresas da fortune 500 ainda usam
programas de incentivo que são ineficazes já a uma geração. Um estudo mostrou
que os CEOs se tornam 15 por cento mais produtivos, e os gerentes aumentam a
satisfação do cliente em 42 por cento por usarem os princípios positivos. Essas
sete ferramentas ajudarão você a vencer obstáculos, reverter maus hábitos, ser
mais eficiente e produtivo, aproveitar as oportunidades e conquistar metas
ambiciosas na vida e no trabalho.
A vantagem da felicidade nos ajuda a cultivar a atitude mental e
comportamentos que fomentam maior sucesso e realização. Ainda não sabemos
os limites do enorme potencial de nosso cérebro para crescermos e nos adaptar a
circunstâncias que mudam. Apenas ter o conhecimento dos princípios não é o
suficiente para mudar nosso comportamento e criar mudança sustentável.
Precisamos de foco e esforço para coloca-los em prática.
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Princípio n 1
A VANTAGEM DA FELICIDADE
Como a Felicidade Acrescenta a Seu Cérebro e à Sua Organização – a
Vantagem Competitiva.
Em 1543 Copérnico argumentou que a terra girava em torno do sol, o que
mudou a maneira como vemos o universo. Hoje, uma mudança semelhante no
campo da psicologia está acontecendo. For gerações acreditamos que a felicidade
gravitava ao redor do sucesso, e agora sabemos pelas pesquisas que o oposto é
verdadeiro. Quando estamos felizes, com a mente e humor positivos somos mais
criativos, motivados, e bem sucedidos. A felicidade é o centro, e o sucesso gira
em torno dela.
Apesar das pesquisas, ainda há líderes que insistem na fórmula inversa, e
quando a seguimos, boicotamos nosso bem estar mental e emocional, diminuindo
nossa chance de sucesso e realização. Aqueles com vantagem competitiva não
procuram a felicidade como uma recompensa distante de suas realizações, e nem
passam o dia com humor neutro ou negativo, eles capitalizam do positivo e
colhem as recompensas sempre.
A Ciência da Felicidade
Os cientistas definem a felicidade como “bem estar subjetivo”, pois é relativo
para a pessoa que a experimenta. É baseada em como nos sentimos sobre nossa
vida. Com o passar dos anos os cientistas desenvolveram auto avaliações
métricas precisas e confiáveis de felicidade individual. Os cientistas também
definem felicidade como a experiência de emoções positivas, sentimentos
profundos de significado e propósito. Ela implica em humor positivo no presente e
sentimento positivo em relação ao futuro.
Martin Seligman, o pai da psicologia positiva, dividiu a felicidade em três
componentes: prazer, engajamento e significado. Seus estudos confirmam que as
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pessoas que buscam apenas prazer experimentam os benefícios que a felicidade
pode trazer apenas parcialmente, enquanto aqueles que buscam todos os três
componentes vivem a boa vida. Talvez o termo correto para felicidade seja
florescimento. Para Shawn felicidade é a alegria que sentimos ao nos esforçarmos
para desenvolver nosso potencial.
O grande motor da felicidade são as emoções positivas ou positividade.
Barbara Fredrickson, pesquisadora da Universidade de Carolina do Norte é líder
mundial no tema, e descreve as dez emoções positivas mais estudadas: alegria,
gratidão, serenidade, interesse, esperança, orgulho, surpresa, inspiração,
reverência e amor.
Os dados são abundantes mostrando que a felicidade leva ao sucesso em
todo domínio da vida, incluindo casamento, saúde, amizades, envolvimento
comunitário, trabalho, carreira e negócios. Trabalhadores felizes têm níveis mais
altos de produtividade, desempenho e liderança, e têm menos faltas no trabalho.
Um dos estudos longitudinais mais famosos em felicidade vem dos velhos
diários de freiras católicas. Foi pedido a essas 180 freiras nascidas antes de 1917
que escrevessem seus pensamentos em seus diários. Mais de cinco décadas
depois, pesquisadores decidiram analisar os trechos com conteúdo de emoções
positivas. Descobriram que o nível de positividade delas aos 20 anos de idade
previu como seria o resto de suas vidas. As freiras que tiveram anotações mais
positivas em seu diário viveram 10 anos a mais do que as que tiveram conteúdo
mais negativo ou neutro. Aos 85 anos, 90 por cento das mais felizes, ainda
estavam vivas, comparado a apenas 34 por cento das menos felizes. Estando
felizes aos 20 anos, elas tiveram saúde superior e vida mais longa.
A felicidade melhora a saúde, nos faz trabalhar mais rápido e por mais
tempo. Essa revelação fornece às empresas um incentivo adicional para se
preocuparem com a felicidade dos funcionários, pois estando felizes, eles serão
mais produtivos no trabalho. Os funcionários infelizes faltam 15 dias mais que os
funcionários felizes em um ano.
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Seu Cérebro e a Felicidade
As emoções positivas afetam a função de nosso cérebro e mudam nosso
comportamento. Os psicólogos já sabem há muito tempo que as emoções
negativas estreitam nosso pensamento e limitam a variedade de nossas ações.
Barbara Fredrickson, em sua “teoria do construir e expandir” afirma que as
emoções positivas alargam as fronteiras da mente, nos tornando mais criativos,
inteligentes, sociáveis, com mais energia e abertos a novas ideias. Melhoramos
nosso desempenho de diversas maneiras. Sentir emoções positivas permite que
nosso cérebro armazene recursos para futuro, os quais servem de amortecedor.
O efeito “expandir” é biológico. Positividade inunda nosso cérebro com
dopamina e serotonina, e habilita o centro de aprendizado. Emoções positivas nos
ajudam a organizar melhor nova informação, mantê-la por mais tempo e nos
lembrar mais tarde. Elas nos ajudam a sustentar conexões nervosas, o que nos
faz pensar mais rápido e de maneira mais eficiente, nos torna mais habilidosos em
análises complexas e resolução de problemas, e também inventamos novos
caminhos de fazer as coisas.
Nosso humor, de acordo com um estudo da Universidade de Toronto, pode
mudar como processamos informação visual. Foram mostradas aos participantes
desse estudo muitas fotos. Os participantes com bom humor observaram todos os
detalhes, enquanto aqueles com negatividade não viram o fundo, e nem detalhes.
É por causa da vantagem da felicidade que a empresa Yahoo tem uma ala
de massagem, e que os engenheiros do Google trazem seus cães para o trabalho.
Empresas inteligentes cultivam esses ambientes de trabalho, pois quando os
funcionários se sentem felizes, eles têm momentos de criatividade e a inovação,
veem solução que não teriam visto em humor neutro, e geram grandes resultados.
As emoções positivas abrem nossos olhos para novas soluções e ideias. Um
estudo mostrou que crianças de apenas 4 anos de idade montaram seus blocos
de maneira mais criativa e rápida quando foi pedido a elas que pensassem nas
coisas que gostavam enquanto brincavam.
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Capitalizando na Felicidade
Algumas pessoas pensam que não são por herança do tipo “felizes” ou bem
humoradas. Antes se pensava que a felicidade era hereditária. No entanto, os
cientistas descobriram que de fato temos mais controle de nosso bem estar do
que pensávamos. Enquanto todos nós temos uma linha de base de felicidade,
podemos aumentar essa base permanentemente, mesmo com altos e baixos.
Os cientistas afirmam que o mais crucial para a felicidade humana é buscar
metas significativas na vida, sempre estar à procura de oportunidades, cultivar o
otimismo e atitude de agradecimento, e fortalecer as relações sociais
enriquecedoras. Tão importantes quanto as grandes mudanças em pensamento e
comportamento para a vantagem da felicidade são os curtos momentos diários de
positividade e alegria, tais como ver um curto vídeo engraçado, conversar com
alguém ou com um amigo, ou mesmo dar um pequeno presente como uma
balinha pode ativar nossa potência mental e desempenho no trabalho.
Todos nós temos algumas atividades que aumentam nossas emoções
positivas, talvez a sua seja ouvir uma música, jogar basquete, andar com o
cachorro, ou limpar a casa.
Tenha expectativas de concretização de algo.
Um estudo mostrou que as pessoas que apenas pensaram em assistir seu
filme preferido aumentaram seu nível de endorfinas em 27 por cento. A parte feliz
de uma atividade é a antecipação. Se você não pode ver seus amigos, agende um
tempo com eles, se não pode tirar férias agora, faça um planejamento, mesmo
que seja para daqui a um ano. E quando precisar de uma injeção de energia
lembre-se das expectativas. Antecipar recompensas futuras pode ativar o centro
de prazer em seu cérebro tanto quanto viver o evento real.
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Realize Ações ou Atos Conscientes de Bondade
Uma pesquisa com 2000 pessoas mostrou que os atos de altruísmo, doar a
amigos e estranhos igualmente – diminui o estresse e contribui fortemente para a
saúde mental. Sonja Lyobomirsky, pesquisadora líder e autora de “O Como da
Felicidade”, descobriu que as pessoas a quem foi pedido que realizassem 5 atos
de bondade em um dia relataram se sentir muito mais felizes do que o grupo
controle, e esses sentimentos duraram por dias após o exercício. Faça o exercício,
escolhendo um dia da semana com o compromisso de fazer cinco atos bondosos.
Um dos meus atos favoritos é pagar o pedágio para a pessoa atrás de mim.
Inspire Positividade ao Seu Redor
Nosso ambiente pode ter um impacto enorme em nosso bem estar e atitude.
Nem sempre temos o controle do mesmo, mas podemos nos esforçar para difundir
a positividade. Pense em seu trabalho: Que sentimentos ele te inspira? Aqueles
que têm fotos de família na tela do computador estão garantindo momentos de
positividade no seu dia a dia. Encontrar tempo para sair do escritório pelo menos
por 20 minutos expande o pensamento e melhora a memória. Os gestores
espertos permitem que seus funcionários respirem ar fresco 2 vezes por dia, e
colhem os benefícios com melhor desempenho de sua equipe.
Também podemos manter as emoções negativas bem distantes, assistindo
menos TV. Estudos mostram que quanto menos assistimos os programas com
conteúdo de violência, mais felizes somos. Isso não significa ignorar os problemas
reais do mundo. Os psicólogos pesquisadores afirmam que na verdade, aqueles
que assistem menos TV são juízes mais precisos dos riscos e recompensas da
vida do que os que se sujeitam a ouvir histórias de crimes, tragédias e morte nos
programas populares e jornais. Isso porque essas pessoas são menos prováveis
de ver informação sensacionalista e veem a realidade com mais clareza.
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Exercício Físico
O exercício físico libera químicas que induzem a sensação de bem estar,
como endorfinas, e melhora o humor. Também melhora o desempenho no
trabalho por aumentar a motivação e sentimentos de domínio, reduzindo o
estresse e ansiedade, e nos ajudando a ter mais “flow” – aquele sentimento de
total engajamento que temos quando estamos em nosso melhor em termos de
produção. Um estudo comprovou o quanto o exercício é poderoso. Três grupos de
pacientes depressivos foram designados com diferentes estratégias de
tratamento. O grupo 1 tomou antidepressivos, o grupo 2 fez exercícios, e o grupo
3 fez uma combinação. Ao final do estudo, os 3 grupos haviam sido beneficiados.
Mas, após seis meses 38 por cento do grupo 1 teve relapso e 31 por cento do
grupo 3 também, enquanto o grupo do exercício teve apenas 9 por cento de
relapso. Os efeitos da caminhada, andar de bicicleta, etc. são duráveis.
Gaste Dinheiro (mas não com coisas)
Contrário à crença popular, o dinheiro não traz necessariamente a felicidade.
O prazer da compra é passageiro, enquanto os sentimentos positivos que temos
ao viver experiências e proporcioná-las para outros é duradouro e significante.
Gastar com um jantar entre amigos ou atividades com outros proporciona um
prazer mais duradouro do que gastar com compras de roupas, sapatos, relógios
caros ou TVs, segundo achados de um estudo sobre compras.
Gastar dinheiro com outros, ou o “gasto pró-social” aumenta a felicidade.
Quais são seus hábitos de gastos? Desenhe duas colunas no papel e calcule seus
gastos do próximo mês. Seus gastos se concentram em coisas ou experiências?
Ao final do mês olhe para cada coluna, e pense sobre o prazer que cada compra
proporcionou a você, e por quanto tempo.
Exercite Uma Força de Assinatura.
Todos são bons com alguma coisa. Talvez em dar conselhos ou cozinhar, e
seja qual for sua força, cada vez que você a usa toma uma injeção de
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positividade. Use um talento que você não usa há muito tempo. Melhor ainda do
que usar uma habilidade, é exercitar uma força de caráter. Uma equipe de
psicólogos recentemente catalogou as 24 forças de caráter universais que mais
contribuem para o florescimento humano. Eles desenvolveram então um
questionário que identifica as cinco principais forças de assinatura da pessoa.
Para aprender mais, visite o site: www.viame.org e faça o teste gratuito em
português.
Em um estudo, quando um grupo exercitou suas forças de assinatura de
maneira nova a cada dia, isso aumentou seu nível de felicidade, e eles se
tornaram menos depressivos e significantemente mais felizes do que o grupo
controle. E esses benefícios duraram 6 meses após o experimento. Uma das
forças de Shaw é o amor ao aprendizado. Ele aprende fatos históricos sobre todos
os lugares que visita, e esse exercício mental faz uma enorme diferença em sua
atitude e estado mental quando viaja entre continentes, afirma ele. Faça o teste
VIA e use suas virtudes.
Colocando os Bois na Frente na Carroça.
Todos podem aumentar a positividade em seu trabalho. Mas isso é
especialmente verdade para líderes, gerentes e pessoas em posições de
autoridade, pois eles: (a) determinam as políticas e moldam a cultura do ambiente
de trabalho; (b) esperam ser exemplo para todos; (c) tendem a interagir com todas
as pessoas durante o dia. Infelizmente líderes modernos não querem perder
tempo sendo positivos, e acabam honrando os funcionários que não tiram uns
minutinhos para descansar ou socializar.
No entanto, os novos executivos encorajam seus funcionários a tirar tempo
do trabalho para fazer exercícios e meditar, ou os deixam sair 30 minutos antes
uma noite por semana para fazer voluntariado local, e o investimento tem um
retorno enorme. Os chefes que desencorajam momentos de positividade, piadas,
risadas, um telefonema para a família, e a descontração estão em dupla
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desvantagem, pois tendem a ser negativos, e a eficiência e gerenciamento do
tempo dos funcionários na verdade decresce.
Os melhores líderes usam a Vantagem da Felicidade como ferramenta para
motivar suas equipes e maximizar o potencial dos funcionários. O Google é
famoso por deixar patinetes no corredor, vídeo games na sala de café, e chefes
gourmets na cafeteria. O fundador do Patagonia deixa pranchas de surf no
armário para os funcionários surfarem. Muitas empresas têm academias, creches
no local, e benefícios de saúde, as quais têm muito retorno. Uma empresa teve o
retorno de $12.3 reais em cada $2 reais gastos com seu programa de fitness
corporativo. A Toyota testemunhou um salto em produtividade em seu Centro de
Partes Norte Americano quando implantou um treino baseado em forças com os
funcionários. Todos os pequenos momentos de positividade no trabalho podem
aumentar a eficiência, motivação, criatividade e produtividade.
E quando o reconhecimento dos chefes ocorre em relação aos funcionários,
através de elogios, isso aumenta mais o desempenho do que o dinheiro o faria,
um estudo mostrou. Chip Conley, CEO de uma rede de hotéis de luxo permite que
uma pessoa fale por um minuto ao final de cada reunião sobre um funcionário que
merece reconhecimento, pode ser uma diarista ou um gerente, e após isso, outro
executivo na reunião se voluntaria para ligar, enviar email ou visitar a pessoa
elogiada e dizer a ela que está fazendo um trabalho excelente.
Em ambiente militar, os líderes que expressam abertamente a positividade
conseguem proezas com suas equipes. Na marinha americana, segundo uma
pesquisa, os prêmios anuais por eficiência e preparo são dados para os
esquadrões cujos oficiais comandantes são abertamente encorajadores. Por outro
lado, os esquadrões com a pontuação mais baixa em desempenho são
geralmente liderados por comandantes com uma conduta controladora, negativa e
indiferente. Até no militarismo, um estilo de liderança positiva vence.
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A Linha Losada
Algumas pessoas não acreditam na vantagem da felicidade e acreditam que
o encorajamento e reconhecimento deve ser usado como recompensa para bom
desempenho, e não como uma ferramenta para despertar um melhor
desempenho. O pesquisador Marcial Losada afirma em seu modelo matemático
que 2.9 é a razão ou proporção de interações positivas para negativas
necessárias para tornar uma equipe bem sucedida. Essa média significa que é
preciso 3 comentários, expressões ou experiências positivas para reparar os
efeitos de um evento negativo. Mantenha uma razão de 6 para a linha Losada e as
equipes produzem o seu melhor.
Isso não é apenas uma fórmula matemática, o próprio Losada trabalhou com
uma empresa global de mineração, a qual sofria com um processo de perda maior
que 10 por cento; ele descobriu que a razão Losada de positividade deles era
1.15. Mas após os líderes da equipe terem sido instruídos a dar mais feedback
positivo e ter interações mais positivas, a média da razão Losada da equipe
aumentou para 3.56. Eles deram um pulo na produção, melhorando seu
desempenho em mais de 40 por cento. O CEO confessou a Losada, “você
desamarrou o nó que nos emprisionava: hoje olhamos uns para os outros de
maneira diferente e aprendemos sobre nosso sucesso pessoal, mas também
sobre o sucesso dos outros, e o mais importante, alcançamos resultados
tangíveis”.
A razão matemática Losada é a evidência da Vantagem da Felicidade, e ao
aceitarmos essa nova ordem no universo do trabalho, mudamos nosso modo de
trabalhar, de interagir com os colegas, e de liderar nossas equipes, para dar à
nossa carreira e nossa organização a vantagem competitiva.
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Princípio n 2
O Eixo Central e a Alavanca
Mudando Seu Desempenho por Mudar Sua Atitude
Quando Shawn tinha 7 anos de idade, sua irmã de 5 anos caiu da beliche
mais alta ao brincar com ele, e antes que ela chorasse Shawn disse a ela: Amy,
nenhum ser humano cai assim de quatro, somente unicórnios. O maior desejo de
Amy era ser um unicórnio e por isso ela não chorou, mas voltou a brincar sem
acordar seus pais. Shawn cita essa experiência da infância para dizer que embora
tenhamos limitações, podemos escolher usar nossos recursos para ver apenas a
dor, negatividade, estresse e incertezas, ou usar nossos recursos para olhar para
as coisas pelas lentes da gratidão, da resiliência, do otimismo e do significado.
Enquanto não podemos mudar a realidade pela força de vontade, podemos
usar nosso cérebro para mudar como processamos o mundo, e isso muda como
reagimos a ele. A felicidade não é mentirmos para nós mesmos, ou ficarmos
cegos para o negativo, mas ajustarmos nosso cérebro para ver maneiras de
superar nossas circunstâncias.
A Fórmula Arquimediana
Arquimedes, o maior cientista e matemático grego da antiguidade disse, “Dê-
me uma alavanca longa o suficiente, e um eixo para coloca-la, e eu moverei o
mundo.” Shawn teve seu momento Eureka no dormitório observando estudantes
se prepararem para um exame, de acordo com a fórmula de Arquimedes.
Nosso cérebro funciona como a fórmula arquimediana. Em uma gangorra, o
eixo fica no centro. Se dois meninos de 50 quilos cada um se sentam com a
mesma distância do eixo, eles se equilibram. Se dois meninos com peso de 50 e
75 quilos se sentam, o menor ficará no ar até o maior dar um impulso com os pés.
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Mas e se movermos o eixo? Se deixarmos o eixo próximo do menino mais
pesado, ele se moverá com maior facilidade, e o mais leve pesará mais.
O poder de maximizarmos nosso potencial é baseado em duas coisas
importantes: (1) o comprimento da alavanca – quanta força potencial e
possibilidade nós acreditamos ter, e (2) a posição do eixo central – a atitude com a
qual geramos força para mudar. O que isso significa em termos práticos é que se
você é um estudante lutando por notas melhores, um executivo júnior lutando por
melhor salário, ou um professor que espera inspirar os alunos, você não precisa
tentar demais para obter resultados.
Quanto mais mudamos nosso eixo (atitudes), mais nossa alavanca aumenta
e mais força geramos. Se movermos o eixo de modo que toda a vantagem vai
para a atitude negativa, nunca saímos do lugar. Se movermos o eixo para uma
atitude positiva, a força da alavanca aumenta, e move tudo para cima.
Ao mudar o eixo de nossas atitudes e aumentar a alavanca da possibilidade,
nós mudamos o que é possível. Não é o peso do mundo que determina o que
podemos alcançar. É nosso eixo e a alavanca.
Mova o Eixo, Mude a Realidade
De acordo com a teoria da relatividade de Einstein, muitas leis
aparentemente invioláveis do universo são alteradas baseadas no observador.
Como resultado, algumas impossibilidades num mundo “objetivo e fixo” se tornam
possíveis. A relatividade não termina com a física. Todo segundo de nossa
experiência é medido por um cérebro relativo e subjetivo. A “realidade” é a relativa
compreensão de mundo do nosso cérebro, baseada em como e onde estamos
observando.
O mais importante, podemos mudar essa perspectiva a qualquer momento, e
ao fazer isso mudamos nossa experiência do mundo ao nosso redor. É isso que
quero dizer quando falo em mudar oeixo. Essencialmente nossas atitudes, e por
21
sua vez nossa experiência de mundo nunca está gravada na pedra, mas
constantemente em fluxo.
Voltando o Relógio
Se há algo do qual temos certeza, é de que o tempo corre apenas em uma
direção. Essa era a visão de Shawn até sua mentora Ellen Langer provar o
contrário com uma brilhante aula. Em 1979 Langer realizou um experimento com
um grupo de homens de 75 anos. Eles foram para um retiro e não puderam levar
nada datado depois de 1959, tais como fotos, jornais, revistas, etc. Ao chegarem
lá, disseram a eles que todos fariam de conta que era o ano de 1959, quando
esses homens tinham 55 anos de idade.
Para reforçar, eles se vestiram e agiram como na época, e receberam fotos
deles com 55 anos. Eles foram instruídos a falar sobre o presidente Eisenhower e
sobre outros eventos de suas vidas, acontecidos na época. Alguns falaram sobre
seus trabalhos no presente, como se não tivessem se aposentado. Foram
colocados pôsteres da época nas mesas da cafeteria, e tudo foi desenhado para
que eles vissem o mundo pelas lentes de seus 55 anos.
Langer é psicóloga da fraude e por quarenta anos tem desafiado as
expectativas da comunidade científica de maneiras inesperadas. Ela buscou
mostrar por este experimento radical que nossa “construção mental” – a maneira
como concebemos nós mesmos – tem influência direta sobre nosso processo de
envelhecimento. Ao ela mover o eixo e a alavanca desses homens de 75 anos, ela
poderia mudar a realidade “objetiva” de sua idade.
Antes do retiro os homens foram testados em todo aspecto relativo à
deterioração pela idade: força física, postura, percepção, cognição e memória de
curta duração. Após o retiro, a maioria dos homens melhorou em todas as
categorias; eles ficaram mais flexíveis, com melhor postura, e maior força nas
mãos. A média de visão deles melhorou quase 10 por cento, assim como seu
desempenho em testes de memória. Para a metade deles, a inteligência, que
pensávamos ser fixa desde a adolescência, também aumentou. Até sua aparência
22
física mudou; pessoas que não sabiam sobre o experimento viram fotos dos
homens antes e depois do experimento, e deram um palpite sobre suas idades.
Os homens pareceram, em média, três anos mais jovens do que quando
chegaram.
Isso revelou novas implicações radicais sobre o poder da atitude de moldar a
realidade. Nossa “realidade” externa é muito mais maleável do que pensamos, e
mais dependente dos olhos pelos quais a vemos. Com a atitude certa, nosso
poder de ditar esta realidade – e os resultados de nossas ações – aumenta
exponencialmente.
Executivos que Cantam, Placebos e Diaristas de Hotel
Shawn olhou para os 70 diretores executivos da UBS em Connecticut antes
da palestra e pediu que fechassem os olhos e cantassem no pensamento “Row,
Row, Row Your Boat” (Reme, Reme, Reme Sua Canoa). A empresa estava
fazendo cortes e se reestruturando após batalhas jurídicas e queda nos preços.
Depois perguntou a eles quanto tempo pensavam que havia durado o exercício.
Ele obteve 70 respostas diferentes, desde 35 segundos até 5 minutos. O exercício
havia durado 70 segundos.
Dependendo da atitude, cada pessoa vivencia a realidade objetiva do tempo
de maneira diferente. Talvez os que acham a música chata e estão impacientes
para voltar ao trabalho têm um palpite mais longo, enquanto os que estão
relaxados ou interessados e engajados na conversa acham que passou menos
tempo. E o tempo voa quando estamos nos divertindo.
A psicologia tem mostrado que a atitude mental não apenas muda a maneira
como sentimos uma experiência – mas muda o resultado da experiência. Estudos
sem conta têm mostrado que quando os pacientes recebem uma pílula de açúcar
e ouvem que é um bom remédio para aliviar sintomas, eles frequentemente
melhoram tanto quanto com o remédio real. O Efeito Placebo tem um efeito
poderoso para controlar a dor, sendo eficaz em 55 a 60 por cento, como a
23
aspirina. A simples crença de estar tomando um remédio é o suficiente para fazer
o sintoma desaparecer.
Há também o placebo reverso. Um grupo de pesquisadores japoneses
vendou os olhos de 13 participantes e disse a eles que seu braço estava sendo
friccionado com a planta da urticária. Todos os 13 participantes reagiram com os
sintomas clássicos da urticária: coceira, bolhas e vermelhidão. A planta usada
para o estudo não foi a urticária, mas a crença dos estudantes foi forte o suficiente
para criar um efeito biológico de urticária.
Em outro experimento, os pesquisadores japoneses friccionaram a
verdadeira urticária no braço de outros 13 estudantes, e disseram a eles que era
uma planta inofensiva. Todos eles eram alérgicos à urticária, mas apenas 2
tiveram erupção cutânea.
Nosso cérebro é organizado para agir de acordo com o que acreditamos que
irá acontecer em seguida, isso é chamado por psicólogos de “Teoria da
Expectativa”. O Dr. Kinsboune, neurocientista da Faculdade de Pesquisa Social de
Nova York explica que nossa expectativa cria padrões mentais que podem ser tão
reais como aqueles criados por eventos do mundo real. Os neurônios atuam
como gatilho disparando uma cascata de reações no sistema nervoso que levam a
várias consequências físicas.
O que isso significa no trabalho é que nossas crenças podem mudar os
resultados concretos de nossos esforços. Em um estudo da Universidade de Yale,
foi dito a um grupo de diaristas de um hotel que em seu trabalho elas queimavam
muitas calorias com exercícios cardiovasculares ao aspirar. Ao outro grupo isso
não foi dito. Ao final do experimento, aquelas que pensaram estar gastando
calorias perderam peso e tiveram seu nível de colesterol diminuído. A única
diferença entre os grupos foi como seus cérebros perceberam o trabalho feito.
Portanto, a construção mental de nossas atividades diárias, mais do que as
atividades em si, define nossa realidade.
24
Mais que 24 Horas em Um Dia?
Agora se pergunte: O quanto você poderia ser mais eficiente e produtivo se
mudasse a maneira como vê as horas de trabalho do dia? Em um cenário onde a
realidade pode ser experimentada de maneiras diferentes, dependendo de onde
você coloca o eixo a pergunta é: “como posso usar minha experiência relativa do
dia de trabalho para minha melhor vantagem”?
As pessoas de muito sucesso adotam uma atitude que faz seus dias de
trabalho mais agradáveis, trabalham mais e de maneira mais eficiente e rápida do
que seus colegas com atitude negativa. Essas pessoas usam a atitude positiva
para ganhar controle do tempo. Se no começo da reunião de trabalho você pensa
que a reunião não vai resolver nada, você não se importa, ficará sem energia e
motivação. Mas, se escolher ver a reunião como oportunidade e criar objetivos,
tais como aprender 3 coisas: fazer apresentações melhores, lidar com perguntas
difíceis e qual a melhor cor para power point, a produtividade aumentará.
Quando nos reconectamos com o prazer do processo em vez de focar
apenas nos resultados, adotamos uma atitude que facilita o alcance de resultados
melhores. Nossa visão de trabalho afeta nossa experiência real. Se nossa visão
de lazer, tempo com a família ou com um hobby, é de tempo desperdiçado, então
estaremos perdendo tempo mesmo, e poderemos nos sentir culpados em ter
lazer, nunca recarregando nossas baterias para o trabalho.
Permitir-nos fazer atividades que gostamos pode aumentar nosso
desempenho no trabalho. Mas se seu cérebro pensa que o encontro com os
amigos é perder tempo, você não colherá os benefícios do encontro social. No
entanto, se você pensar que seu tempo livre é uma chance de recarregar as
baterias, de aprender e de praticar coisas novas, se conectando com outros, você
voltará mais fortalecido do que antes.
25
A Alavanca de Possibilidades
Assim como a atitude ou crença afeta o desempenho, ela afeta suas
habilidades. Quanto mais você acreditar em suas habilidades de ter sucesso, mais
provável você será de tê-lo. Os estudos mostram que simplesmente acreditar que
você pode fazer mudanças positivas em sua vida aumenta a motivação e
desempenho no trabalho, e o sucesso se torna uma profecia auto realizadora. Um
estudo mostrou que os contadores que acreditavam que podiam alcançar o que
determinassem fazer, dez meses depois tiveram a mais alta pontuação em
desempenho no trabalho. Suas crenças em suas habilidades foram um forte
previsor de desempenho, mais do que seu treino.
Um exemplo fascinante da influência das crenças ocorreu em um estudo.
Foi realizado um teste padrão de 20 perguntas, e repetido para 400 americanos,
depois da eleição presidencial de 2008 nos E.U. Décadas de pesquisas mostram
que internalizar estereótipos racistas contribui para uma lacuna entre estudantes
brancos e afrodescendentes. Quando identificam sua raça antes dos testes, os
estudantes de cor têm desempenho pior. Após Obama ter vencido as eleições, os
estudantes de cor melhoraram tanto, que a lacuna desapareceu. O modelo que
Obama projetou apagou autodúvidas que influenciavam o desempenho deles.
Na empresa de treinamento IDology, os treinadores perguntam aos clientes:
Que identidade você está vestindo hoje? Se for a autodúvida, você já prejudicou
seu desempenho antes de começar. Então, quando se deparar com um desafio,
uma tarefa difícil, dê a você mesmo uma vantagem competitiva imediata ao focar
em todas as razões para ter sucesso, em vez de fracasso. Lembre-se das
habilidades relevantes que você tem, e não das que faltam. Pense em quando
você esteve em situação parecida no passado e foi bem. Anos de pesquisa
mostram que um foco específico em suas forças durante tarefas difíceis produzem
os melhores resultados. Isso não significa ignorar fraquezas ou dizer um mantra
de afirmações vazias, mas focar nas forças de caráter da classificação VIA.
26
Alavancando a Inteligência
Os estudos da psicóloga Carol Dweck da universidade de Stanford dividem
as pessoas em duas categorias: Aquelas com “atitude fixa” acreditam que suas
capacidades são fixas, enquanto aquelas com “atitude de crescimento” acreditam
que podem melhorar suas qualidades básicas pelo esforço, e que podem mudar
suas aptidões e interesses, e crescer pela experiência. As pesquisas de Dweck
mostram que pessoas com “atitude fixa” perdem oportunidades de melhorar, e têm
um desempenho ruim consistentemente. As pessoas com “atitude de crescimento”
veem suas habilidades melhorarem.
Quando acreditamos que haverá uma recompensa positiva de nossos
esforços, trabalhamos mais em vez de perder a esperança. As crenças são
poderosas, pois ditam nossos esforços e ações. Quando reconhecermos o quanto
nossa realidade depende de como a vemos, não será surpresa que as
circunstâncias externas predizem menos que 10 por cento de nossa felicidade
total. Por isso Sonja Lyubomirsky, líder do estudo científico de bem estar, diz
preferir a frase “criação ou construção da felicidade” em vez de “busca”, pois ao
mudar a maneira como vemos a nós e nosso trabalho, melhoramos os resultados.
Usando o Eixo e a Alavanca
A psicóloga Amy Wrzesniewski da Universidade de Yale estuda por décadas
como a percepção mental que temos do trabalho afeta nosso desempenho. Ela
descobriu que os trabalhadores em qualquer ocupação têm três “orientações de
trabalho” ou atitudes diferentes. Vemos nosso trabalho como Trabalho, Carreira,
ou Chamado. As pessoas com um “trabalho” veem o trabalho como tarefa, seu
pagamento como recompensa, e trabalham por obrigação, ansiosos pela hora de
sair. Ao contrário, as pessoas que veem seu trabalho como carreira não trabalham
apenas por necessidade, mas investem para avançar e ser bem sucedidas.
Finalmente as pessoas com um chamado veem seu trabalho como uma
contribuição para o bem maior, com significado e propósito.
27
As últimas trabalham mais, por mais tempo e avançam mais. Há médicos
que veem sua profissão como trabalho e zeladores que a veem como um
chamado. Funcionários infelizes nem sempre precisam mudar de profissão, mas
de visão. Ajustar a atitude envolve ver novas possibilidades abertas para o
significado do “trabalho”. Reescreva sua “descrição de trabalho”, como no
exercício que Tal Bem Shahar chama de “descrição do chamado”. Pense sobre
maneiras diferentes de descrever as tarefas que faz como se tivesse que
despertar em outro a vontade de pedir esse emprego. O objetivo é destacar o
significado que o chamado pode trazer.
Mesmo as pequenas tarefas podem ter maior significado quando conectadas
a metas e valores pessoais. Quanto mais alinhamos tarefas diárias com nossa
visão pessoal, mais provável seremos de ver nosso trabalho como chamado.
Vire uma folha de papel na posição horizontal. Do lado esquerdo escreva as
tarefas que não têm significado. Então se pergunte: Qual o propósito desta tarefa?
O que ela alcançará? Desenhe uma seta para a direita e escreva a resposta. Se
ainda parecer sem importância, pergunte: esse resultado leva a que? Desenhe
outra seta e escreva a resposta até ver o todo e se sentir motivado e energizado
para fazer o trabalho com mais dedicação.
Antes de palestrar em uma empresa listada na Fortune 500 em Nova York,
um executivo disse aos 80 ouvintes porque havia convidado Shawn. Ele disse que
todos trabalhavam ali só para ganhar dinheiro e não deviam ver a palestra como
sendo sobre felicidade, mas para ajuda-los a ganhar dinheiro: “Nós não estamos
aqui salvando golfinhos”. A tradução poderia ser: salvar golfinhos é significante, e
o trabalho de vocês não tem significado além do ganho de dinheiro. Todos
mostraram frustração, vergonha e desinteresse. A forma mais rápida de
desinteressar os funcionários é dizer a eles que seu trabalho vale só o salário.
Shawn conheceu estudantes no Texas que embalavam compras no caixa de
supermercado como se isso fosse seu chamado. Também trabalhou com
28
empreendedores que construíram empresas de $200 milhões de reais e que viam
sua ocupação como enfraquecedora e sem significado.
Mudando o Eixo e A Alavanca Daqueles ao Seu Redor.
Como vimos, algumas palavras podem alterar a atitude da pessoa e suas
conquistas. As diaristas do hotel precisaram ouvir apenas algumas palavras sobre
como eram ativas, e perderem peso. A atitude muda o desempenho da pessoa e
as palavras, positivas ou negativas, podem mudar o desempenho de outros ao
nosso redor. Os gerentes se dão um tiro no pé ao lembrar seus subordinados de
suas fraquezas. Mas quando um gerente expressa fé nas habilidades do
funcionário, este melhora o humor e motivação, e a probabilidade de sucesso.
Um experimento muito conhecido foi feito pela equipe do psicólogo Robert
Rosenthal em uma escola. O grupo de pesquisadores mentiu às professoras que
as crianças mais inteligentes e com potencial eram Sam, Sally e Sara e pediram
sigilo. Ao final do ano, eles testaram todas as crianças novamente, e Sam, Sally e
Sara se destacaram por suas habilidades intelectuais como estrelas acadêmicas.
Este fenômeno é chamado de Efeito Pigmaleão: quando nossa crença ou
expectativa no potencial de outra pessoa torna esse potencial em realidade, como
alguém da família ou um colega de trabalho.
Motivando Uma Equipe Com o Efeito Pigmaleão
Em 1960, o professor McGregor da MIT falou sobre as teorias X e Y de
motivação humana. A teoria X diz que as pessoas só trabalham se forem vigiadas.
A teoria Y diz o oposto: que as pessoas trabalham por motivação interna e pela
satisfação do bom trabalho, e trabalham mais se não forem observadas. Quando
os pesquisadores tentam estudar essas teorias, observam o seguinte: Chefes que
acreditam na teoria X têm trabalhadores que precisam de constante supervisão, e
chefes que acreditam na teoria Y têm trabalhadores que trabalham por amor a sua
ocupação. Os funcionários se tornam aquilo que os chefes esperam que eles
sejam. Líderes otimistas e pessimistas têm funcionários tal qual eles.
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Toda segunda feira os líderes devem se perguntar 3 coisas: (1) Acredito que
a inteligência e habilidades de meus funcionários não são fixas, mas podem
mudar pelo esforço?; (2) Acredito que meus funcionários querem se esforçar e
encontrar propósito e significado em seu trabalho?; e (3) Como estou transmitindo
essas crenças em minhas palavras diárias e ações?
A Capa de Super-homem
Em algumas lojas de fantasia, a capa de super homem é vendida com o
aviso de que ela não ajuda a voar. Enquanto é importante mudar nosso eixo para
o positivo, precisamos ter cuidado para não termos expectativas irrealistas sobre
nosso potencial. Como sabemos qual é o nosso potencial e limites? Queremos
ultrapassar os limites da possibilidade o máximo possível, e não limitá-los da
maneira como muitos chefes, professores ou histórias da mídia desencorajadoras
nos falam que deveriam ser limitadas. Mas se não acreditarmos que podemos
fazer mais e alcançar mais, não teremos chances de avançar.
O coração da mudança é parar de ver o mundo como fixo quando a
realidade é relativa. Temos homens de 75 anos de idade que voltaram seu relógio
biológico, e funcionários que encontraram seu chamado capitalizando seu
potencial com uma atitude mais positiva.
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Princípio n 3
O Efeito Tetris
Treinando Seu Cérebro Para Capitalizar a Possibilidade
Shawn acordou uma manhã, viu um carro de polícia no campus e pensou em
roubá-lo. Ele havia jogado o Grand Theft Auto até as 4 da madrugada na noite
anterior e seu cérebro continuou no padrão de procurar carros para roubar.
Felizmente ele não cometeu o crime. A mesma coisa ocorre com os jogadores de
Tetris, um jogo que alinha formas. O jogador começa a ver o mundo em blocos
caindo do céu e pensa em inverter prédios para encaixá-los no horizonte. Jogar
Tetris modifica as conexões do cérebro, criando novos caminhos neurais e novas
conexões. Com o tempo eles ficam presos involuntariamente a um padrão
cognitivo não adaptativo e viciante. Eles veem formas Tetris em todos os lugares.
O Efeito Tetris no Trabalho
Às vezes as pessoas não conseguem quebrar um padrão negativo de pensar
e agir. Reclamar do chefe e focar nos defeitos do colega ou subordinado se torna
um hábito. Seus cérebros são treinados por anos para achar defeitos, como os
jogadores de Tetris encontram formas. Infelizmente nossa sociedade, no trabalho
e na vida pessoal, nos recompensa por acharmos os problemas, o estresse e as
injustiças. Ás vezes isso ajuda, mas ver o negativo pode se tornar um padrão e até
deixamos de ver o positivo – as coisas que nos trazem felicidade e sucesso.
Certas pessoas não conseguem ver o positivo no trabalho, as oportunidades
e chances de crescer. Ver constantemente o negativo tem um alto preço. Custa
nossa criatividade, aumenta o estresse, e diminui nossa motivação e habilidade de
conquistar metas. Pessoas que trabalham com correção de erros, como
contadores, auditores de imposto de renda e fiscais às vezes desenvolvem o
31
padrão de ver erros com as pessoas da família. Eles são 3.6 vezes mais prováveis
de ter depressão, assim como advogados, que aprendem a fazer análise crítica.
As faculdades de direito os ensinam a procurar falhas em argumentos e a
serem críticos. Essa prática continua para além do fórum, e ela é o caminho mais
rápido para a depressão e ansiedade, até interferindo em sua habilidade de fazer
seu trabalho. Muitos advogados têm o hábito de depor seus filhos quando chegam
em casa. Ninguém está imune, em qualquer profissão, de cair no padrão de
encontrar faltas nos outros, o que nos deixa mais vulneráveis a depressão, a
saúde física ruim e até ao abuso de substância. Essa é a essência do Efeito
Tetris: um padrão cognitivo que diminui nossa taxa de sucesso.
Seu Cérebro Como Filtro de Spam
Somos bombardeados diariamente com informação. E nosso filtro de
atenção é como o bloqueador de spam do e-mail. Os cientistas estimam que nos
lembramos de 1 em cada 100 fragmentos de informação que recebemos, o resto é
filtrado no arquivo de spam do cérebro. Se programamos nosso filtro cerebral para
deletar o positivo, esse dado cessará de existir para nós, como as mensagens de
spam que não entram na caixa de entrada do e-mail. Vemos o que queremos, e
perdemos o resto.
Gorilas e Toyotas Prius
Em um dos experimentos mais conhecidos na psicologia, os voluntários
assistem a um vídeo de dois times de basquete, um deles veste roupa branca, e o
outro veste roupa preta. Eles têm que contar quantas vezes o time branco passa a
bola. Após 25 segundos do vídeo, uma pessoa fantasiada de gorila passa de um
lado para outro. Ao ser perguntado se viram algo de estranho, apenas 46 por
cento relata ter visto um gorila. Os outros insistem que não havia gorila.
Esse experimento destaca a chamada, pela psicologia, “cegueira da falta de
atenção”. Eles estavam tão focados em contar os passes, que seu filtro natural
enviou o gorila para a pasta de spam. Nossa habilidade de ver o que está bem a
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nossa frente falha, pois não estamos focados nisso, e não percebemos coisas
consideradas óbvias. Essa percepção seletiva também explica o porquê vemos o
que estamos procurando em todos os lugares. Você ouve uma música uma vez e
ela está sempre no rádio. Lembro-me que quando comprei um Toyota Prius, de
repente as ruas estavam cheias deste carro. Nada havia mudado, apenas meu
foco. Feche os olhos e imagine a cor vermelha, abra os olhos e procure por essa
cor. Não está em todo lugar?
Um estudo mostra que duas pessoas podem olhar a mesma foto juntas e ver
duas expressões faciais diferentes. Se nós estamos programados para ver sempre
o negativo nas pessoas, isso pode nos prejudicar nos relacionamentos e no
trabalho. Pense sobre o prejuízo de ler a expressão de desinteresse no cliente em
potencial, quando ela é de satisfação. Ou ler a atitude do colega como arrogância,
quando é realmente de ajuda. O objetivo do Efeito Positivo Tetris é treinar o
cérebro para fazer uma varredura no mundo por oportunidades e ideias que
permitem que nosso sucesso cresça.
O Poder do Efeito Positivo Tetris
Quando nosso cérebro foca e faz uma varredura constante em busca do
positivo, nos beneficiamos de três ferramentas disponíveis para nós: a felicidade,
a gratidão e o otimismo. O papel que a felicidade tem devia ser óbvio – quanto
mais você busca o positivo ao seu redor, melhor você se sente e isso traz
vantagens. O segundo mecanismo é a gratidão, pois quanto mais oportunidades
para o positivo nós vemos, mais agradecidos nos tornamos. O psicólogo Robert
Emmons estuda gratidão por décadas e descobriu que poucas coisas na vida são
integrais como o nosso bem estar.
Diversos estudos mostraram que as pessoas agradecidas têm mais energia,
são mais inteligentes emocionalmente, perdoam, e são menos prováveis de ter
depressão e ansiedade, e de sentir solidão. A gratidão é a causa significante de
resultados positivos. Quando os pesquisadores escolhem voluntários
randomizados e os treinam para ser mais agradecidos, em algumas semanas eles
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se tornam mais felizes e otimistas, se sentem mais conectados socialmente,
dormem melhor e tem menos dor de cabeça que os grupos controle.
O terceiro fator do Efeito Positivo Tetris é o otimismo. Um otimista é um bom
previsor do desempenho no trabalho. Estudos mostram que os otimistas traçam
mais metas (e mais difíceis) que os pessimistas, e se esforçam mais para alcançar
essas metas, ficam mais engajados frente a dificuldades e transpõe obstáculos
mais facilmente. Otimistas também mantêm um alto nível de bem estar durante
dificuldades e lidam melhor com situações altamente estressantes – todas essas
são habilidades cruciais para o alto desempenho em um ambiente de trabalho.
Para a ciência não existe sorte. O pesquisador Richard Wiseman perguntou
a voluntários se eles se achavam sortudos ou azarados. Então pediu a eles que
lessem um jornal e contassem quantas fotos viam. Os que se consideravam
sortudos levaram alguns segundos e pararam, enquanto os que se achavam sem
sorte levaram dois minutos. Na segunda página do jornal havia uma mensagem
grande: “Pare de contar, há 43 fotos neste jornal”. A resposta estava lá, mas os
“azarados” não viram. Como bônus, havia outra mensagem no jornal dizendo:
“Pare de contar, diga ao experimentador que você viu isso e ganhe $500 reais”.
As pessoas que se diziam sem sorte na vida não viram essa oportunidade.
Presas no Efeito Negativo Tetris, elas foram incapazes de ver o óbvio para outras
e seu desempenho foi prejudicado. Havia a mesma possibilidade de recompensa
no ambiente de todos. Em um estudo 69 por cento dos estudantes de ensino
médio e superior disseram que suas decisões sobre carreira dependeram de
chances de encontros. Alguns aproveitam as chances e outros as deixam passar.
Com a positividade o cérebro fica aberto a possibilidades. Esperar resultados
favoráveis ajuda o cérebro a reconhecer oportunidades quando elas surgem.
Ficando Preso no Efeito Positivo Tetris
Treinar seu cérebro para perceber mais oportunidades requer prática em
focar no positivo. A melhor maneira de começar é com o exercício de fazer uma
lista diária das coisas boas em seu trabalho, em sua carreira e em sua vida.
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Parece simples, mas uma década de pesquisa tem mostrado que isso resulta em
um efeito profundo em nosso cérebro. Quando você faz uma lista de três coisas
boas acontecidas no dia, seu cérebro faz uma varredura das últimas 24 horas
buscando por coisas positivas – sentimentos bons de conquistas no trabalho, uma
conexão fortalecida com a família, ou um raio de esperança no futuro. Com a
prática, seu cérebro passa a ser mais habilidoso em notar e focar nas
possibilidades para crescimento pessoal e profissional, e busca oportunidades
para agir. Ele tira as frustrações para fora do campo visual.
Os itens escritos não precisam ser complicados, mas específicos. Pode ser
uma comida que você gostou, o abraço do seu filho ou o reconhecimento do
chefe. Outra variação das três coisas positivas é fazer um diário sobre
experiências positivas. Cair em um Efeito Positivo Tetris ajuda líderes a dar
reconhecimento e encorajamento com mais frequência, o que eleva sua equipe
acima da linha Losada.
Prática, Prática, Prática.
Shawn trabalhou com os funcionários da American Express, e os encorajou a
colocarem um alerta para as 11 da manhã para lembra-los de escreverem as três
coisas boas. Os banqueiros de Hong Kong preferiam escrever sua lista antes de
abrirem o e-mail pela manhã. Os CEOs treinados por Shawn na África levaram a
atividade para seus filhos cada noite. Não importa quando você faz sua lista,
contanto que a faça com regularidade. Quanto mais você envolve outros, mais
multiplica benefícios. O apoio social aumenta as chances de esses hábitos
positivos continuarem. Por isso Shawn diz aos líderes de empresas para fazerem
essa atividade com suas esposas à noite e pela manhã. Esse exercício funciona
para crianças e adultos.
Óculos Cor de Rosa
A positividade excessiva pode ser prejudicial. Pode nos cegar para os
problemas que precisam ser corrigidos ou áreas que precisam de melhoras. A
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chave é não ignorarmos por completo as coisas ruins, mas ter um senso realista
de otimismo.
Quando treinamos nosso cérebro com um Efeito Positivo Tetris estamos
melhorando nossas chances de felicidade e estabelecendo uma cadeia de
eventos que nos ajudam a colher todos os benefícios de um cérebro positivo.
Focar no que é bom abre nossa mente para as ideias e oportunidades que nos
ajudam a ser mais produtivos, eficientes e bem sucedidos no trabalho e na vida.
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Princípio n 4
Caindo Para Cima
Mapeando o Caminho Para o Sucesso
O cérebro humano está sempre criando e revisando mapas mentais que nos
ajudam em um mundo complexo. Isso é crucial para a sobrevivência e vital para
sermos bem sucedidos no mundo corporativo. Ao falarmos com um cliente o
cérebro está procurando dois mapas de caminhos e tenta prever o melhor deles.
Todas as decisões envolvem esse tipo de mapa mental: no ponto “Estou aqui”, de
onde saem vários caminhos dependendo da complexidade da decisão e clareza
de pensamento. As decisões mais bem sucedidas ocorrem quando pensamos
com clareza e criatividade.
Quando estão estressadas ou em crise, muitas pessoas perdem o caminho
mais importante: para cima. Em todo mapa mental pós-crise, há três caminhos.
Aquele que anda em círculos não traz mudanças. Outro caminho mental leva a
consequências mais negativas, e ao medo do conflito e dificuldades. O terceiro
caminho nos leva do fracasso a um lugar onde nos tornamos mais fortes do que
antes da queda. Na crise formamos mapas mentais incompletos e o caminho que
não conseguimos ver é geralmente o mais positivo e produtivo. Ás vezes nós
acreditamos que esse caminho nem existe e paramos de procurar.
Crescimento Pós Traumático
Quando os soldados vão para a guerra os psicólogos dizem a eles que
poderão voltar “normais” ou com Transtorno de Estresse Pós Traumático. Isso dá
a eles a alternativa de dois mapas mentais. Mas um grande corpo de estudos
prova a existência de um terceiro e melhor caminho: o Crescimento Pós
Traumático. O luto, um diagnóstico de câncer, um enfarto, ou um desastre natural
parecem ser algumas das piores coisas que podem acontecer a alguém. Mas
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esses também fazem a lista dos eventos que os pesquisadores observaram ser a
causa de um crescimento profundo para muitas pessoas.
Os psicólogos chamam essa experiência de Crescimento na Adversidade ou
Crescimento Pós Traumático. Nos últimos vinte anos o psicólogo Richard
Tedeschi e colegas fizeram do estudo do Crescimento Pós Traumático a sua
missão. E por seu estudo hoje podemos dizer que o sofrimento e trauma podem
levar a mudanças positivas em uma variedade de experiências. Após o atentado
no trem de Madri em 2004, os psicólogos observaram que muitos residentes
tiveram crescimento psicológico. O mesmo ocorre com pacientes com câncer. Há
o aumento da espiritualidade, da compaixão por outros e da abertura. Após um
trauma, as pessoas relatam um aumento de força pessoal e de autoconfiança,
assim como maior valorização das relações sociais.
Isso não ocorre com todos. A atitude tem um papel central para as
habilidades de encontrar o terceiro caminho. A reinterpretação positiva da
situação, o otimismo, a aceitação, e os mecanismos de enfrentamento que
incluem focar no problema de frente em vez de negar sua existência levam ao
Crescimento Pós Traumático. Tan Ben Shahar afirma que “as coisas não
acontecem para o melhor, mas algumas pessoas são capazes de tirar o melhor
das coisas que acontecem.” As pessoas de maior sucesso veem a adversidade
não como uma pedra de tropeço, mas como um degrau para a grandeza.
Alguns exemplos de fracassos são: Michael Jordan que foi cortado do time
de basquete no ensino médio, e Walt Disney perdeu o emprego no jornal porque
não era criativo. Os autores da Harvard Business Review concluem que errar é
“uma maneira poderosa de acelerar o aprendizado e aumentar a competitividade”.
Em seu livro “A busca pelo Perfeito” Tal Bem-Shahar diz que “podemos aprender
a lidar com o fracasso apenas ao experimentar o fracasso e sobreviver”.
Como o Terceiro Caminho Fica Escondido
Shawn iria dar uma palestra em Manhattan após a crise financeira de 2008 e
percebeu que a audiência parecia paralisada e em silêncio. Os funcionários
38
haviam sido informados sobre reestruturação e cortes massivos por causa do
colapso econômico, minutos antes. E foi assustador para Shawn falar sobre
felicidade nessas circunstâncias. Ele experimentou o mesmo desafio nos meses
seguintes ao falar em empresas da lista Fortune 500 em Hong Kong, Tokio, e
outros países, as quais haviam reduzido sua força trabalhista pela metade.
Os funcionários pareciam congelados de medo. Seus mapas mentais
pareciam focados nos caminhos de desemprego e falência. Bem quando um
esforço extra era necessário, eles evitavam o trabalho, parecendo prontos para
desistir. Quando eliminamos qualquer opção de crescimento do nosso mapa
mental, eliminamos nossa motivação de procurar alternativas. E quando as
pessoas se sentem sem esperança em uma área, elas aplicam isso a outras
áreas, como nos relacionamentos, etc. A desesperança fica fora de controle
impedindo o sucesso em todas as áreas da vida. Essa é a definição de
pessimismo e depressão, e de um círculo negativo.
Encontrando o Caminho Para Cima
Você provavelmente já ouviu a história de dois vendedores que foram
enviados para a África em 1900. Um deles mandou um telegrama que dizia ao
chefe: “Situação sem esperança, eles não usam sapatos”, e o outro escreveu:
“Gloriosa oportunidade! Eles ainda não têm sapatos”. O ponto é que quando
algumas pessoas encontram dificuldades, elas param de tentar encontrar
maneiras de transformar fracassos em oportunidades. Outras – as pessoas de
sucesso – sabem que o que fazemos com as dificuldades determinam nosso
destino. Algumas se sentam sem esperança e outras juntam os pedaços e as
forças para se levantar e seguir em frente.
A Crise como Catalizadora
Assim como as crises pessoais podem ser a fundação do crescimento, as
crises econômicas também. Elas impulsionam empresas para maior sucesso. A
Hewlett-Packard – (HP) foi lançada durante a Grande Depressão. Da mesma
forma, as maiores empresas americanas usaram a recessão para reavaliar e
39
melhorar suas práticas de negócios. A adversidade econômica força as empresas
a encontrar meios criativos de cortar custos, e inspiram gerentes a encorajar seus
funcionários. O presidente de uma empresa admitiu que passar pela recessão
melhorou as operações, e as revisões resultaram em melhor funcionamento.
Os melhores líderes revelam suas verdadeiras cores nos tempos de crise. E
na crise seus esforços devem ser redobrados para catalisar a criatividade.
Aqueles que ficam paralisados com a crise perdem grandes oportunidades, e a
falta de esperança dos líderes piora o desempenho dos funcionários. Os que
encontram energia nos desafios colhem as recompensas. Indra Nooyi, CEO da
PepsiCo viu a recessão como oportunidade de viajar o mundo para fortalecer
pessoalmente a confiança dos funcionários. O desempenho melhorou e ela foi
apontada pela Fortune 500 como a mulher empresária mais poderosa em 2009.
Quando confrontados com fracassos, se entregar à desesperança nos
mantém para baixo, enquanto olhar para oportunidades nos ajuda a nos reerguer.
Mude Seu Estilo Explicativo
A vida de um vendedor é, por definição, cheia de fracassos e de rejeição. Em
alguns ramos, apenas uma em dez tentativas acabam em venda, e eles
experimentam rejeição em 90 por cento dos casos. Em 1980 na seguradora
MetLife a rotatividade era enorme. Metade dos vendedores pedia desligamento
ao ano. A empresa perdia $140 milhões de reais por ano com custos de
contratação. Eles contrataram Martin Seligman para mudar a situação. Ele
observou que alguns vendedores tinham uma visão positiva para interpretar a
adversidade, enquanto outros ficavam angustiados com os reveses sucessivos. O
que os pesquisadores chamam de “estilo explicativo”.
Décadas de estudo mostraram que o estilo explicativo – como escolhemos
explicar a natureza dos eventos passados – tem um impacto crucial em nossa
felicidade e sucesso futuro. Pessoas com um estilo explicativo positivo interpretam
a adversidade como sendo local e temporária (ex., “não é tão ruim assim e vai
melhorar”), enquanto aqueles com estilo explicativo negativo veem esses eventos
40
como globais e permanentes (ex., “isso é a pior coisa e nunca vai mudar”). Suas
crenças então afetam suas ações. Os últimos param de tentar enquanto os
primeiros melhoram seu desempenho e seus esforços. Agora sabemos por
estudos que todas as vias do sucesso são ditadas pelo estilo explicativo.
Então, quando Seligman foi trazido para resolver o problema dos vendedores
da MetLife, ele procurou saber o estilo explicativo deles. Os testes revelaram que
os agentes com estilos otimistas vendiam 37 por cento mais seguros que os
pessimistas, e os mais otimistas deles vendiam 88 por cento mais do que os
pessimistas. A MetLife decidiu contratar uma força trabalhista inteiramente com
base no estilo explicativo. Os resultados: em poucos anos a rotatividade ficou
zerada, enquanto sua participação de mercado aumentou quase 50 por cento.
Aprenda Seu ABCD
Transformar a adversidade em oportunidade é uma habilidade natural para
muitos. Algumas pessoas têm um estilo explicativo otimista. Mas essas técnicas
podem ser aprendidas. Uma maneira de ver oportunidade na adversidade é
praticar o modelo ABCD de interpretação: Adversidade, Crença (Belief),
Consequência e Disputa. Adversidade é o evento que não podemos mudar.
Crença é nossa reação ao evento; porque aconteceu, e o que ele significa para o
futuro. É um problema temporário e local, ou insolúvel e geral? Há soluções? Se
nós cremos que o problema é uma oportunidade de crescimento, aumentamos a
chance de uma Consequência positiva.
Mas se a Crença nos levou a um caminho pessimista, a desesperança e
inércia podem levar a Consequências negativas. Então é hora de colocar o D para
trabalhar. A Disputa envolve dizer a outros que sua crença é apenas – crença, não
um fato – e então desafiá-la. Os psicólogos recomendam que externalizemos a
voz (fazer de conta que está vindo de outra pessoa), para parecer que estamos
argumentando com outra pessoa. Qual a evidência para essa crença?
Deixaríamos um amigo manter esse raciocínio? Quais são outras interpretações
41
do evento? Quais são outras reações mais adaptativas? Há outra visão que eu
posso adotar? E finalmente, o problema é tão grave quanto pensei ser a princípio?
Esse método é chamado de descatastrofizar: mostrar a nós mesmos que
apesar de o problema ser real, talvez não seja tão horrível quanto pensamos. Nos
esquecemos do quanto nosso sistema imunológico psicológico é bom em nos
ajudar a vencer a adversidade. Daniel Gilbert, autor de Tropeçando na Felicidade,
fez muitos estudos mostrando a negligência imunológica em ação. Universitários
exageram sobre o quanto ficariam devastados com o término de um
relacionamento amoroso. Mas a adversidade não nos devasta na extensão que
imaginamos. Saber que o medo das consequências é sempre pior do que as
consequências nos ajuda a ter uma interpretação mais otimista.
O sucesso não é nunca cair, mas cair e se levantar repetidamente. Shawn
participou de um experimento em seus tempos de Harvard, só para ganhar $40
reais. Foi dito que esse era um estudo sobre ajudar idosos. Ele teve que ficar sem
camisa e de shorts no corredor. Quando ele tentava andar o chão se movia do
lado esquerdo ou do direito. Ele caiu e se levantou mais de 120 vezes por 3 horas,
e ficou exausto e machucado. Após o término, a estudante disse que havia se
esquecido de filmar sua participação, e perguntou se ele poderia repetir tudo. Ele
aceitou pelos $40 reais. Então o professor foi imediatamente chamado e lhe disse
que esse era na verdade um estudo em resiliência e motivação, e que ninguém
jamais havia chegado aonde ele chegou. Ele recebeu 400 reais. O sucesso é mais
que resiliência. É usar a queda para se levantar e se motivar. É cair para cima.
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Princípio n 5
O Círculo do Zorro
Como Limitar Seu Foco Em Metas Gerenciáveis Pode Expandir Sua
Esfera de Poder
De acordo com a lenda, um herói mascarado chamado Zorro lutava pelos
injustiçados. Ele tinha disciplina e coragem, e se tornou popular nos livros, na TV e
nos filmes. Mas há um capítulo pouco conhecido da história do Zorro. Ele nem
sempre pulava dos lustres vencendo lutas de espada com dez homens. No
começo, ele era jovem, sem disciplina nem paciência. Ele queria lutar com os
vilões mais fortes e logo se tornou um escravo da bebida e do desespero. Mas
Don Diego viu o potencial dele e o treinou, ao desenhar um círculo na areia. Disse
a ele que poderia lutar apenas dentro do círculo, que era seu mundo e sua vida.
Quando Zorro dominou o círculo, Don Diego aos poucos o deixou sair e
expandiu o treino. Antes de dominar o pequeno círculo, Alejandro não tinha
controle de suas emoções e ações, nem senso de suas habilidades, ou senso de
controle. Após isso Alejandro ele se torna o Zorro, a lenda.
Círculo de Controle
O conceito do Círculo do Zorro é uma poderosa metáfora sobre como
podemos atingir nossas metas mais ambiciosas no trabalho, na carreira e na vida
pessoal. Uma das coisas importantes para o sucesso é acreditar que nosso
comportamento importa, e que temos controle do futuro. Mas quando tentamos
fazer demais e o estresse chega, os sentimentos de controle se vão. Se nós
concentramos nossos esforços nas pequenas metas, ganhamos sentimentos de
controle, os quais são muito importantes para o desempenho.
Precisamos limitar o âmbito de nossos esforços, acumular recursos,
conhecimento e confiança para expandir o círculo, e depois gradualmente
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conquistar uma área maior. O Zorro começou pequeno então pouco a pouco foi
dominando seu crescente círculo. Seu sucesso lendário o seguiu a partir de então.
Cultivando Plantas e Carreiras: A Importância do Controle
Ter sentimentos de estar em controle, de que somos mestres de nosso
destino no trabalho e em casa é um dos maiores fatores de bem estar e
desempenho. Funcionários que sentem que têm controle no trabalho relatam mais
satisfação no trabalho. Em um estudo com 3 mil assalariados, os sentimentos de
controle previram maior satisfação na família, no trabalho e nos relacionamentos,
além de menores níveis de estresse, de conflitos e rotatividade. Mas esses tipos
de ganhos em produtividade, felicidade e saúde estão menos relacionados a
quanto controle temos, e mais relacionados a quanto controle pensamos ter.
Lembremo-nos de que a maneira como experimentamos o mundo molda
nossa atitude. As pessoas bem sucedidas têm o “lócus interno de controle”, a
crença de que suas ações têm um efeito direto em seus resultados. As pessoas
com lócus externo são mais prováveis de ver eventos diários como resultados de
forças externas. O primeiro é mais adaptativo no trabalho, pois a pessoa com
lócus interno irá se esforçar para fazer seu melhor e promover boas
consequências. As pessoas com lócus externo culpam outros por fracassos, e não
se dão crédito por seus sucessos. Isso mina a confiança e dedicação. Eles sentem
que suas ações não têm impacto algum no meio e não se engajam no trabalho.
No mundo dos esportes, os atletas são um bom exemplo de lócus interno. Ao
serem entrevistados após uma vitória eles aceitam os créditos, e ao perderem,
eles parabenizam o time adversário pelo bom desempenho. Nossas ações
determinam nosso destino. Um lócus interno leva a mais motivação, compromisso
organizacional e melhores relacionamentos. Estudos mostram que os “internos”
são melhores com a comunicação, resolução de problemas e alcance de metas.
Um estudo com 7500 funcionários mostrou que aqueles que pensam ter
pouco controle sobre prazos impostos por outros tiveram 50 por cento de mais
risco para doenças cardíacas do que seus colegas.
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Perder o Controle: O Cérebro do Duelo
Algumas pessoas são propensas a ter um lócus externo, e outras podem ter
essa atitude quando se sentem sobrecarregadas pelas muitas demandas de
tempo e habilidades. Nossas ações são determinadas por dois componentes do
duelo no cérebro: o sistema emocional (límbico), e o sistema racional. Quando
estamos sob pressão o corpo começa a acumular muito cortisol, associado ao
estresse, e o sistema límbico domina as defesas do sistema racional. E em vez de
pensarmos, nós reagimos à resposta “fugir ou lutar”.
Algumas pessoas são resilientes ao estresse enquanto outras ficam
debilitadas. O sistema racional das pessoas resilientes é o que domina nas
situações de grande estresse. Daniel Goleman, que estudou extensivamente
como as emoções de estresse afetam a vida profissional, afirma que quando
pequenos momentos de estresse se acumulam no trabalho o sistema emocional
pode tomar o controle e nos sentimos desmotivados e sem energia. Como
resultado, nossa tomada de decisão, habilidades, criatividade e eficiência sofrem
prejuízo, até afetando uma organização inteira.
Perdas financeiras em uma economia falida podem causar as mesmas
reações que o perigo de morte, de acordo com neurocientistas. O duelo do
cérebro afeta a tomada de decisão. Quando nosso cérebro aperta o botão de
pânico, a razão e a carreira sofrem.
Reganhando o Controle, Um Círculo de Cada Vez
A primeira meta que precisamos alcançar para ganhar o controle das
emoções é a autoconsciência. Estudos mostram que aqueles que se recuperam
mais rapidamente do estresse são os que identificam como estão se sentindo, e
nomeiam seus sentimentos, ao verbalizarem a outros ou ao escreverem.
Informações verbais diminuem o poder das emoções negativas, melhorando o
bem estar e as habilidades de tomada de decisão. Uma vez que você dominou o
círculo da autoconsciência, a próxima meta deve ser identificar quais aspectos da
situação você tem controle, e quais você não tem. Shawn trabalhou com gestores
45
em Shanghai e pediu a eles que fizessem uma lista dos estresses, desafios
diários, e metas, e que então separassem os itens em duas categorias: coisas
sobre as quais eles têm controle, e coisas que eles não têm.
O exercício pode ser feito em Excel, ou em uma folha de papel. O ponto é
separar os estresses com os quais temos que parar de nos preocupar por estar
fora do nosso alcance, e ao mesmo tempo identificar as áreas onde nossos
esforços terão verdadeiro impacto. Assim focamos nossa energia. Após fazer a
lista do que podemos controlar, identificamos uma pequena meta que sabemos
que podemos alcançar rápido. Por simplificar o escopo de ação e focar a energia e
esforço, a probabilidade de sucesso aumenta.
Por focar em um pequeno desafio de cada vez – um pequeno círculo que
gradualmente se expande – podemos reaprender que nossas ações têm um efeito
direto nos resultados, e somos os mestres de nosso destino. Com um lócus
interno de controle e maior confiança em nossas habilidades, podemos expandir
nossos esforços. Diante das grandes expectativas de outros no trabalho,
precisamos estabelecer pequenas metas que sejam alcançáveis. Grandes
mudanças não ocorrem no dia para a noite, mas pequenas mudanças, pelo
alcance de pequenas metas constroem a confiança e motivação, nos mantendo
comprometidos com as tarefas. Pequenos sucessos antecedem os grandes.
O professor Bregman da Harvard Business School dá o seguinte conselho:
“Não escreva um livro, escreva uma página... Não espere ser um grande gestor
em seis meses, apenas tente colocar expectativas.” Não importa quão pequeno
seja o círculo inicial, pequenas melhoras somam muitas melhoras a cada ano. O
Círculo do Zorro é usado por empresas para transformar mudanças incrementais
em resultados gigantescos.
Caixas de Pizza e E-mails
Shaw conta a experiência de um estudante da Harvard que era tão
desorganizado que seu quarto não passou na inspeção de segurança do corpo de
bombeiros. Seu espaço tinha pilhas de caixas de pizza, latinhas, lixo, livros e
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coisas. Em caso de incêndio, ele não sairia facilmente dali. Então Shawn
desenhou com ele o Círculo do Zorro: alguns centímetros de sua mesa de estudo.
E mesmo assim ele ainda teve dificuldades. No dia seguinte a tarefa foi apenas
manter a ordem desse pequeno espaço já organizado, e a cada dia, ele limpava
um pouquinho mais. Após duas semanas seu quarto estava limpíssimo e
organizado. Ele estabeleceu um pequeno e crescente círculo de sucesso em seu
quarto, e esse círculo se expandiu para áreas maiores de sua vida.
Shawn conta outra experiência de um executivo chamado Barry, que o
convidou para uma visita em seu escritório. Ao tentarem entrar, o escritório
pareceu ter sido local de um furacão, com pilhas de papéis fora do lugar. Ele não
lia seu e-mail já a dois meses, pois estivera ocupado em um projeto urgente, e
tinha 1400 mensagens de e-mails nãolidas. Barry estava com alto nível de
estresse, tinha náuseas só em pensar nos e-mails e os evitava. Ele e Shawn
traçaram o círculo do Zorro: ler apenas os novos e-mails do dia. Em quatro dias
ele já conseguiu começar a abrir os velhos, durante uma hora por dia. Três
semanas depois, Barry enviou um e-mail para Shawn com uma foto do escritório
impecável, e disse que já havia lido todos os e-mails atrasados.
Zorro Vai a Gotham
Em seu livro: O Ponto da Virada, Malcom Gladwell conta como um pequeno
grupo de policiais lutou com a alta taxa de crimes nos anos 90. O grupo
surpreendeu a todos ao adotar uma estratégia radical, baseada na Teoria da
Janela Quebrada, dos sociólogos Wilson e Kelling. A teoria é sobre como
pequenos atos de vandalismo podem se transformar em crimes espalhados. Uma
janela quebrada em um prédio abandonado se multiplica em muitas janelas
quebradas, o que levará a pichação, e a roubos de carro, etc. diz a teoria.
Então os policiais decidiram testar se isso funcionava no reverso. Eles
começaram com o metrô. Usando seu próprio dinheiro, eles consertaram as
janelas quebradas e limparam as pichações, um vagão de cada vez. As
autoridades diziam a eles que limpar pichação a beira de um colapso era como
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limpar as escadas do Titanic em direção ao Iceberg. Mas eles continuaram o
trabalho, e puderam contar com o apoio das autoridades. Em breve todos os
carros de metrô de todas as linhas da cidade de Nova York estavam limpos.
À medida que a limpeza se expandiu, os resultados também se expandiram.
E não muito tempo depois, todos os tipos de crimes no metrô – de brigas a assalto
com porte de arma de fogo – cessaram rapidamente. Então eles expandiram o
círculo ao limpar a pichação na cidade, e surpreendentemente, eles viram o crime
diminuir também. O ponto: Pequenos sucessos podem se somar para formar
grandes conquistas. Tudo que é preciso é desenhar o primeiro círculo na areia.
48
Princípio n 6
A Regra dos 20 Segundos
Como Transformar os Maus Hábitos em Bons Hábitos por Minimizar as
Barreiras para a Mudança
Sem a ação o conhecimento não faz sentido. Por isso, apesar de os médicos
saberem melhor que ninguém da importância do exercício físico, mais de 44 por
cento deles têm sobrepeso. É também por isso que muitos gurus organizacionais
são desorganizados, e muitos psicólogos positivos não são felizes o tempo todo.
Somos um “Pacote de ‘Hábitos”, e por isso somos capazes de realizar
automaticamente tantas tarefas diárias. Os hábitos são tão automáticos que
raramente paramos e pensamos sobre o papel eles desempenham em moldar
nosso comportamento, e nossas vidas. William James, professor da primeira
disciplina de psicologia na Harvard em 1857, concluiu que podemos por nossa
tendência natural de formar hábitos, podemos transformar cada ação desejada em
um hábito automático, realizado sem esforço, escolha ou pensamento.
Como aconselhou o pai da psicologia moderna, se queremos criar mudanças
duradouras, devemos “fazer de nosso sistema nervoso nosso aliado em vez de
nosso inimigo.” Hábitos são como um capital financeiro – formar um hoje é um
investimento que nos trará retornos automaticamente para os próximos anos.
Pinceladas de Esforço Diário
William James fez sofisticadas afirmações sobre as “pinceladas de esforço
diário”, o que é equivalente ao ditado “a prática traz a perfeição”. “A tendência à
ação só se torna eficazmente arraigada em nós na proporção da frequência
ininterrupta com que as ações realmente ocorrem, e o cérebro se acostuma às
ações”. Dito de outra forma, os hábitos se formam porque nosso cérebro muda em
resposta à prática frequente.
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Levou cem anos até os neurocientistas poderem explicar o por que. As
estruturas e caminhos do cérebro são flexíveis e elásticas, e ao aprendermos fatos
novos, realizar novas tarefas e ter novas conversas, nosso cérebro está
constantemente mudando e refazendo conexões neurais para refletir essas
experiências. Os bilhões de neurônios interconectados por complexos caminhos
transportam mensagens via corrente elétrica que formam todos os tipos de
pensamentos e ações. Quanto mais desempenhamos uma ação específica, mais
conexões se formam entre os neurônios correspondentes. Por isso o ditado: (“cells
that fire together, wire together” – neurônios que disparam juntos se conectam
juntos). Quando mais forte essa ligação, mais rápida a mensagem pode viajar
naquele caminho neural. É isso que faz o comportamento parecer automático.
É assim que nos tornamos habilidosos em uma atividade com prática. A
primeira vez que você tenta fazer malabarismo, os caminhos neurais envolvidos
não estão formados, e a mensagem viaja devagar. Quanto mais tempo você
passa fazendo malabarismo, mais esses caminhos são abertos, e no oitavo dia de
prática, as correntes elétricas estão disparando com velocidade mais rápida. A
ação fica mais fácil e rápida, e requer menos concentração. Chega o ponto de
você poder ouvir música, conversar, mastigar chicletes enquanto as laranjas voam
no ar. O malabarismo se tornou um hábito, cimentado por uma rede neural. James
errou somente quanto à idade para a flexibilidade do cérebro. O poder de criar
novos hábitos não para nos 20 anos, pois nosso cérebro permanece maleável.
O Caminho de Menos Resistência
Muitas vezes as pessoas planejam usar seu tempo livre para lazer ou prática
de exercícios físicos, e acabam passando horas ou o dia assistindo TV. Os
americanos acham mais difícil ocupar tempo livre do que trabalhar. O trabalho
exige o uso de habilidades, envolvimento mental e alcance de metas – e tudo isso
contribui para a felicidade. Atividades de lazer também fazem isso, mas por elas
não serem exigidas de nós por um “chefe do lazer”, não encontramos energia para
isso. Seguimos então o caminho de menos resistência, de assistir TV no sofá, ou
surfar a internet. Quanto mais o fazemos, mais esse hábito se fortalece.
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Esses passa tempos passivos, como assistir TV e permanecer na internet
podem se agradáveis por 30 minutos, e depois começam a minar nossa energia.
O psicólogo Mihaly Csiksentmihalyi afirma que somos atraídos poderosamente
como por uma ima por coisas que são fáceis, convenientes e habituais, e é difícil
vencer a inércia. Atividades de lazer exigem mais energia inicial – tirar a bicicleta
do lugar, dirigir até o museu, etc. Csikszentmihalyi chama isso de “ativação de
energia”. Em física, a ativação de energia é a faísca inicial que catalisa uma
reação. A mesma energia, física e mental, é necessária para que as pessoas
vencerem a inercia e começarem um hábito positivo.
O Caminho da Distração
Shawn ajudou o executivo Ted, em Hong Kong, que trabalhava muito e
nunca conseguia dar conta. Ao ver como era seu dia, percebeu que Ted
trabalhava o tempo inteiro, e estava sempre sem trabalhar. Após alguns cálculos,
eles concluíram que Ted verificava seus stocks 3 vezes em uma hora, seu e-mail
5 vezes em uma hora, e os sites de notícias 1 vez a cada hora. E isso é muito
típico. Os funcionários gastam em média, nos E.U 107 minutos lendo e-mails por
dia. Muitos funcionários ingleses verificam as ações da bolsa 5 vezes por hora, ou
35 vezes por dia. No trabalho o caminho de menor resistência não é adaptativo, e
nos leva a ter maus hábitos que acabam em procrastinação e menos
produtividade.
Se fôssemos somar as horas que os funcionários passam visitando blogs e
sites, o total seria alarmante. Por isso ninguém tem tempo para fazer nada. Esse
não é o pior problema. O maior deles é que nossa atenção bate na parede cada
vez que nos distraímos. Pesquisas mostram que os funcionários em média são
interrompidos no trabalho a cada 11 minutos, perdem a concentração e levam
esse mesmo tempo recuperar a concentração. Se distrair costumava acontecer ao
apontarmos um lápis e fumar um cigarro. Hoje, há um universo de diversões para
comprar, ouvir, assistir e enviar, o que faz com que o foco na tarefa seja mais
desafiador.
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Enquanto Shawn ajudou Ted a diminuir as distrações percebeu que não é o
número de distrações que atrapalham tanto, mas o fácil acesso a elas. A
tecnologia pode facilitar que ganhemos tempo, mas também facilita a perda de
tempo. Em suma, a distração sempre está a um clique de distância, e se tornou o
caminho de menor resistência.
Redirecionando o Caminho: A Regra dos 20 Segundos
Todos os maus hábitos de Ted envolviam procrastinação. Shawn se lembrou
de quando se comprometeu a estudar violão. Ele fez uma planilha de horários de
prática, mas isso nunca funcionou. Ele guardava o violão no armário e ficava com
preguiça de pegá-lo. Os vinte segundos para tirar o violão demandavam esforço, e
foi um problema. Ele praticou somente durante quatro dias. Ele então pensou em
como poderia ativar sua energia. Comprou um suporte para violão e o deixou na
sala. Após 21 dias ele olhou para sua planilha de prática e ela estava
completamente preenchida.
O que ele fez foi colocar o comportamento desejado o caminho de menor
resistência, e precisou de menos energia e esforço para pegar o violão e praticar.
Shawn se refere a isso como a Regra dos 20 Segundos, porque diminui a barreira
para mudança por 20 segundos. Isso foi o suficiente para fazer a diferença – e as
vezes pode ser até menos tempo – mas a estratégia é aplicável universalmente:
Diminua a energia de ativação para os hábitos que você quer adotar, e a aumente
para aqueles que quer evitar. Quando mais pudermos diminuir ou eliminar a
energia de ativação para nossas ações desejadas, mais melhoramos nossa
habilidade de começar mudanças positivas.
Sirenes e Bebidas Geladas
A personagem do filme Confissões, congela seu cartão de crédito em blocos
de gelo para não fazer compras compulsivas. Descongelar requer tempo e
esforço, e funciona para quebrar o hábito da compulsão. Shawn tinha o hábito de
assistir TV por 3 horas após um dia cansativo de trabalho. Então ele decidiu tirar
as baterias do controle remoto da TV e deixa-las a uma distância de 20 segundos.
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Ao chegar em casa nos dias seguintes, se esquecia do experimento, e ao tentar
ligar o controle que não funcionava, desistia da TV. Deixou um livro, seu violão e o
lap top de fácil acesso na sala e acabou gastando seu tempo livro com leitura,
escrita e prática do violão. Ele também começou a fazer outras coisas que exigiam
até mais energia de ativação do que recolocar as baterias, como sair para jogar
basquete ou para jantar com amigos. Ele se sentiu e com mais energia, foi mais
produtivo e se sentiu mais feliz por isso.
Ao Adicionar 20 Segundos Ao Dia, Shawn Ganhou Três Horas
A Regra dos 20 Segundos é um aliado especialmente crucial para nossa
necessidade de formar hábitos alimentares saudáveis. Os pesquisadores afirmam
que podem reduzir em metade o consumo de sorvete em uma cafeteria por fechar
a tampa do freezer com sorvete. E quando as pessoas tem que esperar na fila
para comprar salgadinho e balas separado, muito menos pessoas comprarão. Por
isso nutricionistas recomendam que preparemos lanches saudáveis com
antecedência, assim podemos só tirar da geladeira. E ao comermos salgadinhos e
porcarias, devemos tirar uma pequena porção e guardar o pacote fora do alcance.
Shawn conta a história de alguém que sempre parava no caminho de casa
para comprar uma bebida gelada e calórica na loja de conveniência. Finalmente
ele decidiu que não conseguia quebrar o hábito se não mudasse o caminho de
volta do trabalho. Nossa melhor arma na batalha com maus hábitos – sejam eles
bebidas ou distrações no trabalho – é simplesmente dificultar nosso acesso a eles.
Mentes espertas encontraram maneiras criativas de colocar distância entre nós e
nossos vícios. Muitos jogadores compulsivos, em muitos estados norte
americanos podem requisitar que seus nomes sejam colocados na lista que torna
ilegal sua entrada em casinos e coleta de ganhos por jogos.
O g-mail de clientes do Google oferece a opção que exige que a pessoa
resolva problemas de matemática antes de clicar no enviar, tarde da noite,
protegendo assim os funcionários que beberam demais de enviarem mensagens a
seus chefes com listas de suas angústias.
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Os governos também encontraram um meio para usar a Regra dos 20
Segundos ao serviço do bem maior. Pesquisas mostram que o número de
pessoas que desejam ser doadoras de órgãos é altíssimo, mas a maioria é detida
pelo longo processo de preencher formulários. Em resposta, alguns países
adotaram o programa que automaticamente adiciona todos os cidadãos como
doadores. Qualquer um é livre para retirar seu nome. Isso funciona, quando a
Espanha iniciou o programa, o número de órgãos doados dobrou.
Ganhe Tempo por Adicionar Tempo
O primeiro passo é – desabilite os atalhos que foram originalmente
desenhados para “poupar tempo” no escritório. Por exemplo, Shawn encorajou
Ted a deixar seu programa de e-mail fechado enquanto ele trabalhava, assim nào
recebia alertas de novas mensagens. Quando ele quisesse abrir o e-mail teria que
ativar o programa e esperar carregar. Isso reduziu interrupções. Eles também
desabilitaram o login e senha automáticos para a conta, tiraram o atalho da área
de trabalho, e esconderam o ícone em uma pasta vazia, escondida em outra pasta
vazia, e em outra pasta vazia. Essencialmente, criaram a versão eletrônica das
bonecas russas que assediam. Agora era muito inacessível abrir o e-mail.
Eles também desabilitaram o widget do mercado de ações, trocaram a
pagina inicial da CNN por uma em branco. E desligaram a habilidade do
computador de processar cookies, e os sites de ações e notícias visitados não
eram lembrados. Tudo isso para melhorar as chances do Ted de permanecer na
tarefa. Seu ambiente estava agora programado para acessar a produtividade e
não as distrações. A princípios Ted ficou irritado quando Shawn desabilitou os
cookies, mas alguns dias depois, ele reconheceu que estava conseguindo realizar
uma grande quantidade de trabalho em menos tempo.
Durma com Sua Roupa de Ginástica
A Regra dos 20 Segundos não serve apenas para alterar o tempo gasto para
fazer as coisas. Limitar as escolhas que temos que fazer pode também diminuir a
barreira para a mudança positiva. Ter muitas escolhas (essas não precisam ser
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difíceis) pode atrapalhar o foco. Cada uma dessas escolhas diminui mais nossa
energia, até não termos mais o suficiente para continuar com o hábito positivo que
estamos tentando adotar. Shawn queria criar o hábito de fazer exercícios físicos
pela manhã. Ele sabia que fazer exercícios pela manhã aumenta o desempenho
cognitivo e uma cascata de emoções positivas.
E a cada manhã ele se perguntava: Devo desligar o despertador? O que vou
vestir para a academia? Vou correr ou fazer musculação? Devo ir a uma academia
cheia aqui perto ou mais vazia e longe? Que tipo de exercício cardiovascular vou
fazer? Vou fazer aula de yoga ou box? E então você fica exausto por todas essas
opções, e voltava a dormir. Então ele decidiu diminuir o número de escolhas. Cada
noite, ele escreveu um plano de exercícios com foco em partes do corpo. Então
deixou o tênis perto da cama, e dormiu com as roupas de malhação. (E a mãe
dele ainda se admira de ele não ter se casado ainda.)
Shawn diminuiu a ativação de energia para conseguir sair da cama, e sair de
casa. E funcionou. Eliminar escolhas e reduzir a energia de ativação ajudou a
formação de um hábito que se tornou arraigado em sua rotina. Ao conversar com
atletas do mundo todo, Shawn ouve a mesma coisa, é difícil começar a formar um
hábito, mas uma vez que ele é formado, será natural seguir naquela direção, pois
os hábitos positivos serão o caminho de menor resistência. Pense nas mudanças
que deseja fazer no seu trabalho. Quanto menos energia precisar para começar
um hábito positivo, mais provável será que esse hábito se torne arraigado.
Coloque Regras de Envolvimento
Se você está tentando mudar hábitos em casa ou no trabalho, a chave para
reduzir as escolhas é colocar e seguir regras simples. Os psicólogos chamam
essas regras de “decisões de segunda ordem”, pois são decisões sobre quando
tomar decisões, ou decidir com antecipação, quando, como e onde a pessoa irá
realizar açoes. Em seu livro, O Paradoxo da Escolha, Barry Schwartz explica
como colocar regras pode nos libertar das barreiras, e fazer a diferença. No
trabalho, colocar regras para diminuir o volume de escolhas pode ser muito eficaz.
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As regras são especialmente importantes durante os primeiros dias de
mudança de comportamento, quando é mais fácil se desviar do caminho.
Gradualmente, podemos ficar mais flexíveis. Um dos gestores que Shawn ajudou,
chamado Joseph, tinha dificuldades em ser mais positivo com sua equipe. Ele
dizia que quando tentava, ficava sobrecarregado com as escolhas: O que vou
dizer de encorajador? Para quem? Quando vou dizer? Quantos elogios devo dar?
Paralizado pela indecisão, ele acabava não falando nada, e a reunião acabava
com o Joseph novamente em silêncio lamentando outra oportunidade perdida.
Todas essas decisões exigiam muita energia de ativação. Ele precisava facilitar.
A primeira regra foi a seguinte: Todo dia, antes de ele chegar, tinha que ter
pensado em um funcionário para quem fazer um agradecimento. Então, a
segunda regra foi: Antes de ele começar a reunião, ele tinha que agradecer
publicamente aquela pessoa. Uma frase simples seria o suficiente. Um mês
depois, Joseph pareceu mais feliz e caloroso, em um encontro com Shawn, e
estava aproveitando os benefícios da positividade aumentada em seu trabalho.
Tudo Depende dos Sapatos
O livro Vantagem da Felicidade é cheio de maneiras em como capitalizar a
felicidade, mas sem colocar essas estratégias em ação, elas permanecem inúteis
como um jogo de ferramentas caras que ficam lacradas dentro de uma vitrine de
vidro. A chave do seu uso e para a mudança permanente, é criar hábitos que
automaticamente pagam dividendos. A chave para criar esses hábitos é o ritual,
pratica repetitiva, até as ações se tornarem arraigadas em nossa química cerebral.
E a chave para a prática diária é colocar nossas ações desejadas tão perto do
caminho de menor resistência quanto for humanamente possível. Identifique a
energia de ativação – e reduza-a. Se você puder cortar a energia de ativação para
esses hábitos que levam ao sucesso, mesmo por 20 segundos de cada vez,
começará a colher os benefícios em breve. O primeiro passo metafórico, e as
vezes literal, é só colocar os sapatos no pé.
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