RELATÓRIO PSICOLÓGICO
1. Identificação:
Nome: Sebastião Custódio da Silva
Solicitante: Junior Cezar Santana Custódio
Finalidade: Acompanhamento da situação de acolhido junto ao Espaço Terapêutico
Fazendinha
Autor: Roberto Chaparro Lopes – CRP 14/10584
2. Descrição da demanda:
A família de Sebastião Custódio, na figura do senhor Junior Cezar Santana
Custódio, solicita relatório psicológico para acompanhamento de sua evolução terapêutica.
Sebastião é acolhido no Espaço Terapêutico Fazendinha para tratamento de etilismo.
O paciente é atendido por uma equipe multidisciplinar, incluindo psicólogos,
enfermeiros e terapeutas, participando regularmente de atividades de saúde e bem-estar. O
atendimento psicológico utiliza a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) para ajudá-lo a
reconhecer suas vulnerabilidades e identificar fatores de risco, promovendo estratégias
eficazes para enfrentar possíveis recaídas.
3. Procedimentos
Foi realizada uma anamnese para coletar dados abrangentes sobre a história de
vida de Sebastião, seus relacionamentos, contato com o álcool e outras queixas relevantes,
essenciais para a construção de um plano de prevenção de recaídas personalizado. Em
seguida, foi realizada uma análise funcional, visando identificar e compreender os gatilhos e
fatores de risco associados ao uso de álcool, rastreando hábitos e padrões
comportamentais para elaborar estratégias específicas de prevenção de recaídas.
O atendimento psicológico incluiu sessões de aproximadamente 30 minutos cada,
promovendo um vínculo positivo e construtivo entre paciente e psicólogo, onde Sebastião
pôde compartilhar suas impressões, angústias, ansiedades e sentimentos sobre sua vida
dentro e fora da internação, fortalecendo seu compromisso com o tratamento e
proporcionando um ambiente terapêutico seguro. As sessões realizadas são registradas em
ficha interna e assinada pelo paciente.
4. Análise
O paciente apresenta-se consciente e orientado, com humor estável e capacidades
cognitivas preservadas, contudo apresentando dificuldade em engajar emocionalmente nas
sessões terapêuticas e de articular claramente suas queixas ou refletir sobre os prejuízos
que experimentou. Apesar disso, se mostra solicito para participar das sessões. Durante os
atendimentos algumas temáticas são inacessíveis e provocam desconforto, compreendida
através da perspectiva da Análise do Comportamento, como evitação experiencial (Hayes,
Strosahl, & Wilson, 1999). O acolhido demonstra dificuldade em reconhecer seus fatores de
risco, o que pode estar relacionado à falta de insights sobre a própria situação de
dependência (Bandura, 1997). Apesar disso, aprecia ser escutado e não tem dificuldade em
compartilhar sua história com o terapeuta.
Observa-se a necessidade do desenvolvimento de habilidades de coping mais
eficazes, que permitam que o paciente desenvolva e aprimore estratégias e repertório
interno para lidar com situações gatilho, o que se pretende realizar nas próximas sessões.
5. Conclusão
Conforme observado durante o acompanhamento psicológico, o trabalho com o
paciente nas próximas sessões deve buscar a construção de um repertório de auto
observação e de habilidades de enfrentamento. A aquisição deste repertório é possível
através da construção de um vínculo terapêutico positivo entre o paciente e o psicólogo,
bem como a aplicação de técnicas da Terapia Cognitivo-Comportamental.
No momento, o acolhido encontra-se num processo de estabelecimento de vínculo
e já compartilha algumas de suas questões com o psicólogo, permitindo vislumbrar um
prognóstico de que com mais sessões e aprofundamento do vínculo, possa vir a ter mais
segurança e confiança nesse processo e que poderá se beneficiar dos resultados, desde
que comprometido com o processo1.
Campo Grande-MS, 23/05/2024.
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Thiago Luiz Veiga Melo
Estagiário – Unigran - CPF: 038.579.341-31
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Roberto Chaparro
Psicólogo – CRP 14/10584
Referências
Hayes, S. C., Strosahl, K. D., & Wilson, K. G. (1999). Acceptance and commitment
therapy: An experiential approach to behavior change. Guilford Press.
1
Este relatório é de caráter sigiloso e extrajudicial, destinado exclusivamente ao fim descrito no item
de identificação. O psicólogo não se responsabiliza pelo uso indevido do relatório após sua entrega.