INFECÇÃO HOSPITALAR
Prof. Sérgio Augusto
➢ Segundo a OMS, as IRAS estão entre as maiores causas de
morte e aumento da morbidade entre os pacientes
hospitalizados. A cada 100 pacientes internados, estima-
se que pelo menos sete em países desenvolvidos e 10 em
países em desenvolvimento irão adquirir IRAS;
➢ Na Europa, anualmente, quatro milhões de pessoas
adquirem IRAS, ocasionando aproximadamente 37.000
mortes, com um impacto financeiro de sete bilhões de
euros;
➢ Nos EUA ocorrem cerca de dois milhões de casos e 80.000
mortes por ano, com custo estimado entre 4,5 e 5,7
milhões de dólares;
➢ No Brasil, a OMS estima que entre 16 a 37 pessoas
contraem infecções a cada 1.000 pacientes atendidos.
Estimativas da ANVISA, apontam que a taxa média de
infecção hospitalar é de 9%, com uma letalidade de 14,35%.
❖ As infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAs),
antigamente denominadas infecções hospitalares, consistem
em eventos adversos preveníveis ainda persistentes nos
serviços de saúde. Sabe-se que a infecção leva a
considerável elevação dos custos no cuidado do paciente,
além de aumentar o tempo de internação, a morbidade e a
mortalidade nos serviços de saúde do país.
IRAS
• IRAS - Infecção relacionada a assistência em saúde;
• Portaria 2616/98 – informa que é toda infecção que se manifeste após 72 horas de
internação ou que esteja diretamente relacionada a procedimentos, diagnósticos ou
terapia durante a internação hospitalar;
• Dentre as principais causas de IRAS estão a falta de higienização das mãos, uso
indiscriminado de antibióticos, quebra de protocolos assistenciais e contaminações
ambientais;
• Caso o paciente apresentar infecção após 72 horas da alta hospitalar, passa a ser
infecção comunitária.
Como prevenir as IRAS?
• Sendo as mãos um possível reservatório de micro-organismos
que podem causar infecções, devemos adotar a higienização
das mãos como importante aliado na rotina diária;
• A higienização/lavagem das mãos é uma das medidas mais
importantes na prevenção e controle das infecções;
• É uma ação simples, rápida e de baixo custo.
Cinco momentos para higienização das
mãos
Protocolo para a Prática de Higienização das Mãos
• Higienização simples das mãos: lavagem com água e sabão ( em forma
líquida);
• Higienização asséptica das mãos: lavagem com água e sabão associado a um
agente antisséptico;
• Preparação alcoólica para higiene da mãos sob a forma líquida: a
concentração dessa solução deverá ser entre 60 a 80%, destinada a aplicação
nas mãos para reduzir o número de micro-organismo. Recomenda-se que
contenha emoliente em sua formulação para evitar ressecamento da pele.
Higienização das mãos com álcool
1 – Aplique uma quantidade
de álcool em gel que dê para
espalhar nas mãos;
2 – Faça um movimento das palmas,
esfregando uma contra a outra, e
depois, entrelaçando os dedos;
3 – Faça o movimento de vai-e-vem
esfregando o dorso dos dedos de
uma mão contra a palma
da mão oposta;
4 – Passe nos polegares.
Tipos de infecção hospitalar
➢ Infecção: invasão e a multiplicação dos microorganismos nos tecidos do
corpo, produzindo sinais e sintomas e também uma resposta imunológica.
Tipos de infecções:
• Endógena - infecção é causada pela proliferação de microrganismos da
própria pessoa, sendo mais frequente em pessoas com sistema imune mais
comprometido;
• Exógena - causada por um microrganismo que não faz parte da microbiota
da pessoa, sendo adquirido através das mãos dos profissionais de saúde ou
como consequência de procedimentos, medicamentos ou alimentos
contaminados;
• Cruzada é a que se transmite de paciente a paciente, geralmente pelas mãos
da equipe de saúde;
• Inter-hospitalar - são infecções levadas de um hospital a outro. Ou
seja, a pessoa adquire infecção no hospital em que teve alta, mas foi
internada em outro;
• Colonização: presença e multiplicação de microorganismos na
superfície ou mucosas sem invasão, lesão e inflamação (sinais de
infecção);
• Patogenicidade: capacidade do microorganismo causar alterações
patogênicas ou doença;
• Virulência: É o grau de patogenicidade de um microorganismo;
• Invasividade: É a capacidade de um microorganismo invadir os
tecidos.
• Toxigenicidade: Refere-se ao potencial que os microorganismos
têm de lesar os tecidos do hospedeiro produzindo e liberando
toxinas;
• Imunigenicidade: capacidade de resposta imunológica do
hospedeiro
Comissão de Controle de Infecção
Hospitalar
• A Lei Federal Nº9431, de 6 de janeiro de 1997 (torna compulsória a constituição de
um programa de Controle de Infecção Hospitalar). Em 12 de maio de 1998 foi
publicada a portaria MS n2.616, que dá subsídios para o desenvolvimento das
atividades inerentes a CCIH;
• O Programa de Controle de Infecções Hospitalares (PCIH) é um conjunto de ações
desenvolvidas deliberada e sistematicamente, com vistas à redução máxima
possível da incidência e da gravidade das infecções hospitalares.
➢ Os membros representantes, da CCIH:
Médico;
Enfermagem;
Farmacêutico;
Laboratório de microbiologia;
Administração.
Principais Recomendações para
Prevenção de IPCS (ANVISA, 2017):
As infecções primárias de corrente sanguínea – IPCS são infecções que começam
pela corrente sanguínea devido à entrada de microorganismos no sistema vascular
por meio de dispositivos e sistemas de infusão. Estima-se que cerca de 60% das
bacteremias nosocomiais sejam associadas a algum dispositivo intravascular, com
alta mortalidade (até 69% em UTI) e altos custos hospitalares.
• Não trocar acesso periférico rotineiramente com menos de 96h, exceto situações de
emergências (máximo 48h);
• Hipodermóclise trocar o local para administração de medicamentos a cada 7 dias e
de hidratação a cada 24-48h ou 1,5-2l de solução (cateter pequeno calibre 24-27);
• Equipos de infusão contínua não devem ser trocados em intervalos inferiores a 96
horas;
• Trocar equipos de administração intermitente a cada 24 horas.
• Trocar o equipo e dispositivo complementar utilizado para administrar o propofol
(juntamente com o frasco do medicamento) de 6-12 horas;
• Não use cateteres periféricos para infusão contínua de produtos vesicantes;
• Realizar fricção da pele com solução a base de álcool: Tempo de aplicação da
clorexidina é de 30 segundos. Indica-se que a aplicação da clorexidina deva ser
realizada por meio de movimentos de vai e vem, aguarde a secagem espontânea do
antisséptico antes de proceder à punção;
• Limitar no máximo a duas tentativas de punção periférica por profissional e, no
máximo, quatro no total;
• Curativo estéril para acesso venoso periférico. A estabilização do cateter deve ser
realizada utilizando técnica asséptica.
As infecções mais frequentes em
ambiente hospitalar são:
• Pneumonia;
• Infecção do trato urinário;
• Infecção de pele;
• Infecção de sítio cirúrgico;
• Infecção da corrente sanguínea ou sepse;
• Infecção intestinal.
➢ Fatores que contribuem para as infecções hospitalares aconteçam e causem
a morte de pacientes:
• Falta de medidas de controle para as infecções;
• Uso excessivo de antibióticos em ambiente hospitalar;
• Pacientes com sistema imune comprometido.
Diferença entre infecção e inflamação
São dois processos diferentes.
• Infecção - é a entrada e desenvolvimento de um agente no
organismo ou mesmo a multiplicação de um agente infeccioso já
presente no organismo;
• Inflamação é a resposta local do organismo diante da ação de
um agente, que pode ser biológico, mas também físico ou
químico. Assim, a inflamação pode ser também um processo
decorrente de uma infecção.
A Sepse
• É uma síndrome de resposta inespecífica do organismo a uma infecção, gerando
uma disfunção orgânica;
• Causado por diversos agentes patogênicos, como vírus, bactérias, fungos
e protozoários;
• O sistema de defesa do organismo busca uma forma de combater a infecção e
libera mediadores químicos no organismo, o que pode causar um processo
inflamatório em diversas partes do corpo, comprometendo o funcionamento de
diversos órgãos, podendo, inclusive, causar a falência múltipla de órgãos e morte;
• A sepse é um dos maiores problemas de saúde pública mundial, em virtude do alto
custo do tratamento e seu alto índice de mortalidade.
Reconhecendo a Sepse
• Febre (acima de 38ºC) ou hipotermia;
• Taquicardia;
• Hipotensão;
• Dispnéia;
• Alterações das funções renal e hepática;
• Hiperglicemia;
• Oligúria;
• Sonolência;
• Redução do nível de consciência.
Diagnóstico
Um diagnóstico rápido e correto é essencial para a realização de um
tratamento eficaz, aumentando as chances de sobrevivência do
paciente. Ele é feito por meio da avaliação dos sinais e sintomas, além
da realização de exames laboratoriais, como hemograma completo,
lactato, gasometria arterial, urina de rotina, glicemia, proteína C
reativa, entre outros.
Além dos exames laboratoriais, podem ser solicitados exames de
imagem, como raio-x de tórax.