Prefeitura de Maringá-PR
ÍNDICE
Língua Portuguesa ............................................................................................ 1
Matemática ..................................................................................................... 61
Conhecimentos Específicos .......................................................................... 101
Apostilas
Domínio
1
Língua Portuguesa
SUMÁRIO
Análise e interpretação de texto (compreensão geral do texto, ponto de vista ou ideia
central defendida pelo autor, argumentação, elementos de coesão, inferências, estrutura
e organização do texto e dos parágrafos); ............................................................... 1
Figuras de linguagem; ....................................................................................... 20
Morfologia: classificação e emprego de classes gramaticais (substantivo, adjetivo,
artigo, numeral, pronomes, verbos, advérbios, preposição, conjunção, interjeição);23
Sintaxe: classificação de sujeitos, classificação de verbos, predicados, vocativo,
período composto por subordinação, período composto por coordenação, .......... 44
Concordância nominal, concordância verbal, ................................................... 50
Uso da crase; ..................................................................................................... 53
Pontuação (uso de vírgula, aspas e ponto final). ............................................... 56
Apostilas
Domínio
Língua Portuguesa
sociais, especialmente aquelas que
Análise e interpretação de texto envolvam algum tipo de notícia.
(compreensão geral do texto, ponto de
Em um concurso público saber
vista ou ideia central defendida pelo
autor, argumentação, elementos de interpretar é essencial, visto que há muitas
coesão, inferências, estrutura e questões desse tipo. A maioria delas irá
organização do texto e dos parágrafos); apresentar um texto e alternativas com
possíveis interpretações das ideias e
informações apresentadas pelo autor.
INTERPRETAÇÃO E Apenas uma será a correta. Para isso, é
COMPREENSÃO DE TEXTOS necessário confrontar as alternativas com o
texto em si e verificar se é aquilo mesmo
que está sendo dito.
Para interpretar e compreender um texto,
Existem vários tipos e gêneros de textos
é preciso lê-lo. Sim, isso parece óbvio, mas
que podem cair em perguntas de concursos
não se trata de qualquer leitura. Um texto só
e é preciso estar preparado para todos.
pode ser compreendido a partir de uma
Geralmente há a informação de onde o texto
leitura atenta, com calma, analisando todas
foi retirado, geralmente ao final. Assim,
as informações nele presentes.
caso não consiga identificar qual o tipo ou
Eis alguns significados da palavra
gênero do texto, essa informação será de
interpretar, de acordo com o dicionário
grande ajuda.
Priberam:
O título também pode ajudar nesse
- Fazer a interpretação de.
sentido, uma vez que pode apresentar o
- Tomar (alguma coisa) em determinado
tema ou assunto que será abordado ao longo
sentido.
do texto.
- Explicar (a si próprio ou a outrem).
É interessante ter essa noção, porém não
- Traduzir ou verter de uma língua para
é o conhecimento do gênero ou tipo que
outra.
será determinante para uma boa
interpretação. Todo texto apresenta alguma
Ou seja, ao interpretar:
informação, que pode ser compreendida ao
- Tomamos a informação do texto em
se realizar uma leitura atenta.
determinado sentido;
Até mesmo as imagens trazem
- Explicamos a nós mesmos aquilo que
informações, não precisam ser apenas
acabamos de ler;
palavras. Tiras de jornais apresentam texto
- E traduzimos para nosso intelecto todas
e imagem. É comum trazerem conteúdo
as palavras que formam as informações do
bem-humorado ou de caráter crítico, com
texto, realizamos a intelecção.
toque de ironia.
Uma imagem sem qualquer texto pode
Já compreender é o mesmo que
ser passível de interpretação. Caso seja a
entender. Ou seja, quando interpretamos
imagem de alguém sorridente, é possível
um texto da maneira correta,
inferir se tratar de alguma coisa boa. As
compreendemos e entendemos a mensagem
propagandas fazem isso com frequência,
que nos transmite.
pois as empresas querem seus produtos
Ter dificuldades em interpretar um texto
associados a momentos felizes. Tipo o
pode gerar vários problemas, já que, todos
Natal, uma época festiva e em família, que
os dias, nos deparamos com diversos textos,
acabou sendo associado à Coca-Cola,
seja em jornais, panfletos, nos estudos e,
graças a muito marketing.
sobretudo, na internet. E nesse mundo
Uma notícia de jornal ou um artigo de
virtual as falhas em interpretar um texto já
opinião podem apresentar ideias que virão
se tornaram uma piada, ou melhor, um
de encontro a nossas confecções e valores.
meme. Duvida? Então dê uma olhada nos
Às vezes o autor pode defender um
comentários de publicações em redes
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Língua Portuguesa
posicionamento com o qual não pagamentos de compras com celular. Ao
concordamos. Entretanto, nosso pessoal realizar a releitura de um texto é
não deve entrar em jogo. Interpretar um interessante não perder tempo focando em
texto é entender aquilo que está escrito, não informações de pouca relevância.
aquilo em que acreditamos. Sendo assim, O título do texto apresenta uma ideia
ao iniciar uma leitura, manter a neutralidade geral a respeito do tema principal que será
é crucial. abordado por ele.
Tópico Frasal/Paragrafação Argumento
Um parágrafo é organizado a partir de O tópico frasal apresenta a ideia central.
uma ideia central e outras secundárias. O autor precisa defender essa ideia e, para
Quando o autor quer iniciar uma nova ideia, isso, se valerá da argumentação. Ele quer
ele inicia outro parágrafo. O tópico frasal convencer o leitor a comprar sua ideia.
normalmente inicia o parágrafo (é comum O autor pode recorrer ao argumento de
estar nos dois períodos iniciais) e nele está autoridade, quando faz uso de uma
contida a ideia principal, também chamada autoridade no assunto para defender sua
de tema (as ideias secundárias podem ser ideia, podendo ser uma pessoa importante,
chamadas de subtemas). ou uma instituição.
Pode fazer uso do argumento histórico,
Veja o parágrafo: remetendo sua ideia a fatos históricos que
“A pandemia acelerou o pagamento de tenham sentido com o que está sendo
compras com o celular, porque muita gente exposto.
optou pela modalidade sem contato para Também pode utilizar o argumento de
evitar tocar em dinheiro. A Apple tem uma exemplificação, que é pegar um fato
opção robusta de pagamentos eletrônicos há cotidiano para ilustrar sua ideia. É como as
mais de cinco anos com seu software Wallet lições de moral, pegar pelo exemplo de
para iPhone, que permite que as pessoas outrem.
façam compras com cartão de crédito e Existe o argumento de comparação,
carreguem documentos importantes como que justamente compara elementos para dar
cartão de embarque e dados de saúde”. força à argumentação.
(Disponível em: Como a atualização do iOS e do Android vai O argumento por apresentação de
mudar seu smartphone (msn.com). Adaptado.)
dados estatísticos pode ser muito útil, pois
A ideia principal (ou central) está logo apresenta dados concretos para fortalecer o
no início: A pandemia acelerou o argumento. Se o argumento é sobre a
pagamento de compras com o celular. E pobreza no Brasil, o número de pessoas que
logo após temos a secundária, uma vivem nessa situação pode fortalecer o
justificativa: porque muita gente optou pela argumento, mostrando que ele diz a
modalidade sem contato para evitar tocar verdade, pois está de acordo com os dados.
em dinheiro. Já o argumento por raciocínio lógico
O restante do parágrafo se desenvolve a está pautado na relação de causa e efeito. É
partir da ideia principal, tendo alguma seguir uma lógica do tipo “se isso aconteceu
relação com pagamentos com o celular. lá, acontecerá aqui também”.
Saber que a Apple tem uma opção As conjunções e os advérbios são muito
robusta de pagamentos eletrônicos com seu utilizados nas argumentações. Por exemplo,
software é uma informação até importante quando o autor desejar comparar algo,
e que se relaciona com o tema. Porém, saber poderá empregar tanto quanto.
que esse aplicativo também possibilita “O desemprego aumentou tanto quanto
carregar documentos importantes e dados a pobreza, ou seja, um tem relação com o
de saúde é um dado irrelevante para a ideia outro”.
principal, já que não se relaciona com
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Língua Portuguesa
Quando se fala em pertinência do - Da paráfrase: é dizer aquilo que outro
argumento, fala-se no quanto a informação autor disse, mas a partir das próprias
fornecida por quem está argumentando palavras. Seria uma citação indireta.
cabe dentro do tema. Ou seja, um - Da alusão: é um tipo de referência
argumento pertinente deve fazer sentido vaga, indireta, com poucos detalhes que
dentro do tema que está sendo abordado. indicam se tratar de uma referência a outro
A relevância de um argumento pode ser autor. Geralmente, para “pegar” a alusão, é
analisada pelo quanto uma argumentação é preciso ter um conhecimento prévio.
capaz de surtir um efeito sobre a - Da paródia: uma paródia é uma
problemática estabelecida pelo tema. Isto é, releitura de uma obra, texto, personagem ou
um argumento relevante é aquele que pode fato. Aparece de maneira cômica, com o
trazer grande peso para o convencimento do uso de deboche e ironia. O mais comum é
leitor. O argumento relevante será decisivo se parodiar algo famoso, conhecido.
para isso.
Em relação à articulação dos Informações explícitas
argumentos, diz respeito à identificação de Estão expostas no texto, com todas as
ligação entre uma informação apresentada e palavras. Ao ler, fica óbvia. Basta ler aquilo
outra, formando um argumento coerente e que o autor do texto diz para compreender
homogêneo. As informações apresentadas e interpretar a informação.
precisam fazer sentido. Não se deve
apresentar uma informação e logo em Informações implícitas
seguida apresentar uma segunda totalmente Para conseguir detectar as informações
descontextualizada. Todas as informações implícitas, o leitor deve deduzir aquilo que
devem conversar entre si, para formar uma o autor quis dizer, mas não disse de maneira
ideia coerente, que dará ainda mais força ao explícita. Trata-se de ler nas entrelinhas.
argumento, tornando-o ainda mais
relevante. Inferência
A inferência está relacionada a ideias
Intertextualidade não explicitadas pelo autor. A questão de
Os pesquisadores atuais dizem que todo um concurso pode pedir, por exemplo, para
texto apresenta intertextualidade, visto que analisar a partir do ponto de vista do autor.
é quase impossível escrever um texto sem Isso quer dizer que o candidato precisa
qualquer tipo de referência. Afinal, quando encontrar no texto aquilo que o autor disse,
escrevemos um texto, buscamos referências literalmente e explicitamente. Quando
mentais de outros textos que já lemos. É questão apresentar enunciados do tipo
preciso escrever uma notícia? Ah, então conclui-se, infere-se, será preciso inferir, ou
vou pensar em uma notícia que já li e tentar seja, fazer uma dedução a partir de uma
escrever mais ou menos igual. informação que não está explicita no texto.
Esses pesquisadores gostam de Ou seja, tendo em vista tudo o que foi lido
complicar as coisas. Para simplificar, no texto, o que será que o autor quis dizer?
vamos tomar a intertextualidade como uma Mas é preciso que essa inferência tenha
referência mais explícita, quando o autor do uma lógica, que esteja relacionada com o
texto, em sua escrita, faz referências a texto.
textos de outros autores. Pode ser feita por De “Brasil está importando
meio: computadores moderníssimos” é possível
- Da citação: é dizer, nas mesmas inferir que o Brasil não está produzindo
palavras, aquilo que outro autor disse. Seria computadores modernos em número
uma citação direta. suficiente, afinal, se a produção fosse
suficiente, não haveria a necessidade de
importação. É possível inferir também que
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Língua Portuguesa
parte dos brasileiros está exigindo silêncio indica que há alunos que não
computadores moderníssimos, pois é fizeram silêncio e que, provavelmente, não
necessário haver demanda para importação. ganharam prêmio algum.
Mas não é possível inferir que os Palavras denotativas. “Até mesmo
computadores importados são mais caros, Gabriel conseguiu entregar a tempo”. O até
pois o trecho não faz nenhuma menção a mesmo indica que havia poucas
preços; ser importado não torna o expectativas em torno de Gabriel, e que
computador necessariamente mais caro. outras pessoas conseguiram entregar a
Aliás, o assunto nem é preço, não há lógica. tempo.
Pensar que algo é mais caro por ser Sobre os subentendidos: A informação
importado é ler sem manter a neutralidade. subentendida depende do contexto é está
ainda menos evidente. É preciso ler nas
Pressupostos e Subentendidos entrelinhas.
Os pressupostos e subentendidos estão Vamos supor que, em uma tira, um
na área dos implícitos. Para “pegá-los”, é adulto, para um grupo de crianças, do que
preciso ter um ponto, a partir de algo. elas estão brincando. A resposta é “de
Sobre os pressupostos: Quando governo”. O adulto adverte para que não
inferimos uma ideia de um texto, buscamos façam bagunça. Elas então respondem que
aquilo que está pressuposto e subentendido, não é preciso se preocupar, pois não vão
isto é, aquilo que está implícito. O autor não fazer absolutamente nada.
vai transmitir uma ideia completa, com Dessa tira seria possível subentender que
todas as informações explícitas, todavia, a o governo não trabalha, pois quem não faz
partir de certas palavras e expressões é nada também não trabalha. Se as crianças
possível inferir a ideia. Uma ideia estão brincando de governo e não estão
pressuposta não é dita explicitamente pelo fazendo nada, então o governo nada faz,
autor, mas espera-se que fique “óbvia” ao não faz seu trabalho.
leitor. Em um texto, uma ideia subentendida
Quando é dito “José parou de jogar pode dizer uma coisa, mas fica entendido
futebol”, podemos pressupor que José que o leitor entenderá outra coisa. Se
jogava futebol. alguém perguntar “Você tem horas?”, não
É importante prestar atenção aos verbos. quer dizer que você tenha horas
Por exemplo, se o autor disser “Os fisicamente, mas sim fica subentendido que
funcionários deixaram o emprego após o a pessoa perguntou sobre as horas, que
pronunciamento do diretor”. O verbo deixar horas são.
indica que, até antes do pronunciamento do
diretor, os funcionários estavam Contexto
trabalhando normalmente. Um texto é produzido em um
Os advérbios, do mesmo modo. determinado contexto. Por exemplo, um
“Mariana também deixou a festa cedo”. O texto jornalístico é produzido na redação de
também indica que mais pessoas além de um jornal. Além disso, esse texto será
Mariana deixaram a festa cedo. distribuído e lido em outros contextos. Da
Os adjetivos. “Os profissionais mesma forma um poema, seu contexto de
qualificados conseguem emprego com produção e de recepção é outro.
maior facilidade”. O qualificados indica Há também o contexto histórico. Um
que há profissionais que não são texto antigo pode apresentar muitas
qualificados e que esses talvez não referências que dizem respeito ao tempo em
consigam emprego com tanta facilidade que foi produzido. O contexto dos dias
quanto os qualificados. atuais já pode ser bem diferente. Basta
Orações adjetivas. “Alunos que fizeram pensar em alguns textos antigos que
silêncio foram premiados”. O que fizeram apresentam costumes que não fazem
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Língua Portuguesa
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sentido hoje em dia. Não entender esse Gêneros de circulação da vida
contexto pode prejudicar muito a cotidiana: adivinhas, álbum de família,
compreensão do texto e levar a exposição oral, anedotas, fotos, bilhetes,
interpretações errôneas. música, cantigas de roda, parlendas, carta
Sem falar de certas palavras que podem pessoal, cartão, provérbios, cartão-postal,
deixar o leitor atual perdido. O quadrinhas, causos, receitas, comunicado,
conhecimento histórico é muito importante, relatos de experiência vividas, convites,
assim como a compreensão desse contexto trava-línguas, curriculum vitae.
histórico de produção. Gêneros de estudo e pesquisa: artigos,
Vamos supor que dois amigos estão relato histórico, conferência, relatório,
jogando um videogame de luta e um deles debate, palestra, verbetes, pesquisas.
diz para seu personagem: “Acabe com ele”. Gêneros midiáticos: blog, reality show,
Dentro desse contexto, não se trata de uma chat, talk show, desenho animado,
frase que incita à violência. Mas fossem telejornal, e-mail, telefonemas, entrevista,
duas pessoas brigando na rua e um torpedos, filmes, videoclipes, fotoblog,
expectador gritando a mesma frase, aí sim videoconferência, home page.
seria uma incitação à violência. Por isso é Gêneros literários e artísticos:
importante compreender o contexto dentro autobiografia, letras de música, biografias,
do texto. narrativas de aventura, contos, narrativas de
Textos técnicos e teóricos, como artigos, enigma, contos de fadas, narrativas de
possuem uma linguagem técnica, mais ficção, contos de fadas contemporâneos,
difícil, pois é produzido dentro do contexto narrativas de humor, crônicas de ficção,
científico, pensando em leitores que narrativas de terror, escultura, narrativas
entendem sobre o assunto. Diferente de um fantásticas, fábulas, narrativas míticas,
jornal, que visa um público mais amplo, fábulas contemporâneas, paródias, haicai,
variado. pinturas, histórias em quadrinhos, poemas,
É interessante também notar o contexto lendas, romances, literatura de cordel,
semântico da palavra, isto é, seu significado memórias, textos dramáticos.
dependendo da situação na qual é
empregada. Coerência Textual
Por exemplo, a palavra “droga”. Um texto precisa ser organizado, com
- “Esse time é uma droga!” - O time não suas ideias bem relacionadas. As ideias
é literalmente uma droga, mas sim um time secundárias precisam ter uma relação com
ruim, que joga mal. a ideia principal, pois as secundárias não
- “Parece que ele está usando drogas” - podem falar sobre um assunto que não tem
Aqui a palavra está mais em seu contexto nada a ver com a principal. A boa
literal, ou seja, indicando uma substância organização das ideias faz com que o texto
química, geralmente ilícita. seja coerente.
- “Que droga!” - Neste caso, trata-se de O texto coerente apresenta uma ordem e
uma interjeição, uma expressão que indica ele não se contradiz. O autor não pode
uma emoção, podendo tanto indicar raiva, apresentar uma ideia em um parágrafo e,
frustração, espanto. mais diante, dizer o contrário. Ele estaria
Nunca tome uma palavra diretamente sendo incoerente.
pelo seu significado literal sem antes Há questões de concursos que mesclam
analisar todo o contexto no qual foi correção gramatical, reescrita de textos e
utilizada. Leia todo o texto para entender o coerência. Por exemplo:
motivo de tal palavra ter sido escrita, e não “Há a necessidade premente da
uma outra. implantação de programas, projetos e
1
https://bit.ly/3VbafCs
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Língua Portuguesa
atividades de conservação e uso de É correto afirmar que, do ponto de vista
energia”. do autor: líderes são lembrados
O trecho destacado poderia ser especialmente por atos que ele classifica
substituído por urge a, visto que o sentido e como canalhice.
a ideia seriam mantidos. Algo que urge tem Logo no início o autor já diz que um líder
urgência, ou seja, necessidade. é um canalha. Depois apresenta alguns
líderes e os atos que cometeram,
Ponto de Vista do Autor “canalhices” para o autor. A seguir, diz que
Há textos impessoais, onde a opinião do um santo não será seguido por ninguém,
autor não é expressa. Há também textos nos mas o canalha sim. Stalin, canalha para o
quais a opinião do autor fica aparente, ou autor, não pode ser esquecido e, realmente,
seja, textos nos quais o autor apresenta seu é um líder que não foi esquecido pela
ponto de vista sobre determinada coisa ou história.
assunto.
“O céu é azul”, isso é um fato. “O céu Tipos de Discursos no Texto
está bonito hoje”, isso é uma opinião, o Quando o autor realiza o discurso direto
ponto de vista de quem está falando. Um em um texto, isso quer dizer que ele está
fato é incontestável, uma opinião não, já escrevendo exatamente o que outra pessoa
que outros podem discordar dela. disse. Por exemplo, quando o autor indica a
Veja o texto de uma questão: fala de uma personagem.
Quando o autor realiza o discurso
(Câmara de Taquaritinga - Técnico indireto, ele não diz exatamente o que a
Legislativo - VUNESP) personagem disse. Por exemplo: “Ela lhe
falou sobre o caso ocorrido ontem”. O autor
O líder é um canalha. Dirá alguém que está dizendo sobre o que ela falou, porém
estou generalizando. Exato: estou não com as palavras expressas.
generalizando. Vejam, por exemplo, Stalin. O discurso indireto livre é uma mistura
Ninguém mais líder. Lenin pode ser dos dois anteriores. Junto com a fala do
esquecido, Stalin, não. Um dia, os narrador, a fala do personagem também é
camponeses insinuaram uma resistência. apresentada. Por exemplo: “O rapaz estava
Stalin não teve nem dúvida, nem pena. cansado. Poxa vida, como é duro viver
Matou, de fome punitiva, 12 milhões de assim. Por mais que lamentasse, ele não
camponeses. Nem mais, nem menos: 12 conseguia fazer nada a respeito”. Veja que
milhões. Era um maravilhoso canalha e, em “Poxa vida, como é duro viver assim”
portanto, o líder puro. temos a fala do personagem, e não mais a
E não foi traído. Aí está o mistério que, do autor.
realmente, não é mistério, é uma verdade
historicamente demonstrada: o canalha, Síntese Textual
quando investido de liderança, faz, inventa, Realizar uma síntese textual é sintetizar
aglutina e dinamiza massas de canalhas. as ideias do texto longo, ou seja, fazer um
Façam a seguinte experiência: ponham um resumo, apresentando suas principais
santo na primeira esquina. Trepado num ideias. Apresenta um caráter mais pessoal,
caixote, ele fala ao povo. Mas não pois a escolha das informações mais
convencerá ninguém, e repito: ninguém o relevantes será feita por quem escreve a
seguirá. Invertam a experiência e coloquem síntese. É feita tendo como base aquilo que
na mesma esquina, e em cima do mesmo foi lido e compreendido de um texto. Não
caixote, um pulha indubitável. há um aprofundamento nas ideias do texto
Instantaneamente, outros pulhas, legiões de e as ideias secundárias não devem ser
pulhas, sairão atrás do chefe abjeto. contempladas.
(Nelson Rodrigues, “Assim é um líder”. O óbvio Ululante.
Adaptado)
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Língua Portuguesa
Apresenta vocabulário preciso e clareza, virar à esquerda, ou que o caminho segue
bem como a linguagem denotativa, ou seja, esse rumo.
em seu sentido literal. Há também textos que misturam ambas
as linguagens. Uma placa com um cachorro
Adaptação e a frase “Cão Bravo!” é um exemplo. Isso
Sintetizar um texto é realizar um tipo de significa para ter cuidado, pois na casa em
adaptação. De um texto longo, ele se torna questão existe um cachorro grande, que
uma síntese das principais ideias. O resumo pode atacar e machucar alguém.
também é uma adaptação, pois apresenta o
texto com poucas palavras, focando, Texto Publicitário
sobretudo, em sua intencionalidade. Há São textos que aparecem em campanhas
obras literárias adaptadas, por exemplo, publicitárias, ou seja, são propagandas.
com linguagem mais simples ou mais atual Esses textos podem ser escritos, visuais,
(considerando os clássicos). Muitas versões orais ou uma mistura de todos ou de alguns
adaptadas são resumidas, apresentando desses elementos. Por exemplo, uma
apenas as situações principais de toda a imagem, uma foto de um produto, é uma
trama. publicidade visual. Um texto falando sobre
Uma adaptação pode ser pegar um texto um produto é escrito. Um anúncio no rádio
e transformar sua estrutura. Apresentar as é oral. Já uma propaganda na TV ou
mesmas ideias, mas de maneira diferente, internet, um vídeo, é uma mistura de todos,
com outras palavras e em outra ordem. pois há imagens, sons e textos.
Muitos textos utilizados em questões de Podem aparecer em diversos locais, na
concursos são adaptados, pois não caberiam rua, rádio, TV, internet, jornal, revistas, etc.
numa prova, já que são originalmente Possuem o objetivo de vender algo para o
longos demais, e uma prova não é um livro! leitor, convencendo-o de que determinado
Nesse caso, o texto é adaptado com produto é bom e necessário.
objetivos didáticos. Para isso, apresentam uma linguagem
No caso de um concurso, os textos são sugestiva e persuasiva, tentando seduzir o
verbais, pois fazem uso de palavras para possível cliente, fazendo uso de estratégias
transmitir sua mensagem, usam a que podem mexer com o psicológico, com
linguagem verbal. A linguagem verbal é desejos e emoções. Podem também fazer
dita ou escrita. uso do humor, com trocadilhos e ironia.
As palavras são signos, mas uma cor Apresentam uma linhagem conotativa e
também pode ser um signo. Como no caso apelativa. O texto publicitário não busca ser
do semáforo. A cor vermelha indica “pare”. literal, pois tenta mexer com a ideia do
Não é preciso escrever com palavras para consumidor, fazendo-o imaginar as
captar a mensagem. Essa é a linguagem possibilidades que o produto pode trazer.
não-verbal, que pode aparecer também em São textos geralmente curtos, que podem
placas de trânsito, por exemplo. Grande descrever o produto ou apenas apresentar
parte delas possuem apenas desenhos, situações. As propagandas de cervejas, por
formas ou sinais que têm um significado exemplo, não falam sobre o produto em si,
completo. Sendo assim, é possível adaptar mas apresentam situações positivas,
um texto verbal para a linguagem não- relacionando-as com o produto. Desse
verbal e vice-versa. A linguagem não- modo, essa bebida fica relacionada a festas,
verbal pode se dar por sons, gestos, à praia, à diversão e a pessoas bonitas e
imagens, expressões faciais, cores, objetos, felizes. A Coca-Cola tem sua imagem
etc. Formas podem passar uma mensagem relacionada ao Natal por conta da
também. Um circulo geralmente é tomado propaganda.
como “sim” e um X como “não”. Uma seta Muitas empresas possuem slogans em
para a esquerda pode indicar que é para suas propagandas, que são frases de efeito
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Língua Portuguesa
que ficam ligadas à marca. Como a dos
postos Ipiranga “Pergunta lá no posto
Ipiranga”. O McDonald's “Amo muito tudo
isso”.
Sequência de fatos ilustrados
Ao falar sobre esse assunto em
concursos públicos, estamos falando sobre
as tirinhas ou histórias em quadrinhos que
geralmente aparecem nas provas, em
diversos tipos de questões, sobretudo em
interpretação de textos.
Trata-se de um gênero textual que
mescla as linguagens verbal e não verbal, já
que há balões com as falas dos personagens
assim como ilustrações. Tanto as falas
quanto as ilustrações “conversam”, muitas
vezes se complementando. Por meio do
texto verbal é possível ler os fatos, assim
como pelas ilustrações. Mas, neste caso, (Bill Watterson, Calvin e Haroldo. Disponível em:
estamos lendo o desenho. Por exemplo, https://www.google.com.br.
quando um personagem está sorrindo,
podemos inferir que ele está alegre. O Note que há uma sequência lógica entre
mesmo vale para quando sua expressão os quadrinhos. O menino acorda, prepara
indica raiva; é um sinal de que ele está seu café e o come assistindo à televisão.
bravo, nervoso. Primeiro ele diz que adora sábados, explica
Você já deve ter utilizado um emoji em aquilo que faz ao longo dos sábados e
uma conversa pelo celular, não é mesmo? apresenta uma conclusão ao responder à
Então, quando você envia uma carinha pergunta feita pelo tigre.
sorridente, isso quer dizer que você está Essa tira é voltada ao humor, pois existe
feliz. Uma chorando de rir, é que achou algo uma informação implícita que causa esse
engraçado. Um coração, indica amor. E efeito de humor. Sabe qual? Os pais do
assim que inferimos uma informação da garoto não se animam a aumentar a prole
linguagem não verbal. em razão do comportamento dele.
Em concursos públicos, é mais comum Ao longo dos sábados, ele aparenta ser
encontrar tiras de jornais, que apresentam um menino que dá muito trabalho, porque,
um tom de humor, crítica, ironia ou mesmo por causa do tanto de açúcar que come logo
uma mistura de todos. Geralmente fazem cedo, fica agitado, hiperativo ao longo do
uma crítica aos valores sociais. resto do dia. Sendo assim, seus pais não dão
Para ler uma tira ou história em conta dele, não aguentam tanta bagunça.
quadrinho, se tratando de nosso padrão Se com apenas um filho já é assim, por
ocidental de elaborá-las, temos que ler da que iriam querer mais um? Um já dá muito
esquerda para a direita, de cima para baixo. trabalho. Até parece ser uma estratégia do
Veja a tira a seguir, com a sequência menino para não ter irmãos, e que parece
enumerada: estar funcionando, levando em conta que
até o momento da tirinha seus pais não
tiveram outro filho.
As tiras normalmente apresentam as
seguintes características:
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Língua Portuguesa
- Balões de diversos tipos e formas que O quê?; Quem?; Como?; Quando?;
indicam os diálogos dos personagens ou Onde?; Por quê?.
suas ideias. Um balão redondo indica fala; O que foi dito no texto? Quem fez isso?
um em formato de nuvem, o pensamento; Como fez isso? Quando fez isso? Onde fez
um pontiagudo, uma fala alta ou um grito. isso? Por que fez isso?
- Possui elementos básicos de narrativa, Nem sempre é possível encontrar todas
como personagens, enredo, lugar, tempo e as respostas, mas é uma dica que facilita
desfecho. bastante a compreensão, sobretudo de
- Sequência de imagens que compõem notícias.
uma cena.
- Quadros, cada um representando uma De olho na ambuiguidade
cena da história. I. Um amigo dizia ao outro: – Sabe o que
- Metáforas visuais, como, por exemplo, é, rapaz? A minha mulher não me
sinais musicais em uma cena onde compreende. E a tua? – Sei lá.
personagens estão dançando ou ouvindo Nunca falei com ela a teu respeito.
música. Ou caveiras, cobras e lagartos
saindo da boca, representando palavrões. II. À noite, enquanto o marido lê jornal,
a esposa comenta: – Você já percebeu como
Texto imagético vive o casal que mora aí em frente?
2
Está relacionado à imagem, fazendo uso Parecem dois namorados! Todos os dias,
de outros elementos para construir sentido, quando chega em casa, ele traz flores para
tais quais sons, as cores, as formas, e ela, a abraça, e os dois ficam se beijando
especialmente as imagens. É também apaixonadamente. Por que você não faz o
conhecido como texto visual. mesmo: – Mas querida, eu mal conheço
Sua construção linguística ocorre a partir essa mulher...
da imagem em suas diversas formas e
proporções. É comum o uso de múltiplas e III. Um sujeito vai visitar seu amigo e
diversificadas cores, tons, tipografias, leva consigo sua cadela. Na chegada, após
formas, formatos e símbolos. os cumprimentos, o amigo diz:
Tendo em vista que a imagem exerce um – É melhor você não deixar que sua
papel anterior a palavra, o texto imagético é cadela entre nesta casa. Ela está cheia de
um grande gerador de sentidos, pois a pulgas.
observação é capaz de apontar inferências. – Ouviu, Laika? Não entre nessa casa,
Esse tipo de texto considera que porque ela está cheia de pulgas!
elementos gráficos portadores de ideias e
conceitos recorrentes de uma linguagem No primeiro item, tua diz respeito à
figurativa ou abstrata, que leva em conta o mulher do interlocutor e teu diz respeito ao
grau de conhecimento de cada pessoa, interlocutor. Não há ambuiguidade, tudo é
mesmo que ela não seja capaz de ler, já que bastante compreensível.
com o texto imagético a leitura das No segundo item, o mesmo foi
experiências sobrepõe a leitura das empregado no sentido de por que você não
palavras. faz o mesmo comigo?, mas sem o comigo a
expressão fica ambígua, pois pode também
Dica indicar fazer o mesmo que o homem que
Para tentar buscar as informações de um mora em frente. É disso que sai o efeito de
texto, é interessante realizar algumas humor.
perguntas, como: No terceiro item, ela pode indicar tanto
a cadela quanto a casa, por isso há
2
https://bit.ly/3Gfj2OF
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Língua Portuguesa
ambiguidade. Claro, quem tem pulgas é a câncer também relacionado ao trabalho. Do
cadela, mas o efeito de humor surge por total de mortes em consequência dos 18
conta da ambiguidade, podemos entender tipos de câncer, a proporção de óbitos foi
que é a casa que está cheia de pulgas. 1,4 vezes maior entre os homens.
No caso do câncer de laringe, a diferença
Questões chegou a ser sete vezes maior. Além disso,
os óbitos relacionados a apenas oito das 18
01. (Órgão: Prefeitura de São Miguel tipologias selecionadas (pulmão, mama,
do Passa Quatro - Médico - próstata, estômago, esôfago, fígado,
OBJETIVA/2022) leucemia e sistema nervoso central)
representam mais de 80% de todos os
Estudo analisa morte por câncer falecimentos.
associada ____ exposição laboral O atlas apresenta uma análise do
problema nas cinco regiões brasileiras e
Estudo elaborado pelo Ministério da informações sobre atividades econômicas e
Saúde indica que, entre 1980 e 2019, mais situações de exposição. Há, ainda,
de 3 milhões de pessoas morreram no Brasil recomendações, como a importância da
por até 18 tipos de câncer que podem ter fiscalização dos processos e atividades com
sido causados pela exposição ____ potencial cancerígeno e a urgência de
produtos, substâncias ou misturas presentes estruturação de sistemas de informação e
em ambientes de trabalho. monitoramento capazes de gerar dados
Segundo o Atlas do Câncer Relacionado sobre os efeitos dos contaminantes
ao Trabalho no Brasil, ao longo de 39 anos, ambientais na saúde humana.
o Sistema de Informações sobre “Quando falamos de câncer relacionado
Mortalidade registrou 3.010.046 óbitos ao trabalho, estamos falando de agentes
decorrentes desses tipos de câncer. O químicos, físicos e biológicos que podem
resultado, segundo ____ equipe técnica, ser eliminados e substituídos. No Brasil,
poderia ser menor, caso mais ações isso constitui um problema, porque
tivessem sido feitas para controlar ou convivemos com agentes que já foram
eliminar a exposição dos trabalhadores banidos em outros países”, disse a gerente
____ agentes cancerígenos. da Unidade Técnica de Exposição
Após uma primeira versão do atlas, Ocupacional, Ambiental e Câncer do
publicada em 2018, os pesquisadores Instituto Nacional de Câncer (Inca).
voltaram a se debruçar sobre os registros (Fonte: Sul 21 - adaptado.)
nacionais de câncer de bexiga, esôfago,
estômago, fígado, glândula tireoide, De acordo com o texto, analisar os itens
laringe, mama, mesotélio, nasofaringe, abaixo:
ovário, próstata, rim e traqueia, brônquios e I. O atlas não apresenta uma análise
pulmões. Também são analisados o sistema individual das regiões do Brasil; traz
nervoso central e os casos de leucemias, informações mais relacionadas à
linfomas não Hodgkin, melanomas preocupação com as atividades econômicas
cutâneos e mielomas múltiplos. do país.
O objetivo do estudo é contribuir no II. Em 2015, estimativas globais
planejamento e na tomada de decisão nas apontavam que entre as vítimas de doenças
ações de vigilância em saúde do associadas ao trabalho, cerca de 30%
trabalhador. morreram em consequência de um tipo de
Segundo ____ estimativas globais, em câncer.
2015, cerca de 30% dos trabalhadores III. Os 18 tipos de câncer apontados no
vítimas de doenças associadas ao trabalho estudo matam mais os homens do que
morreram em consequência de um tipo de mulheres.
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Língua Portuguesa
Está(ão) CORRETO(S): caprichar na letra. Receita é uma coisa que
(A) Somente o item I. ele precisa fornecer - nenhum paciente se
(B) Somente o item III. considerará atendido se não levar uma
(C) Somente os itens II e III. receita. A receita satisfaz a voracidade de
(D) Todos os itens. nossa cultura pelo remédio, e está envolta
numa aura mística: é como se o doutor,
02. (TIBAGIPREV - Contador - através dela, acompanhasse o paciente.
FAFIPA/2022) Mágica ou não, a receita é, muitas vezes,
fornecida às pressas; daí a ilegibilidade.
Letra de médico Há um terceiro aspecto, mais obscuro e
delicado. É a relação ambivalente do
Na farmácia, presencio uma cena médico com aquilo que ele receita - a sua
curiosa, mas não rara: balconista e cliente dúvida quanto à eficácia (para o paciente,
tentam, inutilmente, decifrar o nome de um indiscutível) dos medicamentos. Uma
medicamento na receita médica. Depois de dúvida que cresce com o tempo, mas que é
várias hipóteses acabam desistindo. O sinal de sabedoria. Os velhos doutores
resignado senhor que porta a receita diz que sabem que a luta contra a doença não se
vai telefonar ao seu médico e voltará mais apoia em certezas, mas sim em tentativas:
tarde. "Letra de doutor", suspira o "dans la médicine comme dans l'amour, ni
balconista, com compreensível resignação. jamais, ni toujours", diziam os respeitados
Letra de médico já se tornou sinônimo de clínicos franceses: na medicina e no amor,
hieróglifo, de coisa indecifrável. "sempre" e "nunca" são palavras proibidas.
Um fato tanto mais intrigante quando se Daí a dúvida, daí a ansiedade da dúvida, da
considera que os médicos, afinal, passaram qual o doutor se livra pela escrita rápida. E
pelas mesmas escolas que outros pouco legível.
profissionais liberais. Exercício da [...]
caligrafia é uma coisa que saiu de moda,
mas todo aluno sabe que precisa escrever SCLIAR, Moacyr. A face oculta ? inusitadas e reveladoras
histórias da medicina. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2001.
legivelmente, quando mais não seja, para [adaptado]
conquistar a boa vontade dos professores. A
letra dos médicos, portanto, é produto de O texto traz suposições acerca dos
uma evolução, de uma transformação. Mas motivos pelos quais a caligrafia dos
que fatores estariam em jogo atrás dessa médicos seria fruto de uma evolução (ou
transformação? transformação). Sobre essas teorias,
Que eu saiba, o assunto ainda não foi assinale a alternativa que encontra
objeto de uma tese de doutorado, mas embasamento no texto:
podemos tentar algumas explicações. A (A) Uma das teorias se baseia na tese de
primeira, mais óbvia (e mais ressentida), doutorado e atribui a letra ilegível dos
atribui os garranchos médicos a um médicos ao fato de sua suposta
mecanismo de poder. Doutor não precisa se superioridade intelectual em relação a
fazer entender: são os outros, os seres outros profissionais.
humanos comuns, que precisam se (B) O autor acredita que médicos que
familiarizar com a caligrafia médica. conscientemente escrevem de forma
Quando os doutores se tornarem mais ilegível não têm dúvidas sobre a eficácia
humildes, sua letra ficará mais legível. dos medicamentos que estão prescrevendo
Pode ser isso, mas acho que não é só (C) Uma das teses afirma que a "letra
isso. Há outros componentes: a urgência, ilegível' do médico se dá devido a correria
por exemplo. Um doutor que atende em que o médico fornece a receita, por ter
dezenas de pacientes num movimentado que atender muitos pacientes.
ambulatório de hospital não pode mesmo
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Língua Portuguesa
(D) Uma suposição levantada pelo autor ponto de vista. Por fim, há uma conclusão,
é a de que os pacientes não dão na qual tudo aquilo que foi apresentador
credibilidade a médicos que têm a letra antes será sintetizada. Ou seja, os
legível, por isso, é necessário que a argumentos são o caminho pelo qual o autor
prescrição seja datilografada. chega a uma determinada conclusão.
(E) Em uma das teorias, o fator Um texto bem organizado possui todos
humildade é descartado como fator os fatores de textualidade.
predominante para a letra ilegível, sendo
questionado se todos os profissionais têm Coesão Textual
essa característica. Para bem entendermos acerca da coesão
e coerência presente nos textos precisamos,
Gabarito primeiro, compreender que é por meio
destes recursos que partes separadas de um
01.C - 02.C enunciado se conectam de forma
compreensível e, assim, formam um só
COESÃO E COERÊNCIA enunciado transmissor de sentido.
Antes de mais nada:
Um texto é uma unidade da língua em
uso. Para que o texto seja um texto de fato, Vale a pena lembrar que os textos se
ele precisa apresentar e conter os fatores de dividem em parágrafos com o intuito de
textualidade, que são fatores internos apresentar o desenvolvimento das ideias.
(coesão e coerência), e fatores externos, Em cada um dos parágrafos deve existir
pragmáticos, como a intencionalidade, a uma ideia central a ser desenvolvida. Como
aceitabilidade, a informatividade, a no texto geral, o parágrafo também se
situacionalidade e a intertextualidade. organiza com introdução, desenvolvimento
São os fatores de textualidade que tornam e fim. Logo, ele precisa ser pensado de
uma sequência de orações um texto de fato. modo a formar um conjunto coeso.
O texto é o produto final e os fatores de
textualidade são as ferramentas para se Examinemos o exemplo a seguir:
atingir esse fim.
A estruturação de um texto, em uma “Alugarei um apartamento; visitei
sequência lógica, com princípio, meio e alguns esta manhã para conhecer a situação
fim, é importante para que o leitor seja e localização”.
capaz de compreender o texto.
É essencial que um texto tenha uma Nos dois trechos acima, separados por
introdução (seção inicial), desenvolvimento ponto e vírgula, a coesão textual encontra-
e uma conclusão (seção final), bem se presente na continuidade da conjugação
definidas. do verbo em primeira pessoa do singular,
O texto é uma sequência de ideias e EU, assim, é possível inferir que as ações
informações, que precisa seguir uma ordem “alugar” e “visitar” foram praticadas pelo
para fazer sentido. Ou seja, ele precisa de mesmo sujeito.
coesão e coerência. Além disso, é dividido Seguindo a mesma lógica de inferência
em parágrafos que, juntos, formam o texto de elementos do texto, o pronome
num todo. indefinido ALGUNS, presente na segunda
O início, o meio e o fim devem estar oração, reporta-se contextualmente ao
ordenados, encadeando as ideias. No início, substantivo APARTAMENTOS mencionado
há uma espécie de introdução, onde o tema anteriormente.
ou assunto é apresentado. Depois vem a Logo, é possível afirmar que os
argumentação, onde o autor apresentará enunciados apresentados possuem coesão
suas ideias e argumentos para defender seu entre si, como também, são coerentes, uma
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Língua Portuguesa
vez que o conjunto de ideias obtidos variam de acordo com o gênero, pessoa e
estabelecem uma relação lógica. número do substantivo que substituem.
Retomando o exemplo citado, um - Os pronomes pessoais do caso reto
enunciado sem coerência seria: são: eu; tu; ele; ela; nós; vós; eles; elas.
- Os pronomes pessoais do caso
“Alugarei um apartamento; tomei café oblíquo são: me; mim; comigo; te; ti;
da manhã em alguns esta manhã”. contigo; se; o; a; lhe; si; consigo; ele; ela;
nos; nós; conosco; vos; vós; convosco;
Nesta segunda construção, não há os; as; lhes; eles; elas.
sequência lógica entre as ideias, pois quem - Os pronomes possessivos são: meu;
busca alugar um apartamento não vai até minha; meus; minhas; teu; tua; teus; tuas;
eles para tomar café da manhã. Podemos, seu; sua; seus; suas; nosso; nossa; nossos;
portanto, afirmar que é um texto com ideias nossas; vosso; vossa; vossos; vossas.
contraditórias, sendo incoerente.
Há, ainda, outros dois princípios de - A substituição atribui coesão aos textos
coerência textual. Retomaremos aos evitando construções repetitivas. Assim,
mecanismos que garantem a coesão aos como estudado no tópico anterior –
enunciados, abordando os recursos referenciação – aqui os pronomes
denominados: referenciação, substituição e assumem, também, papel fundamental para
elipse. a relação entre orações. Vejamos a seguir:
A referenciação pode ocorrer em dois
níveis: “Encontrei bons livros na biblioteca da
1 - Referência pessoal – utilização de minha escola. Você os quer para estudar?”
pronomes pessoais e possessivos para O enunciado acima, apresenta o uso do
retomar vocábulos presentes. Exemplo: pronome pessoal “os” em substituição de
Todos os alunos foram aprovados. “bons livros”. Logo, ao optar pela
Agora, eles precisam entregar os construção com o pronome, evitamos a
documentos na data prevista. repetição do termo “bons livros” na frase.
A utilização do pronome pessoal “eles”
tem por função retomar “todos os alunos”. - A elipse constitui-se como um recurso
Por retomar um elemento já presente no em que ocorre a omissão de um termo da
enunciado, esta referenciação pode ser frase que pode ser facilmente subentendido
caracterizada por anáfora. pelo contexto. Na frase “As rosas florescem
em maio, as margaridas em agosto.” fica
2- Referência demonstrativa – utilização de claro que a construção da segunda oração
pronomes demonstrativos e advérbios. seria: as margaridas florescem em agosto.
Exemplo: Identificamos, portanto, a elipse do verbo
Arquivamos todos os documentos, com “florescem”.
exceção deste: folha de declaração de bens.
O pronome demonstrativo “deste” faz Avançando nossos estudos, quando
referência ao vocábulo “documentos” e falamos em coesão, não podemos nos
antecipa uma exemplificação. Por antecipar esquecer, também, do uso de conjunções,
um elemento, esta referenciação pode ser que são operadores sequenciais, capazes de
caracterizada por catáfora. ligar as orações estabelecendo relações
entre elas, ou seja, garantem a coesão
Antes de mais nada: sequencial dos enunciados, por isso são,
Vale a pena lembrar que os pronomes também, chamados de nexos. A relação
podem recuperar ideais ou elementos já estabelecida entre os enunciados pode se
expressos no texto. Deste modo, eles dar em diferentes níveis, como:
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Língua Portuguesa
Aditivas: e; nem; não só... mas também. Proporcional: quanto mais; à
Eles não gostam de ler nem de estudar. proporção que.
Quanto mais ouvia, mais se
Adversativas: mas; porém; contudo; decepcionava.
entretanto.
Lia bastante livros, mas não entendia Temporal: quando; enquanto.
bem. Quando chegaram a porta estava aberta.
Alternativas: ou... ou; ora... ora; quer... Final: para que; a fim de que.
quer. Estacione para que consigamos
Ora quer mudar-se, ora quer ficar. conversar direito.
Explicativas: porque; pois. A ideia de inclusão pode ser dada por
Preciso revisar o conteúdo, pois a prova meio dos advérbios inclusive, também,
será semana que vem. mesmo, ainda, até, além disso.
Convidei seu irmão para a festa; também
Conclusiva: logo; portanto; assim; a esposa dele.
então; por conseguinte.
O chão estava todo molhado, logo A ideia de exclusão pode ser dada por
choveu. meio dos advérbios exclusive, menos,
exceto, fora, salvo, senão, sequer, somente,
Comparativa: como; tal qual. apenas.
Ela era sozinha como sua mãe. Convidei seu irmão para a festa; apenas
ele.
Conformativa: conforme; segundo;
como. Coesão Recorrencial: Paráfrase
Conforme estava escrito, não abrimos Trata-se da reescrita de um texto já
ontem. existente, um tipo de “tradução” dentro da
própria língua, um comentário pessoal em
Condicional: se; caso. texto livre.
Se levantar cedo, conseguiremos bons É uma reprodução do texto do outro com
lugares no ônibus. a palavra do autor. Ela não deve ser
confundida com o plágio, visto que o autor
Concessiva: embora; não obstante. deixa claro sua intenção e a fonte.
Ela era linda, embora se julgasse feia. Essa palavra tem origem no grego
paraphrasis e significa, literalmente,
Causal: porque; pois. “repetição de uma sentença”.
Porque não acredita na história, foi Podemos dizer se tratar de uma imitação,
investigar o ocorrido. ou repetição de um texto com outras
palavras, mas sem alterar sua essência. Sem
Consecutiva: tal; tanto; tão. que o sentido seja alterado. É a
Dedicou-se tanto ao emprego. intertextualidade das semelhanças.
Oposição, contraste, restrição, Ou seja, é uma atividade efetiva de
ressalva: pelo contrário; em contraste com; reformulação por meio da qual, bem ou
salvo; exceto; menos; mas; contudo; mal, na totalidade ou em parte, fielmente ou
todavia; entretanto; no entanto; embora; não, restaura-se o conteúdo de um texto
apesar de; ainda que; mesmo que; posto fonte num texto derivado.
que; ao passo que; em contrapartida. Exemplo:
Eu gosto muito dela, exceto quando está Você pode fechar um grande negócio
nervosa. sem uma boa propaganda.
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Língua Portuguesa
Uma paráfrase para a frase acima coincide com o próprio momento da
poderia ser Sem uma boa propaganda você enunciação dos fatos.
não conseguirá bons resultados no seu - Moramos na rua das Acácias.
negócio. - Esta palavra se escreve de outra forma.
Não poderia ser Seu negócio irá à
falência se não tiver propaganda, pois a É, ainda, no tempo presente que se
frase original não fala de qualquer expressam as verdades científicas.
propaganda, e sim de uma boa propaganda. - Cometas são corpos de luz própria.
Não poderia ser Para fechar um grande
negócio você pode prescindir da Pretérito perfeito – apresenta os fatos
propaganda, pois prescindir é o mesmo que concluídos, situando-os em um momento
dispensar, e uma boa propaganda é anterior ao presente.
necessária, sem falar que na frase original - Ele morou nesta rua.
fala-se em um negócio que pode falir, o que Ou em um momento anterior do futuro.
não parece ser o caso aqui, já que pode se - Assim que você desembarcar, envie
tratar de um bom acordo de negócio. mensagem para dizer se chegou bem.
Não poderia ser Sem um grande negócio
você não conseguirá ter uma boa Pretérito imperfeito – apresenta os fatos
propaganda, já que o sentido desta frase não concluídos, porém o ponto de
foge totalmente do sentido original. referência é o passado.
- Em 1956, ele partia daquela cidade em
“A fênix é um pássaro das Arábias. Não busca de novas aventuras.
morre nunca. Ou melhor, morre muitas
vezes queimada no fogo, e cada vez renasce Pretérito mais-que-perfeito: apresenta o
das cinzas. Como a fênix só renasce a cada fato como concluído e o ponto de referência
1.500 anos, fica difícil saber se foi ela da ação é um tempo anterior ao passado.
mesma que renasceu. Mas os egípcios - Fui informada de que, meses antes, ele
dizem que sim. Então é o único pássaro do mudara de São Paulo com a família toda.
mundo que é pai, mãe e filho de si mesmo.”
(NESTROVSKI, Arthur. Bichos que existem e Futuro do presente: representa o fato
bichos que não existem. São Paulo: Cosac & Naify, como não concluído e o situa em um
2002.)
momento posterior ao presente.
Há uma paráfrase no trecho acima. O
- Os trabalhadores não pagarão por isso.
marcador que introduz o parafraseamento,
neste caso, é Ou melhor. Após esse
Há, ainda, uma outra construção
marcador, o autor reformula aquilo que
possível na qual podemos denominar
havia dito anteriormente, com outras
“modalidade hipotética” ou “modalidade
palavras e com mais explicações, para
dubitativa”:
tornar a informação mais compreensível.
- Quem estará me ligando essa hora?
Para fechar nossos estudos sobre os
Futuro do pretérito: apresenta fatos não
elementos de coesão, devemos retomar a
concluídos e que se situam em 3 momentos
questão dos tempos e modos verbais, uma
diferentes – momento posterior ao passado
vez que o uso adequado do verbo garante a
(categórico); momento simultâneo ao
coesão entre os elementos do enunciado.
passado (possível); simultâneo ao presente
Comecemos pelos tempos do modo
(universo hipotético).
indicativo:
- O ministro comunicou que
Presente – apresenta os fatos não
renunciaria ao cargo. (posterior,
concluídos, em que o tempo do enunciado
categórico)
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Língua Portuguesa
- Imaginei que eles estariam na frente de O sinal gráfico que simboliza o
casa. (simultâneo ao passado, possível) parágrafo é §.
- Se eles estudassem um pouco mais,
eles seriam aprovados. (simultâneo ao Modalizadores
presente, hipotético) Alguns advérbios possuem uma função
modalizadora, pois indicam o ponto de vista
E, agora, passemos para os tempos do ou estado emocional do interlocutor.
modo subjuntivo: Modalização epistêmica: indica uma
Presente – indica um acontecimento análise a respeito do valor de verdade
presente, porém duvidoso ou incerto. daquilo que é dito. Divide-se em três
- Talvez eu estude mais tarde. subclasses:
Pode, ainda, indicar um desejo. - Advérbios asseverativos: são
- Espero que aprendam a lição. chamados de advérbios de afirmação, pois
demonstram que aquele que fala toma por
Pretérito perfeito – indica um passado verdadeiro o conteúdo daquilo que é dito,
incerto. tanto em uma afirmação ou em uma
- Que tenham todos terminado a negação: certamente, evidentemente,
faculdade. realmente, naturalmente, sem dúvida,
claro, etc.
Pretérito imperfeito – indica uma “Este, naturalmente, é o caminho a ser
hipótese ou condição. seguido”.
- Se ele parasse de gritar, seria uma - Advérbios quase asseverativos: são
pessoa querida. chamados de advérbios de dúvida e
demonstram que aquele que fala toma
Pretérito mais-que-perfeito – indica uma quase verdade (relativização) o conteúdo
situação ocorrida no passado do passado. daquilo que é dito. Podem ter uma função
- Se tivessem procurado um pouco de esconder o ponto de vista de quem fala,
mais, teriam encontrado. amenizando-o: provavelmente,
supostamente, possivelmente, etc.
Futuro – indica um acontecimento futuro “Não quero tomar um partido aqui, mas,
em relação a outro também futuro. provavelmente, ela estava certa”.
- Quando ele morar sozinho, aprenderá - Advérbios delimitadores: são
preciosas lições. chamados de advérbios de modo, indicam
os limites de como um determinado
O parágrafo precisa ser desenvolvido em conteúdo deve ser tomado:
torno de uma ideia central e apresentar um geograficamente, humanamente,
raciocínio completo. basicamente, um tipo de, quase, etc.
Quando o autor muda de parágrafo, ele “Agora, humanamente falando, seria
precisa conectar as ideias. É preciso ter impossível agir dessa maneira.”
cuidado para não quebrar o encadeamento Modalização deôntica: também
das ideias e prejudicar a clareza. conhecidos como advérbios de modo,
É interessante compor o parágrafo com demonstram que aquilo que é dito é
frases curtas e longas, pois, dessa forma, a obrigatório ou necessário para o
leitura acaba ganhando ritmo, ficando mais interlocutor: necessariamente,
fluída e agradável. imperiosamente, obrigatoriamente, etc.
Para detectar um parágrafo, basta “É uma escolha difícil, que deve ser feita
observar a linha e a margem da página, já necessariamente”.
que a primeira linha do parágrafo começa Modalização persuasiva: são os
com um recuo maior em relação à margem advérbios ditos de intensidade, com
do que as demais linhas do texto. capacidade de realçar um conhecimento
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Língua Portuguesa
que é geral, com o objetivo de convencer O homem estava com muita fome, mas
alguém de que aquilo de que se fala é não tinha dinheiro na carteira. Foi a um
verdade: obviamente, extremamente, restaurante almoçar e em seguida foi ao
completamente, totalmente, etc. banco e sacou uma determinada quantia
“Eu sei que é difícil cortar gastos, mas é para utilizar. (Coerência incorreta)
extremamente necessário para o bem Antes de finalizar, vale a pena entender
geral”. que textos coerentes precisam apresentar
Modalização afetiva: são conhecidos uma boa continuidade temática, ou seja, os
como advérbios de modo, indicam uma assuntos precisam surgir de forma de forma
emoção daquele que fala em relação àquilo organizada, sem que se crie a sensação de
que é dito: infelizmente, felizmente, mudança de assunto repentina.
3
lamentavelmente, surpreendentemente, etc. Quando falamos em progressão
“Felizmente o jogador errou o pênalti no temática, estamos falando a respeito de um
último minuto do jogo”. procedimento empregado pelos
Advérbios focalizadores: podem enunciadores para dar sequência a seus
focalizar ou realçar uma expressão em uma textos, orais ou escritos.
frase: principalmente, especificamente, É ela quem faz o texto avançar
exatamente, justamente, etc. apresentando novas informações sobre
“Ele chegou tarde em casa, mais aquilo de que se fala, que é o tema.
especificamente às três da manhã.” Todo texto precisa de uma unidade
temática, ou seja, precisa manter o fio da
Coerência Textual meada, e, ao mesmo tempo, precisa
No tópico anterior, estudamos um dos apresentar novas informações sobre o tema.
princípios da coerência, o princípio da não O texto não pode falar a respeito de um
contradição (sugiro que retome ao tema e simplesmente começar a falar a
momento anterior e revise tal princípio). respeito de outro. Se o texto aborda o
Neste momento, analisaremos mais dois futebol, ele precisa falar sobre diferentes
princípios fundamentais para a existência aspectos do futebol, mas não pode começar
de coerência nos enunciados, o princípio da a falar sobre basquete (a menos que este
não tautologia e o princípio da relevância. novo tema seja apresentado dentro de um
A não tautologia admite a não argumento para defender determinado
redundância de informações presentes na ponto de vista).
frase, mesmo que seja expressa por palavras A organização e hierarquização das
diferentes. Veja o exemplo: Visitamos o unidades semânticas do texto se
Canadá há cinco anos (coerência correta). concretizam através de dois eixos de
Visitamos o Canadá há cinco anos atrás informação, chamados de tema (tópico) e
(coerência incorreta). de rema (comentário).
O princípio da relevância admite que as O tema do enunciado é aquilo que se
ideias devem estar relacionadas entre si, toma por base da comunicação, aquilo de
não podem ser apresentadas de forma que se fala, e como rema aquilo que se diz
fragmentada para que não haja desvio no sobre o tema. Isto é, o tema é uma
sentido da mensagem. Exemplo: informação apresentada ou facilmente
O homem estava com muita fome, mas inferida a partir do contexto ou do próprio
não tinha dinheiro na carteira e por isso foi texto. O rema apresenta informação nova
ao banco e sacou uma determinada quantia que é introduzida no texto.
para utilizar. Em seguida, foi a um A progressão do texto se dá pela
restaurante e almoçou. (Coerência correta) articulação entre esses eixos de informação.
É possível manter um único tema e
3
https://bit.ly/3Cy5lbg
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Língua Portuguesa
apresente sobre ele vários remas. Todavia, visando um público receptor que aprecia
também é possível que o tema principal se futebol. A aceitabilidade desse texto para
desdobre em subtemas ou subtópicos, que um público que não gosta de futebol seria
fazem o texto avançar. nula. Seria um texto fora de contexto, fora
É possível entender a progressão de situação. Um mesmo texto pode causar
temática no plano global do texto (qual é o impressões e produzir significados
tema geral, como é desdobrado em diferentes em situações diferentes.
parágrafos, de que característica trata cada A intertextualidade só será efetiva
um deles, introduzindo ou não novos dependendo dos fatores de produção e
subtemas). recepção. Se um autor colocar elementos de
Também é possível compreender a Machado de Assis dentro de seu texto e a
progressão temática no modo como os pessoa que ler esse texto não conhecer nada
temas e remas são encadeados em frases a respeito de Machado de Assis, a
que se sucedem no texto. Para dar um intertextualidade de nada valerá, pois os
exemplo, o tema de uma frase pode passar feitos de sentidos só ocorrerão caso o leitor
a ser o rema da frase seguinte e o rema desta consiga captar essa intertextualidade,
pode passar a ser o tema da seguinte. Assim, reconhecendo que elementos de Machado
ocorre a progressão temática linear. A de Assis estão presentes no texto.
progressão temática com tema constante Sobre a informatividade, é preciso
ocorre quando um mesmo tema se mantém considerar os conhecimentos prévios do
em sucessivas frases do texto. leitor e os novos conhecimentos trazidos
A manutenção e a progressão do tema pelo texto. É necessário haver um
são requisitos essenciais para a coesão e equilíbrio, pois um texto que apresenta
para a coerência textual. apenas informações novas ao leitor será de
É necessário que novas informações difícil compreensão, já que não haverá uma
sejam introduzidas no texto, pois isto dá âncora para esses novos conhecimentos.
uma sequência ao todo. Um texto que não Mas um texto que traz poucas informações
introduz aos poucos novas informações, novas se torna chato, pois não causará
argumentos e pontos de vista, torna-se um interesse, uma vez que o leitor já sabe tudo
texto chato, cansativo e repetitivo, além de aquilo.
irrelevante. Essa introdução de novas
informações é chamada de progressão Operadores argumentativos
semântica. Um operador argumentativo pode ser
Um texto é escrito para alguém, para um um advérbio, uma conjunção, uma
receptor. O texto possui um produtor preposição ou uma palavra denotativa.
(autor) e um receptor. A função desses operadores é apresentar
A intencionalidade de um texto diz vários tipos de argumentos, que podem
respeito àquilo que o produtor objetivava ao indicar certas inferências. É por causa deles
escrever o texto. Todo texto possui uma que o texto e os argumentos possuem
finalidade, a intenção do autor é atingir essa inteligibilidade. Sem eles não dá para
finalidade. compreender a ideia de um texto ou
A aceitabilidade tem a ver com o argumento.
receptor do texto, aquele que lê. Um texto Eles podem ter a função de:
bem aceito é um texto lido e apreciado por - Apresentar argumentos que são
muitos. Quando isso ocorre, a adicionados a outros: e, nem, não apenas,
intencionalidade do autor pode ter sido mas também, tanto quanto, além de, além
positiva, já que o texto não foi rejeitado. disso, também.
A situacionalidade diz respeito ao “O jogador ajudou muito o time, além
contexto de produção e de recepção de um disso, fez sua melhor apresentação nesta
texto. Um texto sobre futebol é produzido temperada”.
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Língua Portuguesa
- Apresentar argumentos que fazem - Apresentar um argumento que indica
oposição a um outro argumento: mas, ideia de proporção: à medida que, quanto
porém, entretanto, todavia, apesar de, mais, à proporção que, ao passo que.
mesmo que, por mais que, ao contrário, “À medida que os salários dos
agora, quando. profissionais da educação aumentaram, o
“Driblou o time todo e chutou para fora, índice de rendimento dos alunos
quando poderia ter tocado para o melhorou”.
companheiro melhor posicionado”. - Apresentar uma ideia de prioridade ou
- Apresentar argumentos excludentes ou relevância: em primeiro lugar, sobretudo,
que causam alternância: ou, ou; ora, ora; acima de tudo, primeiramente.
quer. “Há muito o que se melhorar em nosso
“Ou estudando, ou no chute, dessa vez país, sobretudo a educação”.
passarei no concurso”. - Apresentar um argumento capaz de
- Apresentar uma consequência ou resumir uma ideia apresentara
conclusão: pois, por isso, portanto, logo, anteriormente: em resumo, afinal, em suma,
então. enfim.
“No passado foi uma empresa muito “Pretendo dar prioridade à saúde, à
poderosa, por isso ainda respira neste segurança e à educação; enfim, desejo
momento de adversidade. melhorar a qualidade de vida de toda a
- Apresentar um argumento explicativo, população”.
ou uma causa: porque, já que, visto que, - Apresentar um argumento capaz de
devido a. esclarecer algo, retificar: ou seja, melhor
“O país teve uma melhora na estimativa dizendo, quer dizer, ou melhor, aliás.
de vida devido às novas tecnologias na área “No seu tempo, só havia desemprego,
da saúde”. pobreza e violência. Melhor dizendo, você
- Apresentar argumentos que realizam conseguiu destruir nosso estado”.
uma comparação: mais do que, menos,
maior, melhor, assim como, tanto quanto, Questões
como se.
“Ainda que ele tenha dito isso, como se 01. (Prefeitura de Córrego Novo -
fosse de sua responsabilidade, o país Fiscal Tributário - Máxima/2022)
precisa tomar novos rumos urgentemente”. “Portanto termino dizendo para vocês,
- Apresentar argumentos que apresentam homens e sociedade: "HOMENS
uma condição ou uma hipótese: caso, TAMBÉM ABORTAM". O modalizador
contanto que, se, exceto se, desde que. destacado iniciando o período pode ser
“Posso assinar essa petição, desde que substituído sem prejuízo de sentido por:
surta um efeito positivo para toda a (A) No entanto;
população”. (B) Por conseguinte;
- Apresentar um argumento de (C) Contato;
conformidade: conforme, segundo, como. (D) Porquanto.
“O jogador, conforme deixou claro em
sua entrevista, deseja atuar em outra equipe 02. (Prefeitura de Palhoça - Professor
na próxima temporada”. de Anos Finais - ESES/2022) Há um tipo
- Apresentar um argumento de coesão que é feita através de termos
demonstrando uma finalidade: para, para (normalmente os pronomes) que fazem
que, afim de que, com o objetivo de. referência a elementos anteriormente
“O prefeito, com o objetivo de melhorar citados. Sendo assim, na frase Pelé e Xuxa
a educação municipal, autorizou um são extremamente famosos. Esse foi o
aumento de 30% no salário dos principal jogador de futebol de todos os
professores”.
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Língua Portuguesa
tempos, e esta, apresentadora de explícitos: como, tal qual, tal como, que,
programas infantis, tem-se a chamada: que nem.
(A) Coesão lexical. Também alguns verbos estabelecem a
(B) Coesão por elipse. comparação: parecer, assemelhar-se e
(C) Coesão por inclusão. outros.
(D) Coesão referencial.
- Catacrese: É o emprego de um termo
Gabarito em lugar de outro para o qual não existe
uma designação apropriada.
01.B - 02.D Exemplos
– folha de papel
– braço de poltrona
Figuras de linguagem; – céu da boca
- Sinestesia: Consiste na fusão
Figuras de linguagem harmônica de, no mínimo, dois dos cinco
As figuras de linguagem ou de estilo são sentidos físicos.
empregadas para valorizar o texto, tornando A fusão de sensações físicas e
a linguagem mais expressiva. É um recurso psicológicas também é sinestesia: “ódio
linguístico para expressar de formas amargo", “alegria ruidosa", “paixão
diferentes experiências comuns, conferindo luminosa", “indiferença gelada".
originalidade, emotividade ao discurso, ou
tornando-o poético. - Antonomásia ou perífrase: Consiste
As figuras revelam muito da em substituir um nome próprio por uma
sensibilidade de quem as produz, qualidade, atributo ou circunstância que
traduzindo particularidades estilísticas do individualiza o ser e notabiliza-o.
autor. A palavra empregada em sentido Cidade Maravilhosa. (Rio de Janeiro)
figurado, conotativo, passa a pertencer a
outro campo de significação, mais amplo e - Metonímia: Consiste na troca de uma
criativo. palavra por outra, de tal forma que a palavra
As figuras de linguagem classificam-se empregada lembra, sugere e retoma a que
em foi omitida.
Alguns autores, em vez de metonímia,
Figuras de palavra classificam como sinédoque quando se
Consistem no emprego de um termo com têm a parte pelo todo e o singular pelo
sentido diferente daquele empregado plural.
convencionalmente, a fim e se conseguir Autor pela obra: Ele adora Machado de
um efeito mais expressivo na comunicação. Assis. (ele gosta da obra de Machado de
Assis, não do escritor)
Metáfora Continente pelo conteúdo: Os amigos
É uma comparação abreviada, que tomaram duas latas de cerveja. (tomaram a
dispensa o uso dos conectivos (= cerveja e não as latas)
conjunções) comparativos; é uma Parte pelo todo: O homem tem cem
comparação subjetiva. Normalmente vem cabeças de gato. (o homem tem cem bois)
com o verbo de ligação claro ou Concreto pelo abstrato: Meu filho tem
subentendido na frase. ótima cabeça. (meu filho é inteligente,
- Comparação: Consiste em aproximar esperto)
dois elementos que se identificam, ligados
por conectivos comparativos
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Língua Portuguesa
Figuras de Pensamento “Vejam só a honestidade desse
Processos estilísticos realizados na candidato: envolvido em três escândalos de
esfera do pensamento, dentro da frase. corrupção!
Possuem forte influência da emoção, do “Povo passando fome, falta emprego,
sentimento, da paixão. falta saúde; está tudo sob controle, segundo
os economistas”.
- Antítese: É a aproximação de palavras
ou expressões com sentido oposto. - Paradoxo: É chamada também de
“Aquele casal é uma coisa: vivem numa oxímoro. Trata-se do uso intencional de um
relação de amor e ódio”. contrassenso.
“O amor faz sorrir e faz chorar”.
- Apóstrofe: Uma interrupção feita para
se dirigir a pessoas ou coisas presentes ou - Prosopopeia: É conhecida também
ausentes, sejam reais ou fictícias. como personificação ou antropomorfismo.
“Meu filho! Como você ficou grande!” Seu uso implica na atribuição de
“Povo do Brasil! Vamos mudar este sentimentos ou ações humanizadas, típicas
país!” do ser humano, a um objeto, pessoa já
falecida, seres imaginários, animais.
- Eufemismo: É uma suavização da “A bandeira está dançando no vento”.
expressão de uma ideia triste ou “Que vergonha! Seu pai deve estar se
desagradável. O termo contundente acaba revirando no túmulo!”.
sendo substituído por uma palavra ou “Hoje o dia parece alegre”.
expressão mais branda, amena ou polida.
Em vez de dizer “Meu tio morreu”, fala- - Reticência: É a suspensão do
se “Meu tio foi desta para melhor”. pensamento, deixando-o encoberto.
Em vez de dizer “Ele foi fazer cocô”, “Quem sabe se eu fizer assim...”
fala-se “Ele foi fazer suas necessidades”.
Em vez de dizer “Ela mentiu”, fala-se - Retificação: Trata-se da retificação de
“Ela faltou com a verdade”. uma afirmação anterior.
“É um rapaz brilhante, ou melhor
- Gradação: Trata-se de uma sequência dizendo, é um crânio!”.
de ideias dispostas em sentido crescente ou
decrescente. Chama-se a crescente de Figuras sonoras
clímax e a decrescente de anticlímax. - Aliteração: Consiste na repetição do
“Os alunos chegaram, sentaram, mesmo fonema consonantal, geralmente em
abriram os cadernos, escreveram, tomaram posição inicial da palavra.
notas”.
- Assonância: Consiste na repetição do
- Hipérbole: Trata-se de afirmação de mesmo fonema vocal ao longo de um verso
maneira exagerada, deformando a verdade ou poesia.
na busca de um efeito expressivo.
“Estava morto de fome”. - Paronomásia: Emprego de vocábulos
“Fiquei plantado semanas na fila”. semelhantes na forma ou na prosódia, mas
diferentes no sentido.
- Ironia: Acontece quando dizemos o
contrário daquilo que realmente pensamos, - Onomatopeia: Consiste na imitação
geralmente com intenção sarcástica. aproximada de um ruído ou som produzido
“Nossa, mas que serviço maravilhoso!” por seres animados e inanimados.
(ao ver um serviço que foi feito de maneira
ruim)
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Língua Portuguesa
*Os verbos que exprimem os sons são - De número: Havia gente por todo lado,
considerados onomatopaicos, como e dançavam. (há a ideia de muitas pessoas,
cacarejar, tiquetaquear, miar etc. por isso dançavam, elas dançavam)
- De pessoa: Ela e eu vamos viajar. (ela
Figuras de construção ou de sintaxe + eu = nós)
São utilizadas para deixar uma oração
com mais expressividade, concisão ou Repetição ou reiteração
elegância. Apresentam construções que Trata-se de reiterar (repetir) palavras ou
fogem um pouco das estruturas regulares. orações, dando ênfase à afirmação ou
sugerindo insistência, progressão.
Elipse Tudo, tudo caro: caro e absurdo.
Consiste na omissão de um termo que
pode ser facilmente subentendido pelo Questões
contexto.
As janelas eram vermelhas e as portas, 01. (TRT/RS - Técnico Judiciário -
marrons e brilhantes. (elipse do verbo FCC/2022)
eram)
Sobre o amor, etc.
Pleonasmo
Uso de palavras redundantes que Dizem que o mundo está cada dia menor.
enfatizam uma expressão. É tão perto do Rio a Paris! Assim é na
Estou falando a verdade! Eu vi com verdade, mas acontece que raramente
meus próprios olhos! (só para ver com os vamos sequer a Niterói. E alguma coisa,
próprios olhos) talvez a idade, alonga nossas distâncias
sentimentais.
Polissíndeto Na verdade, há amigos espalhados pelo
Repetição intencional de um conectivo mundo. Antigamente era fácil pensar que a
coordenativo. vida oferecia uma perspectiva infinita e nos
A mulher canta, e dança, e pula, e gira. sentíamos contentes achando que um dia
estaríamos todos reunidos em volta de uma
Inversão mesa farta e então tudo seria bom. Agora
Alteração da ordem normal dos termos. começamos a aprender o que há de
Esperança, desisti de ter. irremissível nas separações.
Agora sabemos que jamais voltaremos a
Anacoluto estar juntos; pois quando estivermos juntos
Quebra ou interrupção do fio de uma perceberemos que já somos outros e
frase, deixando termos desligados estamos separados pelo tempo perdido na
sintaticamente do resto do período, sem distância. Poderemos falar, falar, para nos
qualquer função. correspondermos por cima dessa muralha
Esses eletrodomésticos de hoje não se dupla; mas não estaremos juntos; seremos
pode confiar neles. duas outras pessoas, talvez por este motivo,
melancólicas.
Silepse Chamem de tolo ao apaixonado que
A concordância não ocorre com os sente ciúmes quando ouve sua amada dizer
termos, mas sim com a ideia em nossa que na véspera de tarde o céu estava
mente associadas a eles. lindíssimo. Se ela diz “nunca existirá um
- De gênero: São Paulo é violenta. (a céu tão bonito assim” estará dando,
cidade de São Paulo é violenta) certamente, sua impressão de momento; há
centenas de céus extraordinários. Ele
porém, na véspera, estava dentro de uma
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Língua Portuguesa
sala qualquer e não viu céu nenhum. Se 02. (Prefeitura de Várzea - Médico
acaso tivesse chegado à janela e visto, agora Clínico Geral - EDUCA/2022)
seria feliz em saber que em outro ponto da
cidade ela também vira. Mas isso não
aconteceu, e ele tem ciúmes. Sente que sua
amada foi infiel; ela incorporou a si mesma
alguma coisa nova que ele não viveu. Será
um louco apenas na medida em que o amor
é loucura.
É horrível levar as coisas a fundo. O
amigo que procura manter suas amizades
distantes e manda longas cartas
sentimentais tem sempre um ar de náufrago
fazendo um apelo. Naufragamos a todo
instante no mar bobo do tempo e do espaço,
entre as ondas de coisas de todo dia.
Assim somos na paixão do amor,
absurdos e tristes. Por isso nos sentimos tão
felizes e livres quando deixamos de amar.
Que maravilha, que liberdade sadia em
poder viver a vida por nossa conta!
Sentimo-nos fortes, sólidos e tranquilos.
Até que começamos a desconfiar de que
estamos sozinhos, trancados do lado de fora
da vida. A figura de linguagem que aparece no
(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Melhores crônicas. Global primeiro quadrinho é
Editora, edição digital)
(A) Perífrase.
Identifica-se uma hipérbole no seguinte (B) Onomatopeia.
trecho: (C) Catacrese.
(A) Chamem de tolo ao apaixonado que (D) Ironia.
sente ciúmes (5º parágrafo) (E) Eufemismo.
(B) “nunca existirá um céu tão bonito
assim” (5º parágrafo) Gabarito
(C) Agora sabemos que jamais
voltaremos a estar juntos (4º parágrafo) 01. B - 02. B
(D) Assim somos na paixão do amor (7º
parágrafo) Morfologia: classificação e emprego de
(E) Sentimo-nos fortes, sólidos e classes gramaticais (substantivo, adjetivo,
tranquilos (7º parágrafo) artigo, numeral, pronomes, verbos,
advérbios, preposição, conjunção,
interjeição);
As classes de palavras, ou classes
gramaticais, classificam, agrupam e
apresentam as funções das palavras da
Língua Portuguesa. A análise de cada uma
das classes de maneira isolada faz parte da
morfologia. A análise de seus usos e
funções dentro de uma oração faz parte da
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Língua Portuguesa
sintaxe. Aqui você estará estudando tanto as deriva de pedra, ou seja, um substantivo
classes de palavras no nível da morfologia primitivo, visto que não deriva de nenhuma
quanto no nível da sintaxe, ou seja, será um outra palavra.
estudo morfossintático. Para uma maior Quando indicar um conjunto de uma
compreensão da questão da sintaxe, é muito mesma espécie, temos um substantivo
importante estudar também a oração e o coletivo: matilha, rebanho, tripulação.
período.
O substantivo, o artigo, o adjetivo, o Algumas palavras podem se tornar
numeral, o pronome e o verbo são classes substantivos quando um artigo vier antes
variáveis, ou seja, flexionam. Costuma-se delas:
chamar, com exceção do verbo, a flexão O cair da noite é lindo. (o verbo, aqui,
dessas classes de flexão nominal. A flexão não possui função de verbo, mas tornou-se
verbal é, obviamente, a flexão dos verbos. um substantivo e sujeito da oração)
As demais classes são invariáveis, ou A bonita pensa que é quem? (o adjetivo
seja, não flexionam. tornou-se substantivo)
SUBSTANTIVO Os substantivos podem flexionar em
Com o substantivo, nomeamos coisas e gênero: feminino e masculino. O mais
seres em geral. São substantivos: nomes de comum é o masculino terminar com o átono
pessoas, animais, coisas, lugares, vegetais, e o feminino com a átono.
instituições. Existem substantivos sobrecomuns, que
Uma palavra de outra classe que são aqueles que só possuem um gênero
desempenhar alguma dessas funções terá a tanto para o masculino, quanto para o
equivalência de um substantivo. feminino: a criança, a vítima, o algoz, o
O substantivo pode ser concreto quando cônjuge, etc.
se refere a coisas reais, concretas. Quando Existem os epicenos, que possuem
o substantivo se refere a alguma ação, ação, apenas um gênero para animais de ambos os
qualidade ou estado (coisas que não são sexos: a águia, a baleia, o besouro, o
concretas), ele será abstrato. condor.
gato e árvore são concretos; Existem aqueles com apenas um gênero
consciência e instrução são abstratos. para nomear coisas: o vento, a rosa, a
alface, a alma, o livro.
Quando for possível utilizar o Existem alguns que terminam com a mas
substantivo para se referir a uma totalidade são masculinos: o clima, por exemplo.
ou a uma abstração, ele será comum. Caso Existem aqueles com apenas uma forma
faça referência a um indivíduo em para ambos os gêneros. O que indicará o
específico, será próprio. gênero será o artigo que precede o
homem, casa e país são comuns, pois substantivo: o agente, a agente; o jornalista,
fazem referência a uma totalidade; a jornalista; o artista, a artista; etc.
José, Londres e Brasil são próprios, pois Certos substantivos possuem formas
José é um indivíduo único, e só há uma exclusivas para o masculino e para o
Londres, assim como um Brasil. feminino, sendo pares opostos
semanticamente: cabra/bode; boi/vaca;
Quando o substantivo possui apenas um homem/mulher; cavalo/égua; etc.
radical, ele é simples: bola, cola. Em muitos casos, o feminino acontece
Quando possui mais de um radical, é quando se suprime a vogal temática o ou e:
composto: guarda-roupas, cachorro- mestre, mestra; lobo, loba.
quente. Existem casos nos quais o masculino
Quando o substantivo deriva de alguma termina em ão. O feminino pode aparecer
palavra, ele é derivado: pedreiro, que
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Língua Portuguesa
com ao: leão, leoa; pavão, pavoa; anfitrião, Certos substantivos só são usados no
anfitrioa (anfitriã); etc. plural, como: óculos, núpcias, copas (naipe
Com ã: cortesão, cortesã; alemão, de baralho), etc.
alemã; pagão, pagã; etc. No caso dos diminutivos -zinho e -zito, o
Com ona: respondão, respondona; s deve sair para a entrada dos sufixos: pés,
valentão, valentona; solteirão; solteirona; pezinhos.
etc.
Existem casos que não seguem essas No caso dos substantivos compostos, o
regras: cão/cadela; ladrão/ladra; plural pode ocorrer nos dois elementos
barão/baronesa; etc. unidos por hífen:
Alguns substantivos apresentam gênero - Quando houver dois substantivos:
duplo: a personagem, o personagem; a tio-avô - tios-avôs
pijama, o pijama; etc.
- Quando houver um substantivo e um
Quando for masculino, é antecedido pelo adjetivo:
artigo o ou os. Caso seja feminino, pelos água-viva - águas-vivas
artigos a, as.
O menino. - Quando houver um adjetivo e um
A menina. substantivo:
curta-metragem - curtas-metragens
Também podem flexionar em número,
indicando singular ou plural. A letra s (às - Quando houver um numeral e um
vezes es) marca o plural. substantivo:
Menino, singular; terça-feira - terças-feiras
Meninos, plural.
Quando terminar em vogal ou ditongo, o *Existem exceções à regra:
s marca o plural: pai, pais; café, cafés. grão-mestres, grã-cruzes, grã-finos,
Quando terminar em em, im, om, ou um, terra-novas, claro-escuros (ou claros-
o s marca o plural: harém, haréns; capim, escuros), nova-iorquinos, os nova-
capins; dom, dons; atum, atuns. (repare que trentinos, são-bernardos, são-joanenses,
o m sai para a entrada de n + s). cavalos-vapor.
Quando terminar em r, z, n ou s, o es
marca o plural: lugar, lugares; paz, pazes; A variação pode ocorrer apenas no
abdômen, abdômenes (ou abdomens); último elemento:
inglês, ingleses. - Quando não houver hífen unindo as
Quando terminar em al, el, ol, ul, o l dá palavras:
lugar para is: real, reais; anel, anéis; lençol, girassol - girassóis
lençóis; paul, pauis.
Quando terminar em il, caso seja tônico, - Quando houver um verbo e um
dá lugar para is, caso seja átono, para eis: substantivo:
fuzil, fuzis; réptil; répteis. lava-louça - lava-louças
Quando terminar em ão, o plural pode
ser marcado por: - Quando houver palavra invariável e
ões: balão, balões; peão, peões; etc. uma variável:
ãos: cidadão, cidadãos; grão, grãos; recém-nascido - recém-nascidos
acórdão, acórdãos; etc.
ães: pão, pães; guardião, guardiães; - Quando a segunda palavra for uma
tabelião, tabeliães; etc. repetição da primeira:
bate-bate - bate-bates
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Língua Portuguesa
A variação pode acontecer somente no Pode também ser analítico, mas, neste
primeiro elemento: caso, com o adjetivo pequeno e
- Quando houver um substantivo, uma semelhantes: Você pode dar uma pequena
preposição e outro substantivo: entrada e dividir o restante.
mão-de-vaca - mãos-de-vaca
O substantivo possui algumas funções
- Quando o segundo elemento sintáticas dentro de um texto:
determinar ou limitar o primeiro, apontando Sujeito: O cachorro subiu no sofá.
uma semelhança, um tipo ou fim, como se Predicativo do sujeito: Carla é
fosse um adjetivo: professora.
peixe-boi – peixes-boi Predicativo do objeto: A menina achou
o moço bonito.
Os dois elementos podem permanecer Objeto direto: Eu decifrei o enigma.
invariáveis: Objeto indireto: Eu concordo com
- Quando houver verbo e advérbio: Maria.
o bota-fora - os bota-fora Complemento nominal: Rita tem pavor
de abelhas.
- Quando houver um verbo e um Aposto: João, o pai, veio aqui.
substantivo no plural: Vocativo: Garçom, traga mais uma
o saca-rolhas - os saca-rolhas rodada!
É empregado em locuções adjetivas:
Os substantivos também podem Estava com cólica de rim. (renal)
flexionar em grau, aumentativo ou E em locuções adverbiais: Saiu de
diminutivo. manhã.
O aumentativo indica um tamanho
maior, pode ser sintético, quando formado ARTIGO
por sufixos aumentativos: O artigo é uma palavra que é colocada
ão: cavalão antes do substantivo, determinando-o ou
aça: barcaça indeterminando-o.
alha: fornalha O artigo pode ser definido: a, o, as, os:
açõ: ricaço A moça; O rapaz; As moças; Os rapazes.
ona: meninona - Encontrei-me com o padre. (nessa
uça: dentuça firmação, o artigo define o padre, fia
uço: dentuço subtendido se tratar de um conhecido, um
padre em específico)
Caso o aumentativo ocorra com a ajuda
de um adjetivo como grande e semelhantes, O artigo pode ser indefinido: uma, um,
temos o aumentativo analítico: umas, uns:
Uma grande promoção; Uma coisa; Umas coisas; Um negócio;
Inteligência enorme. Uns negócios.
- Encontrei-me com um padre. (nesta
O diminutivo indica que algo é menor, afirmação, o artigo deixa o substantivo
ou pode ser utilizado como forma indefinido, já que esse tal padre pode ser
carinhosa. qualquer um, não sendo especificado)
Assim como o aumentativo, pode ser *Os artigos indefinidos podem
sintético: transmitir uma ideia de imprecisão,
inho: Marquinho justamente por serem indefinidos.
inha: casinha
ejo: vilarejo Além de flexionar em número, os artigos
eta: banqueta também flexionam em gênero e devem
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Língua Portuguesa
estar de acordo com o gênero e número do A camisa xadrez. (característica da
substantivo: camisa, adjetivo, modificando o
Masculino: no, nos, do, dos, ao, aos, substantivo)
num, nuns, pelo, pelos. O xadrez da camisa. (substantivação do
Feminino: na, nas, da, das, à, às, numa, adjetivo, pois tornou-se termo nuclear da
numas, pela, pelas. oração, que no exemplo anterior era
camisa)
A função sintática do artigo é a de
adjunto adnominal. Aparece junto ao Expressões formadas por uma ou mais
substantivo, concordando em número e palavras podem ter a equivalência de um
gênero. adjetivo, são chamadas de locução adjetiva:
Além disso, o artigo pode substantivar Presente de grego (preposição +
certas classes de palavras, ou seja, faz com substantivo)
que certas palavras desempenhem papel de Eixo de trás (preposição + advérbio)
substantivo.
O dourado é muito mais bonito que o O adjetivo pode flexionar em número,
prateado. (dourado e prateado são singular ou plural. O número estará de
adjetivos, mas, nesta frase, funcionam acordo com o substantivo que ele modifica:
como substantivos, pois há o artigo o Chocolate gostoso; Chocolates gostosos.
determinando-os)
Quando terminar em vogal ou ditongo, o
ADJETIVO s marca o plural: pobre, pobres; mau, maus.
É comum dizer que o adjetivo expressa *Caso a terminação seja nasal, vogal ou
uma qualidade, mas dizer que alguém é ditongo, o m dá lugar ao n + s: bom, bons;
ruim não é bem uma qualidade. Sendo ruim; ruins.
assim, o mais correto seria dizer que o Quando terminar em r, z ou s, o es marca
adjetivo modifica o substantivo. o plural: espetacular, espetaculares; eficaz,
Menino (substantivo) eficazes; escocês, escoceses.
Menino alto (substantivo + adjetivo) Quando terminar em al, ol, ul, o plural é
No primeiro exemplo é apenas menino, marcado por ais, óis, uis, respectivamente:
no segundo, menino alto, ou seja, o mortal, mortais; mongol, mongóis; azul,
substantivo foi modificado pelo adjetivo. azuis.
Quando terminar em el, éis marca o
A posição do adjetivo pode dar um plural: cruel, cruéis. No caso dos átonos,
significado distinto à frase: usa-se eis: inteligível, inteligíveis.
Pedro é um menino grande. (ele é um Quando terminar em il, is marca o plural:
menino alto) anil, anis. Quando for átono, usa-se eis:
Pedro é um grande menino. (é um fácil, fáceis.
menino com virtude, não se trata mais de Quando terminar em ão, o plural fica em
altura) ões: bonitão, bonitões. Mas existem
exceções, como alguns que terminam em
Um chinês velho meditava. (um chinês ães: alemães, charlatães, catalães. E outros
que é velho meditava, o núcleo é chinês, que terminam em ãos: cristãos, pagãos,
velho é determinante) vãos.
Um velho chinês meditava. (um velho
que é chinês meditava, o núcleo é velho, No caso dos adjetivos compostos,
chinês é determinante) formados por dois elementos, somente o
último fica no plural:
O adjetivo pode se tornar um substantivo Tecidos verde-escuros.
quando um artigo o anteceder:
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Língua Portuguesa
*surdo-mudo é uma exceção, sendo
surdos-mudos, assim como cores que No caso do superlativo, ele pode ser
possuam no segundo elemento um absoluto sintético quando apresentar um
substantivo, ficando ambos invariáveis: grau elevado de certa qualidade:
papéis verde-piscina. Meu pai é boníssimo. (bondade em um
grau elevado)
O adjetivo flexiona em gênero, Mas pode ser uma característica ruim, ou
masculino e feminino, de acordo com o talvez um defeito:
substantivo que modifica: Aquele rapaz é burríssimo.
Menino alto. O superlativo pode ser absoluto
Menina alta. analítico, quando palavras que indicam
intensidade são empregas, tais quais
Certos adjetivos possuem a mesma extremamente, muito, etc.:
forma para os dois gêneros, como os que A maçã é muito gostosa.
terminam em u: hindu, zulu; os que O dia está extremamente quente.
terminam em ês: cortês, descortês, montês
e pedrês; os que terminam em or: anterior, Pode ser relativo, quando a qualidade do
posterior, inferior, superior, interior, ser ou coisa se sobressair perante a um
multicor, incolor, sensabor, melhor, pior, grupo:
menor. Pelé é o jogador mais lembrado do
*Para a regra acima, com exceção dos Santos. (de todos os jogadores que já
adjetivos supracitados, basta colocar um a passam pelo clube, o mais lembrado deles é
na frente do masculino para torna-lo Pelé)
feminino: Esse é um caso de superlativo relativo
Homem nu; Mulher nua; de superioridade. Seria de inferioridade de
Homem escocês; Mulher escocesa; a frase fosse: Pelé é o jogador menos
Homem trabalhador; Mulher lembrado do Santos.
trabalhadora.
Arqui, extra, hiper e super também são
O adjetivo pode, ser uniforme, ou seja, formas de superlativo:
apresenta apenas uma forma para ambos os Arqui-inimigo; extracurricular;
gêneros: hipermercado; superelegante.
Garota exemplar; Garoto exemplar;
Escolha feliz; Lugar feliz. Bom, mal, grande e pequeno são
adjetivos com comparativos e superlativos
O adjetivo pode flexionar em grau, anômalos.
comparativo ou superlativo. Comparativo de superioridade:
Comparativo: faz uma comparação melhor, pior, maior, menor.
entre duas coisas referente a uma Superlativo relativo: ótimo, péssimo,
determinada qualidade, em grau inferior, máximo, mínimo.
igual ou superior: Superlativo absoluto: o melhor, o pior,
O pão custa menos que a carne. o maior, o menor.
A prata brilha tanto quanto o ouro.
O dólar vale mais que o real. Em termos sintáticos, no texto o adjetivo
pode desempenhar as funções de adjunto
Tal comparação pode ocorrer entre duas adnominal ou de predicativo.
qualidades de um mesmo ser ou coisa: Adjunto adnominal: o adjetivo
O copo está menos vazio que cheio. modifica o sujeito sem necessidade de
Jonas é tão orgulhoso quanto valente. verbo.
O copo está mais vazio que cheio.
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Língua Portuguesa
A moça bonita saiu para passear. (moça como os de 3ª pessoa. Ele vai; Você vai;
é núcleo do sujeito e o adjetivo bonita o Eles vão; Vocês vão.
modifica) *Estes também são chamados de
Predicativo do sujeito: o adjetivo pronomes retos, pois podem funcionar
modifica o sujeito por meio de um verbo. como sujeitos da oração: Eles queriam fazer
Joel ficou triste com o resultado. (triste bagunça.
modifica o substantivo Joel, que o sujeito Podem funcionar como predicativo
da oração) também: O problema sou eu.
Predicativo do objeto: o adjetivo
modifica o sujeito o objeto através por meio Os oblíquos funcionam como objetivos
de um verbo transitivo. ou complementos:
O turista achou o passeio maravilhoso. 1ª pessoa singular: me, mim, comigo;
(maravilhoso modifica o substantivo 2ª pessoa singular: te, ti, contigo;
passeio, que é o núcleo do objeto direto) 3ª pessoa singular: se, si, consigo, lhe, o,
a;
PRONOME 1ª pessoa plural: nos, conosco;
Em uma oração, o pronome pode: 2ª pessoa plural: vos, convosco;
- Representar um substantivo, sendo um 3ª pessoa plural: se, si, consigo, lhes, os,
pronome substantivo: as.
Havia um menino parado, que olhava Sintaticamente, no texto, ele, ela, nós,
para o outro lado da rua. (neste caso, o eles e elas podem exercer a função de:
pronome substituiu o substantivo, para, Agente da passiva: O almoço foi feito
assim, evitar sua repetição) por ele.
Sintaticamente, no texto pode apresentar Complemento nominal: Rita tinha
a função de: saudade de mim.
Sujeito: Ela é má. Complemento verbal: Solicitei a ela
Objeto indireto: Relatei o caso para mais empenho.
eles.
Já a, as, o, os podem ter a função de
- Pode acompanhar um substantivo, complemento do verbo transitivo direto.
sendo um pronome adjetivo: Marcos a abraçou.
Na minha visão, é uma má ideia. (o Lhe e lhes podem ter a função de
pronome determina o significado do complemento do verbo transitivo indireto.
substantivo, ou seja, não é qualquer visão, O menino lhe obedeceu com facilidade.
mas minha visão) Já me, te, se, no e vos podem ter a função
Sintaticamente, no texto pode apresentar de objeto direto ou objeto indireto.
a função de: Abraçou-me com carinho. (objeto
Adjunto adnominal: Meu bairro é direto)
sossegado. Obedeceu-nos sem chororô. (objeto
indireto)
Pronomes pessoais: indicam a pessoa
do discurso: *Os pronomes pessoais da 2ª pessoa não
1ª pessoa, quem fala: eu (singular), nós são mais usados, ou, quando são, não
(plural); apresentam a conjugação verbal correta. É
2ª pessoa, com quem se fala: tu mais comum utilizar você/vocês, que
(singular), vós (plural); equivalem à 3ª pessoa, mas se referem à 2ª
3ª pessoa, de quem ou de que se fala: ele, pessoa do discurso.
ela (singular), eles, elas (plural).
Você e vocês servem para indicar a 2ª Em relação à tonicidade, o pronome
pessoa do discurso, mas se comportam pode ser:
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Língua Portuguesa
Tônico: mim, ti, si; Pronomes possessivos: indicam posse e
Átonos: me, te, se, lhe, lhes, o, a, os, as, se referem à pessoa do discurso.
nos, vos. 1ª pessoa singular: meu, minha, meus,
minhas;
Quando o pronome é da mesma pessoa e 2ª pessoa singular: teu, tua, teus, tuas;
faz referência ao próprio sujeito da oração, 3ª pessoa singular: seu, sua, seus, suas;
chama-se oblíquo reflexivo. Tirando o, a, 1ª pessoa plural: nosso, nossa, nossos,
os, as, lhe, lhes, os demais oblíquos podem nossas;
ser reflexivos: 2ª pessoa plural: vosso, vossa, vossos,
Maria fala de si o tempo todo. vossas;
3ª pessoa plural: seu, sua, seus, suas.
Pronomes de tratamento: são Podem exercer no texto, sintaticamente,
utilizados para se dirigir a pessoas de a função de adjunto adnominal ao
maneira respeitosa, dependendo do grau de acompanharem o substantivo:
formalidade ou do cargo exercido. Minha rua é esburacada. (adjunto
Vossa Alteza: príncipes, arquiduques, adnominal do sujeito)
duques (abreviatura V.A.); Aquela é a minha rua. (adjunto
Vossa Eminência: Cardeais adnominal do predicativo do sujeito)
(abreviatura V.Em.ª);
Vossa Excelência: Altas autoridades do Pronomes demonstrativos: indicam
Governo e das Forças Armadas (abreviatura posição lugar ou a posição da pessoa do
V.Ex.ª); discurso.
Vossa Magnificência: Reitores das Variáveis masculinos: este, estes, esse,
Universidades (abreviatura V.Mag.ª); esses, aquele, aqueles;
Vossa Majestade: Reis, imperadores Variáveis femininos: esta, estas, essa,
(abreviatura V.M.); essas, aquela, aquelas;
Vossa Excelência Reverendíssima: Invariáveis: isto, isso, aquilo.
Bispos e arcebispos (abreviatura V.Ex.ª
Rev.mª); Indicando aquilo que está próximo:
Vossa Paternidade: Abades, superiores Veja bem, estas são minhas mãos.
de conventos (abreviatura V.P.); (objeto próximo do falante)
Vossa Reverência (V.Rev.ª) ou Vossa Pode indicar o tempo presente, ou que
Reverendíssima (V.Rev.mª): Sacerdotes está próximo:
em geral; Esta semana será produtiva! (a semana
Vossa Santidade: Papa (abreviatura atual)
V.S.);
Vossa Senhoria: funcionários públicos Indicando aquilo que está próximo da
graduados, pessoas de cerimônia pessoa a quem se fala:
(abreviatura V.S.ª). Veja bem, essas são suas mãos. (objeto
Você: utilizado com pessoas familiares, está próximo da pessoa a quem se fala)
em relações sem grau de formalidade. Pode indicar o tempo passado:
*Ao se referir na 2ª pessoa, a quem se Eu me lembro bem, esse dia foi maneiro.
fala, é utilizado o verbo na 3ª pessoa: (um dia que já se foi, está no passado)
Vossa Excelência é capaz de tomar sua
decisão sem interferências externas. Indicando algo que está longe de quem e
Ao se referir na 3ª pessoa, de quem se a quem se fala:
fala, o possessivo torna-se Sua: Aquele homem, perto do poste, é meu
Sua Alteza solicita uma reunião urgente vizinho.
com o cardeal. Indica um passado muito remota,
distante:
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Língua Portuguesa
Os dinossauros viveram há milhões de Objeto direto: Rafael fez o curso, que
anos. Naquele tempo o planeta Terra era Marcos indicou. (Rafael fez o curso /
diferente. Marcos indicou o curso)
Objeto indireto: João falou sobre a
Os variáveis podem, no texto, ter a causa com a qual Rita simpatiza. (João
função sintática de um substantivo ou de falou sobre a causa / Rita simpatiza com a
um adjetivo. causa)
Minha casa é aquela. (predicativo) Adjunto adnominal: O rapaz cujo pai é
Esta tarefa é difícil. (adjunto adnominal) matemático quer ser literato. (O rapaz quer
Os invariáveis podem desempenhar a ser literato / O pai do rapaz é matemático)
função de um substantivo. Adjunto adverbial: Já visitei a cidade
Isso é perfeito. (sujeito) onde você vive. (Visitei a cidade / Você
Ele disse aquilo. (objeto direto) vive em uma cidade)
Ela necessita disso. (objeto indireto) Agente da passiva: O quadro que
Gabriela pintou ficou lindo. (O quadro é
Pronomes relativos: fazem referência a lindo / O quadro foi pintado por Gabriela)
um substantivo já mencionado.
Variáveis masculinos: o qual, os quais, Pronomes interrogativos: Fazem
cujo, cujos, quanto, quantos; referência à 3ª pessoa e são utilizados em
Variáveis femininos: a qual, as quais, frases interrogativas.
cuja, cujos, quanta, quantas; Por que fez isso?; Que horas são?; Quem
Invariáveis: quem, que, onde. disse?; Qual será seu pedido?; Quantos
anos tem?; Quantas horas serão
Cujo e cuja têm o mesmo valor de do necessárias?.
qual, da qual e só pode aparecer antes de
um substantivo sem artigo: O interrogativo quem pode funcionar
O apresentador, cujo nome não me como sujeito ou objeto indireto. Ou seja,
recordo, foi demitido. (O apresentador, do pode ter a função sintática de um
qual o nome não me recordo, foi demitido.) substantivo.
Quem falou isso? (sujeito)
Quem só pode ser utilizado com pessoas Quem produziu essa música? (objeto
e uma preposição sempre o antecede: direto)
Aquele moço, de quem meu pai nos
falou, abriu uma empresa. O interrogativo qual pode funcionar
como adjunto adnominal.
Onde equivale a em que: Qual carro é o seu?
A cidade onde nasci é pequena. (A
cidade em que nasci é pequena.). O interrogativo que pode funcionar com
adjunto adnominal, com função adjetiva.
Sintaticamente, no texto podem Que conversa foi essa? (que tipo de)
desempenhar a função de:
Sujeito: Fábio, que é esperto, venceu na O interrogativo quanto pode funcionar
vida. (Fábio venceu na vida / Fábio é como adjunto adnominal, acompanhando
esperto) um substantivo (como geralmente faz).
Predicativo: Caio é o profissional, que Quantos cachorros ela tem?
muitos respeitam. (Caio é o profissional /
Muitos respeitam o profissional) Pronome indefinido: faz referência à 3ª
Complemento nominal: Ele tem medo pessoa, seja no singular ou plural. Não faz
que os gatos arranhem. (Ele tem medo de referência a algo em específico, por isso o
gato / Os gatos arranham)
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Língua Portuguesa
indefinido. Indicam algo indeterminado, Podem flexionar em número e gênero:
impreciso. sexto, sexta; décimo, décima.
Alguém em casa? sextos, sextas; décimos, décimas.
Qualquer, cada, quem, ninguém, outro,
algum, nenhum, muito são exemplos de - Multiplicativo: indica o aumento
pronomes indefinidos. proporcional de uma quantidade:
Sintaticamente, no texto podem ter a Meu irmão tem o dobro da idade do meu
função de um substantivo, caso primo.
desempenhem a função de pronomes
substantivos. Caso possua valor de substantivo, é
Alguém fez isso. (função de sujeito) invariável. Quanto apresenta valor de
Caso exerçam a função de um pronome adjetivo, pode flexionar em número e
adjetivo, apresentaram a função sintática de gênero:
um adjetivo. Tomou três doses duplas de whisky.
Cada pessoa pensa o que quiser.
(adjunto adnominal) Os multiplicativos dúplice, tríplice e etc.
podem variar em número:
NUMERAL Formaram alianças tríplices.
Indica quantidade, ordem e lugar em
uma série. Pode ser: - Fracionário: indica diminuição
- Cardinal: os números básicos (um, proporcional de uma quantidade:
dois, três...), que indicam quantidade em si Quitei três quintos do financiamento.
mesma:
Cinco e cinco são dez. (veja que neste O emprego dos fracionários deve
caso os numerais funcionam como concordar com os cardinais quanto indicar
substantivos) número das partes:
Podem indicar também a quantidade de O despertador marcava dez e um quinto.
algo, acompanhando o substantivo:
Três pratos de trigo para três tigres Meio ou meia deve concordar em gênero
famintos. com aquilo que a quantidade da fração está
designando:
Flexiona em gênero os cardinais um e Estava a um passo e meio de distância.
dois, assim como as centenas a partir de Até às dez e meia da noite haverá tempo.
duzentos:
uma, duas; duzentos, duzentas. - Coletivo: indicam um conjunto de seres
ou coisas, dando o número exato: dezena,
Flexiona em número milhão, bilhão, década, dúzia, novena, centena, cento,
etc.: milhar, milheiro, par.
Dois trilhões.
Flexionam-se em número:
Ambos pode substituir os dois e flexiona centena, centenas; par, pares.
em gênero:
Ambos os técnicos se estranharam. É possível flexionar os numerais em
Foi perfurar uma orelha e acabou grau, aumentativo e diminutivo, assim
perfurando ambas. como os substantivos. Ao fazer isso, aplica-
se uma ênfase sobre o numeral.
- Ordinal: ordena, em uma série, uma Me dá uma chance. Só umazinha! - Aqui
sucessão de seres ou coisas: uma está no diminutivo. Ao falar dessa
O piloto brasileiro foi o primeiro forma, há uma ênfase no pedido, para tentar
colocado no Grande Prêmio. tocar o sentimento do interlocutor.
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Língua Portuguesa
Foi muito caro! Paguei cinquentão! - Infinitivo pessoal (quando houver
Aqui cinquenta está no aumentativo. Essa sujeito) - É necessário repensarmos os
ênfase indica que o preço, para quem fala, nossos hábitos.
foi muito caro. Não foi apenas cinquenta, Infinitivo impessoal (quando não
mas cinquentão, isto é, não foi barato. houver sujeito) - Eles pediram para
participar no trabalho.
Sintaticamente, em um texto o numeral Gerúndio - Estou estudando.
pode substituir um substantivo. Particípio - Havia estudado.
Sujeito: Dois é mais que um.
Predicativo do sujeito: O número da Os verbos apresentam a flexão de
sorte é treze. tempo. Existe o tempo presente, que indica
Objeto direto: Acertei duas respostas e que o fato ocorre no momento atual. Existe
ela acertou cinco. o tempo pretérito, que indica fato ocorrido
Pode ter a função de adjunto adnominal no passado. Existe o tempo futuro, que
quando acompanhar o substantivo. indica que o fato ainda vai ocorrer.
Dois funcionários chegaram tarde. No modo indicativo e no subjuntivo, o
pretérito divide-se em imperfeito, perfeito
VERBO e mais-que-perfeito.
Palavra que expressa ação, estado, fato No modo indicativo, o futuro divide-se
ou fenômeno. O verbo é indispensável na em do presente e do pretérito. No
organização do período. Na oração, sua subjuntivo, em simples e composto.
função obrigatória é a de predicado. O tempo presente é indivisível.
Pode flexionar em número e pessoa:
1ª pessoa (singular): Eu canto Vozes do verbo
1ª pessoa (plural): Nós cantamos Pode flexionar na voz. O fato que o
2ª pessoa (singular): Tu cantas verbo expressa pode ser representado na
2ª pessoa (plural): Vós cantais voz ativa, voz passiva ou voz reflexiva. Na
3ª pessoa (singular): Ele canta / Você voz ativa temos um objeto direto, que se
canta torna o sujeito da voz passiva. No caso da
3ª pessoa (plural): Eles cantam / Vocês voz reflexiva, tanto o objeto direto quanto
cantam o indireto são a mesma pessoa do sujeito.
*Veja que as pessoas correspondem aos Apenas os verbos transitivos permitem
pronomes pessoais. transformação de voz.
Ação praticada pelo sujeito, voz ativa:
Pode também flexionar em modo, que Carla abriu o livro.
são as diferentes formas de um verbo se Ação sofrida pelo sujeito, voz passiva:
realizar: O livro foi aberto por Carla.
Modo indicativo - expressa um fato Ação praticada e sofrida pelo sujeito:
certo: Carla cortou-se.
Vou amanhã.; Dormiram tarde.
Modo imperativo - expressa ordem, A voz passiva pode ser expressa:
pedido, proibição ou conselho: Com o verbo auxiliar ser e o particípio
Venha aqui,; Não faça isso.; Sejam do verbo que se deseja conjugar - O livro foi
cuidadosos. aberto por Carla.
Subjuntivo - expressa um fato possível, Ou com o pronome apassivador se e uma
hipotético, duvidoso: terceira pessoa verbal, tanto no singular
É provável que faça sol. quanto no plural, que esteja em
concordância com o sujeito:
Os verbos também possuem formas Não se vê uma nuvem no céu. (= não é
nominais, que são: vista uma nuvem no céu)
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Língua Portuguesa
A voz reflexiva aparece quando formas A função do verbo pode ser a de
da voz ativa se juntam aos pronomes principal, que significa que o verbo
oblíquos me, te, nos, vos e se (seja no mantém seu significado total:
singular ou no plural): Comi pão.
Eu me cortei. (Eu cortei a mim mesmo) Quando o verbo é combinado com
formas nominais de um verbo principal,
Quando o acento tônico recai no radical constituindo uma conjugação composta do
de certas formas verbais, temos as formas mesmo, perde seu significado próprio. Esse
rizotônicas: falam, andem, pergunte. verbo possui a função de auxiliar:
Quando o acento tônico recai na Tenho comido pão.
terminação, temos as formas * Os auxiliares de uso mais comum são
arrizotônicas: falamos, falemos. ter, haver, ser e estar.
Classificação Estrutura do verbo
Os verbos são classificados em: O verbo possui um radical que é
Regulares - acordar, beber e abrir são geralmente invariável, e uma terminação
verbos regulares, pois a flexão dos mesmos que pode variar para indicar o modo e o
segue um certo padrão. Podemos dizer que tempo, a pessoa e o número:
falar pertence à 1ª conjugação, fazer, à 2ª, e fal- (radical) ar (terminação) = falar;
mentir à 3ª. faz- (radical) er (terminação) = fazer;
Irregulares - são verbos que não abr- (radical) ir (terminação) = abrir
seguem esse padrão estabelecido pelos
regulares, como, por exemplo, averiguar, Os verbos possuem uma vogal temática,
haver, medir, etc. que indica a conjugação. Há também a
*Os verbos são irregulares quando desinência verbo-temporal, que expressa
apresentam alterações nos radicais e nas o modo e o tempo do verbo: em
terminações verbais. “falássemos” o elemento destacado no
haver - houve: houve uma alteração no verbo indica o tempo pretérito imperfeito
radical hav-, que virou houv-. O verbo do subjuntivo. Além disso, há a desinência
haver é irregular número-pessoal, que indica a pessoa e o
dar - dou: houve alteração na número: em abrimos, a flexão -mos indica
terminação, -ar para -ou. O verbo dar é primeira pessoa do plural.
irregular.
Alguns verbos, como os da 1ª Conjugação do verbo
conjugação com radicais terminados em g, Quando conjugamos um verbo, fazemos
precisam mudar de letra em certas uso de todos os seus modos, tempos,
conjugações: chegar - cheguei. Essa é uma pessoas, números e vozes. Conjugar é
necessidade gráfica, parar manter a agrupar as flexões do verbo de acordo com
uniformidade da pronúncia. Caracteriza-se uma ordem. Existem três conjugações, que
como uma discordância gráfica, não como são marcadas pela vogal temática:
uma irregularidade verbal. 1ª conjugação vogal temática a:
fal-a-r, and-a-r, cant-a-r.
Defectivos - são verbos como abolir e 2ª conjugação vogal temática e:
falir, que não possuem algumas formas. faz-e-r, com-e-r, bat-e-r.
Abundantes - apresentam duas ou mais 3ª conjugação vogal temática i:
formas equivalentes. A abundância abr-i-r, part-i-r, sorr-i-r.
acontece do particípio. O verbo entregar,
por exemplo, possui os particípios A vogal temática aparece com mais
entregado e entregue. ênfase no infinitivo e os verbos nesse modo
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Língua Portuguesa
terminam com uma vogal temática + sufixo Modo indicativo
r. Presente - expressa uma ação que ocorre
*O verbo pôr tem a terminação -or, não no tempo atual: Corro todos os dias.
possuindo a vogal temática no infinitivo. Pretérito perfeito - expressa uma ação
Por isso é considerado um verbo anômalo. concluída: Corri ontem.
Pretérito imperfeito - expressa uma
Os verbos apresentam tempos ação que ainda não foi acabada:
primitivos e derivados. Os primitivos são Antigamente não corria um dia sequer.
o: Pretérito mais-que-perfeito - expressa
- Presente do infinitivo impessoal - uma ação anterior a outra que já foi
falar, fazer, etc.; concluída: Correra pela manhã antes de ir à
- Presente do indicativo (1ª e 2ª pessoas escola.
do singular e 2ª pessoa do plural) - faço, Futuro do presente - expressa uma ação
faças, fazeis; que será realizada: Correrei amanhã cedo.
- Pretérito perfeito do indicativo (3ª Futuro do pretérito - expressa uma
pessoa do plural) - fizeram. ação futura em relação a outra, já concluída:
Falou que não correria hoje.
Os tempos derivados são formados com
o radical dos primitivos. Veja o tempo Modo subjuntivo
simples na voz ativa: Presente - expressa uma ação incerta no
Presente do infinitivo tempo atual: Que eles corram.
dizer Pretérito imperfeito - expressa o verbo
Pretérito imperfeito do indicativo: no passado que depende de uma ação
dizia, dizias, dizia, etc. também passada: Se ele corresse teria mais
Futuro do presente: direi, dirás, dirá, vigor.
etc. Futuro - expressa uma ação futura cuja
Futuro do pretérito: diria, dirias, diria, realização depende de outra ação: Quando
etc. eles correrem ficarão cansados.
Infinitivo pessoal: dizer, dizeres, dizer,
etc. Modo imperativo
Gerúndio: dizendo É dividido em:
Particípio: dito - Imperativo afirmativo - em sua
formação, a 2ª pessoa do singular e do
Presente do indicativo plural são derivadas das pessoas
faço, fazes, fazeis correspondentes do presente do indicativo,
Presente do subjuntivo: faço - faça, retirando o s do final. As demais pessoas
faças, faça, façamos, façais, façam. apresentam a mesma forma do presente do
Imperativo afirmativo: fazes - faze; subjuntivo.
fazeis -fazei.
- Imperativo negativo - as pessoas do
Pretérito perfeito do indicativo apresentam a mesma forma daquelas do
fizeram presente do subjuntivo.
Pretérito mais-que-perfeito do Afirmativo: Faça você.
indicativo: fizera, fizeras, fizera, etc. Negativo: Não faça você.
Pretérito imperfeito do subjuntivo:
fizesse, fizesses, fizesse, etc. Tempo Composto
Futuro do subjuntivo: fizer, fizeres, Voz ativa - são antecedidos pelo verbo
fizer, etc. ter ou pelo haver, seguidos do particípio do
verbo principal: Tenho dormido pouco;
Havíamos estado lá.
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Língua Portuguesa
Voz Passiva - são antecedidos pelo Pode ser transitivo direto, ou seja,
verbo ter ou pelo haver + o verbo ser, precisa de um complemento para fazer
seguidos do particípio do verbo principal: sentido, mas não necessita
Tenho sido feito de bobo por ela; Ambos obrigatoriamente de uma preposição para se
haviam sido vistos na rua. conectar ao objeto direto.
Locução Verbal – é formada por um Pode ser transitivo indireto, ou seja,
verbo auxiliar seguido de gerúndio ou precisa de um complemento e necessita
infinitivo do verbo principal: Eles devem obrigatoriamente de uma preposição para se
iniciar os trabalhos a partir de amanhã; As ligar ao objeto indireto e fazer sentido.
compras foram pagas à vista. Pode ser intransitivo, ou seja, não
Em “As compras foram pagas à vista”, a necessita de complemento para fazer
forma foram (verbo ser) é o auxiliar, e sentido e podem formar predicados por
pagas o principal. conta própria.
Encontramos uma perífrase verbal, ou O cachorro comeu ração. (o verbo se liga
locução verbal, quando do mesmo domínio ao objeto direto, que é ração, sem
predicativo participam um verbo auxiliar e preposição)
uma forma nominal (infinitivo, gerúndio ou Eu fui a São Paulo. (o verbo se liga ao
particípio passado) do verbo principal objeto indireto, que é São Paulo, com o uso
(verbo pleno), com intermediação, ou não, de preposição)
de preposição (a, de, por, para). Minha pipa caiu. (intransitivo, pois o
Exemplos: verbo já apresenta sentido por si mesmo)
- Estou a escrever um romance.
- Está vendo? Verbo de ligação: apresenta a função
- O Zé foi atropelado por uma bicicleta. sintática de predicado, ligando o sujeito ao
predicativo. Importante lembrar que o
Verbo pronominal: são conjugados em núcleo do predicado é um adjetivo, pois é a
conjunto com um pronome oblíquo átono informação mais relevante.
(me, te, se, nos, vos, se). Esse pronome Diferente dos verbos transitivos ou
oblíquo deve fazer referência à mesma intransitivos, não indica uma ação realizada
pessoa do sujeito. ou sofrida.
Essa conjugação pode ser reflexiva, São verbos de ligação: ser, estar,
caso a ação recaia sobre o próprio sujeito: permanecer, ficar, tornar-se, andar,
Cortei-me. (o sujeito cortou a si mesmo) parecer, virar, continuar, viver.
Ou pode ser recíproca, caso existam A mulher parece nervosa. (não apresenta
dois sujeitos na oração e a ação recaia sobre nenhum tipo de ação, mas sim liga o sujeito,
ambos: Eles se beijaram. (ambos deram um a mulher, ao predicativo, nervosa)
beijo e receberam um beijo)
Verbos que podem causar confusão
Verbo significativo: é o verbo que Certas conjugações podem causar um nó
apresenta função sintática de núcleo do em nossa cabeça. Veja algumas delas:
predicado verbal ou verbo-nominal. Nestes Verbo intervir: Eu intervenho (presente
casos, o verbo é a informação de maior do indicativo); Eu intervinha (pretérito
relevância. imperfeito do indicativo); Eu intervim
João comeu torta. (o verbo é a (pretérito perfeito do indicativo).
informação mais relevante, sem ele a frase Verbo gerir: Eu giro (presente do
sequer faria sentido) indicativo); Que eu gira; Que eles giram
Esse tipo de verbo também pode ser (presente do subjuntivo).
chamado de pleno. Indicam ações Verbo intermediar: Eu intermedeio;
praticadas ou fenômenos da natureza. Eles intermedeiam (presente do indicativo);
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Língua Portuguesa
Que eu intermedeie (presente do Para organizar melhor o evento, terá
subjuntivo). algumas reuniões na próxima semana.
Verbo requerer: Eu requeiro (presente (sentido de será realizada)
do indicativo); Eu requeri (pretérito Tem muitos meses que ela não me visita.
perfeito do indicativo); Que eu requeira (sentido de faz)
(presente do subjuntivo).
Verbo reaver no pretérito perfeito do “Eles haviam ficado tristes.”
indicativo: Eu reouve; Ele reouve; Eles “Eles tinham ficado tristes.”
reouveram. Na frase acima, o verbo haver foi
Verbo pôr: Eu punha (pretérito empregado com sentido de ter. Nesse tipo
imperfeito do indicativo); Eu pus (pretérito de caso é possível usar haviam, pois não há
perfeito do indicativo); Eu pusera (pretérito impessoalidade.
mais-que-perfeito do indicativo).
Verbo manter: Eu mantive; Ele CONJUGAÇÃO DE ALGUNS
manteve; Eles mantiveram (pretérito VERBOS REGULARES
perfeito do indicativo). Verbos: estudar; escrever; partir.
Verbo ver: Quando eu vir; Quando ele Gerúndio: estudando; escrevendo;
vir; Quando eles virem (futuro do partindo.
subjuntivo). Particípio Passado: estudado; escrito;
partido.
Ter e Haver Infinitivo: estudar; escrever; partir.
Quando o verbo haver apresentar o
sentido de existir, acontecer, realizar-se e Presente do Indicativo
fazer (este em orações que indiquem Eu: estudo; escrevo; parto.
tempo), ele será impessoal. Ou seja, deve Tu: estudas; escreves; partes.
ficar na 3ª pessoa do singular. Ele/Ela: estuda; escreve; parte.
Há diversas montanhas nessa região. Nós: estudamos; escrevemos; partimos.
(sentido de existem). Vós: estudais; escreveis; partis.
Porque não há dúvidas de que, ao Eles: estudam; escrevem; partem.
desenhar, aquele homem estava
escrevendo. (sentido de existem) Pretérito Perfeito do Indicativo
Houve muitas festas e celebrações Eu: estudei; escrevi; parti.
durante o mês de junho. (sentido de Tu: estudaste; escreveste; partiste.
aconteceram) Ele/Ela: estudou; escreveu; partiu.
Para organizar melhor o evento, haverá Nós: estudamos; escrevemos; partimos.
algumas reuniões na próxima semana. Vós: estudastes; escrevestes; partistes.
(sentido de será realizada) Eles: estudaram; escreveram; partiram.
Há muitos meses que ela não me visita.
(sentido de faz) Pretérito Mais-Que-Perfeito do
Indicativo
Quando o verbo ter puder substituir o Eu: estudara; escrevera; partira.
verbo haver, deve aparecer na 3ª pessoa do Tu: estudaras; escreveras; partiras.
singular, já que também será impessoal. Ele/Ela: estudara; escrevera; partira.
Vale lembrar que o uso do ter no lugar do Nós: estudáramos; escrevêramos;
haver apresenta um pouco mais de partíramos.
informalidade ao texto. Vós: estudáreis; escrevêreis; partíreis.
Tem diversas montanhas nessa região. Eles: estudaram; escreveram; partiram.
(sentido de existem).
Teve muitas festas e celebrações durante Pretérito Imperfeito do Indicativo
o mês de junho. (sentido de aconteceram) Eu: estudava; escrevia; partia.
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Língua Portuguesa
Tu: estudavas; escrevias; partias. Quando tu: estudares; escreveres;
Ele/Ela: estudava; escrevia; partia. partires.
Nós: estudávamos; escrevíamos; Quando ele/ela: estudar; escrever;
partíamos. partir.
Vós: estudáveis; escrevíeis; partíeis. Quando nós: estudarmos; escrevermos;
Eles: estudavam; escreviam; partiam. partirmos.
Quando vós: estudardes; escreverdes;
Futuro do Pretérito do Indicativo partirdes.
Eu: estudaria; escreveria; partiria. Quando eles: estudarem; escreverem;
Tu: estudarias; escreverias; partirias. partirem.
Ele/Ela: estudaria; escreveria; partiria.
Nós: estudaríamos; escreveríamos; Imperativo Afirmativo
partiríamos. --
Vós: estudaríeis; escreveríeis; partiríeis. estuda; escreve; parte Tu.
Eles: estudariam; escreveriam; estude; escreva; parta Você.
partiriam. estudemos; escrevamos; partamos Nós.
estudai; escrevei; parti Vós.
Futuro do Presente do Indicativo estudem; escrevam; partam Vocês.
Eu: estudarei; escreverei; partirei.
Tu: estudarás; escreverás; partirás. Imperativo Negativo
Ele/Ela: estudará; escreverá; partirá. --
Nós: estudaremos; escreveremos; Não estudes; escrevas; partas Tu.
partiremos. Não estude; escreva; parta Você.
Vós: estudareis; escrevereis; partireis. Não estudemos; escrevamos; partamos
Eles: estudarão; escreverão; partirão. Nós.
Não estudeis; escrevais; partais Vós.
Presente do Subjuntivo Não estudem; escrevam; partam Vocês.
Que eu: estude; escreva; parta.
Que tu: estudes; escrevas; partas. Infinitivo Pessoal
Que ele/ela: estude; escreva; parta. Por estudar; escrever; partir Eu.
Que nós: estudemos; escrevamos; Por estudares; escreveres; partires Tu.
partamos. Por estudar; escrever; partir Ele/Ela.
Que vós: estudeis; escrevais; partais. Por estudarmos; escrevermos; partirmos
Que eles: estudem; escrevam; partam. Nós.
Por estudardes; escreverdes; partirdes
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo Vós.
Se eu: estudasse; escrevesse; partisse. Por estudarem; escreverem; partirem
Se tu: estudasses; escrevesses; partisses. Eles.
Se ele/ela: estudasse; escrevesse;
partisse. CONJUGAÇÃO DE ALGUNS
Se nós: estudássemos; escrevêssemos; VERBOS IRREGULARES
partíssemos. Verbos: adequar; ser; ir.
Se vós: estudásseis; escrevêsseis; Gerúndio: adequando; sendo; indo.
partísseis. Particípio Passado: adequado; sido;
Se eles: estudassem; escrevessem; ido.
partissem. Infinitivo: adequar; ser; ir.
Futuro do Subjuntivo Presente do Indicativo
Quando eu: estudar; escrever; partir. Eu: adéquo; sou; vou.
Tu: adéquas; és; vais.
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Língua Portuguesa
Ele/Ela: adéqua; é; vai. Que nós: adequemos; sejamos; vamos.
Nós: adequamos; somos; vamos. Que vós: adequeis; sejais; vades.
Vós: adequais; sois; ides. Que eles: adéquem; sejam; vão.
Eles: adéquam; são; vão.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo
Pretérito Perfeito do Indicativo Se eu: adequasse; fosse; fosse.
Eu: adequei; fui; fui. Se tu: adequasses; fosses; fosses.
Tu: adequaste; foste; foste. Se ele/ela: adequasse; fosse; fosse.
Ele/Ela: adequou; foi; foi. Se nós: adequássemos; fôssemos;
Nós: adequamos; fomos; fomos. fôssemos.
Vós: adequastes; fostes; fostes. Se vós: adequásseis; fôsseis; fôsseis.
Eles: adequaram; foram; foram. Se eles: adequassem; fossem; fossem.
Pretérito Mais-Que-Perfeito do Futuro do Subjuntivo
Indicativo Quando eu: adequar; for; for.
Eu: adequara; fora; fora. Quando tu: adequares; fores; fores.
Tu: adequaras; foras; foras. Quando ele/ela: adequar; for; for.
Ele/Ela: adequara; fora; fora. Quando nós: adequarmos; formos;
Nós: adequáramos; fôramos; fôramos. formos.
Vós: adequáreis; fôreis; fôreis. Quando vós: adequardes; fordes;
Eles: adequaram; foram; foram. fordes.
Quando eles: adequarem; forem; forem.
Pretérito Imperfeito do Indicativo
Eu: adequava; era; ia. Imperativo Afirmativo
Tu: adequavas; eras; ias. --
Ele/Ela: adequava; era; ia. adéqua; sê; vai Tu.
Nós: adequávamos; éramos; íamos. adéque; seja; vá Você.
Vós: adequáveis; éreis; íeis. adequemos; sejamos; vamos Nós.
Eles: adequavam; eram; iam. adequai; sede; ide Vós.
adéquem; sejam; vão Vocês.
Futuro do Pretérito do Indicativo
Eu: adequaria; seria; iria. Imperativo Negativo
Tu: adequarias; serias; irias. --
Ele/Ela: adequaria; seria; iria. Não adéques; sejas; vás Tu.
Nós: adequaríamos; seríamos; iríamos. Não adéque; seja; vá Você.
Vós: adequaríeis; seríeis; iríeis. Não adequemos; sejamos; vamos Nós.
Eles: adequariam; seriam; iriam. Não adequeis; sejais; vades Vós.
Não adéquem; sejam; vão Vocês.
Futuro do Presente do Indicativo
Eu: adequarei; serei; irei. Infinitivo Pessoal
Tu: adequarás; serás; irás. Por adequar; ser; ir Eu.
Ele/Ela: adequará; será; irá. Por adequares; seres; ires Tu.
Nós: adequaremos; seremos; iremos. Por adequar; ser; ir Ele/Ela.
Vós: adequareis; sereis; ireis. Por adequarmos; sermos; irmos Nós.
Eles: adequarão; serão; irão. Por adequardes; serdes; irdes Vós.
Por adequarem; serem; irem Eles.
Presente do Subjuntivo
Que eu: adéque; seja; vá. ADVÉRBIO
Que tu: adéques; sejas; vás. Possui a função de modificar o verbo, o
Que ele/ela: adéque; seja; vá. adjetivo ou o próprio advérbio. Dentro da
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Língua Portuguesa
oração, sua função sintática é a de adjunto preposição + um substantivo, um adjetivo
adverbial. Pode ser classificado como: ou um advérbio: à noite; de repente; de
- De afirmação: sim, certamente, perto.
deveras, incontestavelmente, realmente, Mas podem ser mais complexas, como
efetivamente. palmo a palmo.
Da mesma forma que os advérbios, as
- De dúvida: talvez, quiçá, acaso, locuções adverbiais podem ser:
porventura, certamente, provavelmente, - De afirmação (ou dúvida):
decerto, certo. com certeza; sem dúvida
- De intensidade: assaz, bastante, bem, - De intensidade:
demais, mais, menos, muito, pouco, quanto, de pouco, de muito, etc.
quão, quase, tanto, tão, etc.
- De lugar:
- De lugar: abaixo, acima, adiante, aí, por aqui, à direita, etc.
além, ali, aquém, aqui, atrás, através, cá,
defronte, dentro, detrás, fora, junto, lá, - De modo:
longe, onde, perto, etc. de bom grado, à toa, etc.
- De modo: assim, bem, debalde, - De negação:
depressa, devagar, mal, melhor, pior e de maneira alguma, de modo algum, etc.
quase todos aqueles que terminam em -
mente: inteligentemente, pesadamente, etc. - De tempo:
de dia, à noite, etc.
- De negação: não, tampouco.
Quando o advérbio modifica o adjetivo,
- De tempo: agora, ainda, amanhã, o particípio isolado ou o advérbio, aparece
anteontem, antes, breve, cedo, depois, antes destes:
então, hoje, já, jamais, logo, nunca, ontem, Meio capenga, consegui atravessar o
outrora, sempre, tarde, etc. deserto.
Quando empregados em interrogações No caso dos advérbios de tempo e de
diretas ou indiretas, alguns advérbios lugar, podem aparecer antes ou depois do
podem ser classificados como verbo:
interrogativos: Outrora fora um lugar de glórias.
- Por que? de causa: Eu não consigo sair daqui.
Por que fez isso?
No caso dos advérbios de negação, vêm
- Onde? de lugar: sempre antes do verbo:
Quero saber onde está minha carteira. Não consegui completar os objetivos
propostos.
- Como? de modo:
Como está seu pai? PREPOSIÇÃO
Possuem a função de relacionar dois
- Quando? de tempo: termos de uma oração, fazendo com que o
Quando será seu aniversário? sentido do primeiro (termo regente) seja
explicado ou completado pelo segundo
Locução adverbial: são expressões, de (termo regido). A preposição é uma palavra
uma ou mais palavras, que funcionam como invariável.
advérbio. Podem ser formadas por uma
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Língua Portuguesa
Sintaticamente, a preposição não - A preposição a pode se unir aos artigos
desempenha nenhuma função sintática na e pronomes demonstrativos o, os, ou com o
oração. Sua função é unir palavras. advérbio onde: ao, aos, aonde.
- “Vou a Paris” *Dica: onde indica lugar, aonde,
Vou (regente) movimento: Me lembro daquele lugar, onde
a (preposição) vivi na infância; Vou aonde você for. (vou
Paris (regido) a + onde)
Quando expressa por apenas um - As preposições a, de, em, per podem se
vocábulo, a preposição é simples; quando contrair com artigos, e algumas até mesmo
formada por dois ou mais vocábulos (sendo com pronomes e advérbios:
o último uma simples, normalmente de), é a + a = à; de + o = do; em + esse = nesse;
composta. per + a = pela.
Simples: a; ante; após, até; com; contra;
de; desde; em; entre; para; perante; CONJUNÇÃO
por(per); sem; sob; sobre; trás. Tem a função de ligar orações ou
palavras da mesma oração. São conectivos.
As preposições simples também são Uma conjunção é invariável.
chamadas de essenciais, para distingui-las Não desempenham função sintática na
de palavras de outras classes que podem oração. Quando utilizada em um período
acabar funcionando como proposições. São composto, faz com que haja uma relação de
as preposições acidentais: afora, coordenação ou subordinação entre as
conforme, consoante, durante, exceto, fora, orações que integram o período.
mediante, não obstante, salvo, segundo,
senão, tirante, visto, etc. Conjunção coordenativa: faz uma
ligação entre orações sem que uma dependa
Locuções prepositivas: são expressões da outra, ou seja, a segunda oração não
normalmente formadas por advérbio (ou completa o sentido da primeira. Pode ser:
locução adverbial) + preposição, e possuem Aditiva - indica a ideia de adição: e,
função de preposição. Alguns exemplos: nem, mas também, mas ainda, senão
abaixo de; apesar de; devido a; junto a. também, como também, bem como.
Comeu o bolo, bem como o brigadeiro.
Uma preposição isolada não apresenta (comeu o bolo + o brigadeiro)
um sentido, mas, dentro de uma oração, Meu cachorro não só rola, mas também
pode expressar: dá a patinha. (o cachorro rola e dá a patinha)
Assunto: Comentou sobre futebol.
Tempo: Caminhei durante dias. Adversativa - indica oposição,
Finalidade: Estudo para aprender. contraste: mas, porém, todavia, contudo, no
Lugar: Vivo em Brasília. entanto, entretanto.
Meio: Viajei de ônibus. O jogo estava bom, mas o time levou um
Falta: Estou sem grana. gol. (a segunda oração apresenta uma ideia
Oposição: Jogou a torcida contra o contrária, que faz oposição à primeira =
técnico. estava bom / ficou ruim)
As preposições a, de e per podem se unir Alternativa - indica alternativa,
a outras palavras, formando uma única alternância: ou...ou, ora...ora, quer...quer,
outra. Quando essa união ocorre sem a seja...seja, nem...nem, já...já.
perda de fonema, temos a combinação; Ou você arruma um emprego ou você
caso haja perda de fonema, o resultado é a estuda. (quando um fato for cumprido, o
contração. outro não poderá ser efetivado)
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Língua Portuguesa
sem que [no sentido de se não], dado que,
Conclusiva - indica uma conclusão, desde que, a menos que, a não ser que.
consequência: logo, pois, portanto, por Seria mais bonita, se fosse menos
conseguinte, por isso, assim, então. metida.
Carlos gastou tudo em apostas, por isso Hoje será um dia feliz, caso faça sol.
ficou pobre. (a primeira oração apresenta
um fato, a segunda, sua consequência) Conformativa - inicia uma oração que
indica conformidade: como, conforme,
Explicativa - indica explicação, motivo: segundo, consoante.
que, porque, pois, porquanto. As coisas não são como antigamente.
Vou dormir, pois estou caindo de sono.
(a segunda oração explica a primeira, ou Consecutiva - inicia uma oração que
seja, por estar muito cansado, vai dormir) indica consequência: que (quando
combinada com: tal, tanto, tão ou tamanho,
Conjunção subordinativa: faz uma presentes ou latentes na oração anterior), de
ligação de dependência, ou seja, o sentido forma que, de maneira que, de modo que,
da segunda oração dependerá da primeira. de sorte que.
Excetuando as integrantes, as Minha voz falhava tanto que mal podia
subordinativas iniciam orações que indicam falar.
circunstâncias.
Causal - apresenta ideia de causa: Final - inicia uma oração que exprime
porque, pois, porquanto, como [no sentido fim, finalidade: para que, a fim de que,
de porque], pois que, por isso que, já que, porque [no sentido de para que], que.
uma vez que, visto que, visto como, que. Trouxe a almofada para que se
O cachorro late porque é bravo. (a causa aconchegue.
de o cachorro latir é ele ser bravo) Troquei algumas peças a fim de que o
problema seja resolvido.
Comparativa - inicia uma oração que
termina o segundo elemento de uma Proporcional - inicia uma oração que
comparação: que, do que (depois de - mais, indica proporcionalidade: à medida que, ao
menos, maior, menor, melhor, pior), qual passo que, à proporção que, enquanto,
(depois de tal), quanto (depois de tanto), quanto mais... (mais), quanto mais... (tanto
como, assim como, bem como, como se, que mais), quanto mais... (menos), quanto
nem. mais... (tanto menos), quanto menos...
Era mais inteligente que forte. (menos), quanto menos... (tanto menos),
Nada me chateia tanto quanto uma quanto menos... (mais), quanto menos...
pessoa falsa. (tanto mais).
Quanto menos pensava, menos se
Concessiva - inicia uma oração que preocupava. (o fato de uma oração se
indica uma concessão, um fato contrário: realiza de maneira simultânea ao da outra)
embora, conquanto, ainda que, mesmo que,
posto que, bem que, se bem que, apesar de Temporal - inicia uma oração que
que, nem que, que. indica tempo: quando, antes que, depois
Coma, mesmo que apenas um pouco. que, até que, logo que, sempre que, assim
João se veste mal, embora seja rico. que, desde que, todas as vezes que, cada vez
que, apenas, mal, que [no sentido de desde
Condicional - inicia uma oração que que].
apresenta uma hipótese ou condição Veio me cumprimentar assim que me
necessária: se, caso, contanto que, salvo se, viu.
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Língua Portuguesa
Agora que está chovendo, você quer sair Questões
de casa.
01. (TIBAGIPREV - Contador -
Integrante - inicia uma oração que pode FAFIPA/2022) "[...] balconista e cliente
funcionar como substantivo. Quando o tentam, inutilmente, decifrar o nome de um
verbo indicar certeza, utiliza-se que, medicamento na receita médica."
quando indicar incerteza, se. As palavras destacadas no trecho
Afirmo que sou inocente. anterior são classificadas, no seu contexto
Verifique se o gás está fechado. de uso, respectivamente como:
(A) Advérbio, adjetivo e preposição.
Locução conjuntiva: no entanto, visto (B) Adjetivo, conjunção e substantivo.
que, desde que, se bem que, por mais que, (C) Substantivo, preposição e adjetivo.
ainda quando, à medida que, logo que, a (D) Adjetivo, conjunção e substantivo.
fim de que, ao mesmo tempo que. (E) Substantivo, advérbio e adjetivo.
INTERJEIÇÃO 02. (Prefeitura de Viamão - Médico
É uma palavra ou locução utilizada para Clínico Geral - FUNDATEC/2022) No
exprimir uma emoção ou estado emotivo. excerto “O conceito vem, ainda que
Uma mesma interjeição pode expressar vagarosamente, ganhando destaque nas
mais de uma reação emotiva, até mesmo mídias sociais e em rodas de conversas e
opostas. debates”, a locução conjuntiva sublinhada
Sintaticamente, não desempenha função exprime uma:
na oração. (A) Conformidade.
Alegria/satisfação: ah! oh! oba! opa! (B) Causa.
Animação: avante! coragem! eia! (C) Condição.
vamos! (D) Concessão.
Aplauso: bis! bem! bravo! viva! (E) Comparação.
Desejo: oh! oxalá! tomara!
Dor: ai! ui! 03. (Prefeitura de Arroio do Padre -
Espanto/surpresa: ah! chi! ih! oh! ué! Técnico em Enfermagem -
uai! puxa! OBJETIVA/2022) Na frase “Humanos
Impaciência: hum! hem! queriam seus pets pintadinhos”, o verbo
Invocação: alô! ó! olá! psiu! sublinhado está no tempo:
Silêncio: psiu! silêncio! (A) Presente.
Suspensão: alto! basta! (B) Pretérito perfeito.
Terror: ui! uh! (C) Pretérito imperfeito.
(D) Futuro do presente.
Locução interjectiva: duas ou mais
palavras que, juntas, formam expressões Gabarito
que valem por interjeições: ai de mim!;
raios te partam!. 01.E - 02.D - 03.C
*Note que as interjeições aparecem
sempre acompanhadas por um ponto de
exclamação. São muito utilizadas em
histórias em quadrinhos ou na linguagem
literária.
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Língua Portuguesa
Imperativas: assim como as
Sintaxe: classificação de sujeitos,
classificação de verbos, predicados, exclamativas, são marcadas pelo ponto de
vocativo, período composto por exclamação. Funcionam para expressar
subordinação, período composto por uma ordem, pedido ou conselho. Podem ser
coordenação, afirmativas ou negativas. O verbo vem no
imperativo.
“Coma tudo!” (afirmativa)
Frase “Não coma tudo!” (negativa)
São enunciações que apresentam sentido
completo. Utilizamos frases para expressar Oração é toda declaração que pode ser
pensamentos e sentimentos. feita por meio de um verbo, evidente ou
Existem frases formadas por apenas uma oculto.
palavra: Uma frase pode conter uma ou mais
“Atenção!” orações:
“Silêncio!” Eu comprei macarrão e molho. (apenas
uma forma verbal)
Existem frases formadas por mais de Eu comprei tomate e fiz o molho. (duas
uma palavra, podendo ou não conter um formas verbais)
verbo:
“Que droga!” Importante não confundir oração e frase,
“Pula a fogueira.! pois uma frase pode ser formada sem um
verbo, já a oração necessita de um verbo.
Quando as frases não possuem verbo, o
que indica se tratar de uma frase é a O período é uma frase organizada ao
melodia, a pronúncia da frase. redor de uma ou mais orações. Ele sempre
As frases que não possuem verbo são as termina com uma pausa, marcada por
frases nominais, as que possuem, as frases ponto, ponto de interrogação, ponto de
verbais. exclamação e, às vezes, até dois-pontos.
O período é simples quanto possui
Os tipos de frases são: apenas uma oração:
Exclamativas: funcionam para O menino jogava bola.
expressar uma emoção ou surpresa. O ponto O período é composto quando possui
de exclamação marca esse tipo de frase, já mais de uma oração:
que são terminadas com ele. Você sabe que ela confia em mim. (a
“Que susto!” frase toda é um período, com duas orações:
você sabe que / ela confia em mim)
Interrogativas: funcionam para
expressar uma pergunta ou dúvida. O ponto O sujeito e o predicado são termos
de interrogação marca esse tipo de frase, já essenciais da oração. O sujeito é sobre o que
que são terminadas com ele. a declaração é feita, o predicado é aquilo
“Qual sabor?” que se diz sobre o sujeito.
O menino chutou a bola longe.
Declarativas: funcionam para expressar Sujeito: O menino
uma declaração. O ponto final marca esse Predicado: chutou a bola longe.
tipo de frase, já que são terminadas com ele.
Podem ser afirmativas ou negativas. Tanto o sujeito quanto o predicado
“Eu fiz isso”. (afirmativa) podem não estar expressos. Às vezes ficam
“Eu não fiz isso”. (negativa) subentendidos pelo contexto. Em casos
assim, o sujeito e o predicado são ocultos
ou elípticos:
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Língua Portuguesa
Acordei com grande disposição. (o Choveu hoje. (verbo impessoal, não dá
sujeito só pode ser eu, por causa do verbo) para atribuí-lo a um ser)
Na parede clara, duas manchas. (o verbo Há algo de podre no Reino da
haver fica subentendido, “havia duas Dinamarca. (quando o verbo haver indicar
manchas na parede”.) “existir” ou tempo decorrido)
Era tarde. (verbo ser, fazer e ir,
Na segunda pessoa, os sujeitos são: eu e indicando tempo em geral)
tu no singular, nós e vós no plural.
Na terceira pessoa, o núcleo do sujeito Caso o verbo indique uma ação do
pode ser: sujeito, podemos ter um caso de atividade,
- Um substantivo: Jorge falava muito. passividade ou atividade e passividade ao
- Pronomes pessoais ele, ela (singular); mesmo tempo.
eles, elas (plural): Ele estava sentado à Marcos apertou o botão do controle. (o
mesa. / Elas estavam sentadas à mesa. sujeito Marcos realiza uma ação sobre o
- Pronome demonstrativo, relativo, controle por meio do verbo apertou;
interrogativo, ou indefinido: Quem quebrou Marcos é o agente)
a vidraça? / Ninguém gostou da comida. A população periférica foi atingida pelo
- Um numeral: Quando um não quer, deslizamento. (o sujeito A população não
dois não insistem. realiza ação, na verdade sofre a ação; o
- Palavra ou uma expressão sujeito é paciente)
substantivada: O corajoso enfrenta os Penteou-se às pressas cantarolando uma
desafios. canção. (o sujeito ele está oculto, sofrendo
- Uma oração: É inevitável que ele venha a ação de vestir-se e realizando a ação de
aqui hoje. cantarolar; é ao mesmo tempo agente e
paciente)
O sujeito é simples quando possui
somente um núcleo: No caso do predicado, ele pode ser
A menina cantou alto. (o verbo faz nominal, verbal ou verbo-nominal.
referência a apenas um sujeito) - Nominal: formado por um verbo de
ligação com o predicativo do sujeito. Os
Quando há mais de um núcleo, o sujeito verbos de ligação estabelecem uma união
é composto: entre duas palavras ou expressões de caráter
Farinha, açúcar, sal e fermento são os nominal. Já o predicativo do sujeito é o
ingredientes. (substantivos) termo do predicado nominal que faz
Ele e eu escrevemos esta carta. referência direta ao sujeito.
(pronomes) Era músico e ator. (representado por
substantivo, ou pode ser por expressão
O sujeito será indeterminado quando o substantivada)
verbo não fazer referência a uma pessoa Ela ficou surpresa, sem palavras.
determinada ou quando não ficar claro (representado por adjetivo ou locução
quem realiza a ação do verbo. adjetiva)
Anunciaram o vencedor. (terceira pessoa Sempre fez tudo na casa. (representado
do plural, não é claro quem anunciou) por pronome)
Não se fala sobre isso por aqui. (terceira Dois são os fatos principais do noticiado.
pessoa do singular, o verbo não se refere a (representado por numeral)
ninguém em específico) O ruim é que gastei o dinheiro.
(representado por oração)
Quando o verbo for impessoal, a oração
não terá sujeito. - Verbal: no caso do predicado verbal,
apresenta um verbo significativo como
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Língua Portuguesa
sujeito, ou seja, verbos que apresentam uma Substantivo (pode ser acompanhado por
nova ideia para o sujeito, podendo ser modificadores):
transitivos ou intransitivos. O caso da mulher estrangeira chamou
Tarde, a moça dormiu. (verbo atenção.
intransitivo, não há necessidade de Expressão substantivada:
complemento para o sentido) Você gosta daquele pilantra?
Meu irmão gosta de jogos. (verbo Oração:
transitivo indireto, pois há a necessidade da Tenho conhecimento de que fará o
preposição, no caso, de, o verbo está ligado possível.
a ela, não a jogos) Numeral:
Pedro jogou bola. (verbo transitivo A derrota de um é a conquista de todos.
direto, pois não há a necessidade de Pronome:
preposição, o verbo faz ligação direta ao O sonho dele era viajar pela Europa.
objeto bola)
- Complemento verbal pode ser o
- Verbo-Nominal: é formado pela objeto direto que complementa um verbo
ligação do predicativo do sujeito com um transitivo direto.
verbo significativo Homens e mulheres narram histórias.
O homem respirou aliviado. (o verbo (substantivo complementa o verbo)
aliviar é um verbo significativo e está Os políticos nada fizeram. (o pronome
ligado a homem, já aliviado é uma complementa o verbo)
qualificação) O trabalhador recebe 1200. (o numeral
complementa o verbo)
O predicativo do objeto é o termo da Tem um quê de mentira. (a palavra
oração que dá uma característica aos substantivada complementa o verbo)
complementos verbais de uma oração, O padre dizia que o pecado não
atribuindo uma “qualidade” ao objeto direto compensa. (a oração complementa o verbo)
ou ao objeto indireto.
Na frase “Eu acho esse filme ruim”, O complemento verbal pode ser o objeto
temos o sujeito (eu), o predicado verbo- indireto, que complementa um verbo
nominal (acho esse filme ruim), o objeto transitivo indireto:
direto (esse filme), e o predicativo do objeto Falaram de diversos temas polêmicos.
(ruim). (substantivo complementa o verbo por uma
A grande diferença entre o predicativo ligação com preposição)
do objeto e o predicativo do sujeito é que, Discutia com todos. (pronome
no caso do predicativo do objeto, a complementa o verbo por uma ligação com
característica será atribuída ao objeto, já no preposição)
caso do predicativo do sujeito, será Rafael optou pelo primeiro. (numeral
atribuída ao sujeito. complementa o verbo por uma ligação com
preposição)
Termos Integrantes da Oração Quem dará esmola aos necessitados?
Algumas palavras podem completar o (expressão substantivada complementa o
sentido de outras. Algumas realizam essa verbo por uma ligação com preposição)
ligação ao substantivo, adjetivo ou Esqueceu-se de que havia combinado o
advérbio por meio de preposição, sendo horário. (oração complementa o verbo por
camadas de complementos nominais. As uma ligação com preposição)
palavras que fazem parte do sentido do
verbo são os complementos verbais. Agente da passiva: tem a função de
- Complemento nominal pode ser indicar quem pratica a ação sofrida ou
representado por:
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Língua Portuguesa
recebida pelo sujeito. Ocorre na voz Os adjuntos adverbiais podem ser:
passiva. De causa: A moça, por desejo de amar
Antes de deixar o local foi filmado pela e de paixão, escreveu uma carta ao amado.
câmera de segurança. (substantivo indica De companhia: Morei com meus pais
quem praticou a ação de filmar) durante vinte anos.
Acabou aplaudido por todos. (pronome De concessão: Apesar de exausto, não se
indica quem praticou a ação de aplaudir) entregou.
O homem foi agredido por ambos. De dúvida: Talvez o documento fique
(numeral indica quem praticou a ação de pronto para sexta.
agredir) De fim: Vou falar bem alto, para todos
O time foi formado por quem sabia do me escutarem.
assunto. (oração indica quem praticou a De instrumento: Retirou os pelos com a
ação de formar) lâmina.
De intensidade: Tenho estudado muito.
Termos acessórios da oração: são De lugar: Eu estudo em Bauru.
termos que se unem a um verbo ou a um De meio: Cheguei de moto do trabalho.
nome e lhes dão significado. São acessórios De modo: Ela baila com alegria.
pois não são essenciais para a compreensão De negação: Não quero mais estudar.
do enunciado. De tempo: Ontem o carteiro passou.
Adjunto adnominal - apresenta valor
de adjetivo, delimitando ou especificando o Aposto e vocativo
valor do substantivo. O aposto é um termo nominal que se liga
O projeto inicial foi aceito. (expresso por ao substantivo, ao pronome ou a um
adjetivo) elemento equivalente destes. Funciona para
Estava com um bafo de onça. (expresso explicar ou apreciar. Normalmente o aposto
por locução adjetiva) e o termo ao qual faz referência aparecem
Cessaram as inscrições. (expresso por separados por vírgula, travessão ou dois-
artigo definido) pontos:
Às vezes, um milagre acontece. Ele, Pelé, é o rei do futebol. (o termo
(expresso por artigo indefinido) entre vírgulas explica o pronome)
Amanda nunca revelou este meu Em algumas ocasiões, o aposto não
segredo. (expresso por pronome adjetivo) ficará separado de seu termo por nenhuma
As duas irmãs ficaram contentes. pontuação:
(expresso por numeral) O mês de agosto. (de agosto explica o
A piada que lhe contei foi engraçada. mês, de qual mês se trata)
(expresso por oração) *Não confundir: O clima do Brasil. (do
Brasil, neste caso, tem valor de adjetivo, ou
Adjunto adverbial - é um termo com seja, é um adjunto adnominal)
valor de advérbio, indicando fato expresso Uma oração pode representar o aposto:
pelo verbo ou intensificando seu sentido, Finalizado, só havia uma opção: fazer o
bem como o de um adjetivo ou de outro trabalho.
advérbio.
Eu jamais havia visto moça igual. O vocativo é um termo exclamativo e
(representado por advérbio) que fica isolado do restante da frase. Ele
De repente começou a respirar com chama, invoca ou nomeia uma pessoa, algo.
força ao meu ouvido. (representado por Deus te abençoe, meu neto.
locução ou expressão adverbial)
Como eu achasse muito pouco, irritou- Ordem dos termos na oração
se. (representado por oração) Ordem direta: é mais comum em
orações enunciativas ou declarativas.
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Língua Portuguesa
sujeito + verbo + objeto direto + objeto “Coragem, esse era o principal
indireto diferencial dele!”
ou
sujeito + verbo + predicativo Na voz passiva analítica, o particípio
pode aparecer antes do verbo auxiliar ser,
“José estendeu a mão ao amigo”. demonstrando um desejo.
Sujeito: José “Iluminados sejam aqueles que seguem
Verbo: estendeu o bom caminho”.
Objeto direto: a mão
Objeto indireto: ao amigo O período composto
Em um período composto pode haver a
“José é legal”. oração principal, que é aquela que não
Sujeito: José exerce função sintática em outra oração do
Verbo: é mesmo período. Pode haver a oração
Predicativo: legal subordinada, aquela que exerce função
sintática em outra oração. Pode haver a
Por razões estilísticas, é possível inverter oração coordenada, que nunca é termo de
essa ordem. O sujeito é realçado quando outra, mas pode ter ligação com outra
aparece depois do verbo. coordenada em sua integridade. As orações
“A terra onde cantam os rouxinóis”. coordenadas são orações independentes.
A oração coordenada pode ser
O predicativo, o objeto direto ou assindética quando não apresentar
indireto e o adjunto adverbial são conectivo (Não quero ir embora,). Pode ser
realçados quando aparecem antes do verbo. sindética quando for ligada por uma
“Pouco foi seu empenho.” conjunção coordenativa.
“Meu amor, tão singelo, a uma pessoa Acordei, levantei, comi, dirigi, cheguei.
ingrata entreguei”. (os termos estão justapostos, sem ligação
“A ele contava todos os seus segredos por conectivo, pois não é necessário para
mais profundos”. formar sentido, trata-se de uma assindética)
“Aqui, perto da estrada, a alegria “Levantou-se, olhou sua obra com
impera.” satisfação, andou cinco ou seis passos e,
novamente, se acocorou.”
O verbo pode vir antes do sujeito: No período acima, ocorrem quatro
- Em perguntas. orações coordenadas entre si, e elas
“O que faz você aqui?” retomam o mesmo referente como sujeito
- Quando a oração apresentar uma forma das ações expostas, que no caso está oculto.
verbal imperativa. O sujeito é Ele, pois ele levantou-se, ele
“Diga você, seu espertalhão.” olhou sai obra, ele andou cinco ou seus
- Quando a oração apresentar verbo na passos e ele se acocorou.
passiva pronominal.
“Oferecia-se a refeição às onze.” No caso da sindética, pode ser:
- Aditiva, com uma conjunção aditiva:
O predicativo pode aparecer antes do Paulo e Roberto conversaram na escola e no
verbo: trabalho.
- Em orações interrogativas e - Adversativa, com uma conjunção
exclamativas: adversativa: Demorou, mas chegou.
“Que cantor seria esse?” - Alternativa, com uma conjunção
“Que bonitos eram os dois quando alternativa: Ou você estuda para a prova ou
pequenos.” você vai reprovar de ano.
- Em orações afetivas.
48
Língua Portuguesa
- Conclusiva, com uma conjunção A subordinada adjetiva pode ser
conclusiva: O funcionário trabalhou bem, restritiva, caso restrinja o significado do
portanto recebeu um bônus. substantivo ou pronome antecedente,
- Explicativa, com uma conjunção exercendo a função de adjunto adnominal.
explicativa: Não é preciso ficar com medo, São necessárias e indispensáveis para o
pois ele é manso. entendimento da frase.
Esse é um dos poucos pratos / que é
A oração subordinada tem a função de apreciado por todos os turistas.
termo essencial, integrante ou acessório de Pode ser também explicativa, ao
outra oração. Podem ser substantivas, acrescentar uma informação acessória,
adjetivas e adverbiais, visto que exercem esclarecendo ou ampliando sua
funções semelhantes às dos substantivos, significação. Não são essenciais para o
adjetivos e advérbios. entendimento do sentido da frase.
- As substantivas podem ser iniciadas Carlos Alberto, / que é um ótimo
por um pronome, um pronome indefinido atacante, / marcou o gol.
ou advérbio interrogativo, mas o mais
comum é iniciarem pela conjunção As orações subordinadas adverbiais
integrante que. podem ser: realizam a função de adjunto adverbial de
Subjetivas, quando realizarem a função outras orações. É comum serem iniciadas
de sujeito: É capaz / que ela durma de novo. por uma das conjunções subordinativas,
Objetivas diretas, quando realizarem a exceto as integrantes. De acordo com a
função de objeto direto: Nós queremos / que conjunção ou locução conjuntiva com que
o Brasil se desenvolva. iniciam, as subordinadas adverbiais podem
Objetivas indiretas, quando realizarem ser classificadas como:
a função de objeto indireto: Lembro-me / de - Causais, quando a conjunção for
que disse isso. subordinativa causal:
Completivas nominais, quando Não comprou o lanche, / pois estava sem
realizarem a função de complemento dinheiro.
nominal: Tenho medo / de viajar à noite. - Comparativas, quando a conjunção
Predicativas, quando realizarem a for subordinativa comparativa:
função de predicativo: O bom é / que o Pedro é trabalhador tanto quanto
evento será sábado. Alberto.
Apositivas, quando realizarem a função - Concessivas, quando a conjunção for
de aposto: Eu tinha um desejo: / que subordinativa concessiva:
pudesse abrir uma empresa. Jonas quer jogar bola, / embora esteja
Agentes da passiva, quando realizaram muito cansado.
a função de agente da passiva: As regras são - Condicionais, quando a conjunção for
feitas / por quem manda. subordinativa condicional:
Se fosse barato, / não me incomodaria.
No caso das orações subordinadas - Conformativas, quando a conjunção
adjetivas, possuem a função de adjunto for subordinativa conformativa:
adnominal de um substantivo ou pronome Faremos a torta / conforme a receita
antecedente. O mais comum é iniciarem passada pela Ana Maria.
por um pronome relativo. Elas podem - Consecutivas, quando a conjunção for
depender de qualquer termo da oração, subordinativa consecutiva:
desde que o núcleo do mesmo seja um Trabalhou duro, / de modo que venceu
pronome ou substantivo. na vida.
Há cães / que rosnam, / cães / que latem, - Finais, quando a conjunção for
/ cães / que mordem. subordinativa final:
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Língua Portuguesa
Estava pensando em estudar, / para que oração cujo verbo tem como complemento
eu consiga passar no concurso. um objeto indireto:
- Proporcionais, quando a conjunção for (A) Ana e Carla tem mais uma chance.
subordinativa proporcional: (B) Ela é tão linda.
À medida que o tempo passa, / ficamos (C) Essas notícias falam só a verdade.
mais velhos. (D) Esses móveis precisam de conserto.
- Temporais, quando a conjunção for
subordinativa temporal: Gabarito
Você saberá / quando for a hora.
01.A - 02.D
Orações reduzidas
São orações subordinadas dependentes,
que não começam por pronome relativo Concordância nominal, concordância
verbal,
nem por conjunção subordinativa.
Apresentam o verbo em uma das formas
nominais: o infinitivo, o gerúndio, ou o Concordância Nominal
particípio. É a relação estabelecida entre as palavras
- De infinitivo: podem sem substantivas e o substantivo que as rege:
(objetivas diretas, objetivas indiretas, - Deve ocorrer concordância de gênero
completivas nominais, predicativas, e número entre o núcleo nominal e os
apositivas); adjetivas; adverbiais (causais, artigos, os pronomes indefinidos variáveis,
concessivas, condicionais, consecutivas, os demonstrativos, os possessivos, os
finais, temporais). numerais cardinais e os adjetivos.
A solução era / ficar em casa.
- Adjetivo com dois ou mais
- De gerúndio: podem ser adjetivas; ou substantivos:
adverbiais (causais, concessivas, - Em substantivos do mesmo gênero, o
condicionais). adjetivo passa para o plural desse gênero ou
Viu uma mulher / sorrindo. concorda com o mais próximo:
Cabelo e bigode feitos (ou feito).
- De particípio: podem ser adjetivas;
adverbiais (temporais, causais, concessivas, - Em substantivos de gêneros diferentes,
condicionais). o adjetivo passa ao masculino plural ou
Ocupado com um trabalho importante, / concorda com o mais próximo:
esqueci de comer. Barba e bigode feitos (ou feito).
Questões - Caso o adjetivo esteja anteposto aos
substantivos, concordará com o substantivo
01. (Prefeitura de Córrego Novo - mais próximo:
Assistente Social - Máxima/2022) “Com Mantenha feitas a barba e o bigode.
os dias, Senhora, o leite na primeira vez
coalhou.” O termo destacado é: - O adjetivo deve concordar com o
(A) Vocativo; substantivo mais próximo, quando teste
(B) Adjunto adnominal; possuir sentido equivalente ou gradação:
(C) Aposto; Exalava muita raiva e rancor.
(D) Núcleo do sujeito.
Particularidades
02. (Prefeitura de São Miguel do Passa Possível
Quatro - Médico - OBJETIVA/2022) - Quando preceder de o mais, o menor,
Assinalar a alternativa que apresenta uma o melhor, o pior (no singular):
50
Língua Portuguesa
Chegou o mais próximo possível. Só quem já passou por isso sabe.
- Quando preceder de os mais, os - As palavras pseudo, alerta, salvo,
menores, os melhores, os piores (no exceto não são variáveis:
plural): Ele (ela) é um pseudointelectual.
Escolheu os melhores possíveis. É bom ficarmos alerta.
Salvo-condutos.
Incluso e Anexo Exceto ele (eles).
- O adjetivo concordará com o
substantivo ao qual se refere: - Quite, de se livrar de algo, concorda
Envio-lhe inclusos (ou anexos) os com quem faz referência:
documentos. Estamos quites com o banco.
*Em anexo é invariável:
Envio-lhe, em anexo, os documentos. - As palavras obrigado, mesmo e
próprio devem concordar com o gênero e
Leso número da pessoa a qual fazem referência:
Do adjetivo “lesado”, deve concordar Muito obrigada.
com o substantivo com o qual forma Ela mesma fez aquilo.
palavra composta: Sim, ela, a própria.
O deputado cometeu crime de lesa-pátria
Importante lembrar que o artigo
Predicativo concorda com o substantivo:
- Quando o substantivo apresentar Os gatos.
sentido indeterminado, sem artigo, o A gata.
adjetivo aparece no masculino:
É proibido entrada. Quando o pronome substitui o
substantivo, deve concordar com o mesmo:
- Quando o substantivo apresentar Rafael é um cara bacana. Ele é meu
sentido determinado, com artigo, o adjetivo amigo.
deve concordar com o substantivo: Maria e Gabriela são conhecidas. Elas
É necessária muita paciência. são minhas vizinhas.
*Note que: o adjetivo deve concordar
- Meio, de metade, pode variar: com o substantivo. Quando o pronome
Só contou meias verdades. substitui o substantivo, o adjetivo concorda
com o mesmo.
- Meio, de advérbio, não varia:
Estava meio cansado. Concordância Verbal
O verbo concorda em número e pessoa
- Muito, Pouco, Bastante, Tanto, com o sujeito da oração.
quando pronomes, podem variar: - Com sujeito simples, concordância em
Havia bastantes nuvens no céu. número e pessoa:
*Quando advérbios, não variam: Rafael escreverá diversos romances e
Ficaram muito cansados. poesias.
- Só, quando adjetivo, pode variar - Caso seja sujeito composto, verbo no
Ele se sente só. plural:
Eles se sentem sós. Seu olhar e seu sorriso mexeram com
meu coração.
- Quando indicar exclusão, não pode
variar:
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Língua Portuguesa
- Caso um desses sujeitos aparecer
depois do verbo, então a concordância Quando o referente do pronome relativo
ocorre com o núcleo mais próximo, ou fica que for, por exemplo, daqueles, o verbo vai
no plural: para a 3ª pessoa do plural.
Ainda imperavam (ou imperava) o ferro Não sou daqueles que corre.
e o porrete. *Mas a concordância poderia ocorrer
com um daqueles.
- Se o sujeito for composto por pronomes Não sou um daqueles que correm.
pessoais distintos, a concordância do verbo
se dará pela prioridade gramatical das - Quando houver o verbo ser + pronome
pessoas: pessoal + que, a concordância do verbo
Eu e você somos amigos. ocorre com o pronome pessoal:
Tu e ele fazeis bem. Como o vós deixou Sou eu que faço isso. Somos nós que
de ser utilizado, o mais comum, hoje, é “Tu fazemos isso.
e ele fazem bem”.
- Caso ocorra o verbo ser + pronome
- Quando as expressões não só...mas pessoal + quem, então o verbo concordará
também, tanto/quanto estão relacionadas a com o pronome pessoal ou ficará na 3ª
sujeitos compostos, há a possibilidade de pessoa do singular:
concordância tanto no singular quanto no Sou eu quem começo a dança. Sou eu
plural: quem começa a dança.
Tanto meu primo quanto seu pai
conseguiram (ou conseguiu) uma nova - O verbo fica no plural quando os nomes
casa. próprios locativos ou intitulativos forem
precedidos de artigo no plural. Do
- Quando o sujeito composto, que estiver contrário, fica no singular:
ligado por ou, indicar uma exclusão ou Os Estados Unidos são uma potência
sinonímia, o verbo deve ficar no singular: mundial.
Carlos ou André será o vencedor. Minas Gerais é um estado brasileiro.
- Mas se indicar uma inclusão ou - Quando as expressões um dos e uma
antonímia o verbo deve ficar no plural: das vier antes do pronome relativo, o verbo
O bem e o mal estão presentes nas fica no plural ou na 3ª pessoa do singular:
pessoas. Ele é um dos que mais jogou (ou
jogaram).
- Caso indicar uma retificação, o verbo
dever concordar com o núcleo mais - Caso transmita a ideia de seletividade,
próximo: o verbo fica no singular:
O técnico ou os jogadores darão Aquele é um dos livros de Stephen King
entrevista após o jogo. que virará filme este ano.
- Quando expressões do tipo a maioria - Quando ocorre sujeito nome de algo
de, a maior parte de + um nome representar (ou um dos pronomes nada, tudo, isso ou
o sujeteito, o verbo deve concordar no aquilo) + o verbo ser + predicativo no
singular para realçar o todo, ou no plural plural, o verbo ser fica no singular ou no
para realçar a ação individual: plural (o que comumente ocorre):
A maioria das pessoas quer um país Assim falou o professor: a pátria não é
melhor. ninguém, são todos.
A maioria das pessoas querem um país
melhor.
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Língua Portuguesa
- Caso os pronomes quem, que e o que (D) “Este é o verdadeiro poder do
iniciem uma oração interrogativa, o verbo hábito.”
ser deverá concordar com o nome ou (E) “...cria os mundos onde cada um de
pronome que o suceder: nós habita. ”
Quem foram os eleitos?
02. (Prefeitura de Pedras Altas -
- Quando o primeiro termo (que é Tesoureiro - OBJETIVA/2022) Em
sujeito) for um substantivo e o segundo relação à concordância verbal, assinalar a
termo for um pronome pessoal, o verbo ser alternativa CORRETA:
vai concordar com o pronome pessoal: (A) Haviam documentos guardados na
As árvores somos nós. gaveta
(B) Os meninos não compreendeu
- O verbo ser fica no singular em aquele cartaz.
expressões como é muito, é pouco, é mais (C) As alunas passaram na prova.
de, é tanto, é bastante que indicam um (D) Existe muitas pessoas que gostam de
preço, medida ou quantidade: verão.
Hoje em dia cem reais é quase nada.
Gabarito
- Quando o verbo ser indicar data, hora
ou distância, deve concordar com o 01.E - 02.C
predicativo:
São exatamente duas horas. Hoje são 20
de setembro. Uso da crase;
- Quando temos a voz passiva sintética e
o pronome apassivador se, o verbo deve Apesar de a crase ser marcada na escrita
concordar com o objeto direto aparente, que com o acento grave, não se trata de uma
é o sujeito paciente: questão de acentuação ou tonicidade, mas
Observavam-se luzes. sim de uma contração da preposição a, que
pode ser com:
- Quando o sujeito é indeterminado e - o artigo feminino a ou as
houver o pronome indeterminador do “Fomos à Bahia e assistimos às
sujeito, o verbo aparece na 3ª pessoa do festividades”.
singular:
Precisa-se de funcionários. - o pronome demonstrativo a ou as
“Chamou as funcionárias e entregou o
Questões documento à mais experiente”.
01. (Prefeitura de Bom Conselho - - o a inicial dos pronomes aquele(s),
Técnico de Laboratório - aquela(s), aquilo
UPENET/IAUPE/2022) Assinale a “Estava se referindo àquele menino”.
alternativa cujo termo sublinhado NÃO “Poucos se aventuram àquela cidade”.
indica exemplo de Concordância Nominal.
(A) “...ele escreveria a famosa afirmação A crase é resultado da contração da
de que a vontade de ter fé...” preposição a (exigida por um termo
(B) “E que um dos métodos mais subordinante) com o artigo feminino a ou
importantes para criar essa crença...” as (solicitado por um termo dependente).
(C) “...ou com praticamente nenhuma
consciência.” “Fui à praia”
Fui a (preposição) +
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Língua Portuguesa
a (artigo) praia - diante da palavra casa, no sentido de
lar, domicílio, quando não estiver
“Assisti à peça” acompanhada de adjetivo ou locução
Assisti a (preposição) + adjetiva
a (artigo) peça “Voltei a casa alegre.” [Vou para casa;
vim de casa.]
Quando não existe a presença da *Se a palavra casa estiver acompanhada
preposição ou do artigo, o uso da crase não de adjetivo ou locução adjetiva, ocorrerá o
acontece. uso da crase:
“Os turistas visitaram a praia” “Fui à casa de meu vizinho”.
Os turistas visitaram + *Quando casa não designar um lar,
a (artigo) praia deve-se empregar a crase:
“O economista foi à Casa da Moeda”.
“Não conte a ninguém” “Dom Pedro II pertenceu à casa de
Não conte + Bragança”.
a (preposição) ninguém
- em locuções formadas pela repetição
Casos onde não há crase da mesma palavra
- diante de palavras masculinas “Os lutadores ficaram frente a frente”.
“Não assisto a filmes de terror, pois “Dia a dia, luto para melhorar de vida”.
tenho medo”.
*Se as palavras moda ou maneira forem - diante do substantivo terra, em
retomadas, por elipse, pelas expressões à oposição a bordo, a mar
moda de ou à maneira de, a crase aparece “O capitão resolveu fazer uma parada
diante de nomes masculinos: para os marinheiros descerem a terra.”
“Estilo à Machado de Assis”. *Com exceção desse tipo de caso, usa-se
“Deixou crescer o bigode à Salvador crase:
Dalí”. “O piloto realizou uma manobra, e o
avião voou rente à terra”.
- diante de substantivos femininos
utilizados em sentido geral e indeterminado - diante de artigos indefinidos e de
“Não comparece a festas, muito menos a pronomes pessoais (mesmo os de
reuniões”. tratamento) e interrogativos
“Chegaram à estação a uma hora ruim.”
- diante de nomes de parentesco que “Para solucionarem o problema,
precedidos de pronome possessivo recorreram a mim”.
“Peça desculpas a sua avó!” *Senhora e senhorita são exceções, por
isso a crase deve ser utilizada:
- diante de nomes próprios, quando não “Peço à senhora que tenha pena de
admitirem o artigo mim”.
“Ela pretende ir a Brasília e depois a São “Quero entregar este presente à
Paulo”. senhorita”.
* Se o nome próprio admitir o artigo, ou
vier acompanhado de adjetivo ou locução - antes de outros pronomes que não
adjetivo, ocorrerá o uso da crase: aceitam o artigo, situação que ocorre com a
“Fomos à Alemanha para conhecer a maioria dos indefinidos e relativos e grande
cultura local”. parte dos demonstrativos
“Fui à bela São Paulo”. “Referi-me a todas as pessoas”.
“Pois essa é a vida a que almejamos”.
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Língua Portuguesa
“Diariamente chegam visitas a esta * Há um certo consenso entre gramáticos
localidade”. de não utilizar crase nos casos onde a
*Certos pronomes admitem o artigo, e distância não estiver especificada. Por isso
dão espação à crase: escreve-se:
“Prestavam atenção umas às outras”. “Educação a distância”.
“Diga à tal senhora que aqui nós “Observava-o a distância”.
trabalhamos com seriedade e
profissionalismo”. Haverá crase quando a locução
prepositiva até a aparecer seguida de
- diante de numerais cardinais que se palavra feminina:
referem a substantivos não determinados “Até à hora da saída, os alunos fizeram
pelo artigo, utilizados em sentido genérico muita bagunça”.
“Assisti a duas séries em sequência”.
“A fábrica fica a seis quilômetros da Uso facultativo da crase
casa do trabalhador.” - antes de nomes próprios femininos:
“O número de pessoas na arquibancada “Entregarei o presente de aniversário à
não chegava a quinze.” Júlia (ou a Júlia)”.
*A crase deve ser utilizada em locuções
adverbiais que expressam hora determinada - antes de pronomes possessivos
e em casos nos quais o numeral ser femininos:
precedido de artigo: “Enviei a carta a minha mãe (ou à minha
“Chegou às duas horas da tarde”. mãe)”.
“Entregaram as medalhas às três atletas
vencedoras”. Dica:
Usamos crase quando temos a
- diante de verbos preposição a + o artigo a.
“Estou disposto a fazer tudo o que “Vou à Lua”.
pedir”. Tem crase, pois o verbo pede a
“Começaram a trabalhar com afinco”. preposição a (quem vai, vai a algum lugar)
e Lua é feminina (a Lua).
- Antes de palavra no plural:
“Não gosto de ir a festas muito lotadas.” “Vou a Marte”.
Não tem crase, pois Marte é indefinido.
Por outro lado Ninguém diz “o Marte” ou “a Marte”.
A crase ocorre antes de locuções
formadas de substantivo feminino “Vou ao Japão”.
- locuções adverbiais (à parte); Não tem crase, pois Japão é masculino
- locuções conjuntivas (à medida que); (o Japão). Então a preposição a se junta ao
- locuções prepositivas (à força de). artigo a, formando ao.
*Em locuções adverbiais que indicam
instrumento ou meio, a crase é opcional: “Vou às praias do Nordeste”.
“Escrever a (ou à) mão”. Tem crase, pois a preposição está no
plural, assim como o artigo antes do
Em casos nos quais a palavra distância substantivo no plural.
aparecer determinada, ou quando essa
palavra significar na distância, usa-se “Vou a praias e a montanhas.”
crase: Não há crase, pois a preposição fica no
“O gol estava à distância de 30 metros singular, apesar de os substantivos estarem
do batedor da falta”. no plural. Os substantivos não estão
especificados, como no exemplo acima.
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Língua Portuguesa
“Vou aos pontos turísticos mais
Pontuação (uso de vírgula, aspas e ponto
conhecidos”. final).
A preposição se junta ao artigo no plural
os, formando aos.
Vírgula
Questões Separa elementos de uma oração e
orações de um só período. No interior da
01. (PC-SP - Escrivão de Polícia - oração:
VUNESP/2022) Assinale a alternativa em - Separa elementos que desempenham a
que os sinais indicativos de crase estão mesma função sintática (complementos,
empregados de acordo com a norma- sujeito composto, adjuntos), caso não
padrão. estejam unidos pelas conjunções e, ou e
(A) Foi comunicado à todas as seções nem:
que os adiantamentos de salário estão No céu fosco, pelo vão da janela, as
suspensos, até à próxima semana. estrelas ainda brilhavam. (C. D. de
(B) Serão destinados recursos à Andrade)
populações desabrigadas, com especial
atenção às crianças. - Separa elementos que desempenham
(C) Os depoimentos serão colhidos de funções sintáticas variadas, visando realçá-
segunda à sexta- -feira, exigida à presença los.
da autoridade competente. - Isolando o aposto, ou outro elemento
(D) Está definido que à partir da próxima de valor simplesmente explicativo:
semana os documentos serão enviados à Jonas, o jogador, é um craque.
matriz, para arquivamento.
(E) A preferência no atendimento será - Isolando o vocativo:
dada àquelas pessoas que fizeram Cara, desse jeito não dá.
agendamento pelo site, como convém à
ordem dos trabalhos. - Isolando o adjunto adverbial
antecipado:
02. (Prefeitura de Juatuba - Assistente Depois de um belo almoço, retornei ao
Social - REIS & REIS/2022) Assinale a trabalho.
alternativa em que está correto o uso da
crase. - Isolando os elementos repetidos:
(A) À partir daquele momento, tudo O pão está quentinho, quentinho.
começou a fazer sentido.
(B) Os livros foram entregues à ele. A vírgula pode ser empregada no interior
(C) Ela havia se referido às crianças da da oração para:
vizinha. - Separar, na datação, o nome do lugar:
(D) Tudo terminou dentro do prazo, Júnior Almeida, 09 de outubro de 2001.
graças à Deus.
- Indicar a supressão de uma palavra
Gabarito (normalmente o verbo) ou de um grupo de
palavras:
01.E - 02.C Veio a chuva; com ela, o frio.
A vírgula entre orações.
- Separa as orações coordenadas
assindéticas:
Deitava-me, dormia, sonhava.
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Língua Portuguesa
- Separa as orações coordenadas - Separa orações reduzidas de particípio,
sindéticas, menos aquelas introduzidas pela de gerúndio e de infinitivo, caso se
conjunção e: equivalham a orações adverbiais:
Terminara a refeição, mas continuava Escondido no canto, observava-os com
com fome. atenção.
Não obtendo sucesso, entristeceu-se.
- As orações coordenadas unidas pela Ao abrir a porta, já sabia o que
conjunção e, e que possuem sujeito encontraria.
diferente, são separadas por vírgula:
A senhora sorria calidamente, e o IMPORTANTE LEMBRAR
menino correspondia ao sorriso. - Qualquer oração, ou termo de oração,
com valor puramente explicativo é
- Quando a conjunção e é reiterada, o pronunciada entre pausas. Sendo assim, são
comum é separar as orações introduzidas isolados por vírgula.
por ela: - Os termos essenciais e integrantes da
E nasce, e cresce, e vive, e falece. oração são interligados sem pausa. Desse
modo, não podem ser separados por
- A conjunção adversativa mas deve vir vírgula. Sendo assim, não se utiliza vírgula
no início da oração, diferente das demais, entre uma oração subordinada substantiva e
que podem vir tanto no início como depois a sua principal.
de um de seus termos. No primeiro caso, a
vírgula ocorre antes da conjunção; já no Ponto
segundo, é isolada por vírgulas: - Indica o fim de uma oração declarativa,
Faça o que bem entender, mas saiba dos tanto a absoluta, quanto a derradeira de um
riscos. período composto:
Faça o que bem entender, porém saiba Nada pode contra a seleção brasileira.
dos riscos. Nada pode contra essa equipe que encanta
Faça o que bem entender, saiba, todavia, o mundo há gerações e gerações.
dos riscos.
- É utilizado ao final das orações
- Se a conjunção conclusiva pois estiver independentes, sendo chamado de ponto
proposta a um termo da oração a que simples.
pertence, deverá ser isolada por vírgulas: Faz calor. Há chuva. Parece que o verão
Veste roupas alviverdes; é, pois, começou.
palmeirense.
- Ao final de cada oração ou período que,
- Isola orações intercaladas: ligados pelo sentido, representarem
Caso eu vá mais cedo, pensou consigo, desdobramentos de somente uma ideia
todos acharão esquisito. central (não desencadeando, portanto,
mudança do teor do conjunto).
- Isola orações subordinadas adjetivas “Cálido, o estio abrasava. No esplendor
explicativas: cáustico do céu imaculado, o sol, dum
Senhor, que lavras a terra, descanse um brilho intenso de revérbero, parecia girar
pouco. vertiginosamente, espalhando raios em
torno. Os campos amolentados, numa
- Separa orações subordinadas dormência canicular, recendiam a
adverbiais, sobretudo se antepostas à coivaras...” (Coelho Neto)
principal:
Quando meu irmão voltou da Europa, - O ponto simples também é utilizado em
trouxe presentes para a família. abreviaturas:
57
Língua Portuguesa
Sr. - Dar ênfase ou evidenciar uma
Sra. expressão:
O tal “trabalho” que ele fez não vale um
- Na escrita, quando um grupo de ideias centavo!
é encerrado e quer-se passar para o
seguinte, um novo parágrafo é iniciado. O - Indicar estrangeirismos, gírias ou
ponto parágrafo é o que marca essa expressões:
mudança. Ele é o ponto que marca o fim do Ele estava meio que numa “bad”.
parágrafo, com o próximo grupo de ideias
tendo início na próxima linha, num novo - Indicar o título de obras:
parágrafo. O livro “Dom Casmurro” foi escrito por
Machado de Assis.
- O ponto que finaliza o escrito é
chamado de ponto final. É o último ponto, Questões
ao final do texto.
01. (MPE/GO - Secretário Auxiliar -
Ponto e Vírgula MPE/GO/2022) Assinale a frase escrita em
- É utilizado para separar orações desconformidade com a norma-padrão da
coordenadas de certa extensão: língua portuguesa quanto ao emprego da
"Logo após pegou o pacote vermelho; vírgula.
entregou seu conteúdo ao amigo, ficando (A) O presidente do procedimento
apenas com a embalagem”. investigatório criminal declarará, a
qualquer tempo, seu impedimento ou
- Utilizado para separar as séries ou suspeição.
membros de frases já interiormente (B) Durante a tramitação da
separadas por vírgulas. investigação, o interessado poderá arguir o
“Uns estudam, ralam, labutam; outros, impedimento ou a suspeição do presidente
descansam, curtem, viajam”. do procedimento investigatório criminal.
(C) A arguição de suspeição ou de
- Usado para separar os diversos itens de impedimento será formalizada em peça
enunciados enumerativos (em leis, própria, acompanhada das respectivas
decretos, portarias, regulamentos, etc.). razões, e instruída com a prova do fato
Art. 16. O direito à liberdade compreende os constitutivo alegado, sob pena de não
seguintes aspectos: conhecimento.
I - ir, vir e estar nos logradouros públicos e
espaços comunitários, ressalvadas as restrições
(D) Recebida a arguição será autuada,
legais; em apartado e apensada aos autos
II - opinião e expressão; principais.
III - crença e culto religioso;
IV - brincar, praticar esportes e divertir-se; (...) 02. (Prefeitura de Nova Hartz -
(Estatuto da Criança e do Adolescente)
Técnico de Enfermagem -
- A palavra que vem após o ponto e OBJETIVA/2022) Em relação à
vírgula deve ser minúscula, já que uma pontuação, assinalar a alternativa
nova sentença não foi iniciada. CORRETA:
(A) Ele disse por, que estava com
Aspas dúvidas sobre o conteúdo.
São utilizadas para: (B) Maria, e Cleide, disseram que iriam
- No início uma citação textual: buscar João na estação.
E disse Sigmund Freud: “o sonho é a (C) Ele foi preso, visto que, ameaçou sua
estrada real que conduz ao inconsciente”. esposa.
58
Língua Portuguesa
(D) O presidente da empresa, Ramiro,
disse que estávamos de folga.
Gabarito
01.D - 02.D
59
Matemática
SUMÁRIO
Operações fundamentais: adição, subtração, multiplicação e divisão. Operações com
números naturais e números racionais. ................................................................... 1
Teoria dos conjuntos. .......................................................................................... 5
Operações com frações, mínimo múltiplo comum e máximo divisor comum. .. 7
Funções exponenciais. ....................................................................................... 11
Sistemas lineares. .............................................................................................. 11
Números complexos. ......................................................................................... 14
Raciocínio lógico............................................................................................... 15
Polinômios. ........................................................................................................ 22
Produtos notáveis. ............................................................................................ 23
Equações de 1º e 2° Grau. Problemas.. ............................................................. 24
Probabilidades. .................................................................................................. 26
Fatoração. .......................................................................................................... 26
Potenciação........................................................................................................ 27
Regra de três simples e composta. .................................................................... 28
Juros simples e composto. ................................................................................. 30
Razão e proporção.. ........................................................................................... 30
Porcentagem. ..................................................................................................... 31
Grandezas proporcionais. .................................................................................. 32
Sistema de medidas decimais: metro, metro quadrado e cúbico, litro, grama. . 33
Média aritmética simples e ponderada. ............................................................. 35
Sistema Monetário Brasileiro. ........................................................................... 36
Noções básicas de estatísticas, gráficos e tabelas. ............................................ 38
Apostilas
Domínio
Matemática
Operações fundamentais: adição, Podemos escrever apenas os negativos
subtração, multiplicação e divisão.
Operações com números naturais e ℤ_ = {… − 4, −3, −2, −1}
números racionais
E os positivos, que são os naturais
Naturais
Os números naturais são os inteiros ℤ+ = { 0, 1 , 2, 3 … }
positivos.
Podemos colocá-los em forma de
ℕ = {0, 1, 2, 3, 4 … . } conjuntos agora.
Podemos representá-los sem o zero,
colocando um asterisco.
ℕ∗ = {1, 2, 3, 4 … . }
Como eles são inteiros, podemos falar de
antecessor e sucessor.
O zero não possui antecessor, mas seu
sucessor é o 1.
O antecessor de 1 é 0 e o sucessor é o 2.
Inteiros
São os naturais mais os inteiros O que isso quer dizer?
negativos. Os Inteiros, englobam os naturais, mas
tem alguns números que não estão nos
ℤ = {… − 4, −3, −2, −1, 0, 1 , 2, 3 … } naturais, por isso sempre sobra um espaço.
Os números Naturais são simbolizados
pelo N e os inteiros por Z, estranho, né? Racionais
Mas I seriam os irracionais. São todos os números que conseguimos
Para ajudar a lembrar que é o Z, vamos escrever em forma de fração, são
falar assim oZinteiros (olha que representados por ℚ
bonito...rsrsrs) Naturais e Inteiros
4 8
−4 = − 𝑜𝑢 − …
1 2
2
2= …
Lembrando que números opostos 1
somados, o resultado é zero. Números decimais finitos
2
0,2 =
10
120
1,2 =
100
Dízima periódica
Para transformar uma dízima periódica
Da mesma forma que escrevemos os em fração, temos um método rápido
naturais sem o zero, aqui também podemos Quando a dízima periódica tiver um
brincar com os números. período, basta colocar o período sobre 9.
ℤ∗ = {… − 4, −3, −2, −1, 1 , 2, 3 … } 3
0,3333 … . =
9
1
Matemática
Quando tiver dois números, colocamos Observe que 1000x e 100 x ficaram
99: iguais na parte decimal.
56 1000x=241,414141...
0,565656 … = - 10x=2,414141..
99
-------------------------
Se tiver um número antes do período: 990x=239
241-2=239 X=239/990
Lembrando que quando tiver dois
algarismos no período colocamos o 99,
então como tem um número antes do
período colocamos o zero.
239
0,241414141 =
990
Agora, um método um pouco mais
demorado.
Vou fazer com os mesmos números, para
ficar mais fácil a visualização.
Com período de 1 algarismo, E finalmente os Reais que
multiplicamos por 10 Para falarmos dos Reais, precisamos
X=0,333... falar dos irracionais.
10x=3,333 Os irracionais são todas dízimas não
periódicas, incluindo o . Então são as
10x=3,333...
raízes não exatas.
- x=0,333...
--------------- √2, √3 …
9x=3
X=3/9
Dois algarismos, multiplicamos por 100
X=0,565656...
100x=56,5656...
100x=56,565656...
- x=0,565656...
---------------------
99x=56 Soma
X=56/99 As propriedades da soma são:
-Comutativa: a ordem da Parcela, não
Como precisamos sempre excluir a parte altera o valor.
decimal, para o próximo número, teremos 3+5=5+3
que fazer mais multiplicações. -3+5=5+(-3)
X=0,2414141... -Associativa: Em uma adição com três
10x=2,414141... ou mais parcelas, o resultado também
100x=24,14141... continua o mesmo, independente da ordem.
1000x=241,414141... 1+(2+3)=(1+2)+3
1+(-2+3)=(1+(-2))+3
2
Matemática
-elemento neutro:o zero é um elemento Aqui devemos pensar o seguinte:
neutro. Estou devendo 2 reais, ao invés de pagar
Independente de que número você somar a pessoa, eu devo 3, novamente.
a ele, o resultado é o próprio número. Ora, estou DEVENDO 5!
2+0=2 Toda vez que falarmos devendo,
colocaremos o sinal de negativo na frente,
Oposto: para qualquer número diferente portanto essa conta dá -5
de zero, sempre existe um oposto e se Combinado? Esse raciocínio é muito
somados, o resultado será zero. bom e não tem erro!
-2+2=0 E se eu precisar fazer uma conta maior?
2+(-2)=0 E tiver que montar? Aposto que muita gente
esqueceu como faz conta de subtração.
Acho que aqui, talvez o que você terá um 300
pouco de dificuldade, seja a soma de fração. -109
Exemplo 9 não da pra tirar de zero, então
1 1 emprestamos, para o zero virar 10(eu não
+
3 2 coloquei o 1 junto ao zero, pois a
visualização ficaria ruim).
Temos que achar o mmc Como o número do lado é zero, pegamos
Mmc(2,3) =6 do anterior.
Vamos fazer aquela regrinha: divide
pelo debaixo e multiplica pelo de cima.
2 3 5 29
+ =
6 6 6 300
-109
Na soma, somamos em cima e mantém o ------
debaixo. 191
Subtração Na subtração, vamos dar o mesmo
Muita gente acaba confundindo algumas exemplo que a soma.
coisinhas nessa operação, então vamos ver
se eu consigo esclarecer e tornar a 1 1
matemática cada vez mais agradável para −
3 2
seus olhos.
2 3 −1
Primeiro passo: vamos fazer uma conta − =
6 6 6
bem simples?
-2-3 Multiplicação
Para alguns isso é simples, para outros,
nem tanto. Propriedade Comutativa: a ordem não
Se você faz parte do segundo grupo, importa
vamos lá! 2x4=4x2
Qual o problema aqui? Muitos acabam
confundindo com a operação de Distributiva: podemos multiplicar
multiplicação, onde ‘menos’ com ‘menos’ separado os termos
é mais. 2x(3+4)=2x3+2x4=6+8=14
E esse resultado daria +5.
Mas, não!
3
Matemática
Associativa: quando houver 3 números sabemos que dará com vírgula o resultado.
ou mais, podemos deixar os fatores da E minha pergunta para você, candidato,
maneira que acharmos mais fácil de realizar você sabe diferenciar quando colocamos
a operação. vírgula ou quando vem o zero??
11x2x3
11x(2x3)
11x6=66
Elemento neutro: no caso da
multiplicação é o 1. Se eu quiser continuar essa conta..
Qualquer número que multiplicarmos 278 3
por 1, o resultado é o próprio número. 08 92,6...
123456x1=123456 20
2
Elemento inverso: Quando Como não tinha mais números e eu
multiplicamos um número pelo seu inverso, quero continuar a divisão, eu coloco a
o resultado é 1. vírgula
1 510 5
234 ∙ =1
234 01 10
Números Decimais 5:5=1
Como eu tenho que abaixar o 1, mas não
0,25 da pra dividir por 5, eu coloco o zero na
X0,03 chave e abaixo o número do lado(no caso o
--------- zero)
0,0075
510 5
Lembrando que para a multiplicação 010 102
com números decimais temos que contar as 0
casas dos dois números.
Agora, vamos misturar.
0,25-2 casas após a vírgula
0,03 – 2 casas 11,11 11
Então, o resultado terá: 2+2=4 casas Para essa divisão, temos que igualar as
decimais casas
E a multiplicação de fração? 11,11 11,00
1 1 1 Assim, cortamos as vírgulas
∙ =
3 2 6
1111 1100
Multiplica em cima e multiplica 11 1
embaixo.
Se eu quero continuar a conta, eu coloco
Divisão vírgula e um zero
Agora, que eu quero ver!
Divisão é uma das operações que temos 1111 1100
mais dificuldade! Sempre usamos a 110 1,
calculadora, principalmente quando já
4
Matemática
Mas, o 110 ainda é menor que 1100 E - prejuízo de R$ 70,00.
então colocamos o zero nos dois lados
Alternativas
1111 1100 01. C - 02. D.
1100 1,01
Para a divisão com fração, vamos dar um Teoria dos conjuntos.
pouco de atenção.
1 1
: Relação de Pertinência
3 2
Para relacionar os números com os
A segunda fração, nós invertemos e conjuntos, podemos colocar pertence ()
assim fazemos uma multiplicação. ou não pertence ()
Exemplo:
1 2 2 O conjunto
∙ =
3 1 3
ℕ = {0, 1, 2, 3, 4 … . }
Questões 0∈ℕ
−1 ∉ ℕ
01. ( CAU – Profissional de nível Relação de Inclusão
médio suporte – IADES/2021) Três Relacionam conjuntos.
estudantes (A, B e C) moram em uma (está contido), (contém)
mesma rua retilínea, na qual a escola deles
também se encontra. A escola fica na ℕ⊂ℤ⊂ℚ⊂ℝ
metade do caminho entre a casa de A e a de
B. A casa de B fica a meio caminho entre a A “boca” aberta é sempre para o maior
escola e a casa de C. Se a escola está a 3 conjunto.
quilômetros (km) da casa de C, qual é a
distância, em km, entre as casas de A e C? União()
A-3
B-4 Exemplo: Sendo o conjunto
C - 4,5 A={1,2,3,4} e o conjunto B={4,6,7}.
D- 5 Calcule a união.
E- 6
AB={1, 2, 3, 4, 6, 7}
02. (CRN – Auxiliar Administrativo –
IADES/2021) Um feirante comprou, no Portanto, basta colocarmos todos os
Ceasa local, 50 pés de alface por R$ 5,00 a números no mesmo conjunto.
unidade. No mesmo dia, na feira do bairro,
vendeu 30 pés de alface por R$ 8,00 cada.
Mais tarde, antes do horário da xepa, ele
conseguiu vender o restante dos pés de
alface a R$ 4,00 a unidade. Acerca do
resultado da movimentação de suas vendas,
é correto afirmar que ele teve
A - prejuízo de R$ 50,00.
B - lucro de R$ 50,00.
C - lucro de R$ 60,00.
D - lucro de R$ 70,00.
5
Matemática
Intersecção () Vamos com um exemplo de concurso
para tornar nossa vida mais divertida!
Vamos seguir sempre com os mesmos
exemplos, para ficar fácil a comparação. ( CAU – Auxiliar de fiscalização –
Exemplo: Sendo o conjunto IADES/2022)Em determinado dia, o
A={1,2,3,4} e o conjunto B={4,6,7}. Conselho de Arquitetura e Urbanismo do
Calcule a intersecção. Brasil (CAU/BR) recebeu 40 solicitações
de emissão da Certidão de Acervo Técnico
AB={4} (CAT) ou da Certidão Negativa de Débito
(CND). Sabe-se que 34 empresas
Ou seja, a intersecção é o elemento que solicitaram a CAT e 16 empresas
se repete nos dois conjuntos. solicitaram a CND. Quantas empresas
solicitaram simultaneamente os dois tipos
de certidões?
A) 10
B) 11
C) 14
D) 15
E) 16
Resolução
N(AB)=n(A)+n(B)-n( AB)
Diferença 40=34+16- n( AB)
A-B={1, 2, 3} n( AB)=34+16-40
n( AB)=10
Tudo que está em A e não está em B.
Questões
01. (EBSERH – Técnico em
Contabilidade – IBFC/2022) Para saber a
preferência entre a utilização de dois
produtos A e B foram entrevistadas 185
pessoas, das quais 72 utilizam o produto A,
94 utilizam o produto B, e 36 utilizam
ambos os produtos. Nessas condições, o
total de pessoas que não utilizam quaisquer
B-A={6, 7} um dos 2 produtos é igual a:
Tudo que está em B e não está em A. A) 45
B) 55
C) 65
D) 17
E) 38
02. (CÂMARA DE FRANCA/SP –
Oficial Legislativo – IBFC/2022) Ao
observar os conjuntos finitos A =
{1,3,5,7,9} e B = {0,2,3,7}, Marcelo
Para os amantes de fórmulas: afirmou que a diferença entre os dois
N(AB)=n(A)+n(B)-n( AB) conjuntos, nessa ordem, é:
6
Matemática
A) {0,1,5,9} -Subtração
B) {1,5,9} Mesma coisa que a soma, mas
C) {0,2} subtraímos.
D) {1,2,5,9} 2 3
−
5 2
Alternativas 2 4
=
01. B – 0.2 B 5 10
3 15
=
2 10
Operações com frações, mínimo múltiplo
comum e máximo divisor comum. 4 15 11
− =−
10 10 10
Frações
Representa divisão de dois números. -Multiplicação
Sendo o número de cima chamado de Multiplicamos numerador com
numerador e o debaixo de denominador. numerador e denominador com
2 denominador.
𝐸𝑥: 2 3 6
5 ∙ =
2-numerador 5 2 10
5-denominador Podemos deixar a fração de forma
irredutível, dividindo por 2.
Representa a parte de um todo. É sempre
6 3
legal pensarmos em pedaços de pizza, que =
as contas ficam mais fáceis. 10 5
No exemplo acima: se dividirmos uma
pizza em 5, pegamos 2 pedaços. -Divisão
2 3
:
5 2
Vamos transformar em uma
Operações
multiplicação, invertendo a segunda fração.
-soma
2 2 4
Quando os denominadores são ∙ =
diferentes, devemos achar o mmc. 5 3 15
2 3
+ Questões
5 2
Mmc(2,5)=10
01. (PREFEITURA DE SANTO
E dividimos pelo debaixo e
ANTÔNIO DA PLATINA/PR - Técnico
multiplicamos pelo de cima:
em Informática - UNIOESTE/2022)
2 4 Qual número mais se aproxima do
= resultado de 1/3 ÷ 1/4?
5 10 A) 0,25.
3 15
= B) 0,30.
2 10 C) 0,33.
Com os denominadores iguais, podemos
fazer a soma: D) 1,20.
4 15 19 E) 1,33
+ =
10 10 10
7
Matemática
01. (PREFEITURA DE
BOMBINHAS/SC - Agente de
Fiscalização de temporada -
PREFEITURA DE BOMBINHAS/2022)
Em uma festa de aniversário, o Convidado 30=235
1 comeu 1/4 do bolo, enquanto o Para fazer a fatoração de forma correta,
Convidado 2 comeu 4/8 do bolo. Quanto de coloque sempre os números em ordem
bolo sobrou para os outros convidados? crescente, portanto, cuidado com a tabuada!
A) 1/5 de bolo; Parece básico isso, mas pode acarretar em
B) 0,25 de bolo; erros, caso você pule algum número primo.
C) 0,50 de bolo;
D) 30% de bolo.
Alternativas
01. E – 02. B
Números Primos
São números naturais maiores que 1 que Se quiser fazer raiz quadrada com a
possuem como divisor o 1 e ele mesmo. fatoração:
Exemplo: 2(divisível por 1 e por 2) “a cada 2, sai 1”, o que isso quer dizer?
3(1 e 3)
5(1e5)
Usamos os números primos para fazer a
fatoração.
Antes de começar a fatoração, vamos ver
um pouco sobre divisibilidade?
Se o número tiver mais de 2 algarismos, O que fica fora, multiplicamos: 22=4
às vezes ficamos perdidos por qual fator Portanto, 48 = 4√3
primo dividir. E se fosse raiz cúbica?
Então, vamos relembrar algumas
coisas...bem rapidinho e sem enrolação
Pra ser divisível por 2, o número deve ser
par, ou seja, terminados em 0, 2, 4, 6, 8
Divisível por 3: a soma dos algarismos,
deve ser divisível por 3.
Exemplo: 12345=1+2+3+4+5=15 Como A cada 3, sai 1
15 é divisível por 15, então o número 12345 3
48 = 2 √6
é divisível por 3
Múltiplos e Divisores
Divisível por 5: terminados em 0 e 5.
Os múltiplos são infinitos, já os
Até aqui são as regras mais fáceis...acho
divisores são finitos.
que o resta, compensa dividir para ver, do
Uma definição fácil de múltiplos:
que guardar mais uma regra de inúmeras
São os resultados da tabuada que você
que terá na sua apostila.
quer.
Como assim??
A fatoração é usada para descobrirmos
Quais são os múltiplos de 36??
raiz quadrada, raiz cúbica...e qual raiz você
360=0
quiser. E também para fazer o mmc e o
mdc. 361=36
362=72
8
Matemática
363=108
E assim por diante.
M(36)={0, 36,72,108,144,...}
E os divisores?
São aqueles que o número escolhido
pode ser dividido.
Quais são os divisores de 36??
D(36)={1, 2, 3, 4 , 6, 12, 18, 36}
Se eu dividir o 36 por qualquer um Eu só posso usar os fatores primos, que
desses números, a divisão será zero. dividiram os dois números.
Uma boa dica: quando chegar na metade
do número, provavelmente , o próximo já
sera ele mesmo.(como no exemplo acima.
18-36)
NUNCA esqueça!
O zero é múltiplo de todos os números e
o 1 é divisor de todos!
Agora que já sabemos o que são
múltiplos e divisores, vamos ver o Mínimo
Que foram esses circulados.
Múltiplo Comum(mmc) e o Máximo
Divisor Comum(mdc). MDC(36,48)=223=12
E separado?
Qual o mmc entre 36 e 48?
Quantos fatores iguais temos?
Para fazer o mmc, fazemos a fatoração
dos números juntos.
Quando eu destaquei em vermelho, foi
para você perceber que como não pode ser
dividido por 2, eu copiei e continuei
dividindo o 48.
MMC(36, 48)=222233=144
E o máximo divisor comum entre eles? MDC(36,48)= 223=12
Podemos fazer usando a mesma Se ficar atento, pode usar a fatoração
fatoração. Mas, eu particularmente gosto de junto, mas caso ache que vai confundir,
fazer separado. melhor fazer separado para não ter erro,
Vou explicar das duas maneiras, e você pois podem aparecer máximo divisor
escolhe qual preferir, combinado? comum de mais de dois números.
Vamos ver um exemplo de onde usar o
mmc e o mdc??
9
Matemática
(PREFEITURA DE
GUARULHOS/SP – Condutor de
Veículos de Urgência – VUNESP/2021)
Um total de 300 profissionais, sendo 180
condutores de veículos de emergência, e os
demais, enfermeiros, será dividido em
grupos, compostos somente por condutores
de veículos de emergência ou somente por A - 6 minutos.
enfermeiros, com o mesmo e maior número B - 9 minutos.
possível de profissionais, para participarem C - 18 minutos.
de um curso de formação. A diferença entre D - 21 minutos.
o número de grupos somente de condutores E- 27 minutos.
de veículos de emergência e o número de Resolução
grupos somente de enfermeiros será igual a
A - 5.
B - 4.
C - 3.
D - 2. MMC(6,9,18)=233=18
E - 1.
Resolução Questões
Quando você ler “maior número
possível” já ligue uma antena. 01. (PREFEITURA DE
Pois o mdc é o MÁXIMO divisor MANAUS/AM – Condutor de
comum. Ambulância – FGV/2022) Considere um
Primeiro para descobrimos a quantidade número N, inteiro e positivo, tal que 36 e 54
de enfermeiros:300-180=120 são ambos divisíveis por N.
A soma dos possíveis valores de N é
A - 27.
B - 32.
C - 36.
D - 39.
E - 54.
MDC(180,120)=2235=60 02. (COREN/SE – Técnico
Condutores:180/60=3 Administrativo –
Enfermeiros: 120/60=2 CESPE/CEBRASPE/2021) Três técnicas
3-2=1 em enfermagem trabalham em regime de
plantão. Uma delas faz plantão a cada
(PREFEITURA DE LARANJAL quatro dias; outra, de oito em oito dias; e a
PAULISTA/SP – Agente de Trânsito – terceira, a cada cinco dias. Se hoje todas
AVANÇA/2021) Uma motocicleta, um fizerem plantão juntas, farão juntas
carro e um ônibus estão andando em uma novamente em, no mínimo,
pista de corrida. O tempo que cada veículo
leva para realizar uma volta está indicado A - 17 dias.
na figura a seguir. Considerando que eles B - 20 dias.
mantêm velocidades constantes pelo C - 40 dias.
percurso, a cada quanto tempo eles passarão D - 32 dias.
juntos pela linha de chegada?
Alternativas
01. D – 02. C
10
Matemática
positivo.
Funções exponenciais. -o gráfico quase toca o eixo x, mas nunca
encostará.
Função Exponencial Questões
Definida por ℝ → ℝ∗+ e a Lei de
Formação é dada por f(x)=ax, a tem que ser 01. (PREFEITURA DE IRATI/SC –
número real e positivo e diferente de 1. Agente Administrativo – GS
Se a>1, chamamos de função crescente. ASSESSORIA E CONCURSOS/2021) A
Exemplo: Faça o gráfico da função equação exponencial C = 2 (x + 1) representa
f(x)=2x. a progressão dos lucros acumulados de uma
Vamos fazer uma tabela com alguns empresa, em milhões. Sendo X a
valores, para fazer o gráfico. quantidade de meses acumulados, qual será
x y o lucro em um trimestre?
0 1 A) O lucro será de 17 milhões.
1 2 B) O lucro será de 27 milhões.
2 4 C) O lucro será de 26 milhões.
D) O lucro será de 8 milhões.
E) O lucro será de 16 milhões.
02. (PREFEITURA DE
CONCEIÇÃO DE MACABU/RJ –
Agente Administrativo –
GUALIMP/2020) Um cientista
acompanhou o desenvolvimento de uma
cultura de bactérias. Foi verificado que o
número de bactérias presentes nessa cultura
https://www.todamateria.com.br/funcao-exponencial/ era expresso pela função B(t) =20 X 3 t/2 e,
Se 0<a<1, temos uma função onde B(t) representa o número de bactérias
decrescente. presentes nessa cultura e t representa o
1 𝑥 tempo (em dias) em que esse
Exemplo: 𝑓(𝑥) = ( )
2 acompanhamento havia sido iniciado.
x y Quantas bactérias haviam nessa cultura
0 1 12 dias após o início do acompanhamento?
-1 2 A) 4.860.
-2 4 B) 14.580.
C) 9.720.
D) 29.160.
Alternativas
01. E – 02. B
Sistemas lineares.
Para falarmos de sistemas lineares,
https://www.todamateria.com.br/funcao-exponencial/ vamos relembrar como fazemos um
Algumas observações: determinante.
-independente da base, teremos f(0)=1.
-o gráfico sempre terá valores de y
11
Matemática
Determinantes 1 2 2
Só há determinante de matriz quadrada. [3 1 0]
Se houver uma matriz de um único 2 4 2
termo, esse termo é o determinante. 212=4
A=[3] 1 2 2
Det A=|3|=3 [3 1 0]
2 4 2
-matriz ordem 2 104=0
2 1 1 2 2
𝐴=[ ] [3 1 0]
3 5
2 1 2 4 2
𝐷𝑒𝑡𝐴 = | | = 2 ∙ 5 − 1 ∙ 3 = 10 − 3 232=12
3 5
=7 4+12=16
26-16=10
-Matriz de ordem 3
1 2 2 Sistemas Lineares
𝐴 = [3 1 0] Vamos fazer um exercício de dois
2 4 2 modos para você escolher o que achar mais
Para esse tipo de matriz, temos 2 modos viável.
de resolver.
Podemos copiar as duas primeiras (PREFEITURA DE SANTA FÉ DE
colunas: MINAS/MG – Técnico em Informática –
1 2 2 |1 2 COTEC/2021) Se (a, b, c) é solução do
𝐷𝑒𝑡 𝐴 = |3 1 0 | 3 1 | −𝑥 + 2𝑦 − 2𝑧 = 3
2 4 2 | 2 4 sistema linear { 4𝑥 − 7𝑦 + 9𝑧 = 0 , então
Multiplicamos e somamos: 3𝑥 − 6𝑦 + 5𝑧 = 1
112+202+234=2+0+24=26 abc vale
Agora, vamos subtrair:
1 2 2 |1 2 A) 13.420.
|3 1 0 | 3 1 | B) 13.402.
2 4 2 | 2 4 C) 13.400.
212+104+232=4+0+12=16 D) –13.420.
Subtraimos:26-16=10 E) –13.402.
Esse é o primeiro método, podemos Resolução
fazer de uma forma mais direta Pela Regra de Crammer vamos achar o
1 2 2 determinante do sistema.
[3 1 0] Para achar esse determinante, basta
2 4 2 colocar os coeficientes de x, y e z.
Multiplicamos: 112=2 −1 2 −2
1 2 2 𝐷 = [ 4 −7 9 ]
[3 1 0] 3 −6 5
2 4 2 D=35+54+48-42-40-54=1
Multiplicamos: 234=24 Agora, vamos calcular Dx, Dy e Dz
1 2 2 Para isso, vamos colocar na coluna
[3 1 0] relacionada a incógnita, o resultado.
2 4 2 3 2 −2
202=0 𝐷𝑥 = [0 −7 9 ]
Somamos:24+2+0=26 1 −6 5
Dx=-105+18-14+162=61
Subtraímos de: 𝐷𝑥 61
𝑥= = = 61
𝐷 1
12
Matemática
−1 3 −2 Xyz=-13420
𝐷𝑦 = [ 4 0 9 ]
3 1 5 Classificação de sistema Linear
DetDy=-8+81+9-60=22 Sistema Possível Determinado (SPD)-
𝐷𝑦 22 única solução
𝑦= = = 22
𝐷 1 Pela regra de Crammer temos que D≠0
−1 2 3 Sistema Possível Indeterminado (SPI)-
𝐷𝑧 = [ 4 −7 0] infinitas soluções
3 −6 1 D=0
DetDz=7-72+63-8=-10
𝐷𝑧 E os determinantes das incógnitas
𝑍= = −10 diferente de zero
𝐷 Sistema Indeterminado (SI) - não existe
Abc=xyz=-13420
solução
Escalonamento D=0
−𝑥 + 2𝑦 − 2𝑧 = 3 E os determinantes das incógnitas igual
{ 4𝑥 − 7𝑦 + 9𝑧 = 0 a zero
3𝑥 − 6𝑦 + 5𝑧 = 1
Vamos “zerar”os x da segunda e terceira
Questões
equação
Para isso, vamos multiplicar a primeira
01. (FUB – Assistente em
por 4 e somar na segunda.
Administração –
-14+4=0
CESPE/CEBRASPE/2022) Com relação a
24-7=1
equações lineares e quadráticas, sistemas
-24+9=1 lineares e funções, julgue o item a seguir.
34+0=12 Para que o sistema linear a seguir tenha
−𝑥 + 2𝑦 − 2𝑧 = 3 única solução, é necessário que a ≠ 2/3.
{0𝑥 + 1𝑦 + 1𝑧 = 12 𝑎𝑥 − 𝑦 + 𝑧 = 1
3𝑥 − 6𝑦 + 5𝑧 = 1 { 𝑥−𝑧 =2
Agora, vamos multiplicar a primeira por 2𝑦 + 𝑎𝑧 = 3
3 somar na terceira.
-13+3=0 ( ) Certo ( )Errado
23-6=0
-23+5=-1 02. (BANCO DO BRASIL –
33+1=10 Escriturário – CESGRANRIO/2021) Um
−𝑥 + 2𝑦 − 2𝑧 = 3 banco tem agências em três regiões do país.
{ + 1𝑦 + 1𝑧 = 12
0𝑥 Em cada região, trabalha-se com a
0𝑥 + 0𝑦 − 𝑧 = 10 comercialização de três segmentos: seguros
Da terceira equação tiramos que (X), previdência (Y) e consórcios (Z). Cada
-z=10 equação linear que compõe o sistema
Z=-10 abaixo representa a capacidade de uma
Substituindo na segunda: regional produzir valor agregado para o
y-10=12 banco, em cada segmento de atuação (lado
y=22 esquerdo das equações), visando ao alcance
Substituindo na primeira das metas de lucro operacional em milhares
-x+2(22)-2(-10)=3 de reais (lado direito das equações).
-x+44+20=3 2𝑋 + 5𝑌 + 4𝑍 = 690 𝑟𝑒𝑔𝑖ã𝑜 𝑆𝑢𝑙
-x=3-44-20 {5𝑋 + 2𝑌 + 4𝑍 = 720 𝑟𝑒𝑔𝑖ã𝑜 𝑆𝑢𝑑𝑒𝑠𝑡𝑒
-x=-61 3𝑋 + 3𝑌 + 2𝑍 = 540 𝑟𝑒𝑔𝑖ã𝑜 𝑁𝑜𝑟𝑡𝑒
X=61 De acordo com esses dados, verifica-se
13
Matemática
que a contribuição de um dado segmento Dado: z1=2+3i
que atinge exatamente a meta de sua região Z2=4+5i
é de Adição
A) R$160.000,00 no segmento seguros, z1+ z2=2+3i + 4+5i
na região Sul Somamos a parte real e depois a
B) R$400.000,00 no segmento imaginária:
previdência, na região Sudeste z1+ z2=(2+4)+(3i+5i)
C) R$180.000,00 no segmento z1+ z2=6+8i
consórcio, na região Norte
D) R$90.000,00 no segmento seguros, Subtração
na região Norte Da mesma forma que a adição, apenas
E) R$180.000,00 no segmento subtraímos os comuns.
previdência, na região Sul z1- z2=2+3i – (4+5i)
z1- z2=2+3i –4-5i
Alternativas z1- z2=-2-2i
01. Errado – 02. A
Multiplicação
Para fazer a multiplicação, temos que ver
Números complexos. antes sobre as potências dos números
imaginários.
i0=1
Os números complexos surgem quando i1=i
os exercícios possuem raiz quadrada de um i²=-1
número negativo. i³=i²i=-i
Por exemplo, se tivermos a √−4, no i4=i²i²=-1(-1)=1
conjunto dos números reais, não temos Observe que começa a repetir.
solução. Mas, nos números complexos Então, se tivermos um número , por
conseguimos resolver. exemplo i267, como saberemos quanto
A representação algébrica: z=a+bi, onde equivale?
a é a parte real e b é a parte imaginária. 267/4=66 e resta 3 portanto, é igual ao
A representação geométrica é feita i³=-i
através de gráficos também conhecido Agora, vamos fazer a multiplicação do
como plano de Argand-Gauss. exemplo que estamos seguindo:
Temos também a representação
trigonométrica. z1 z2=(2+3i )(
Agora, vamos ver cada uma e suas 4+5i)=8+10i+12i+15i²=8+22i-15=-7+22i
particularidades.
Foi definida como unidade imaginária:
𝑖 = √−1 Divisão
Dada a equação: Você lembra de racionalização de
X²=-25 denominador? Pois é, vamos fazer aqui nos
números complexos também.
𝑥 = ±√−25
Antes de falarmos sobre a divisão,
Vamos separar de modo que apareça o
vamos ver o que é conjugado.
√−1, para você entender melhor: Z=a+bi
𝑧̅ = 𝑎 − 𝑏𝑖
𝑥 = ±√(−1) ∙ 25 Ou seja, para fazer um conjugado, basta
𝑥 = ±5𝑖 trocar o sinal da parte imaginária
Com os números complexos, E para fazer a divisão:
conseguimos fazer todas as operações.
14
Matemática
𝑧1 𝑧̅2 𝜋 𝜋
∙ 𝑧 = √2 (cos + 𝑖𝑠𝑒𝑛 )
𝑧2 𝑧̅2 4 4
𝑧1 2 + 3𝑖
= Questões
𝑧2 4 + 5𝑖
2 + 3𝑖 4 − 5𝑖 (8 − 10𝑖 + 12𝑖 − 15𝑖 2 )
= 01. (PREFEITURA DE CAMBÉ/PR –
4 + 5𝑖 4 − 5𝑖 16 − 25𝑖 2 Auxiliar de Saúde Bucal – INSTITUTO
= UNIFIL/2021) Considere os números
8 − 22𝑖 − 15(−1) 8 − 22𝑖 + 15
= complexos Z1 = 3 + 2i e Z2 = -5 -i. Assinale
16 − 25(−1) 16 + 25 a alternativa que apresenta o resultado da
23 + 2𝑖 soma de 𝑍1 + 𝑧̅2 , 𝑜𝑛𝑑𝑒𝑧̅2 , é o conjugado de
=
41 Z2.
Módulo de um número complexo: A) -2 - 3i
Z=2+3i B) -2 + 3i
|𝑍| = √22 + 32 = √4 + 9 = √13 C) -2 + i
D) 8 + 3i
A forma geométrica é dada por: E) 8 + i
02. (CRQ/MS – Agente
Administrativo – QUADRIX/2021) Em
uma farmácia, o preço de uma caixa de
vitamina C é igual à multiplicação do
número complexo A pelo seu conjugado B,
𝑎+17 3(𝑏+4) 4
onde 𝐴 = + 4𝑏𝑖 e 𝐵 = − 𝑎𝑖.
3 2 5
Um cliente foi a essa farmácia e deu duas
notas de R$ 100,00 para comprar uma caixa
de vitamina C. Com base nessa situação
hipotética, assinale a alternativa que
Assim, podemos entender melhor apresenta o valor do troco que deverá ser
também a forma trigonométrica. entregue ao cliente.
O ângulo é chamado de argumento do A) R$ 35,00
número complexo. B) R$ 46,00
Exemplo: Encontre o argumento do C) R$ 55,00
número complexo: z=1+i D) R$ 60,00
|𝑍| = √12 + 12 = √1 + 1 = √2 E) R$ 68,00
𝑎 1 Alternativas
cos 𝜃 = = 01. B – 02. C
|𝑍| √2
1 √2 √2
cos 𝜃 = ∙ = = 𝑠𝑒𝑛𝜃
√2 √2 2 Raciocínio lógico
O ângulo que tem seno e cosseno iguais
√2
a é o 45º.
2
=45º ou /4 Sentença aberta: toda “frase” que não
Assim, podemos falar sobre a forma conseguimos atribuir um valor lógico de
trigonométrica. verdadeiro ou falso.
Z=|Z|(cos+isen) Sentença fechada: atribuímos valor
Reescrevendo o exemplo acima na lógico e assim ela se torna uma proposição.
forma trigonométrica: Exemplos
z=1+i 1+1=2
15
Matemática
Conseguimos definir que essa frase é Uma dica: quando tiver três proposições,
verdadeira, portanto, é uma proposição. sempre colocar nessa ordem
1+1=3 P: 4 V e 4F
É falso, mas não deixa de ser uma Q: intercalar os verdadeiros e falsos.
proposição. R: 2V, 2F, 2V...
Você é inteligente?
Observe que essa frase, não podemos Conectivos
definir se é verdadeira ou falsa. Tem a função de ligar uma proposição a
As frases interrogativas e exclamativas, outra.
não são proposições. Exemplo
Proposição simples: apenas uma frase. Pedro é engenheiro – é uma proposição
Proposição composta: ligada por um João é médico – proposição
conectivo. Que veremos mais sobre cada Para poder ligar as duas, podemos usar
um. um conectivo.
Princípios Pedro é engenheiro E João é médico.
I. Princípio da não Contradição: uma Vamos estudar cada conectivo.
proposição não pode ser verdadeira “e”
falsa ao mesmo tempo. Negação
II. Princípio do Terceiro Excluído: toda O símbolo para uma negação é (~)
proposição é verdadeira ou falsa, não há Podemos saber que é negação quando a
uma terceira opção. frase possui o seguinte:
“não”, “é falso”, “não é verdade”.
Tabela-verdade P: Pedro é engenheiro.
Quando precisamos analisar as ~p: Pedro não é engenheiro.
proposições compostas, com a tabela- ~p: É falso que Pedro é engenheiro.
verdade fica fácil para não confundir cada
valor lógico. Tabela-verdade negação
Para sabermos quantas linhas temos em p ~p
uma tabela-verdade, temos que: V F
Linhas: 2n, onde n é o número de F V
proposições.
Por exemplo com duas proposições Conjunção
p q O símbolo de conjunção é ().
V V Ligamos as proposições através do “e”.
V F Pedro é engenheiro e João é médico.
F V Tabela – verdade conjunção
F F p q p q
E a terceira coluna depende do conectivo V V V
que estamos estudando. V F F
Com 3 proposições F V F
p q r F F F
V V V Só é verdadeiro quando todas as
V F V proposições tiverem o valor lógico
V V F verdadeiro.
V F F Disjunção
F V V O símbolo é ().
F F V As proposições são ligadas por “ou”.
F V F Pedro é engenheiro ou João é médico.
F F F Aqui é o verdadeiro “tanto faz”.
16
Matemática
Se eu tiver uma sendo verdadeira, a E uso sempre a mesma frase, porque
proposição composta já tem seu valor acho que fica mais fácil para você estudar e
lógico verdadeiro. lembrar de uma frase e como fica a tabela-
verdade de cada conectivo com essa frase.
Tabela – verdade disjunção Tautologia
p q p q Toda proposição COMPOSTA com
V V V todos os valores lógicos verdadeiros.
V F V Princípio do Terceiro Excluído: toda
F V V proposição é verdadeira ou falsa, não há
F F F uma terceira opção.
Disjunção Exclusiva P ~p p~p
Símbolo: V F V
Ou Pedro é engenheiro ou João é F V V
médico.
Não pode ser as duas verdadeiras e nem Essa parte não tem muito jeito, não pode
as duas falsas. Só pode ser um ou outro. ter preguiça e montar a tabela-verdade para
verificar se é tautologia ou não.
Tabela – verdade disjunção exclusiva Contradição
p q p q Toda proposição COMPOSTA com
V V F todos os valores lógicos falsos.
V F V
F V V Princípio da não Contradição: uma
F F F proposição não pode ser verdadeira e falsa
Condicional ao mesmo tempo.
Símbolo: (→)
P ~p p~p
Se Pedro é engenheiro, então João é
médico. V F F
Tabela-verdade F V F
p q p →q Contingência
V V V O valor lógico pode ser verdadeiro ou
falso, como é o caso das tabelas-verdade
V F F
que fizemos anteriormente de cada
F V V
conectivo.
F F V
Questões
Bicondicional
Símbolo: () 01. (CRMV/DF – Agente de
Pedro é engenheiro se, e somente se, Fiscalização – IBEST/2022) Quatro
João é médico. amigas, Andressa, Bárbara, Carolina e
As proposições dependem uma da outra. Denise, possuem bicicletas do mesmo
Portanto, a composta só será verdadeira, modelo, mas de cores diferentes. Sabe-se
quando ambas forem verdadeiras, ou ambas que:
falsas. • Há uma bicicleta amarela, uma branca,
p q p q uma verde e uma lilás;
V V V • Cada amiga tem apenas uma bicicleta;
V F F • A bicicleta de Andressa não é lilás;
F V F • A bicicleta de Bárbara não é branca e
F F V nem lilás;
• A bicicleta de Denise é amarela.
17
Matemática
Acerca dessa situação hipotética, julgue Argumentos inválidos(sofisma):
o item. premissas não são suficientes para garantir
A proposição “Se a bicicleta de Carolina a conclusão.
é branca, então a bicicleta de Andressa é
lilás” é falsa. Exemplo
( )Certo ( )Errado P1: Todo engenheiro sabe matemática.
P2: João sabe matemática.
(MPE/RS – Técnico do Ministério C: João é engenheiro.
Público – AOCP/2021) Indique o valor
lógico (V ou F) de cada uma das João não precisa ser obrigatoriamente
proposições a seguir e assinale a alternativa um engenheiro.
que apresenta a sequência correta.
( ) (2%)² = 4% e 20% de 20% é 4% Vamos entender algumas palavras que
( ) Se todo número primo é ímpar, então podem surgir nas provas:
1413 é primo. Analogia - Há semelhança entre as
( ) ( 1/2 : 1/3) < 1 ou 1/4 < 2/3 proposições. Você utiliza a analogia para
pensar nas premissas e concluir algo.
A - F – F – F.
B - F – F – V. Inferência – você deduz algo através das
C - V – F – F. premissas para chegar a uma conclusão.
D - F – V – V.
E - V – V – F. Regras de inferência
- Modus Ponens
Alternativas P1: p→q
01. Errado - 02. D P2: p
C: q
Sempre que eu tiver uma condicional na
Um argumento é composto por primeira premissa, a primeira proposição na
premissas e uma conclusão. segunda, a conclusão será a segunda
Estrutura de um argumento: proposição.
𝑃1 : 𝑝𝑟𝑒𝑚𝑖𝑠𝑠𝑎 Exemplo
𝑃2 : 𝑝𝑟𝑒𝑚𝑖𝑠𝑠𝑎 Se chover, não vou a escola.
𝑃𝑛 : 𝑝𝑟𝑒𝑚𝑖𝑠𝑠𝑎 Choveu
𝐶𝑜𝑛𝑐𝑙𝑢𝑠ã𝑜 Logo, não irei a escola.
Sendo que as premissas e a conclusão
são proposições. -Modus Tollens
P1: p→q
Classificação P2: ~q
Os argumentos podem ser classificados C: ~p
em válidos ou inválidos.
Argumentos válidos: conclusão Exemplo
obrigatória em consequência de suas Se chover, não vou a escola.
premissas, ou seja, se as premissas forem Vou a escola.
verdadeiras, a conclusão também deve ser. Então, não choveu.
Exemplo - Silogismo Disjuntivo
P1: Todo ser humano pensa. P1: pq
P2: Maria pensa. P2: ~p
C: Logo, Maria é humana. C: q
18
Matemática
-Dilema Construtivo Igor teve participação.
P1: p→q (V)
P2: r→s Para uma bicondicional ser verdadeira,
P3: pr ambas são.
C: qs Igor teve participação (V)
Henrique e Igor, exatamente um teve
- Dilema Destrutivo participação.
P1: p→q Então, Henrique não teve.
P2: r→s − se Gustavo não teve participação,
então Henrique teve;
P3: ~q~s
C: ~p~r
(F)
Para uma condicional ser verdadeira,
Silogismo: quando há duas premissas e
com a segunda proposição sendo falsa, a
uma conclusão, baseado na dedução.
primeira deve ser falsa.
Argumento Dedutivo: Conclusão
Gustavo não teve participação(F)
NECESSARIAMENTE verdadeira, através
Então, os culpados são João, Igor e
de premissas verdadeiras.
Gustavo.
Argumento Indutivo : Conclusão
POSSIVELMENTE verdadeira.
Questões
Vamos de um exemplo, um pouco
01. (ELETROBRÁS
diferente para analisar.
ELETRONUCLEAR -
Especialista em Segurança de Área
(METRÔ/SP – Agente de Segurança
Protegida de Nuclear –
Metroviária – FCC/2019) O inspetor de
CESGRANRIO/2022) Considere como
uma escola percebeu uma porta quebrada e
verdadeiras as seguintes sentenças:
identificou, pelas imagens do sistema de
I - Todo orgulhoso julga.
segurança, que foi pelo menos um dentre 4
II - Eletricista não julga.
alunos o responsável pelo dano. Ele sabe
III - Chico é orgulhoso.
que:
É correto concluir que
− se Gustavo não teve participação,
A) existe eletricista orgulhoso.
então Henrique teve;
B) quem julga é orgulhoso.
− entre Henrique e Igor, exatamente um
C) quem não julga é orgulhoso.
teve participação;
D) Chico não julga.
− João teve participação se, e somente
E) Chico não é eletricista.
se, Igor teve participação.
Para não prejudicar seus amigos, João,
02. (CEFET/MG – Técnico de
falando a verdade, assumiu ter participação,
Laboratório – CEFET/2022) Considere a
o que permite concluir que todos os
argumentação dada a seguir:
responsáveis pelo dano foram
A - João e Gustavo.
Premissa I: Elefantes são maiores que
B - João e Henrique.
formigas.
C - João e Igor.
D - João, Gustavo e Igor.
Premissa II: Formigas são insetos.
E - João, Gustavo e Henrique.
Resolução
Conclusão: Elefantes são maiores que
Sabemos que João fala a verdade, então
insetos.
vamos começar por ele
João teve participação se, e somente se,
19
Matemática
Assim, é correto afirmar que essa começam com a mesma letra.
argumentação Alguns somam 5 do seu anterior, mas
A) não é válida, pois a conclusão é falsa. lógico que o número que ele pede, vem logo
B) é válida, entretanto a conclusão é após isso, então devemos descobrir como é
falsa. esse número.
C) não é válida, pois pelo menos uma Vamos lá..
premissa é falsa. 5x6=30
D) é válida, sendo a conclusão Parece que deu certo.
verdadeira e decorrente das premissas. Vamos ver se com o próximo também
E) não é válida, pois embora a conclusão da.
seja verdadeira, não decorre das premissas. 35x5=175
Opa! Acho que deu mesmo!
Alternativas 180x5=900
01. E - 02. E 905x5=4525
Sequências Mais uma!
Começaremos aqui, sequências de
números, figuras e palavras. (IFSP – Analista de Tecnologia da
Essa parte de raciocínio, eu vou tentar Informação – IFSP) Dada a sequência
ensinar todas as maneiras possíveis que eu
faço para conseguir resolver esses 1 11 21 1211 111221 312211 ...
exercícios. Não temos uma fórmula. Essas
questões, depende muito da criatividade do Assinale a alternativa que contém a soma
pessoal da banca. dos algarismos do próximo termo (7º
Por isso, quanto mais treinar, melhor vai termo):
ser sua percepção. A – 10
(TRENSURB – Agente metroviário – B – 11
OBJETIVA/2021) Considerando-se que a C – 12
sequência numérica abaixo foi construída D – 13
obedecendo a certo padrão, assinalar a
alternativa que apresenta o próximo termo Resolução
dessa sequência, de modo que o padrão seja Eu adoro essa questão hehe
mantido: E gostaria de compartilhar com você.
1, 6, 30, 35, 175, 180, 900, 905, ? Bom, eu já falei como eu costumo
A - 4.525 pensar..e eu faço isso em todos os
B - 2.225 exercícios.
C – 910 Não é PA e nem PG
D - 9.050 Não é soma.
E - 10.505 Vamos falar os números de todas formas
possíveis
Resolução Um, onze, vinte e um
Só pelos números, conseguimos Parece que não tem nada de sequência.
perceber que não se trata de uma PA ou uma Vamos falar de outra maneira.
PG, portanto já excluímos. 1 11 21 1211
Agora, vem da nossa percepção, Um, um um, dois um, um dois um um
criatividade para ver como foi feita. Você percebe que quando fala os
Eu começo pensando na soma dos números, é exatamente a quantidade do
anteriores, que nesse caso, também já não anterior? Fala em voz alta até perceber isso.
deu.
Falo os números para ver se às vezes, 312211 nesse número temos, 1 número
20
Matemática
3 Um artista criou uma faixa decorativa com
Já temos o começo do próximo o nome do estado escrito diversas vezes em
13 sequência:
Continuando SERGIPESERGIPESERGIPESERG...
312211 temos 1 número 1 A milésima letra dessa faixa é:
1311 A - S;
312211-temos 2 número 2 B - R;
131122 C - G;
312211-2 número 1 D - I;
13112221- E - P.
soma=1+3+1+1+2+2+2+1=13
Resolução
Sequência de figuras Sergipe tem 7 letras
Como as figuras são mais visuais, fica Portanto a milésima letra:
um pouco mais fácil. 1000|7
(TCE/RO – Técnico Judiciário – 30 142
FGV/2021) Observe a sequência de figuras 20
a seguir. 6
Como sobra 6, a milésima letra é igual a
sexta letra SERGIPE
Questões
Mantendo o padrão apresentado nas
figuras acima, o número de bolinhas da 01.(CÂMARA DE ARANTINA/MG
figura 15 é: – Técnico em Contabilidade –
A - 238; ACCESS/2022) Gustavo adora se divertir
B - 244; brincando com suas bolinhas de gude. Ele
C - 258; pegou suas bolinhas e fez uma sequência
D - 270; de X “xis”, conforme ilustrado pela figura
E - 304. a seguir:
Resolução
Figura 1: 1 fileira completa de 3 com 1
bolinha acima.
Figura 2: 2 fileiras completas de 4 com 2
Seguindo o padrão representado,
bolinhas acima.
suponha que ele tenha formado 10 “xis” e
Portanto, figura 15: 15 fileiras completas
ainda sobraram 3 bolinhas. Nesse sentido,
com 17(15+2)+15
é correto afirmar que o número de bolinhas
15x17=255
de gude que Gustavo tinha era de
255+15=270
A - 41.
B - 44.
Sequência de palavras
C - 230.
Para essa sequência,
D - 233.
NORMALMENTE, aparecem exercícios
E - 840.
para saber qual a letra.
02. (TJ/SC – Técnico Judiciário
Exemplo
Auxiliar – FCC/2021) Observe, abaixo,
(CÂMARA DE ARACAJU/SE –
os três triângulos formados por 7 palitos de
Assistente Administrativo – FGV/2021)
21
Matemática
fósforo. Lúcia quer construir uma faixa Exemplo: 2x²+3x²=5x²
horizontal de 120 triângulos, seguindo a Então, somamos os coeficientes
mesma regra de construção da figura. (números na frente da parte literal, e essa
parte continua a mesma).
Exemplo2: Somar os polinômios:
P(x)=x³+2x+1
Q(x)=x4+2x³+2
P(x)+Q(x)= x³+2x+1+ x4+2x³+2
P(x)+Q(x)= x4+3x³+2x+3
O número de palitos que Lúcia
precisará para isso é - Subtração
Alternativas P(x)=x³+2x+1
A - 239. Q(x)=x4+2x³+2
B - 238. Sempre tomar cuidado com o “jogo de
C - 242. sinal”.
D - 240. P(x)-Q(x)= x³+2x+1-( x4+2x³+2)
E - 241. P(x)-Q(x)= x³+2x+1-x4-2x³-2
P(x)-Q(x)= -x4- x³+2x-1
Alternativas
01. D - 02. E - Multiplicação
P(x)=x²+1
Q(x)=x³-2
Polinômios. Produtos notáveis. P(x)Q(x)=(x²+1)(x³-2)
P(x)Q(x)= x5-2x²+x³-2
Lembrando que quando multiplicamos
Polinômio é a soma algébrica de somamos os expoentes.
monômios. Mas, o que são monômios? São Vamos fazer uma outra multiplicação.
expressões com letras e números. P(x)=x³-2xy
Exemplo: 2x², 3ab. Q(x)=x-2y
P(x)Q(x)= (x³-2xy)( x-2y)
Determinar o grau do polinômio P(x)Q(x)=x4-2x³y-2x²y+4xy²
Quando há apenas uma letra, o grau é
determinado pelo maior número. - Divisão
Exemplo: x5+4x3-6x+1 Podemos fazer a divisão de duas formas:
Quando há mais de uma parte literal, chaves e pelo método Briot-Ruffini
temos que fazer a seguinte análise: 4x²-4x+1: 2x-1
Exemplo: 2xy+3x²y²+2y³ Dividimos o coeficiente do maior grau
Somando os expoentes: com o divisor
2xy-1+1=2 4:2=2
3x²y²-2+2=4 E Dividimos o x²:x=x
2y³-3 Fazemos a multiplicação e colocamos
A maior soma é 4, portanto o grau do com sinal contrário.
polinômio é 4.
Operações com polinômios
- Soma Depois continuamos:
Os polinômios só podem ser somados se Ficou -2x+1
a parte literal for a mesma e tiver o mesmo -2:2=-1
expoente.
22
Matemática
C) x4 + 4x3 + 2x2 + 9x + 3
D) x4 – 4x3 + 2x2 – 9x + 3
Alternativa
01. A – 02. B
Vamos fazer por Briot-Ruffini
Temos que encontrar a raiz do divisor:
2x-1=0 Produtos notáveis.
2x=1
X=1/2
Colocamos o coeficiente -Quadrado da Soma de Dois Termos
O primeiro coeficiente abaixamos.
1 (a + b)² = a² + 2ab + b²
Fazemos: 4 ∙ = 2
2
E esse resultado somamos ao próximo O quadrado do primeiro mais duas vezes
coeficiente: (2-4)=-2 o primeiro pelo segundo mais o quadrado
do segundo.
1 -Quadrado da Diferença de Dois Termos
Agora, −2 ∙ = −1
2 (a – b)² = a² - 2ab + b²
-1+1=0 O quadrado do primeiro menos duas
vezes o primeiro pelo segundo mais o
quadrado do segundo.
Sempre abaixa um o grau do
polinômio:4x-2 - Produto da Soma pela Diferença de
Dois Termos
Questões
01. (PREFEITURA DE CAMBÉ/PR – A² - b² = (a + b) . (a – b)
Auxiliar de Saúde Bucal – INSTITUTO
UNIFIL/2021) Considere o polinômio P(x) -Cubo da Soma de Dois Termos
= 3x4 + 2x3 - 7x2 - 4x + 2 e o polinômio Q(x)
= 3x2 + 2x - 1. Assinale a alternativa que (a + b)3 = a3 + 3a2b + 3ab2 + b3
apresenta o polinômio D(x) que é o
resultado da divisão P(x) / Q(x). -Cubo da Diferença de Dois Termos
A) D(x) = x2 - 2 O cubo da diferença de dois termos é
B) D(x) = x2 + 2 representado pela seguinte expressão:
C) D(x) = x2 + 5
D) D(x) = x2 - 10 (a – b)³ = a3 - 3a2b + 3ab2 - b3
E) D(x) = x2 + 3
Questões
02. (PREFEITURA DE
COLÔMBIA/SP – Educador – 01. (PREFEITURA DE
INSTITUTO CONSULPLAN/2021) O LIDIANÓPOLIS /PR – Fiscal -
polinômio P(x) quando dividido por Q(x) = INSTITUTO UNIFIL/2022) Assinale a
x2 – 4x encontramos D(x) = x2 – 2 e resto alternativa que representa corretamente a
R(x) = x + 3 . R(x) = x + 3. O polinômio solução do produto notável (x - 3)².
P(x) é: A) x² - 6x + 9
A) x4 – 4x3 – 2x2 – 9x – 3 B)x² - 3x + 9
B) x4 – 4x3 – 2x2 + 9x + 3 C) x - 6x + 9
23
Matemática
D) x² - 6x - 9 A Condição de Existência(C.E) da
equação:
02. (PREFEITURA DE FUNDÃO/RS x-1≠0 x+3≠0
- Técnico em Contabilidade – x≠1 x≠-3
IDCAP/2020) Um número natural n = 5 é Multiplicando cruzado:
determinado pela expressão (x + y)² / (x + X+3=3(x-1)
y).(x - y). Sendo y = 8 o valor de x será: X+3=3x-3
A) X = 4 x-3x=-3-3
B) X = 20 x-3x=-6
C) X = 12 -2x=-6
D) X = 18 2x=6
E) X = 5 X=3
Alternativas Questões
01. A – 02. C
01. (COMUR DE NOVO
HAMBURGO/RS – Agente de
Equações de 1º e 2° Grau. Problemas.. Atendimento e Vendas –
FUNDATEC/2021) Qual o resultado da
equação de primeiro grau 2x - 7 = 28 - 5x?
A equação do primeiro grau é A) 3.
representada por: ax+b=0, sendo a≠0 B) 5.
Para resolver uma equação, você já C) 7.
ouviu falar em “isolar o x”, ou “letra de um D) -4,6.
lado e número do outro”. E) Não é possível resolver essa equação.
Exemplo
2x+4=0 02. (PREFEITURA DE
Passando o 4 para o outro lado, devemos COLÔMBIA/SP – Técnico em
trocar o sinal. Tecnologia da Informação –
2x=-4 INSTITUTO CONSULPLAN/2021)
O 2 está multiplicando o x, portanto, Sejam dois números não naturais a e b.
passamos dividindo. Considere que b é igual à raiz da equação
4 2/3 x + 7=8 e que a soma “a + b” é igual a
𝑥=−
2 4. Qual é o valor de a?
X=-2 A) 1,5
B) –1,5
(PREFEITURA DE VACARIA/RS – C) 2,5
Técnico em Contabilidade – D) –2,5
FUNDATEC/2021) O valor de “x” que Alternativas
torna verdadeira a igualdade 1/x-1 = 3/x+3 01. B – 02.C
é:
A) x=-1
B) x=3 Equação do 2º grau
C) x=4
D) x=5 É dada por: ax²+bx+c=0
E) x=7 Onde: a, b, c são números reais e a ≠0.
Resolução
Temos dois tipos de equação: completa
1 3 e incompleta.
= Para a incompleta, não temos b ou c e a
𝑥−1 𝑥+3
24
Matemática
resolução se torna basicamente como a (PREFEITURA DE VACARIA/RS –
equação do primeiro grau. Técnico em Contabilidade –
FUNDATEC/2021) Se x = 10 é uma das
2x²-2=0 raízes da equação x² +bx +1= 0 , então o
2x²=2 valor de “b” será:
X²=1 A) -101/10
X=±1 B) -10/101
2x²-2x=0 C) -1/101
Deixando 2x em evidência: 2x(x-1)=0 D) 10/101
X=0 ou x-1=0 E) 101/10
X=1
Resolução
Para a equação completa: Como já sabemos uma raiz(x), e temos
o valor de c, conseguimos descobrir a
X²-5x+6=0 outra raiz(y).
x.y=1
Podemos fazer por soma e produto ou 10y=1
baskhara Y=1/10
𝑏 𝑐
𝑆=− 𝑒𝑃= 𝑏
𝑎 𝑎
No nosso exemplo temos: 𝑆=−
𝑎
a=1
b=-5 1
c=6 10 + = −𝑏
10
−5 6
𝑆=− =5 𝑃= =6 100 + 1
1 1 = −𝑏
10
Quais os números que somados, o
resultado é 5 e multiplicados, o resultado é 101
6? − =𝑏
10
Os números são 2 e 3.
Questões
Para algumas equações, soma e produto
acaba sendo mais fácil. (CRP – Assistente Administrativo –
QUADRIX/2022) Considerando a
Para essa mesma equação, vamos equação, na incógnita x, x²+5x+m=0,
resolver por baskhara? julgue os itens de 01 a 03.
∆= 𝑏 2 − 4 ∙ 𝑎 ∙ 𝑐
−𝑏 ± √∆ 01.Se m = −14, então a equação admite
𝑥= raízes iguais a −2 e 7.
2∙𝑎
∆= (−5)2 − 4 ∙ 1 ∙ 6 ( ) Certo ( ) Errado
∆= 25 − 24 = 1
02. Se uma das raízes é igual a −4, então
5±1 m= 4.
𝑥= ( ) Certo ( ) Errado
2
5+1 6
𝑥1 = = =3 03. Se m= 6, então as raízes da equação
2 2
5−1 4 são números primos.
𝑥2 = = =2 ( )Certo ( ) Errado
2 2
25
Matemática
Alternativas A) 10,30%
01. Errado - 02. Certo - 03. Certo B) 12,56%
C) 16,67%
D) 18,10%
Probabilidades.
02. (CRN – Auxiliar Administrativo –
IADES/2021) Para a eleição da diretoria do
Qual a chance de um determinado Conselho Federal de Nutrição, serão
evento acontecer dentro do espaço escolhidos, por meio de dois sorteios
amostral. consecutivos, um presidente e um vice-
Exemplo presidente. Ao cargo de presidente
Qual a probabilidade de sair número concorrem um homem e uma mulher, e ao
ímpar em um dado. cargo de vice-presidente concorrem um
Como o evento é A={1, 3, 5} homem e duas mulheres. Se todos têm a
E={1, 2, 3, 4, 5, 6} mesma chance de serem sorteados, qual é a
3 1 probabilidade de o presidente e de o vice-
𝑃(𝐴) = = presidente serem ambos mulheres?
6 2
Probabilidade Condicional A) ½
Teorema de Bayes B) 1/3
𝑃(𝐴 ∩ 𝐵) C) 2/3
𝑃(𝐴|𝐵) = D) 1/6
𝑃(𝐵)
E) 1/5
Exemplo
Em um lançamento de dois dados, qual a Alternativas
probabilidade de obter soma ser maior ou 01. C – 02. B
igual a 5 e as faces serem ímpar.
A-soma maior ou igual a 5
B – duas faces com número ímpar Fatoração.
AB={(1, 5), (3,3), (3, 5), (5,1), (5, 3),
(5,5)} Fatoração
B={(1,1), (1,3), (1,5), (3,1), (3,3), (3,5),
(5,1), (5,3),(5,5)} -fator comum
9 Xy+3x²+2xz
𝑃(𝐵) = Observe que o fator comum entre eles é
36
o x.
6 X(y+3x+2z)
𝑃(𝐴 ∩ 𝐵) 36 6 2
𝑃(𝐴|𝐵) = = = =
𝑃(𝐵) 9 9 3 -agrupamento
36 X²+ax+xy+ay
Questões X(x+a)+y(x+a)=(x+y)(x+a)
01. (PREFEITURA DE -diferença de quadrados
LIDIANÓPOLIS/PR – Fiscal – A² - b² = (a + b) . (a – b)
INSTITUTO UNIFIL/2022)
Considerando que dois dados, não viciados, -trinômio quadrado perfeito
foram lançados ao mesmo tempo, assinale a
alternativa que representa a probabilidade a² + 2ab + b²=(a + b)²
de dois números iguais ficarem voltados
para cima. -trinômio do segundo grau
26
Matemática
Ax²+bx+c=(a(x-x1)(x-x2) 1
2−2 =
Sendo x1 e x2, raízes da equação 22
Questões 2 −2 3 2
01. (Prefeitura de Luiziana /PR - ( ) =( )
3 2
Técnico em Enfermagem - INSTITUTO
UNIFIL/2020) Considerando que dois Potência de fração: podemos
números x e y são tais que x + y = 9 e x2 - transformar em radical.
y2= 27, o valor de x é igual a
A) 4 1
B) 5 22 = √2
C) 6
D) 7 O numerador acompanha o número e o
denominador é a raiz.
Alternativas 5 6
01. C 36 = √ 35
Potência com expoente zero: qualquer
Potenciação. número elevado a zero, o resultado será 1`.
20 = 1
Multiplicação :com potências de mesma
base, somamos os expoentes. Potência com expoente um: o resultado
é a própria base.
24 . 25 = 24+5 = 29
5671 = 567
Divisão: subtraímos os expoentes
24 . 25 = 24−5 = 2−1
Questões
Potência da potência: para resolver,
basta multiplicar os expoentes. 01. (CÂMARA MUNICIPAL DE
TABOÃO DA SERRA/SP – Oficial
(34 )3 = 312 Legislativo – AVANÇA/2022) Resolva a
expressão matemática abaixo:
Potência de produto: Podemos elevar 1
cada fator à potência. 162
(144 − 6) + 17 ÷ 3 [100∙ 1 ]−10
(2 ∙ 4)2 = 22 ∙ 42 + 23 ÷ [ ] 10
15
Potência de quociente: eleva-se o E assinale a alternativa correta com seu
numerador e o denominador à potência. valor.
A) 10.
2 2 22 B) 11.
( ) = 2 C) 12.
4 4
D) 13.
Potência de expoente negativo: inverte- E) 14.
se a base.
(CRMV/DF – Agente Administrativo
– IBEST/2022) O número 1729 é
conhecido como o número de Ramanujan-
27
Matemática
Hardy, em homenagem aos matemáticos Agora, colocados os dados e já temos o
Godfrey Harold Hardy e Srinivasa que precisamos achar, vamos analisar se as
Ramanujan. É o menor número inteiro que grandezas são diretamente proporcionais ou
pode ser escrito como a soma de dois cubos inversamente proporcionais.
positivos de duas formas diferentes. Quanto mais pedreiro, menos tempo.
Considerando esse assunto, julgue os itens Ahhh então são grandezas inversamente
proporcionais.
02. 1.729 = 13 + 123 Vamos inverter uma coluna
( )Certo ( ) Errado Pedreiro dias
60-------------30
03. 1.729 = 93 + 103 x---------------40
( )Certo ( ) Errado
Lembra que a proporção era igualdade
Alternativas entre duas razões??
01. C – 02. Certo – 03. Certo 60 30
=
𝑥 40
Multiplicando:
Regra de três simples e composta. 30x=2400
X=80
Regra de três simples Questões
(MGS – Monitor Educacional – 01. (PREFEITURA DE CORONEL
IBFC/2022) São necessários 60 pedreiros VIVIDA/PR – Técnico de Enfermagem –
para construir um pequeno prédio em 40 UNICENTRO/2022) O número de leitos
dias. Assinale a alternativa que apresenta a de UTI na cidade Columbia é de 2,0 para
quantidade de pedreiros que uma cada 10.000 habitantes. Se a cidade tem ao
construtora necessitará para construir o todo 20 leitos de UTI o número de
mesmo prédio, em outro local e totalmente habitantes é igual a:
idêntico, só que em apenas 30 dias. A) 20.000 habitantes
A) 45 B) 80.000 habitantes.
B) 60 C) 100.000 habitantes.
C) 80 D) 120.000 habitantes.
D) 90 E) 150.000 habitantes.
Resolução 02. (PREFEITURA DE
Primeira etapa: colocar os nomes das PERITIBA/SC – Técnico Administrativo
grandezas para não errar onde colocar cada – AMAUC/2022) Para fazer um strogonoff
número. que serve 5 pessoas Luciana usa 1,5 kg de
Pedreiro dias frango. Quantos quilos de frango ela precisa
para fazer um strogonoff para 11 pessoas?
Segunda etapa: colocar os números de A) Ela precisa de 3,3 kg.
cada grandeza que temos, tomando cuidado B) Ela precisa de 3,7 kg.
para colocar exatamente seu C) Ela precisa de 1,9 kg.
correspondente. D) Ela precisa de 5,4 kg.
Pedreiro dias E) Ela precisa de 2,5 kg.
60-------------40
x---------------30 Alternativas
01. C – 02. A
28
Matemática
Regra de três composta 30 30
=
(PREFEITURA DE LARANJAL 𝑥 10
PAULISTA/SP – Auxiliar Administrativo
– AVANÇA/2021) Em um sítio são 30
=3
utilizados 100 kg de milho para alimentar 𝑥
10 galinhas durante 30 dias. Se mais 5 3x=30
galinhas chegarem no sítio, quanto tempo X=10
levará para metade desse milho ser
consumido? Questões
A) 5 dias.
B) 10 dias. 01. (PREFEITURA DE
C) 15 dias. IPUMIRIM/SC – Escriturário –
D)20 dias. AMAUC/2022) Em uma fábrica de tapetes
E) 25 dias. artesanais, 9 operários conseguem fabricar
45 peças em 30 dias. Se o proprietário
Resolução contratar mais 3 funcionários, que
Mesma coisa, vamos colocar as trabalham no mesmo ritmo dos outros, em
grandezas: quantos dias eles conseguirão fazer uma
Milho galinhas dias encomenda de 100 tapetes?
A) Eles conseguirão fazer a encomenda
Segunda etapa: colocar as quantidades em 45 dias.
Milho galinhas dias B) Eles conseguirão fazer a encomenda
100 10 30 em 50 dias.
50 15 x C) Eles conseguirão fazer a encomenda
em 90 dias.
Analisando as grandezas, sempre em D) Eles conseguirão fazer a encomenda
relação a grandeza que contém o x. em 57 dias.
Quanto mais milho eu tenho, mais dias E) Eles conseguirão fazer a encomenda
duram(diretamente) em 100 dias.
Quanto mais galinhas, menos dia
Milho galinhas dias ( CRP – Assistente Administrativo –
100 15 30 QUADRIX/2022) Admitindo como
50 10 x verdadeira a premissa “Três tigres comem
três pratos de trigo em três minutos”, julgue
Com a regra de três composta, temos que os itens 02 e 03.
deixar sempre o x isolado.
30 100 15 02. Um tigre come um prato de trigo em
= ∙ um minuto.
𝑥 50 10
Aqui, podemos multiplicar ou tentar ( ) Certo ( ) Errado
simplificar 03.Oito tigres comem 2.022 pratos de
Eu vou simplificar, pois as trigo em 12 horas, 38 minutos e 15
multiplicações acabam ficando muito segundos.
grandes. ( ) Certo ( ) Errado
100/50=2 Alternativas
30 15 01. B – 02. Errado – 03. Certo
=2∙
𝑥 10
Simplificando 10 e 15 por 5
29
Matemática
C – capital
Juros simples e composto. i-taxa
n-tempo
Juros Simples Questões
J=C.i.n ou 01. (CASAN – Assistente
J=VP.i.n Administrativo – FEPESE/2022) Um
As duas são a mesma equação, mas às capital é investido em uma aplicação que
vezes o exercício vai trazer pra você como rende juros simples mensais de 0,4%.
capital ou como valor presente. Após 9 meses, o valor obtido com juros
M=C(1+i.n) é de R$ 44,28. Logo, o capital inicial
VF=VP(1+i.n) investido, em reais, é:
VP-valor presente A) Maior que 1250.
VF-valor futuro B) Maior que 1225 e menor que 1250.
J-juros C) Maior que 1200 e menor que 1225.
C-capital D) Maior que 1175 e menor que 1200.
i-taxa E) Menor que 1175.
n-tempo
ATENÇÃO!! 02. (CREA/SC – Técnico em
A taxa e o tempo devem ser com a Informática – IESES/2022) Uma
mesma unidade: taxa de 0,1%ao mês e o aplicação financeira de $ 1500,00 é feita
tempo 1 mês. no regime dos juros simples pelo período
de 2 anos a taxa de 2% ao mês. Determine
Exercício o valor dos juros obtidos?
(CASAN – Assistente Administrativo A) $ 560,00
– FEPESE/2022) Um capital é investido B) $ 720,00
em uma aplicação que rende juros simples C) $ 1560,00
mensais de 0,4%. Após 9 meses, o valor D) $ 2220,00
obtido com juros é de R$ 44,28. Logo, o
capital inicial investido, em reais, é: Alternativas
A - Maior que 1250. 01. B - 02. B
B - Maior que 1225 e menor que 1250.
C - Maior que 1200 e menor que 1225.
D - Maior que 1175 e menor que 1200. Razão e proporção..
E - Menor que 1175.
Resolução Razão compara duas grandezas, é
I=0,4%=0,004 caracterizada pela fração.
N=9meses Exemplo: razão entre a e b.
J=44,28 𝑎
C=? 𝑏
J=Cin E a Proporção é a igualdade entre duas
44,28=C.0,004.9 razões.
44,28 𝑎 𝑐
𝐶= = 1230 =
0,036 𝑏 𝑑
Propriedade da proporção: o produto dos
extremos é igual ao produto dos meios.
Juros Compostos
a.d=b.c
𝑀 = 𝐶(1 + 𝑖)𝑛
(PREFEITURA DE TAUBATÉ/SP –
M=C+J
Escriturário – VUNESP/2022) Em um
M-montante
30
Matemática
refeitório há, ao todo, 40 funcionários Alternativas
almoçando, sendo que o número de homens 01. B – 02. B
é maior que o número de mulheres em 12
funcionários. O número de mulheres
almoçando nesse refeitório, em relação ao Porcentagem.
número total de funcionários no refeitório,
corresponde a:
A) 7/20 O próprio nome já diz: PORCENTO.
B) 3/10 Portanto, qualquer número dividido por
C) ¼ cem.
D) 1/5 40
E) 3/20 40% =
100
Como é demonstrado através de fração,
Resolução podemos dividir e representar por decimal.
40-12=38 40
Mulheres: 28/2=14 40% = = 0,4
100
Homens: 14 Um fato interessante para sabermos
14 7 sobre porcentagem são os acréscimos e
𝑟𝑎𝑧ã𝑜 = =
40 20 descontos.
Exemplo: Estamos em uma loja, e a
Questões vendedora fala que temos um desconto de
30% a vista.
01. (CONDESUS/RS – Auxiliar 30%=0,3
Administrativo – OBJETIVA/2022) Na Desconto: 1-0,3=0,7
disciplina de Matemática Discreta, estão Se a peça valia R$ 80,00. Para sabermos
matriculados 80 acadêmicos. No final do com 30% de desconto, fazemos 80x0,7=56
semestre, o professor observou que 64 E se não pagarmos uma conta em dia e
alunos foram aprovados. Nessas condições, ela tem um acréscimo de 12%.
a razão entre o número de acadêmicos 1+0,12=1,12
reprovados e o número de acadêmicos Se a conta é de R$20,00, fazemos:
aprovados, nessa ordem, é igual a: 20x1,12=22,4
A) 1/3
B) 1/4 Questões
C) 1/5
D) 3/5 01. (CPGI – Auxiliar Administrativo -
INSTITUTO ACCESS/2022) Uma
02. (PREFEITURA DE IGUATU/CE bicicleta teve seu valor alterado durante os
– Técnico em Enfermagem – FAU/2022) três primeiros meses do ano. Em janeiro, ela
Em um relatório sobre o número de custava R$800,00 e sofreu um aumento de
acidentes leves no ambiente de trabalho 10%. No mês posterior, ela teve um
verificou-se que em 40 dias analisados 16 desconto de 10%. Por último, ela voltou a
deles tiveram um deste acidentes. Qual é a aumentar, tendo acréscimo de 20% em
proporção de acidentes em relação aos dias relação ao valor anterior. Ao final dessas
de análise do relatório? alterações, a bicicleta passou a valer
A) 1/3. A) R$840,00.
B) 2/5. B) R$920,60.
C) 5/6. C) R$950,40.
D) 3/2. D) R$940,00.
E) 1/4.
31
Matemática
02. (TJ/TO – Técnico Judiciário – Para descobrir a parte de cada um.
FGV/2022) Sabe-se que o número X 𝐴
= 1000
representa 20% do número Y. 9
A metade do número X, em relação ao A=9000
dobro do número Y, representa: 𝑃
= 1000
A) 40%; 6
B) 25%; P=6000
C) 20%; Divisão Inversamente Proporcional
D) 10%; Seja a o número a ser dividido em x1, x2,
E) 5%. ...xn partes inversamente proporcionais em
partes de p1 , p2, ...pn, temos:
Alternativas X1+x2+..+xn=a
01.C – 02.E 𝑥1 𝑥2 𝑥𝑛
= =⋯=
1/𝑝1 1/𝑝2 1/𝑝𝑛
X1 + x2+. . +xn
=
Grandezas proporcionais. 1/𝑝1 + 1/𝑝2 + ⋯ + 1/𝑝𝑛
(CRESS/RO – Técnico
Divisão Diretamente Proporcional Administrativo Financeiro –
Seja a o número a ser dividido em x1, x2, INSTITUTO QUADRIX) Arthur adquiriu
...xn partes diretamente proporcional em 3 smartphones por R$ 4.400,00. As massas
partes de p1 , p2, ...pn, temos: dos aparelhos são 125 g, 250 g e 375 g e
X1+x2+..+xn=a seus preços são inversamente proporcionais
𝑥1 𝑥2 𝑥𝑛 X1 + x2+. . +xn a esses números, isto é, às suas massas.
= =⋯= = Com base nessa situação hipotética, é
𝑝1 𝑝2 𝑝𝑛 𝑝1 + 𝑝2 + ⋯ + 𝑝𝑛
correto afirmar que o smartphone cuja
massa é de 375 g custou
Exemplo A) R$ 2.400,00.
(PREFEITURA DE BAGÉ/RS – B) R$ 1.200,00.
Geomensor – FUNDATEC) Antônia e C) R$ 1.000,00.
Pedro têm R$15.000,00 oriundos da venda D) R$ 800,00.
de um veículo. A divisão do valor será feita E) R$ 600,00.
de forma diretamente proporcional ao Resolução
investimento inicial de cada um. A parte de Chamaremos de A- aparelho com 125g
Antônia será proporcional a 9 e a parte de B-aparelho de 250g
Pedro será proporcional a 6. Após a divisão, C-aparelho de 375g
caberá a Pedro receber a quantia de: Como os números são muito grandes,
A) R$ 9.000,00. vamos simplificar tudo por 125?
B) R$ 6.000,00. Aparelho A-1
C) R$ 5.000,00. Aparelho B-2
D) R$ 3.000,00. Aparelho C-3
𝐴 𝐵 𝐶 𝐴+𝐵+𝐶
E) R$ 1.000,00. = = = =
Resolução 1 1 1 1 1
1+ +
Chamaremos Antônia de A e Pedro de P. 1 2 3 2 3
Fazendo mmc(1,2,3)=6
𝐴 𝑃 𝐴+𝐵+𝐶 𝐴+𝐵+𝐶
= =
9 6 1 1 6 3 2
Sabemos ainda que: A+P=15000 1+ + + +
2 3 6 6 6
Pela regra da proporção, podemos fazer: 4400 44006
𝐴 𝑃 𝐴 + 𝑃 15000 = = 2400
= = = = 1000 11 11
9 6 9+6 15 6
32
Matemática
Como eu quero saber o valor do aparelho
C: Sistema de medidas decimais: metro,
𝐶 metro quadrado e cúbico, litro, grama.
= 2400
1
3
2400 Você pode conseguir fazer a
𝐶= = 800 multiplicação ou divisão, mas também
3
temos um outro método para resolver.
Questões
01. (PREFEITURA DE Primeiro, vamos apresentar as medidas.
FRECHEIRINHA/CE – Assistente
Social – CETREDE/2021) Dividindo o medida de comprimento
número 1.500 em três partes diretamente k h d m d c m
proporcionais a 2, 5 e 8 teremos m m am m m m
A) 400, 600, 500.
B) 200, 500, 800. Km-quilômetro
C) 300, 500, 700. Hm-hectômetro
D) 300, 400, 800. Dam – decâmetro
E) 200, 600, 700. m-metro
dm-decímetro
02. (CÂMARA DE MARABÁ/PA – cm-centímetro
Técnico Legislativo – FADESP/2021) As mm- milímetro
obras de conclusão do novo estádio
municipal de Marabá estão orçadas em,
aproximadamente, R$ 7.320.000,00, com Transformações:
recursos provenientes de convênio entre a Sempre que a casa for ao lado uma da
Prefeitura de Marabá e o Governo Federal outra, para a esquerda, dividimos.
(o recurso é dividido entre o Ministério do Para a direita, multiplicamos.
Esporte e da Caixa Econômica Federal). m→cm (x100)
Fonte: https://maraba.pa.gov.br/esporte- m→mm(x1000)
obras-para-a-conclusao-do-novo-estadio- m→hm(:100)
municipal-sao-retomadas/ (adaptado)
m→km(:1000)
Suponha que o valor orçado para
conclusão da obra tenha sido dividido entre
Podemos também utilizar a tabela
a Prefeitura, o Ministério do Esporte e a
Vamos transformar:
Caixa Econômica Federal, de forma
2m=____cm
inversamente proporcional a 30, 6 e 15,
Colocamos o 2 embaixo do m, e
respectivamente. O valor correspondente à
completamos com zero até a casa que
parte do Governo Federal é igual a
queremos.
A) R$ 915.000,00.
k h d m d c m
B) R$ 1.830.000,00.
m m am m m m
C) R$ 2.745.000,00.
2 0 0
D) R$ 5.490.000,00.
E) R$ 6.405.000,00.
2m=200cm
Alternativas
01. B – 02. E 0,2m=___mm
k h d m d c m
m m am m m m
0 2 0 0
33
Matemática
0,2m=200mm 1m²=0,0001hm²
0,2m=___hm Lembrando que mesmo sendo para a
k h d m d c m esquerda, continua sendo na segunda casa
m m am m m m da unidade.
0 0 0 2
medida de tempo
0,2m=0,002hm
Observe que a vírgula fica na casa que 1 hora----60 minutos----3600s
queremos transformar. 1 minuto—60segundos
1 dia-24 horas
medida de massa Com uma regra de três simples, podemos
kg-quilograma fazer as conversões.
hg-hectograma Exemplo: quantos segundos tem em 1
dag-decagrama dia?
g-grama
dg-decigrama Hora segundos
cg-centigrama 1-------3600
mg-miligrama 24---------x
k h d g d c m X=24x3600=86400segundos
g g ag g g g
Soma
As transformações são as mesmas que de Como somar 1hora 30 minutos e 2horas
comprimento. 45minutos
Medida de área 1h 30min
2h 45min
---------------
3h 75min
Como a medida de área é ao quadrado,
então de uma casa para outra, fazemos x100
Mas, não podemos deixar 75 minutos.
ou :100
O máximo são 59 minutos.
Para fazer por tabela, devemos separar
Vamos transformar 75
em dois cada unidade.
minutos=60minutos+15 minutos
k h d m d c m
60 minutos =1hora
m² m² am² ² m² m² m²
Portanto, acrescentamos mais uma hora:
3+1=4horas
E fica o restante dos minutos
1m²=___cm² 1h30min+2h45min=4h15minutos
k h d m d c m Subtração
m² m² am² ² m² m² m² 3h 30min
1 0 0 0 0 1h 45min
---------------
Colocamos o zero até a última casa que
queremos. Não podemos tirar 30 de 45, então
1m²=10000cm² “emprestamos”1 hora de 3h
1m²=___hm²
k h d m d c m
m² m² am² ² m² m² m²
0 0 0 0 1
34
Matemática
vale o mesmo princípio de comprimento e
massa.
Questões
Somamos os 60 minutos a 30 minutos
01. (CÂMARA MUNICIPAL DE
TABOÃO DA SERRA/SP – Oficial
Legislativo – AVANÇA-2022) Clara
comprou um queijo em formato de
paralelepípedo com dimensões 64mm x
48mm x 24mm para cortá-los em formato
Volume cúbico idêntico uns aos outros, na intenção
Vamos dividir cada unidade em 3 casas. de compor sua tábua de frios. Dentro desse
k h d m d c m contexto, sabendo que não houve
m³ m³ am³ ³ m³ m³ m³ desperdício de queijo, o maior valor inteiro
do lado do cubo de queijo, em mm, é
A) 6.
Para uso da tabela o princípio continua o B) 8.
mesmo. C) 10.
1km³=____dam³ D) 12.
k h d m d c m E) 18.
m³ m³ am³ ³ m³ m³ m³
10 0 00 00 02. (UNESP – Assistente Técnico –
VUNESP/2022) A planta baixa de um
1km³=1000000 dam³ grande escritório está representada em uma
1dm³=___dam³ folha retangular, com área de 600 cm2 . Esse
k h d m d c m material precisa ser ampliado, de modo que
m³ m³ am³ ³ m³ m³ m³ os lados da nova folha tenham medida 10%
0 0 00 00 1 maior que as medidas originais. Nesse caso,
a folha ampliada passará a ter área de
1dm³=0,000001 dam³ A) 640 cm2 .
Temos que saber mais transformações B) 664 cm2 .
de volume...eu sei, é muita coisa hehe mas C) 682 cm2 .
é necessário para ter um estudo completo D) 708 cm2 .
dessa parte! E) 726 cm2 .
1m³-1000litros
1dm³-1litro Alternativas
1cm³-1ml 01. B – 02. B
k h d l d c m
l l al l l l
Média aritmética simples e ponderada.
kl-quilolitro
hl-hectolitro
dal-decalitro Média Aritmética
l-litro 𝑥1 + 𝑥2 + ⋯ 𝑥𝑛
dl-decilitro 𝑀=
𝑛
cl-centilitro
ml-mililitro (UNESPAR – Técnico
Como são unidades simples, tempos Administrativo – UNESPAR/2022) A
apenas uma casa em cada unidade, e assim, média aritmética entre dois números é 13.
35
Matemática
O produto desses dois números é 120. Ao Então, a média do valor que ele gastou,
subtrair o menor do maior obtém-se: foi de:
A) 0 A) R$ 102,90.
B) 1 B) R$ 114,40.
C) 2 C) R$ 116,10.
D) 14 D) R$ 118,80.
E) 20 E) R$ 120,50.
Resolução 02. (UNESP – Assistente Técnico –
Um ótimo exercício, mistura matérias. VUNESP/2022) A média aritmética
X1-primeiro número simples de três cotações realizadas em um
X2-segundo número primeiro momento foi igual a R$ 1.320,00.
Em um segundo momento, as duas cotações
𝑥1 + 𝑥2 com maiores valores foram substituídas: a
𝑀=
2 primeira cotação de maior valor foi
𝑥1 + 𝑥2 substituída por outra, com valor R$ 120,00
13 =
2 menor; e a segunda, por outra com valor R$
X1+x2=26 99,00 menor. Após essas substituições, a
X1=26-x2 média aritmética simples do segundo
O produto dos dois números é 120. momento ficou menor, em relação à média
X1.x2=120 do primeiro momento, em
(26-x2)(x2)=120 A) R$ 73,00.
26x2-x2²=120 B) R$ 89,00.
C) R$ 109,00.
-x2²+26x2-120=0 D) R$ 153,00.
=676-480 E) R$ 219,00.
=196
−26 ± 14 Alternativas
𝑥=
−2 01.D – 02.A
12
𝑥= =6
2
Sistema Monetário Brasileiro.
𝑥 = 20
X1=26-6=20
X1-x2=20-6=14 No Brasil, a moeda vigente é o Real
(R$). A produção é controlada pelo Banco
Média Ponderada Central.
𝑃1 . 𝑥1 ; 𝑃2 𝑥2 ; 𝑃3 𝑥3 ; … ; 𝑃𝑛 𝑥𝑛
𝑀= As cédulas e moedas vigentes hoje no
𝑃1 + 𝑃2 + 𝑃3 + … + 𝑃𝑛 país são:
Onde
P-peso
Questões
01. (CÂMARA MUNICIPAL DE
TABOÃO DA SERRA/SP – Oficial
Legislativo – AVANÇA/2022) Abaixo
está exposto a quantidade de dinheiro que
Felipe gastou em cinco semanas. 98,00 /
259,00 / 150,00 / 64,00 / 23,00
36
Matemática
cédulas de 10: R$130,00
cédulas de 20: R$340,00
340-130=210
Questões
01. (DPE/PB – Condutor de Veículos –
ÁPICE/2021) Ricardo, que adora guardar
moedas, têm 60 moedas de R$ 0,05, 15
moedas de R$ 0,10, 10 moedas de R$ 0,25,
10 moedas de R$ 1,00 e algumas moedas de
R$ 0,50, totalizando R$50,00. Quantas
moedas de R$ 0,50 o Ricardo possui?
A) 17
B) 33
C) 66
D) 50
E) nenhuma
02. (PREFEITURA DE PAULINIA –
Auxiliar de Apoio Administrativo –
Moedas de R$1,00; R$0,50; R$0,25; FGV/2021) Para atender às necessidades
R$010; R$0,05 mensais de uma escola, foram compradas 2
embalagens de sabão líquido, 6 de
Os exercícios relacionados a esse tópico detergente, 3 garrafas de água sanitária e 3
normalmente são para saber o valor de caixas de sabonetes, com base na tabela
troco, valor da compra. abaixo.
Basta ficar atento para soma e subtração Produto Preç Unidade
dos números. o em
Pode acontecer de aparecer um exercício reais
que a resolução seja um pouco mais Sabão 21,9 Embalage
complexa e traz equações: líquido 0 m de 1,2l
(CODEN – Almoxarife – Detergent 1,20 Embalage
VUNESP/2021) Nívea tem, ao todo, 30 e m de 500ml
cédulas de real, apenas de R$ 10,00 e de R$ Água 3,10 Garrafa de
20,00, totalizando R$ 470,00. Sendo assim, sanitária 1l
o valor em cédulas de R$ 20,00 que ela tem Sabonetes 24,4 Caixa com
excede o valor em cédulas de R$ 10,00 em 0 12
A) R$ 250,00.
B) R$ 240,00. O comprador pagou com 3 notas de R$
C) R$ 230,00. 50,00. Ele recebeu como troco
D) R$ 220,00. A) R$13,40.
E) R$ 210,00. B) R$14,80.
Resolução C)R$15,50.
Cédula de 10: x D) R$16,50.
Cédula de 20:30-x(o total de cédulas -a E) R$17,20.
quantidade de cédulas de 10)
10x+20(30-x)=470 Alternativas
10x+600-20x=470 01. C – 02. D
-10x=-130
X=13
Cédulas de 20:30-13=17
37
Matemática
quando temos variáveis envolvendo tempo.
Noções básicas de estatísticas, gráficos e
tabelas.
Os gráficos organizam dados através de
números de fatos descritos, tornando visível
a comparação feita.
A recolha e análise de dados é o coração
do pensamento estatístico. A recolha de As tabelas são usadas para organizar os
dados promove a aprendizagem pela dados e referências.
experiência e relaciona o processo de Nome idade Massa(kg)
aprendizagem com a realidade (SNNE, João 33 80
apud CAMPOS et al., 2001)1. Ana 20 60
Para a coleta de dados existem alguns Felipe 26 70
aspectos importantes:
- Coletar dados por fontes Eu posso dar algumas dicas de
governamentais, industriais ou individuais. resoluções que vão ajudar no seu concurso.
- Coleta através de um experimento. Normalmente, quando encontramos
- Coleta através de pesquisa. tabelas e gráficos, seriam exercícios mais
- Coleta de análise. “fáceis”...não vou falar que sempre será
Tipos de gráficos assim, mas tende a ser.
Os gráficos de setores são usados Então, não pode ter preguiça!
principalmente para trabalhar com Analisa...analisa...e analisa mais um
percentuais. pouco!
Retire todas as informações possíveis e
impossíveis, principalmente quando for
gráfico.
Eu gosto de ler o exercício por inteiro.
Depois que vi qual a pergunta, eu volto e
analiso a tabela ou gráfico novamente,
quantas vezes precisar.
(CAU – Profissional de Suporte Técnico
– IADES/2021)
Gráficos de barras são usados Faixa Etária Proporção
principalmente para fazer comparações. Até 30 anos 3x%
(preferências) 31 a 40 anos 32%
41 a 50anos 18%
51 a 60 anos 14%
Mais de 60 X%
anos
Fonte: Anuário 2018. Nº1, vol. 2,
CAU/BR
Gráfico de linhas é usado principalmente A tabela representa a proporção de
1
CAMPOS, P., BACELAR, S., OLIVEIRA, E. e GOMES, J. ALEA: Um nas escolas secundárias) in Pedro Campos, Sergio Barcelar, Instituto
contributo Nacional de
para promoção da Literacia Estatística (Análise de dados e ensino da Estatística, Emília Oliveira, José Gomes, Escola Secundária Tomaz
Estatística Pelayo, 2001.
38
Matemática
arquitetos e urbanistas, em 2017, por 02. (PREFEITURA DE
faixa etária. Qual é o percentual (x%) de TAUBATÉ/SP – Escriturário –
arquitetos e urbanistas com mais de 60 VUNESP/2022) A tabela a seguir apresenta
anos de idade? informações mensais do último trimestre de
A) 9% 2021, sobre o controle de sacos de cimento,
B) 12% em determinada obra.
C) 15%
D) 18%
E ) 27%
Resolução
Um exercício simples..já leu, né?
Agora, analisa de novo a tabela.
Com base nas informações da tabela,
Temos que saber aquele valor de x,
pode-se afirmar, corretamente, que o
mas temos outro x lá em cima.
estoque final de sacos de cimento, em
Se somarmos todos, tem que dar
dezembro de 2021, era de
100%.
A) 150 unidades.
3x+32+18+14+x=100
B) 140 unidades.
4x=36
C) 130 unidades.
X=9
D) 120 unidades.
E) 110 unidades.
Questões
Alternativas
01. (PREFEITURA DE
01. B – 02. E
TAUBATÉ/SP – Escriturário –
VUNESP/2022) O gráfico a seguir
apresenta informações sobre os salários
brutos mensais pagos aos funcionários que
trabalham em determinada empresa.
Com base nas informações apresentadas,
é correto afirmar que o total em salários
brutos que essa empresa paga,
mensalmente, aos seus funcionários, é de
A) R$ 47.000,00.
B) R$ 51.000,00.
C) R$ 55.000,00.
D) R$ 59.000,00.
E) R$ 63.000,00.
39
Conhecimentos Específicos
SUMÁRIO
Ética e Moral no Serviço Público. ...................................................................... 1
Lei N° 11.350 de 5 de outubro de 2006 e suas alterações. ................................ 2
Manual de Normas Técnicas: Dengue, Instruções para Pessoal de Combate ao Vetor
da FUNASA, de abril de 2021. ............................................................................. 13
Diretrizes Nacionais para a Prevenção e Controle de Epidemias de Dengue do
Ministério da Saúde, Brasília/DF – 2009. ............................................................. 45
Visitas domiciliares, Educação Ambiental, Saúde Pública e Saneamento
Básico.......... .......................................................................................................... 94
Levantamento rápido de índices para Aedes Aegypti – LIRAa – Para Vigilância
Entomológica do Aedes Aegypti no Brasil. ........................................................ 105
Manual sobre Medidas de Proteção a Saúde dos Agentes de Combate às
Endemias....... ...................................................................................................... 123
Plano de Contingência para Respostas às Emergências em Saúde Pública por
Dengue, Chikungunya e Zika. ............................................................................. 158
Nota orientativa 01/2020 do Governo do Estado do Paraná sobre A Organização da
Rede de Atenção à Saúde para Enfrentamento da Dengue no Paraná. ................ 178
Nota orientativa 02/2021 do Governo do Estado do Paraná sobre a Integração entre o
Agente Comunitário de Saúde e o Agente de Combate as Endemias Frente às
Arboviroses. ........................................................................................................ 182
Nota orientativa 05/2021 do Governo do Estado do Paraná sobre a Metodologia para
Avaliação da Efetividade do Uso do Inseticida Cielo Ulv® Aplicado a Ultrabaixo
Volume (UBV) Acoplado a Veículo. .................................................................. 185
Resolução SESA n° 0029/2011 do Governo do Estado do Paraná, que dispõe das
Normas Técnicas da Prevenção à Proliferação do Mosquito Aedes Aegypti. ..... 189
Apostilas
Domínio
Conhecimentos Específicos
Resolução SESA n° 0459/2014 do Governo do Estado do Paraná, que dispõe sobre os
critérios técnicos para utilização do equipamento de Ultrabaixo Volume acoplado a
veículo (UBV pesado). ........................................................................................ 197
Apostilas
Domínio
Conhecimentos Específicos
que gostaria de ver aplicados é a máxima e
Ética e Moral no Serviço Público. poderá se tornar o que ele chama lei
universal.
O imperativo categórico possui três
Os termos ética e moral são muitas
fundamentos básicos, são eles:
vezes usados como sinônimos, mas
possuem significados diferentes.
a- Ação individual como uma lei
universal da natureza: são atitudes
De acordo com o dicionário Michaelis
inquestionáveis que, em qualquer
ética é o ramo da filosofia que tem por
julgamento, se mostram corretas;
objetivo refletir sobre a essência dos
b- A humanidade é o fim de todas as
princípios, valores e problemas
ações e nunca o meio: a ética e a moral não
fundamentais da moral, tais como a
são utilitárias, e qualquer atitude deve
finalidade e o sentido da vida humana, a
privilegiar o respeito às pessoas;
natureza do bem e do mal, os fundamentos
c- Racionalidade humana: o homem,
da obrigação e do dever, tendo como base
ao contrário dos outros seres vivos, é capaz
as normas consideradas universalmente
de pensar e, por isso, uma boa ação deve
válidas e que norteiam o comportamento
sempre ser pautada pelo dever.
humano.
Em resumo, podemos conceituar ética
Ainda nas lições de Kant, precisamos
como caráter, modo de ser, ou seja, a ética
entender o dever como a finalidade da
está essencialmente relacionada a valores e
própria ação, sem pensar em outras
julgamentos que vão orientar a tomada de
consequências.
decisão do indivíduo.
Já por moral entendemos ser o conjunto
Essa ética baseada no dever é chamada
de regras aplicadas no cotidiano e usadas
de ética deontológica.
continuamente por cada cidadão. Essas
regras orientam cada indivíduo, norteando
Outro ponto interessante da ética
as suas ações e os seus julgamentos sobre o
kantiana é a sua percepção sobre a mentira.
que é moral ou imoral, certo ou errado, bom
Para Kant mentir não é uma atitude ética
ou mau.
sob nenhum aspecto.
De acordo com os conceitos expostos
Segundo o pensador alemão, quando
nota-se que a moral muda constantemente,
uma pessoa faz uma afirmação falsa, ela
pois os hábitos sociais são renovados
está desrespeitando a sociedade como um
periodicamente e de acordo com o local em
todo. Afinal, está se valendo de um
que são observados, enquanto a ética, tende
subterfúgio para ter algum tipo de
a ser estática.
vantagem, enquanto priva o outro da
Segundo Immanuel Kant os preceitos
verdade.
éticos de uma sociedade baseiam-se em
A ética e a moral são valores
seus valores, princípios, ideais e regras, que
importantes para uma sociedade, pois
se consolidam durante a formação do
regulam a convivência e ajudam a moldar
caráter do ser humano em seu convívio
as pessoas que nos tornamos.
social.
Aquele que busca agir de acordo com
Kant desenvolveu o chamado
princípios éticos e morais é mais tolerante
Imperativo categórico com o intuito de
às diferenças, respeita o próximo e as leis.
analisar o que motiva a ação humana a agir
moral e eticamente. Assim, o modo como
um indivíduo age com base em princípios Fica a dica! Razão é a fonte da ética
e da moralidade humana.
1
Conhecimentos Específicos
§ 2º Incumbe aos Agentes Comunitários
Lei N° 11.350 de 5 de outubro de 2006 e de Saúde e aos Agentes de Combate às
suas alterações.
Endemias desempenhar com zelo e presteza
as atividades previstas nesta Lei. (Incluído
LEI Nº 11.350, DE 5 DE OUTUBRO dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
DE 20061
Art. 3º O Agente Comunitário de Saúde
Regulamenta o § 5º do art. 198 da tem como atribuição o exercício de
Constituição, dispõe sobre o atividades de prevenção de doenças e
aproveitamento de pessoal amparado pelo promoção da saúde, mediante ações
parágrafo único do art. 2º da Emenda domiciliares ou comunitárias, individuais
Constitucional nº 51, de 14 de fevereiro de ou coletivas, desenvolvidas em
2006, e dá outras providências. conformidade com as diretrizes do SUS e
sob supervisão do gestor municipal,
Faço saber que o PRESIDENTE DA distrital, estadual ou federal.
REPÚBLICA adotou a Medida Provisória Parágrafo único. São consideradas
nº 297, de 2006, que o Congresso Nacional atividades do Agente Comunitário de
aprovou, e eu, Renan Calheiros, Presidente Saúde, na sua área de atuação:
da Mesa do Congresso Nacional, para os I - a utilização de instrumentos para
efeitos do disposto no art. 62 da diagnóstico demográfico e sociocultural da
Constituição Federal, com a redação dada comunidade;
pela Emenda Constitucional nº 32, II - a promoção de ações de educação
combinado com o art. 12 da Resolução nº 1, para a saúde individual e coletiva;
de 2002-CN, promulgo a seguinte Lei: III - o registro, para fins exclusivos de
controle e planejamento das ações de saúde,
Art. 1º As atividades de Agente de nascimentos, óbitos, doenças e outros
Comunitário de Saúde e de Agente de agravos à saúde;
Combate às Endemias, passam a reger-se IV - o estímulo à participação da
pelo disposto nesta Lei. comunidade nas políticas públicas voltadas
para a área da saúde;
Art. 2º O exercício das atividades de V - a realização de visitas domiciliares
Agente Comunitário de Saúde e de Agente periódicas para monitoramento de situações
de Combate às Endemias, nos termos desta de risco à família; e
Lei, dar-se-á exclusivamente no âmbito do VI - a participação em ações que
Sistema Único de Saúde - SUS, na fortaleçam os elos entre o setor saúde e
execução das atividades de outras políticas que promovam a qualidade
responsabilidade dos entes federados, de vida.
mediante vínculo direto entre os referidos
Agentes e órgão ou entidade da Art. 3º O Agente Comunitário de Saúde
administração direta, autárquica ou tem como atribuição o exercício de
fundacional. atividades de prevenção de doenças e de
§ 1º É essencial e obrigatória a presença promoção da saúde, a partir dos referenciais
de Agentes Comunitários de Saúde na da Educação Popular em Saúde, mediante
Estratégia Saúde da Família e de Agentes ações domiciliares ou comunitárias,
de Combate às Endemias na estrutura de individuais ou coletivas, desenvolvidas em
vigilância epidemiológica e ambiental. conformidade com as diretrizes do SUS que
(Redação dada pela Lei nº 13.708, de 2018) normatizam a saúde preventiva e a atenção
básica em saúde, com objetivo de ampliar o
1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
2006/2006/lei/l11350.htm, visitado em: 18.11.2022.
2
Conhecimentos Específicos
acesso da comunidade assistida às ações e § 3º No modelo de atenção em saúde
aos serviços de informação, de saúde, de fundamentado na assistência
promoção social e de proteção da cidadania, multiprofissional em saúde da família, são
sob supervisão do gestor municipal, consideradas atividades típicas do Agente
distrital, estadual ou federal. (Redação dada Comunitário de Saúde, em sua área
pela Lei nº 13.595, de 2018) geográfica de atuação: (Incluído dada pela
Parágrafo único. (Revogado). (Redação Lei nº 13.595, de 2018)
dada pela Lei nº 13.595, de 2018) I - a utilização de instrumentos para
I - (revogado); (Redação dada pela Lei diagnóstico demográfico e sociocultural;
nº 13.595, de 2018) (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
II - (revogado); (Redação dada pela Lei II - o detalhamento das visitas
nº 13.595, de 2018) domiciliares, com coleta e registro de dados
III - (revogado); (Redação dada pela Lei relativos a suas atribuições, para fim
nº 13.595, de 2018) exclusivo de controle e planejamento das
IV - (revogado); (Redação dada pela Lei ações de saúde; (Incluído dada pela Lei nº
nº 13.595, de 2018) 13.595, de 2018)
V - (revogado); (Redação dada pela Lei III - a mobilização da comunidade e o
nº 13.595, de 2018) estímulo à participação nas políticas
VI - (revogado). (Redação dada pela Lei públicas voltadas para as áreas de saúde e
nº 13.595, de 2018) socioeducacional; (Incluído dada pela Lei
§ 1º Para fins desta Lei, entende-se por nº 13.595, de 2018)
Educação Popular em Saúde as práticas IV - a realização de visitas domiciliares
político-pedagógicas que decorrem das regulares e periódicas para acolhimento e
ações voltadas para a promoção, a proteção acompanhamento: (Incluído dada pela Lei
e a recuperação da saúde, estimulando o nº 13.595, de 2018)
autocuidado, a prevenção de doenças e a a) da gestante, no pré-natal, no parto e no
promoção da saúde individual e coletiva a puerpério; (Incluído dada pela Lei nº
partir do diálogo sobre a diversidade de 13.595, de 2018)
saberes culturais, sociais e científicos e a b) da lactante, nos seis meses seguintes
valorização dos saberes populares, com ao parto; (Incluído dada pela Lei nº 13.595,
vistas à ampliação da participação popular de 2018)
no SUS e ao fortalecimento do vínculo c) da criança, verificando seu estado
entre os trabalhadores da saúde e os vacinal e a evolução de seu peso e de sua
usuários do SUS. (Incluído pela Lei nº altura; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de
13.595, de 2018) 2018)
§ 2º No modelo de atenção em saúde d) do adolescente, identificando suas
fundamentado na assistência necessidades e motivando sua participação
multiprofissional em saúde da família, é em ações de educação em saúde, em
considerada atividade precípua do Agente conformidade com o previsto na Lei nº
Comunitário de Saúde, em sua área 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da
geográfica de atuação, a realização de Criança e do Adolescente); (Incluído dada
visitas domiciliares rotineiras, casa a casa, pela Lei nº 13.595, de 2018)
para a busca de pessoas com sinais ou e) da pessoa idosa, desenvolvendo ações
sintomas de doenças agudas ou crônicas, de de promoção de saúde e de prevenção de
agravos ou de eventos de importância para quedas e acidentes domésticos e motivando
a saúde pública e consequente sua participação em atividades físicas e
encaminhamento para a unidade de saúde coletivas; (Incluído dada pela Lei nº 13.595,
de referência. (Incluído dada pela Lei nº de 2018)
13.595, de 2018) f) da pessoa em sofrimento psíquico;
(Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
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Conhecimentos Específicos
g) da pessoa com dependência química encaminhando o paciente para a unidade de
de álcool, de tabaco ou de outras drogas; saúde de referência; (Incluído dada pela Lei
(Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018) nº 13.595, de 2018)
h) da pessoa com sinais ou sintomas de II - a medição de glicemia capilar,
alteração na cavidade bucal; (Incluído dada durante a visita domiciliar, em caráter
pela Lei nº 13.595, de 2018) excepcional, encaminhando o paciente para
i) dos grupos homossexuais e a unidade de saúde de referência; (Incluído
transexuais, desenvolvendo ações de dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
educação para promover a saúde e prevenir III - a aferição de temperatura axilar,
doenças; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, durante a visita domiciliar, em caráter
de 2018) excepcional, com o devido
j) da mulher e do homem, encaminhamento do paciente, quando
desenvolvendo ações de educação para necessário, para a unidade de saúde de
promover a saúde e prevenir doenças; referência; (Incluído dada pela Lei nº
(Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018) 13.595, de 2018)
V - realização de visitas domiciliares IV - a orientação e o apoio, em
regulares e periódicas para identificação e domicílio, para a correta administração de
acompanhamento: (Incluído dada pela Lei medicação de paciente em situação de
nº 13.595, de 2018) vulnerabilidade; (Incluído dada pela Lei nº
a) de situações de risco à família; 13.595, de 2018)
(Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018) V - a verificação antropométrica.
b) de grupos de risco com maior (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
vulnerabilidade social, por meio de ações § 5º No modelo de atenção em saúde
de promoção da saúde, de prevenção de fundamentado na assistência
doenças e de educação em saúde; (Incluído multiprofissional em saúde da família, são
dada pela Lei nº 13.595, de 2018) consideradas atividades do Agente
c) do estado vacinal da gestante, da Comunitário de Saúde compartilhadas com
pessoa idosa e da população de risco, os demais membros da equipe, em sua área
conforme sua vulnerabilidade e em geográfica de atuação: (Incluído dada pela
consonância com o previsto no calendário Lei nº 13.595, de 2018)
nacional de vacinação; (Incluído dada pela I - a participação no planejamento e no
Lei nº 13.595, de 2018) mapeamento institucional, social e
VI - o acompanhamento de demográfico; (Incluído dada pela Lei nº
condicionalidades de programas sociais, em 13.595, de 2018)
parceria com os Centros de Referência de II - a consolidação e a análise de dados
Assistência Social (Cras). (Incluído dada obtidos nas visitas domiciliares; (Incluído
pela Lei nº 13.595, de 2018) dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
§ 4º No modelo de atenção em saúde III - a realização de ações que
fundamentado na assistência possibilitem o conhecimento, pela
multiprofissional em saúde da família, comunidade, de informações obtidas em
desde que o Agente Comunitário de Saúde levantamentos socioepidemiológicos
tenha concluído curso técnico e tenha realizados pela equipe de saúde; (Incluído
disponíveis os equipamentos adequados, dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
são atividades do Agente, em sua área IV - a participação na elaboração, na
geográfica de atuação, assistidas por implementação, na avaliação e na
profissional de saúde de nível superior, reprogramação permanente dos planos de
membro da equipe: (Incluído dada pela Lei ação para o enfrentamento de determinantes
nº 13.595, de 2018) do processo saúde-doença; (Incluído dada
I - a aferição da pressão arterial, durante pela Lei nº 13.595, de 2018)
a visita domiciliar, em caráter excepcional,
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Conhecimentos Específicos
V - a orientação de indivíduos e de coleta de reservatórios de doenças;
grupos sociais quanto a fluxos, rotinas e (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
ações desenvolvidos no âmbito da atenção VI - cadastramento e atualização da base
básica em saúde; (Incluído dada pela Lei nº de imóveis para planejamento e definição
13.595, de 2018) de estratégias de prevenção e controle de
VI - o planejamento, o desenvolvimento doenças; (Incluído dada pela Lei nº 13.595,
e a avaliação de ações em saúde; (Incluído de 2018)
dada pela Lei nº 13.595, de 2018) VII - execução de ações de prevenção e
VII - o estímulo à participação da controle de doenças, com a utilização de
população no planejamento, no medidas de controle químico e biológico,
acompanhamento e na avaliação de ações manejo ambiental e outras ações de manejo
locais em saúde. (Incluído dada pela Lei nº integrado de vetores; (Incluído dada pela
13.595, de 2018) Lei nº 13.595, de 2018)
VIII - execução de ações de campo em
Art. 4º O Agente de Combate às projetos que visem a avaliar novas
Endemias tem como atribuição o exercício metodologias de intervenção para
de atividades de vigilância, prevenção e prevenção e controle de doenças; (Incluído
controle de doenças e promoção da saúde, dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
desenvolvidas em conformidade com as IX - registro das informações referentes
diretrizes do SUS e sob supervisão do às atividades executadas, de acordo com as
gestor de cada ente federado. normas do SUS; (Incluído dada pela Lei nº
§ 1º São consideradas atividades típicas 13.595, de 2018)
do Agente de Combate às Endemias, em X - identificação e cadastramento de
sua área geográfica de atuação: (Incluído situações que interfiram no curso das
dada pela Lei nº 13.595, de 2018) doenças ou que tenham importância
I - desenvolvimento de ações educativas epidemiológica relacionada principalmente
e de mobilização da comunidade relativas à aos fatores ambientais; (Incluído dada pela
prevenção e ao controle de doenças e Lei nº 13.595, de 2018)
agravos à saúde; (Incluído dada pela Lei nº XI - mobilização da comunidade para
13.595, de 2018) desenvolver medidas simples de manejo
II - realização de ações de prevenção e ambiental e outras formas de intervenção
controle de doenças e agravos à saúde, em no ambiente para o controle de vetores.
interação com o Agente Comunitário de (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
Saúde e a equipe de atenção básica; § 2º É considerada atividade dos
(Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018) Agentes de Combate às Endemias assistida
III - identificação de casos suspeitos de por profissional de nível superior e
doenças e agravos à saúde e condicionada à estrutura de vigilância
encaminhamento, quando indicado, para a epidemiológica e ambiental e de atenção
unidade de saúde de referência, assim como básica a participação: (Incluído dada pela
comunicação do fato à autoridade sanitária Lei nº 13.595, de 2018)
responsável; (Incluído dada pela Lei nº I - no planejamento, execução e
13.595, de 2018) avaliação das ações de vacinação animal
IV - divulgação de informações para a contra zoonoses de relevância para a saúde
comunidade sobre sinais, sintomas, riscos e pública normatizadas pelo Ministério da
agentes transmissores de doenças e sobre Saúde, bem como na notificação e na
medidas de prevenção individuais e investigação de eventos adversos
coletivas; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, temporalmente associados a essas
de 2018) vacinações; (Incluído dada pela Lei nº
V - realização de ações de campo para 13.595, de 2018)
pesquisa entomológica, malacológica e
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Conhecimentos Específicos
II - na coleta de animais e no zoonoses, doenças de transmissão vetorial e
recebimento, no acondicionamento, na agravos causados por animais peçonhentos;
conservação e no transporte de espécimes (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
ou amostras biológicas de animais, para seu II - no planejamento, na programação e
encaminhamento aos laboratórios no desenvolvimento de atividades de
responsáveis pela identificação ou vigilância em saúde, de forma articulada
diagnóstico de zoonoses de relevância para com as equipes de saúde da família;
a saúde pública no Município; (Incluído (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
dada pela Lei nº 13.595, de 2018) III - (VETADO); (Incluído dada pela Lei
III - na necropsia de animais com nº 13.595, de 2018)
diagnóstico suspeito de zoonoses de IV - na identificação e no
relevância para a saúde pública, auxiliando encaminhamento, para a unidade de saúde
na coleta e no encaminhamento de amostras de referência, de situações que,
laboratoriais, ou por meio de outros relacionadas a fatores ambientais,
procedimentos pertinentes; (Incluído dada interfiram no curso de doenças ou tenham
pela Lei nº 13.595, de 2018) importância epidemiológica; (Incluído
IV - na investigação diagnóstica dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
laboratorial de zoonoses de relevância para V - na realização de campanhas ou de
a saúde pública; (Incluído dada pela Lei nº mutirões para o combate à transmissão de
13.595, de 2018) doenças infecciosas e a outros agravos.
V - na realização do planejamento, (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
desenvolvimento e execução de ações de
controle da população de animais, com Art. 4º-B. Deverão ser observadas as
vistas ao combate à propagação de ações de segurança e de saúde do
zoonoses de relevância para a saúde trabalhador, notadamente o uso de
pública, em caráter excepcional, e sob equipamentos de proteção individual e a
supervisão da coordenação da área de realização dos exames de saúde
vigilância em saúde. (Incluído dada pela ocupacional, na execução das atividades
Lei nº 13.595, de 2018) dos Agentes Comunitários de Saúde e dos
§ 3º O Agente de Combate às Endemias Agentes de Combate às Endemias.
poderá participar, mediante treinamento (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
adequado, da execução, da coordenação ou
da supervisão das ações de vigilância Art. 5º O Ministério da Saúde
epidemiológica e ambiental. (Incluído dada regulamentará as atividades de vigilância,
pela Lei nº 13.595, de 2018) prevenção e controle de doenças e de
promoção da saúde a que se referem os arts.
Art. 4º-A. O Agente Comunitário de 3º , 4º e 4º-A e estabelecerá os parâmetros
Saúde e o Agente de Combate às Endemias dos cursos previstos no inciso II do caput do
realizarão atividades de forma integrada, art. 6º , no inciso I do caput do art. 7º e no §
desenvolvendo mobilizações sociais por 2º deste artigo, observadas as diretrizes
meio da Educação Popular em Saúde, curriculares nacionais definidas pelo
dentro de sua área geográfica de atuação, Conselho Nacional de Educação. (Redação
especialmente nas seguintes situações: dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
(Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018) § 1º Os cursos a que se refere o caput
I - na orientação da comunidade quanto deste artigo utilizarão os referenciais da
à adoção de medidas simples de manejo Educação Popular em Saúde e serão
ambiental para o controle de vetores, de oferecidos ao Agente Comunitário de
medidas de proteção individual e coletiva e Saúde e ao Agente de Combate às
de outras ações de promoção de saúde, para Endemias nas modalidades presencial ou
a prevenção de doenças infecciosas, semipresencial durante a jornada de
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Conhecimentos Específicos
trabalho. (Incluído pela Lei nº 13.595, de que se refere o inciso I do caput deste artigo,
2018) devendo: (Incluído pela Lei nº 13.595, de
§ 2º A cada 2 (dois) anos, os Agentes 2018)
Comunitários de Saúde e os Agentes de I - observar os parâmetros estabelecidos
Combate às Endemias frequentarão cursos pelo Ministério da Saúde; (Incluído pela
de aperfeiçoamento. (Redação dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
Lei nº 13.708, de 2018) II - considerar a geografia e a demografia
§ 2º-A Os cursos de que trata o § 2º deste da região, com distinção de zonas urbanas e
artigo serão organizados e financiados, de rurais; (Incluído pela Lei nº 13.595, de
modo tripartite, pela União, pelos Estados, 2018)
pelo Distrito Federal e pelos Municípios. III - flexibilizar o número de famílias e
(Incluído pela Lei nº 13.708, de 2018) de indivíduos a serem acompanhados, de
§ 3º Cursos técnicos de Agente acordo com as condições de acessibilidade
Comunitário de Saúde e de Agente de local e de vulnerabilidade da comunidade
Combate às Endemias poderão ser assistida. (Incluído pela Lei nº 13.595, de
ministrados nas modalidades presencial e 2018)
semipresencial e seguirão as diretrizes § 4º A área geográfica a que se refere o
estabelecidas pelo Conselho Nacional de inciso I do caput deste artigo será alterada
Educação. (Incluído pela Lei nº 13.595, de quando houver risco à integridade física do
2018) Agente Comunitário de Saúde ou de
membro de sua família decorrente de
Art. 6º O Agente Comunitário de Saúde ameaça por parte de membro da
deverá preencher os seguintes requisitos comunidade onde reside e atua. (Incluído
para o exercício da atividade: pela Lei nº 13.595, de 2018)
I - residir na área da comunidade em que § 5º Caso o Agente Comunitário de
atuar, desde a data da publicação do edital Saúde adquira casa própria fora da área
do processo seletivo público; geográfica de sua atuação, será
II - ter concluído, com aproveitamento, excepcionado o disposto no inciso I do
curso de formação inicial, com carga caput deste artigo e mantida sua vinculação
horária mínima de quarenta horas; à mesma equipe de saúde da família em que
(Redação dada pela Lei nº 13.595, de 2018) esteja atuando, podendo ser remanejado, na
III - ter concluído o ensino médio. forma de regulamento, para equipe atuante
(Redação dada pela Lei nº 13.595, de 2018) na área onde está localizada a casa
§ 1º Quando não houver candidato adquirida. (Incluído pela Lei nº 13.595, de
inscrito que preencha o requisito previsto 2018)
no inciso III do caput deste artigo, poderá
ser admitida a contratação de candidato Art. 7º O Agente de Combate às
com ensino fundamental, que deverá Endemias deverá preencher os seguintes
comprovar a conclusão do ensino médio no requisitos para o exercício da atividade:
prazo máximo de três anos. (Redação dada I - ter concluído, com aproveitamento,
pela Lei nº 13.595, de 2018) curso de formação inicial, com carga
§ 2º É vedada a atuação do Agente horária mínima de quarenta horas;
Comunitário de Saúde fora da área (Redação dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
geográfica a que se refere o inciso I do II - ter concluído o ensino médio.
caput deste artigo. (Redação dada pela Lei (Redação dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
nº 13.595, de 2018) Parágrafo único. (Revogado). (Redação
§ 3º Ao ente federativo responsável pela dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
execução dos programas relacionados às § 1º Quando não houver candidato
atividades do Agente Comunitário de Saúde inscrito que preencha o requisito previsto
compete a definição da área geográfica a no inciso II do caput deste artigo, poderá ser
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Conhecimentos Específicos
admitida a contratação de candidato com anterior processo de seleção pública, para
ensino fundamental, que deverá comprovar efeito da dispensa referida no parágrafo
a conclusão do ensino médio no prazo único do art. 2º da Emenda Constitucional
máximo de três anos. (Incluído pela Lei nº nº 51, de 14 de fevereiro de 2006,
13.595, de 2018) considerando-se como tal aquele que tenha
§ 2º Ao ente federativo responsável pela sido realizado com observância dos
execução dos programas relacionados às princípios referidos no caput. (Renumerado
atividades do Agente de Combate às do Parágrafo único pela Lei nº 13.342, de
Endemias compete a definição do número 2016)
de imóveis a serem fiscalizados pelo § 2º O tempo prestado pelos Agentes
Agente, observados os parâmetros Comunitários de Saúde e pelos Agentes de
estabelecidos pelo Ministério da Saúde e os Combate às Endemias enquadrados na
seguintes: (Incluído pela Lei nº 13.595, de condição prevista no § 1º deste artigo,
2018) independentemente da forma de seu vínculo
I - condições adequadas de trabalho; e desde que tenha sido efetuado o devido
(Incluído pela Lei nº 13.595, de 2018) recolhimento da contribuição
II - geografia e demografia da região, previdenciária, será considerado para fins
com distinção de zonas urbanas e rurais; de concessão de benefícios e contagem
(Incluído pela Lei nº 13.595, de 2018) recíproca pelos regimes previdenciários.
III - flexibilização do número de
imóveis, de acordo com as condições de Art. 9º-A. O piso salarial profissional
acessibilidade local. (Incluído pela Lei nº nacional é o valor abaixo do qual a União,
13.595, de 2018) os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios não poderão fixar o vencimento
Art. 8º Os Agentes Comunitários de inicial das Carreiras de Agente Comunitário
Saúde e os Agentes de Combate às de Saúde e de Agente de Combate às
Endemias admitidos pelos gestores locais Endemias para a jornada de 40 (quarenta)
do SUS e pela Fundação Nacional de Saúde horas semanais. § 1º O piso salarial
- FUNASA, na forma do disposto no § 4º profissional nacional dos Agentes
do art. 198 da Constituição, submetem-se Comunitários de Saúde e dos Agentes de
ao regime jurídico estabelecido pela Combate às Endemias é fixado no valor de
Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, R$ 1.014,00 (mil e quatorze reais) mensais.
salvo se, no caso dos Estados, do Distrito (Incluído pela Lei nº 12.994, de 2014)
Federal e dos Municípios, lei local dispuser § 1º O piso salarial profissional nacional
de forma diversa. dos Agentes Comunitários de Saúde e dos
Agentes de Combate às Endemias é fixado
Art. 9º A contratação de Agentes no valor de R$ 1.550,00 (mil quinhentos e
Comunitários de Saúde e de Agentes de cinquenta reais) mensais, obedecido o
Combate às Endemias deverá ser precedida seguinte escalonamento: (Redação dada
de processo seletivo público de provas ou pela lei nº 13.708, de 2018)
de provas e títulos, de acordo com a I - R$ 1.250,00 (mil duzentos e
natureza e a complexidade de suas cinquenta reais) em 1º de janeiro de 2019;
atribuições e requisitos específicos para o (Incluído pela lei nº 13.708, de 2018)
exercício das atividades, que atenda aos II - R$ 1.400,00 (mil e quatrocentos
princípios de legalidade, impessoalidade, reais) em 1º de janeiro de 2020; (Incluído
moralidade, publicidade e eficiência. pela lei nº 13.708, de 2018)
§ 1º Caberá aos órgãos ou entes da III - R$ 1.550,00 (mil quinhentos e
administração direta dos Estados, do cinquenta reais) em 1º de janeiro de 2021.
Distrito Federal ou dos Municípios (Incluído pela lei nº 13.708, de 2018)
certificar, em cada caso, a existência de
8
Conhecimentos Específicos
§ 2º A jornada de trabalho de 40 Art. 9º-B. (VETADO). (Incluído pela
(quarenta) horas semanais exigida para Lei nº 12.994, de 2014)
garantia do piso salarial previsto nesta Lei
será integralmente dedicada às ações e aos Art. 9º-C. Nos termos do § 5º do art. 198
serviços de promoção da saúde, de da Constituição Federal, compete à União
vigilância epidemiológica e ambiental e de prestar assistência financeira complementar
combate a endemias em prol das famílias e aos Estados, ao Distrito Federal e aos
das comunidades assistidas, no âmbito dos Municípios, para o cumprimento do piso
respectivos territórios de atuação, e salarial de que trata o art. 9º-A desta Lei.
assegurará aos Agentes Comunitários de (Incluído pela Lei nº 12.994, de 2014)
Saúde e aos Agentes de Combate às § 1º Para fins do disposto no caput deste
Endemias participação nas atividades de artigo, é o Poder Executivo federal
planejamento e avaliação de ações, de autorizado a fixar em decreto os parâmetros
detalhamento das atividades, de registro de referentes à quantidade máxima de agentes
dados e de reuniões de equipe. (Redação passível de contratação, em função da
dada pela Lei nº 13.708, de 2018) população e das peculiaridades locais, com
I - (revogado); (Redação dada pela Lei o auxílio da assistência financeira
nº 13.708, de 2018) complementar da União. (Incluído pela Lei
II - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.994, de 2014)
nº 13.708, de 2018) § 2º A quantidade máxima de que trata o
§ 3º O exercício de trabalho de forma § 1º deste artigo considerará tão somente os
habitual e permanente em condições agentes efetivamente registrados no mês
insalubres, acima dos limites de tolerância anterior à respectiva competência
estabelecidos pelo órgão competente do financeira que se encontrem no estrito
Poder Executivo federal, assegura aos desempenho de suas atribuições e
agentes de que trata esta Lei a percepção de submetidos à jornada de trabalho fixada
adicional de insalubridade, calculado sobre para a concessão do piso salarial. (Incluído
o seu vencimento ou salário-base: (Incluído pela Lei nº 12.994, de 2014)
pela Lei nº 13.342, de 2016) § 3º O valor da assistência financeira
I - nos termos do disposto no art. 192 da complementar da União é fixado em 95%
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), (noventa e cinco por cento) do piso salarial
aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de que trata o art. 9º-A desta Lei. (Incluído
de maio de 1943, quando submetidos a esse pela Lei nº 12.994, de 2014)
regime; (Incluído pela Lei nº 13.342, de § 4º A assistência financeira
2016) complementar de que trata o caput deste
II - nos termos da legislação específica, artigo será devida em 12 (doze) parcelas
quando submetidos a vínculos de outra consecutivas em cada exercício e 1 (uma)
natureza. (Incluído pela Lei nº 13.342, de parcela adicional no último trimestre.
2016) (Incluído pela Lei nº 12.994, de 2014)
§ 4º As condições climáticas da área § 5º Até a edição do decreto de que trata
geográfica de atuação serão consideradas o § 1º deste artigo, aplicar-se-ão as normas
na definição do horário para cumprimento vigentes para os repasses de incentivos
da jornada de trabalho. (Incluído pela Lei nº financeiros pelo Ministério da Saúde.
13.595, de 2018) (Incluído pela Lei nº 12.994, de 2014)
§ 5º O piso salarial de que trata o § 1º § 6º Para efeito da prestação de
deste artigo será reajustado, anualmente, assistência financeira complementar de que
em 1º de janeiro, a partir do ano de 2022. trata este artigo, a União exigirá dos
(Incluído pela lei nº 13.708, de 2018) gestores locais do SUS a comprovação do
vínculo direto dos Agentes Comunitários de
Saúde e dos Agentes de Combate às
9
Conhecimentos Específicos
Endemias com o respectivo ente federativo, complementar obrigatória prestada pela
regularmente formalizado, conforme o União e a parcela repassada como incentivo
regime jurídico que vier a ser adotado na financeiro que venha a ser utilizada no
forma do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei pagamento de pessoal serão computadas
nº 12.994, de 2014) como gasto de pessoal do ente federativo
beneficiado pelas transferências.
Art. 9º-D. É criado incentivo financeiro
para fortalecimento de políticas afetas à Art. 9º-G. Os planos de carreira dos
atuação de agentes comunitários de saúde e Agentes Comunitários de Saúde e dos
de combate às endemias. (Incluído pela Lei Agentes de Combate às Endemias deverão
nº 12.994, de 2014) obedecer às seguintes diretrizes: I -
§ 1º Para fins do disposto no caput deste remuneração paritária dos Agentes
artigo, é o Poder Executivo federal Comunitários de Saúde e dos Agentes de
autorizado a fixar em decreto: (Incluído Combate às Endemias;
pela Lei nº 12.994, de 2014) II - definição de metas dos serviços e das
I - parâmetros para concessão do equipes;
incentivo; e (Incluído pela Lei nº 12.994, de III - estabelecimento de critérios de
2014) progressão e promoção;
II - valor mensal do incentivo por ente IV - adoção de modelos e instrumentos
federativo. (Incluído pela Lei nº 12.994, de de avaliação que atendam à natureza das
2014) atividades, assegurados os seguintes
§ 2º Os parâmetros para concessão do princípios:
incentivo considerarão, sempre que a) transparência do processo de
possível, as peculiaridades do Município. avaliação, assegurando-se ao avaliado o
(Incluído pela Lei nº 12.994, de 2014) conhecimento sobre todas as etapas do
§ 3º (VETADO). (Incluído pela Lei nº processo e sobre o seu resultado final;
12.994, de 2014) b) periodicidade da avaliação;
§ 4º (VETADO). (Incluído pela Lei nº c) contribuição do servidor para a
12.994, de 2014) consecução dos objetivos do serviço;
§ 5º (VETADO). (Incluído pela Lei nº d) adequação aos conteúdos
12.994, de 2014) ocupacionais e às condições reais de
trabalho, de forma que eventuais condições
precárias ou adversas de trabalho não
Art. 9º-E. Atendidas as disposições desta prejudiquem a avaliação;
Lei e as respectivas normas e) direito de recurso às instâncias
regulamentadoras, os recursos de que hierárquicas superiores.
tratam os arts. 9º-C e 9º-D serão repassados
pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS) aos Art. 9º-H Compete ao ente federativo ao
fundos de saúde dos Municípios, Estados e qual o Agente Comunitário de Saúde ou o
Distrito Federal como transferências Agente de Combate às Endemias estiver
correntes, regulares, automáticas e vinculado fornecer ou custear a locomoção
obrigatórias, nos termos do disposto no art. necessária para o exercício das atividades,
3º da Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de conforme regulamento do ente federativo.
1990. (Redação dada pela Lei nº 13.595, de (Redação dada pela Lei nº 13.708, de 2018)
2018)
Art. 10. A administração pública
Art. 9º-F. Para fins de apuração dos somente poderá rescindir unilateralmente o
limites com pessoal de que trata a Lei contrato do Agente Comunitário de Saúde
Complementar nº 101, de 4 de maio de ou do Agente de Combate às Endemias, de
2000, a assistência financeira acordo com o regime jurídico de trabalho
10
Conhecimentos Específicos
adotado, na ocorrência de uma das achavam no desempenho de atividades de
seguintes hipóteses: combate a endemias no âmbito da
I - prática de falta grave, dentre as FUNASA é assegurada a dispensa de se
enumeradas no art. 482 da Consolidação submeterem ao processo seletivo público a
das Leis do Trabalho - CLT; que se refere o § 4º do art. 198 da
II - acumulação ilegal de cargos, Constituição, desde que tenham sido
empregos ou funções públicas; contratados a partir de anterior processo de
III - necessidade de redução de quadro seleção pública efetuado pela FUNASA, ou
de pessoal, por excesso de despesa, nos por outra instituição, sob a efetiva
termos da Lei nº 9.801, de 14 de junho de supervisão da FUNASA e mediante a
1999 ; ou observância dos princípios a que se refere o
IV - insuficiência de desempenho, caput do art. 9º .
apurada em procedimento no qual se § 1º Ato conjunto dos Ministros de
assegurem pelo menos um recurso Estado da Saúde e do Controle e da
hierárquico dotado de efeito suspensivo, Transparência instituirá comissão com a
que será apreciado em trinta dias, e o prévio finalidade de atestar a regularidade do
conhecimento dos padrões mínimos processo seletivo para fins da dispensa
exigidos para a continuidade da relação de prevista no caput.
emprego, obrigatoriamente estabelecidos § 2º A comissão será integrada por três
de acordo com as peculiaridades das representantes da Secretaria Federal de
atividades exercidas. Controle Interno da Controladoria-Geral da
Parágrafo único. No caso do Agente União, um dos quais a presidirá, pelo
Comunitário de Saúde, o contrato também Assessor Especial de Controle Interno do
poderá ser rescindido unilateralmente na Ministério da Saúde e pelo Chefe da
hipótese de não-atendimento ao disposto no Auditoria Interna da FUNASA.
inciso I do art. 6º , ou em função de
apresentação de declaração falsa de Art. 13. Os Agentes de Combate às
residência. Endemias integrantes do Quadro
Suplementar a que se refere o art. 11
Art. 11. Fica criado, no Quadro de poderão ser colocados à disposição dos
Pessoal da Fundação Nacional de Saúde - Estados, do Distrito Federal e dos
FUNASA, Quadro Suplementar de Municípios, no âmbito do SUS, mediante
Combate às Endemias, destinado a convênio, ou para gestão associada de
promover, no âmbito do SUS, ações serviços públicos, mediante contrato de
complementares de vigilância consórcio público, nos termos da Lei nº
epidemiológica e combate a endemias, nos 11.107, de 6 de abril de 2005, mantida a
termos do inciso VI e parágrafo único do vinculação à FUNASA e sem prejuízo dos
art. 16 da Lei nº 8.080, de 19 de setembro respectivos direitos e vantagens.
de 1990.
Parágrafo único. Ao Quadro Art. 14. O gestor local do SUS
Suplementar de que trata o caput aplica-se, responsável pela admissão dos
no que couber, além do disposto nesta Lei, profissionais de que trata esta Lei disporá
o disposto na Lei nº 9.962, de 22 de sobre a criação dos cargos ou empregos
fevereiro de 2000, cumprindo-se jornada de públicos e demais aspectos inerentes à
trabalho de quarenta horas semanais. atividade, observadas as determinações
desta Lei e as especificidades locais.
Art. 12. Aos profissionais não-ocupantes (Redação dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
de cargo efetivo em órgão ou entidade da
administração pública federal que, em 14 de Art. 15. Ficam criados cinco mil,
fevereiro de 2006, a qualquer título, se trezentos e sessenta e cinco empregos
11
Conhecimentos Específicos
públicos de Agente de Combate às no art. 15 e preenchidos nos termos desta
Endemias, no âmbito do Quadro Lei, serão extintos, quando vagos.
Suplementar referido no art. 11, com
retribuição mensal estabelecida na forma do Art. 19. As despesas decorrentes da
Anexo desta Lei, cuja despesa não excederá criação dos empregos públicos a que se
o valor atualmente despendido pela refere o art. 15 correrão à conta das
FUNASA com a contratação desses dotações destinadas à FUNASA,
profissionais. consignadas no Orçamento Geral da União.
§ 1º A FUNASA, em até trinta dias,
promoverá o enquadramento do pessoal de Art. 20. Esta Lei entra em vigor na data
que trata o art. 12 na tabela salarial de sua publicação.
constante do Anexo desta Lei, em classes e
níveis com salários iguais aos pagos Art. 21. Fica revogada a Lei nº 10.507,
atualmente, sem aumento de despesa. de 10 de julho de 2002.
§ 2º Aplica-se aos ocupantes dos
empregos referidos no caput a indenização Brasília, 9 de junho de 2006; 185º da
de campo de que trata o art. 16 da Lei nº Independência e 118º da República.
8.216, de 13 de agosto de 1991.
§ 3º Caberá à Secretaria de Recursos LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Humanos do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão disciplinar o Questões
desenvolvimento dos ocupantes dos
empregos públicos referidos no caput na 01. (Prefeitura de Montes Claros/MG
tabela salarial constante do Anexo desta - Agente Combate às Endemias -
Lei. COTEC/2022) De acordo com o Art. 3º da
Lei n.º 11.350/2006, o Agente Comunitário
Art. 16. É vedada a contratação de Saúde (ACS) tem como atribuição o
temporária ou terceirizada de Agentes exercício de atividades de prevenção de
Comunitários de Saúde e de Agentes de doenças e promoção da saúde, mediante
Combate às Endemias, salvo na hipótese de ações domiciliares ou comunitárias,
combate a surtos epidêmicos, na forma da individuais ou coletivas, desenvolvidas em
lei aplicável. conformidade com as diretrizes do Sistema
Único de Saúde (SUS) e sob supervisão do
Art. 17. Os profissionais que, na data de gestor municipal, distrital, estadual ou
publicação desta Lei, exerçam atividades federal.
próprias de Agente Comunitário de Saúde e Fonte: BRASIL. Lei n.º 11.350, de 5 de outubro
Agente de Combate às Endemias, de 2006. Adaptado.
vinculados diretamente aos gestores locais
do SUS ou a entidades de administração Marque a alternativa que apresenta uma
indireta, não investidos em cargo ou atribuição específica do ACS:
emprego público, e não alcançados pelo A - Realizar a promoção de ações de
disposto no parágrafo único do art. 9º , educação para a saúde, prioritariamente, de
poderão permanecer no exercício destas forma individual durante as visitas
atividades, até que seja concluída a domiciliares em suas microáreas.
realização de processo seletivo público pelo B - Realizar visitas domiciliares
ente federativo, com vistas ao cumprimento diariamente para o monitoramento de
do disposto nesta Lei. situações de risco à família.
C - Utilizar instrumentos para
Art. 18. Os empregos públicos criados diagnóstico demográfico e sociocultural na
no âmbito da FUNASA, conforme disposto
12
Conhecimentos Específicos
comunidade ou na microárea de sua Alternativas
responsabilidade.
D - Cadastrar, em média, 50% das 01.C – 02.A – 03.A
pessoas e manter, pelo menos, metade dos
cadastros da microárea atualizados.
E - Registrar, para fins de planejamento Manual de Normas Técnicas: Dengue,
das ações de saúde, os nascimentos e as Instruções para Pessoal de Combate ao
doenças da microárea, exceto os óbitos, que Vetor da FUNASA, de abril de 2021
são de responsabilidade da Vigilância
Epidemiológica do município.
Dengue Instruções Pessoal de para
02. (Prefeitura de Córrego Novo/MG - Combate ao Vetor
Agente de Endemias - Máxima/2022)
Com base na Lei 11.350/2006, sobre a Manual Normas de Técnicas
Regulamentação da profissão de Agente de
combate a endemias, é INCORRETO Introdução
afirmar que: O combate ao Aedes aegypti2 no Brasil
A - é essencial e obrigatória a presença foi institucionalizado de forma sistematiza-
de Agentes de Combate às Endemias na da, a partir do século XIX, quando diversas
Estratégia Saúde da Família. epidemias de febre amarela urbana
B - o Agente de Combate às Endemias ocorriam no país, levando à morte milhares
deverá ter concluído o ensino médio. de pessoas.
C - a contratação de Agentes de Combate Desde a criação do Serviço Nacional de
às Endemias deverá ser precedida de Febre Amarela (SNFA), em 1946, diversos
processo seletivo público de provas ou de manuais e guias foram produzidos, com
provas e títulos. instruções para o controle do vetor. A
D - é vedada a contratação temporária ou última edição foi feita em 1986, já pela
terceirizada de Agentes de Combate às Superintendência de Campanhas de Saúde
Endemias, salvo na hipótese de combate a Pública (SUCAM), que sucedeu ao
surtos epidêmicos, na forma da lei Departamento Nacional de Endemias
aplicável. Rurais (DNERu) que, por sua vez,
incorporou o SNFA (1956).
03. (Prefeitura de Iporã do Oeste/SC - As normas aqui contidas não
Agente Comunitário de Saúde - representam apenas mais uma revisão, mas,
AMEOSC/2022) De acordo com a Lei nº sobretudo, trazem importantes mudanças na
11.350/2006, marque alternativa que forma, modelo e tecnologia de controle para
apresenta uma atividade típica de qualquer erradicação do vetor da febre amarela
Agente Comunitário de Saúde em sua área urbana e dengue. Durante décadas,
geográfica de atuação: trabalhou-se na perspectiva da erradicação
A - Utilização de instrumentos para do Aedes aegypti, tendo-se conseguido
diagnóstico demográfico e sociocultural. êxito por duas vezes. Entretanto, falhas na
B - A medição de glicemia capilar, manutenção possibilitaram a ampla
durante a visita domiciliar. dispersão do vetor. A atual situação
C - A aferição da pressão arterial, epidemiológica levou o governo brasileiro
durante a visita domiciliar. a aprovar o PEAa, elaborado por técnicos
D - Realização de ações de campo para brasileiros, com a colaboração da
pesquisa entomológica, malacológica e Organização Pan-Americana de Saúde
coleta de reservatórios de doenças. (OPAS).
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/funasa/man_dengue.pdf
13
Conhecimentos Específicos
O Plano de Erradicação do Aedes Na forma urbana, que não ocorre no país
aegypti (PEAa) nasceu em 1996, com data desde 1942, o vírus é transmitido pela
prevista para início de execução em março picada de Aedes aegypti (ciclo homem-
de 1997. O Decreto n° 1.934, de 18/06/96, mosquito-homem);
criou a Comissão Executiva Nacional e a Na forma silvestre, a transmissão se faz
Portaria Ministerial n° 1.298, de 27/06/96, de um macaco infectado para o homem,
criou a Secretaria Executiva do Plano, através da picada de mosquitos
vinculada ao Gabinete do Ministro da Haemagogus (ciclo macaco-mosquito-
Saúde. O PEAa incorporou novas práticas e homem). A febre amarela silvestre na
conceitos da erradicação e também realidade é uma zoonose, doença própria de
princípios do SUS, como a descentralização animais que passa para o homem. O homem
da política e das ações de controle do vetor não imunizado se infecta de forma acidental
para Estados e Municípios, alterando o ao ingressar em matas onde o vírus está
modelo atual vigente de gestão centralizada circulando entre os macacos.
e verticalizada, de prestação de serviço As formas urbana e silvestre diferem
segmentada por procedimentos e equipes apenas epidemiologicamente, não existindo
específicas para cada doença. diferenças etiológicas, clínicas,
Este manual é consequência da histopatológicas ou laboratoriais.
necessidade de implantação do Programa ✦ Febre amarela silvestre: descrita no
de Erradicação do Aedes aegypti no Brasil, Brasil em 1937, estando ainda presente nas
produto de amplo e prolongado processo de Regiões Norte, Centro-Oeste e faixa pré-
discussão entre o pessoal técnico envolvido amazônica maranhense.
nas atividades do Programa de Controle da ✦ Febre amarela urbana: é conhecida no
Febre Amarela e Dengue, (PCFAD), Brasil desde 1685, ano de registro da
Organização Pan-Americana de Saúde primeira epidemia, em Recife. Foi
(OPAS), Conselho Nacional de Saúde responsável por muitos óbitos e perdas de
(CNS), Conselho Nacional de Secretários natureza econômica e social. Ocorre em
Estaduais de Saúde (CONASS), Conselho forma epidêmica, com alta letalidade, nos
Nacional de Secretários Municipais de casos que evoluem para formas graves
Saúde (CONASEMS) e outros técnicos (com hemorragias e icterícia). O último
especializados em diversas áreas. caso descrito foi em 1942, em Sena
Madureira, Acre.
1. Noções sobre febre amarela e
dengue 1.2. Dengue
1.1. Febre amarela É doença febril aguda caracterizada, em
A febre amarela é doença febril aguda, sua forma clássica, por dores musculares e
de curta duração, de natureza viral, com articulares intensas. Tem como agente um
gravidade variável, encontrada em países arbovírus do gênero Flavivírus da família
da África, das Américas Central e do Sul. A Flaviviridae, do qual existem quatro
forma grave caracteriza-se clinicamente por sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-
manifestações de insuficiência hepática e 4. A infecção por um deles confere proteção
renal, que podem levar o paciente à morte permanente para o mesmo sorotipo e
em no máximo 12 dias. É causada por um imunidade parcial e temporária contra os
arbovírus pertencente ao gênero Flavivírus outros três. Trata-se, caracteristicamente,
da família Flaviviridae. de enfermidade de áreas tropicais e
A transmissão se faz através da picada de subtropicais, onde as condições do
mosquitos, como o Aedes aegypti (febre ambiente favorecem o desenvolvimento
amarela urbana) e várias espécies de dos vetores. Várias espécies de mosquitos
Haemagogus (febre amarela silvestre). do gênero Aedes podem servir como
transmissores do vírus do dengue. No
14
Conhecimentos Específicos
Brasil, duas delas estão hoje instaladas: O Aedes aegypti é uma espécie tropical
Aedes aegypti e Aedes albopictus. e subtropical, encontrada em todo mundo,
A transmissão ocorre quando a fêmea da entre as latitudes 35°N e 35°S. Embora a
espécie vetora se contamina ao picar um espécie tenha sido identificada até a latitude
indivíduo infectado que se encontra na fase 45°N, estes têm sido achados esporádicos
virêmica da doença, tornando-se, após um apenas durante a estação quente, não
período de 10 a 14 dias, capaz de transmitir sobrevivendo ao inverno.
o vírus por toda sua vida através de suas A distribuição do Aedes aegypti também
picadas. é limitada pela altitude. Embora não seja
As infeções pelo vírus do dengue usualmente encontrado acima dos 1.000
causam desde a forma clássica (sintomática metros, já foi referida sua presença a 2.200
ou assintomática) à febre hemorrágica do metros acima do nível do mar, na Índia e na
dengue (FHD). Colômbia (OPS/OMS).
Na forma clássica é doença de baixa Por sua estreita associação com o
letalidade, mesmo sem tratamento homem, o Aedes aegypti é, essencialmente,
específico. No entanto, incapacita mosquito urbano, encontrado em maior
temporariamente as pessoas para o abundância em cidades, vilas e povoados.
trabalho. Entre- tanto, no Brasil, México e Colômbia,
Na febre hemorrágica do dengue a febre já foi localizado em zonas rurais,
é alta, com manifestações hemorrágicas, provavelmente trans- portado de áreas
hepatomegalia e insuficiência circulatória. urbanas em vasos domésticos, onde se
A letalidade é significativamente maior do encontravam ovos e larvas (OPAS/ OMS).
que na forma clássica, dependendo da Os mosquitos se desenvolvem através de
capacidade de atendimento médico- metamorfose completa, e o ciclo de vida do
hospitalar da localidade. Aedes aegypti compreende quatro fases:
Os primeiros relatos históricos sobre ovo, larva (quatro estágios larvários), pupa
dengue no mundo mencionam a Ilha de e adulto.
Java, em 1779. Nas Américas, a doença é
relatada há mais de 200 anos, com 2.1.1. Ovo
epidemias no Caribe e nos Estados Unidos. Os ovos do Aedes aegypti medem,
No Brasil, há referências de epidemias aproximadamente, 1mm de comprimento e
por dengue desde 1923, em Niterói/RJ, sem contorno alongado e fusiforme (Forattini,
confirmação laboratorial. A primeira 1962). São depositados pela fêmea,
epidemia com confirmação laboratorial foi individual- mente, nas paredes internas dos
em 1982, em Boa Vista (RR), sendo depósitos que servem como criadouros,
isolados os vírus DEN-1 e DEN-4. A partir próximos à superfície da água. No
de 1986, em vários Estados da Federação, momento da postura os ovos são brancos,
epidemias de dengue clássico têm ocorrido, mas, rapidamente, adquirem a cor negra
com isolamento de vírus DEN-1 e DEN-2. brilhante (Figura 1).
2. Biologia dos vetores
2.1. Aedes aegypti
O Aedes aegypti (Linnaeus,1762) e
também o Aedes albopictus (Skuse, 1894)
pertencem ao RAMO Arthropoda (pés
articulados), CLASSE Hexapoda (três
pares de patas), ORDEM Diptera (um par
A fecundação se dá durante a postura e o
de asas anterior funcional e um par
desenvolvimento do embrião se completa
posterior transformado em halteres),
em 48 horas, em condições favoráveis de
FAMÍLIA Culicidae, GÊNERO Aedes.
umidade e temperatura.
15
Conhecimentos Específicos
Uma vez completado o desenvolvimento osmótica e um sifão ou tubo de ar para a
embrionário, os ovos são capazes de resistir respiração na superfície da água. O sifão é
a longos períodos de dessecação, que curto, grosso e mais escuro que o corpo.
podem prolongar-se por mais de um ano. Para respirar, a larva vem à superfície, onde
Foi já observada a eclosão de ovos com até fica em posição quase vertical. Movimenta-
450 dias, quando colocados em contato com se em forma de serpente, fazendo um “S"
a água. em seu deslocamento. É sensível a
A capacidade de resistência dos ovos de movimentos bruscos na água e, sob feixe de
Aedes aegypti à dessecação é um sério luz, desloca-se com rapidez, buscando
obstáculo para sua erradicação. Esta refúgio no fundo do recipiente (fotofobia).
condição permite que os ovos sejam Na pesquisa, é preciso que se destampe
transportados a grandes distâncias, em com cuidado o depósito e, ao incidir o jato
recipientes secos, tornando-se assim o de luz, percorrer, rapidamente, o nível de
principal meio de dispersão do inseto água junto à parede do depósito. Com a luz,
(dispersão passiva). as larvas se deslocam para o fundo. Tendo
em vista a maior vulnerabilidade nesta fase,
2.1.2.Larva as ações do PEAa devem,
Como o Aedes aegypti é um inseto preferencialmente, atuar na fase larvária.
holometabólico, a fase larvária é o período
de alimentação e crescimento. As larvas 2.1.3. Pupa
passam a maior parte do tempo As pupas não se alimentam. É nesta fase
alimentando-se principalmente de material que ocorre a metamorfose do estágio larval
orgânico acumulado nas paredes e fundo para o adulto. Quando inativas se mantêm
dos depósitos (Figura 2). na superfície da água, flutuando, o que
facilita a emergência do inseto adulto. O
estado pupal dura, geralmente, de dois a três
dias.
A pupa é dividida em cefalotórax e
abdômen. A cabeça e o tórax são unidos,
constituindo a porção chamada cefalotórax,
o que dá à pupa, vista de lado, a aparência
de uma vírgula (Figura 3). A pupa tem um
par de tubos respiratórios ou “trompetas",
que atravessam a água e permitem a
As larvas possuem quatro estágios respiração.
evolutivos. A duração da fase larvária
depende da temperatura, disponibilidade de
alimento e densidade das larvas no
criadouro. Em condições ótimas, o período
entre a eclosão e a pupação pode não
exceder a cinco dias. Contudo, em baixa
temperatura e escassez de alimento, o 4°
estágio larvário pode prolongar-se por
várias semanas, antes de sua transformação
em pupa. 2.1.4. Adulto
A larva do Aedes aegypti é composta de O adulto de Aedes aegypti representa a
cabeça, tórax e abdômen. O abdômen é fase reprodutora do inseto. Como ocorre
dividido em oito segmentos. O segmento com grande parte dos insetos alados, o
posterior e anal do abdômen tem quatro adulto representa importante fase de
brânquias lobuladas para regulação dispersão. Entretanto, com o Aedes aegypti
é provável que haja mais transporte passivo
16
Conhecimentos Específicos
de ovos e larvas em recipientes do que resulta na variação de hospedeiros, com
dispersão ativa pelo inseto adulto (Figuras disseminação do vírus a vários deles.
4, 5 e 6). A oviposição se dá mais frequentemente
O Aedes aegypti é escuro, com faixas no fim da tarde. A fêmea grávida é atraída
brancas nas bases dos segmentos tarsais e por recipientes escuros ou sombreados,
um desenho em forma de lira no mesonoto. com superfície áspera, nas quais deposita os
Nos espécimes mais velhos, o “desenho da ovos. Prefere água limpa e cristalina ao
lira" pode desaparecer, mas dois tufos de invés de água suja ou poluída por matéria
escamas branco-prateadas no clípeo, orgânica. A fêmea distribui cada postura em
escamas claras nos tarsos e palpos vários recipientes.
permitem a identificação da espécie. O É pequena a capacidade de dispersão do
macho se distingue essencialmente da Aedes aegypti pelo voo, quando comparada
fêmea por possuir antenas plumosas e com a de outras espécies. Não é raro que a
palpos mais longos. fêmea passe toda sua vida nas proximidades
Logo após emergir do estágio pupal, o do local de onde eclodiu, desde que haja
inseto adulto procura pousar sobre as hospedeiros. Poucas vezes a dispersão pelo
paredes do recipiente, assim permanecendo voo excede os 100 metros. Entretanto, já foi
durante várias horas, o que permite o demonstrado que uma fêmea grávida pode
endureci- mento do exoesqueleto, das asas voar até 3Km em busca de local adequado
e, no caso dos machos, a rotação da para a oviposição, quando não há
genitália em 180°. recipientes apropriados nas proximidades.
Dentro de 24 horas após, emergirem, A dispersão do Aedes aegypti a grandes
podem acasalar, o que vale para ambos os distâncias se dá, geralmente, como
sexos. O acasalamento geralmente se dá resultado do transporte dos ovos e larvas em
durante o voo, mas, ocasionalmente, pode recipientes.
se dar sobre uma superfície, vertical ou Quando não estão em acasalamento,
horizontal. Uma única inseminação é procurando fontes de alimentação ou em
suficiente para fecundar todos os ovos que dispersão, os mosquitos buscam locais
a fêmea venha a produzir durante sua vida. escuros e quietos para repousar.
As fêmeas se alimentam mais A domesticidade do Aedes aegypti é
frequentemente de sangue, servindo como ressaltada pelo fato de que ambos os sexos
fonte de repasto a maior parte dos animais são encontrados em proporções
vertebrados, mas mostram marcada semelhantes dentro das casas (endofilia).
predileção pelo homem (antropofilia). O Aedes aegypti quando em repouso é
O repasto sanguíneo das fêmeas fornece encontrado nas habitações, nos quartos de
proteínas para o desenvolvimento dos ovos. dormir, nos banheiros e na cozinha e, só
Ocorre quase sempre durante o dia, nas ocasionalmente, no peridomicílio. As
primeiras horas da manhã e ao anoitecer. O superfícies preferidas para o repouso são as
macho alimenta-se de carboidratos paredes, mobília, peças de roupas
extraídos dos vegetais. As fêmeas também penduradas e mosquiteiros.
se alimentam da seiva das plantas. Quando o Aedes aegypti está infectado
Em geral, a fêmea faz uma postura após pelo vírus do dengue ou da febre amarela,
cada repasto sanguíneo. O intervalo entre a pode haver transmissão transovariana
alimentação sanguínea e a postura é, em destes, de maneira que, em variável
regra, de três dias, em condições de percentual, as fêmeas filhas de um
temperatura satisfatórias. Com frequência, espécime portador nascem já infectadas
a fêmea se alimenta mais de uma vez, entre (OPAS/OMS).
duas sucessivas posturas, em especial Os adultos de Aedes aegypti podem
quando perturbada antes de totalmente permanecer vivos em laboratório durante
ingurgitada (cheia de sangue). Este fato meses, mas, na natureza, vivem em média
17
Conhecimentos Específicos
de 30 a 35 dias. Com uma mortalidade
diária de 10%, a metade dos mosquitos
morre durante a primeira semana de vida e
95% durante o primeiro mês.
2.2. Transmissores silvestres
Os mosquitos que transmitem a febre
amarela silvestre pertencem aos gêneros
Haemagogus (Haemagogus janthinomys,
Haemagogus leucocelaenus, Haemagogus
capricornii, Haemagogus spegazzinii) e
Sabethes (Sabethes cloropterus). Alguns
Aedes silvestres (Aedes scapularis, Aedes
fluviatilis, e outros) que, em laboratório,
têm demonstrado capacidade de
transmissão, não foram, contudo,
encontrados naturalmente infectados.
Os Haemagogus são mosquitos com
hábitos selváticos. Seus focos são encontra-
dos quase sempre em cavidades de árvores
no ambiente silvestre.
2.3. Aedes albopictus
Em fins de maio de 1986, ocorreu o
primeiro achado de Aedes albopictus
(Skuse, 1894) no Brasil, em foco localizado
na Universidade Rural do Rio de Janeiro,
no Município de Itaguaí. Logo a seguir
novos focos foram reportados, na
Universidade de Viçosa, em Minas Gerais,
e nas proximidades das cidades de Vitória e
Vila Velha, no Espírito Santo.
18
Conhecimentos Específicos
O Aedes albopictus é uma espécie que se interior da habitação, mais se parece com os
adapta ao domicílio e tem como criadouros Aedes aegypti e Aedes albopictus. Seus
recipientes de uso doméstico como jarros, hábitos alimentares se assemelham aos do
tambores, pneus e tanques. Além disso, está Aedes scapularis, invadindo as casas com
presente no meio rural, em ocos de árvores, mais frequência. Faz postura em águas
na imbricação das folhas e em orifícios de salobras e seu voo pode ultrapassar 50 km.
bambus. Essa amplitude de distribuição e
capacidade de adaptação a diferentes 2.4.3. Aedes fluviatilis
ambientes e situações determina Colorido pardo escuro. Caracteriza-se
dificuldades para a erradicação através da por mancha dourada clara na parte superior
mesma metodologia seguida para o Aedes da cabeça. Patas com anéis brancos. É
aegypti. Além de sua maior valência raramente encontrado dentro das casas. Os
ecológica, tem como fonte alimentar tanto locais preferenciais para desova são as
o sangue humano como de outros cavidades das pedras e as margens dos rios,
mamíferos e até aves. Ademais disso, é mas, recentemente, tem sido encontrado
mais resistente ao frio que o Aedes aegypti. ovipondo na parte externa das casas nos
mesmos depósitos em que se encontra
É necessário que se promovam Aedes aegypti (caixas d'água, tanques,
levantamentos regulares para a detecção de barris, tonéis, pneus).
sua presença e o aprofundamento de
estudos sobre hábitats naturais e artificiais. 2.4.4. Mansonia sp
De coloração escura, é caracterizado
Recomenda-se ainda o desenvolvimento pelas asas aveludadas e escuras; patas com
de estudos para avaliação da capacidade de anéis claros e anel na tromba. Sua picada é
dispersão da espécie, incluindo a dolorosa e o voo é longo. Quase nunca é
competitividade com outros vetores, encontrado em repouso nas casas. Os
propagação passiva, capacidade vetorial e criadouros de Mansonia são lagos, lagoas e
de sua participação na transmissão. alagados, onde existam algumas plantas
aquáticas em particular, como goivo,
2.4. Outras espécies (figuras 7, 8, 9, 10 bodocó ou baronesa (aguapés). As larvas do
e 11) Mansonia respiram utilizando o tecido
2.4.1. Aedes scapularis poroso das raízes da planta.
Colorido geral escuro. É característica a
existência de mancha creme na cabeça e 2.4.5. Limatus durhamii
dorso. Não tem anéis brancos nas patas. Mosquito pequeno, frágil, de aparência
Pica de preferência à tarde, pessoas que multicolorida, tromba comprida e muito
estão próximas às habitações, como nas fina, patas escuras, sem anéis. Nunca
varandas. Raramente é encontrado em invade as casas. Tem como criadouros
repouso dentro de casa, uma vez que, logo preferenciais árvores e plantas (gravatás,
após a alimentação, volta a seus bambus) e ainda cacos de vidro e latas,
esconderijos habituais no meio da existentes no ambiente extradomiciliar.
vegetação. Faz posturas em poças e Suas larvas se parecem com as do Aedes
alagados ou em outro local onde haja aegypti quando vistas a olho nu.
vegetação e água acumulada de chuvas
recentes. 2.4.6. Culex quinquefasciatus
É o mosquito doméstico mais
2.4.2. Aedes taeniorhynchus comumente encontrado. É de cor parda,
Colorido escuro. Caracteriza-se por anel quase uni- forme, não apresentando
branco na probóscida e por anéis também qualquer característica importante de
brancos nas patas. É o mosquito que, no relevo. Pica ao escurecer e sua atividade se
19
Conhecimentos Específicos
prolonga por toda a noite. A fêmea faz a
postura de uma só vez (ovos formando
“jangada"). Desova de preferência em
criadouros com água parada e poluída com
matéria orgânica (fossas, valas e outros),
podendo desovar eventualmente em
depósitos de água limpa. É transmissor da
filariose bancroftiana.
2.4.7. Anopheles sp
Também chamado mosquito prego
porque pousa perpendicularmente na
parede. As asas têm manchas
características. Todas as espécies do
subgênero Nyssorhynchus têm anéis
brancos nas patas. As espécies do
subgênero Cellia, ao qual pertence o
Anopheles gambiae, vistas a olho nu, têm
coloração uniforme nas patas. Desova
preferencialmente em criadouros naturais
com água limpa e sombreada (lagoas,
brejos, córregos, remanso de rios e
igarapés).
Os mosquitos do gênero Anopheles são
transmissores da malária.
3. Histórico da presença do aedes
aegypti e aedes albopictus no Brasil
O Aedes aegypti, transmissor de dengue
e febre amarela urbana é, provavelmente,
originário da África Tropical, tendo sido
20
Conhecimentos Específicos
introduzido nas Américas durante a 1903 - Oswaldo Cruz é nomeado
colonização. Atualmente encontra-se Diretor-Geral de Saúde Pública e inicia a
amplamente disseminado nas Américas, luta contra a doença, que considerava uma
Austrália, Ásia e África. “vergonha nacional", criando o Serviço de
Profilaxia da Febre Amarela.
Conhecido no Brasil desde o século 1909 - Eliminada a febre amarela da
XVII, sua trajetória é descrita a seguir com capital federal (Rio de Janeiro).
referência aos marcos históricos mais 1919 - Surtos de febre amarela em seis
relevantes: Estados do Nordeste. Instala-se o serviço
1685 - Primeira epidemia de febre antiamarílico no Recife.
amarela no Brasil, em Recife. 1920 - Diagnosticado o primeiro caso de
1686 - Presença de Aedes aegypti na febre amarela silvestre no Brasil, no Sítio
Bahia, causando epidemia de febre amarela Mulungu, Município de Bom Conselho do
(25.000 doentes e 900 óbitos). Papa-Caça em Pernambuco. A febre
1691 - Primeira campanha sanitária amarela deixa de ser considerada “doença
posta em prática, oficialmente no Brasil, de cidade".
Recife (PE). 1928 a 1929 - Nova epidemia de febre
1849 - A febre amarela reaparece em amarela, no Rio de Janeiro, com a
Salvador, causando 2.800 mortes. Neste confirmação de 738 casos, leva o Professor
mesmo ano, o Aedes aegypti, instala-se no Clementino Fraga a organizar nova
Rio de Janeiro, provocando a primeira campanha contra a febre amarela, cuja base
epidemia da doença naquele Estado, que era o combate ao mosquito na sua fase
acomete mais de 9.600 pessoas e com o aquática.
registro de 4.160 óbitos. 1931 - O governo brasileiro assina
1850 a 1899 - O Aedes aegypti propaga- convênio com a Fundação Rockefeller. O
se pelo país, seguindo os caminhos da Serviço de Febre Amarela é estendido a
navegação marítima, o que leva à todo o território brasileiro. O convênio é
ocorrência de epidemias da doença em renovado sucessivamente até 1939. Técnica
quase todas as províncias do Império, desde adotada: combate às larvas do Aedes
o Amazonas até o Rio Grande do Sul. aegypti mediante a utilização de petróleo.
1881 - Comprovação pelo médico 1932 - Primeira epidemia de febre
cubano Carlos Finlay, que o Stegomyia amarela silvestre conhecida foi no Vale do
fasciata ou Aedes aegypti é o transmissor da Canaã, no Espírito Santo.
febre amarela. 1938 -É demonstrado que os mosquitos
1898 - Adolpho Lutz observa casos de silvestres Haemagogus capricornii e
febre amarela silvestre no interior do Haemagogus leucocelaenus podem ser
Estado de São Paulo na ausência de larvas transmissores naturais da Febre Amarela.
ou adultos de Stegomyia (fato na ocasião Mais tarde, comprova-se que Haemagogus
não convenientemente considerado). spegazzinii, Aedes scapularis, o Aedes
1899 - Emílio Ribas informa sobre fluviatilis e Sabethes cloropterus são
epidemia no interior de São Paulo, em plena também transmissores silvestres.
mata virgem, quando da abertura do 1940 -É proposta a erradicação do Aedes
“Núcleo Colonial Campos Sales", sem a aegypti, como resultado do sucesso
presença do Stegomyia (também não foi alcançado pelo Brasil na erradicação do
dada importância a esse acontecimento). Anopheles gambiae, transmissor da malária
1901 - Com base na teoria de Finlay, que, vindo da África, havia infestado
Emílio Ribas inicia, na cidade de Sorocaba grande parte do Nordeste do país.
SP, a primeira campanha contra a febre 1947 - Adotado o emprego de dicloro-
amarela, adotando medidas específicas difenil-tricloroetano (DDT) no combate ao
contra o Aedes aegypti. Aedes aegypti;
21
Conhecimentos Específicos
1955 - Eliminado o último foco de Aedes abrangência restrita, denominada zona
aegypti no Brasil. (área de zoneamento), que corresponderá à
1958 - A XV Conferência Sanitária área de atuação e responsabilidade de um
Panamericana, realizada em Porto Rico, agente de saúde. Cada zona deverá ter de
declara erradicado do território brasileiro o 800 a 1.000 imóveis. Assim, deverá existir
Aedes aegypti. maior vínculo e identificação do agente de
1967 - Reintrodução do Aedes aegypti saúde pública com a comunidade, onde ele
na cidade de Belém, capital do Pará e em desenvolve o seu trabalho.
outros 23 Municípios do Estado. A descentralização das operações de
1969 - Detectada a presença de Aedes campo deve implicar a incorporação de
aegypti em São Luís e São José do Ribamar, novas atividades e serviços aos Estados e
no Maranhão. Municípios, o que, por sua vez, deve
1973 - Eliminado o último foco de Aedes determinar o desenvolvimento de novos
aegypti em Belém do Pará. O vetor é mais modelos de organização adequados a cada
uma vez considerado erradicado do caso particular, preservando as diretrizes
território brasileiro. gerais do SUS.
1976 - Nova reintrodução do vetor no
Brasil, na cidade de Salvador, capital da 4.1. Atribuições
Bahia. 4.1.1. Agente de saúde
1978 a 1984 - Registrada a presença do Na organização das atividades de campo
vetor em quase todos os Estados brasileiros, o agente é o responsável por uma zona fixa
com exceção da região amazônica e de 800 a 1.000 imóveis, visitados em ciclos
extremo-sul do país. bimensais nos municípios infestados por
1986 - Em julho, é encontrado, pela Aedes aegypti. Ele tem como obrigação
primeira vez no Brasil, o Aedes albopictus, básica: descobrir focos, destruir e evitar a
em terreno da Universidade Rural do formação de criadouros, impedir a
Estado do Rio de Janeiro (Município de reprodução de focos e orientar a
Itaguaí). comunidade com ações educativas.
1994 - Dos 27 Estados brasileiros, 18
estão infestados pelo Aedes aegypti e, seis Suas atribuições no combate aos vetores
pelo Aedes albopictus. são:
1995 - Em 25 dos 27 Estados, foi • Realizar a pesquisa larvária em
detectado o Aedes aegypti e, somente nos imóveis para levantamento de índice e
Estados do Amazonas e Amapá, não se descobrimento de focos nos municípios
encontrou o vetor. infestados e em armadilhas e pontos
1998 - Foi detectada a presença do estratégicos nos municípios não infestados;
Aedes aegypti em todos Estados do Brasil, • Realizar a eliminação de criadouros
com 2.942 Municípios infestados, com tendo como método de primeira escolha o
transmissão em 22 Estados, Aedes controle mecânico (remoção, destruição,
albopictus presente em 12 Estados. vedação, etc.);
1999 - Dos 5.507 Municípios brasileiros • Executar o tratamento focal e
existentes, 3.535 estavam infestados. perifocal como medida complementar ao
Destes, 1.946 Municípios em 23 Estados e controle mecânico, aplicando larvicidas
o Distrito Federal apresentaram autorizados conforme orientação técnica;
transmissão do dengue. • Orientar a população com relação
aos meios de evitar a proliferação dos
4. Organização das operações de vetores;
campo • Utilizar corretamente os
As atividades operacionais de campo equipamentos de proteção individual
serão desenvolvidas em uma área de indicados para cada situação;
22
Conhecimentos Específicos
• Repassar ao supervisor da área os • Trabalhar em parceria com as
problemas de maior grau de complexidade associações de bairros, escolas, unidades de
não solucionados; saúde, igrejas, centros comunitários,
• Manter atualizado o cadastro de lideranças sociais, clubes de serviços, etc.
imóveis e pontos estratégicos da sua zona; que estejam localizados em sua área de
• Registrar as informações referentes trabalho;
às atividades executadas nos formulários • Avaliação periódica, junto com os
específicos; agentes, das ações realizadas;
• Deixar seu itinerário diário de • Avaliação, juntamente com o
trabalho no posto de abastecimento (PA); supervisor-geral, do desenvolvimento das
• Encaminhar aos serviços de saúde áreas com relação ao cumprimento de
os casos suspeitos de dengue. metas e qualidade das ações empregadas.
4.1.2. Supervisor Recomenda-se que cada supervisor
É o responsável pelo trabalho realizado tenha dez agentes de saúde sob a sua
pelos agentes de saúde, sob sua orientação. responsabilidade, o que permitiria, a
É também o elemento de ligação entre os princípio, destinar um tempo equitativo de
seus agentes, o supervisor geral e a supervisão aos agentes de saúde no campo.
coordenação dos trabalhos de campo.
As recomendações eventualmente feitas
Tem como principais atribuições: devem ser registradas em caderneta de
• Acompanhamento das anotações que cada agente de saúde deverá
programações, quanto a sua execução, dispor para isso.
tendo em vista não só a produção, mas
também a qualidade do trabalho; É ainda função do supervisor a solução
• Organização e distribuição dos de possíveis recusas, em auxílio aos agentes
agentes dentro da área de trabalho, de saúde, objetivando reduzir pendências,
acompanhamento do cumprimento de cabendo-lhe manter atualizados os mapas,
itinerários, verificação do estado dos croquis e o reconhecimento geográfico de
equipamentos, assim como da sua área.
disponibilidade de insumos;
• Capacitação do pessoal sob sua Tal como os agentes de saúde, também o
responsabilidade, de acordo com estas supervisor deve deixar no posto de
instruções, principalmente no que se refere abastecimento (PA) o itinerário a ser
a: cumprido no dia.
- Conhecimento manejo e
manutenção dos equipamentos de aspersão; 4.1.3. Supervisor geral
- Noções sobre inseticidas, sua
correta manipulação e dosagem; O supervisor-geral é o servidor de
- Técnica de pesquisa larvária e campo ao qual se atribui maior
tratamento (focal e perifocal); responsabilidade na execução das
- Orientação sobre o uso dos atividades. É o responsável pelo
equipamentos de proteção individual (EPI). planejamento, acompanhamento,
• Controle e supervisão periódica dos supervisão e avaliação das atividades
agentes de saúde; operacionais de campo. As suas atividades
• Acompanhamento do registro de exigem não só o integral conhecimento de
dados e fluxo de formulários; todos os recursos técnicos empregados no
• Controle de frequência e combate ao Aedes aegypti mas, ainda,
distribuição de materiais e insumos; capacidade de discernimento na solução de
situações não previstas e muitas vezes
23
Conhecimentos Específicos
emergenciais. Ele é responsável por uma Outros tipos de identificação como
equipe de cinco supervisores. matrícula SIAPE, RG, etc. podem ser
utilizados, desde que estejam devidamente
São funções do supervisor-geral: cadastrados de forma organizada.
• Participar da elaboração do
planejamento das atividades para o combate 4.3. Material de campo
ao vetor; De acordo com suas funções e quando o
• Elaborar, juntamente com os exercício delas o exigir, o Agente de Saúde
supervisores de área, a programação de e Supervisor devem trazer consigo seguinte
supervisão das localidades sob sua material:
responsabilidade; • álcool 70% para remessa de larvas
• Supervisionar e acompanhar as ao laboratório (ou tubitos previamente
atividades desenvolvidas nas áreas; dosa- dos com álcool a 70%);
• Elaborar relatórios mensais sobre os • acetato de etila;*
trabalhos de supervisão realizados e • algodão;
encaminhá-los ao coordenador municipal • bastão agitador;*
do programa; • bacia plástica pequena;
• Dar suporte necessário para suprir • bolsa de lona;
as necessidades de insumos, equipamentos • bomba aspersora;*
e instrumentais de campo; • bandeira e flâmula;
• Participar da organização e • caixa com etiqueta para os alados
execução de treinamentos e reciclagens do capturados;*
pessoal de campo; • croquis e mapas das áreas a serem
• Avaliar, juntamente com os trabalhadas no dia;
supervisores de área, o desenvolvimento • caderneta de anotações;
das atividades nas suas áreas, com relação • carteira de identidade;
ao cumprimento de metas e qualidade das • capturador de alados;*
ações empregadas; • cola plástica;
• Participar das avaliações de • duas pesca-larvas de nylon de cores
resultados de programas no município; diferentes, sendo um para coletar amostras
• Trabalhar em parceria com de focos em água potável e outro para água
entidades que possam contribuir com as suja;
atividades de campo nas suas áreas de • escova pequena;
trabalho; • espelho pequeno, para examinar
• Implementar e coordenar ações que depósitos pela reflexão da luz do sol;
possam solucionar situações não previstas • flanela;
ou consideradas de emergência. • fita ou escala métrica;
• formulários para registro de dados,
4.2. Identificação do pessoal de campo em quantidade suficiente para um dia de
Para efeito de identificação do pessoal trabalho;
de campo, os agentes recebem um código • inseticida, em quantidade
(número), que obedece a um cadastramento suficiente, para o trabalho de um dia;
que permita localizá-lo dentro da equipe, • lâmpada (foquito) sobressalente;
área (subdistrito, distrito) e que o vincula a • lápis de cera, azul ou preto;
determinado supervisor e supervisor-geral. • lápis grafite com borracha;
Como exemplo: • lanterna de três elementos em boas
O agente n.º 3268/1 - corresponderá ao condições;
agente 1 da equipe 8, do subdistrito 6 (6º • lixa para madeira;
Supervisor), da segunda frente de trabalho • manual de instruções;
(2º Supervisor Geral), do distrito 3. • medidas para uso do temephós
24
Conhecimentos Específicos
(abate), colher das de sopa 20g e colher das
de café 5g;
• pasta de percalina para guarda de
papéis;
• prancheta;
• picadeira;
• pipeta tipo conta-gotas;
• plástico preto;
• sacos plásticos com capacidade para
1kg para guardar o pesca-larvas;
• tabela para emprego de temephós
(abate);
• tubitos e etiqueta para focos;
• três pilhas.
*Estes materiais e equipamentos não são
utilizados no trabalho de rotina do agente de
LI e tratamento focal. Devem ser previstos
para as atividades de tratamento perifocal,
captura de alados e por equipes especiais de
serviço complementares.
Os uniformes para o trabalho, tanto na
cidade como em área rural, obedecerão a
modelos previamente aprovados. Os
agentes devem portar um relógio de sua
propriedade, para registrar no formulário
horário das visitas domiciliares.
Para facilitar seu encontro nos locais de
trabalho, o servidor de campo deve dispor
de bandeiras e flâmulas apropriadas, cujas
cores e combinações variam de acordo com
a atribuição do servidor. Devem ser
colocadas em prédios e embarcações sob
inspeção ou tratamento, enquanto os
servidores neles permanecerem.
Bandeira: é colocada pelos agentes de
saúde e supervisores na porta, janela, portão
ou grade, à esquerda da sua entrada, de 5. Reconhecimento Geográfico (RG)
modo que fique perpendicular à fachada da O reconhecimento geográfico é
casa, para que os supervisores gerais atividade prévia e condição essencial para a
possam localizá-la mais facilmente. programação das operações de campo, de
Flâmula: é colocada em navios, edifícios pesquisa entomológica e tratamento
de apartamentos, hotéis e vilas, ou outros químico.
aglomerados de prédios onde há um certo Instruções com mais riqueza de detalhes
número de residências ou locais com porta estão disponíveis no “Manual de
de acesso em comum para a rua (Figuras 12 Reconhecimento Geográfico". Aqui se faz
e 13). referência apenas a marcação de quarteirões
e informações sucintas sobre numeração de
imóveis.
25
Conhecimentos Específicos
Nos centros urbanos, onde exista seria o caso de cidades divididas em bairros
numeração oficial dos imóveis, esta ou setores. Neste caso, a numeração se
identificação será respeitada, devendo-se inicia e termina em cada bairro ou setor.
apenas numerar os quarteirões existentes. Quando as faces dos quarteirões
Nas localidades onde não exista numeração (quadras) são muito extensas ou quando a
de imóveis, esta será feita provisoriamente escassez de imóveis torna difícil ou
pelo agente. demorada a procura do número de
identificação, a numeração nas faces poderá
Não obstante a numeração oficial, os ser repetida tantas vezes quanto necessário.
agentes de saúde se deparam com um Mas, em cada esquina, só haverá um
mesmo número, servindo para dois ou mais número para o quarteirão.
imóveis na mesma rua. Quando isto ocorrer Em caso de substituição de número, o
e não se obtiver a numeração real dos anterior deve ser apagado com lixa para
mesmos através de informação com o madeira a fim de que não haja dupla
morador, adotar-se- á o seguinte: numeração.
a) Imóveis com os mesmos números Uma vez que a área seja composta de
na mesma rua. Exemplo: 40,40, 40. quarteirões (quadras) completos e que
Observando o sentido de deslocamento do possuam sinais indicativos do caminho a
agente e a numeração básica do imóvel ser seguido pelo agente, seu itinerário fica
anterior, se terá: 40-2, 40-1 e 40; reduzido a uma simples relação de números
b) De acordo com a orientação da mesmos na ordem em que devem ser
visita, tomar-se-á como número base o trabalhados. Além do itinerário que lhe
último imóvel que recebeu numeração; compete, com os quarteirões numerados, o
Exemplo: 40, (35-2), (35-1) , 35, 30 . pessoal de operação deve dispor da
c) Terrenos baldios: de acordo com a indicação das tarefas de cada dia e de
nova orientação para o sistema croquis com o desenho da posição de todos
informatizado, eles serão numerados. os quarteirões (quadras) da área. O agente
Exemplo: 40, 36-1, 36, 28-1, 28, 21. de saúde ou o responsável pelo trabalho de
Observação: 28-1 e 36-1 são terrenos supervisão deve contar com mapa dessa
baldios numerados. área e com a relação do número de imóveis
d) As aglomerações que surgem existentes em cada um deles.
rapidamente próximo às zonas urbanas, Assim, ter-se-ão tantos croquis quantas
serão numeradas de um a infinito, tomando forem as zonas de trabalho do agente de
como número base do último imóvel do saúde. Esses croquis deverão ser
quarteirão mais próximo destas habitações. permanentemente atualizados, fazendo-se
Ex: 40, 40-1, 40-2, ..., 40-28, 40- 29, etc. no desenho as alterações encontradas no
Nessa nova orientação, inicialmente os traçado viário de ruas e quarteirões.
mapas ou croquis fornecidos pelas Quarteirão, deve ser entendido como o
Prefeituras ou órgãos oficiais locais espaço determinado por um agrupamento
receberão análise de equipe capacitada para de imóveis limitados por ruas, avenidas,
numerar os quarteirões existentes neles. caminhos, rios, córregos, estradas, linhas
Posteriormente, após essa numeração ter férreas, outros.
sido realizada, serão feitas as alterações Podem ser regulares ou irregulares. O
necessárias, quando da numeração em regular é aquele que se pode circundar
campo dos quarteirões e nas atualizações totalmente; o irregular, pelo contrário, é
sucessivas. aquele que não é possível circundá-lo em
Os quarteirões receberão numeração função de algum tipo de impedimento
crescente, do número um ao infinito. Em físico, topográfico ou outro.
casos excepcionais, são facultadas Para marcação e orientação durante o
mudanças na sequência numérica, como trabalho nos quarteirões, são usados
26
Conhecimentos Específicos
números e sinais nas esquinas. Os números Prosseguirá a inspeção do imóvel pela
e sinais devem ter cinco centímetros de visita interna, devendo ser iniciada pela
altura. A marcação se fará com lápis-cera parte dos fundos, passando de um cômodo
azul ou preto no cateto esquerdo de cada a outro até aquele situado mais à frente. Em
ângulo do quarteirão. cada um deles, a inspeção deve ser feita a
A altura para marcação do número do partir da direita (Figura 14).
quarteirão ou imóvel será a do
reconhecedor com o braço estendido. Técnica da visita de uma casa
Estes sinais contêm a seguinte
informação. Como exemplo:
• 3 indica o início do quarteirão nº 3
•13 indica a continuação do quarteirão nº
13
• 14 indica o final do quarteirão nº 14
(este sinal se usará unicamente em
quarteirões irregulares) 5 sinal de
quarteirão constituído por um só imóvel.
O círculo cheio ao lado direito da base
do triângulo, indica o imóvel do início do
quarteirão. O triângulo indica a direção em
que o servidor deve seguir para fazer a volta
ao quarteirão. Evidentemente, a mudança
na posição destes sinais, como no exemplo
acima, indicará diferente posição no
quarteirão.
6. A Visita domiciliar Concluída a inspeção, será preenchida a
Concedida a licença para a visita (Foto ficha de visita com registro da data, hora de
1), o servidor iniciará a inspeção conclusão, a atividade realizada e a
começando pela parte externa (pátio, identificação do agente de saúde.
quintal ou jardim), seguindo sempre pela A “Ficha de Visita" será colocada no
direita. lado interno da porta do banheiro ou da
cozinha.
Nas visitas ao interior das habitações, o
servidor sempre pedirá a uma das pessoas
do imóvel para acompanhá-lo,
principalmente aos dormitórios. Nestes
aposentos, nos banheiros e sanitários,
sempre baterá à porta.
Em cada visita ou inspeção ao imóvel, o
agente de saúde deve cumprir sua atividade
em companhia de moradores do imóvel
visitado, de tal forma que possa transmitir
informações sobre o trabalho realizado e
cuidados com a habitação.
7. Criadouros
Todos os depósitos que contenham água
deverão ser cuidadosamente examinados,
27
Conhecimentos Específicos
pois qualquer deles poderá servir como • Cacimbas, poços e cisternas: são
criadouro ou foco de mosquitos (Anexo II). escavações feitas no solo, usados para
Os reservatórios de água para o consumo captação de água (com paredes ou não).
deverão ser mantidos tampados. • Outros: depósitos de tipos variados.
Os depósitos vazios dos imóveis, que Compreendem caixas de descarga e
possam conter água, devem ser mantidos aparelhos sanitários, pilões, cuias,
secos, tampados ou protegidos de chuvas e, alguidares, pias, lavatórios, regadores,
se inservíveis, eliminados pelos agentes e protetores de plantas, guarda-comida,
moradores. O agente de saúde recomendará vasilhas de uso caseiro, bacias, baldes e
aos residentes manter o imóvel e os quintais registros de água, jarras de flores, pias de
em particular, limpos e impróprios à água, depósitos de geladeira, diques de
procriação de mosquitos. garagem, pisos de porões e de calçamentos,
esgotos de águas limpas, coberturas de
7.1. Tipos e definição de depósitos zinco e flandres, folhas de metal, cascas de
(anexo II) ovos, sapatos abandonados, bebedouros de
• Caixa d'água: é qualquer depósito aves e de outros animais, ferragens
de água colocado em nível elevado, diversas, vasos, cacos de vidro, telhas e
permitindo a distribuição do líquido pela outros.
gravidade. As caixas d'água podem ser
divididas em duas categorias: as acessíveis 7.2. Depósito inspecionado
e as de difícil acesso, que requerem É todo o depósito com água examinado
providências ou operações especiais. pelo agente de saúde com auxílio de fonte
Caixas d'água acessíveis são as que podem de luz ou do pesca-larva
ser facilmente examinadas por estarem a
pequena altura ou porque há condições 7.3. Depósito tratado
locais que permitem o acesso a elas. As É aquele onde foi aplicado inseticida
caixas d'água que estiverem vedadas, à (larvicida ou adulticida).
prova de mosquito, não serão abertas para a
inspeção, mas serão assinaladas no boletim 7.4. Depósito eliminado
como inspecionadas. É aquele que foi destruído ou inutilizado
• Tanque: é depósito geralmente como criadouro.
usado como reservatório de água, colocado
ao nível do solo. Depósitos como banheiras 7.5. Focos e técnica de pesquisa
ou caldeiras velhas por exemplo, usa- dos Todos os depósitos que contenham água
como tanques serão classificados como tal. devem ser inspecionados, utilizando-se o
• Depósitos de barro: são os potes, pesca-larva com ou sem a ajuda de fonte
moringas, talhas e outros. luminosa (lanterna e/ou espelho). A técnica
• Depósitos de madeira: barris, tonéis de coleta segue a mesma orientação da
e tinas. visita domiciliar.
• Pneus: os pneus são, muitas vezes, Ao destampar os depósitos para
responsáveis por reinfestações à distância, inspeção deve-se ter cuidado no sentido de
de áreas livres do Aedes aegypti. Todos os evitar que larvas e pupas se refugiem no
pneus inservíveis, quando possível, deverão fundo dos depósitos. A inspeção com o
ser removidos para eliminação. Os pesca-larvas é a técnica preferencialmente
utilizáveis, depois de inspecionados e secos utilizada no caso da coleta em pneus. O uso
devem ser mantidos em ambiente coberto, de concha de alumínio pode ser mais eficaz
protegidos da chuva. nessa situação.
• Recipientes naturais: incluem-se aí No caso de uso do pesca-larvas, deve-se
coleções de água encontradas em cavidades de início percorrer, rapidamente, a
de árvores e no embrincamento de folhas. superfície da água com o instrumento,
28
Conhecimentos Específicos
visando surpreender as larvas e pupas que necessidade de proteção ou de destinação
aí estejam. Em seguida, percorre-se com o mais adequada para os depósitos.
pesca-larva todo o volume de água, fazendo Nos municípios negativos para Aedes
movimento em forma de um “8", descendo aegypti, sob vigilância entomológica,
até o fundo do depósito. Recolhe-se então o quando a pesquisa larvária for negativa mas
material retido no pesca-larva, transferindo- forem encontradas exúvias, essas devem ser
o para pequena bacia, já contendo água coletadas para posterior exame laboratorial.
limpa. Aí o material é examinado. Com o
uso da pipeta sugam-se as larvas e/ou pupas 7.6. Acondicionamento e transporte
que forem encontradas, transferindo-as para de larvas
a palma da mão a fim de se retirar o excesso Os exemplares coletados nos focos não
de água. A seguir passa- se o material para devem, salvo expressa recomendação, ser
os tubitos com álcool dosado até um transportados vivos da casa ou local de
número máximo de dez tubitos. inspeção. Com isso, ficam reduzidas ao
Deve-se repetir a passagem do pesca- mínimo as possibilidades de dispersão por
larvas no depósito até que se tenha transporte do material coletado. Para isso,
segurança de que já não há nenhuma larva cada agente deve dispor de tubitos com
ou pupa ou que já se tenha coletado o álcool a 70% nos quais serão colocadas, no
máximo de dez exemplares. máximo, dez larvas por tipo de depósito.
No caso de inspeção em depósito com Cada agente adotará uma numeração
muita matéria orgânica, o material coletado crescente para os focos larvários encontra-
com o pesca-larva deve ser colocado em dos, a partir do número um, seguindo
bacia plástica com água limpa, repetindo-se sequencialmente até o número 999, quando
essa operação sucessivamente (repassando então a numeração é retomada a partir do
o material da bacia para o pesca-larvas) até um.
que o material fique limpo e possa ser
observado a olho nu, permitindo assim a 7.7. Captura de alados
captura das larvas e/ou pupas com a pipeta. A captura de alados objetiva:
Todo cuidado deve ser tomado nestas • levantamento de índice;
sucessivas passagens para que as larvas/ • vigilância em localidades não
pupas não fiquem aderidas ao material infestadas;
retido no pesca-larvas. • inspeção em navios e aviões.
Em depósitos de pequenas dimensões o Para a captura de alados poderão ser
conteúdo pode ser passado diretamente para utilizados o “puçá de filó" ou algum
o pesca-larvas (água de vasos de planta, de capturador de sucção. Os mosquitos
garrafas, pratos de plantas, bacias, baldes, deverão ser mortos com acetato de etila e
outros) ou as larvas e/ou pupas coletadas transferidos para caixas preparadas com
diretamente com o uso de pipeta, passando naftalina, usadas para acondicionamento e
para a palma da mão e a seguir, para os remessa.
tubitos. Os espécimes poderão ser
Todos os tubitos devem ser convenientemente dispostos com ajuda de
acompanhados de etiqueta de identificação, pinça de ponta fina (relojoeiro).
em que constarão: equipe, nome, número Recomenda-se cuidado especial nessa
do agente, número da amostra e o tipo de operação para evitar danificação do
depósito onde foi coletada a amostra. Deve material coletado, o que pode comprometer
ser colocada no interior do tubito, ou colada a classificação taxônomica a ser
a ele. rotineiramente feita em laboratório.
Os focos encontrados devem ser
exibidos aos moradores da casa. Nessa Como medida de segurança, pode-se
ocasião devem ser orientados a respeito da gotejar o acetato de etila na parte interna da
29
Conhecimentos Específicos
tampa, garantindo-se com isso a 8.1.2. Município não infestado
imobilidade do mosquito. (estrato IV):
Todos os exemplares de Aedes aegypti e • Levantamento de índice amostral
Aedes albopictus coletados em um mesmo em ciclos quadrimensais;
imóvel devem ser acondicionados num • Pesquisa entomológica nos pontos
mesmo recipiente. estratégicos em ciclos quinzenais.
• Pesquisa entomológica com
8. Estratificação entomo- ovitrampas ou larvitrampas em ciclos
epidemiológica dos municípios semanais.
A estratificação dos municípios para • Atividades de IEC, buscando a
efeito operacional do PEAa far-se-á conscientização e participação comunitária
segundo o enfoque de risco com base em na promoção do saneamento domiciliar.
dados entomo-epidemiológicos. • Regularização da coleta pública de
• Estrato I: áreas com transmissão de lixo.
dengue clássico pelo menos por dois anos • Serviço marítimo ou fluvial e
consecutivos ou não, com circulação serviço portuário nas cidades portuárias que
simultânea ou sucedânea de mais de um mantenham intercâmbio com áreas
sorotipo, com risco de ocorrência da febre infestadas, por meio de embarcações.
hemorrágica por dengue, e/ou ocorrência de • Delimitação de foco (quando
casos de FHD. necessário).
• Estrato II: áreas com transmissão de Em todos os municípios,
dengue clássico. independentemente do estrato, recomenda-
• Estrato III: áreas infestadas pelo se que sejam sempre priorizadas no
Aedes aegypti. programa as intervenções de busca e
• Estrato IV: áreas não infestadas eliminação de focos do vetor, e educação
(sem o vetor). em saúde, que são as medidas de maior
impacto na redução das populações dos
8.1. Desenho de operação para os mosquitos.
estratos
8.1.1. Municípios infestados 8.1.3. Bloqueio de transmissão
(estratos I, II e III): Nas localidades infestadas far-se-á o
• Levantamento de índice amostral e bloqueio da transmissão de dengue, após
tratamento focal em ciclos bimensais. investigação epidemiológica conclusiva
• Pesquisa entomológica nos pontos acerca do sorotipo viral circulante.
estratégicos em ciclos quinzenais, com Neste caso, será feita a aplicação de
tratamento químico mensal, ou quando inseticida em UBV, sempre concomitante
necessário. com as medidas de controle larvário, nas
• Atividades de informação, seguintes situações:
educação e comunicação em saúde (IEC), • Em áreas onde a transmissão de
buscando a conscientização e participação dengue (casos autóctones) já tenha sido
comunitária na promoção do saneamento confirmada por isolamento de vírus ou
domiciliar. sorologia.
• Arrastão de limpeza em municípios • Quando da notificação de caso
ou bairros visando à eliminação ou remoção suspeito procedente de região ou país onde
dos depósitos predominantes. esteja ocorrendo a transmissão por um
• Regularização da coleta pública de sorotipo não circulante naquele município.
lixo. • Quando da confirmação de caso
• Bloqueio da transmissão de dengue importado em município do estrato III.
(quando necessário). Nestas situações deverá ser realizado o
controle larvário com eliminação e trata-
30
Conhecimentos Específicos
mento de focos, concomitante com a distribuição do Aedes aegypti, bem como o
utilização de equipamentos de UBV tipo de recipiente preferencialmente usados
portáteis para nebulização domiciliar nas pelo vetor como criadouros são
áreas de transmissão focais delimitadas (no fundamentais para dirigir as ações.
mínimo nove quarteirões em torno do caso) A estratégia central do combate ao vetor
em apenas um ciclo. Se necessário deverá ser realizada através das seguintes
complementar o bloqueio da transmissão atividades: manejo ambiental (saneamento
com UBV pesado na área delimitada em domiciliar); educação em saúde;
ciclos semanais (ver item 10.3). eliminação física de criadouros e
tratamento de criadouros com larvicidas ou
8.1.4. Delimitação de foco adulticidas, quando indicados.
Nas localidades não infestadas, far-se-á
a delimitação de foco quando a vigilância 8.2.3. Fase de consolidação
entomológica detectar a presença do vetor. Esta fase tem como objetivo consolidar
É, portanto, uma atividade exclusiva de a erradicação do Aedes aegypti. Nela serão
municípios não infestados (estrato IV) desenvolvidas as atividades da fase de
Na delimitação de foco, a pesquisa ataque, exceto o tratamento, procurando
larvária e o tratamento focal devem ser garantir a eliminação dos resíduos da
feitos em 100% dos imóveis incluídos em infestação, tendo em vista a possibilidade
um raio de até 300 metros a partir do foco da permanência de ovos em condições de
inicial, detectado em um ponto estratégico eclodir tardiamente.
ou armadilha, bem como a partir de um
levantamento de índice ou pesquisa vetorial 8.2.4. Fase de manutenção
espacial positiva. (vigilância)
A vigilância entomológica é a
8.2. Fases do PEAa metodologia que será utilizada nesta fase,
8.2.1. Fase preparatória em todas as localidades negativas e
Na fase preparatória, serão feitos o naquelas inicialmente positivas, onde o
recrutamento e capacitação dos recursos vetor foi erradicado. Nesta fase, serão
humanos, e planejamento das estratégias e usadas as armadilhas de oviposição
metodologias a serem adotadas, a (ovitrampas e larvitrampas) e inspeções em
estimativa para aquisição de materiais, pontos estratégicos. Naquelas localidades
inseticidas e equipamentos, o levantamento portuárias que mantenham intercâmbio
de índice para definir a distribuição espacial com áreas infestadas por meio de
do vetor e o reconhecimento geográfico da embarcações, serão implantados, além de
área a ser trabalhada. armadilhas e pontos estratégicos, também o
serviço marítimo ou fluvial e o serviço
8.2.2. Fase de ataque portuário.
Os trabalhos de combate ao vetor O trabalho de vigilância tem por objetivo
começam nesta fase. As atividades evitar reinfestações das localidades. Nesse
definidas deverão ser executadas sentido, o trabalho tem que ser permanente.
obedecendo os itinerários elaborados por
zonas de trabalho. Serão inspecionados 8.3. Considerações gerais
100% dos imóveis, pontos estratégicos (PE) 8.3.1. Localidade
e terrenos baldios das zonas nas localidades É determinada área com um ou mais
infestadas pelo vetor. Os depósitos imóvel com denominação própria e limites
positivos para formas imaturas de naturais ou artificiais bem definidos, com
mosquitos, que não possam ser eliminados acesso comum. Exemplo: cidade, vila,
ou removidos, serão tratados. O povoado, fazenda, sítio e outros.
monitoramento dos índices de infestação e
31
Conhecimentos Específicos
8.3.2. Sublocalidade pesquisa de 100% dos imóveis existentes;
É a área parcial de uma localidade que se 2. localidade com 401 a 1.500 imóveis
deseja particularizar para que seja melhor - pesquisa 33% dos imóveis, ou de 1/3 dos
operacionalizada ou estudada. Exemplo: imóveis existentes;
bairro, quadra, favela, etc. 3. localidades com 1.501 a 5.000
imóveis - pesquisa de 20% dos imóveis, ou
8.3.3. Município infestado de 1/5 dos imóveis existentes;
É aquele no qual o levantamento de 4. localidade com mais de 5.000
índice detectou a presença do Aedes imóveis - pesquisa de 10% dos imóveis, ou
aegypti domiciliado. de 1/ 10 dos imóveis existentes.
Exemplo: o Município de Jataí possui
8.3.4. Município não infestado 17.000 imóveis, onde serão trabalhadas a
É aquele no qual o levantamento de sede (cidade) Jataí com 10.000 imóveis e a
índice não detecta a presença do vetor. Vila Farnésia com 3.000. Na sede serão
O município infestado passa a ser trabalhados 1.000 imóveis, ou seja, uma
considerado não infestado quando amostra de 10%, e na Vila Farnésia 600
permanecer pelo menos 12 meses imóveis (20%).
consecutivos sem a presença do vetor,
conforme levantamentos de índice Nesta amostra, todos os quarteirões (ou
bimensais. quadras) devem ter pelo menos um imóvel
A detecção de Aedes aegypti inspecionado.
exclusivamente em pontos estratégicos e No caso da sede, em cada quarteirão (ou
armadilhas não caracteriza o município quadra) inicia-se a inspeção pelo primeiro
como infestado. imóvel e, com deslocamento no sentido
Essa atividade é a única em que se horário, contam-se nove imóveis para a
enumerarão os ciclos, onde o primeiro se seguir inspecionar o 11º imóvel (2º da
inicia em janeiro e o último em dezembro. amostra). E, assim, sucessivamente. No
Portanto, só se enumeram ciclos dentro do caso do imóvel estar fechado, a inspeção se
ano. fará naquele imediatamente posterior.
Na situação anterior, para efeito de
9.1.2. Levantamento amostral determinação do 3º imóvel da amostra, a
instantâneo contagem se inicia a partir do último imóvel
Este levantamento aplica-se às situações fechado.
em que se deseja avaliar o impacto de Durante a inspeção por amostragem,
medidas de controle vetorial, em áreas entre um imóvel e outro a ser investigado,
recém-infestadas ou como subsídio à ocasionalmente, o imóvel a ser
supervisão do Estado e da FUNASA, para inspecionado será um ponto estratégico
avaliar os programas municipais. (PE). Neste caso, se fará a pesquisa neste
Neste caso somente os imóveis da imóvel e no próximo, sendo a contagem
amostra serão visitados e inspecionados. feita a partir deste último imóvel.
Assim, o tamanho mínimo da amostra foi
determinado estabelecendo-se um nível de 9.2. Pesquisa em Pontos Estratégicos
confiança de 95% e uma margem de erro de (PE)
2%, considerando-se uma infestação Ponto estratégico é o local onde há
estimada de 5%. grande concentração de depósitos
Segundo estes parâmetros, o número de preferenciais para a desova do Aedes
imóveis amostrados será determinado pelo aegypti, ou seja, local especialmente
número de imóveis existentes na vulnerável à introdução do vetor.
localidade, conforme os estratos seguintes: Os pontos estratégicos devem ser
1. localidade com até 400 imóveis - identificados, cadastrados e constantemente
32
Conhecimentos Específicos
atualizados, sendo inspecionados Devem ser distribuídas na localidade na
quinzenalmente, (Foto 2). proporção média de uma armadilha para
cada nove quarteirões, ou uma para cada
Foto 2 225 imóveis, o que representa três ou quatro
por zona.
9.3.2. Larvitrampas
As larvitrampas são depósitos
geralmente feitos de barro ou de pneus
usados, dispostos em locais considerados
porta de entrada do vetor adulto, tais como
portos fluviais ou marítimos, aeroportos,
terminais rodoviários, ferroviários e
terminais de carga, etc. Não devem ser
instaladas em locais onde existam outras
São considerados pontos estratégicos os opções para a desova do Aedes aegypti,
imóveis com grande concentração de como é o caso dos pontos estratégicos.
depósitos preferenciais: cemitérios, As larvitrampas devem ser instaladas a
borracharias, depósitos de sucata, depósitos uma altura aproximada de 80 cm do solo em
de materiais de construção, garagens de sítios preferenciais para o vetor na fase
transportadoras, entre outros. Em média, adulta. A finalidade básica é a detecção
representam 0,4% dos imóveis existentes precoce de infestações importadas.
na localidade, ou um ponto estratégico para Cuidado especial deve ser tomado para
cada 250 imóveis. que a água das larvitrampas ocupe apenas
2/3 da capacidade da mesma, de modo a
9.3. Pesquisa em Armadilhas (PAr) deixar uma superfície interna da parede
Armadilhas de oviposição são depósitos disponível para a desova. Durante a
com água estrategicamente colocados em inspeção, que é rigorosamente semanal,
localidades negativas para Aedes aegypti, deve ser priorizada inicialmente a captura
com o objetivo de atrair as fêmeas do vetor de mosquitos adultos. Em seguida, faz-se a
para a postura dos ovos. As armadilhas são busca de ovos, larvas, pupas e exúvias em
divididas em ovitrampas e larvitrampas. número máximo de dez.
9.3.1. Ovitrampas Foto 3
São depósitos de plástico preto com
capacidade de 500 ml, com água e uma
palheta de eucatex, onde serão depositados
os ovos do mosquito. A inspeção das
ovitrampas é semanal, quando então as
palhetas serão encaminhadas para exames
em laboratório e substituídas por outras.
As ovitrampas constituem método
sensível e econômico na detecção da
presença de Aedes aegypti, principalmente
quando a infestação é baixa e quando os
levantamentos de índices larvários são
pouco produtivos. São especialmente úteis
na detecção precoce de novas infestações
em áreas onde o mosquito foi eliminado.
33
Conhecimentos Específicos
Cada armadilha deve conter sigla de Considerando que numa campanha de
identificação do órgão responsável pela erradicação não pode haver pendência de
inspeção, escrita em tinta branca na face imóveis nem de depósitos, o trabalho nestes
externa do depósito, seguida do número de casos deve ser feito por equipes especiais,
controle. A ficha de visita deverá ser de preferência motorizadas, e equipadas
colocada em pequena tabuleta presa ao com escadas, cordas, facões, luvas, botas de
depósito ou próximo a ele. cano longo, além do material de rotina do
O responsável pela inspeção deve dispor agente.
de listagem contendo todas as armadilhas Os itinerários das equipes de serviços
instaladas e de croquis da área com a complementares serão feitos pelos
indicação dos locais onde elas se supervisores das zonas. Estas equipes só
encontram. devem atuar quando realmente o trabalho
Sob nenhum pretexto deve ser ampliado não poder ser feito pelos agentes da rotina.
ou interrompido o período semanal de visita
às armadilhas, pois, nesse caso, qualquer 10. Tratamento
armadilha abandonada ou visitada O combate ao Aedes aegypti pode ser
irregularmente passa a ser um excelente feito também pela aplicação de produtos
criadouro. Em caso de impedimento para a químicos ou biológicos, através do
inspeção, elas devem ser recolhidas. tratamento focal, tratamento perifocal e da
Qualquer armadilha que resulte positiva aspersão aeroespacial de inseticidas em
para Aedes aegypti deve ser escovada e ultrabaixo-volume (UBV).
flambada para que possa ser reutilizada, ou
eliminada, sendo então substituída por 10.1. Tratamento focal
outra. Consiste na aplicação de um produto
larvicida nos depósitos positivos para
9.4. Pesquisa vetorial especial formas imaturas de mosquitos, que não
É a procura eventual de Aedes aegypti possam ser eliminados mecanicamente. No
em função de denúncia da sua presença em imóvel com um ou mais depósitos com
áreas não infestadas e, no caso de suspeita formas imaturas, todos os depósitos com
de dengue ou febre amarela, em área até água que não pude- rem ser eliminados
então sem transmissão. No caso de serão tratados. Em áreas infestadas bem
denúncia da presença do vetor, a pesquisa é delimitadas, desprovidas de fonte de
atividade complementar, não devendo abastecimento coletivo de água, o
interferir no trabalho de rotina de combate. tratamento focal deve atingir todos os
É a atividade que também pode ser depósitos de água de consumo vulneráveis
realizada quando houver interesse de à oviposição do vetor.
alguma pesquisa entomológica
diferenciada. Os larvicidas utilizado na rotina do
PEAa são:
9.5. Serviços complementares - Temephós granulado a 1% (Abate,
Nas grandes metrópoles infestadas pelo Larvin, Larvel e outros), que possui baixa
Aedes aegypti, existem situações peculiares toxicidade (empregado em dose inócua para
que dificultam ou impossibilitam a o homem, mas letal para as larvas).
inspeção de 100% dos depósitos pelos - Bacillus turinghiensis israelensis (BTI)
agentes da rotina na fase de ataque (LI e que é um inseticida biológico que poderá
tratamento). É o caso dos depósitos ser utilizado de maneira rotativa com o
suspensos de difícil acesso (calhas, caixas temephós, evitando o surgimento de
d'água, bromélias e outros vegetais que resistência das larvas a estes produtos.
acumulam água), edifícios em construção, - Metoprene, substância análoga ao
grandes ferros-velhos, terrenos baldios, etc. hormônio juvenil dos insetos, que atua nas
34
Conhecimentos Específicos
for- mas imaturas (larvas e pupas), vazias, vidros, plásticos, cascas de ovo, de
impedindo o desenvolvimento dos coco, e outros, que constituem o lixo
mosquitos para a fase adulta. doméstico, devem ser de preferência
- Eventualmente, o cloreto de Sódio ou acondicionados adequadamente pelos
sal de cozinha, em solução a 3%, também moradores, para serem coletados pelo
poderá ser utilizado como larvicida serviço de limpeza pública. Caso isso, por
algum motivo, não ocorra, devem ser
Tanto o temephós quanto o BTI e o eliminados pelo agente.
metoprene, são agentes de controle de Para evitar que o larvicida se perca nos
mosquitos, aprovados pela Organização depósitos que são lavados pelos moradores
Mundial da Saúde para uso em água de ou onde a água está sujeita a constante
consumo humano, por suas caraterísticas de renovação, como as caixas d'água, cisternas
inocuidade para os mamíferos em geral e o e calhas mal colocadas, ele deve ser
homem. colocado nesses depósitos, envolvido e
As regras para o tratamento focal, quanto amarrado em um pano. Este artifício
ao deslocamento e sequência a ser seguida conhecido como “boneca de larvicida" vem
pelo servidor nos imóveis, são as mesmas sendo utilizado em alguns Estados desde a
mencionadas para a inspeção predial. Campanha de Erradicação do Aedes
Inicialmente, tratam-se os depósitos aegypti, no Pará, em 1967.
situados no peridomicílio (frente, lados e
fundo do terreno) e, a seguir, os depósitos 10.1.1. Métodos simples para
que se encontram no interior do imóvel, cálculo do volume de depósitos
com a inspeção cômodo a cômodo, a partir Para que o tratamento focal com
do último, sempre da direita para esquerda. larvicida tenha eficácia assegurada, é
necessário que o pessoal de operação saiba
Não serão tratados: determinar com precisão a quantidade de
• Latas, plástico, e outros depósitos inseticida a ser aplicada em relação ao
descartáveis que possam ser eliminados. volume de água, a fim de se obter a
• Garrafas, que devem ser viradas e concentração correta. No caso do temephós,
colocadas ao abrigo da chuva; a concentração é de uma parte por milhão,
• Utensílios de cozinha que sirvam equivalente a um grama de ingrediente
para acondicionar e cozer alimentos; ativo em um milhão de mililitros de água
• Depósitos vazios (sem água); (1.000 litros).
• Aquários ou tanques que contenham O tratamento com o temephós é feito de
peixes. acordo com a capacidade do depósito e não
• Vasos sanitários, caixas de descarga com a quantidade de água existente nele, à
e ralos de banheiros, exceto quando a casa exceção de cisternas ou poços tipo
estiver desabitada. “amazônicos" (cacimba), cujo tratamento
• Bebedouros de animais; será feito conforme a quantidade de água
existente.
Os bebedouros de animais onde forem
encontradas larvas ou pupas devem ser
escovados e a água trocada no máximo a
cada cinco dias.
Os depósitos com peixes não serão
tratados com temephós. Nestes casos, serão
recomendadas aos moradores formas
alternativas para o controle de focos,
podendo-se utilizar o BTI e o metoprene.
Os pequenos depósitos como latas
35
Conhecimentos Específicos
pneus e ferros-velhos, onde tenham sido
detectados focos. (Foto 4).
Foto 4
10.2.1. Preparação da carga
Os inseticidas atualmente empregados
no tratamento perifocal são do grupo dos
Piretróides, na formulação pó molhável e na
concentração final de 0,3 % de princípio
ativo.
No caso da Cypermetrina, esta
Para determinar a altura de uma cisterna, concentração será obtida pela adição de
caixa d'água, ou depósito semelhante, uma carga (78 gramas) do pó molhável a 40
utiliza-se uma vara ou, na falta dela, uma %, em 10 litros d'água. A mistura de
corda ou cordão que atinja o fundo do inseticida com água deve ser feita
depósito. Com um objeto amarrado à ponta, diretamente no equipamento,
leva-se a corda bem esticada até tocar o parceladamente, com o auxílio de bastão
fundo e marca-se o nível da água. agitador. A sequência da borrifação é a
mesma que se segue no tratamento focal, já
A medida encontrada corresponderá à descrita.
altura procurada. No caso de cisternas ou
“poços amazônicos", a quantidade de 10.2.2. Técnica de aplicação
temephós é calculada em função do volume Durante o tratamento perifocal são
de água existente. O diâmetro do depósito exigidos cuidados no sentido de que o
será medido internamente. opera- dor esteja protegido e o inseticida
não seja posto em contato com pessoas,
10.2. Tratamento perifocal pássaros, outros animais domésticos e
Consiste na aplicação de uma camada de alimentos. Não deve ser aplicado na parte
inseticida de ação residual nas paredes interna de depósitos cuja finalidade é
externas dos depósitos situados em pontos armazenar água destinada ao consumo
estratégicos, por meio de aspersor manual, humano.
com o objetivo de atingir o mosquito adulto São utilizados para o tratamento
que aí pousar na ocasião do repouso ou da perifocal os equipamento de aspersão e
desova. compres- são com capacidade para dez
O tratamento perifocal, em princípio, litros, e bico apropriado (8002).
está indicado para localidades recém- O equipamento deve ser colocado no
infestadas como medida complementar ao ombro esquerdo e o agente coloca-se á
tratamento focal. É adotado em localidades frente do depósito a ser tratado, segurando
infestadas apenas em pontos estratégicos o sistema de descarga com a mão direita, de
onde é difícil fazer o tratamento focal, como maneira que, ao esticar o braço, o bico fique
os grandes depósitos de sucata, depósitos de a uma distância de 45cm da superfície a ser
36
Conhecimentos Específicos
borrifada, com uma velocidade de • alto rendimento com maior área
aplicação que permita cobrir 22cm de tratada por unidade de tempo;
superfície em cada segundo. • melhor a desividade das partículas
De início, deve ser feita a aplicação na ao corpo do mosquito adulto;
parede externa do depósito, de cima para • por serem as partículas muito
baixo, que continua em faixas verticais com pequenas e leves, são carregadas pelo ar,
superposição de 5cm. É necessário girar o podendo ser lançadas a distâncias
depósito quando seu tamanho o permita ou compatíveis com a largura dos quarteirões.
rodeá-lo da direita para a esquerda quando
for fixo ou demasiadamente grande. 10.3.2. Desvantagens:
Na superfície próxima ao depósito • exige mão-de-obra especializada;
tratado aplica-se o inseticida até um metro • sofre influência do vento, chuva e
de distância em volta dele. temperatura.
• pouca ou nenhuma ação sobre as
10.2.3. Depósitos não borrifáveis formas imaturas do vetor;
Não se borrifarão, em sua face interna, • ação corrosiva sobre pintura de
os recipientes que armazenam água para o automóveis, quando o tamanho médio das
consumo humano, como caixas d'água, partículas do inseticida for superior a 40
tonéis, tanques e outros, os quais devem ser micras;
mantidos hermeticamente fechados durante • necessidade de assistência técnica
o tratamento. especializada;
Depósitos expostos a chuvas também • elimina outros insetos quando usado
não receberão o tratamento perifocal. de forma indiscriminada.;
• não elimina mais que 80 % dos
10.3. Tratamento a Ultrabaixo mosquitos;
Volume - UBV • nenhum poder residual.
Consiste na aplicação espacial de
inseticidas a baixíssimo volume. Nesse Cuidados especiais devem ser
método as partículas são muito pequenas, observados para obter-se êxito na aplicação
geralmente se situando abaixo de 30 micras de inseticida a Ultrabaixo-Volume. Para
de diâmetro, sendo de 10 a 15 micras de isso, recomenda-se que a pulverização com
diâmetro médio, o ideal para o combate ao equipa- mento pesado seja sempre feita na
Aedes aegypti, quando o equipamento for parte da manhã, bem cedo, ou ao anoitecer,
do tipo UBV pesado. uma vez que nesses períodos do dia
O uso deve ser restrito a epidemias, normalmente não existe correntes de ar
como forma complementar para promover significativas, que pode- riam influenciar a
a rápida interrupção da transmissão de eficácia da aplicação, além de facilitar a
dengue ou de febre amarela, de preferência operacionalidade do conjunto UBV devido
associado a mutirão de limpeza e a menor intensidade do tráfego urbano de
eliminação de depósitos. veículos nesses horários.
Devido ao reduzido tamanho das O método não deverá ser empregado
partículas, este método de aplicação atinge quando a velocidade do vento for superior a
a superfície do corpo do mosquito mais 6 km/hora para que as partículas aspergidas
extensamente do que através de qualquer não sejam transportadas para fora da área
outro tipo de pulverização. objeto de tratamento.
Quando a máquina pulverizadora for do
10.3.1. Vantagens deste método: tipo montada sobre veículo, a velocidade
• redução rápida da população adulta deste nunca deve ultrapassar 16 km/hora
de Aedes; durante o processo de aplicação. Neste
caso, a boquilha do pulverizador deve ser
37
Conhecimentos Específicos
direcionada para as casas, obedecendo a um Foto 6
ângulo de inclinação de aproximadamente
45 graus, com vazão regulada de acordo
com o inseticida utilizado e velocidade do
veículo, (Foto 5).
Foto 5
11. Recomendações quanto ao
manuseio de inseticidas e uso de
Equipamentos de Proteção Individual
Durante a aplicação o agente evitará o (EPI)
contato do inseticida com os olhos e de- O combate ao Aedes aegypti e Aedes
mais partes do corpo; não tratará o interior albopictus envolve algumas vezes o
de fábricas, depósitos ou armazéns que controle químico mediante o uso de
contenham alimentos; não fará aplicação produtos inseticidas que pertencem ao
em áreas com plantações de verduras, grupo dos organofosforados e dos
cereais, frutas. Deverá ter cuidado especial piretróides.
para que as máquinas estejam bem Evidentemente, o manuseio desses
reguladas de modo que produzam partículas inseticidas implica cuidados que visam à
que não manchem pinturas de carro, prevenção de acidentes, bem como à
mármores e outras. Deverá cuidar ainda manutenção da saúde do trabalhador que,
para que o local de limpeza das máquinas por necessidade de manipulação, mantém
seja sempre em áreas distantes de rios, contato direto com tais produtos.
córregos ou locais que tenham animais,
evitando-se, assim, envenenamento ou a A manipulação dos inseticidas requer:
poluição do ambiente. • em relação ao uso de temephós, é
recomendado que seja evitado o contato
O tratamento pelo método UBV deve ser prolongado direto do inseticida com a pele.
feito em ciclos semanais para que sejam O inseticida deve ser transportado sempre
atingidos os adultos provenientes de ovos e em sacos plásticos, até o momento da
larvas remanescentes. Recomenda-se que o aplicação;
tratamento seja feito em uma cobertura • em relação ao uso de piretróides e
completa na área selecionada, no menor organofosforados, PM ou GT-UBV, os
espaço de tempo possível, repetindo-se o aplicadores devem evitar o contato direto
tratamento na semana seguinte. do produto com a pele, na formulação
original ou diluída. No caso do inseticida
A UBV portátil vem sendo utilizada em pó molhável, ele deve ser transportado
como forma complementar a UBV pesada, sempre em sacos plásticos, até o momento
principalmente nas áreas de difícil acesso, da diluição;
como favelas, e são utilizados os seguintes • na pesagem para preparação da
equipa- mentos na aplicação de inseticidas carga, deve ser evitado o contato direto com
por UBV portátil, ( Foto 6): a pele e olhos, utilizando-se, para isso,
• Nebulizador equipamentos de segurança, a serem
• portátil; fornecidos pela instituição responsável pela
• motorizado. operação: uniforme com mangas longas,
38
Conhecimentos Específicos
máscara com filtro, óculos, capacete, luvas na destruição da acetilcolina; e a
e botas; pseudocolinesterase ou inespecífica,
• como medida de segurança, presente em quase todos os tecidos,
recomenda-se que mulheres gestantes principalmente no fígado, no plasma,
evitem trabalhar com inseticidas, devendo, pâncreas e no intestino delgado e em menor
nesse período, serem aproveitadas em concentração no sistema nervoso central e
outras atividades. periférico. A pseudocolinesterase
Em relação ao trabalho com inseticidas encontrada no soro diminui antes daquela
ultrabaixo-volume, são recomendados os encontrada nas hemácias, sendo portanto,
seguintes cuidados: indicador biológico da exposição a
inseticidas organofosforados.
• não fumar ou comer (qualquer Os inseticidas organofosforados e
alimento) durante a aplicação; carbamatos são poderosos inibidores da
• usar equipamento de segurança colinesterase, sendo os organofosforados
individual (EPI, conforme descrito); muito utilizados atualmente em saúde
• evitar qualquer contato com o pública, em especial pelo PEAa. Com
inseticida e, se isto acontecer objetivo de garantir a proteção da saúde dos
acidentalmente, lavar o local manipuladores desses inseticidas, os
imediatamente com água e sabão, trocar o convênios do PEAa que estão sendo
uniforme e tomar banho após cada etapa do celebrados atualmente com Esta- dos e
trabalho (no fim do expediente da manhã e Municípios contêm cláusula em que se
da tarde); comprometem a garantir aos manipuladores
• usar uniforme limpo, bem como os desses produtos exames periódicos e uso de
acessórios de segurança já referidos. O equipamento de proteção individual (EPI).
uniforme deverá ser lavado diariamente A colinesterase pode sofrer alterações
com água e sabão. com diminuição da sua concentração basal
em pessoas que são expostas
12. Avaliação da colinesterase constantemente a esses inseticidas. Os
sanguínea humana valores da colinesterase podem sofrer
A Colinesterase é a enzima responsável diminuição também em pacientes
pela hidrólise (destruição) da acetilcolina. portadores de alguma doença hepáticas
Esta encontra-se presente nas sinapses (hepatite viral, doença amebiana, cirrose,
(terminações nervosas), servindo como carcinomas, congestão hepática por
mediadora química da transmissão de insuficiência cardíaca), desnutrição,
impulsos nervosos através de fibras pré- infecções agudas, anemias, infarto do
ganglionares parassimpáticas e pós- miocárdio e dermatomiosite e alcoolismo.
ganglionares simpáticas. A acetilcolina, Considerando que os níveis basais da
quando em excesso, é prejudicial. Para colinesterase sofrem variações de uma
evitar isso, a colinesterase sanguínea pessoa para outra, é importante realizar o
quebra a acetilcolina quase teste basal (pré-exposição)
instantaneamente, inativando-a, à medida antecipadamente nas pessoas que irão ter
que ela vai sendo elaborada. Essa reação contato com organofosforados e
química dá origem à colina e ao ácido carbamatos.
acético, ambos inofensivos para o A dosagem periódica da colinesterase
organismo. sanguínea em manipuladores desses
Existem dois tipos de colinesterases: inseticidas é obrigatória, devendo ser
acetilcolinesterase ou colinesterase realizada no mínimo a cada seis meses,
verdadeira (eritrocitária) existente nas podendo reduzir-se este período a critério
hemácias, no tecido nervoso e nos músculos do médico coordenador ou do médico
estriados, sendo esta a de maior importância agente da inspeção de trabalho ou, ainda,
39
Conhecimentos Específicos
mediante negociação coletiva de trabalho. mosquitos através da predação, do
A FUNASA/MS, através do seu serviço parasitismo, da competição e de agentes
médico, definiu que a periodicidade dos patógenos que produzem enfermidades e
exames deverá ser quinzenal, e, para cada toxinas. Atualmente, existem pesquisas no
resultado encontrado, haverá um sentido de utilizar o controle biológico, que
procedimento que vai desde o afastamento teria a grande vantagem de minimizar os
temporário até o definitivo afastamento das danos ambientais que os inseticidas comuns
atividades com inseticidas. podem causar. Algumas pesquisas estão
A avaliação dos resultados depende do sendo feitas com base no uso de algumas
kit em uso. Atualmente, existem dois testes espécies predadoras (peixes larvófagos,
de campo: um que determina a atividade copépodos), parasitas ( nematóides) e
colinesterásica e o outro a sua inibição e kits patógenos (protozoários – microsporídios ,
espectrofotométricos. Tais resultados Bacillus produtores de toxinas, fungos e
devem ser correlacionados com os vírus). Estes últimos, agem como
antecedentes patológicos do paciente. inseticidas de natureza biológica, padrão
Finalmente, o uso dos equipamentos de que foge ao mecanismo clássico da
proteção individual (EPI) e o apropriado regulação biológica.
manuseio desses inseticidas constituem
medidas de suma importância na prevenção Nessa concepção de larvicidas
da saúde do trabalhador. biológicos, temos hoje produtos comerciais
Nesse sentido, constituirão objeto de à base de Bacillus thuringiensis sub.sp.
permanente preocupação por parte dos israelensis (Bti), com boa atividade contra
responsáveis pela programação e execução larvas de Aedes e o Bacillus sphaericus,
do combate ao Aedes aegypti as normas para larvas de Anopheles e Culex. Ambos
regulamentadoras de prevenção e controle apresentam boa atividade contra larvas de
da saúde dos grupos ocupacionais várias espécies de culicíneos. Apesar dos
incumbidos das atividades descritas neste avanços nessa área de controle, ainda há
Manual. muitos impedimentos quanto ao uso desses
métodos em grande escala na prática
13. Controle biológico e manejo operacional de rotina, considerando os
ambiental custos, o baixo efeito residual, e a
O controle de vetores em uma concepção intolerância à exposição direta da luz solar.
atualizada procura contemplar ideias de O uso de peixes larvófagos tem sido
integração de métodos e estratégias. difundido em várias partes do mundo no
Entende-se dentro desse princípio que se controle de doenças como a malária e o
devem trabalhar racionalmente diversos dengue, além de outras doenças ou
métodos dentro de um enfoque ecológico. incômodos também causados por
No combate ao Aedes aegypti, o PEAa mosquitos.
procura trabalhar essa abordagem Espécies apropriadas de peixes
juntamente com a concepção da apresentam usualmente as seguintes
descentralização. Nesse contexto, são características:
abordadas de maneira sucinta algumas • Preferência por larvas de mosquitos
formas de manejo, principalmente de maior do que outros tipos de alimentos
manejo ambiental e biológico, já que o localizados na superfície da agua;
controle químico tem um capítulo próprio • Tamanho reduzido para permitir o
neste Manual. acesso superficial na água e penetração
entre a vegetação;
13.1. Controle biológico • Tolerância à poluição, salinidade,
O controle biológico existe na natureza, temperatura variáveis e transporte.
reduzindo naturalmente a população de Para esse fim, devem ser utilizados
40
Conhecimentos Específicos
peixes originários da região onde o controle podem servir de criadouros importantes
é realizado. para o Aedes aegypti. Por exemplo:
• As calhas devem ser desobstruídas
São exemplos: periodicamente e mantidas com inclinação
Peixes do gênero Poeciliidae e adequada para o escoamento da água.
Cyprinodontidae. Algumas dessas espécies • Cavidades em muros, pedras,
têm sido usadas com sucesso em vários arvores, etc., devem ser tampadas com
países (Gambusia affinis) e o Guppy barro ou cimento, de modo a evitar que
(Poecilia reticulata). O Gambusia é muito coletem água.
eficiente em água limpa enquanto o • Fragmentos de vidros (gargalos e
Poecilia (lebiste) tolera altas temperaturas e fundos de garrafas) fixados em cima de
pode ser usado com sucesso em águas muros, devem ser preenchidos com barro
poluídas organicamente. ou areia grossa.
• As bromélias e outros vegetais que
13.2. Manejo ambiental acumulam água entre as folhas devem ser
Um componente importante mas eliminados.
frequentemente pouco valorizado no • As floreiras existentes nos
combate aos vetores é o manejo do cemitérios (ponto estratégico), devem ser
ambiente, não apenas através daquelas furadas por baixo, ou preenchidas com areia
ações integradas à pesquisa de focos e grossa.
tratamento químico, tal como a eliminação
e remoção de criadouros no ambiente 14. Participação comunitária
domiciliar, mas, também, pela coleta do Tradicionalmente, o combate ao Aedes
lixo urbano regular ou através de mutirões aegypti foi desenvolvido seguindo as
de limpeza, o que, na prática, tem sido feito diretrizes da erradicação vertical, onde a
apenas na vigência de epidemias. participação comunitária não era
O armazenamento, coleta e disposição considerada como atividade essencial. No
final dos resíduos sólidos, visando ao êxito entanto, a abordagem ampla e a
no combate vetorial, compreende três participação comunitária são fundamentais
aspectos: a redução dos resíduos, e imprescindíveis.
acompanhada pela sua reciclagem ou Inicialmente, o Programa de Erradicação
reutilização, a coleta dos resíduos e a sua do Aedes aegypti no Brasil (PEAa) propõe
correta disposição final. que o agente de saúde, que há décadas
O trabalho educativo com vistas a trabalha para a comunidade, passe agora a
difundir junto à população noções acerca do trabalhar com a comunidade. Esta
saneamento domiciliar e do uso correto dos mudança, se bem conduzida, fará com que
recipientes de armazenamento de água, é a população perceba que o combate ao
também de fundamental importância. Aedes aegypti não é só um “programa do
Recipientes como caixas d'água, tonéis e Ministério da Saúde" e sim, atividade de
tanques, devem ser mantidos interesse comum.
hermeticamente fechados, à prova de Em cada visita ou inspeção ao imóvel, o
mosquitos. Caso isso não seja possível agente de saúde deve preocupar-se em
naquele momento, o agente deverá escovar realizar sua atividade junto com os
as paredes internas do reservatório, com moradores, de tal forma que possa
vistas a remoção de ovos por ventura aí compartir informações, tais como:
existentes. • No caso de vasos de flores ou
Outros recipientes ou objetos existentes plantas, manter o prato que fica sob os
nos domicílios, peridomicílios e pontos vasos sempre seco, podendo utilizar, para
estratégicos, devem merecer atenção dos isso, areia;
agentes de saúde e dos moradores, pois
41
Conhecimentos Específicos
• A água das jarras de flores deve ser É evidente que a participação
trocada duas vezes por semana e a jarra bem comunitária no controle do Aedes aegypti
lavada para eliminar os ovos de Aedes envolve a participação do município e o
aegypti que possam estar aderidos às compromisso das autoridades locais, com o
paredes. Esta recomendação é válida para atendimento da necessidades apontadas
áreas que não estejam sob tratamento focal; pela comunidade, devendo-se, inclusive,
• O cultivo de plantas em vasos com convocar os setores do comércio e
água deve ser evitado, se possível indústria, além de associações
enchendo-se o vaso com terra ou areia; representativas da comunidade.
• Toda vasilha de lata deve ser furada O estímulo à participação comunitária
antes de ser descartada, para que não necessita ser permanente. Os resultados ou
acumule água, sendo colocadas em lixeiras a expectativa de respostas devem ser
tampadas; colocados a médio e longo prazos.
• Todos os objetos que podem
acumular água de chuva (copinhos 15. Serviço Marítimo (SM) ou Fluvial
plásticos, tampas de refrigerantes, cascas de (SF) − Serviço Portuário
coco) devem ser esvaziados e, se • Serviço marítimo ou fluvial
inservíveis, acondicionados em lixeira ou Consiste na inspeção de todas as
enterrados; embarcações atracadas na orla portuária de
• As garrafas vazias devem ser uma localidade, em ciclos semanais. Nas
guardadas de cabeça para baixo em locais localidades não infestadas tem o objetivo de
cobertos; detectar e eliminar precocemente qualquer
• Os bebedouros de aves e animais tentativa de reintrodução do Aedes aegypti
devem ter sua água trocada pelo menos uma por meio de embarcações, que podem servir
vez por semana, após serem lavados com para a propagação do vetor.
escova; Quando a embarcação procede de uma
• Os pneus velhos devem ser furados localidade sabidamente infestada, ela será
para escoar a água de chuva e, se possível, inspecionada e tratada no “fundeadouro de
guardados em local coberto. Se inservíveis, visitas" situado a pelo menos 300 metros da
o melhor destino é o lixo; orla portuária da localidade não infestada.
• Os poços, tambores e outros Nas localidades infestadas, o serviço
depósitos de água devem estar sempre marítimo ou fluvial deve ser executado
tampados; visando evitar a dispersão do vetor.
• As caixas d'água e cisternas dos
prédios devem ser limpas com frequência e • Serviço portuário
mantidas cobertas; Consiste na inspeção de 33% dos
• As calhas e piscinas devem ser imóveis situados numa faixa de 300 metros
mantidas limpas; a partir da orla portuária da localidade não
• O lixo não deve ser jogado em infestada, em ciclos mensais (100% a cada
terrenos baldios; três meses), com o objetivo de detectar e
• Deve-se manter o lixo tampado. eliminar precocemente os focos
provenientes de adultos que sejam
O agente de saúde deve transmitir as transportados pelas embarcações.
informações de que dispõe e discutir as Tanto na orla portuária como na faixa
soluções possíveis com o morador, que dos 300 metros devem ser instaladas as
pode oferecer alternativas novas e armadilhas de oviposição.
adequadas às suas possibilidades.
Na próxima visita ao mesmo imóvel, o
agente de saúde deverá avaliar o quanto foi
produtivo e consequente o contato anterior.
42
Conhecimentos Específicos
15.1. Tipos de embarcação • Guinchos: os orifícios existentes
15.1.1. Grandes embarcações nos guinchos acumulam água, podendo dar
Em geral, possuem cascos de ferro e são lugar a formação de focos;
de fundo largo, permitindo a existência de • Pneus: só é permitido o uso de
vários porões completamente fechados. São pneus nas embarcações como proteção para
os navios de carga e de passageiros, as o casco, quando estiverem perfurados. Os
chatas, “chatinhas" e as embarcações furos devem ter, pelo menos, uma polegada
conhecidas na Amazônia por “vaticanos". e meia de diâmetro e a distância entre eles
deve ser, no máximo, de 20cm, de modo a
15.1.2. Médias embarcações evitar que acumule água.
Em geral, têm o casco estreito, com uma
ou duas séries de porões no centro. Este 15.3. Técnica de inspeção de
grupo compreende as lanchas, batelões e embarcações
outras embarcações conhecidas na A inspeção das pequenas embarcações
Amazônia por “gaiolas". requer cuidado minucioso quanto ao lastro
e aos pequenos depósitos móveis, como
15.2. Depósitos próprios de barris, depósitos de barro e outros.
embarcações Para as grandes e médias embarcações, a
Muitas embarcações grandes e médias inspeção compreende o exame de um
possuem depósitos que vale descrever, variado grupo de depósitos, exigindo não só
tendo em vista a frequência com que neles a pesquisa de focos larvários, mas, também,
são encontrados focos: a captura do alado. A inspeção deve
• Porões: são dependências formadas começar pela parte inferior da embarcação
pelos espaços limitados entre a sobrequilha e obedecer ao sentido da direita para a
e cavernames ou cavernas. Os porões, por esquerda. Os porões encontrados com focos
vezes, ficam totalmente inundados e, devem ser imediatamente tratados com
quando a água baixa, resultam focos nos larvicida.
cavernames e sobrequilha, com subdivisão Os grandes navios devem ser
de foco primitivo. Os porões se denominam inspecionados de preferência no
amarra de proa ou vante de meia nau, de fundeadouro de visitas. No caso de
popa ou ré, ou de bucha. Os paióis, embora possuírem porões estanques e depósitos de
estanques, são considerados como porões; água convenientemente protegidos, estes
• Grinaldas: são divisões da parte não serão abertos para inspeção.
interna do casco, situado no extremo da Uma vez terminada a vistoria da
popa, acompanhando a sua inclinação e embarcação, deve ser colocado o “visto"
onde pode acumular-se água vinda do con- preferencialmente na cabine do
vés por infiltração; comandante.
• Tanques: são os de “aguada" para
abastecimento da tripulação e os de
“lastro", que servem para manter a
estabilidade. Esses últimos, em geral, são
em número de quatro, sendo dois a vante e
dois a ré;
• Tricanizes: são regos no convés
destinados a coletar a água da chuva ou da
lavagem que escoa dos embornais, orifícios
existentes de espaço a espaço. Detritos e
resíduos de bordo, frequentemente entopem
estes depósitos, formando coleções de
água;
43
Conhecimentos Específicos
Anexos
44
Conhecimentos Específicos
Diretrizes Nacionais para a Prevenção e
Controle de Epidemias de Dengue do
Ministério da Saúde, Brasília/DF – 2009
Diretrizes Nacionais para a
Prevenção e Controle de Epidemias de
Dengue3
1. Aspectos epidemiológicos
A dengue é um dos principais problemas
de saúde pública no mundo. A Organização
Mundial da Saúde (OMS) estima que 2,5
bilhões de pessoas – 2/5 da população
mundial – estão sob risco de contrair
dengue e que ocorram anualmente cerca de
50 milhões de casos. Desse total, cerca de
550 mil necessitam de hospitalização e pelo
menos 20 mil morrem em consequência da
doença.
Nas últimas duas décadas, a incidência
de dengue nas Américas tem apresentado
uma tendência ascendente, com mais de 30
países informando casos da doença, a
despeito dos numerosos programas de
erradicação ou controle que foram
implementados. Os picos epidêmicos têm
sido cada vez maiores, em períodos que se
repetem a cada 3-5 anos, quase de maneira
regular. Entre 2001 e 2005, foram
3
ao_controle_dengue.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_nacionais_prevenc
45
Conhecimentos Específicos
notificados 2.879.926 casos de dengue na refletindo a introdução do sorotipo
região, sendo 65.235 de dengue DENV3. Essa epidemia levou a uma rápida
hemorrágica, com 789 óbitos. As maiores dispersão do sorotipo DENV3 para outros
incidências nesse período foram reportadas estados, sendo que, em 2004, 23 dos 27
pelo Brasil, Colômbia, Venezuela, Costa estados do país já apresentavam a
Rica e Honduras (82% do total). circulação simultânea dos sorotipos
No Brasil, a primeira epidemia DENV1, DENV2 e DENV3 do vírus da
documentada clínica e laboratorialmente dengue.
ocorreu em 1981-1982, em Boa Vista (RR), No Brasil, os adultos jovens foram os
causada pelos sorotipos 1 e 4. Em 1986, mais atingidos pela doença desde a
ocorreram epidemias atingindo o Rio de introdução do vírus. No entanto, a partir de
Janeiro e algumas capitais da região 2006, alguns estados apresentaram a
Nordeste. Desde então, a dengue vem recirculação do sorotipo DENV2 após
ocorrendo no Brasil de forma continuada, alguns anos de predomínio do sorotipo
intercalando-se com a ocorrência de DENV3. Esse cenário levou a um aumento
epidemias, geralmente associadas com a no número de casos, de formas graves e de
introdução de novos sorotipos em áreas hospitalizações em crianças,
anteriormente indenes e/ou alteração do principalmente no Nordeste do país. Em
sorotipo predominante. Na epidemia de 2008 foram notificados 585.769 casos e
1986, identificou-se a ocorrência da novas epidemias causadas pelo sorotipo
circulação do sorotipo DENV1, DENV2 ocorreram em diversos estados do
inicialmente no Estado do Rio de Janeiro, país, marcando o pior cenário da doença no
disseminando-se, a seguir, para outros seis Brasil, em relação ao total de internações e
estados até 1990. Nesse ano, foi óbitos até o momento. Essas epidemias
identificada a circulação de um novo foram caracterizadas por um padrão de
sorotipo, o DENV2, também no Estado do migração de gravidade para as crianças, que
Rio de Janeiro. Durante a década de 90, representaram mais de 50% dos pacientes
ocorreu um aumento significativo da internados nos municípios de maior
incidência, reflexo da ampla dispersão do contingente populacional. Mesmo em
Aedes aegypti no território nacional. A municípios com menor população, mais de
presença do vetor, associada à mobilidade 25% dos pacientes internados por dengue
da população, levou à disseminação dos eram crianças, o que ressalta que todo o país
sorotipos DENV1 e DENV2 para 20 dos 27 vem sofrendo, de maneira semelhante,
estados do país. Entre os anos de 1990 e essas alterações no perfil da doença. No ano
2000, várias epidemias foram registradas, de 2009, até a semana epidemiológica 17,
sobretudo nos grandes centros urbanos das foram notificados 266.285 casos de dengue,
regiões Sudeste e Nordeste do Brasil, o que representa um declínio de 52%, em
responsáveis pela maior parte dos casos relação ao mesmo período de 2008.
notificados. As regiões Centro-Oeste e O cenário atual de diminuição de casos
Norte foram acometidas mais tardiamente, demonstra a capacidade da sociedade
com epidemias registradas a partir da brasileira e do setor saúde no enfrentamento
segunda metade da década de 90. das epidemias de dengue. A
A circulação do sorotipo DENV3 do sustentabilidade desse quadro exige a
vírus foi identificada, pela primeira vez, em continuidade dos esforços pelas três esferas
dezembro de 2000, de governo, além do comprometimento de
também no Estado do Rio de Janeiro e, outros setores externos ao setor saúde. Com
posteriormente, no Estado de Roraima, em a conjunção desses esforços, será possível
novembro de 2001. Em 2002, foi observada responder adequadamente às epidemias de
a maior incidência da doença, quando dengue.
foram confirmados cerca de 697.000 casos,
46
Conhecimentos Específicos
2. Justificativa ocorrência de óbitos e para reduzir o
Os condicionantes da expansão da impacto das epidemias de dengue.
dengue nas Américas e no Brasil são É um documento desenvolvido com o
similares e referem-se, em grande parte, ao intuito de organizar, orientar, facilitar,
modelo de crescimento econômico agilizar e uniformizar as ações necessárias
implementado na região, caracterizado pelo a uma resposta solidária, coordenada e
crescimento desordenado dos centros articulada entre os integrantes do Sistema
urbanos. O Brasil concentra mais de 80% Único de Saúde.
da população na área urbana, com
importantes lacunas no setor de 3. Cenários
infraestrutura, tais como dificuldades para Período não epidêmico: as diretrizes
garantir o abastecimento regular e contínuo deverão ser utilizadas na elaboração e/ou
de água, a coleta e o destino adequado dos adequação das estratégias estaduais e
resíduos sólidos. Outros fatores, como a municipais, orientando a organização e o
acelerada expansão da indústria de desenvolvimento da rotina das atividades
materiais não biodegradáveis, além de de prevenção e controle da dengue no
condições climáticas favoráveis, agravadas âmbito do sistema de saúde.
pelo aquecimento global, conduzem a um
cenário que impede, em curto prazo, a Período epidêmico: as diretrizes deverão
proposição de ações visando à erradicação ser utilizadas para a confecção de
do vetor transmissor. estratégias estaduais, regionais e
As epidemias de dengue determinam municipais de contingenciamento, que
uma importante carga aos serviços de saúde devem ser acionadas nas seguintes
e à economia dos países. Apesar de poucos situações:
estudos existentes sobre o tema, um recente • Município em epidemia – com
trabalho realizado em oito países do número de casos acima do esperado, de
continente americano e asiático, incluindo o acordo com o diagrama de controle. Nos
Brasil, demonstrou que o custo das municípios de maior porte, deve-se levar
epidemias ocorridas nesses países foi de em consideração o número de casos por
cerca de U$ 1,8 bilhão, somente com região administrativa local.
despesas ambulatoriais e hospitalares, sem • Introdução e circulação de novo
incluir os custos com as atividades de sorotipo na região.
vigilância, controle de vetores e
mobilização da população. 4. Objetivos
O quadro epidemiológico do país aponta 4.1. Geral
para a vulnerabilidade de ocorrências de Evitar a ocorrência de óbitos por dengue,
epidemias, bem como um aumento das prevenir e controlar processos epidêmicos.
formas graves, possibilitando o risco de
aumento de óbitos e da letalidade. Outro 4.2. Específicos
fator de preocupação é o aumento de casos • Organizar as ações de prevenção e
na faixa etária mais jovem, inclusive controle da dengue.
crianças, cenário já observado em outros • Classificar riscos nos serviços de
países. saúde.
As Diretrizes Nacionais para a • Promover assistência adequada ao
Prevenção e Controle de Epidemias de paciente, garantindo acesso, diagnóstico e
Dengue auxiliará estados e municípios na manejo clínico adequado por profissionais
organização de suas atividades de de saúde habilitados.
prevenção e controle, em períodos de baixa • Aprimorar a vigilância
transmissão ou em situações epidêmicas, epidemiológica, garantindo notificação,
contribuindo, dessa forma, para evitar a investigação dos casos e monitoramento
47
Conhecimentos Específicos
dos sorotipos virais, sempre de forma com suspeita de dengue é a Atenção
oportuna. Primária; porém, todos os serviços de saúde
• Padronizar os insumos estratégicos devem acolher os casos, classificar o risco,
necessários. atender, e, se necessário, encaminhar para o
• Definir estratégias para redução da serviço compatível com a
força de transmissão da doença, por meio complexidade/necessidade do paciente,
do controle do vetor e de seus criadouros. responsabilizando-se por sua transferência.
• Apoiar a capacitação dos
profissionais de saúde e dos gestores. Face ao cenário epidemiológico
• Sistematizar as atividades de apresentado todos os anos em nosso país,
mobilização e comunicação. com um crescente número de casos graves
• Aprimorar a análise de situação em adultos e especialmente em menores de
epidemiológica e de organização da rede de 15 anos, torna-se necessário qualificar e
atenção para orientar a tomada de decisão. organizar os serviços em todos os níveis.
• Fortalecer a articulação das Para tal, recomendamos utilizar as
diferentes áreas e serviços, visando à diretrizes para classificação de risco,
integralidade das ações para enfrentamento organização dos serviços e as estratégias
da dengue. para enfrentamento de uma epidemia de
• Reforçar ações de articulação dengue.
intersetorial em todas as esferas de gestão.
5.1.1. Classificação de risco para
5. Componentes prioridade de atendimento
5.1. Assistência A classificação de risco tem por objetivo
A quase totalidade dos óbitos por dengue reduzir o tempo de espera do paciente por
é evitável e depende, na maioria das vezes, atendimento médico, visando à aceleração
da qualidade da assistência prestada e da do diagnóstico, tratamento e internação,
organização da rede de serviços de saúde. quando for o caso, contribuindo para
A realização de triagem, utilizando-se a organização do fluxo de pacientes na
classificação de risco baseada na gravidade unidade de saúde e priorização do
da doença, é uma ferramenta fundamental atendimento dos casos de acordo com a
para melhorar a qualidade da assistência. A gravidade. Portanto, o atendimento do
classificação de risco tem por objetivo paciente baseia-se na classificação de risco
reduzir o tempo de espera do paciente por e não na ordem de chegada ao serviço de
atendimento médico, visando à aceleração saúde.
do diagnóstico, tratamento e internação, Para a classificação de risco do paciente
quando for o caso, e contribuindo para a com suspeita de dengue, utilizaram-se os
organização do fluxo de pacientes na critérios da Política Nacional de
unidade de saúde e a priorização do Humanização e o estadiamento da doença.
atendimento dos casos de acordo com a Com base nessas informações, a
gravidade. classificação de risco poderá ser realizada
A organização da rede de serviços de por enfermeiro ou médico, que, de posse do
saúde é condição para o enfrentamento de protocolo técnico, irá identificar os
uma epidemia de dengue. O pacientes que necessitam de tratamento
estabelecimento de protocolos clínicos, imediato, considerando o potencial de risco,
sistema de referência e contrarreferência, o grau de sofrimento e o agravo à saúde. O
com base na classificação de risco, torna profissional deverá avaliar, orientar,
possível o atendimento oportuno e de encaminhar, coletar e registrar dados da
qualidade ao doente e é condição para evitar forma mais detalhada possível no protocolo
a ocorrência de óbitos. A porta de entrada técnico. Esse dado subsidiará o médico
preferencial para atendimento da pessoa quanto ao diagnóstico, estadiamento e
48
Conhecimentos Específicos
tratamento do paciente com suspeita de Grupo A – azul. Esses pacientes necessitam
dengue. de atendimento em Unidades de Atenção
Alguns estados e municípios utilizam Primária em Saúde.
outros critérios para classificação de risco,
que podem ser mantidos e respeitados,
desde que tenham fundamentação técnica.
Ressaltamos aqui a importância da
implantação da classificação de risco como
forma de auxiliar a organização dos
serviços, agilizando o atendimento e
evitando mortes.
• Orientar tratamento em domicílio.
• Prescrever hidratação via oral de
forma sistemática.
• Prescrever analgésicos e
antitérmicos, se necessário, alertando o
Classificação de risco – grupo de paciente para o risco da automedicação.
estadiamento • É contraindicado o uso de salicilatos
Todas as pessoas com suspeita de e anti-inflamatórios não hormonais
dengue devem receber o primeiro (ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida, entre
atendimento na unidade que procurarem. outros).
Após a avaliação e conduta inicial, mesmo • Orientar o paciente quanto à
que o paciente seja encaminhado para necessidade de repouso.
outros serviços de saúde, deve-se garantir o • Orientar o paciente e/ou seus
suporte de vida adequado para familiares/cuidadores sobre os sinais de
encaminhamento e prestar orientações alarme, especialmente no primeiro dia do
quanto à rede assistencial. O seguimento desaparecimento da febre, e orientar sobre
deverá ser realizado conforme as o que fazer frente ao surgimento dos
orientações abaixo: mesmos.
• Após consulta e avaliação clínica,
Azul – Grupo A informar ao paciente que ele poderá realizar
De acordo com a classificação de risco, o tratamento no domicílio, porém orientado
os pacientes com os sinais e sintomas a retornar à unidade de saúde identificada
clássicos da dengue são classificados como no Cartão de Acompanhamento do Paciente
49
Conhecimentos Específicos
com Suspeita de Dengue (Anexo I), se
possível diariamente ou ao menos no
primeiro dia do desaparecimento da febre
ou em caso de surgimento de sinais de
alarme.
• Organizar no serviço um fluxo
diferenciado para agilizar as consultas de
retorno.
• Orientar sobre a limpeza domiciliar
de criadouros de A. aegypti.
• Preencher a ficha de notificação
individual dos casos.
• Providenciar visita domiciliar dos
ACS, para acompanhamento dos pacientes
e seus familiares, em sua microárea de
abrangência.
Medicamentos indicados para
tratamento no domicílio
Soro de hidratação oral
Oferecido de maneira sistemática,
conforme descrito abaixo.
• Hidratação oral ou venosa
supervisionada.
• O paciente com manifestações
hemorrágicas espontâneas ou induzidas
deve ficar em unidade com leito de
observação por, no mínimo, 12 horas, com
esquema de hidratação oral ou venosa
supervisionado pela equipe de enfermagem
e avaliação médica.
• A unidade deve ser dotada de
condições para realização do hemograma
completo, com liberação de resultado em
tempo hábil (no mesmo dia), para avaliação
e manejo clínico adequado e precoce.
• Na impossibilidade de realizar o
hemograma na unidade de saúde, as
amostras coletadas nessas unidades devem
ser enviadas para unidade que disponha
desse serviço, com prioridade de realização
do exame ou estratégia que garanta sua
realização e retorno dos resultados para a
unidade de origem no mesmo dia.
• Após hidratação supervisionada e
avaliação médica, o paciente poderá
realizar o tratamento no domicílio e deve
50
Conhecimentos Específicos
ser orientado para retornar diariamente à
unidade de saúde identificada no Cartão de
Acompanhamento do Paciente com
Suspeita de Dengue ou em caso de
surgimento de sinais de alarme (observar os
Anexos II, III e IV).
• Providenciar visita domiciliar do
ACS, para acompanhamento dos pacientes
e seus familiares, em sua microárea de
abrangência.
51
Conhecimentos Específicos
incluindo as ações de controle vetorial, é
fundamental para a redução da letalidade
por dengue.
Aspectos técnicos para estruturação de
uma unidade de saúde
• Definição dos tipos de atividades
que serão desenvolvidas na unidade.
• Profissionais qualificados e em
quantidade suficiente para atendimento das
atividades propostas.
• Impressos (fichas de notificação,
Cartão de Acompanhamento Ambulatorial
do Paciente Com Dengue e outros) e
materiais informativos, tanto para
profissionais quanto para usuários.
• Aquisição de insumos (móveis,
materiais, equipamentos e medicamentos),
estabelecendo base de cálculo para
aquisição de medicamentos em quantidade
de acordo com a demanda esperada, tanto
em período epidêmico quanto em não
epidêmico.
• Elaboração de normas,
procedimentos técnicos e administrativos
(protocolos e fluxos internos e externos)
para nortear rotinas de trabalho da unidade
de saúde.
• Garantir o atendimento médico e a
realização de exames de controle dos
pacientes agendados para retorno à unidade
estabelecida.
• Identificar e preparar unidades de
saúde para atendimento em regime de 24
horas que funcionarão durante a epidemia,
como, por exemplo, hospitais-dia e outras
unidades, em reforço às demais unidades
estabelecidas com este fim.
• Organizar a central de leitos e
garantir o transporte do paciente em
condições adequadas.
5.1.2. Organização dos serviços Atenção Primária em Saúde
de saúde A Atenção Primária, enquanto um
A rede de serviços de saúde deve ser conjunto de ações no âmbito individual e
organizada para garantir acesso de coletivo, abrange a promoção e a proteção
qualidade em todos os níveis de atenção, de da saúde, a prevenção de agravos, o
maneira a atender a comunidade, seja em diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a
período epidêmico ou em não epidêmico manutenção da saúde. É dirigida a
(ver Quadro 1). populações de territórios bem delimitados,
A organização da rede de serviços, pelas quais assume a responsabilidade
52
Conhecimentos Específicos
sanitária. Utiliza processos de elevada • No município que não dispõe de
complexidade e baixa densidade laboratório próprio e onde esse serviço é
tecnológica, que devem resolver os terceirizado, recomenda-se estabelecer em
problemas de saúde de maior frequência e edital de aquisição do serviço
relevância em seu território. especificações referentes à logística para
A Saúde da Família, estratégia coleta do material e prazos oportunos para
prioritária para a organização da atenção entrega dos resultados.
primária, tem como um de seus preceitos • Prover a unidade de saúde de
desenvolver relações de vínculo e equipamentos básicos, em condições de uso
responsabilização entre as equipes e a e aferidos periodicamente (bebedouros,
população de seu território de abrangência, esfigmomanômetros adulto e infantil,
garantindo a continuidade das ações de estetoscópio, termômetro, balança, suporte
saúde e a longitudinalidade do cuidado. para hidratação venosa, leito ou poltrona
Considerando a magnitude da dengue hoje para hidratação).
no nosso país, a atenção primária tem • Prover a unidade de saúde de jelco
importante papel a cumprir na prevenção, adulto e infantil, agulhas de vários calibres,
atenção e controle da doença. Constitui seringas, algodão, álcool, fita hipoalérgica,
porta de entrada preferencial do usuário ao luvas, máscaras, toucas, suporte para
sistema de saúde e tem situação hidratação, maca e outros materiais
privilegiada para efetividade das ações, por adequados ao elenco de ações propostas
estar próxima da comunidade em que atua. para funcionamento da unidade, de forma a
garantir a qualidade do atendimento e
resolutividade da Atenção Primária.
• Prover as unidades de saúde de
medicamentos básicos para atendimento do
paciente com suspeita de dengue, tais
como: sais para reidratação oral, dipirona,
• Garantir atendimento oportuno dos paracetamol, soro fisiológico a 0,9% e
pacientes com suspeita de dengue por Ringer Lactato.
profissionais capacitados para o • Adquirir medicamentos e materiais
Diagnóstico, Manejo Clínico e Assistência de consumo de acordo com a demanda e
ao Paciente com Dengue. garantir reserva estratégica para
• Utilizar os critérios de classificação atendimento de situações inusitadas.
de risco, para que, de forma dinâmica e • Implantar e/ou implementar
qualificada, o paciente com o potencial de Protocolo de Diagnóstico, Manejo Clínico
risco, tipo de agravo à saúde ou grau de e Assistência ao Paciente com DC e
sofrimento possa receber atendimento FHD/SCD, de acordo com orientação do
imediato. Ministério da Saúde (publicação disponível
• Garantir a coleta oportuna de no endereço eletrônico
exames específicos e inespecíficos, http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/p
conforme descrito nas orientações básicas df/manejo_clinico_dengue_3ed.pdf).
para o atendimento do caso suspeito de • Estabelecer o fluxo de
dengue e no Anexo II. encaminhamento do paciente na rede
• Garantir a agilidade na execução e municipal e estadual de saúde, garantindo,
liberação do resultado do hemograma junto à rede leitos de observação,
completo, de acordo com prazo internação, semi-intensivos e de terapia
estabelecido no protocolo de conduta do intensiva.
paciente com suspeita de dengue, pois esse • Disponibilizar roteiro para
exame orienta o diagnóstico e o manejo classificação de risco do paciente com
clínico do paciente. suspeita de dengue.
53
Conhecimentos Específicos
• Disponibilizar Cartão de preferencialmente referenciados pelas APS,
Acompanhamento do Paciente com são aqueles que apresentam algum tipo de
Suspeita de Dengue e prestar orientações manifestação hemorrágica, seja ela
sobre a doença, seu tratamento e sinais de espontânea ou provocada (prova do laço
alarme, para o paciente e seus familiares. positiva), ou paciente classificado no Grupo
• Promover capacitação dos Especial (crianças, gestantes, idosos,
profissionais de saúde para classificação de pacientes com comorbidade), necessitando
risco, diagnóstico, manejo clínico e de hidratação oral ou venosa, em unidade
assistência ao paciente com dengue, assim com leito de observação, supervisionada
como para os agentes comunitários de pela equipe de enfermagem e com
saúde, para a realização de ações de avaliação médica contínua. Esses pacientes
prevenção e controle junto à comunidade. devem permanecer na unidade por um
• Implantar ou implementar na período mínimo de 12 horas e, somente
unidade o serviço de notificações de casos após avaliação clínica e laboratorial,
suspeitos de dengue e estabelecer fluxo de poderão ser liberados ou, em caso de
informação diária para a vigilância agravamento, referenciados para unidade
epidemiológica, lembrando que as formas hospitalar com leito de internação.
graves são de notificação imediata.
• Otimizar os recursos disponíveis, • Garantir atendimento oportuno do
garantindo o atendimento nas unidades de paciente do Grupo B e do Grupo Especial,
saúde e reduzindo a demanda para as por profissionais generalistas e/ou
unidades hospitalares. especialistas capacitados para o
• Priorizar a visita domiciliar aos Diagnóstico, Manejo Clínico e Assistência
pacientes: ao Paciente com Dengue.
a) do grupo A que estejam em • A Unidade de Atenção Secundária
tratamento domiciliar, orientando os deve estar provida de recursos humanos
familiares sobre os sinais de alarme (dor com qualidade e quantidade suficiente para
abdominal, vômitos, tontura etc.) e/ou atendimento da demanda.
presença de sangramentos; • De acordo com os critérios de
b) do grupo B, orientando para a classificação de risco, priorizar
presença de sinais de alarme (dor atendimento médico e manter em
abdominal, vômitos, tontura etc.) e/ou observação os pacientes classificados no
reaparecimento de sangramentos; Grupo B e no Grupo Especial.
c) do grupos C e D, que já tiveram alta • Dispor de laboratório para
hospitalar, para verificar o cumprimento realização de exames inespecíficos e
das recomendações para a fase de garantir a coleta e envio do material
convalescência (ver componente biológico para realização dos exames
Assistência). específicos (sorologia e isolamento viral),
observando os critérios técnicos
Atenção Secundária necessários, conforme orientações descritas
As unidades de Atenção Secundária em nas orientações básicas para o atendimento
Saúde (unidades de pronto atendimento, do paciente suspeito de dengue e no Anexo
unidades de urgência e emergência, pronto- II.
socorro, ambulatórios especializados ou • Garantir a agilidade na execução e
hospitais de pequeno porte) devem estar liberação do resultado do hemograma
preparadas (ou seja, organizadas) para completo e da dosagem de albumina, em
atendimento dos pacientes classificados no tempo hábil para avaliação e manejo clínico
Grupo B e no Grupo Especial do adequado.
estadiamento clínico da dengue. • Na impossibilidade de realizar o
Esses grupos de pacientes, hemograma na unidade de saúde, as
54
Conhecimentos Específicos
amostras coletadas nessas unidades devem • Atender às demandas do fluxo de
ser enviadas para unidade que disponha encaminhamento do paciente na rede de
desse serviço, com prioridade de realização saúde e garantir, junto à rede hospitalar,
do exame ou estratégia que garanta sua leitos de internação, semi-intensivos e de
realização e retorno dos resultados para a terapia intensiva, garantindo que após alta
unidade de origem no mesmo dia. retorne à Unidade de Atenção Primária em
• Garantir a realização de exames de Saúde de sua referência, para
ultrassom e Raios-X na unidade hospitalar, acompanhamento.
para pesquisa de derrames cavitários, • Disponibilizar aos profissionais de
atentando para as limitações de alguns saúde roteiro para classificação de risco.
pacientes do Grupo Especial. • Disponibilizar Cartão de
• Prover a unidade de saúde de Acompanhamento do Paciente com
equipamentos básicos, em condições de uso Suspeita de Dengue e prestar orientações
e aferidos periodicamente sobre o tratamento e sinais de alarme para o
(esfigmomanômetros adulto e infantil, paciente e seus familiares.
estetoscópio, termômetro, balança, entre • Implantar ou implementar na
outros), de acordo com a complexidade de unidade de saúde, serviço de notificações
serviços estabelecidos na Unidade de de casos suspeitos de dengue e estabelecer
Atenção Secundária em Saúde. fluxo de informação diária para a vigilância
• A Unidade de Atenção Secundária epidemiológica, lembrando que as formas
em Saúde deve estar provida de jelco adulto graves são de notificação imediata.
e infantil, agulhas de vários calibres, • Promover capacitação dos
seringas, algodão, álcool, fita hipoalérgica, profissionais de saúde para o diagnóstico,
luvas, máscaras, toucas, suporte para manejo clínico e assistência ao paciente
hidratação, maca e outros materiais com dengue.
adequados ao elenco e complexidade das • Garantir a resolutividade do
ações propostas para funcionamento da atendimento do paciente do Grupo B e do
unidade, de forma a garantir a qualidade do Grupo Especial, de modo a reduzir a
atendimento e resolutividade na Atenção demanda para as unidades hospitalares com
Secundária em Saúde. leito de internação, referenciando para
• A Unidade de Atenção Secundária essas unidades apenas os pacientes que
em Saúde deve estar provida, no mínimo, necessitem deste tipo de atendimento
dos medicamentos básicos para (Grupos C e D).
atendimento do paciente com suspeita de
dengue, tais como sais para reidratação Atenção Terciária
oral, dipirona, paracetamol, soro fisiológico Pacientes dos Grupos C e D ou que
a 0,9%, Ringer Lactato e soro glicosado a apresentem fatores de risco para FHD/SCD
5% (de acordo com o guia Dengue – (história de dengue anterior, virulência da
Diagnóstico e Manejo Clínico – Adulto e cepa, doenças crônicas, características
Criança, do Ministério da Saúde). individuais desconhecidas ou pertencentes
• Adquirir medicamentos e materiais ao Grupo Especial), com presença de sinais
de consumo de acordo com a demanda e de alarme clínicos e laboratoriais,
garantir reserva estratégica para necessitam de atendimento imediato em
atendimento de situações inusitadas. unidade terciária/hospitalar.
• Implantar e/ou implementar • Garantir atendimento oportuno do
Protocolo de Diagnóstico, Manejo Clínico paciente dos Grupos C e D por profissionais
e de Assistência ao Paciente com DC e especialistas, capacitados para o
FHD/SCD, de acordo com orientação do Diagnóstico, Manejo Clínico e Assistência
Ministério da Saúde. ao Paciente com Dengue.
55
Conhecimentos Específicos
• Prover a Unidade de Atenção Protocolo de Assistência ao Paciente com
Terciária em Saúde de profissionais em DC e FHD/SCD, de acordo com orientação
número suficiente para atendimento da do Ministério da Saúde.
demanda. • Garantir o fluxo de
• Priorizar atendimento imediato em encaminhamento do paciente, com reserva
sala de emergência e leito de internação, de de leitos de internação, semi-intensivos e de
acordo com a classificação de risco. terapia intensiva.
• Disponibilizar aos profissionais de
• Dispor de laboratório para saúde roteiro para classificação de risco.
realização de exames inespecíficos e • Disponibilizar Cartão de
garantir a coleta e envio do material Acompanhamento do Paciente com
biológico para realização dos exames Suspeita de Dengue e prestar orientações
específicos (sorologia e isolamento viral), sobre o tratamento e sinais de alarme ao
observando os critérios técnicos paciente e a seus familiares.
necessários, conforme as orientações • Implantar ou implementar, na
básicas para o atendimento do paciente unidade de saúde, o serviço de notificações
suspeito de dengue e o Anexo II. de casos suspeitos de dengue e estabelecer
fluxo de informação diária para a vigilância
• Garantir a agilidade na execução e epidemiológica, lembrando que as formas
liberação dos exames, em especial do graves são de notificação imediata.
hemograma completo, em tempo hábil para • Promover capacitação para o
avaliação e manejo clínico adequado. diagnóstico, manejo clínico e assistência ao
• Garantir a realização de exames de paciente com dengue para as equipes de
ultrassonografia e Raios-X nas Unidades de profissionais do estabelecimento de saúde.
Atenção Primária em Saúde, Secundárias • Garantir a resolutividade do
ou Terciárias, para pesquisa de derrames atendimento dos pacientes dos Grupos C e
cavitários. D, de modo a promover o pronto
restabelecimento dos mesmos,
• Prover a unidade hospitalar de contribuindo para a redução da taxa de
equipamentos básicos e especializados, em letalidade por dengue no Brasil.
condições de uso e aferidos
periodicamente. 5.1.3. Medidas estratégicas na
• Prover a unidade hospitalar de assistência para enfrentamento de uma
materiais básicos e outros, para realização epidemia
de procedimentos especializados, A assistência do paciente suspeito de
adequados ao elenco de ações propostas dengue está inserida em um conjunto de
para o funcionamento da unidade, de forma medidas organizativas e de capacitação,
que deve ser aplicado em cada unidade de
a garantir a qualidade do atendimento e saúde e se resume nas seguintes ações
resolutividade da atenção terciária. estratégicas:
• Prover a unidade hospitalar de • capacitar, de forma continuada,
medicamentos básicos para atendimento do todos os profissionais envolvidos no
paciente com suspeita de dengue, tais como atendimento das pessoas com dengue;
sais para reidratação oral, dipirona, • criar um grupo de apoio formado
paracetamol, soro fisiológico a 0,9%, por médicos habilitados para emitir
Ringer Lactato e outros específicos, de orientações metodológicas, avaliando e
acordo com o procedimento realizado e discutindo as formas graves, funcionando
com o quadro clínico apresentado pelo como referência, assegurando dessa
paciente. maneira, a qualidade da assistência médica
• Adquirir medicamentos e materiais e evitando os óbitos;
de consumo de acordo com a demanda e • treinar profissionais de saúde
garantir reserva estratégica para (médico e/ou enfermeiro) para atuar em
atendimento de situações inusitadas. cada unidade de serviço, com a finalidade
• Implantar e/ou implementar de identificar precocemente sinais de
56
Conhecimentos Específicos
alarmes nos pacientes que se encontram nas
filas, acolhimento e sala de espera. Estes
profissionais devem ser orientados a tomar
medidas para viabilizar o imediato
atendimento deste paciente;
• todas as formas graves (FHD/SCD e
DCC) devem ser notificadas
imediatamente;
• ampliar o número de leitos nas
unidades de saúde ou outros locais que
comportem leitos de observação por 24
horas, de acordo com as necessidades;
• mobilizar nas ações previstas no
plano os representantes das categorias
profissionais/entidades de classe (CRM,
Cofen etc.);
• nos serviços que atuam como
campo de estágio acadêmico, qualificar os
estagiários para as ações de controle de
dengue, especialmente a identificação dos
sinais precoces de agravamento nos
pacientes; e
• adotar protocolo único de manejo
clínico para ser utilizado em todas as
unidades de saúde (primária, secundária e
terciária) com base no manual Dengue:
diagnóstico e manejo clínico adulto e
criança; disponível na página eletrônica da
Secretaria de Vigilância em Saúde
(www.saude.gov. br/svs), no link para
publicações ou no item Dengue do
Glossário de Doenças.
5.2. Vigilância epidemiológica
5.2.1. Notificação dos casos
A dengue é uma doença viral aguda e de
rápida disseminação. A notificação
oportuna dos casos é medida essencial para
que a vigilância seja capaz de acompanhar
o padrão de transmissão da doença na área
e a curva endêmica. É um agravo de
notificação compulsória (Portaria GM/MS
57
Conhecimentos Específicos
nº 5 de 21 de fevereiro de 2006) e, portanto, repassar, diariamente, o número de casos
todos os casos suspeitos (sendo ou não suspeitos ao setor de controle de vetores.
confirmados) devem ser obrigatoriamente, O Sinan, bem como outros sistemas de
notificados à Vigilância Epidemiológica do informação importantes para a vigilância da
município. dengue encontram-se descritos no Anexo
As unidades de saúde são as principais V.
fontes de detecção dos casos suspeitos de
dengue e, também, fontes de dados para os 5.2.3. Fluxo de informação
serviços de vigilância. A unidade de saúde preenche as FIN e
A rápida coleta de informações nas FII e encaminha ao serviço de vigilância
unidades de saúde e a qualidade destes epidemiológica distrital e/ou municipal. Em
dados são essenciais para o período de epidemias, quando a unidade de
desencadeamento oportuno de ações de saúde não utilizar o aplicativo Sinan net e
controle e prevenção no nível local. Dessa ter acesso à internet, ou não dispuser de
forma, é fundamental a boa comunicação recolhimento diário das fichas, ou o número
entre as equipes destas unidades e a de casos ultrapassar a capacidade de
vigilância epidemiológica e entomológica. digitação, o número de casos suspeitos na
semana epidemiológica correspondente
5.2.2. Formulários para deve ser informado por meios de
notificação comunicação rápida (via telefone, fax, e-
São utilizados os instrumentos de coleta mail etc.), de maneira a informar
de dados do Sistema de Informação de oportunamente à vigilância epidemiológica
Agravos de Notificação (Sinan): da SMS. Ressalta-se que todos os casos
a) Ficha Individual de Notificação devem ser incluídos no Sinan o mais breve
(FIN) – onde constam dados básicos possível. Essa mesma estratégia pode ser
(pessoa, tempo e lugar) sobre o paciente adotada para repasse de informações para
b) Ficha Individual de Investigação os níveis estadual e nacional. Os casos
(FII) – além dos dados da notificação, graves devem ser informados
possui dados completos sobre a doença, tais imediatamente a esfera subsequente.
como local provável de infecção, exames
laboratoriais, evolução do caso, Notificação Sinan WEB (on line)
classificação final, manifestações clínicas Com o objetivo de agilizar o fluxo de
dos casos graves entre outros dados. dados das notificações registrados no Sinan
As notificações preenchidas nas e visando garantir oportunidade do
unidades de saúde ou resultantes da busca monitoramento e avaliação da situação
ativa da Vigilância Epidemiológica epidemiológica da dengue
municipal devem ser digitadas no Sistema simultaneamente pelas três esferas de
de Informação de Agravos de Notificação governo, o Ministério da Saúde está
(Sinan) e transmitidas para a Vigilância desenvolvendo um novo aplicativo do
Epidemiológica Estadual e, desta, para o Sinan, que possibilitará aos municípios que
Ministério da Saúde (figura 8). As fichas de tiverem acesso à internet, o registro
notificação e investigação são numeradas e imediato dos casos suspeitos de dengue.
distribuídas pela SES e/ou SMS. Estão • Será utilizada a Ficha de
também disponíveis no endereço Notificação (FIN), considerando a
eletrônico: www.saude.gov.br/sinanweb numeração utilizada no estado, e de
(opção “Documentação”, a seguir “Sinan Investigação Individual (FII) do Sinan,
net”, “Fichas”, opção “Dengue”), mas deve disponíveis nos endereços:
ser utilizada a numeração distribuída pela www.saude.gov.br/sinanweb ou
SES e/ou SMS. Após analisar os dados, a www.saude.gov.br/svs, atentando-se para a
vigilância epidemiológica municipal deve completitude dos campos e a consistência
58
Conhecimentos Específicos
entre os dados, além do encerramento Definição de caso e obtenção de dados
oportuno. clínicos e epidemiológicos
• Serão disponibilizados, via web, A vigilância da dengue utiliza as
relatórios, gráficos e mapas gerados com definições de caso suspeito de dengue e
dados da base única registrada online que suspeito de febre hemorrágica da dengue.
poderão ser acessados pelos usuários Quanto ao encerramento dos casos, a ficha
cadastrados. Portanto, não será necessário o do Sinan possibilita a classificação final do
envio da base de dados dos Estados para os caso como dengue clássico (DC), dengue
coordenadores de vigilância estadual, pois com complicações (DCC), febre
os usuários cadastrados poderão analisar os hemorrágica da dengue (FHD), síndrome
dados diretamente da base nacional. do choque da dengue (SCD) ou descartado,
• Os usuários cadastrados terão conforme critérios clínicos/epidemiológico
acesso também à base de dados (em ou laboratorial (Anexo VI).
formato DBF) para efetuar outras análises • Casos de Dengue Clássico: Em
utilizando softwares de análise como período não epidêmico, além da
TabWin, EpiInfo, etc. notificação, deve ser preenchida a ficha de
investigação, especialmente todos os
campos relativos aos exames laboratoriais e
conclusão do caso. Durante a ocorrência de
epidemias, o município, em acordo com a
SES, tem a opção de apenas realizar a
notificação dos casos.
• Casos de dengue com complicações
e FHD/SCD SEMPRE (períodos não
epidêmicos e epidêmicos) preencher a ficha
de investigação, com especial atenção para
os campos referentes aos exames
laboratoriais e conclusão do caso. Consultar
o prontuário dos casos e o médico assistente
5.2.4. Retroalimentação dos para completar os dados sobre exames
dados inespecíficos realizados (principalmente
A retroalimentação sistemática de plaquetas e sinais de extravasamento
informações é importante para todas as plasmático). Verificar e anotar se foi
esferas de governo, em especial para o nível realizada a prova do laço e qual foi o
local. Consiste na informação do número resultado, bem como outras manifestações
total de casos residentes na região, da faixa hemorrágicas.
etária, da positividade de sorologias, dos • Busca ativa de casos graves: deve
óbitos e do índice de infestação predial da ser realizada busca ativa de casos suspeitos
área, dentre outras informações. de FHD nas unidades de saúde. Alertar os
Esses dados, desde que atualizados serviços de emergência para a possibilidade
constantemente, darão aos profissionais de de FHD e solicitar a notificação imediata
saúde subsídios para suspeitar de dengue dos casos suspeitos ao serviço de vigilância.
precocemente, possibilitando aos gestores Este alerta facilita a busca ativa e a
uma melhor organização dos serviços e, mensuração da magnitude da ocorrência de
desta maneira, evitar que o caso evolua para casos graves.
o óbito.
5.2.5. Ações da vigilância
epidemiológica – Período não epidêmico
O objetivo da vigilância é detectar
precocemente a circulação viral,
59
Conhecimentos Específicos
aglomerados de casos e focos do vetor distrito sanitário ou por unidade notificante,
(vigilância entomológica), debelá-los em por semana epidemiológica de início de
tempo hábil, fazer a investigação de casos sintomas. O objetivo é elaborar um gráfico
suspeitos de acordo com as rotinas de linha (curva endêmica) ou diagrama de
preconizadas e adotar as medidas de controle, onde é possível visualizar a
prevenção e controle. As seguintes tendência de aumento dos casos acima do
atividades devem ser desenvolvidas nesse esperado (Anexo VIII).
período:
• Notificar TODO caso suspeito e Atribuições da vigilância
enviar informação conforme fluxo do Sinan epidemiológica e fluxo de informação
estabelecido pelas SMS e SES. A unidade de saúde deve preencher as
• Enviar imediatamente o número de FIN e FII, encaminhá-las ao serviço de
casos suspeitos para a vigilância vigilância epidemiológica distrital e/ou
entomológica da SMS. municipal.
• Coletar material para sorologia a
partir do sexto dia após o início dos Vigilância epidemiológica municipal
sintomas e encaminhar ao laboratório de • Receber as FIN e FII de todos os
referência (ver Anexo VII, sobre exames casos suspeitos notificados pelas unidades
laboratoriais). de saúde.
• Realizar monitoramento viral, • Incluir todos os casos suspeitos no
conforme rotina estabelecida pela Sinan.
vigilância epidemiológica • Investigar TODOS os casos
municipal/estadual e pelo Lacen. O notificados. Recomenda-se que a própria
monitoramento do(s) sorotipo(s) unidade de saúde realize a investigação e
circulante(s) neste período permite verificar encaminhe as informações para a vigilância
o potencial de magnitude de uma possível epidemiológica.
epidemia. A circulação de um novo • Acompanhar a curva dos casos, a
sorotipo ou a recirculação de um sorotipo tendência e o perfil da doença, no âmbito do
na área, após longo período sem a sua município, desagregando as informações
ocorrência (com a formação de uma epidemiológicas por bairro.
população susceptível), pode ser o alerta • Comunicar imediatamente a
para a ocorrência de uma epidemia de vigilância entomológica para providências
grande magnitude. de controle vetorial.
• Investigar o caso para detectar o • Preencher a ficha de investigação de
local provável de infecção; no caso de dengue, encerrar o caso oportunamente (até
suspeita de ser do próprio município, 60 dias após a data de notificação).
solicitar à equipe de controle vetorial • Investigar todos os óbitos suspeitos
pesquisa de Aedes aegypti na área; de dengue, usando o protocolo de
• Encerrar oportunamente a investigação de óbitos (Anexo IX).
investigação dos casos notificados (até 60 • Avaliar a consistência dos casos de
dias após a data de notificação); FHD/SCD e DCC registrados no Sinan
• Investigar imediatamente os óbitos quanto aos critérios de classificação final e
suspeitos para a confirmação do mesmo e encerramento.
identificação e correção dos seus fatores • Consolidar os dados municipais e
determinantes; produzir boletins mensais disponibilizando
• Analisar semanalmente os dados, informações para as unidades de saúde e o
acompanhando a tendência dos casos e público.
verificando as variações entre as semanas • Enviar os dados à SES, conforme
epidemiológicas. Recomenda-se fazer periodicidade e fluxo estabelecidos em
análise do número de casos por bairro, por normas operacionais do Sinan.
60
Conhecimentos Específicos
• Capacitar em vigilância Ministério da Saúde
epidemiológica as equipes das unidades de • Verificar se os dados do Sinan estão
saúde. sendo atualizados semanalmente.
• Avaliar a consistência dos casos de
Vigilância epidemiológica estadual FHD/SCD e DCC registrados no Sinan
• Verificar se os dados dos quanto aos critérios de definição de caso e
municípios estão sendo atualizados encerramento.
semanalmente. • Acompanhar a curva dos casos, a
• Acompanhar a curva dos casos, a tendência e o perfil da doença, em todas as
tendência e o perfil da doença, em todos os unidades federadas, consolidando os dados
municípios do estado. nacionais e produzindo boletins mensais
• Divulgar as diretrizes técnicas de que devem ser disponibilizados as SES e a
orientação aos municípios sobre notificação seguir publicados na página eletrônica do
e investigação de casos, investigação de Ministério da Saúde na internet.
óbitos, coleta de amostras para sorologia e • Acompanhar o funcionamento das
isolamento viral. unidades sentinela para isolamento viral
• Estabelecer com o Lacen a rotina que utilizam kit NS1 como triagem.
para coleta de amostras para • Fornecer, de forma sustentável, os
monitoramento da circulação viral. insumos para a rede laboratorial (sorologia
• Realizar o controle de qualidade dos e isolamento viral), por meio da
exames sorológicos realizados por Coordenação Geral de Laboratórios-
laboratórios descentralizados (Portaria CGLAB.
Ministerial 2.031de 23 de setembro de • Consolidar os dados de isolamento
2004). viral por Estado.
• Realizar, por intermédio do Lacen, • Elaborar e divulgar as diretrizes
exames sorológicos, de acordo com as técnicas de orientação aos estados sobre
normas definidas, quando não for possível notificação e investigação de casos,
ou indicado a realização dos testes de forma investigação de óbitos, coleta de amostras
descentralizada. para sorologia e isolamento viral.
• Apoiar a investigação de casos • Prestar assessoria técnica as
graves e óbitos. secretarias estaduais e municipais de saúde.
• Avaliar a consistência dos casos de • Apoiar a organização de
FHD/SCD e DCC registrados no Sinan capacitações para equipes de vigilância
quanto aos critérios de definição de caso e epidemiológica municipal e estadual.
encerramento. • Desenvolver e Disponibilizar o
• Prestar assessoria técnica às aplicativo Sinan-web para digitação das
Secretarias Municipais de Saúde. notificações/investigações on-line.
• Capacitar as equipes de vigilância
epidemiológica municipal. 5.2.6. Ações da vigilância
• Enviar os dados ao Ministério da epidemiológica – Período epidêmico
Saúde, conforme periodicidade e fluxo O objetivo da vigilância epidemiológica
estabelecido em normas operacionais do é acompanhar a curva epidêmica,
Sinan. identificar áreas de maior ocorrência de
• Consolidar os dados do estado e casos e grupos mais acometidos, visando,
produzir boletins mensais disponibilizando dessa forma, instrumentalizar a vigilância
informações para os municípios e o público entomológica no combate ao vetor, a
em geral. assistência para identificação precoce dos
casos e a publicização de informações sobre
a epidemia para a consequente mobilização
social.
61
Conhecimentos Específicos
Verifica-se uma situação de risco de manifestação clínica não usual. Especial
epidemia e/ou epidemia quando há um atenção deve ser dada para os campos
aumento constante de casos notificados no referentes aos exames laboratoriais e
município e esta situação pode ser conclusão dos casos. Consultar o prontuário
visualizado por meio da curva endêmica, dos casos e o médico assistente para
diagrama de controle e outras medidas completar as informações sobre exames
estatísticas. inespecíficos realizados (principalmente
Esse documento propõe o plaquetas e sinais de extravasamento
monitoramento dos indicadores plasmático). Verificar e anotar se foi
epidemiológicos, entomológicos e realizada a prova do laço e qual foi o
operacionais de dengue em locais que resultado. A investigação deve ser feita
apresentam vulnerabilidade para ocorrência imediatamente após a notificação,
da doença. Recomenda-se o período de preferencialmente ainda durante a
outubro a maio para intensificação deste internação.
monitoramento, pois de maneira geral no • Investigar imediatamente os óbitos
país, corresponde ao intervalo da suspeitos utilizando o protocolo de
sazonalidade de transmissão da doença. investigação para a identificação e correção
Nos municípios e unidades federadas dos fatores determinantes.
que já implantaram o Centro de • Realizar busca ativa de casos graves
Informações Estratégicas e Resposta em nos serviços de saúde, não devendo
Vigilância em Saúde (Cievs), esses aguardar a notificação passiva de novos
indicadores deverão ser acompanhados casos.
pelo Comitê Cievs, em conjunto com as • Repassar, da forma mais ágil
áreas envolvidas. Nos demais municípios, possível, os casos estratificados por local de
as áreas envolvidas devem se reunir residência ou de infecção para subsidiar o
semanalmente, para avaliar em conjunto os direcionamento das atividades de controle
dados que estão sob sua responsabilidade, de vetor nas áreas de maior ocorrência de
com o objetivo de subsidiar a definição de casos.
estratégias e a tomada de decisão dos • Reorganizar o fluxo de informação,
gestores. para garantir o acompanhamento da curva
A seguir, as atividades que devem ser epidêmica; analisar a distribuição espacial
desenvolvidas nesse período: dos casos para orientar as medidas de
controle; acompanhar os indicadores
Vigilância epidemiológica municipal epidemiológicos (incidência, índices de
• Receber das unidades notificadoras mortalidade e letalidade) para conhecer a
as FIN de todos os casos suspeitos, magnitude da epidemia e a qualidade da
incluindo-as imediatamente no Sinan. Nos assistência médica.
períodos epidêmicos, deve ser preenchida • Encerrar TODOS os casos de FHD
apenas a FIN, exceto para os casos por critério laboratorial (exame específico),
suspeitos de FHD/SCD e DCC. preenchendo também os critérios clínico-
• Realizar transferência de dados para laboratoriais estabelecidos na definição de
a SES, conforme periodicidade e fluxo caso de FHD.
definidos em normas operacionais do • Encerrar o caso oportunamente (até
Sinan, recomendando a transferência diária 60 dias após a data de notificação).
dos dados da notificação pelos municípios • Inserir o acompanhamento da
que utilizam o Sisnet. situação epidemiológica de dengue nas
• Investigar, preenchendo a Ficha de atribuições do Cievs, onde o centro estiver
Investigação (FII), os casos suspeitos de implantado. Nos demais municípios, as
FHD/SCD, DCC, óbitos, gestantes, áreas envolvidas devem se reunir
menores de 15 anos e casos com semanalmente, para avaliar em conjunto os
62
Conhecimentos Específicos
dados que estão sob sua responsabilidade e • Reorganizar o fluxo de informação,
elaborar estratégias de ação e medidas de para garantir o acompanhamento da curva
controle em tempo oportuno. No Anexo X epidêmica; analisar a distribuição espacial
encontram-se sugestões de indicadores para dos casos para orientar as medidas de
monitoramento da dengue em locais que controle; acompanhar os indicadores
apresentam vulnerabilidade para a doença. epidemiológicos (incidência, índices de
• Realizar sorologia: mortalidade e letalidade) para conhecer a
a) suspeita de dengue clássica – magnitude da epidemia e a qualidade da
recomenda-se coleta de forma amostral (um assistência médica.
a cada 10 pacientes). • Inserir o acompanhamento da
b) Casos graves (DCC/FHD/SCD) – situação epidemiológica de dengue nas
coleta obrigatória em 100% dos casos. atribuições do Cievs, onde o centro estiver
• Manter a rotina de monitoramento implantado. Nos demais estados, as áreas
viral estabelecida pela vigilância envolvidas devem se reunir semanalmente,
epidemiológica estadual/Lacen, não há para avaliar em conjunto os dados que estão
necessidade de aumentar o número de sob sua responsabilidade e elaborar
amostras coletadas em períodos estratégias de ação e medidas de controle
epidêmicos. em tempo oportuno (Anexo X).
• Atuar de forma integrada com • Confeccionar informe
outras áreas da SMS, antecipando epidemiológico estadual semanalmente.
informações para a adoção de medidas
oportunas (preparação da rede pelas Ministério da Saúde
equipes de assistência, elaboração de • Verificar se os dados do Sinan estão
materiais de comunicação e mobilização chegando oportunamente.
pelas assessorias de comunicação social, • Elaborar e divulgar as diretrizes
controle de vetores etc). técnicas de orientação aos municípios sobre
• Avaliar a consistência dos casos de notificação e investigação de casos,
FHD/SCD e DCC registrados no Sinan investigação de óbitos, coleta de amostras
quanto aos critérios de classificação final e para sorologia e isolamento viral.
encerramento. • Acompanhar o funcionamento das
• Confeccionar informe Unidades Sentinela para isolamento viral
epidemiológico municipal semanalmente. que utilizam kit NS1 como triagem.
• Fornecer, de forma sustentável, os
Vigilância epidemiológica estadual insumos para a rede laboratorial (sorologia
• Verificar se os dados do município e isolamento viral).
estão sendo enviados oportunamente. • Consolidar os dados de isolamento
• Acompanhar a curva dos casos, a viral por estado.
tendência e o perfil da doença, em todos os • Prestar assessoria técnica às
municípios do estado, consolidando os Secretarias Municipais e Estaduais de
dados do seu estado e produzindo boletins Saúde.
periódicos, que devem ser disponibilizados • Consolidar os dados nacionais e
às SMS. produzir boletins semanais ou notas
• Apoiar os municípios, quando técnicas específicas para as áreas em
necessário, na investigação de casos graves epidemia no país, e disponibilizar estes
e óbitos. conteúdos na página eletrônica do
• Avaliar a consistência dos casos de Ministério da Saúde.
FHD/SCD e DCC registrados no Sinan • Avaliar a consistência dos casos de
quanto aos critérios de classificação final e FHD/SCD e DCC registrados no Sinan
encerramento. quanto aos critérios de classificação final e
encerramento.
63
Conhecimentos Específicos
• Apoiar a estruturação do Cievs nas de Saúde (ACS) e pelos Agentes de
UF e municípios das capitais, para Controle de Endemias (ACE).
monitoramento da situação epidemiológica Na divisão do trabalho entre os
da dengue no país. diferentes agentes, o gestor local deve
• Desenvolver e Disponibilizar o definir claramente o papel e a
aplicativo Sinan-web para digitação das responsabilidade de cada um e, de acordo
informações on-line. com a realidade local, estabelecer os fluxos
de trabalho. O ACS pode e deve vistoriar
5.3. Controle vetorial sistematicamente os domicílios e
O controle da dengue na atualidade é peridomicílios para controle da dengue e,
uma atividade complexa, tendo em vista os caso identifique criadouros de difícil
diversos fatores externos ao setor saúde, acesso, ou se necessite da utilização de
que são importantes determinantes na larvicida, deve acionar um ACE de sua
manutenção e dispersão tanto da doença referência. Mais informações sobre o
quanto de seu vetor transmissor. Dentre trabalho dos ACS e ACE estão nas páginas
esses fatores, destacam-se o surgimento de 57 a 59.
aglomerados urbanos, inadequadas As atividades voltadas ao controle
condições de habitação, irregularidade no vetorial são consideradas de caráter
abastecimento de água, destinação universal e podem ser caracterizadas sob
imprópria de resíduos, o crescente trânsito dois enfoques: as ações de rotina e as de
de pessoas e cargas entre países e as emergência.
mudanças climáticas provocadas pelo
aquecimento global. 5.3.1. Diretrizes básicas para o
Tendo em vista esses aspectos, é controle vetorial
fundamental, para o efetivo enfrentamento Os mosquitos do gênero Aedes são os
da dengue, a implementação de uma vetores da dengue. A espécie Aedes aegypti
política baseada na intersetorialidade, de é a mais importante na transmissão da
forma a envolver e responsabilizar os doença. O Aedes albopictus, já presente nas
gestores e a sociedade. Tal entendimento Américas e com ampla dispersão nas
reforça o fundamento de que o controle regiões Sudeste e Sul do Brasil, é o vetor de
vetorial é uma ação de responsabilidade manutenção da dengue na Ásia, mas até o
coletiva e que não se restringe apenas ao momento não foi associado à transmissão
setor saúde e seus profissionais. da dengue nas Américas.
Para alcançar a sustentabilidade Estratificação dos municípios
definitiva nas ações de controle, é Os municípios são categorizados em
imprescindível a criação de um grupo dois estratos, em função da presença ou não
executivo intersetorial, que deverá contar do vetor Aedes aegypti ou Aedes
com o envolvimento dos setores de albopictus.
planejamento, de abastecimento de água e • Estrato I – municípios infestados,
de coleta de resíduos sólidos, que darão aqueles com disseminação e manutenção do
suporte ao controle da dengue promovido vetor nos domicílios.
pelo setor saúde. • Estrato II municípios não
No âmbito do setor saúde, é necessário infestados, aqueles em que não foi
buscar a articulação sistemática da detectada a presença disseminada do vetor
vigilância epidemiológica e entomológica nos domicílios ou, nos municípios
com a atenção básica, integrando suas anteriormente infestados, que
atividades de maneira a potencializar o permanecerem 12 meses consecutivos sem
trabalho e evitar a duplicidade das ações, a presença do vetor, de acordo com os
considerando especialmente o trabalho resultados do levantamento de índice
desenvolvido pelos Agentes Comunitários bimestral ou do monitoramento por
64
Conhecimentos Específicos
intermédio de armadilha, conforme normas resultado de pesquisa vetorial especial
técnicas. (PVE). Na persistência de focos, com a
comprovação de domiciliação do vetor, o
5.3.2. Atividades preconizadas município passa a ser considerado como
As seguintes atividades são infestado (Estrato I).
preconizadas para avaliar e controlar a • Levantamento de índice amostral
situação vetorial nos estratos descritos. em ciclos quadrimestrais.
Considerando os preceitos de
Estrato I – Municípios infestados (em responsabilização e vínculo estabelecidos
períodos epidêmicos e não epidêmicos) pelas Equipes de Saúde da Família (ESF)
• Pesquisa larvária amostral, com sua área de atuação, o gestor pode e
bimestral ou quatro levantamentos rápidos deve rever os parâmetros definidos para o
de índices entomológicos (LIRAa) ao ano. Agente de Controle de Endemias (ACE),
• Visita domiciliar bimestral em considerando como domicílios visitados
100% dos imóveis. aqueles que tiveram a presença do Agente
• Pesquisa larvária nos pontos Comunitário de Saúde (ACS), de acordo
estratégicos, em ciclos quinzenais, com com sua realidade e organização dos
tratamento focal e/ou residual, com serviços de saúde.
periodicidade mensal para o tratamento
residual. 5.3.3. Métodos de controle
• Atividades de educação e vetorial
comunicação, com vistas à prevenção e Período não epidêmico – ações de rotina
controle da dengue pela população. Vários métodos de controle do Aedes
• Articulação com órgãos municipais podem ser utilizados rotineiramente.
de limpeza urbana, tendo em vista a Alguns deles são executados no domicílio
melhoria da coleta e a destinação adequada pelo morador e, complementarmente, pelo
de resíduos sólidos. ACE ou ACS.
• Articulação com outros órgãos
municipais governamentais e entidades não Deve-se destacar também a
governamentais, tendo em vista a atuação responsabilização dos administradores e
intersetorial. proprietários, com a supervisão da
• Realização do bloqueio da secretaria municipal de saúde, na adoção
transmissão, quando necessário. dos métodos de controle dos imóveis não
domiciliares, que se constituem em áreas de
Estrato II – Municípios não infestados concentração de grande número de
• Pesquisa entomológica, criadouros produtivos e funcionam como
preferencialmente com ovitrampas ou importantes dispersores do Aedes. Citamos
larvitrampas, em ciclos semanais. como exemplos os prédios públicos que
Alternativamente, realizar o levantamento têm a função de guarda de veículos e locais
de índice. de grande circulação de pessoas e cargas
• Pesquisa larvária em pontos (terminais rodoviários e ferroviários, portos
estratégicos (PE), em ciclos quinzenais, e aeroportos). No setor privado, destacamos
com tratamento focal e/ou residual, quando os canteiros de obras, grandes indústrias e
indicado tecnicamente. depósitos de materiais utilizados na
• Atividades de educação e reciclagem, além dos ferros-velhos e
comunicação, com vistas à prevenção e sucatas.
controle da dengue pela população. Como métodos de controle rotineiro,
• Delimitação de focos, quando for têm-se o mecânico, o biológico, o legal e o
detectada esporadicamente a presença do químico.
vetor em PE, armadilhas ou em função do
65
Conhecimentos Específicos
Controle mecânico
O controle mecânico consiste na adoção
de práticas capazes de impedir a procriação
do Aedes, tendo como principais atividades
a proteção, a destruição ou a destinação
adequada de criadouros, que devem ser
executadas sob a supervisão do ACE ou
ACS, prioritariamente pelo próprio
morador/proprietário.
Diversas iniciativas de controle Controle biológico
mecânico em larga escala podem ser O rápido aumento da resistência do
incorporadas pelo gestor municipal, dentre mosquito a vários inseticidas químicos e os
as quais enfatizamos: danos causados por estes ao meio ambiente
• reforço na coleta de resíduos tem resultado na busca de novas
sólidos, com destino final adequado, em alternativas de controle, tais como o uso de
áreas com altos índices de infestação; agentes biológicos.
• coleta, armazenamento e destinação Dentre as alternativas disponíveis, o
adequada de pneumáticos, atividade que Ministério da Saúde vem adotando o uso do
tem amparo legal na Resolução Conama nº Bacillus thuringiensis israelensis (Bti). A
258 e que é executada em parceria entre a decisão para utilização desse larvicida
iniciativa privada e os municípios, com a biológico foi baseada na existência de
implantação de Ecopontos desde o início estudos, ensaios de laboratório e aplicação
dessa política tem-se observado uma no campo, que revelou sua eficácia no
evolução positiva no número de Ecopontos controle do Aedes aegypti.
(Figuras 9, 10 e 11) implantados no país O Bti tem elevada propriedade larvicida
(mais informações podem ser obtidas no e seu mecanismo de atuação baseia-se na
endereço eletrônico produção de endotoxinas proteicas que,
www.reciclanip.com.br); quando ingeridas pelas larvas, provoca sua
• vedação de depósitos de morte.
armazenamento de água, com a utilização O Ministério da Saúde possui uma rede
de capas e tampas (Figura 12); de monitoramento que avalia o estágio de
resistência do Aedes aegypti ao uso de
inseticidas. Ao ser detectada a resistência
ao uso de organofosforados no município,
desencadeia-se o processo de substituição
pelo Bti.
Controle legal
Consiste na aplicação de normas de
conduta regulamentadas por instrumentos
legais de apoio às ações de controle da
dengue. As medidas de caráter legal podem
ser instituídas no âmbito dos municípios,
pelos códigos de postura, visando
principalmente a responsabilizar o
proprietário pela manutenção e limpeza de
terrenos baldios, assegurar a visita
domiciliar do ACE aos imóveis fechados,
abandonados e onde exista recusa à
inspeção, além de regulamentar algumas
66
Conhecimentos Específicos
atividades comerciais consideradas críticas, Organização Internacional do Trabalho
do ponto de vista sanitário. O Ministério da (OIT), disponível nos seguintes endereços
Saúde elaborou a publicação Programa eletrônicos:
Nacional de Controle da Dengue: Amparo http://www.who.int/water_sanitation_h
Legal à Execução das Ações de Campo – ealth/dwq/chemicals/en/index.html
Imóveis Fechados, Abandonados ou com http://www.who.int/water_sanitation_healt
Acesso não Permitido pelo Morador, para h/dwq/chemicals/temephos/en/index.html
orientar o trabalho dos agentes de saúde em A aquisição de inseticidas para uso em
situações específicas, quando o imóvel saúde pública é de responsabilidade do
encontra-se fechado ou quando a visita é Ministério da Saúde e está sustentada em
recusada pelo morador. Essa publicação uma política de gestão de insumos
encontra-se disponível no endereço estratégicos, conforme determinação da
eletrônico http://portal. Portaria MS/GM nº 1.172, de 17 de junho
saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/dengue_a de 2004, sendo vedada aos municípios a sua
mparo_legal_web.pdf aquisição.
Outra legislação do Ministério da Saúde
é a Portaria MS/GM nº 2.142, de 09 de
outubro de 2008, que trata de normas
específicas para direcionar atividades da
vigilância sanitária (Visa) em ações de
prevenção e controle da dengue, em
particular na gestão de atividades como
ferros-velhos e similares.
Controle químico
O controle químico consiste no uso de
substâncias químicas – inseticidas – para o
controle do vetor nas fases larvária e adulta.
A utilização de inseticidas em saúde
pública tem por base normas técnicas e
operacionais oriundas de um grupo de
especialistas em praguicidas da
Organização Mundial de Saúde (OMS), que
preconiza os princípios ativos desses
produtos e recomenda as doses para os
vários tipos de tratamento disponíveis. 5.3.4. Operacionalização do
É fundamental o uso racional e seguro controle vetorial no município
dos inseticidas nas atividades de controle A condução das ações do controle
vetorial, tendo em vista que o seu uso vetorial no município pode ser efetuada por
indiscriminado determina impactos um gerente, coordenador ou responsável
ambientais, além da possibilidade de técnico vinculado à área de vigilância em
desenvolvimento da resistência dos vetores saúde.
aos produtos (Figura 13 e 14). Alguns aspectos operacionais devem ser
Os inseticidas indicados para uso em considerados para o alcance de melhores
água de consumo humano passam por resultados.
avaliação adicional do Programa • Assegurar estrutura física adequada
Internacional de Segurança Química às atividades administrativas com um
(IPCS), órgão vinculado à OMS, à mínimo de equipamentos. Também é
Organização das Nações Unidas para necessário garantir estrutura física
Agricultura e Alimentação (FAO) e à adequada para as atividades de campo
67
Conhecimentos Específicos
(pontos de apoio). Supervisão do controle vetorial
• Assegurar a manutenção dos A supervisão é uma atividade que
veículos e equipamentos existentes, permite o acompanhamento da execução
adotando procedimentos de controle das ações e sua qualidade, maximizando os
administrativo para seu uso. recursos disponíveis e realizando as
• Adotar, preferencialmente, o regime adequações necessárias, de maneira a
de zoneamento para a atividade do ACE, contribuir para que os objetivos traçados
que consiste em mantê-lo atuando dentro de sejam alcançados. Por intermédio da
uma mesma área de trabalho, se possível supervisão, é possível monitorar aspectos
próximo ao seu próprio local de residência, essenciais ao trabalho de campo, tais como
buscando ainda uma territorialização a utilização de insumos, o cumprimento do
compatível com a da Atenção Primária. horário e do itinerário, bem como a
• Procurar adotar procedimentos de produtividade do trabalho.
contratação da equipe técnica e de campo, A estrutura de supervisão ao trabalho de
com vínculo não precário e de acordo com campo proposta para o gerenciamento do
a legislação vigente. controle vetorial prevê duas categorias de
• Gerenciar a escala de férias da força supervisor: o geral e o de área. Para cada 10
de trabalho, de modo a evitar a agentes de controle de endemias, está
descontinuidade das atividades de controle previsto um supervisor de área e, para cada
do vetor nos períodos críticos. cinco supervisores de área, um supervisor
• Promover o planejamento conjunto geral (10 → 5 → 1). No entanto, nos
de atividades entre as equipes de controle municípios onde já existe a integração com
de vetores e de saúde da família. as equipes de saúde da família, essa
• Estabelecer rotina de reuniões estrutura de supervisão pode ser adequada à
sistemáticas entre equipe de supervisores de nova realidade.
área e de saúde da família, para intercâmbio É importante o estabelecimento de
de informações epidemiológicas e fluxos de acompanhamento, planejamento,
entomológicas de sua área territorial. monitoramento e avaliação sistemática com
A estrutura vai depender do porte do as ESF que realizam ações de controle
município e de seu grau de organização. A vetorial.
Figura 15 apresenta uma sugestão de
desenho esquemático de organização das Atribuições do supervisor (geral e de
atividades de controle de vetores. área)
As atribuições do profissional
responsável pela supervisão são as
seguintes:
• conhecer os aspectos técnicos e
operacionais do controle da dengue;
• estar informado sobre a situação da
dengue em sua área de trabalho, orientando
o pessoal sob sua responsabilidade, em
especial quanto à presença de casos
suspeitos e quanto ao encaminhamento para
a unidade de saúde ou serviço de referência;
• participar do planejamento das
ações de campo na área sob sua
responsabilidade, definindo, caso
necessário, estratégias específicas, de
acordo com a realidade local;
68
Conhecimentos Específicos
• participar da avaliação dos Itinerário de trabalho
resultados e do impacto das ações; A elaboração da programação de
• garantir o fluxo da informação trabalho dos agentes e do supervisor é
quanto aos resultados da supervisão; fundamental para o desenvolvimento das
• organizar e distribuir o pessoal sob atividades. O plano é individual e pode ser
sua responsabilidade, controlando sua diário ou semanal, devendo ficar em local
frequência; acessível, no ponto de apoio, na unidade de
• prever, distribuir e controlar os saúde de referência, na equipe de saúde da
insumos e materiais utilizados no trabalho família ou na secretaria municipal de saúde.
de campo;
• atuar como facilitador, oferecendo Atribuições do Agente de Controle de
os esclarecimentos sobre cada ação que Endemias (ACE)
envolva o controle vetorial; No trabalho de controle vetorial, o ACE
• atuar como elo entre o pessoal de é o profissional responsável pela execução
campo e a gerência técnica; das atividades de combate ao vetor
• melhorar a qualificação dos realizadas nos imóveis, devendo:
trabalhadores sob sua responsabilidade; • atualizar o cadastro de imóveis, por
• estimular o bom desempenho da intermédio do reconhecimento geográfico,
equipe sob sua responsabilidade; e o cadastro de pontos estratégicos (PE);
• acompanhar sistematicamente o • realizar a pesquisa larvária em
desenvolvimento das atividades de campo, imóveis, para levantamento de índices e
por intermédio de supervisões direta e descobrimento de focos, bem como em
indireta; armadilhas e em PE, conforme orientação
• manter organizado e estruturado o técnica;
posto de apoio e abastecimento (PA); • identificar criadouros contendo
• garantir, junto ao pessoal sob sua formas imaturas do mosquito;
responsabilidade, o registro correto e • orientar moradores e responsáveis
completo das atividades; para a eliminação e/ou proteção de
• realizar a consolidação e o possíveis criadouros;
encaminhamento à gerência técnica das • executar a aplicação focal e
informações relativas ao trabalho residual, quando indicado, como medida
desenvolvido em sua área; complementar ao controle mecânico,
• consolidar os dados do trabalho de aplicando os larvicidas indicados, conforme
campo relativo ao pessoal sob sua orientação técnica;
responsabilidade; e • registrar nos formulários
• fornecer às equipes de Atenção específicos, de forma correta e completa, as
Primária, especialmente da estratégia de informações referentes às atividades
Saúde da Família, as informações executadas;
entomológicas da área. • vistoriar e tratar os imóveis
cadastrados e informados pelo ACS que
Localização dos agentes de controle de necessitem do uso de larvicida, bem como
endemias no campo vistoriar depósitos de difícil acesso
Para facilitar o trabalho da supervisão, informado pelo ACS;
podem ser utilizadas bandeirolas em cores • encaminhar os casos suspeitos de
fortes, colocadas, de forma visível, na dengue à unidade de Atenção Primária em
entrada dos locais em que o agente ou Saúde, de acordo com as orientações da
supervisor desenvolve suas atividades, Secretaria Municipal de Saúde;
permitindo visualização à distância. • atuar junto aos domicílios,
informando os seus moradores sobre a
doença, seus sintomas e riscos, o agente
69
Conhecimentos Específicos
transmissor e medidas de prevenção; Atribuições do Agente Comunitário
• promover reuniões com a de Saúde (ACS)
comunidade com o objetivo de mobilizá-la O ACS deve atuar de forma articulada
para as ações de prevenção e controle da com a equipe de controle de endemias, com
dengue, sempre que possível em conjunto as atribuições de:
com a equipe de APS da sua área; • encaminhar os casos suspeitos de
• reunir-se sistematicamente com a dengue às Unidades Atenção Primária em
equipe de Atenção Primária em Saúde, para Saúde (APS), de acordo com as orientações
trocar informações sobre febris suspeitos de da Secretaria Municipal de Saúde;
dengue, a evolução dos índices de • atuar junto aos domicílios,
infestação por Aedes aegypti da área de informando aos seus moradores sobre a
abrangência, os índices de pendências e as doença, seus sintomas e riscos, o agente
medidas que estão sendo, ou deverão ser, transmissor e medidas de prevenção;
adotadas para melhorar a situação; • informar o morador sobre a
• comunicar ao supervisor os importância da verificação da existência de
obstáculos para a execução de sua rotina de larvas ou mosquitos transmissores da
trabalho, durante as visitas domiciliares; dengue no domicílio e peridomicílio,
• Registrar, sistematicamente, as chamando a atenção para os criadouros
ações realizadas nos formulários mais comuns na sua área de atuação;
apropriados, conforme já referido, com o • vistoriar o domicílio e/ou
objetivo de alimentar o sistema de peridomicílio, acompanhado pelo morador,
informações vetoriais. para identificar locais de existência de
objetos que sejam ou possam se transformar
Parâmetros para estruturação das em criadouros do mosquito transmissor da
equipes de ACE dengue;
As diretrizes nacionais preconizam • orientar e acompanhar o morador na
como ideal a disponibilidade de um agente remoção, destruição ou vedação de objetos
para cada 800 a 1.000 imóveis, que possam se transformar em criadouros
correspondendo a um rendimento diário de de mosquitos, removendo mecanicamente,
20 a 25 imóveis/dia. se necessário, as formas imaturas do
O rendimento médio de 20 a 25 imóveis mosquito;
por dia somente será alcançado com carga • estimular os moradores a
horária de oito horas diárias. A adoção do assumirem o compromisso com a adoção
‘horário corrido’ não é recomendada, por das ações de prevenção, de forma
trazer prejuízos à qualidade do serviço. espontânea e rotineira;
Situações peculiares, que dificultam ou • encaminhar ao ACE os casos de
impossibilitam a inspeção de 100% dos verificação de criadouros de difícil acesso
imóveis, devem ser tratadas, também, de ou que necessitem do uso de
forma diferenciada, cabendo ao supervisor larvicidas/biolarvicidas;
e ao responsável técnico pelo controle • promover reuniões com a
vetorial avaliar a necessidade de montar comunidade, com o objetivo de mobilizá-la
equipes específicas, devidamente para as ações de prevenção e controle da
motorizadas e munidas de equipamentos dengue, bem como conscientizar a
apropriados (como escada), para intervir população quanto à importância de que
diretamente, como é o caso dos depósitos todos os domicílios em uma área infestada
suspensos de difícil acesso. pelo Aedes aegypti sejam trabalhados
(garantir o acesso do ACE);
• comunicar ao enfermeiro supervisor
e ao ACE a existência de criadouros de
larvas e ou do mosquito transmissor da
70
Conhecimentos Específicos
dengue que dependam de tratamento nebulizador portátil e o nebulizador pesado.
químico/biológico, da interveniência da O uso desses equipamentos deve ser
vigilância sanitária ou de outras concomitante com as demais ações de
intervenções do poder público; controle. Essa recomendação deve ser
• comunicar ao enfermeiro supervisor rigorosamente observada, uma vez que o
e ao ACE os imóveis fechados e as recusas Aedes aegypti é um vetor domiciliado.
à visita; Gestores e sociedade precisam
• notificar os casos suspeitos de compreender que a utilização de
dengue em ficha específica e informar a equipamentos de aspersão de inseticidas
equipe da APS; tem caráter complementar às demais ações
• reunir-se semanalmente com o de controle, em virtude de seu alcance
agente de controle de endemias, para limitado e do grande impacto ambiental.
planejar ações conjuntas, trocar
informações sobre febris suspeitos de Equipamento costal manual
dengue, a evolução dos índices de O equipamento costal (Figura 16) utiliza
infestação por Aedes aegypti da área de bicos pulverizadores de energia hidráulica,
abrangência, os índices de pendências, os tipo leque, para fragmentar as gotículas da
criadouros preferenciais e as medidas que formulação do pó molhável diluído em
estão sendo, ou deverão ser, adotadas para água, produzindo gotas maiores do que as
melhorar a situação; geradas pelos nebulizadores pesados. O
• realizar visitas domiciliares aos fluxo de descarga deve ser monitorado
pacientes com dengue (ver quadro no periodicamente pelo agente aplicador,
componente Assistência); e instruído pelo supervisor.
• registrar, sistematicamente, as
ações realizadas nos formulários
apropriados, com o objetivo de alimentar os
sistemas de informações.
Territorialização
É fundamental que o sistema de
informações vetoriais, a vigilância
epidemiológica e as ESF utilizem a mesma
base geográfica, para permitir que as ações
de controle da dengue sejam executadas de Equipamento costal motorizado
forma articulada e as análises geradas O equipamento costal motorizado
tenham a mesma referência. (Figura 17), que também utiliza como
Caso a vigilância epidemiológica e a formulação o pó molhável diluído em água,
Atenção Primária em Saúde não trabalhem deve ser adaptado com discos/bicos
ainda com a mesma base territorial, deve-se restritores de fluxo que permitam aumento
estabelecer mecanismos de da vazão, proporcionando gotas maiores
compatibilização, para que as análises com pouca possibilidade de deriva e maior
geradas não sofram prejuízo. cobertura da superfície tratada. Esse tipo de
equipamento é indicado especialmente para
5.3.5. Equipamentos utilizados utilização em grandes pontos estratégicos,
no controle vetorial pela possibilidade de maior rendimento
Vários tipos de equipamentos são operacional, o que seria pouco produtivo
empregados no controle da dengue, com equipamentos costais não
destacando-se os utilizados na aplicação de motorizados.
inseticidas para o tratamento residual De forma geral, o uso do nebulizador
(perifocal), os costais motorizados, o costal motorizado complementa as
71
Conhecimentos Específicos
atividades do equipamento pesado, Manutenção e guarda dos
especialmente nos locais não trafegáveis, equipamentos
durante operações de emergência realizadas Um local específico para a manutenção
em períodos de surtos ou epidemias e nas e guarda dos equipamentos utilizados para
atividades de bloqueio de transmissão. a aplicação de inseticida (UBV
Mesmo com rendimento menor, apresenta nebulizadores costais e pesados e veículos)
uma eficácia superior à do equipamento deve ser construído ou adaptado, sendo
pesado, uma vez que a névoa de aplicação dimensionado conforme a necessidade.
pode ser direcionada para o local a ser Tanto as instalações como o uso dessa área
tratado no intra e no peridomicílio, além de devem seguir as diretrizes e normas de
poder ser utilizado durante todo o dia e não segurança, conforme manual editado pelo
apenas em horários restritos. Ministério da Saúde (disponível no
endereço eletrônico
http:\\bvsms.saude.gov.br/publicações/fato
res_bio_risco.pdf).
A lavagem dos equipamentos é um item
que deve merecer atenção especial da
gestão estadual e municipal, de maneira a
evitar a contaminação ambiental, com
destinação adequada dos resíduos e sobras
das soluções e da água de lavagem. É
Equipamento nebulizador acoplado a recomendável o trabalho conjunto entre as
veículos áreas de controle de vetores e de vigilância
O equipamento nebulizador acoplado a ambiental, para a adoção de práticas de
veículos (Figura 18) é bastante útil para o segurança ambiental e do trabalhador.
controle de surtos ou epidemias, em razão
do seu alto rendimento (80 quarteirões/dia), Procedimentos de segurança
mas não é recomendado nas situações de O monitoramento da colinesterase é uma
bloqueio de transmissão. medida indicada aos trabalhadores que
As aplicações com nebulizador acoplado utilizam inseticidas organofosforados e
a veículos, a ultrabaixo volume (UBV), carbamatos nas atividades de controle
devem ser permanentemente vetorial. Deverão ser adotados os métodos
supervisionadas para garantir a dose atualmente disponíveis
indicada de ingrediente ativo em cada (espectofotométricos ou colorimétricos),
quarteirão percorrido, uma vez que há conforme prevê a NT nº 165/2008,
interferência de uma série de fatores disponível no endereço eletrônico
operacionais, como a vazão do http://eportal.saude.gov/portal/arquivos/pd
equipamento e a velocidade do veículo, em f/nt_dengue_1652008_parametro_colinest.
função do que é fundamental a capacitação pdf A realização desses exames é de
do condutor. responsabilidade do Laboratório Central de
Saúde Pública (Lacen).
Equipamentos de Proteção Individual
(EPI) são insumos necessários à segurança
do trabalhador durante a aplicação de
inseticidas. A indicação do tipo de EPI leva
em consideração os riscos inerentes a cada
uma das atividades desenvolvidas.
As especificações técnicas completas
dos diversos EPI, são apresentadas a seguir.
72
Conhecimentos Específicos
sistemática com todos os setores do
município (educação, saneamento, limpeza
urbana etc.).
O planejamento das atividades é
condição essencial para a definição das
necessidades de pessoal, equipamentos e
insumos, o que vai permitir a aquisição, em
tempo hábil, dos materiais utilizados na
rotina do agente, assim como equipamentos
de proteção individual (EPI), uniformes,
crachás de identificação etc.
Os quadros 2 e 3 apresentam os
parâmetros usualmente utilizados na rotina
das ações de controle vetorial.
Reconhecimento geográfico
O reconhecimento geográfico (RG) é o
primeiro passo para o planejamento das
atividades de controle vetorial e consiste na
identificação e numeração de quarteirões,
bem como na localização e especificação
do tipo de imóvel dentro de cada quarteirão.
Sua atualização deve ser realizada após o
5.3.6. Ações de controle vetorial
encerramento das atividades de cada ciclo.
O controle de vetores compreende duas
Atualmente, os sistemas de
atividades básicas: vigilância entomológica
geoprocessamento (GPS) permitem uma
e combate ao vetor. Geralmente, essas
localização precisa de imóveis e
atividades são realizadas por ciclos de
quarteirões, podendo representar
trabalho com periodicidade bimestral, o que
importante ferramenta de apoio ao trabalho
equivale a seis visitas anuais ao mesmo
de controle vetorial.
imóvel.
Organização das operações de campo
Visita domiciliar
As ações de controle vetorial devem ser
Na vigilância e controle de vetores, a
planejadas para serem executadas de forma
visita domiciliar, realizada pelo agente e
permanente, promovendo a articulação
pelo supervisor, é uma atividade
73
Conhecimentos Específicos
fundamental para verificar a presença de realizada a “delimitação de foco”, ou seja, a
criadouros, orientar os residentes sobre a partir do foco encontrado, serão realizados
eliminação dos mesmos e sobre medidas a pesquisa larvária e o tratamento focal em
preventivas, identificação de foco e 100% dos imóveis incluídos em um raio de
tratamento (biológico, químico, mecânico 300m, abrindo-se novos raios a cada foco
etc.). É utilizada também para realizar detectado.
levantamento de índices de infestação. O A detecção de focos ocorre durante as
Anexo XI apresenta os principais materiais atividades de vigilância entomológica em
utilizados na visita domiciliar. PE, armadilhas ou na pesquisa vetorial
especial (atendimento a denúncia da
Registro da visita população sobre a presença de focos e/ou
Os dados sobre a visita domiciliar devem vetores adultos).
ser anotados em formulário próprio, no qual Caracterização entomológica
ficam registrados a data, o endereço A caracterização entomológica é o
completo e os procedimentos adotados conjunto de informações relativas ao vetor,
durante a inspeção do imóvel. tais como sua distribuição geográfica,
A ficha de visita domiciliar é utilizada índices de infestação e depósitos
para comprovação da atividade do agente predominantes. É essencial que essa
no imóvel, devendo ser afixada no interior caracterização seja constantemente
do imóvel, preferencialmente atrás da porta atualizada, para nortear as ações de controle
de um banheiro ou da cozinha, no caso de em qualquer cenário (epidêmico e não
residência, por ocasião da primeira visita, epidêmico). Tais informações subsidiarão o
devendo ser trocada quando totalmente desenvolvimento das ações intersetoriais,
preenchida ou afixando-se uma nova particularmente aquelas relacionadas ao
quando esta não for localizada. O Anexo abastecimento de água, à coleta de lixo, à
XII apresenta o material para identificação comunicação e à mobilização da população.
do agente e registro da visita. Estão detalhados a seguir os passos para
realizar esta atividade.
Ponto estratégico (PE)
São locais onde há concentração de Pesquisa entomológica
depósitos do tipo preferencial para a desova As metodologias de pesquisa podem
da fêmea do Aedes aegypti ou empregar procedimentos de coleta de ovos,
especialmente vulneráveis à introdução do larvas, pupas e mosquitos adultos, sendo
vetor. Exemplos: cemitérios, borracharias, mais habitual a pesquisa larvária. A unidade
ferros-velhos, depósitos de sucata ou de amostral é o imóvel, visitado com o
materiais de construção, garagens de ônibus objetivo de inspecionar depósitos ou
e de outros veículos de grande porte. recipientes que contenham água.
As atividades de vigilância nesses locais
devem ser realizada com periodicidade Pesquisa larvária
quinzenal. A aplicação residual e/ou focal Inspeção de formas imaturas (larvas e
deve ser realizada mensalmente ou quando pupas) em todos os depósitos do imóvel.
detectada a presença de focos. Para vistoria do recipiente, utiliza-se o
O Anexo XIII apresenta os materiais pesca-larva com o objetivo de coletar uma
necessários para a realização da atividade amostra de larvas e pupas do recipiente.
de tratamento nos pontos estratégicos Para facilitar a atividade e encontrar mais
(aplicação residual). facilmente os imaturos de Aedes aegypti,
utiliza-se uma fonte luminosa, que pode ser
Delimitação de foco um espelho direcionado ao sol ou uma
Nas localidades não infestadas, quando lanterna. O material coletado, devidamente
for detectada a presença do vetor, deverá ser acondicionado e etiquetado conforme
74
Conhecimentos Específicos
instruções do Anexo XIV, deve ser que vem sendo empregado no país desde a
encaminhado ao laboratório. década de 1980.
Com os dados coletados no campo são • Amostra por conglomerados – em
estimados os índices entomológicos que uma cidade ou zona geográfica de grande
indicam a situação da infestação de formas porte, muitas vezes é difícil utilizar o
imaturas de larvas e pupas e os tipos de método de amostra sistemática, devido às
recipiente predominante. Os índices mais limitações de tempo, de recursos
comumente utilizados são: financeiros e operacionais. Nesse caso, a
seleção pode ser realizada em duas etapas.
A primeira etapa é obtida por meio da
amostra aleatória simples ou estratificada
de grupos ou conglomerados da localidade
(quarteirões, por exemplo). Uma vez
identificados esses conglomerados,
aplicam-se procedimentos de amostragem
para identificar as casas específicas a serem
visitadas dentro de cada quarteirão. Esse é
o caso da metodologia do Levantamento de
Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa).
Metodologias de levantamento de
índices larvários Levantamento de Índice Amostral
A amostragem de imóveis e criadouros (LIA)
com água positivos para larvas de Aedes A metodologia de levantamento de
aegypti é um componente fundamental para índice amostral é realizada por intermédio
a atividade de vigilância entomológica. A de pesquisa larvária, sendo que a unidade
pesquisa larvária tem diferentes objetivos básica de amostragem é o imóvel. O LIA
(PAHO, 1994). São eles: deve ser realizado em uma amostra de
• estratificação das áreas de risco imóveis do município de modo a apresentar
entomológico; significância estatística, conforme o quadro
• monitoramento das atividades de 4.
controle; e
• avaliação das metodologias de
controle.
Somente em condições excepcionais
justifica-se realizar pesquisas larvárias em
todos os imóveis. Geralmente, o número de Levantamento de Índice Rápido para
casas a inspecionar deve ser baseado no Aedes aegypti (LIRAa)
nível desejado de precisão dos resultados e O LIRAa foi desenvolvido em 2002,
no número total de casas da localidade. para atender à necessidade dos gestores e
Vários métodos podem ser utilizados para profissionais que operacionalizam o
eliminar ou reduzir ao mínimo possível o programa de controle de dengue de dispor
erro e que podem ser aplicados para a de informações entomológicas em um
seleção das casas onde serão feitas ponto no tempo (antes do início do verão)
pesquisas larvárias. Citamos abaixo os mais antecedendo o período de maior
comumente usados em nosso país. transmissão, com vistas ao fortalecimento
• Amostra sistemática – selecionam- das ações de combate vetorial nas áreas de
se casas na localidade, com base em um maior risco.
percentual a ser visitado, de acordo com o Trata-se, fundamentalmente, de um
número de imóveis da mesma. Esse é o caso método de amostragem que tem como
do levantamento de índice amostral (LI), objetivo principal a obtenção de
75
Conhecimentos Específicos
indicadores entomológicos, de maneira existentes no quarteirão sorteado.
rápida. Os indicadores entomológicos Tal estratificação possibilita uma melhor
passíveis de serem construídos por meio representatividade do Índice de Breteau
dos dados obtidos nesses levantamentos são (IB), pois esse indicador relaciona-se a uma
aqueles que são utilizados na rotina dos área geográfica menor quando comparado
programas de combate vetorial, quais ao método tradicional, que utiliza o
sejam: índices de Infestação Predial (IIP), município como base geográfica. Essa
Breteau (IB) e de Tipo de Recipiente (ITR). estratégia permite priorizar e selecionar
ações de controle para áreas de maior risco
Técnica de amostragem/parâmetros dentro do município.
amostrais/procedimentos Em municípios pequenos, com número
Os critérios para delineamento da de edificações inferior a 8.100 imóveis,
amostra do LIRAa em cada município são utiliza-se uma amostra por conglomerado
determinados em função de sua densidade em estágio único, mediante sorteio de
populacional, do número de imóveis e de quarteirões, cujo tamanho é obtido pela
quarteirões existentes, considerando divisão do número dos imóveis da amostra
sempre como unidade primária de pela média do número de imóveis dos
amostragem o quarteirão. quarteirões, sendo pesquisados 100% dos
Em municípios de médio e grande porte, mesmos.
a amostragem é de conglomerados em dois A verificação da precisão do plano de
estágios: quarteirões (unidade primária) e amostragem foi baseada no estudo dos
imóveis (unidade secundária). Essa forma intervalos de confiança estimados para o
de amostragem permite menor IB, considerando-se sua amplitude e
concentração de imóveis nos quarteirões eficácia. A medida utilizada no estudo da
sorteados, propiciando a divisão dos amplitude dos intervalos de confiança foi o
municípios de médio e grande porte em coeficiente de variação do IB, para o qual
estratos de no mínimo 8.100 imóveis e de se adotou 30% como limite tolerável para
no máximo de 12.000 imóveis, sendo o que as estimativas fossem consideradas
ideal 9.000 imóveis. Em cada estrato, confiáveis. Para esses valores, foram
sorteia-se uma amostra independente de no aceitos erros relativos de amostragem,
máximo 450 imóveis, número que poderá desde que indicassem com segurança que o
variar de acordo com o número de imóveis limiar de risco (IB=5) não fosse atingido.
do estrato. A operacionalização do LIRAa exige um
O número de quarteirões que comporão minucioso levantamento de informações.
a amostra é obtido pela divisão do número Dentre os procedimentos necessários,
de imóveis da amostra (máximo de 450) destaca-se a elaboração prévia do
dividido por um quinto do tamanho médio reconhecimento geográfico da área a ser
do quarteirão. O tamanho médio do trabalhada (qualquer aglomerado de
quarteirão é obtido pela divisão do número imóveis), que propiciará registros
de imóveis do estrato pelo número de atualizados do número de quarteirões e
quarteirões do mesmo estrato. imóveis existentes, com possibilidade de
elaboração de mapas e, consequentemente,
A inspeção de cada quarteirão sorteado melhor visualização dos estratos.
deve ser iniciada pelo primeiro imóvel, com Outra informação fundamental diz
deslocamento no sentido horário, contando- respeito aos tipos e definição de recipientes
se quatro imóveis após o primeiro para, a com potencial de se tornarem criadouros do
seguir, inspecionar o sexto imóvel (segundo Aedes aegypti, que foram classificados em
da amostra) e assim sucessivamente, cinco grupos:
inspecionando-se um imóvel a cada cinco, Grupo A – depósitos para
o que corresponde a 20% dos imóveis armazenamento de água; Grupo B –
76
Conhecimentos Específicos
depósitos móveis; • Grupo A, armazenamento
Grupo C – depósitos fixos; de água para consumo humano (A1 –
Grupo D – depósitos passíveis de depósito de água elevado; A2 – depósito de
remoção; Grupo E – depósitos naturais. água ao nível do solo);
Essa classificação permite, de certa • Grupo B, depósitos móveis;
forma, conhecer a importância • Grupo C, depósitos fixos;
entomológica e as consequentes • Grupo D, depósitos passíveis de
repercussões epidemiológicas desses remoção/proteção (D1 – pneus; D2 – lixo);
recipientes, sem, no entanto, fornecer • Grupo E, depósitos naturais.
informações sobre a sua produtividade e a É importante ressaltar que a supressão
estratégia de direcionamento das ações de desses criadouros se dá principalmente por
controle vetorial. intermédio de ações mecânicas, sendo
A inspeção dos imóveis da área urbana indicado o uso de larvicidas em situações
do município é realizada nas casas e nos excepcionais. A qualidade dessas ações
terrenos baldios. Nos prédios verticais, depende fundamentalmente da qualificação
deverá ser inspecionado somente o térreo dos ACE e ACS no desenvolvimento das
de toda área comum do edifício. Os pontos atividades de vigilância, caracterizado
estratégicos (cemitérios, borracharias, principalmente pela visita rotineira nos
depósitos de sucata, depósitos de materiais imóveis, pelo envolvimento de outros
de construção etc.) não são incluídos na setores na resolução de problemas
amostra. estruturais (como a regularidade no
Os limiares de risco de transmissão de abastecimento de água e na coleta de lixo)
dengue propostos pelo Programa Nacional e pelo desenvolvimento de atividades de
de Controle da Dengue para os indicadores comunicação e mobilização da população,
obtidos mediante o LIRAa são os seguintes: com o objetivo de introduzir mudanças de
comportamento.
Classificação dos depósitos
predominantes
Depósito é todo recipiente utilizado para Uso de armadilhas (ovitrampa e
finalidade específica que armazene ou larvitrampa)
possa vir a armazenar água, seja pela ação De uma maneira geral, são utilizadas
da chuva ou pela ação do homem, e que armadilhas para coleta de ovos (ovitrampa)
esteja acessível à fêmea do Aedes aegypti e para coleta de larvas (larvitrampa),
para postura dos seus ovos. colocadas, estrategicamente, em
A padronização de criadouros é de suma localidades negativas ou com baixa
importância para subsidiar a tomada de infestação ou em áreas estratégicas, como
decisão quanto à forma de eliminação ou portos e aeroportos, com a finalidade de
controle desses recipientes. A classificação monitorar a infestação. Não se recomenda a
apresentada na Figura 19 considera cinco adição de produtos químicos às armadilhas.
grupos de criadouros:
77
Conhecimentos Específicos
Armadilha de oviposição baseados na presença de ovos em
A ovitrampa é uma armadilha utilizada armadilhas, são os seguintes:
para ovipostura. Constitui método sensível
e econômico para detectar a presença do
vetor, sendo eficiente, em especial, na
detecção precoce de infestações em áreas
onde o mosquito foi eliminado ou
recentemente introduzido. Além disso, vem
sendo amplamente utilizada para vigilância
de portos e aeroportos. Armadilha larvitrampa
As ovitrampas são depósitos de plástico, A larvitrampa é um depósito geralmente
na cor preta, com capacidade de 500 ml, feito de secções transversais de pneus. Sua
contendo uma palheta de eucatex para finalidade básica é a detecção precoce da
coletar as oviposições das fêmeas. Sua introdução do vetor em locais como portos
inspeção é semanal, para o recolhimento fluviais ou marítimos, aeroportos, terminais
das palhetas, que são encaminhadas para o rodoviários, ferroviários, de passageiros e
laboratório e substituídas por outras. Para de carga. Não devem ser instaladas onde
melhorar a eficiência das ovitrampas, existem outras opções de desova para a
utiliza-se como atraente a infusão de feno, fêmea, como é o caso dos pontos
que tem mostrado uma eficiência oito vezes estratégicos. A inspeção das larvitrampas
maior na oviposição do Aedes aegypti em deve ser realizada semanalmente e a
relação à água pura. Outra finalidade da detecção de larvas deve desencadear ações
ovitrampa é avaliar o impacto das específicas e imediatas para a eliminação
aplicações espaciais a UBV. do vetor nestes locais.
A distribuição de armadilhas deve
atender à proporção mínima de uma Armadilhas para captura de adultos
armadilha para cada nove quarteirões, uma O desenvolvimento de armadilhas,
para cada 225 imóveis ou, ainda, a utilizando-se atraentes sintéticos ou não,
instalação de armadilhas com 300 metros tem-se constituído em uma nova alternativa
de distância entre uma e outra. para a captura de mosquitos com hábitos
Em cada armadilha deve estar registrada, diurnos.
na face externa do depósito, a sigla de A utilidade dos índices relativos a
identificação do órgão responsável pela adultos ainda é limitada, pois ainda se
pesquisa, seguida do número de controle. A desconhece a relação entre o número de
ficha de visita deve ser colocada em adultos coletados e o número de adultos
tabuleta pequena, presa ao depósito ou existentes no meio ambiente. Esta limitação
próxima ao mesmo. significa, na prática, que a quantidade de
Toda armadilha instalada deve constar adultos coletados refere-se somente a uma
de listagem e ter sua localização indicada estimativa do total de adultos existentes,
no mapa/croqui da área. O período de visita impossibilitando, desta maneira, a
semanal não pode ser ampliado ou utilização de um índice que reflita fielmente
interrompido. Em caso de impedimento à uma situação de risco para a ocorrência da
continuidade da pesquisa, a armadilha deve transmissão de dengue.
ser recolhida. Diversas armadilhas para captura de
Qualquer armadilha que resulte positiva adultos têm sido testadas e seus resultados
para Aedes aegypti deve ser escovada antes preliminares demonstram a possibilidade
de ser reutilizada ou deve ser eliminada, de utilização futura como ferramenta
sendo então substituída por outra. complementar, para aprimorar as atividades
Os índices geralmente utilizados para de vigilância entomológica nos municípios.
estimar a infestação de Aedes aegypti, No entanto, deve-se destacar que não
78
Conhecimentos Específicos
existem evidências de que estas armadilhas água que ofereçam condições favoráveis à
atuem como supressoras de mosquitos do oviposição do vetor, caso não sejam
meio ambiente; portanto, sua presença não passíveis de controle mecânico (destruição,
tem impacto na redução de mosquitos e, por vedação ou destinação adequada). Não
consequência, na transmissão de dengue. devem ser aplicados inseticidas em latas,
Tendo em vista que o uso desse tipo de plásticos e outros depósitos descartáveis
armadilha ainda exige estudos para avaliar que possam ser eliminados; em garrafas,
seu verdadeiro potencial, não existe que devem ser viradas e colocadas ao
recomendação técnica para sua utilização abrigo da chuva; em utensílios de cozinha
pelos municípios na rotina das atividades de que sirvam para acondicionar e cozer
vigilância e controle do Aedes aegypti. alimentos; em aquários ou tanques que
contenham peixes; em pratos de vasos de
Controle de focos plantas; em vasos sanitários, caixas d’água
Conforme já referido, o combate ao de descarga e ralos de banheiro, exceto
Aedes aegypti pode ser feito também pela quando a casa estiver desabitada; e em
aplicação de produtos químicos ou bebedouros de animais.
biológicos com ação sobre as fases imaturas Cabe ressaltar que é fundamental a
(larvas). aplicação dos larvicidas nos depósitos
A fase de ovo é de difícil controle, não obedecendo-se a dosagem de princípio
existindo indicação nem disponibilidade de ativo, conforme recomendado no Anexo
produtos com ação ovicida para utilização XVIII. A forma de aplicar adequadamente
em saúde pública. os larvicidas implica o conhecimento da
capacidade total do depósito e, no caso do
Atividades de controle focal das diflubenzuron, do volume de água existente
formas imaturas (larvária) no momento da aplicação. É imperativo que
Consiste na aplicação de um produto os ACE realizem a cubagem dos depósitos
larvicida para a eliminação das larvas de que receberão o larvicida em cada visita
mosquitos. Atualmente, são recomendados domiciliar, conforme orientações contidas
pela Organização Mundial de Saúde e no Anexo XIX.
indicados pelo Ministério da Saúde os Controle do mosquito adulto (aplicação
seguintes produtos: espacial a ultrabaixo volume – UBV e
• Temephós: organofosforado de aplicação residual) Aplicação espacial a
baixa toxicidade, formulação granulada, Ultra Baixo Volume (UBV)
sendo o larvicida de primeira escolha; A aplicação espacial a UBV tem como
• Bacillus turinghiensis israelensis função específica a eliminação das fêmeas
(Bti): formulações G e WDG e líquidas; e de Aedes aegypti e deve ser utilizada
• Reguladores de crescimento: somente para bloqueio de transmissão e
▶ inibidores da síntese de quitina dos para controle de surtos ou epidemias. Essa
insetos (Diflubenzuron e Novaluron), com ação integra o conjunto de atividades
formulações em pó molhável (PM), emergenciais adotadas nessas situações e
concentrado emulsionável (CE) e seu uso deve ser concomitante com todas as
granulado; demais ações de controle, principalmente a
▶ análogos de hormônio juvenil diminuição de fontes de mosquito. É
(Pyriproxifen), em formulação granulada. necessária uma avaliação das atividades de
rotina para correção de falhas, devendo as
Nos Anexos XV, XVI e XVII, são ações de controle focal serem priorizadas.
apresentadas as dosagens de campo dos O princípio do método de controle
larvicidas atualmente em uso. vetorial a UBV consiste na fragmentação de
Nas áreas infestadas pelo Aedes aegypti, uma pequena quantidade de inseticida pelo
devem ser tratados todos os depósitos com equipamento, formando pequenas
79
Conhecimentos Específicos
partículas denominadas “aerossóis”. Esta os horários de atividade de alimentação
nebulização, ao ser colocada no ambiente, sanguínea de Aedes aegypti estão
eliminará por ação de contato todos os sincronizados com os períodos de inversão
mosquitos que estiverem voando no local. térmica aqui relatados.
Idealmente, o nível de controle seria maior A aplicação espacial a UBV não tem
se houvesse a coincidência da aplicação efeito residual e é fortemente influenciada
com o horário de maior atividade vetorial. pelas correntes de ar. Obtêm-se melhores
Cada gotícula deverá ter quantidade de resultados quando a nuvem compacta de
inseticida suficiente para eliminar um inseticida encontra-se até 100m de distância
mosquito adulto e ser suficientemente do equipamento aplicador. À medida que
pequena para impactar sobre cada essa distância é ultrapassada, a eficácia
mosquito. Recomenda-se que cerca de 80% diminui, em virtude da deriva
das gotas deva estar entre 10µ e 25µ para (deslocamento lateral) das gotículas
uma melhor qualidade da atividade. influenciadas por fatores físico-químicos
Para que as aplicações a UBV tenham a do ambiente, como temperatura,
eficácia pretendida, devem ser realizadas eletricidade e pressão barométrica.
no período em que existam condições de
inversão de temperatura, condição para
manter a nuvem do inseticida movendo se
próximo ao solo, não atingindo mais de 6
metros de elevação, pois o mosquito Aedes
aegypti geralmente encontra-se em baixas
alturas. A inversão térmica é produzida
geralmente na manhã, depois do nascer do
sol, e à tarde, pouco antes do pôr do sol,
sendo esses os períodos ótimos para a
aplicação a UBV (Figura 20). Frequência e ciclo das aplicações
A explicação para o fenômeno é que espaciais a UBV com equipamentos
durante todo o dia os raios de sol incidem e acoplados a veículos
aquecem a superfície terrestre, e, quando o Existem muitas críticas sobre a
sol começa a se pôr, inicia-se o esfriamento eficiência das aplicações espaciais a UBV.
da superfície da terra. Nesse momento, O ponto mais discutido é o seu curto
ocorre a inversão térmica e as ondas de período de persistência no ambiente e,
calor elevam-se da superfície chocando-se, também, a rapidez com que a população de
a determinada altura, com as ondas de ar Aedes se recupera poucas semanas depois
frio da atmosfera. A neblina eleva-se pelo da aplicação espacial.
ar quente, mas acaba se detendo na camada Portanto, a pergunta chave é como
de ar frio. Portanto, o aerossol de inseticida impactar a população de mosquitos adultos
desloca-se horizontalmente, de acordo a utilizando-se as aplicações a UBV e,
direção do vento, quando, então, terá maior consequentemente, interromper de forma
probabilidade de entrar em contato com os rápida a transmissão de dengue.
mosquitos – por isso é imprescindível que Em busca de solução para esse
as gotículas estejam, na sua maioria, dentro problema, recomenda-se utilizar ciclos de
da faixa de tamanho ideal. aplicação espacial na mesma área, com uma
periodicidade específica e com o objetivo
Um efeito parecido observa-se logo após de impactar as sucessivas gerações de
o nascer do sol. É importante salientar que Aedes. Os esquemas propostos para um
os mosquitos permanecem voando esquema de ciclos são:
geralmente em altura inferior a 2 m, • Aplicação diária por 4 ciclos
preferencialmente próximos ao solo, e que consecutivos, de acordo com o ciclo
80
Conhecimentos Específicos
gonotrófico de Aedes aegypti, que Metodologia de aplicação a UBV com
geralmente dura quatro dias, ou seja, equipamentos acoplados a veículos
período que vai desde a picada da fêmea até As instruções sobre o método da
a maturação dos ovos, postura e nova aplicação a UBV geralmente baseiam-se
alimentação. Portanto, aplicar inseticida em condições ideais de topografia, estrutura
durante 4 dias consecutivos eliminaria as da localidade e ventos favoráveis. A
novas gerações que estão chegando à área operação é frequentemente dificultada por
após o quarto dia do ciclo gonotrófico; vias sem pavimentação ou com
• Aplicação a cada 7 dias, por 4 a 5 pavimentação irregular, presença de muros
semanas, sequência que leva em e vegetação alta, além de ventos contrários.
consideração o período extrínseco de A metodologia de aplicação de UBV deve
incubação do vírus nos mosquitos, que vai levar em conta essas limitações para a
desde sua ingestão até a multiplicação e obtenção de um bom impacto sobre a
localização nas glândulas salivares, e que, população de vetores.
em média, é de 7 dias. Portanto, a O veículo deve realizar um percurso de
eliminação das fêmeas a cada 7 dias irá, maneira a contornar cada quarteirão antes
eventualmente, eliminar aquelas que de iniciar o seguinte, conforme esquema a
estejam infectadas. seguir.
A metodologia recomendada pelo
Ministério da Saúde é uma mistura dos dois
esquemas acima e preconiza a realização de
cinco aplicações a UBV em ciclos de três a
cinco dias, conforme a Figura 21. Após o
quinto ciclo, deve-se avaliar o impacto
dessa aplicação sobre a transmissão de
dengue e, caso necessário, pode-se realizar
a aplicação por mais dois ciclos. Essa
metodologia é assim indicada porque as
condições atuais de urbanização requerem
um maior esforço, tendo em vista o fato de
somente uma parte da população de É importante ressaltar que a efetividade
mosquitos ser atingida. Atualmente, são das aplicações espaciais é afetada por
frequentes as barreiras físicas, como muros diversos fatores atmosféricos e
altos, além do fato da população muitas operacionais, como velocidade do veículo,
vezes não colaborar com a abertura de diluição do inseticida e a regulagem
portas e janelas durante as aplicações a adequada do equipamento. Outro fator
UBV. É necessário, então, realizar importante é a qualificação dos operadores
previamente um trabalho de e a supervisão da atividade. As normas para
conscientização pela mídia local ou utilização de equipamentos acoplados a
associações de moradores. veículos são discriminadas no Anexo XX.
Aplicação espacial com equipamento
costal motorizado
Os equipamentos costais motorizados
são utilizados em locais onde o acesso com
equipamento pesado não seja possível e
também para bloqueio de transmissão,
quando os primeiros casos são detectados
em uma localidade.
81
Conhecimentos Específicos
A utilização de equipamento costal estratégia que facilita o processo de
motorizado apresenta uma eficácia maior trabalho é a implantação da sala de situação
que o equipamento pesado; porém, de dengue no município ou no estado, que
dependendo da modalidade da sua tem como objetivo principal o
aplicação, o rendimento é bastante baixo. A monitoramento de indicadores
utilização desses equipamentos em epidemiológicos e operacionais.
aplicações intra e peridomiciliares tem um Essas aplicações têm caráter transitório,
rendimento de, no máximo, 6 devendo ser suspensas quando as
quarteirões/equipamento/dia, o que é um informações epidemiológicas indicarem
impeditivo para uso em grandes áreas, que houve progresso no controle da
devido ao número de operadores e transmissão. As aplicações de UBV pesada
equipamentos necessários para conter deverão ser feitas no turno da manhã, entre
rapidamente a transmissão. 5 h e 8 h, e à noite, entre 18h e 22h.
A eficiência do bloqueio de transmissão
Aplicação residual aumenta consideravelmente quando se
Consiste em deixar, nas superfícies dos realiza a remoção prévia dos focos
recipientes e ao seu redor, uma camada de larvários, com a intensificação das visitas
cristais do princípio ativo. A permanência domiciliares e mutirões de limpeza e com a
do inseticida na proximidade do criadouro colaboração da população, abrindo portas e
aumenta a possibilidade de eliminação do janelas, de maneira a facilitar a entrada das
mosquito. A aplicação residual gotículas no domicílio.
intradomiciliar não é indicada, em razão da O bloqueio de transmissão é a estratégia
biologia e dos hábitos do Aedes aegypti. de escolha para uma ação imediata, quando
Para essa atividade, deverão ser utilizados se faz necessário o combate ao vetor na
os materiais relacionados no Anexo XI. forma adulta. São exemplos dessas
situações:
Bloqueio de transmissão • município infestado, mas sem
O bloqueio de transmissão baseia-se na transmissão confirmada, sendo importante
aplicação de inseticida por meio da buscar a confirmação laboratorial de caso
nebulização espacial a frio – tratamento a suspeito;
UBV –, utilizando equipamentos portáteis • município com transmissão
ou pesados em, pelo menos, uma aplicação, confirmada, em que a notificação de casos
iniciando no quarteirão de ocorrência e suspeitos é suficiente para desencadear o
continuando nos adjacentes, considerando bloqueio, desde que o número de casos seja
um raio de 150m. baixo, ou seja, quando o período é não
As atividades de bloqueio de epidêmico;
transmissão devem, preferencialmente, ser • quando da confirmação de caso
adotadas após análise atualizada de importado em município infestado, mas
indicadores epidemiológicos (número e sem ocorrência de notificação de dengue;
localização dos casos por área, índice de • quando da notificação de caso
infestação, sorotipo circulante) e suspeito procedente de região ou país onde
operacionais (cobertura de visitas, número esteja ocorrendo a transmissão por um
de quarteirões, índice de pendência etc.) da sorotipo não circulante naquele
área onde será feita a intervenção, município/área.
permitindo, assim, avaliar o impacto das
medidas adotadas. Dessa forma, é 5.3.7. Roteiro da vigilância
imprescindível a estreita integração e entomológica e controle vetorial
articulação dos serviços de vigilância Atribuições da esfera municipal
epidemiológica e entomológica, de controle • Incluir a vigilância sanitária
de vetores e da área de assistência. Uma municipal como suporte às ações de
82
Conhecimentos Específicos
vigilância e controle vetorial, que exigem o vetor.
cumprimento da legislação sanitária. • Gerenciar a Central de UBV, com
• Integrar as equipes de saúde da distribuição adequada dos equipamentos
família nas atividades de controle vetorial, aos municípios, considerando os
unificando os territórios de atuação de ACS indicadores entomo-epidemiológicos.
e ACE. • Executar as ações de controle da
• Realizar o levantamento de dengue de forma complementar aos
indicadores entomológicos. municípios, conforme pactuação.
• Executar as ações de controle • Prover equipamentos de EPI e
mecânico, químico e biológico do insumos, conforme regulamentação.
mosquito. • Gerenciar o sistema de informação
• Enviar os dados entomológicos ao no âmbito estadual, consolidar e enviar os
nível estadual, dentro dos prazos dados regularmente à esfera federal, dentro
estabelecidos. dos prazos estabelecidos pelo gestor
• Gerenciar os estoques municipais federal.
de inseticidas e biolarvicidas. • Analisar e retroalimentar os dados
• Adquirir as vestimentas e da dengue aos municípios.
equipamentos necessários à rotina de • Apoiar os municípios com pessoal,
controle vetorial. insumos e equipamentos, em situações de
• Adquirir os equipamentos de EPI emergência.
recomendados para a aplicação de • Participar das atividades de
inseticidas e biolarvicidas nas ações de monitoramento da resistência do Aedes
rotina. aegypti ao uso de inseticidas, com o
• Participar das atividades de acompanhamento técnico aos municípios
monitoramento da resistência do Aedes na coleta e envio de ovos aos laboratórios
aegypti ao uso de inseticidas, com a coleta de referência.
de ovos mediante armadilhas (municípios • Definir fluxos e realizar os exames
selecionados). de dosagem de colinesterase.
• Coletar e enviar ao laboratório de • Constituir Comitê Gestor
referência amostras de sangue, para Intersetorial, sob coordenação da secretaria
dosagem de colinesterase nos casos estadual de saúde, com representantes das
indicados. áreas do estado que tenham interface com o
• Constituir Comitê Gestor problema dengue (defesa civil, limpeza
Intersetorial, sob coordenação da secretaria urbana, infraestrutura, segurança, turismo,
municipal de saúde, com representantes das planejamento, saneamento etc), definindo
áreas do município que tenham interface responsabilidades, metas e indicadores de
com o problema dengue (defesa civil, acompanhamento de cada área de atuação.
limpeza urbana, infraestrutura, segurança,
turismo, planejamento, saneamento etc), Atribuições da esfera federal
definindo responsabilidades, metas e • Prestar assessoria técnica aos
indicadores de acompanhamento de cada estados e municípios.
área de atuação. • Normatizar tecnicamente as ações
de vigilância e controle da dengue.
Atribuições da esfera estadual • Prover insumos, conforme
• Prestar assistência técnica aos regulamentação.
municípios. • Consolidar os dados provenientes
• Supervisionar, monitorar e avaliar do estado.
as ações de prevenção e controle vetorial. • Executar as ações de controle da
• Gerenciar os estoques estaduais de dengue de forma complementar aos estados
inseticidas e biolarvicidas para controle do ou em caráter excepcional, quando
83
Conhecimentos Específicos
constatada a insuficiência da ação estadual. permanentes.
• Apoiar os estados com insumos e • Realizar a aplicação de UBV, em
equipamentos da reserva estratégica, em articulação com a SES, utilizando
situações de emergência. equipamentos costais ou pesados, com
• Manter e controlar estoque cobertura de 100% da área de transmissão.
estratégico de insumos e equipamentos. Deve-se priorizar as áreas com registros de
• Monitorar a resistência do Aedes maior número de notificações por local de
aegypti ao uso de inseticidas, com a infecção, estratos em situação de risco de
definição dos laboratórios de referência, surto (IIP > 3,9%) e de alerta (IIP >1 e
seleção de municípios, divulgação dos <3,9%) e locais com grande
resultados e manejo da resistência, o que concentração/circulação de pessoas (tendas
pode incluir a troca de inseticidas. de hidratação, terminais rodoviários,
• Convocar Grupo Executivo hospitais etc.).
Interministerial (Portaria nº 2.144/2008), • Priorizar o uso de equipamentos de
definindo responsabilidades e indicadores UBV portáteis em localidades com baixa
de acompanhamento de cada área de transmissão.
atuação. • Planejar cinco a sete ciclos, com
intervalos de três a cinco dias entre as
5.3.8. Controle vetorial em aplicações, de acordo com a quantidade de
período epidêmico equipamentos disponíveis. É importante
No período epidêmico, caracterizado por ressaltar que essas aplicações têm caráter
alta transmissão de dengue, as ações de transitório, devendo ser suspensas quando a
campo devem ser otimizadas, com o transmissão for interrompida. Para melhor
objetivo de reduzir a população do entendimento, observar a Figura 21.
mosquito transmissor da doença. Nesse • Intensificar a visita nos pontos
período, devem ser implementadas, estratégicos, com a aplicação mensal de
imediatamente, alterações nas atividades de inseticida residual.
rotina que visem à redução do índice de • Publicar ato institucional
infestação predial. Dentre as ações que convocando todos os profissionais de saúde
devem ser implementadas, destacam-se: envolvidos para intensificar as ações de
Atribuições da esfera municipal controle (vigilância epidemiológica,
• Análise das notificações dos casos vigilância sanitária, controle de vetores,
de dengue, detalhando as informações pela atenção básica, assistência e
menor unidade geográfica possível (região administração). Se necessário, esse ato deve
administrativa, distrito, bairro, área de indicar medidas, tais como a suspensão de
abrangência de unidades de saúde, estratos férias e folgas, entre outras.
etc.), para identificação precisa dos locais • Com base nos dados dos
em situação epidêmica. indicadores entomológicos, executar ações
• Caso o município não possua direcionadas, priorizando as áreas onde o
indicadores entomológicos atualizados, LIRAa apontou estratos em situação de
fornecidos pelo último ciclo de trabalho, risco de surto (IIP > 3,9%) e de alerta (IIP
deve realizar o LIRAa, com o objetivo de >1 e <3,9%), visando ao manejo e/ou
nortear as ações de controle. eliminação dos depósitos com ações
• Com a informação entomológica específicas, tais como mutirões de limpeza,
atualizada, suspender o levantamento de instalação de capas de caixas d’água e
índice (LI) de rotina e intensificar a visita recolhimento de pneumáticos.
domiciliar em 100% dos imóveis do • Designar um representante da
município, com manejo dos criadouros entomologia/controle vetorial capacitado
passíveis de remoção/eliminação e para realizar as análises de dados (mutirões
tratamento focal dos depósitos de limpeza realizados, bloqueio,
84
Conhecimentos Específicos
indicadores entomológicos, identificação e • Garantir o repasse de insumos aos
sinalização dos locais com maior risco de estados, conforme regulamentação.
transmissão), que subsidiarão o grupo de • Designar um representante da
monitoramento no âmbito do Cievs, onde entomologia/controle vetorial para realizar
houver. as análises dos dados provenientes dos
estados (mutirões de limpeza realizados,
Atribuições da esfera estadual bloqueio, indicadores entomológicos,
• Assessorar os municípios na identificação e sinalização dos locais com
elaboração de estratégias de controle de maior risco de transmissão), que
vetores. subsidiarão o grupo de monitoramento, no
• Designar um representante da âmbito do Cievs.
entomologia/controle vetorial para realizar
as análises dos dados provenientes dos 5.3.9. Ações de vigilância
municípios (mutirões de limpeza sanitária no controle de vetores
realizados, bloqueio, indicadores A integralidade, incluindo as ações de
entomológicos, identificação e sinalização vigilância sanitária no escopo de
dos locais com maior risco de transmissão), instrumentos para o controle de vetores, é
que subsidiarão o grupo de monitoramento, importante para complementar estas
no âmbito do Cievs, onde houver. responsabilidades.
• Assessorar os municípios no Podemos identificar basicamente duas
processo de vistoria e calibragem dos grandes áreas de atuação da vigilância
equipamentos de nebulização espacial sanitária no controle da dengue:
(vazão, pressão e rotação), para garantir a a) Fiscalização sanitária.
qualidade durante a aplicação. b) Manejo ambiental.
• Realizar manutenção periódica dos A fiscalização sanitária é uma das
equipamentos de nebulização que fazem atribuições da Visa junto ao setor regulado,
parte da central estadual de UBV. por intermédio da inspeção sanitária, com a
• Apoiar os municípios, por qual é possível:
intermédio das centrais de UBV, na • identificar situações propícias ao
realização das operações de UBV, bem criadouro de Aedes aegypti;
como orientar a sua indicação. • adotar medidas educativas e/ou
• Assessorar os municípios na legais, a partir das irregularidades
realização de avaliação de impacto das constatadas;
aplicações espaciais de inseticidas, • comunicar as situações de risco à
utilizando metodologia recomendada pela coordenação estadual e municipal de
Organização Mundial de Saúde (OMS, controle da dengue;
2001), que preconiza o uso de ovitrampas, • apoiar as ações do controle de
captura de adultos e provas biológicas com dengue que necessitem de medidas legais; e
gaiolas. • identificar e prevenir a existência de
• Apoiar e orientar tecnicamente a criadouros do mosquito em portos,
realização do LIRAa nos municípios de aeroportos e fronteiras.
maior risco no estado.
• Repassar os inseticidas e larvicidas O manejo ambiental é um conjunto de
aos municípios. medidas e intervenções nos fatores de risco
ambientais que impeçam ou minimizem a
Atribuições da esfera federal propagação do vetor, evitando ou
• Assessorar tecnicamente os estados destruindo os criadouros potenciais de
e, excepcionalmente, os municípios na Aedes aegypti, por meio de:
elaboração de estratégias de controle de • boas práticas na gestão dos resíduos
vetores. sólidos;
85
Conhecimentos Específicos
• instalação de ecopontos (Resolução de diversos setores – como educação,
Conama nº 307/2003); e saneamento e limpeza urbana, cultura,
• regulação de indústrias, comércios, turismo, transporte, construção civil e
escolas, hospitais, igrejas, dentre outros, no segurança pública – assim como o
sentido de eliminar os riscos de criadouros. envolvimento de parceiros do setor privado
e da sociedade organizada, extrapolando o
5.4. Comunicação e mobilização setor saúde.
O desenvolvimento das práticas Vale lembrar que a comunicação não
educativas no SUS tem por base as ações de pode ser o único componente para trabalhar
comunicação, imprescindíveis para mudanças de comportamento. A educação
fomentar os processos de mobilização. O em saúde também exerce importante papel
objetivo dessas ações é a adesão das nesse processo. A mobilização deve ser
pessoas e da sociedade organizada, de compreendida como um suporte para as
maneira consciente e voluntária, para o ações de gestão, utilizando-se das
enfrentamento de determinado problema. ferramentas da comunicação para fazer
Tais ações podem tanto estimular a chegar à sociedade o papel de cada um nas
mobilização a partir de organizações sociais ações a serem implementadas.
já existentes quanto fomentar a criação de As ações devem ser desenvolvidas com
grupos ou associações que trabalhem em base em dois cenários, de acordo com os
ações de prevenção e controle. Essas áreas critérios epidemiológicos definidos nestas
(comunicação e mobilização) devem diretrizes – período não epidêmico e
manter ações e atividades estratégicas e de período epidêmico – e prevendo atribuições
rotina nas instituições nas quais estão para as três esferas de governo. O gestor
inseridas, de forma articulada e deverá direcionar as ações de comunicação
complementar, de modo a potencializar a e mobilização para a população em geral e
divulgação, discussão e compreensão de para os atores que atuam na saúde
temas elegidos como prioritários e de (profissionais, conselheiros, lideranças
relevância em Saúde Pública. sociais, movimentos sociais e líderes
No contexto destas Diretrizes Nacionais comunitários), incentivando a
para a Prevenção e Controle de Epidemias corresponsabilidade da população no
de Dengue, a produção de informações controle da doença. Recomenda-se nesse
oportunas, coerentes e confiáveis sobre a documento que a mobilização priorize
dengue faz parte do processo de ações com as secretarias municipais e
sensibilização e mobilização da população, estaduais de Educação e com o Ministério
necessário ao fortalecimento do SUS na da Educação para potencializar os
defesa da saúde das pessoas. multiplicadores.
Ferramenta primordial na disseminação No sentido de imprimir
de informações relacionadas à dengue, a operacionalidade a esse componente, as
comunicação compreende as estratégias de ações subdividem-se em três eixos:
ocupação dos espaços de mídia comercial, assessoria de imprensa, publicidade e
estatal e alternativa (como rádios comunicação intersetorial e mobilização
comunitárias), bem como a produção de junto à sociedade.
material de acordo com o conhecimento, a A seguir, sugerimos algumas medidas
linguagem e a realidade regionais. Essas para subsidiar a confecção de cada plano de
ações devem ser articuladas com as comunicação, de acordo com as
estratégias de mobilização, garantindo a peculiaridades da gestão.
participação de todos os envolvidos na
elaboração desses materiais. 5.4.1. Período não epidêmico
Ressalta-se que combater o Aedes O objetivo é incentivar a divulgação de
aegypti demanda o envolvimento articulado medidas de prevenção de dengue, como
86
Conhecimentos Específicos
forma de incentivar a população a adotar se que a divulgação deve especificar a
hábitos e condutas capazes de evitar a distribuição dos casos e o índice de
proliferação do mosquito transmissor. infestação, de acordo com o território de
Dessa forma, recomenda-se que as abrangência.
mensagens de comunicação para esse ▶ Monitorar, por meio do clipping, o
cenário envolvam conteúdos educacionais e noticiário sobre dengue, assim como
informativos sobre: rumores de surtos.
▶ a eliminação dos criadouros dos ▶ Atender oportunamente às demandas
mosquitos da dengue; de imprensa e realizar busca ativa de meios
▶ a biologia e os hábitos do Aedes de divulgação de informações educativas e
aegypti; preventivas.
▶ os locais de concentração do agente ▶ Promover troca de experiências entre
transmissor; as assessorias de imprensa das três esferas
▶ os principais sintomas da doença; e do SUS.
▶ recomendações para que a população, ▶ Divulgar as medidas de prevenção
em caso da doença, recorra aos serviços de previstas para o cenário não epidêmico dos
atenção primária à saúde. planos estaduais, dos municipais ou das
Assessoria de imprensa diretrizes nacionais.
A assessoria de imprensa, que pode ter
várias estruturas organizacionais, Publicidade
dependendo da dimensão da gestão em que À publicidade compete executar as
está inserida, atua no acesso, sistematização campanhas publicitárias de utilidade
e divulgação de informações produzidas pública sobre dengue com os seguintes
pelas demais áreas, alimentando as mídias objetivos:
espontâneas (tradicionais e populares) e ▶ informar a sociedade sobre a doença,
tendo como uma de suas principais por meio de material publicitário;
atividades a articulação e o diálogo com ▶ alertar a sociedade sobre as principais
veículos de comunicação. atitudes que devem ser tomadas; e
▶ alertar, a partir dos boletins
Atribuições comuns da assessoria de epidemiológicos, para a mudança de
imprensa do Ministério da Saúde, SES e cenário da doença.
SMS
▶ Definir, em conjunto com o gestor e Atribuições comuns da área de
com a participação da área técnica, o porta- publicidade do Ministério da Saúde, SES
voz que será responsável pela interlocução e SMS
com os veículos de comunicação. ▶ Elaborar campanha publicitária,
▶ Acompanhar o porta-voz nas conforme perfil do público alvo e
entrevistas concedidas à imprensa. peculiaridades regionais.
▶ Divulgar pautas a partir das ▶ Preparar material informativo para
informações da área técnica, de maneira a instrumentalizar ouvidorias e profissionais
manter o tema em evidência. de saúde.
▶ Convocar coletiva de imprensa para ▶ Monitorar todas as etapas de
anunciar ou divulgar ações preventivas que elaboração e implementação da campanha
evitem surtos. publicitária, de modo a identificar a
▶ Divulgar periodicamente a situação necessidade de ajustes/aprimoramento.
da infestação do mosquito e de casos da ▶ Elaborar, em conjunto com a
doença. Essa divulgação deve ser articulada comunicação intersetorial e a mobilização
entre os gestores da esfera federal com a social, estratégia de comunicação a ser
estadual e da estadual com a municipal, de utilizada na parceria com as secretarias
acordo com os fluxos pactuados. Ressalta- estaduais e municipais de Educação, tais
87
Conhecimentos Específicos
como programas educativos pela internet, segmentos representados.
cartilhas interativas, entre outras ações. • Colaborar na articulação com as
▶ Buscar parcerias com empresas secretarias municipais e estaduais de
públicas e privadas, com o objetivo de Educação, para prover parcerias que
conferir maior abrangência/reforço à objetivem o desenvolvimento das ações de
comunicação. educação em saúde nas escolas públicas e
▶ O Ministério da Saúde deve avaliar, privadas, especialmente com vistas a
por meio de pesquisa qualitativa e eliminar ou evitar criadouros de mosquito e
quantitativa, o impacto das ações de disseminar informações sobre sinais e
comunicação. sintomas da doença. Essas iniciativas
Comunicação intersetorial e deverão mobilizar toda a comunidade
mobilização social escolar e fortalecer o tema dengue na
As ações de comunicação e mobilização estratégia do Programa Saúde nas Escolas.
são de responsabilidade das três esferas de • Desenvolver localmente acervo
gestão, devendo ser conduzidas de forma portátil de materiais, com estratégias de
intersetorial, com apoio de entidades da comunicação a serem utilizadas na
sociedade organizada. mobilização a ser realizada em parceria
com as secretarias estaduais e municipais
Atribuições comuns da área de de Educação, como programas educativos
comunicação intersetorial e mobilização pela internet, cartilhas interativas, entre
social do Ministério da Saúde, SES e outros.
SMS • Articular parcerias com o setor
• Colaborar na implantação de privado (empresas, indústrias, órgãos de
comitês de mobilização comunicação, construtoras, comércio etc.) e
estaduais/municipais em locais estratégicos com segmentos sociais, religiosos, sindicais
para o controle da dengue. Os comitês e outros, para que essas instituições
devem ser de iniciativa da gestão estadual contribuam na disseminação de
ou municipal do SUS e integrados por informações sobre a doença.
diversos setores de governo, por lideranças
comunitárias, empresas privadas e pela Recomenda-se que os Comitês de
sociedade civil. Mobilização:
• Qualificar as ouvidorias estaduais a) orientem a sua organização com
do SUS e ouvidorias municipais existentes base nas diretrizes da Política Nacional de
(serviços de disque dengue, por exemplo), Gestão Estratégica e Participativa,
com capacidade de produzir relatórios aprovada pela Portaria nº 3.027, de 26 de
ágeis, que possam orientar a ação da gestão novembro de 2007;
e da mobilização. b) elaborem uma proposta de trabalho
• Pautar a temática da dengue e o para a mobilização, a partir dos dados
papel dos conselhos nos processos de entomológicos e epidemiológicos;
educação permanente para o controle c) articulem com a gestão do SUS um
social, que estão sendo desenvolvidos nos fluxo de trabalho para assessoramento,
estados com o apoio técnico, financeiro e acompanhamento e monitoramento das
institucional da Secretaria de Gestão ações de mobilização;
Estratégica e Participativa do Ministério da d) definam cronograma de trabalho,
Saúde. tarefas e responsabilidades de cada parceiro
• Colaborar na realização de do comitê nas ações de mobilização;
encontros, oficinas e/ou seminários para e) promovam materiais informativos
fortalecer o compromisso dos conselhos de de prevenção e controle da dengue, com
saúde com o enfrentamento da dengue, linguagens da comunidade a ser
principalmente com a mobilização dos mobilizada, coerentes com a cultura local e
88
Conhecimentos Específicos
apoiando manifestações artísticas e ▶ Atender às demandas da imprensa de
culturais que possam atuar na comunicação forma oportuna e coordenada.
e na mobilização; e ▶ Participar das reuniões técnicas do
f) desenvolvam parcerias e articulação Cievs, onde houver, ou grupo de
com os conselhos de saúde. monitoramento, para manter a articulação
com as demais áreas técnicas e, assim, obter
5.4.2. Período epidêmico melhor desempenho. Essa integração
O objetivo principal nesse cenário é possibilita a divulgação de respostas
evitar óbitos. Dessa forma, recomenda-se oportunas e de qualidade junto à mídia e à
que o foco das ações de comunicação e população.
mobilização seja: ▶ Divulgar sinais de alerta e sintomas da
• divulgação dos sinais e sintomas da doença, a fim de evitar óbitos, bem como a
complicação da doença; organização dos serviços de referência para
• alerta sobre os perigos da atendimento dos casos de dengue.
automedicação; ▶ Realizar a divulgação periódica da
• orientação à população para situação da doença no estado, em
procurar atendimento médico na unidade de articulação com os municípios.
saúde mais próxima ou informação sobre as Recomenda-se observar uma periodicidade
unidades de referência indicadas pelos semanal.
gestores, para que o cidadão tenha ▶ Realizar a divulgação periódica da
atendimento médico logo nos primeiros situação da doença nos bairros e no
sintomas; município. Recomenda-se observar uma
• esclarecimentos sobre medidas de periodicidade semanal.
autocuidado, especialmente sobre a
hidratação oral; e Publicidade
• reforço às ações realizadas no Atribuições comuns da área de
período não epidêmico, especialmente publicidade do Ministério da Saúde, SES e
quanto à remoção de depósitos, com a SMS
participação intersetorial e da sociedade. - Veicular campanha publicitária,
conforme plano de mídia estabelecido pelas
Assessoria de imprensa três esferas de gestão, nas regiões onde há
Atribuições comuns da assessoria de maior incidência de casos confirmados de
imprensa do Ministério da Saúde, SES e dengue.
SMS
▶ Definir, em conjunto com o gestor e Comunicação intersetorial e
com a participação da área técnica, o porta- mobilização social
voz que será responsável pela interlocução Intensificar por meio dos comitês de
com os veículos de comunicação. comunicação as ações para promover o
▶ Acompanhar o porta-voz nas controle da doença a fim de evitar óbitos. A
entrevistas concedidas à imprensa. seguir, algumas medidas de atuação dos
▶ Divulgar periodicamente resultados comitês:
do levantamento dos índices de infestação • promover a comunicação na
do mosquito e de casos registrados, com localidade a respeito da infestação do
base em informações repassadas pelos mosquito no bairro, utilizando diversos
estados e municípios. recursos comunicacionais, tais como teatro,
▶ Realizar coletiva de imprensa para fantoches, cordeis etc.;
anunciar ações do governo que objetivem • informar sobre as medidas de
controlar a epidemia. controle em mensagens de assimilação
▶ Orientar/subsidiar o porta-voz sobre fácil, por meio da distribuição de panfletos,
os pontos de interesse da imprensa. botons, cartazes etc.;
89
Conhecimentos Específicos
• disseminar informações sobre sinais grupo de trabalho, nas secretarias estaduais
e sintomas da doença; e municipais de Saúde, para a coordenação
• produzir mapas sobre a localização e gestão do processo. No âmbito federal, o
das unidades de saúde e distribuí-los nas Ministério da Saúde instituiu o Grupo
comunidades; Executivo da Dengue, constituído pelas
• realizar oficinas para secretarias de Vigilância em Saúde, de
multiplicadores e novos voluntários Atenção à Saúde, de Gestão do Trabalho e
aderentes à mobilização; da Educação em Saúde, de Ciência,
• organizar atividades como oficinas Tecnologia e Insumos Estratégicos e de
de trabalho, mutirões de limpeza etc., Gestão Estratégica e Participativa.
distribuídos pelo território de acordo com Caberá às secretarias estaduais de saúde
índices de infestação, localização de casos apoiar o processo de elaboração dos planos
ou prevalência de criadouros; municipais e coordenar os planos regionais,
• monitorar e avaliar o processo de especialmente em regiões metropolitanas.
mobilização, considerando frequências das Os planos estaduais, regionais e
reuniões dos comitês, número de microrregionais devem ser submetidos à
localidades com atividades de mobilização Comissão Intergestores Bipartite e os
e educação para controle da dengue, setores planos municipais, aos Conselhos
envolvidos nas atividades, quantidade e Municipais de Saúde.
tipo de atividades desenvolvidas, de forma Os planos dos estados e municípios
a verificar a efetividade das ações e a deverão contemplar as diretrizes nacionais,
necessidade de reorientação destas; sem prejuízo da inclusão de especificidades
Nesse período também deve-se adequar que atendam às realidades locais. Os planos
à situação epidêmica as informações das devem ser elaborados à luz dos princípios
ouvidorias a serem disponibilizadas à do Pacto pela Saúde no que diz respeito à
população e capacitar os atendentes do responsabilização sanitária, com
disque saúde local para que atualizem as compromissos assumidos pelas três esferas
informações, incluindo as relacionadas à de gestão.
localização dos serviços de saúde de Para a operacionalização das diretrizes
referência para a dengue; e intensificar as estabelecidas neste documento, ressalta-se
ações de mobilização junto às secretarias a necessidade de organização da rede de
municipais e estaduais de Educação, para serviços de saúde, com o fortalecimento da
produzir e divulgar informações sobre os Atenção Primária em Saúde. Destaca-se
sinais de alerta da doença, sobre hidratação que as ações de vigilância em saúde devem
oral e também sobre como acessar os estar estrategicamente inseridas nos
serviços de saúde, além de organizar e serviços de atenção primária, como
capacitar multiplicadores nas escolas, nas ferramenta norteadora para subsidiar a
comunidades, nos grupos e coletivos tomada de decisão do gestor local.
sociais. Reforça-se a necessidade de assegurar,
pelas três esferas de governo, o acesso a
6. Gestão dos planos de prevenção e fontes de informações sobre os padrões de
controle de epidemias de dengue ocorrência da doença, índices de infestação
Este documento de diretrizes para predial e número de casos. Essas
enfrentamento da dengue, construído pela informações serão destinadas aos usuários e
Secretaria de Vigilância em Saúde com aos profissionais de saúde, sendo necessária
expressiva participação do Conass e a implantação de mecanismos que garantam
Conasems, tem o objetivo de contribuir na ampla divulgação por meio de suas
elaboração, adequação e atualização dos assessorias de imprensa.
planos estaduais e municipais. Para isso, As ações de comunicação e de
recomenda-se a constituição formal de mobilização social devem ser conduzidas
90
Conhecimentos Específicos
de forma intersetorial, com apoio de • planejamento estratégico e
entidades da sociedade organizada. programação (elaboração dos planos
O estabelecimento de estratégias e estaduais e municipais) e monitoramento.
mecanismos de capacitação pelo MS, em Cada um destes eixos foi abordado
articulação com as SES e SMS, deverá separadamente ou perpassam os itens
garantir que os profissionais de saúde elucidados nestas diretrizes, o que facilita
envolvidos nas áreas de assistência, ao gestor compreender e planejar estas
vigilância epidemiológica, controle vetorial ações no seu espaço de atuação.
e comunicação e mobilização social sejam Cabe ainda observar que o planejamento
preparados para o enfrentamento da estratégico destas ações será potencializado
dengue. com a participação de todos os
Na esfera federal, foi instituído o Grupo protagonistas. A gestão não pode
Executivo Interministerial, que tem como desconsiderar o papel importante que tem o
objetivo a implementação de medidas trabalhador, os diversos setores de governo
intersetoriais, para a redução dos fatores e a sociedade organizada na formulação dos
determinantes da infestação do Aedes planos estaduais e municipais. A
aegypti e visando à prevenção e ao controle experiência do SUS demonstra que a
de epidemias (Portaria Interministerial, n° participação de todos na construção das
2.184, de 10 de outubro de 2008). O grupo propostas subsidiadas nas diretrizes
conta com representantes dos Ministérios assegura o vigor necessário para o sucesso
da Saúde, Cidades, Defesa, Educação, deste enfrentamento.
Integração Nacional, Justiça, Meio A seguir estão listadas as principais
Ambiente e Turismo, Casa Civil e ações de gestão das três esferas do SUS para
Secretaria de Comunicação Social da a adequada implantação das Diretrizes
Presidência da República. É recomendável Nacionais para a Prevenção e Controle de
que estados e municípios também criem Epidemias de Dengue.
seus grupos intersetoriais, uma vez que os
determinantes e condicionantes ambientais, Responsabilidades da esfera
políticos e sociais que interferem municipal
diretamente no enfrentamento do problema • Elaborar e aprovar o plano
devem ser considerados, e municipal no Conselho Municipal de
corresponsabilizados no enfrentamento do Saúde.
problema, o qual, equivocadamente, tem • Implantar o grupo executivo da
sido apontado unicamente para o setor dengue no âmbito da SMS, envolvendo as
saúde. áreas de assistência, vigilâncias,
É necessário compreender que o sucesso comunicação e mobilização, entre outras
no controle da dengue se dará apenas julgadas relevantes.
quando a gestão assumir o pleno comando • Implantar Grupo Executivo
da integração das ações setoriais e Intersetorial de Gestão do Plano Municipal
intersetoriais. No caso da dengue, os eixos de Prevenção e Controle de Epidemias de
prioritários da gestão são: Dengue, com a participação das diversas
• organização da assistência; áreas de interesse da administração
• vigilâncias epidemiológica e municipal, tais como limpeza urbana,
sanitária e controle de vetores; defesa civil, educação, saneamento,
• apoio administrativo e logístico; planejamento urbano etc.
• constituição de comitê técnico e de • Acompanhar e monitorar a
comitê de mobilização; ocorrência de casos, óbitos por dengue e
• capacitação e educação permanente; indicadores entomológicos do município.
• gestão de pessoas; • Manter equipes capacitadas para o
• comunicação; desenvolvimento das atividades de
91
Conhecimentos Específicos
assistência aos pacientes, vigilância dos municípios. Nos estados que não
epidemiológica e combate ao vetor. contam com estrutura desse tipo, garantir
• Garantir a supervisão das atividades algum mecanismo de monitoramento, a
de combate ao vetor e levantamentos exemplo da sala de situação.
entomológicos de forma regular. • Cooperar técnica e financeiramente
• Garantir os insumos básicos para o com os municípios, monitorando as metas
desenvolvimento das atividades de pactuadas.
assistência aos pacientes, vigilância • Realizar supervisão nos municípios,
epidemiológica e combate ao vetor, com reuniões periódicas de monitoramento.
conforme regulamentação. • Apoiar a capacitação dos
• Organizar a rede de atenção à saúde profissionais de saúde envolvidos nas
para o atendimento adequado e oportuno atividades de assistência, vigilância
dos pacientes com dengue. epidemiológica, controle de vetores e
• Integrar as ações da atenção comunicação e mobilização.
primária (especialmente ACS e ESF e • Definir e regular, no âmbito da CIB,
Agentes de Controle de Endemias) com as fluxos regionais para garantir a atenção
atividades de vigilância direcionadas à integral aos pacientes com dengue.
prevenção e controle da dengue no • Garantir o acesso dos pacientes aos
município. serviços sob gestão estadual, conforme
• Mobilizar e instrumentalizar pactuação, incluindo suporte laboratorial e
entidades da sociedade organizada, de regulação de leitos.
âmbito municipal, para atuarem no • Estruturar as Centrais de Ultra
enfrentamento da dengue. Baixo Volume (UBV) com capacidade para
apoiar os municípios.
Responsabilidades da esfera estadual • Adquirir e distribuir às SMS os
• Elaborar o plano estadual de insumos para as atividades de combate ao
prevenção e controle de epidemias de vetor, conforme regulamentação.
dengue, coordenar a elaboração dos planos • Produzir campanhas de mídia
regionais e apoiar a elaboração dos planos estadual, com criação de informes e
municipais. materiais educativos.
• Aprovar, nas Comissões • Mobilizar e instrumentalizar
Intergestores Bipartite, os planos de entidades da sociedade organizada e da
prevenção e controle de epidemias de iniciativa privada, de âmbito estadual, para
dengue estadual e regionais. atuarem no enfrentamento da dengue.
• Implantar o Grupo Executivo da • Instituir e assegurar o
Dengue no estado, no âmbito da SES, funcionamento dos comitês de mobilização
envolvendo as áreas de assistência, social.
vigilâncias, comunicação e mobilização,
entre outras julgadas relevantes. Responsabilidades do Ministério da
• Implantar Grupo Executivo Saúde
Intersetorial de Gestão do Plano Estadual • Cooperar técnica e financeiramente
de Prevenção e Controle de Epidemias de para a elaboração, execução e
Dengue, com a participação das diversas monitoramento dos planos estaduais e
áreas de interesse da administração municipais.
estadual, tais como defesa civil, educação, • Apoiar as SES e SMS na
saneamento etc. capacitação dos profissionais de saúde
• Incluir o tema dengue nas atividades envolvidos nas atividades de assistência,
do Cievs estadual, a partir do mês de vigilância epidemiológica, controle de
outubro, para monitorar a ocorrência de vetores e comunicação e mobilização.
casos, óbitos e indicadores entomológicos • Apoiar as SES e SMS na
92
Conhecimentos Específicos
mobilização e capacitação de usuários e No Anexo XXI, apresentamos uma
movimentos sociais. sugestão de cronograma de atividades a
• Produzir e avaliar campanhas de serem desenvolvidas no decorrer do ano e,
mídia nacional, com a elaboração de na Figura 23, sugestões de atividades que
informes e materiais educativos, podendo, podem ser desenvolvidas pelos municípios
em casos de epidemias circunscritas,
realizar intensificação da mídia localizada,
pactuada entre os gestores das três esferas.
• Mobilizar e instrumentalizar
entidades da sociedade organizada e do
setor privado, de âmbito nacional, para
atuarem no enfrentamento da dengue.
• Manter a articulação
interministerial, por intermédio do grupo
executivo específico, visando a atenuar os
macrodeterminantes envolvidos na
manutenção do Aedes aegypti no ambiente. 7. Financiamento dos planos de
• Construir, em conjunto com Conass prevenção e controle de epidemias de
e Conasems, mecanismos que induzam a dengue
integração da atenção primária com a O financiamento das ações para
vigilância em saúde, com destaque para a enfrentamento e redução do impacto da
unificação dos territórios de atuação e dengue sobre a saúde da população é
mecanismos de financiamento de agentes realizado por diferentes fontes de recursos,
de controle de endemias. de forma solidária entre as três esferas de
• A partir de outubro de 2009, incluir gestão do Sistema Único de Saúde e mesmo
o tema dengue nas atividades do Cievs, de de forma intersetorial.
maneira a preparar respostas coordenadas à Compreendendo a complexidade que
situação epidemiológica da dengue no país. envolve o enfrentamento de um problema
• Coordenar com as SES, a partir do com determinantes intersetoriais e
mês de outubro, a realização do LIRAa nos multicausal como a dengue, o Ministério da
municípios de maior risco, bem como Saúde alterou, a partir da competência
estimular a sua realização periódica. outubro/2008, os valores referentes ao Teto
• Realizar o monitoramento da Financeiro de Vigilância em Saúde de 642
resistência do Aedes aegypti em articulação municípios considerados prioritários em
com SES e SMS e, se indicado, o rodízio de todas as UF do país, incluindo o DF, com
inseticidas nas áreas com resistência ratificação das respectivas Comissões
comprovada. Interinstitucionais Bipartites (CIB) acerca
• Ofertar às secretarias estaduais de dos municípios contemplados. Além dos
saúde a ata de registro de preços nacional recursos do teto, mantém a aquisição e
para aquisição de insumos que podem ser distribuição dos inseticidas, kits
financiados com recursos do TFVS diagnósticos e determinados equipamentos
estadual. utilizados no controle da dengue.
• Apoiar estados e municípios com No entanto, mesmo com a existência dos
equipamentos e veículos da reserva recursos específicos relacionados, aos quais
estratégica do Ministério da Saúde. se somam também recursos de origem
• Adquirir e distribuir às SES os estadual e municipal, é necessário
insumos para as atividades de combate ao reconhecer a diversidade de fontes de
vetor, conforme regulamentação. financiamento que subsidiam o
enfrentamento de um conjunto de
problemas de saúde pública, onde se insere
93
Conhecimentos Específicos
a dengue. municipais, é insuficiente perante o
Isso significa reconhecer, por exemplo, conjunto de demandas da vigilância, sejam
que as ações executadas na Atenção as de proteção individual ou de proteção
Primária em Saúde financiadas pelos coletiva. Assim, os gestores, na
recursos fixos e variáveis do Piso de oportunidade de pactuação dessas
Atenção Básica, relacionam-se diretamente diretrizes, manifestam o compromisso com
com a prevenção e o controle da dengue; o aperfeiçoamento e ampliação das ações,
que as ações de vigilância ambiental, de visando a mais e melhores resultados, bem
vigilância epidemiológica e de controle como a necessidade de ampliar os esforços
vetorial, financiadas pelos recursos do para rever os mecanismos e elevar os
TFVS, contribuem para a prevenção e o valores de financiamento da vigilância em
controle do problema; que as ações saúde.
assistenciais e de apoio ao diagnóstico,
financiadas pelos recursos do Finlacen, da
Visitas domiciliares, Educação Ambiental,
média e alta complexidade, custeiam as
Saúde Pública e Saneamento Básico
ações de atendimento às pessoas
acometidas pela doença; que as ações de
mobilização social e as de comunicação, A visita domiciliar4 é a atividade mais
seja por meio de campanhas nacionais ou importante do processo de trabalho do
mídias locais, contribuem agente comunitário de saúde. Ao entrar na
significativamente na prevenção da doença; casa de uma família, você entra não
que as ações de capacitação e educação somente no espaço físico, mas em tudo o
permanente qualificam os profissionais de que esse espaço representa. Nessa casa
saúde para o adequado manejo do vive uma família, com seus códigos de
problema. A todos esses componentes sobrevivência, suas crenças, sua cultura e
federais, soma-se a importante sua própria história.
contrapartida financeira de estados e A sensibilidade/capacidade de
municípios, que viabilizam especialmente a compreender o momento certo e a maneira
presença da força de trabalho responsável adequada de se aproximar e estabelecer
pelo desenvolvimento das ações de uma relação de confiança é uma das
prevenção, controle e assistência. habilidades mais importantes do ACS. Isso
As ações a serem implementadas a partir lhe ajudará a construir o vínculo
destas diretrizes nacionais devem, portanto, necessário ao desenvolvimento das ações
ser financiadas com recursos federais, de promoção, prevenção, controle, cura e
estaduais e municipais de diferentes fontes recuperação.
orçamentárias, que se aplicam a uma Muitas vezes o ACS pode ser a melhor
abordagem integral de enfrentamento do companhia de um idoso ou de uma pessoa
problema, abrangendo ações de prevenção, deprimida sem extrapolar os limites de
controle, diagnóstico e tratamento. suas atribuições. O ACS pode orientar
Se por um lado existe o reconhecimento como trocar a fralda de um bebê e pode ser
da diversidade de fontes que devem compor o amigo e conselheiro da pessoa ou da
o financiamento dessas ações, por outro os família. Nem sempre é fácil separar o lado
gestores das três esferas de governo pessoal do profissional e os limites da
constatam a situação de subfinanciamento relação ACS/família. Isso pode determinar
do setor e, neste caso, especificamente das ou reorganizar seu processo de trabalho e
ações que dependem dos recursos do Teto a forma como se vincula à família.
Financeiro de Vigilância em Saúde. O teto, Recomenda-se que o ACS estabeleça um
somado às contrapartidas estaduais e bom vínculo com a família, mas saiba
4
http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/geral/manual_acs.pdf
94
Conhecimentos Específicos
dissociar a sua relação pessoal do seu Para o desenvolvimento de um bom
papel como agente comunitário de saúde. trabalho em equipe, é fundamental que
A permissão de entrada em uma casa tanto o ACS quanto os demais
representa algo muito significativo, que profissionais aprendam a interagir com a
envolve confiança no ACS e merece todo comunidade, sem fazer julgamentos
o respeito. É o que poderia ser chamado de quanto à cultura, crenças religiosas,
“procedimento de alta complexidade” ou situação socioeconômica, etnia, orientação
pelo menos de “alta delicadeza”. sexual, deficiência física etc.
Cada família tem uma dinâmica de vida Todos os membros da equipe devem
própria e, com as modificações na respeitar as diferenças entre as pessoas,
estrutura familiar que vêm ocorrendo nos adotando uma postura de escuta, tolerância
últimos tempos, fica cada vez mais difícil aos princípios e às distintas crenças e
classificá-la num modelo único. Essas valores que não sejam os seus próprios,
particularidades – ou características além de atitudes imparciais.
próprias – fazem com que determinada Após a realização da visita, você deve
conduta ou ação por parte dos agentes e verificar se o objetivo dela foi alcançado e
equipe de saúde tenha efeitos diferentes ou se foram dadas e colhidas as informações
atinjam de modo distinto, com maior ou necessárias. Enfim, você deve avaliar e
menor intensidade, as diversas famílias corrigir possíveis falhas. Esse é um passo
assistidas. muito importante que possibilitará
Visando um maior vínculo, é planejar as próximas visitas. Da mesma
interessante combinar com a família o forma, você deve partilhar com o restante
melhor horário para realização da visita da equipe essa avaliação, expondo as
para não atrapalhar os afazeres da casa. eventuais dúvidas, os anseios, as
Você, na sua função de orientar, dificuldades sentidas e os êxitos.
monitorar, esclarecer e ouvir, passa a Toda visita deve ser realizada tendo
exercer também o papel de educador. como base o planejamento da equipe,
Assim, é fundamental que sejam pautado na identificação das necessidades
compreendidas as implicações que isso de cada família. Pode ser que seja
representa. identificada uma situação de risco e isso
Para ser bem feita, a visita domiciliar demandará a realização de outras visitas
deve ser planejada. Ao planejar, utiliza-se com maior frequência.
melhor o tempo e respeita-se também o É por meio da visita domiciliar e da sua
tempo das pessoas visitadas. inserção na comunidade que o agente vai
Para auxiliar no dia a dia do seu compreendendo a forma de viver, os
trabalho, é importante que você tenha um códigos, as crenças, enfim, a dinâmica de
roteiro de visita domiciliar, o que vai vida das famílias por ele acompanhadas. A
ajudar muito no acompanhamento das visita domiciliar requer, contudo, um
famílias da sua área de trabalho. saber-fazer que se aprende no cotidiano,
Também é recomendável definir o mas pode e deve se basear em algumas
tempo de duração da visita, devendo ser condutas que demonstrem respeito,
adaptada à realidade do momento. atenção, valorização, compromisso e ética.
A pessoa a ser visitada deve ser
informada do motivo e da importância da Por meio da visita domiciliar, é
visita. Chamá-las sempre pelo nome possível:
demonstra respeito e interesse por elas. • Identificar os moradores, por faixa
Na primeira visita, é indispensável que etária, sexo e raça, ressaltando situações
você diga seu nome, fale do seu trabalho, como gravidez, desnutrição, pessoas com
o motivo da visita e sempre pergunte se deficiência etc.;
pode ser recebido naquele momento.
95
Conhecimentos Específicos
• Conhecer as condições de moradia e Questões
de seu entorno, de trabalho, os hábitos, as
crenças e os costumes; 01. (Prefeitura de Oeiras/PI – Agente
• Conhecer os principais problemas de de Comunitário de Saúde – COPESE -
saúde dos moradores da comunidade; UFPI/2022) A realização da visita
• Perceber quais as orientações que as domiciliar consiste em um dos principais
pessoas mais precisam ter para cuidar instrumentos de trabalho do ACS (Agente
melhor da sua saúde e melhorar sua Comunitário de Saúde). Sobre a visita
qualidade de vida; domiciliar, julgue as opções a seguir:
• Ajudar as pessoas a refletir sobre os I. O ACS deverá realizar, no mínimo,
hábitos prejudiciais à saúde; uma visita por semana em cada residência;
• Identificar as famílias que necessitam II. A visita domiciliar deve ser realizada
de acompanhamento mais frequente ou de forma espontânea, não exigindo
especial; nenhum preparo prévio;
• Divulgar e explicar o funcionamento III. A quantidade de visitas por
do serviço de saúde e quais as atividades residência varia em função das condições
disponíveis; de saúde de seus habitantes e da existência
• Desenvolver ações que busquem a de crianças e gestantes.
integração entre a equipe de saúde e a Assinale a opção CORRETA:
população do território de abrangência da A - Somente a afirmativa I é correta.
unidade de saúde; B - As afirmativas I e II estão corretas.
• Ensinar medidas de prevenção de C - As afirmativas I e III estão corretas.
doenças e promoção à saúde, como os D - Somente a afirmativa III é correta.
cuidados de higiene com o corpo, no E - Todas as afirmativas estão corretas.
preparo dos alimentos, com a água de
beber e com a casa, incluindo o seu 02. (Prefeitura de Bela Vista de
entorno; Minas/MG – Agente Comunitário de
• Orientar a população quanto ao uso Saúde – FCM/2021) Avalie o que se
correto dos medicamentos e a verificação afirma sobre o trabalho do Agente
da validade deles; Comunitário de Saúde (ACS).
• Alertar quanto aos cuidados especiais I - A atuação está restrita à visita
com puérperas, recém-nascidos, idosos, domiciliar. II - O território e a população
acamados e pessoas portadoras de devem ser reconhecidos. III - O trabalho
deficiências; deve ser baseado no respeito e na ética. IV
• Registrar adequadamente as - A visita domiciliar não precisa ser
atividades realizadas, assim como outros planejada, acontecendo periodicamente. V
dados relevantes, para os sistemas - A visita domiciliar deve ser realizada de
nacionais de informação disponíveis para forma espontânea, sem roteiros prévios.
o âmbito da Atenção Primária à Saúde. Está correto apenas o que se afirma em
A - I e II.
ACS: quando você não souber B - II e III.
responder a alguma pergunta, não se C - III e IV.
preocupe, pois ninguém sabe tudo. Diga D - IV e V.
que vai procurar a resposta e trazê-la na
próxima visita. Alternativas
01.D - 02.B
96
Conhecimentos Específicos
Saneamento e Meio Ambiente drenagem urbana e o tratamento de esgoto
doméstico e industrial, de resíduos sólidos
A primeira definição de saneamento56, urbanos (RSU) e de resíduos industriais, e
de acordo com a Organização Mundial da com a limpeza urbana. Contudo,
Saúde (OMS), trata do controle dos fatores saneamento básico não se refere apenas ao
ambientais da nossa espécie que prejudicam controle de rejeitos, mas ao controle das
ou possam prejudicar o nosso bem-estar, e entradas, como o fornecimento de água
o que faz determinado lugar melhorar a potável e a garantia de alimentos livres de
qualidade de vida e a saúde da população, contaminação. Ainda, como a função do
fornecendo condições, no mínimo, saneamento básico é garantir a saúde
adequadas, e/ou evitando prejuízos a esse pública, o controle de doenças, vetores e
bem-estar. Assim, podemos afirmar que o pragas também deve ser incluído no rol de
saneamento básico é um serviço. Contudo, serviços. Finalmente, temos o esgotamento
precisa que algum órgão, entidade ou pluvial, pois alagamentos e estiagens
empresa execute as atividades relacionadas também influenciam o bem-estar da
a esse serviço, de forma a garantir que seus população. De fato, a Lei de Diretrizes
clientes, no caso a população, recebam Nacionais para o Saneamento Básico, ou
serviços de qualidade e usufruam de seus Lei do Saneamento Básico (n.
efeitos benéficos. 11.445/2007), define saneamento básico
A OMS conceitua saúde pública de como um conjunto de serviços,
forma autonômica em relação à saúde infraestrutura e instalações operacionais de
individual ou privada, ou seja, como “a abastecimento de água, esgotamento
ciência e a arte de promover, proteger e sanitário, limpeza urbana, drenagem
recuperar a saúde, por meio de medidas de urbana, manejos de resíduos sólidos e de
alcance coletivo e de motivação da águas pluviais, de responsabilidade dos
população” (SILVA JÚNIOR, 2013, p. 2), governos Municipal, Estadual e Federal,
incluindo as ações direcionadas para a porém afirma que o planejamento e a
solução dos problemas diretos ou indiretos execução devem ser feitos pelo município,
da saúde popular, como as questões podendo ser contratada uma concessionária
ambientais, de saneamento básico, pública e/ou privada para a prestação dos
socioeconômicas e culturais, incluindo a serviços (BRASIL, 2007).
medicina preventiva e sanitarista. Assim, Mesmo antes dessa lei, a Constituição
entende-se o conjunto de medidas objetivas Federal de 1988 já garantia a saúde, o meio
de prevenção e controle de enfermidades, ambiente equilibrado e uma vida digna
de forma a garantir a saúde privada de todos como direitos fundamentais do brasileiro —
e cada um dos membros de uma e o saneamento básico é fundamental para
coletividade, como uma alavanca garantir esses direitos. O Artigo 21
impulsionadora do progresso e da coesão (BRASIL, 1988) delega ao Governo
nacional. Federal a elaboração das diretrizes para o
O saneamento básico, então, é o saneamento básico, enquanto, conforme o
conjunto de atividades ligadas ao afas- Artigo 24 (BRASIL, 1988), os Governos
tamento de nossos dejetos e rejeitos ou, de Estaduais também podem tratar da
certa forma, um tipo de apoio logístico. preservação ambiental e do controle da
Portanto, atividades que levem adiante o poluição, à medida que os municípios
que rejeitamos, bem como equipamentos, podem interferir localmente nas leis
sistemas e técnicas associadas, fazem parte estaduais e federais.
do saneamento básico. Assim, podemos O saneamento básico tem um forte
relacionar o saneamento básico com a componente cultural e educacional, e sua
5
RONEI, T., S. et al. Meio ambiente. Editora SAGAH, 2018. e-do-solo
6
https://meioambiente.culturamix.com/natureza/poluicao-do-ar-da-agua-
97
Conhecimentos Específicos
ausência ou falta de qualidade golpeia problemas, já que o uso de água
diretamente o bem-estar social. Assim, é contaminada traz outra série de doenças
normal considerá-lo como um bom associadas.
indicador socioeconômico, o que justifica o Outro gargalo na perda desses recursos é
interesse do poder público em regular e a contaminação dos mananciais, o que
garantir os serviços relacionados a políticas causa um efeito cumulativo, aumentando os
que garantam a qualidade desses serviços. custos de tratamento, e onde não há
No Brasil, a falta ou ausência de qualidade tratamento, aumenta a incidência de
de saneamento é o principal problema de doenças relacionadas. Ou seja, é necessário
saúde pública e ambiental. Devido às melhorar a drenagem urbana e a disposição
disparidades sociais, acompanhadas de dos RSU e industriais de maneira
diferenças na qualidade dos serviços de ambientalmente adequada, para que a
saneamento, o assunto também pode ser de contaminação da captação de água diminua
interesse do terceiro setor que, e para que haja economia no tratamento de
historicamente, vem direcionando suas água, além de todos os seus efeitos
ações de ajuda e preservação ao benéficos. Esse investimento gera
desenvolvimento de comunidades locais, de economia de recursos.
forma a estimular sua participação em Ao saneamento básico deve ser delegada
campanhas de esclarecimento e educação prioridade, pois se trata de neces-sidade
ambiental. básica para a sobrevivência, o bem-estar e o
O relatório da OMS (WORLD desenvolvimento. Portanto, investimentos
HEALTH ORGANIZATION; UN- em estações de tratamento, redes e malhas
WATER, 2014), UN-water global analysis são prioritários, pois a melhoria da
and assessment of sanitation and drinking-- qualidade de vida previne o surgimento de
water (GLAAS) 2014 — report, informa outros problemas de resolução mais difícil.
que a proporção de investimento em água e
saneamento e gastos em saúde é de 1 para Impacto do saneamento básico na
4,3, ou seja, a cada dólar investido em saúde
saneamento, economizam-se US$ 4,3 em Como vimos, saneamento básico
saúde. O mesmo relatório coloca, ainda, eficiente corresponde à melhoria na saúde
números estarrecedores: 2,5 bilhões de pública. Sem entrar no mérito financeiro,
pessoas não têm acesso ao saneamento ficou evidente que essa melhoria afeta a
básico, e 1 bilhão não usa banheiros qualidade de vida. Podemos salientar três
(WORLD HEALTH ORGANIZATION; efeitos da falta de saneamento básico com
UN-WATER, 2014). Entretanto, influência direta na saúde pública: a
infelizmente, não há tanto investimento, e o contaminação por agentes patogênicos,
comprometimento financeiro ainda é multo causada pela ingestão/uso de água
alto. contaminada ou de alimentos contaminados
Conforme a Organização Pan- durante a produção; a convivência ou o
Americana de Saúde (OPAS) (NAÇÕES contato direto com água não tratada na área
UNIDAS DO BRASIL, 2014), essa domiciliar; e a presença de RSU no entorno
proporção é de US$ 10 de economia em da área domiciliar, favorecendo a presença
saúde para cada US$ 4 investidos em de animais vetores e de contaminação
saneamento, e saúde preventiva e educação direta.
devem estar relacionadas a esse assunto em Pelos dados apresentados, há uma
qualquer programa. Saneamento sem defasagem clara no saneamento ambiental
educação, sem inclusão social, não do País relacionada, principalmente, à falta
funciona, não acaba com as doenças, e de investimentos e vontade pública, bem
apenas cuidados com o lençol freático não como à degradação do sistema de ensino.
são suficientes para resolver esses Esses fatores reunidos propiciam o contato
98
Conhecimentos Específicos
do esgoto domissanitário com os registrados na década passada encontrou,
mananciais ou com as pessoas, no caso de em média, 13.500 mortes anuais. No
esgoto não drenado. Depósitos irregulares mesmo período, foram constatadas médias
ou mal gerenciados também contribuem anuais de mais de 450 mil notificações
com essa contaminação, pois a fermentação compulsórias, custando mais de R$ 30
dos resíduos orgânicos produz um milhões em consultas médicas, somadas a
lixiviado, denominado chorume, que se quase 760 mil internações hospitalares,
intensifica em volume se há exposição a com um custo de mais de R$ 2 bilhões
intempéries. Podemos adicionar, ainda, o relacionadas a doenças causadas por
gerenciamento ineficiente ou a ausência de problemas de saneamento básico.
gerenciamento de lixo hospitalar e A pesquisa relacionou esses custos a
industrial. Se considerar-mos apenas a uma população de 190,7 milhões de pessoas
contaminação biológica, colocando de lado em 2010, com os custos do final da década
as contaminações físicas e químicas, temos passada. A população atual é de quase
uma vasta fonte de microrganismos, 213,4 milhões, distribuída de maneira
protozoários e fungos para serem ingeridos desigual pelo País, com concentração cada
ou transportados por insetos, roedores e vez maior nas regiões metropolitanas,
aves — a situação é calamitosa. causada pelo crescimento populacional
É consenso mundial que as doenças regional e pela migração do interior e zonas
relacionadas à deficiência no saneamento rurais, ou fugindo da falta de
atingem mais as crianças, principalmente as oportunidades, ou buscando novas. Soma-
de veiculação hídrica (infecções intestinais, se a isso um crescimento urbano caótico,
cólera, febre tifoide, poliomielite, disenteria caracterizado pela invasão e pela ocupação
amebiana, esquistossomose e shigelose), insalubre de áreas de preservação
geralmente diarreicas que, associadas à permanente e áreas de risco, com uma
desidratação consequente, tornam-se defasagem crescente no saneamento básico,
responsáveis por quase 90% dos óbitos para se obter um quadro geral em que, em
infantis. O inverso também é válido: o alguns locais, a falta de saneamento básico
acesso à água encanada e à drenagem vitima pelas consequências de alagamentos
urbana diminui os índices negativos. e chuvas, enquanto, em outros, pela
Estudos feitos no Brasil demonstram a necessidade de racionamento de água
relação entre educação, pobreza e derivado das longas estiagens.
saneamento como fatores mais relevantes A prevalência de doenças de veiculação
para a mortalidade infantil. hídrica relacionadas à deficiência no
Nesse quadro, constata-se que pouco saneamento básico infere que este
mais da metade da população brasileira tem restringe-se ao tratamento de água e esgoto,
acesso ao tratamento de esgoto sanitário; mas o conceito é muito mais amplo. A
logo, constata-se que a outra parte vive em, limpeza pública e a coleta de RSU,
pelo menos, uma das situações incluindo as ações de redução, reutilização,
anteriormente elencadas. As desigualdades reciclagem, tratamento e destinação final
sociais agravam esse quadro, pois vemos ambientalmente adequada, drenagem
uma desproporção no acesso ao tratamento pluvial e controle de vetores de doenças
de esgotos entre as regiões Norte e Sudeste, transmissíveis, também são ações de
de 90 para 17%. saneamento básico. Cabe ressaltar que o
As doenças relacionadas incidem controle de vetores é transversal em
proporcionalmente a esses índices, diversos aspectos do saneamento básico,
demonstrando clara correlação. Um estudo relacionados a água, esgoto e RSU.
que relacionou as deficiências dos serviços Existem diversas maneiras de
de saneamento básico no País com o contaminar a água, desde a simples falta de
número de consultas, internações e óbitos higiene até o contato direto com agentes
99
Conhecimentos Específicos
infectantes. Portanto, a contaminação pela expostos intencionalmente ou não, ou não
água pode ocorrer desde o contato corporal, coletados, ou dispostos em local correto, as
mesmo que sem ingestão, com águas consequências são as mesmas: presença e
contaminadas, por ingestão de água não contaminação de vetores de doenças, como
tratada ou contaminada após o tratamento, moscas, baratas, pombos e ratos (mas não
no transporte ou por falta de higiene no limitados a esses), e contato direto de
manuseio, além de muitas outras maneiras. pessoas, além da produção de lixiviados
Apesar de se tratar de meio aquoso, é derivados da decomposição e/ou lavagem
necessário diferenciar esgoto de água pela chuva.
contaminada, pelo fato de usar água como Além das doenças relacionadas
veículo de transporte de sujidades, fezes e diretamente à ingestão ou ao contato com a
urina, efluentes de limpeza doméstica e de água contaminada, ainda temos que
pia, etc., caracterizando a intenção de fazê- considerar a contaminação de alimentos
lo. Essa ação nem sempre pressupõe que com um agravante cultural: embora a
haverá uma recuperação dessa água contaminação seja associada à falta de
utilizada, e esse é o problema de deficiência saneamento na região produtiva,
de saneamento básico. Nesse quesito, cabe geralmente em zona rural, é a falta de
às entidades e às agências ambientais, em higiene ao não lavar corretamente os
conjunto com as prefeituras, emitirem alimentos, ou as mãos e os utensílios, que
laudos de balneabilidade e sinalizarem as permite a infecção pela ingestão de cistos
áreas impróprias para banho. Então, temos de protozoários e ovos de vermes.
dois problemas apresentados: o primeiro é O controle de vetores de doenças
relativo à drenagem urbana, e o segundo, ao também é parte do saneamento básico, mas
tratamento. a população da maioria dos vetores é
A canalização pode ou não estar presente diretamente afetada pelo manejo e pela
e, nesse caso, pode ou não ser eficiente. O disposição de RSU — a presença de matéria
principal problema de saúde, como já orgânica atrai vetores como insetos e
apresentado, é a existência frequente e roedores em busca de alimento, que acabam
persistente de “esgotos a céu aberto” nas procurando abrigo e alimento nas
regiões mais pobres e insalubres. Por residências do entorno. Entretanto,
preconceito, isso é frequentemente devemos ressaltar que a proliferação de
associado à pobreza, mas, em muitos casos, mosquitos, diretamente relacionada ao
é também consequência da incompetência aumento de casos de doenças como malária,
da administração pública em lidar com o dengue, zika, chikungunya, bem como ao
problema. Nem sempre a drenagem urbana reaparecimento da febre amarela, deve-se
significa resolução do problema, pois, em ao caso particular de acúmulo de água
muitas comunidades, por falta de parada, limpa ou não, dependendo da
conhecimento, consequência e/ou espécie do vetor, ou da deterioração
fiscalização, há mistura do esgoto ambiental que provoca a diminuição de
domissanitário com o pluvial, causando o predadores.
deságue de água contaminada nos É evidente que a qualidade do
mananciais. Esse procedimento é a raiz do saneamento básico interfere diretamente na
encarecimento do tratamento da água para saúde pública, mas não é um fator que deve
consumo, e diversos estudos têm detectado agir isolado, pois a educação por meio de
interferentes metabólicos, como hormônios programas de saúde e educação ambiental
e drogas, na água potável. amplia a proteção das comunidades.
O manejo de RSU apresenta as mesmas
características do que ocorre com o esgoto:
exposição e ineficiência — e pelos mesmos
motivos. Uma vez que encontramos RSU
100
Conhecimentos Específicos
Poluição do Ar, da Água e do Solo A Poluição da Água
A poluição da água é a contaminação de
Fatores atualmente de poluição que mais lagos, rios, oceanos, aquíferos e águas
preocupam todos no nosso planeta é subterrâneas. Ela ocorre quando os
certamente a poluição do ar, das águas e poluentes são direta ou indiretamente
ainda do solo, que acontece por toda a parte, descarregados em locais onde há água sem
devido ao tão temido processo de o adequado tratamento para remover esses
aceleração industrial, com a intervenção do compostos nocivos.
homem na natureza. A poluição da água afeta plantas e
Tanto ao ar, como as águas e o solo são organismos que vivem nesses locais
elementos principais para a sobrevivência contaminados. Em quase todos os casos, o
de qualquer ser vivo, e assim é preciso que efeito é danoso não só para cada espécie e
essas áreas levem respeito e sejam populações, mas também para as
protegidas por todos nós, os únicos comunidades biológicas naturais.
responsáveis por tamanhas catástrofes que
já vem acontecendo há muitos anos. A Poluição do Solo
As consequências dessas poluições só se A poluição do solo é causada pela
confirmam então em milhões de tornados, presença de xenobióticos químicos
furações, terremotos, e demais problemas (produzidos pelo homem), ou por outras
climáticos que atingem todos os seres alterações no ambiente natural do solo. Ela
humanos todos os anos, em escalas cada geralmente é causada pela atividade
vez piores. Ainda é tempo de lutar pelo fim industrial, produtos químicos agrícolas, ou
da poluição e da destruição da natureza. descarte inadequado de resíduos.
Faça parte dessa campanha, e ajude o Os produtos químicos mais comumente
planeta e você com um presente e futuro envolvidos são petróleo hidrocarbonetos,
mais limpo. hidrocarbonetos aromáticos polinucleares,
solventes, pesticidas, chumbo e outros
A Poluição do Ar metais pesados. A contaminação está
A poluição do ar é a introdução de relacionada com o grau de industrialização
partículas, moléculas ou outros materiais ea intensidade do uso de produtos
nocivos na atmosfera. Isso causa doenças, químicos.
mortes, danos a outros organismos vivos,
prejudica a produção de alimentos, etc. Educação Ambiental
A atmosfera é um sistema gasoso
complexo natural que é essencial para A educação ambiental78 vai formar e
manter a vida no planeta Terra. A preparar cidadãos para a reflexão crítica e
destruição da camada de ozônio devido à para uma ação social corretiva, ou
poluição do ar tem sido reconhecida como transformadora do sistema, de forma a
uma ameaça para a saúde humana, bem tornar viável o desenvolvimento integral
como dos ecossistemas da Terra. dos seres humanos.
A poluição urbana do ar foi listada como Ela se coloca em uma posição contrária
dois dos piores problemas de poluição ao modelo de desenvolvimento econômico
tóxica do mundo em 2008. De acordo com vigente no sistema capitalista selvagem, no
o relatório de 2014 da OMS, em 2012, a qual os valores éticos, de justiça social e de
poluição do ar causou pela morte de cerca solidariedade não são considerados, em que
de 7 milhões de pessoas em todo o mundo. a cooperação não é estimulada, mas
prevalece o lucro a qualquer preço, a
competição, o egoísmo e os privilégios de
7
https://www.icmbio.gov.br/educacaoambiental/politicas/pnea.html Sustentabilidade. 2ª edição. Editora Manole, 2014.
8
JR, A. P.; PELICIONI, M. C. F. Educação Ambiental e
101
Conhecimentos Específicos
poucos em detrimento da maioria da Na opinião do embaixador João
população. Clemente Baena Soares (2000, p.VIII), ex‐
A educação ambiental exige um Secretário Geral da Organização dos
conhecimento aprofundado de filosofia, da Estados Americanos (OEA), “a educação
teoria e história da educação, de seus ambiental teve início de modo empírico
objetivos e princípios, já que nada mais é do para atender à tensão e à pressão do
que a educação aplicada às questões de momento. O ritmo alucinante da tragédia
meio ambiente. Sua base conceitual é ambiental da modernidade não lhe deu o
fundamentalmente a educação e, tempo necessário à maturação e decantação
complementarmente, as ciências dos currículos”. As ações desenvolvidas
ambientais, a História, as ciências sociais, a tinham, então, o objetivo de corrigir danos
Economia, a Física, as ciências da saúde, concretos e urgentes.
entre outras. A educação conservacionista, ideia que
As causas socioeconômicas, políticas e antecedeu à educação ambiental, sempre
culturais geradoras dos problemas teve como foco o manejo dos recursos
ambientais só serão identificadas com a naturais. Seu conteúdo baseia‐se nas
contribuição dessas ciências. No entanto, a ciências biológicas e na crença de que a
educação ambiental não pode ser tecnologia tem potencial para solucionar os
confundida com elas. Assim, educação problemas gerados mundialmente,
ambiental não é Ecologia, mas utilizará os indicando como causas a falta de
conhecimentos ecológicos sempre que for conhecimentos e de comportamentos
preciso. adequados da população. Ela persiste e até
É impossível mudar a realidade sem hoje é utilizada por alguns educadores para
conhecê‐la objetivamente. Dessa forma, o desenvolver atividades pontuais.
desenvolvimento de um processo de Aos poucos foi ficando claro que a
educação ambiental implica que se realize, Ecologia, por si só, não dá conta de reverter,
logo de início, um diagnóstico situacional, impedir ou minimizar os agravos
a partir do qual deverão ser estabelecidos os ambientais, os quais dependem de
objetivos educativos a serem alcançados. formação ou mudanças de valores
Não se trata apenas de entender e atuar individuais e sociais que devem expressar-
sobre a problemática ecológica e na se em ações que levem à transformação da
manutenção do equilíbrio dos ecossistemas sociedade por meio da educação da
como ocorreu, historicamente, até a década população.
de 1970. Trata‐se, isso sim, de estabelecer A educação ambiental, por conseguinte,
relação de causa e efeito dos processos de utiliza subsídios da Ecologia e de diferentes
degradação com a dinâmica dos sistemas áreas, como a Geografia, a História, a
sociais. Psicologia, a Sociologia, entre outras, mas
A Ecologia, desde seu surgimento, só tem como base a educação e a Pedagogia na
tem se ocupado do equilíbrio entre os identificação dos métodos de trabalho.
ecossistemas, do meio ambiente natural e
do estudo das relações entre os seres vivos De acordo com Mello e Souza (2000,
e não vivos, sem estabelecer relação entre p.3‐4),
estes e o sistema socioeconômico. Embora Além das resistências sociais normais,
reconhecesse os resultados da ação do descaso de muitos e da indiferença de
antrópica, havia a preocupação com os tantas empresas e instituições, constata‐se
efeitos, mas não com os fatores que os o fato preocupante de haver, mesmo entre
causavam, nem com a identificação de os interessados, confusão de discurso,
estratégias para mudança, prevalecendo, imprecisão de conceitos, omissão de áreas
portanto, uma visão extremamente de estudo. [...] A educação ambiental sofre
reducionista. com essas ambivalências, essas omissões
102
Conhecimentos Específicos
teóricas e o singular fracionamento de equivocadamente, como objetivo único ou
significações; seu propósito é danificado. principal da educação ambiental.
O objetivo de contribuir para a melhoria da No entanto, sabe‐se que a consciência
consciência crítica, em relação à crise ecológica não garante uma ação
ecológica, registra o dano. Pulveriza e transformadora. Para que a educação
debilita a ação corretiva. ambiental se efetive, é preciso que
conhecimentos e habilidades sejam
Desde meados do século XX, a incorporados e, principalmente, atitudes
consciência ecológica vem aumentando, sejam formadas a partir de valores éticos e
ganhando apoio, gerando políticas públicas de justiça social, pois são essas atitudes que
e leis ambientais. predispõem à ação.
Na década de 1970 tornou‐se evidente Consciência ecológica sem ação
que a educação ambiental é essencial para transformadora ajuda a manter a sociedade
alterar o quadro de destruição em todo o tal qual ela se encontra.
planeta. Embora em alguns grupos esse equívoco
A Conferência de Tbilisi (Geórgia, ex‐ permaneça até hoje, Reigota (1998)
URSS), em 1977, mostrou a necessidade da considera que, atualmente, a crise de
abordagem interdisciplinar para o identidade da educação ambiental já foi
conhecimento e a compreensão das superada. “A especificidade da educação
questões ambientais por parte da sociedade ambiental brasileira, além da sua
como um todo. diversidade, é ter muito claro o seu
compromisso político, a sua pertinência
Nunca como disciplina, mas, de acordo filosófica, a sua qualidade pedagógica e
com Mello e Souza (2000, p.25), uma constante renovação” (p.25).
Como a síntese criativa de uma Desde agosto de 1981, quando foi
abordagem nova, de caráter sancionada a Lei Federal n. 6.938, que
transdisciplinar, sustentada pelas dispõe sobre a Política Nacional do Meio
informações e saber acumulados, dispersos Ambiente, incluindo as finalidades e os
pelas diversas especialidades. Teria de ser mecanismos de formulação e execução, a
um ponto de cruzamento e não de dispersão educação ambiental foi considerada um de
destas informações. seus alicerces, devendo se voltar a todos os
níveis de ensino, inclusive a educação da
Essa visão contextualizadora vem comunidade, a fim de capacitá‐la para a
superar a fragmentação do conhecimento participação ativa na defesa do meio
decorrente das especialidades que tiveram ambiente (Brasil, 1981).
origem no pensamento de Descartes e Conforme a Lei Federal n. 9.795, de
Bacon. 1999, que dispõe sobre a Política Nacional
O verdadeiro sentido da educação de Educação Ambiental, todos têm direito à
ambiental enquanto processo político, até educação ambiental, componente essencial
então confundida com Ecologia, começou a e permanente da educação nacional, que
tomar vulto na década de 1980, em meio a deve ser exercida de forma articulada em
um grande debate político, quando alguns todos os níveis e modalidades de ensino,
movimentos – entre os quais o estudantil – sendo de responsabilidade do Sistema
começaram a reivindicar a democratização Nacional do Meio Ambiente (Sisnama), do
do poder no Brasil, depois de longo período Sistema Educacional, dos meios de
de ditadura militar. comunicação, do Poder Público e da
A consciência ecológica continua a ser sociedade em geral (Brasil, 1999).
estimulada e muitos textos escritos,
principalmente por autores recém‐chegados Política Nacional de Educação
à área, ainda a apresentam Ambiental
103
Conhecimentos Específicos
Conheça a Lei 9.795 / 1999, que dispõe psicológicos, legais, políticos, sociais,
sobre a educação ambiental, institui a econômicos, científicos, culturais e éticos;
Política Nacional de Educação Ambiental e II – a garantia de democratização das
dá outras providências. informações ambientais;
A Educação Ambiental compreende os III – o estímulo e o fortalecimento de
processos por meio dos quais o indivíduo e uma consciência crítica sobre a
a coletividade constroem valores sociais, problemática ambiental e social;
conhecimentos, habilidades, atitudes e IV – o incentivo à participação
competências voltadas para a conservação individual e coletiva, permanente e
do meio ambiente, bem de uso comum do responsável, na preservação do equilíbrio
povo, essencial à sadia qualidade de vida e do meio ambiente, entendendo-se a defesa
sua sustentabilidade. da qualidade ambiental como um valor
A educação ambiental é um componente inseparável do exercício da cidadania;
essencial e permanente da educação V – o estímulo à cooperação entre as
nacional, devendo estar presente, de forma diversas regiões do País, em níveis micro e
articulada, em todos os níveis e macrorregionais, com vistas à construção
modalidades do processo educativo, em de uma sociedade ambientalmente
caráter formal e não-formal. equilibrada, fundada nos princípios da
liberdade, igualdade, solidariedade,
São princípios básicos da Educação democracia, justiça social,
Ambiental: responsabilidade e sustentabilidade;
I – o enfoque humanista, holístico, VI – o fortalecimento da cidadania,
democrático e participativo. autodeterminação da integração com a
II – a concepção do meio ambiente em ciência e a tecnologia;
sua totalidade, considerando a VII – o fortalecimento da cidadania,
interdependência entre o meio natural, o autodeterminação dos povos e
socioeconômico e o cultural, sob o enfoque solidariedade como fundamentos para o
da sustentabilidade. futuro da humanidade.
III – o pluralismo de ideias e concepções
pedagógicas, na perspectiva da inter, multi Questões
e transdisciplinaridade;
IV – a vinculação entre a ética, a 01. (Prefeitura de Marechal Cândido
educação, o trabalho e as práticas sociais; Rondon/PR –Agente de Comunitário de
V – a garantia de continuidade e Saúde – Instituto UniFil/2021) Diversas
permanência do processo educativo; doenças estão associadas diretamente com
VI – a permanente avaliação crítica do o saneamento básico. Seriam ações
processo educativo; implicadas no saneamento:
VII – a abordagem articulada das A - controle de vetores, coleta de esgoto
questões ambientais locais, regionais, e lixo.
nacionais e globais; B - coleta de esgoto e lixo somente.
VIII – o reconhecimento e o respeito à C - coleta e tratamento do esgoto e de
pluralidade e à diversidade individual e águas pluviais.
cultural. D - somente o tratamento do esgoto.
São objetivos fundamentais da Educação 02. (Prefeitura de Luziânia/PR –
Ambiental: Agente Comunitário de Saúde –
I – o desenvolvimento de uma Instituto UniFil/2020) A Lei nº 11.445,
compreensão integrada do meio ambiente de 2007, define o saneamento básico como
em suas múltiplas e complexas relações, o conjunto de serviços, infraestruturas e
envolvendo aspectos ecológicos, instalações operacionais. Seriam
104
Conhecimentos Específicos
implicações de saneamento levantamentos entomoepidemiológicos.
A - somente a coleta de lixo e A possibilidade de implantar um sistema
tratamento do esgoto. que forneça índices de maneira rápida e
B - somente o tratamento do esgoto, oportuna permitirá ao gestor do programa
manejo de resíduos sólidos e controle de local de controle da dengue o
vetores. direcionamento das ações para as áreas
C - somente o abastecimento de água e apontadas como críticas, além de
manejo de resíduos. instrumentalizar a avaliação das atividades
D - somente água potável, limpeza desenvolvidas, o que possibilitará um
urbana, esgotamento, manejo de resíduos melhor aproveitamento dos recursos
e águas pluviais. humanos e materiais disponíveis.
Fundamentado na necessidade de se
Alternativas contar com um levantamento capaz de gerar
01.A – 02.D informações oportunas para aumentar a
eficácia do combate ao vetor Aedes aegypti
no trabalho de rotina, como também de
Levantamento rápido de índices para fornecer informações visando ao
Aedes Aegypti – LIRAa – Para Vigilância balizamento das atividades de mobilização
Entomológica do Aedes Aegypti no Brasil social, o Programa Nacional de Controle da
Dengue (PNCD), lançado em julho de 2002
pelo Ministério da Saúde, previu, em seu
LEVANTAMENTO RÁPIDO DE componente Vigilância epidemiológica, a
ÍNDICES PARA AEDES AEGYPTI – elaboração de uma metodologia capaz de
LIRAa – PARA VIGILÂNCIA fornecer dados em tempo hábil.
ENTOMOLÓGICA DO AEDES O presente Manual tem como objetivo
AEGYPTI NO BRASIL apresentar, de maneira simplificada, os
METODOLOGIA PARA fundamentos que dão sustentação à
AVALIAÇÃO DOS ÍNDICES DE metodologia que permite obter resultados
BRETEAU E PREDIAL E TIPO DE dentro de uma segurança estatística
RECIPIENTES9 aceitável. Também são abordados aspectos
como: critérios para a delimitação dos
1 Introdução estratos, cuidados durante o planejamento
das ações, desenho do plano amostral,
Os métodos simplificados de formulários de campo e laboratório e
amostragem têm sido propostos com o importância da adoção diferenciada de
objetivo de facilitar a obtenção, pelos ações, de acordo com os indicadores e
serviços de saúde, de informações que criadouros predominantes. Este
contribuam para avaliação de programas Levantamento Rápido de Índices para
mediante realização de pesquisas Aedes aegypti (LIRAa) poderá substituir o
sistemáticas e periódicas. São denominados levantamento tradicional, que,
métodos simplificados por permitirem a normalmente, apresenta o resultado
obtenção de estimativas associadas a erros somente após o fechamento do ciclo
aceitáveis e vícios desprezíveis, de forma bimestral de trabalho.
simples, rápida e econômica. Sua realização, em âmbito nacional, no
A Organização Mundial da Saúde final do ano, no período não epidêmico,
(OMS) e a Organização Pan-Americana da serve como instrumento para nortear
Saúde (Opas) têm estimulado a adoção de medidas de ações de controle, além de ser
tais métodos na realização de
9
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_liraa_2013.pdf
105
Conhecimentos Específicos
uma atividade de comunicação e Breteau, permitindo priorizar ações de
mobilização por meio da ampla divulgação controle para áreas de maior risco dentro do
dos resultados na mídia. Esta socialização município.
dos resultados tem-se mostrado importante Em algumas situações, poderão ser
ferramenta para a obtenção de apoio para configurados estratos nos limites de dois
que as ações de enfrentamento do mil a 8.100 imóveis, sendo que, neste caso,
problema, no município, possam contar deve-se inspecionar 50% dos imóveis
com a adesão da população e de setores presentes no quarteirão sorteado. Este
externos ao âmbito da saúde. procedimento permite a realização do
levantamento em pequenos municípios e,
2 Amostragem também, em áreas que possam restar da
O Índice de Breteau (IB) tem sido configuração dos estratos em municípios
utilizado na avaliação da densidade larvária maiores.
do Aedes aegypti e sua mensuração é feita O tamanho de amostra considerado
em uma amostra probabilística dos imóveis adequado à estimação do Índice de Breteau
existentes na área urbana dos municípios foi determinado buscando-se atender a
infestados. A totalização dos imóveis, para critérios de precisão sob um custo mínimo.
efeito deste levantamento, deve excluir os A avaliação da precisão do plano de
pontos estratégicos, uma vez que, por serem amostragem baseou-se no estudo dos
locais vulneráveis à infestação vetorial, intervalos de confiança estimados para o
devem possuir uma rotina diferenciada de IB, sendo considerada sua amplitude e sua
levantamento de índices. O delineamento eficácia.
de amostragem para cada município será A medida utilizada no estudo da
determinado em função da sua densidade amplitude dos intervalos de confiança foi o
populacional e do número de imóveis coeficiente de variação do Índice de
existentes, sendo considerada uma técnica Breteau, para o qual se adotou 30% como o
de amostragem por conglomerados, tendo o limite máximo tolerável para que as
quarteirão como a unidade primária de estimativas fossem consideradas
amostragem e o imóvel, a confiáveis. Portanto, para esses valores
unidade secundária. foram aceitos erros relativos de
O plano amostral determina que sejam amostragem, desde que indicassem, com
sorteados quarteirões e dentro dos segurança, que o limiar de risco (IB = 5) não
quarteirões os imóveis, durante a visita do fosse atingido (ALVES, MARIA CECÍLIA
agente. Tal procedimento permite menor G. P., 1991).
concentração de imóveis nos quarteirões Considerando-se que, operacionalmente,
sorteados. A área urbana destes municípios é mais fácil adotar um único tamanho de
deve ser dividida em estratos que amostra no diagnóstico rápido de densidade
apresentem características socioambientais larvária, realizado em diferentes meses e
semelhantes, a fim de se obter uma municípios, fixou-se em 450 o número de
homogeneidade de cada estrato e facilitar as imóveis a serem sorteados,
ações de controle vetorial pós-LIRAa. independentemente do Índice de Breteau
A composição dos estratos deve esperado. Caso o município seja menor em
respeitar o intervalo de 8.100 a 12 mil relação ao tamanho da amostra fixada, é
imóveis, sendo o número ideal em torno de possível aplicar uma correção e, com isso,
nove mil imóveis. O passo seguinte é a diminuir o número de imóveis da amostra,
retirada de uma amostra independente, mantendo-se a precisão.
devendo, dentro dos quarteirões A seguir, são apresentadas fórmulas e
selecionados, serem inspecionados 20% procedimentos para correção em população
dos imóveis. Essa estratificação possibilita finita. Abaixo estão as fórmulas utilizadas
um maior detalhamento do Índice de para os cálculos estatísticos e dos
106
Conhecimentos Específicos
indicadores do LIRAa.
O valor “5” no denominador
A precisão do IA determinará a
corresponde ao sorteio de 20% dos imóveis
aproximação mais exata do quarteirão a ser
dos quarteirões sorteados.
trabalhado e, consequentemente, na
totalização dos quarteirões do bairro/estrato
d) Intervalo amostral (IA)
poderá haver uma ligeira discordância no
O cálculo do intervalo amostral serve
número exato determinado no plano
para identificar o número dos quarteirões e
amostral.
representa os seus intervalos. Pode-se
Partindo do início casual (IC) sorteado
utilizar um sorteio sistemático que consiste
na tabela de números aleatórios ou gerados
das seguintes etapas:
no computador e calculadora (IC = 0,70), as
quadras a serem visitadas serão:
e) Início casual (IC)
Para determinar o quarteirão em que se
iniciara o trabalho, deve ser sorteado um
número entre 00,00 e o IA. Para esta
finalidade, o sistema fará um sorteio
aleatório de um valor dentro do limite Devido à utilização de amostras, as
estabelecido. estimativas do Índice de Breteau estarão
Para determinar os quarteirões, o sujeitos a erros de amostragem, traduzidos
programa acrescentar o IA ao IC sucessivas em intervalos de confiança, que dão
vezes, até alcançar N, o tamanho do estrato. indicações sobre a precisão das estimativas.
Os quarteirões sorteados serão os
correspondentes às partes inteiras do IC e 3 Indicadores
dos números que se seguirem com o Nos programas de controle de dengue, os
acréscimo sucessivo do IA. índices larvários são os mais usados e
compreendem um grupo constituído por
várias propostas metodológicas. Os índices
de infestações baseados na fase jovem do
vetor são utilizados com frequência,
existindo também aqueles que utilizam
107
Conhecimentos Específicos
como base as informações relativas a ovos
e a adultos.
Os diversos índices baseados na fase
larvária têm vantagens e desvantagens na
sua utilização; porém, são os mais 3.3 ÍNDICE POR TIPO DE
utilizados devido à facilidade de obtenção RECIPIENTE
(GOMES, A. C., 1998). É a relação em porcentagem entre o
O LIRAa tem a vantagem de apresentar, número do tipo de recipiente positivo e o
de maneira rápida e segura, os índices de número de recipientes positivos
infestações larvários (Predial e Breteau), pesquisados (para larvas). Este índice
podendo ser empregado como instrumento ressalta a eventual importância de
de avaliação dos resultados das medidas de determinado criadouro, dentre os positivos,
controle, incluindo-se também dados e, consequentemente, indica a necessidade
referentes aos tipos de recipientes, tornando de adoção de medidas específicas de
possível redirecionar e/ou intensificar controle.
algumas intervenções, ou ainda, alterar as
estratégias de controle adotadas.
Descreve-se, a seguir, os índices mais
utilizados para avaliação da situação de
risco de transmissão de dengue e que são
fornecidos pelo LIRAa.
A utilização concomitante destes índices
3.1 ÍNDICE PREDIAL proporciona uma avaliação satisfatória da
Por meio deste índice, pode-se levantar densidade vetorial, fornecendo um
o percentual de edifícios positivos (com a parâmetro razoável para a indicação do
presença de larvas de A. aegypti). Embora risco de transmissão de dengue, desde que
seja utilizado para mensurar o nível adequadamente interpretados, podendo ser
populacional do vetor, não considera o direcionadas ações específicas conforme
número dos recipientes positivos nem o preconizado.
potencial produtivo de cada recipiente.
Apesar desses problemas, é de grande 4 OPERACIONALIZAÇÃO DO
utilidade, pois fornece o percentual de casas LEVANTAMENTO RÁPIDO DE
positivas. ÍNDICE
4.1 PLANEJAMENTO DAS
ATIVIDADES
As ações de planejamento de um
levantamento rápido devem anteceder, em
3.2 ÍNDICE DE BRETEAU pelo menos duas semanas, o trabalho no
É o índice mais comumente utilizado e campo. O levantamento necessitará de um
leva em consideração a relação entre o pequeno contingente de servidores de
número de recipientes positivos e o número campo, podendo-se, neste caso, selecionar
de imóveis pesquisados, embora também aqueles que melhor desempenham seus
não leve em conta a produtividade dos serviços na rotina.
diversos tipos de criadouros. É corrigido de Durante o período em que será realizado
forma que o resultado seja expresso para o levantamento, deverão ser suspensas as
100 imóveis. atividades de rotina, exceto as ações de
bloqueio de casos de dengue. Caso o
município esteja em situação de epidemia
de dengue, o levantamento não deverá ser
108
Conhecimentos Específicos
executado nesse período, pois as ações • Abastecer os agentes de saúde com
emergenciais (tratamentos espaciais, os insumos necessários;
eliminação de focos, tratamentos residuais, • Supervisionar as atividades dos
ações de eliminação/proteção de agentes de saúde;
criadouros, etc.) são prioritárias. Qualquer • Receber e conferir os boletins –
ação de levantamento de índices nesse Boletim de Campo e Laboratório – BCL;
período poderá sofrer influência direta das • Consolidar os dados no BCL e
medidas de controle, não refletindo a preencher o Resumo Parcial – RP;
realidade da infestação no local. • Encaminhar ao laboratório os BCL
Para operacionalização do LIRAa, é e resumos parciais com as amostras
necessário o cumprimento de etapas e coletadas;
procedimentos, os quais serão discutidos • Enviar ao setor de digitação o BCL
nos tópicos a seguir. e RP por estrato.
4.2 ATRIBUIÇÕES DO PESSOAL ATRIBUIÇÕES DO AGENTE DE
ENVOLVIDO NAS OPERAÇÕES SAÚDE
• Visitar de 20 a 25 imóveis/dia;
ATRIBUIÇÕES DO • Realizar minuciosa pesquisa
COORDENADOR larvária nos imóveis definidos no estrato;
• Buscar apoio e sustentabilidade • Coletar e preencher os rótulos dos
para a realização do LIRAa; tubitos;
• Estratificar e calcular o número de • Registrar as informações no
imóveis a pesquisar; formulário BCL;
• Definir os estratos, considerando-se • Repassar, ao final do dia, o BCL
as características sócio-ambientais; devidamente preenchido ao supervisor.
• Definir os quarteirões a serem
trabalhados, utilizando-se do sistema 4.3 RECONHECIMENTO
informatizado disponibilizado; GEOGRÁFICO
• Definir os recursos humanos As atividades de Reconhecimento
necessários – supervisores, agentes, Geográfico (RG) deverão estar disponíveis,
laboratoristas e digitadores; assim como os mapas com delimitação dos
• Definir necessidades – veículos, bairros, informação sobre o número de
equipamentos e material de campo quarteirões e imóveis de cada bairro, além
(componentes da bolsa de trabalho de de informações socioeconômicas desses
campo); locais, importantes para a configuração dos
• Definir o(s) laboratório(s) de apoio; estratos. Os mapas deverão estar com a
• Planejar ações de supervisão numeração atualizada dos quarteirões, o
durante a realização do LIRAa; que facilitará o trabalho no campo.
• Digitar os resultados no sistema; Além dos mapas e croquis, é necessário
• Analisar dados e elaborar relatório que o serviço tenha disponível a relação
final; nominal dos bairros, com número de
• Planejar as ações necessárias, após quarteirões, imóveis por tipo, etc. Para que
o levantamento, para as áreas consideradas o município possua informações confiáveis
mais críticas – operações de campo, ações e seguras sobre a situação entomológica, a
de informação, educação e comunicação atualização do RG deverá ser feita
social. continuamente. Para isso, deverá ser
estruturado um sistema que se
ATRIBUIÇÕES DO SUPERVISOR responsabilize por este serviço.
• Organizar e distribuir os agentes na
área de trabalho;
109
Conhecimentos Específicos
4.4 CONFIGURAÇÃO DOS
ESTRATOS
As informações sobre a situação
socioeconômica dos diversos bairros do
município (favelas, bairros de classe média,
etc.) devem ser levadas em consideração e
é um forte fator para divisão dos estratos. O
nível sociocultural pode determinar a
existência e eventual predominância de Caso o RG do município considere cada
criadouros distintos, com diferentes apartamento dos edifícios como um imóvel,
potenciais de criação de larvas e, deverá ser feita uma adequação paralela,
consequentemente, de mosquitos. considerando-se apenas o térreo desses
Também é necessária a demarcação edifícios. A inspeção ocorrerá em todos os
prévia de fatores físicos como grandes imóveis desta área comum (casa do zelador,
avenidas, rodovias, ferrovias, fluxos largos casa de máquinas, garagem, assim como
de água como rios, lagos, represas, que, de dependências abaixo do 1º nível), sendo
antemão, serão fatores de separação de registrada como um único imóvel (Figura
estratos. Os estratos serão demarcados no 3).
mapa, considerando-se os limites de 8.100
a 12 mil imóveis e, também, áreas menores
isoladas ou que não possam se constituir em
um estrato (áreas compreendidas entre 2
mil e 8.100 imóveis).
A configuração deverá considerar a
constituição de áreas contínuas e contíguas
e numeradas em sequência (Figura 1).
Esse procedimento não deverá ser
estendido para o levantamento tradicional
de índices ou para a rotina de tratamentos
com larvicidas. O município para adotá-lo
deve, de maneira antecipada, realizar
detalhada análise entomoepidemiológica
antes de decidir introduzi-la na rotina de
execução do LIRAa. Em situações em que
o edifício se localize muito próximo de
No exemplo acima, pode-se considerar
morros e encostas habitadas, e esta
duas grandes avenidas e um rio que cortam
proximidade propicie o deslocamento do
os bairros do município. Estes elementos
mosquito para imóveis de prédios
devem servir como fator de divisão dos
próximos, essa adequação deverá ser muito
estratos. É importante considerar que um
bem avaliada e, se for pertinente, cada
estrato pode ser formado por um único
apartamento deverá ser considerado um
bairro, vários bairros, ou, ainda, partes de
imóvel. O bom senso deverá nortear as
um bairro podem figurar em estratos
discussões sobre a situação, devendo,
diferentes. Essa pluralidade de opções para
entretanto, ser considerada a distância
formação de estrados decorre da
ligada ao raio de voo e possibilidade de
observância dos fatores expostos e que
dispersão do mosquito (Figura 4).
devem ser levados em consideração para a
sua configuração (Figura 2).
110
Conhecimentos Específicos
(primeiro estágio do conglomerado).
Dentro desse ponto de amostragem
(quarteirão), as casas (segundo estágio do
conglomerado) serão inspecionadas de
maneira alternada (faz uma e pula quatro).
Isto permite a distribuição da amostra no
segundo estágio, evitando-se sua
concentração (Figura 6).
4.5 PROCEDIMENTOS DE
CAMPO PARA O LEVANTAMENTO
DE ÍNDICES
Os Índices de Infestação Predial,
Breteau e de tipo de Recipientes serão
calculados para cada estrato e a inspeção
dos imóveis de cada quarteirão, para coleta
de larvas e/ou pupas, será em 20% dos
imóveis existentes em cada quarteirão.
A inspeção dos imóveis existentes na
área urbana dos municípios será realizada Esse entendimento nos permite adotar
nos imóveis e terrenos baldios. Nos um procedimento de substituição da casa
edifícios, deve-se inspecionar o térreo e fechada ou recusada pela imediatamente
pisos abaixo deste nível de todas as posterior (ou anterior), visto que o exato
edificações. Os Pontos Estratégicos não ponto da amostra ainda se localizará
serão incluídos na amostra, e caso o imóvel próximo ao local a ser amostrado (Figura7).
sorteado seja um PE, deverá ser escolhido o
imóvel seguinte.
A inspeção de cada quarteirão deve ser
iniciada pelo primeiro imóvel, com
deslocamento no sentido horário; contam-
se quatro imóveis após o imóvel
inspecionado para, a seguir, inspecionar o
sexto imóvel (2º da amostra), e assim
sucessivamente, inspecionando-se um
imóvel em cada cinco, que corresponde à
inspeção de 20% dos imóveis existentes no Considerando, então, a distribuição
quarteirão sorteado (Figura 5 espacial da amostra, no caso de o imóvel a
ser inspecionado estar fechado, ou de a sua
inspeção ter sido recusada, o agente deverá
fazer sua substituição pelo imóvel
imediatamente anterior, caso este também
esteja fechado/recusado, deverá ser tentado
o imóvel posterior, e assim sucessivamente.
Após, manter a inspeção naqueles imóveis
já sorteados para que a aleatoriedade da
amostra seja mantida. Este procedimento
Para melhor entendimento da tem como finalidade evitar perdas no
distribuição da amostra, pode-se imaginar número de imóveis da amostra naquele
que o LIRAa ira estabelecer uma malha no estrato.
espaço onde, em cada cruzamento, se E durante a realização do levantamento
localizará um quarteirão a ser inspecionado surgirão situações sobre as quais o
111
Conhecimentos Específicos
coordenador deve considerar, e instruir ao
pessoal de campo, para adotar o
procedimento conveniente, como é o caso
de quarteirões com rua sem saída. Neste
caso, a inspeção deverá acompanhar a
numeração da rua principal e o agente deve
inspecionar os imóveis da rua, obedecendo
à mesma sequência da numeração (Figura
8). Os passos para a realização do LIRAa
estão descritos no fluxograma mostrado no
Figura 8. Procedimento-padrão, Anexo I, estando ali indicadas quais telas
sugerido no caso de inspeção em rua sem do sistema serão utilizadas em cada etapa,
saída. quais formulários deverão ser empregados
para a coleta, com encaminhamento das
informações e dos relatórios de saída.
4.6 CRIADOUROS
Todos os depósitos que contenham água,
no momento da visita domiciliar, deverão
ser examinados de forma cuidadosa, pois
podem ser criadouros potenciais para os
mosquitos, incluindo-se aqueles que
estejam em locais elevados e de difícil
Fonte: Autoria própria. acesso. O levantamento minucioso desses
tipos de depósitos é de grande importância,
No caso em que, no imóvel sorteado, uma vez que possuem grande potencial para
exista, no quintal, uma série de outras produção de mosquitos adultos, sendo
residências menores (vila familiar), a considerados grandes focos geradores e de
inspeção deverá ocorrer no imóvel principal manutenção de infestações.
(numerado) e também se estender a todas as
demais residências. As larvas porventura Para isso, é conveniente que sejam
coletadas deverão ser registradas no disponibilizadas escadas, ou estruturar um
formulário, na linha correspondente ao serviço rápido de apoio aos agentes
imóvel sorteado (Figura 9). responsáveis pela inspeção destes locais,
durante o período de realização do LIRAa.
Deve-se considerar que esta operação deve
ser cercada de cuidados de segurança que a
situação requer.
Os agentes deverão levar larvicidas e
tratar aqueles depósitos em que forem
encontradas larvas e que não possam sofrer
uma medida alternativa de intervenção
como proteção, eliminação, destinação
Nas situações de quarteirões que adequada, etc. (Figura 11).
correspondam a condomínios, a inspeção
deverá seguir a numeração das casas ou dos
blocos de residências no local (Figura 10).
112
Conhecimentos Específicos
A2: Depósitos ao nível do solo para
armazenamento doméstico – tonel, tambor,
barril, tina, depósitos de barro (filtros,
moringas, potes), cisternas, caixas d’água,
captação de água em poço/cacimba/cisterna
(Figura 13);
Grupo B: Depósitos móveis –
Vasos/frascos com água, pratos, garrafas
retornáveis, pingadeira, recipientes de
degelo em geladeiras, bebedouros em geral,
4.6.1 TIPOS E DEFINIÇÃO pequenas fontes ornamentais, materiais em
DOS DEPÓSITOS depósitos de construção (sanitários
Os depósitos considerados potenciais estocados, canos, etc.), objetos
criadouros para Aedes aegypti foram religiosos/rituais (Figura 14);
classificados em cinco grupos, para
levantar a sua importância
entomoepidemiológica, permitindo facilitar
o direcionamento das ações de controle
vetorial. No Anexo III está apresentada a
codificação dos depósitos.
Os grupos de depósitos são detalhados a
seguir.
Grupo A: Armazenamento de água –
Pela importância deste grupo, que se
constitui, quase sempre, em grandes
depósitos para armazenamento de água para
a população, foram divididos em dois
subgrupos.
A1: Depósito de água elevado, ligado à
rede pública e/ou ao sistema de captação Grupo C: Depósitos fixos – Tanques em
mecânica em poço, cisterna ou mina d’água obras de construção civil, borracharias e
– caixas d’água, tambores, depósitos de hortas, calhas, lajes e toldos em desnível,
alvenaria (Figura 12); ralos, sanitários em desuso, piscinas não
tratadas, fontes ornamentais; cacos de vidro
em muros, outras obras e adornos
arquitetônicas (caixas de
inspeção/passagens) (Figura 15);
113
Conhecimentos Específicos
Grupo E: Naturais – Exemplo: axilas de
folhas (bromélias, etc.), buracos em árvores
e em rochas, restos de animais (cascas,
carapaças, etc.) (Figura 18);
Grupo D: Passíveis de remoção – Este
grupo foi dividido em dois subgrupos, para
se conhecer e destacar a importância dos
pneus e materiais rodantes, distinguindo-os
dos demais depósitos passíveis de remoção
por exigirem estratégia de ação
diferenciada;
D1: Pneus e outros materiais rodantes 4.6.2 TÉCNICA DE
(câmaras de ar, manchões) (Figura 16); PESQUISA LARVÁRIA
As instruções que orientam sobre a
inspeção dos depósitos que contenham água
deverão ser observadas pelos agentes de
saúde, conforme disposto nas Diretrizes
Nacionais para Prevenção e Controle de
Epidemias de Dengue. Para que o trabalho
de inspeção pelo agente possa ser feito com
qualidade, é necessário que todos os itens
estejam presentes (Figura 19):
• Bolsa de lona;
D2: Resíduos sólidos (recipientes
• Pesca-larvas (duas unidades
plásticos, garrafas PET, latas), sucatas,
guardadas em separado);
entulhos de construção (Figura 17);
• Lanterna e espelho;
• Bacia plástica;
• Concha para pesquisa;
• Pipeta para aspirar larvas;
• Frasco com álcool a 70%;
• Tubitos;
• Formulários de campo;
• Lápis e borracha;
• Fita métrica ou trena;
• Frascos/garrafas com larvicida e
com medidores.
114
Conhecimentos Específicos
colocadas, no máximo, 10 (dez)
larvas/pupas por depósito pesquisado
(Figura 21).
Os agentes devem ser instruídos a
realizar a coleta em todos os depósitos
positivos que encontrarem no imóvel.
Normalmente, quando se conclui um
levantamento e se verifica que o IIP é, em
muitos estratos, igual ao IB, provavelmente O agente deverá coletar uma amostra
o agente está coletando larvas apenas do para cada tipo de depósito com larvas e/ou
primeiro depósito positivo que encontra, pupas que encontrar no imóvel pesquisado.
não inspecionando os demais porventura Por exemplo, se, num imóvel, forem
existentes. Isso também pode ocorrer pelo encontrados seis pneus com larvas/pupas,
fato de o agente misturar larvas de diversos deverão ser coletadas seis amostras e
criadouros em um único tubito (pool de numeradas em ordem crescente, a partir do
larvas), procedimento que compromete a número “um”, seguindo, sequencialmente,
qualidade dos índices levantados (Figura até o número 999, quando então a
20). numeração é retomada a partir do número
um. Não deverá ser feito pool das larvas
coletadas em um mesmo depósito.
4.7 PLANEJAMENTO
OPERACIONAL
O levantamento compreende as fases de
planejamento, execução, avaliação e
adoção das medidas necessárias. Após a
configuração dos estrados, os dados devem
ser inseridos no sistema informatizado que,
previamente, fornecerá informações sobre
as necessidades para a realização do
levantamento.
As informações geradas permitirão
planejar em quantos dias será realizado o
levantamento e o número de agentes
necessários; ou, em situação inversa, os
dias envolvidos na operação em razão do
número de agentes informados. As
4.6.3 ACONDICIONAMENTO informações sobre o plano amostral, com a
As formas imaturas coletadas no indicação dos quarteirões a serem
depósito deverão ser acondicionadas em trabalhados em cada estrado, deverão ser
tubito com álcool a 70%, nos quais serão impressas para distribuição aos
115
Conhecimentos Específicos
supervisores, que as repassarão aos seus 5.2 TELA CADASTRO DE
agentes consignados. MUNICÍPIOS
No caso específico de um bairro fazer
parte de dois ou mais estratos, o sistema
informará o último quarteirão trabalhado na
primeira parcela do estrato, devendo ser
informado este último número, mais o valor
do IA ao novo estrato para que os
quarteirões sejam sorteados, obedecendo-se
à nova sequência numérica.
Para o planejamento do LIRAa, foi
desenvolvido um programa informatizado
que permite gravar e recuperar arquivos,
devendo ser observadas as extensões
informadas para cada tela do programa. O Clicando-se no botão
nome do arquivo conterá o nome do abrir-se-á um Quadro de Diálogo que
município com as extensões indicadas pelo permite entrar com as informações gerais,
sistema. como ano atual, unidade federada, nome do
município, código do município, total de
5 DEFINIÇÃO DAS TELAS DE imóveis urbanos no município e período de
ENTRADAS execução.
5 DEFINIÇÃO DAS TELAS DE As informações serão transferidas para
ENTRADA as demais telas, ao final do cadastro,
5.1 TELA PRINCIPAL
quando se clicar no botão
Os erros de preenchimento do cadastro
poderão ser corrigidos clicando se no botão
Para retornar à tela principal do
programa, basta clicar no botão
Esta página permite acessar as diversas
5.3 CÁLCULO DE PARÂMETROS
outras telas, com o seguinte botão de
5.3.1 ABA PLANO
acesso:
AMOSTRAL
E encerrar o programa com o botão
O sistema foi desenvolvido em planilhas
semelhantes às planilhas Excel, o que
Esta planilha permite os cálculos
facilita sua utilização.
relacionados ao plano amostral, conforme
as instruções constantes neste manual de
operacionalização do LIRAa. O usuário,
116
Conhecimentos Específicos
antes de solicitar uma tela para preencher <tab> para preenchimento dos demais
um novo estrato, deve gravar o arquivo campos).
correspondente pressionando o botão
Campo 2 – Estimativa de imóveis por
quarteirão
• Número de quarteirões no estrato:
Os dados referentes ao número de entrar com a informação.
imóveis serão transferidos para a planilha • Estimativa de imóveis por
Entrada de Dados. Para se digitar os dados quarteirão: campo de preenchimento
de um novo estrato, pressiona-se o botão automático pelo programa.
Campo 3 – Quarteirões a serem
Após pressionar o botão Novo Estrato, amostrados
os campos ficarão limpos, permitindo-se a • Quarteirões que comporão a
entrada de novos dados. amostra: campo de preenchimento
Botões de atalho permitirão ao usuário automático pelo programa.
percorrer todos os estratos digitados no Percentual dos quarteirões amostrados:
programa. campo de preenchimento automático pelo
programa.
Campo 4 – Intervalo amostral
1º estrato Estrato anterior • Intervalo de quarteirões: campo de
Próximo estrato
preenchimento automático pelo programa.
Último estrato
Significa o número de quarteirões que
O programa oferecerá um relatório do serão intercalados para a nova inspeção.
Plano amostral, compondo todos os estratos
pertencentes ao município, ao se pressionar Campo 5 – Número aleatório
• Quarteirão inicial: número de início
o botão . do primeiro quarteirão que será amostrado.
Irá surgir uma janela em que será O número calculado estará entre 1 e o valor
necessário selecionar, se deseja imprimir, do intervalo amostral.
printer ou apenas visualizar o relatório
preview. 5.3.2 ABA DEFINIÇÃO DE
Caso deseje excluir algum estrato que QUARTEIRÕES
tenha sido preenchido de forma incorreta,
usam-se os botões de atalho para se chegar
a este estrato e pressiona-se o botão
Campo 1 – Tamanho da Amostra
• Número de imóveis no estrato:
entrar com a informação.
• Número de imóveis determinados
Permite ao usuário definir quais os
para a amostra: número de imóveis a
quarteirões do estrato que serão trabalhados
inspecionar.
no levantamento, de acordo com os valores
Este campo gera o número de imóveis a
definidos na tela Parâmetros.
inspecionar, que será utilizado nos demais
cálculos. Os campos são de preenchimento
Estrato: preenchimento automático.
automático pelo programa (basta pressionar
Item: corresponde ao bairro cadastrado.
117
Conhecimentos Específicos
Para cada bairro digitado no sistema, um Caso deseje excluir algum registro que
novo item tem de ser gerado, pressionando- tenha sido preenchido de forma incorreta,
usam-se os botões de atalho para se chegar
se o botão
Bairros: nomear os bairros que
compõem o estrato. a este estrato e pressiona-se a imagem
Quarteirões: digitar o número de
quarteirões existentes no bairro. Para se A planilha fará uma crítica, caso o
tomar conhecimento de quais quarteirões número de quarteirões seja diferente do
deverão ser trabalhados, pressionar o botão total informado no Plano Amostral.
Cálculo
5.4 TELA PLANEJAMENTO DE
NECESSIDADES
Visualizar total de bairros: visualizar
todos os bairros que compõem cada estrato
e quais os quarteirões sorteados para se
trabalhar dentro de cada bairro.
Total de quarteirões: preenchimento
automático.
Botões de atalho facilitarão ao usuário
percorrer todos os registros digitados no
estrato.
Permite definir as necessidades de
pessoal de campo e de laboratório e alguns
materiais de consumo. A tela é
autoexplicativa, bastando ao usuário
informar os campos para obter os resultados
Esses botões facilitarão a distribuição
sobre necessidades de agentes ou quantos
dos supervisores e agentes, e a relação de
dias serão necessários para executar o
quarteirões sorteados de todos os bairros do
trabalho.
estrato pode ser impressa. Basta selecionar
o item de escolha e pressionar o botão
5.5 TELA CONSOLIDAÇÃO DE
Imprimir, conforme a ilustração abaixo:
DADOS
Esta planilha é composta de duas abas:
Entrada de dados e Índices. O número de
imóveis a serem inspecionados é
Desejando-se visualizar os quarteirões transportado durante o processo de
sorteados e pertencentes a cada bairro ou no preenchimento da planilha dos parâmetros.
estrato como um total, basta pressionar o Após a realização do trabalho de inspeção
botão no campo e do resultado do laboratório, os
dados são introduzidos na planilha de
entrada para a geração dos índices do
LIRAa.
Antes de se incluir novos itens na tela
Definição de quarteirões, é necessário que
se salve o programa, pressionando o botão
Gravar conforme demonstrado
anteriormente.
118
Conhecimentos Específicos
5.5.1 ABA ENTRADA DE 5.5.2 ABA ÍNDICES
DADOS
Esta planilha está ligada à planilha de
Permite a consolidação de todos os Entrada de Dados, com geração automática
estratos que foram trabalhados no dos indicadores dos estratos trabalhados no
município. O preenchimento desta planilha município. Para que isto aconteça, é
será feito com as informações contidas no necessário, primeiro, que o usuário
formulário Resumo do Boletim de Campo e preencha aquela planilha. Nesta tela, o
Laboratório. Depois de preenchidos os usuário poderá selecionar o tipo de consulta
dados, pressiona-se o botão que achar adequado, pesquisando o número
de estratos para cada faixa de IIP ou o
número de estratos para cada faixa de IB.
Observação 1: No campo Crítica
Ao pressionar o botão
aparecerá as seguintes mensagens:
Verifique! – Quando o total de imóveis o programa
positivos para Aedes aegypti for inferior ao gerará uma série de parâmetros estatísticos
número de tubitos colhidos para a espécie; para análise mais apurada do LIRAa, assim
Ok! – Quando o número de tubitos como a situação de risco em que o
coletados e digitados for igual ou superior município se encontra.
ao número de imóveis positivos para Aedes
aegypti.
Observação 2: Para se obter o Índice de
Breteau do vetor Ae. albopictus, deve ser
informado o número de recipientes
positivos.
O programa também oferecerá um
relatório da consolidação dos dados,
pressionando-se o botão
Pressionando-se o botão
Surgirá uma janela onde será necessário
selecionar se deseja imprimir, printer, ou o programa
apenas visualizar o relatório, preview. gerará uma série de gráficos que
Após gerar o cálculo da consolidação demonstrará o IIP e o IB em cada estrato do
dos dados, vale lembrar que é necessário município, assim como a frequência
salvar o programa, pressionando-se o botão percentual de criadouros positivos para
Aedes aegypti em cada estrato do
município.
119
Conhecimentos Específicos
Ainda na tela Gráficos o usuário poderá tanto na rotina de campo como para a
selecionar, para visualização, estratos com recuperação de pendências. O usuário
baixo, médio ou alto risco. deverá assinalar com um “X” a atividade
correspondente.
6.1.1 PREENCHIMENTO NO
CAMPO
Número do quarteirão: Anotar o número
do quarteirão a que pertence o imóvel
inspecionado.
Endereço (logradouro): Anotar o nome
da rua, avenida, praça, etc. onde está
localizado o imóvel inspecionado.
Número/complemento: Anotar o
número do imóvel inspecionado e o
6 FORMULÁRIOS
respectivo complemento, quando for o
Para o desenvolvimento das ações de
caso. Exemplo: 102/201 (imóvel número
campo, resumos, laboratório e supervisão
102 e imóvel 201).
são necessários alguns formulários que
TB: Marcar com “X” no caso de o
serão descritos a seguir. Os modelos
imóvel sorteado ser um terreno Baldio.
deverão ser reproduzidos em quantidade
Situação: Marcar na respectiva coluna se o
suficientes, não devendo sofrer
imóvel estiver fechado (F), recusado (R) e
alterações/modificações.
trabalhado (T). No caso dos imóveis
No Anexo III, estão todos os exemplares
fechados, deverá colocar
de formulários utilizados no LIRAa.
o código da situação existente no rodapé
do boletim.
6.1 BOLETIM DE CAMPO E
LABORATÓRIO – BCL
Número de recipientes com foco:
Finalidade: Registrar as informações de
Registrar o número de recipientes em que
cada visita realizada pelo agente de saúde
se encontraram formas imaturas
para identificação e acompanhamento
(larvas/pupas) de mosquito, de acordo com
operacional das ações de campo e
a legenda localizada no rodapé do boletim.
laboratório.
Deverão ser coletados tubitos
correspondentes ao número de tipos de
CABEÇALHO
recipientes positivos. Exemplo: Se forem
Município/UF: Anotar o nome do
encontrados cinco pneus com larvas, deverá
município e do estado.
ser colhido um tubito com máximo de 10
Estrato: Anotar o número do estrato a ser
larvas para cada pneu.
trabalhado.
Numeração das amostras coletadas:
Número de quarteirões: Anotar o
Anotar a numeração das amostras
número de quarteirões trabalhados no dia.
correspondentes. Exemplo: Se, no primeiro
Número de imóveis: Anotar o número de
imóvel inspecionado, coletaram-se 10
imóveis trabalhados no dia.
tubitos, deverá ser anotado “1 a 10”; no
Bairro(s): Anotar o nome do(s) bairro(s)
segundo imóvel, caso tenha coletado oito
trabalhado no dia.
tubitos, a anotação será: “11 a 18”, e assim
Folha: A numeração indica o número da
por diante.
folha em relação ao total.
Número de tubitos: Registrar o total de
Exemplo: 2/5 (2a folha de um total de 5).
tubitos coletados no imóvel inspecionado.
Este formulário deverá ser utilizado
No exemplo anterior, no primeiro imóvel
120
Conhecimentos Específicos
será anotado 10 tubitos e, no segundo, oito 6.3 RESUMO DO BOLETIM DO
tubitos. CAMPO E LABORATÓRIO
Para cada estrato, deve-se preencher um
6.1.2 PREENCHIMENTO NO resumo do Boletim de Campo e Laboratório
LABORATÓRIO – LIRAa.
Número de tubitos examinados: Finalidade: Registrar as informações, de
Registrar o total de tubitos examinados pelo campo e de laboratório, consolidadas por
laboratorista. estrato; permitir uma análise crítica dos
Número de tubitos com Aedes Aegypti: parâmetros amostrais do LIRAa e aqueles
Registrar o total de tubitos examinados que adequados serão utilizados para
apresentaram larvas/pupas de Ae. Aegypti. preenchimento da Planilha de Entrada de
Número de tubitos com Aedes Dados.
Albopictus: Registrar o total de tubitos Município: Anotar o nome do município
examinados que apresentaram larvas/pupas avaliado.
de Ae. Albopictus. Estado: Anotar o nome do estado.
Número de recipientes positivos para Estrato: Anotar o número do estrato a
Aedes aegypti: Anotar o número de que pertencem as informações.
recipientes positivos para Ae. aegypti, de Bairro(s): Anotar o nome do(s) bairro(s)
acordo com a legenda localizada no rodapé que forma o estrato, de acordo com a
do boletim. divisão prevista pelo LIRAa.
Número de recipientes positivos para
Aedes albopictus: Anotar o número de NÚMERO DE IMÓVEIS
recipientes positivos para Ae. Albopictus. Programados: Corresponde ao número
de imóveis programados do estrato
Assinar e datar os respectivos campos: calculado na planilha Cálculo de
Os supervisores de área deverão conferir, Parâmetros LIRAa.
diariamente, os boletins preenchidos pelos Terrenos baldios: Corresponde ao
agentes de saúde sob sua responsabilidade somatório de terrenos baldios positivos para
e fazer o Resumo Parcial do dia trabalhado Aedes aegypti registrados nos Boletins de
e encaminhar ao supervisor-geral, que fará Campo e Laboratório do LIRAa.
a conferência dos dados e encaminhará ao Outros imóveis: Corresponde ao
laboratório. somatório de outros imóveis positivos para
Aedes aegypti registrados nos Boletins de
6.2 CONSOLIDADO PARCIAL Campo e Laboratório do LIRAa.
DOS ESTRATOS – LIRAa Número de Imóveis (TB + outros) com
(SUPERVISORES) Aedes albopictus: Corresponde ao
Finalidade: Facilitar o trabalho do somatório de terrenos baldios e outros
laboratorista e/ou supervisor para o imóveis positivos para Ae. albopictus
preenchimento correto do Resumo do registrados nos Boletins de Campo e
Boletim de Campo de Laboratório– LIRAa. Laboratório do LIRAa.
Este formulário tem por finalidade Número de recipientes positivos para
facilitar a consolidação dos dados nos Aedes aegypti por tipo: Corresponde ao
estratos pelo coordenador local do somatório de recipientes positivos para Ae.
Programa de Controle da Dengue. Deverá aegypti, por tipo, registrados nos Boletins
ser preenchido pelos supervisores de área, de Campo e Laboratório do LIRAa.
ficando em seu poder até o retorno do BCL Obs.: Os tipos de recipientes devem estar
com os resultados do laboratório para de acordo com a legenda localizada no
consolidação e lançamento dos tubitos rodapé do citado boletim.
positivos. Posteriormente, será conferido Número de recipientes positivos para
pelos supervisores-gerais. Aedes albopictus: Corresponde ao
121
Conhecimentos Específicos
somatório de recipientes positivos para Ae. supervisores de campo, que
albopictus registrados nos Boletins de complementarão a consolidação no
Campo e Laboratório – LIRAa. Formulário Consolidado Parcial dos
Assinar e datar os respectivos campos. estratos.
Após esse procedimento, deverão ser
6.4 SUPERVISÃO DOS encaminhados ao supervisor-geral esses
TRABALHOS boletins, nos quais deverão ser anexados os
Após o levantamento dos estratos e o rótulos dos tubitos. A partir deste
planejamento operacional, deverão ser procedimento, o supervisor fará a
selecionados 10% dos imóveis para conferência dos formulários de
inspeção dos trabalhos. A planilha consolidados parciais e preencherá o
apresentada deverá ser preenchida com a formulário Resumo do BCL por Estrato
rua e o quarteirão do imóvel selecionado, para encaminhamento à digitação.
devendo ser marcado se a supervisão foi A conferência apurada dos imóveis
“direta” ou “indireta”, o nome do agente positivos e da quantidade de tubitos evitará
inspecionador e as observações que o sistema recuse os estratos no
encontradas. momento da digitação.
Caso se detecte problemas na execução
da ação, o supervisor do agente deverá ser 6.6 MODELO DE RÓTULO PARA
comunicado. Caso se detecte que possa ser TUBITO COM LARVAS/PUPAS
um problema comum, os problemas Finalidade: Identificar as amostras
deverão ser comunicados a todos os coletas pelos agentes de saúde nos imóveis
supervisores. trabalhados do município. O rótulo do
tubito deve ser preenchido a lápis, em letras
6.5 FLUXO DE legíveis, e colocado dentro do tubito pelo
ENCAMINHAMENTO DE agente de saúde imediatamente após a
AMOSTRAS E FORMULÁRIOS colocação das larvas e/ou pupas.
O BCL deverá ser encaminhado Preenchimento do rótulo: As
diariamente ao supervisor de campo, que informações solicitadas no rótulo do tubito
deverá fazer as devidas conferências antes são de preenchimento óbvio e já foram
de preencher o Resumo Parcial. orientadas nos outros formulários de
O Formulário Consolidado Parcial Campo e Laboratório.
deverá ser preenchido pelo supervisor no
item Preenchimento no Campo, OBSERVAÇÃO
correspondente a cada dia de trabalho. Os a) O agente de saúde deve preparar o
dados da linha total deverão ser transferidos rótulo para colocação no tubito de forma
do formulário Boletim de Campo e que o Número da amostra fique visível para
Laboratório, consolidando os dados de toda o laboratorista. Para isto, deve-se proceder
a equipe, diariamente. Deverão ser da seguinte forma:
preenchidos tantos formulários diários 1. Dobrar o rótulo ao meio;
quantos forem os utilizados pelo agente. 2. Dobrar novamente o rótulo ao meio,
O supervisor deverá encaminhar o de forma que a parte Número da amostra
Boletim de Campo e Laboratório fique de frente para o agente de saúde;
juntamente com os tubitos ao laboratorista. 3. Em seguida, enrolar o rótulo no
Os BCL em que não houve coleta serão sentido do Número da amostra de forma
encaminhados diretamente para o que este fique visível dentro do tubito.
supervisor-geral. Após o exame, o b) Após o exame, os rótulos positivos
laboratorista deverá preencher os campos para Ae. aegypti e Ae. albopictus
correspondentes ao item Laboratório no devem ser grampeados no Boletim de
BCL e encaminhá-los aos respectivos Campo e Laboratório.
122
Conhecimentos Específicos
promoção da saúde e de redução da
Manual sobre Medidas de Proteção a morbimortalidade na população
Saúde dos Agentes de Combate às trabalhadora.
Endemias Considerando a influência dos modelos
de desenvolvimento econômico nos
processos produtivos, na modificação da
Manual sobre Medidas de Proteção a natureza e na dinâmica das populações,
Saúde dos Agentes de combate às observa-se que fatores como a urbanização
Endemias10 desordenada, o desmatamento, a
deficiência no abastecimento adequado de
Apresentação água e as lacunas no processo de coleta e
A Rede Nacional de Atenção Integral à destinação dos resíduos sólidos, bem como
Saúde do Trabalhador (Renast), conforme a existência de condições climáticas
o Anexo X da Portaria de Consolidação n° favoráveis, propiciaram, nos últimos anos,
3/GM/MS (Origem: PRT MS/GM a expansão, emergência e reemergência
1679/2002) (BRASIL, 2017a), é a das arboviroses no Brasil (em especial,
principal estratégia de efetivação, dengue, Zika, chikungunya e febre
organização e implementação das ações de amarela), doenças que representam um
Saúde do Trabalhador (ST) em todos os grave problema de saúde pública no
serviços do Sistema Único de Saúde mundo. A importância dessas doenças
(SUS). No âmbito nacional, a reside, principalmente, no seu grande
Coordenação Geral de Saúde do
potencial epidêmico e de dispersão,
Trabalhador (CGSAT), do Departamento sensibilidade às alterações das dinâmicas
de Saúde Ambiental, do Trabalhador e populacionais e ações humanas,
Vigilância das Emergências em Saúde susceptibilidade universal e, entre outros
Pública (DSASTE), da Secretaria de fatores, na ocorrência de graves prejuízos
Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério à saúde, como acometimentos
da Saúde (MS), é a responsável pela gestão hemorrágicos, articulares e neurológicos,
e planejamento das ações relativas à Saúde dentre os quais se destacam complicações
do Trabalhador, além de coordenar a como as encefalites em adultos, síndrome
implementação da Política Nacional de de Guillain-Barré, óbitos fetais,
Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora microcefalia e síndrome congênita
(PNSTT). associada à infecção pelo vírus Zika
A PNSTT, segundo o Anexo XV da (SCZ).
Portaria de Consolidação n° 2/GM/MS No escopo das ações estratégicas
(Origem: PRT MS/GM 1823/2012) definidas pela SVS para a contenção do
(BRASIL, 2017b), representa uma ciclo de transmissão dessas doenças,
importante conquista para os trabalhadores destaca-se o papel de milhares de
brasileiros e um marco no fortalecimento trabalhadores que desenvolvem ações em
das políticas sociais no Brasil. Ao definir prol do controle das endemias e epidemias.
os princípios, as diretrizes e as estratégias Esses profissionais possuem atribuições
a serem observadas pelas três esferas de de grande relevância e executam
gestão do SUS para o desenvolvimento da atividades de promoção da saúde,
Atenção Integral à Saúde do Trabalhador, vigilância, prevenção e controle de
a PNSTT reconhece o trabalho como um doenças, de acordo com as estratégias
dos determinantes do processo saúde- preconizadas pelo Ministério da Saúde.
doença dos indivíduos e da coletividade, Entretanto, observa-se que a atividade
enfatizando a Vigilância em Saúde do laboral desses trabalhadores pode envolver
Trabalhador (Visat) como estratégia de
10
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_protecao_agentes_ endemias.pdf
123
Conhecimentos Específicos
a manipulação de inseticidas, transporte de controle desse vetor. Medidas de proteção
equipamentos, pesquisa de vetores em relativas às atividades dos ACE para
locais de difícil acesso, entre outras controle de outros agravos e doenças serão
atividades, que os expõem a fatores de abordadas em outros volumes.
riscos, tais como os químicos, Este Manual é norteado pela linha do
ergonômicos, sociais, físicos, biológicos e cuidado integral e busca apontar os fatores
os ligados a acidentes. de riscos presentes nas atividades,
A despeito de os manuais, protocolos e organização e processos de trabalho, bem
diretrizes elaborados e publicados pelo como descrever as medidas de proteção
Ministério da Saúde orientarem estados e coletiva e individual e as ações de
municípios sobre as ações e atividades de promoção e proteção à saúde a serem
vigilância a serem executadas e sobre os observadas pelas três esferas de gestão do
procedimentos de segurança a serem SUS. Uma vez que os processos de
seguidos pelos agentes de combate às trabalho são dinâmicos, tornam-se
endemias (ACE), diante do conceito essenciais discussões e atualizações
ampliado de Saúde do Trabalhador, que periódicas sobre os temas aqui abordados.
norteia as ações de atenção integral à Pretende-se, portanto, favorecer a
saúde dessa população no SUS, verifica-se disseminação e incorporação deste Manual
a necessidade de atualizar e estender o como ferramenta operacional das medidas
escopo desses documentos para além da de proteção à saúde dos ACE que atuam
segurança relativa ao uso de agentes no controle vetorial do mosquito Aedes
químicos, incorporando medidas de aegypti, na perspectiva de promover a
proteção coletivas e intervenções para a melhoria da qualidade de trabalho e de
melhoria das condições, organização e vida desse grupo de trabalhadores.
processos de trabalho.
Dessa forma, o DSASTE, por meio da Introdução
Coordenação Geral de Saúde do As epidemias sempre estiveram
Trabalhador (CGSAT), em colaboração presentes na história das coletividades
com a área técnica da Coordenação Geral humanas. A par disso, os contextos sociais
de Vigilância das Arboviroses, do dos modos de produção, associados aos
Departamento de Imunização e das fatores econômicos, condicionaram
Doenças Transmissíveis modificações no ambiente e nas estruturas
(CGARB/DEIDT/SVS), realizou um urbanas e rurais que favoreceram e ainda
trabalho conjunto intra e intersetorial, com favorecem a sua ocorrência (BARATA,
a colaboração de especialistas nas 1987). No Brasil, pode-se dizer que a
temáticas de saúde do trabalhador, saúde história da saúde pública foi, em grande
ambiental e gestão em saúde para a parte, marcada pela tentativa de eliminar
elaboração deste Manual, que tem como grandes surtos epidêmicos desde períodos
público-alvo os gestores federais, coloniais, como o de febre amarela, e
estaduais e municipais de saúde, os outros que surgiram posteriormente ao
profissionais da Rede de Atenção à Saúde longo dos anos, como malária,
(RAS) e da Vigilância em Saúde e a rede leishmaniose e doença de Chagas (LIMA,
intersetorial que apresente interface com o 2002). Em períodos recentes, pelo grande
tema. impacto na morbidade e na mortalidade,
Devido às especificidades do processo além das implicações sobre os serviços de
de trabalho para o controle do mosquito saúde, destacam-se especificamente as
Aedes aegypti, este primeiro volume do epidemias de arboviroses (doenças
Manual abordará as medidas de proteção à causadas por arbovírus, do inglês
saúde dos agentes de combate às endemias ARthropod BOrne VIRUS), como dengue,
que desenvolvem atividades voltadas ao Zika, febre amarela e chikungunya
124
Conhecimentos Específicos
(DONALISIO; FREITAS; VON ZUBEN, trajetória e da importância dos agentes de
2017). combate às endemias, foi apenas em 2006,
No Brasil, as medidas de controle de a partir da publicação da Lei Federal nº
vetor tiveram início no período colonial, 11.350, de 5 de outubro de 2006, que o
desde a primeira campanha sanitária trabalho do agente foi descrito e
contra febre amarela, realizada em Recife regulamentado. Considerando as
no ano de 1691 (BRASIL, 1994b, p. 7), estratégias de vigilância e ações em saúde
passando pelas epidemias no Rio de pública, o ACE é um profissional
Janeiro no século XIX (LIMA, 2002), até fundamental nas ações de controle de
as mais recentes. Assim, as ações para endemias e epidemias, trabalhando junto às
prevenção dessas endemias foram se equipes de Atenção Básica da Estratégia de
estruturando com base no conhecimento Saúde da Família (ESF) e auxiliando na
do território de atuação e nos integração entre as vigilâncias
procedimentos relacionados ao trabalho de epidemiológica, sanitária e ambiental
campo. Desde então, a figura dos ACE (TORRES, 2009).
ganhou destaque (Figuras 1 e 2) e,
posteriormente, estes foram incorporados
à organização operacional dos programas
de controle de doença e saúde ambiental
(BEZERRA, 2017).
Os ACE estiveram presentes nos mais
diversos contextos de atuação do controle
vetorial, tanto em áreas urbanas quanto
rurais do país. Sua formação inicial
abordava estudos geográficos e elaboração
de mapas, além de vigilância sobre os
focos dos vetores e sua erradicação, com
uso de inseticidas e sensibilização da
população por meio da educação sanitária;
dessa forma, eles herdaram um vasto
conhecimento das técnicas de controle das
doenças transmitidas por vetores
(BEZERRA, 2017).
Esses profissionais acompanharam a
história da saúde pública do país. No
entanto, suas funções e atribuições
sofreram alterações ao longo dos anos,
passando de um sistema vertical de ações Algumas atividades preconizadas para o
de controle e vigilância para um modelo controle vetorial das arboviroses podem
descentralizado. Isso exigiu uma formação expor os ACE a riscos de acidentes e
mais ampla e científica de recursos doenças relacionadas ao trabalho. Dessa
humanos qualificados, pois os ACE era forma, faz-se necessário que as orientações
conhecidos como guardas da malária, relacionadas à proteção da saúde do
guardas da dengue, guardas da trabalhador, instituídas por meio de
esquistossomose, entre outros, por portarias, normas regulamentadoras,
atuarem apenas no âmbito de uma doença; instruções normativas, notas informativas e
em consequência, detinham um manuais sejam observadas durante a
conhecimento restrito a um ou dois realização do trabalho de campo, em
agravos (TORRES, 2009). consonância com os direitos universais e
Entretanto, mesmo diante da longa constitucionais à saúde e ao ambiente de
125
Conhecimentos Específicos
trabalho seguro. Como esses trabalhadores A partir da compreensão e
podem ter vínculos de trabalho nas três diferenciação entre o trabalho prescrito ou
esferas de gestão do SUS, é de tarefa e o trabalho real ou atividade
responsabilidade do empregador garantir a (BRITO, 2008), que por sua vez define o
sua segurança. processo, organização e condição do
O Ministério da Saúde e as Secretarias trabalho, este documento busca trazer
de Saúde têm responsabilidades que vão elementos técnicos para o
desde a identificação dos riscos presentes desenvolvimento locorregional de
no ambiente laboral e a realização de medidas de saúde e segurança aos
exames admissionais e periódicos até a trabalhadores, abordando a proteção
adoção de estratégias de minimização dos coletiva e individual, os aspectos de
riscos durante o processo de trabalho, como monitoramento clínico e laboratorial e as
a realização de capacitações e adoção de ações a serem adotadas diante da
medidas de proteção coletiva e individual. ocorrência de doenças e agravos
relacionados ao trabalho.
Uma vez que as atividades de controle Dessa forma, espera-se a disseminação e
vetorial dos programas de vigilância do incorporação das orientações deste Manual,
Ministério da Saúde estão em constante na perspectiva de promover a melhoria das
revisão de suas metodologias de trabalho, condições e processos de trabalho, a fim de
tornam-se essenciais discussões e contribuir para a construção democrática e
atualizações sobre os temas aqui abordados, participativa da Saúde do Trabalhador no
para que as orientações sejam testadas, Sistema Único de Saúde, rumo ao
avaliadas e aprimoradas de forma contínua, fortalecimento da cidadania e diminuição
a fim de que se adequem à realidade. das injustiças e desigualdades.
Durante o século XX, alguns manuais OBJETIVOS
de procedimentos para os programas de
controle de endemias foram elaborados e Objetivo geral
passaram por modificações e atualizações Orientar, de forma prática e
ao longo do tempo. Tais manuais operacional, as medidas de promoção e
concentravam-se em orientar os proteção à saúde a serem seguidas e que
trabalhadores nas ações de campo. devem ser asseguradas aos agentes de
Entretanto, desde a publicação do Manual combate às endemias (ACE), na
de Saneamento, que veio a suceder o perspectiva da atenção integral à saúde do
Manual dos Guardas Sanitários elaborado trabalhador.
em 1944, os conteúdos não abordam Objetivos específicos
aspectos de saúde e segurança do - Apresentar as funções e atribuições
trabalhador na perspectiva da atenção legais dos ACE e o processo de trabalho
integral à saúde, com orientações quanto que se desenvolve a partir das condições
às condições e organização do processo de reais de trabalho.
trabalho. - Descrever os fatores e as condições de
Considerando a necessidade de risco advindos do trabalho realizado pelos
estabelecer medidas e orientar práticas ACE.
voltadas à saúde e segurança na realização - Definir as medidas de proteção à
das atividades dos ACE, este Manual saúde coletivas e individuais para os ACE.
pretende sistematizar as ações necessárias - Orientar a manutenção das condições
para a proteção à saúde dos trabalhadores e processos de trabalho seguros,
inseridos nas atividades de controle do destacando o papel da informação sobre
Aedes aegypti. trabalho, saúde e segurança na formação
dos agentes, bem como na incorporação do
126
Conhecimentos Específicos
saber do trabalhador na melhoria dos combate às endemias, do processo de
ambientes e processos de trabalho. trabalho e dos fatores e situações de riscos
- Orientar o acompanhamento e aos quais estão expostos. Busca, a partir da
monitoramento de saúde dos ACE. lógica da hierarquia de controles,
- Orientar a elaboração de fluxos de sistematizar as medidas de proteção
atendimento e encaminhamento dos coletiva e individual a serem seguidas,
trabalhadores frente às situações de visando a promoção da saúde dos
acidentes, doenças e agravos relacionados trabalhadores. Ressaltam-se, como
ao trabalho, bem como ações de vigilância aspectos prioritários, a manutenção das
em saúde do trabalhador e aspectos legais condições de ambientes e processos de
de notificações e registro de doenças e trabalho mais seguros e os cuidados a
acidentes. serem observados na operacionalização e
manejo dos produtos e substâncias
PÚBLICO-ALVO utilizadas.
Profissionais que atuam no controle O Eixo 4 estabelece, com base em
vetorial, equipes de saúde, gestores normas e procedimentos técnicos, as ações
federais, estaduais e municipais de saúde, de monitoramento da situação de saúde
coordenadores dos Centros de Referência dos agentes de combate às endemias,
em Saúde do Trabalhador, rede como exames admissionais e periódicos e
intersetorial e demais profissionais que monitoramento clínico.
tenham interface com o tema. O Eixo 5 apresenta ações a serem
realizadas pela rede de atenção à saúde
ESTRUTURA DO MANUAL frente à ocorrência de doenças e agravos
Este Manual foi estruturado em cinco relacionados ao trabalho, incluindo as
eixos temáticos, organizados a partir de atribuições das unidades de urgência e
um olhar sistematizado sobre a saúde dos emergência, do Centro de Referência em
trabalhadores, priorizando, a partir da Saúde do Trabalhador (Cerest), da Atenção
análise do processo de trabalho, a Básica e da Vigilância em Saúde, além de
identificação dos perigos e riscos a que informações toxicológicas e os fluxos e
estes estão sujeitos, bem como a descrição notificações a serem estruturados na rede.
das correspondentes medidas de controle e
proteção, conforme indicado a seguir: Eixo 1 - O agente de combate às
O Eixo 1 está centrado na figura do endemias
agente de combate às endemias. Descreve
as atribuições legais dos trabalhadores 1.1 O agente de combate às
dessa categoria profissional e apresenta endemias: breve história da evolução da
um breve resumo do histórico do trabalho categoria profissional
dos agentes. O surgimento dos agentes de combate
O Eixo 2 aborda os processos de às endemias foi fundamentado no histórico
trabalho e os fatores de risco identificados das ações de enfrentamento da malária,
durante a realização das atividades dos febre amarela e outras endemias rurais,
agentes de combate às endemias, bem como a doença de Chagas e a
como as consequências para sua saúde, esquistossomose. O recorte mais
como doenças e agravos relacionados ao significativo desse histórico teve início
trabalho, que podem se desenvolver a quando Oswaldo Cruz, após assumir o
partir das situações de trabalho e cargo de Diretor-Geral de Saúde Pública
exposições. em 1903, adotou um modelo de controle
O Eixo 3 apresenta orientações práticas baseado na forma de organização militar
e operacionais de proteção à saúde, a partir (BRASIL, 2004).
da análise das atribuições dos agentes de
127
Conhecimentos Específicos
A polícia sanitária brasileira, que chamou de “sanitarismo integralista”
atuava no controle do vetor da febre (serviços de saúde, saneamento e
amarela no Rio de Janeiro, era constituída abastecimento de água), e da Sucam, as
por um grupo de agentes sanitários experiências do campanhismo
chamado de brigada de “mata-mosquitos”, popularizado de base territorial, com foco
formado por jovens recrutados para no trabalho de campo com as
exterminar os possíveis focos de comunidades. Absorveu, também, as
reprodução do Aedes aegypti nos imóveis. atividades da extinta Secretaria Nacional
O trabalho consistia na visita domiciliar de Ações Básicas de Saúde (SNABS) e da
para a limpeza de calhas, depósitos e Secretaria Nacional de Programas
caixas d’água, muitas vezes, sem Especiais de Saúde (SNPES), bem como
consentimento dos próprios moradores as ações de informática do SUS, até então
(BEZERRA, 2017). Assim, os serviços e desenvolvidas pela Empresa de
as competências desses agentes foram se Processamento de Dados da Previdência
fortalecendo e se institucionalizando. Social (Dataprev).
Em 1970, foi criada a Superintendência A Funasa foi criada em meio a um
de Campanhas de Saúde Pública (Sucam), cenário de transformações sociais,
que incorporou os recursos humanos e as econômicas e políticas em âmbito
técnicas de controle das endemias em sua nacional, assumindo todas as ações de
estrutura organizacional e operativa, e controle das endemias e de saneamento
herdou uma forma de trabalho que se público domiciliar do país. Durante os
baseava em normas técnicas específicas primeiros anos, desenvolveu suas
das campanhas, a exemplo da malária e atividades de forma centralizada e pouco
febre amarela. sistêmica. Esse período caracterizou-se
Conforme os Decretos Federais nº pelo desenvolvimento de ações pontuais,
57.474/65 e nº 56.759/65, que setoriais e desarticuladas. Essa realidade,
estabeleceram normas para o controle da aliada às diferenças culturais das
malária e da febre amarela, organizações que a originaram, dificultava
respectivamente, observa-se uma série de sua integração ao Sistema Único de Saúde
procedimentos que estão diretamente (BRAGA; VALLE, 2007).
relacionados com o trabalho de campo e a Com a implantação do SUS e o
identificação do território de atuação, a processo de descentralização, ações que
exemplo do reconhecimento geográfico, eram de responsabilidade da União foram
que se baseia no cadastro das casas, na consignadas aos estados, municípios e
contagem do número de imóveis e Distrito Federal. Nesse contexto, muitos
habitantes e na construção de croquis das ACE que atuaram diretamente no controle
localidades, vias de acesso e acidentes de vetores, realizando visitas domiciliares,
geográficos. Além disso, destacam-se inspeções e eliminação de depósitos aptos
atividades de vigilância sobre os focos e à proliferação do mosquito transmissor da
sua erradicação, com a sensibilização da dengue (ações voltadas especificamente ao
população por meio da educação sanitária controle do Aedes aegypti) e que estavam
e o uso de inseticidas (BEZERRA, 2017). regidos por contratos temporários, foram
Na década de 1990, foi criada a demitidos em meio ao processo de
Fundação Nacional de Saúde (FNS), que descentralização e reordenamento
mais tarde, em 1999, passou a ser organizacional institucional (BEZERRA,
representada pela sigla Funasa e 2017).
incorporou as funções da Sucam e da Em 2003, com a aprovação da Medida
Fundação Serviços de Saúde Pública Provisória nº 86, os 5.792 ACE demitidos
(FSESP). Conforme Varga (2007), a foram reintegrados. Em 2006, a Medida
instituição herdou da FSESP o que se Provisória nº 297 estabeleceu que esses
128
Conhecimentos Específicos
trabalhadores reintegrados fossem regidos Classificação Brasileira de Ocupações
pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CBO).
(CLT), conforme a Lei Federal nº 9.962, De acordo com a CBO, os agentes de
de 22 de fevereiro de 2000, como combate às endemias, código 5151-40, são
empregados públicos (GUIDA et al., também denominados agentes de controle
2012). No mesmo ano, com a publicação de vetores, agentes de controle de dengue
da Lei Federal nº 11.350, de 5 de outubro e guardas de endemias.
de 2006, o trabalho dos agentes passou a
ocorrer exclusivamente no âmbito do SUS, 1.2 Atribuições dos agentes de
mediante contratação por meio de seleção combate às endemias e ações
pública, não sendo permitida a contratação complementares dos agentes
temporária ou terceirizada, salvo em comunitários de saúde
situações de epidemias (BRASIL, 2006a). Conforme preconizado pela Política
Em 2018, foi publicada a Lei Federal nº Nacional de Vigilância em Saúde e pela
13.595, de 5 de janeiro de 2018, que Política Nacional de Atenção Básica , a
alterou a Lei Federal nº 11.350, de 5 de integração entre as ações de Vigilância em
outubro de 2006, e que dispõe sobre a Saúde e de Atenção Básica é fator
reformulação das atribuições, a jornada e essencial para o atendimento das reais
as condições de trabalho, o grau de necessidades de saúde da população.
formação profissional, os cursos de Nesse sentido, o trabalho conjunto e
formação técnica e continuada e a complementar entre os Agentes de
indenização de transporte dos Combate às Endemias (ACE) e os Agentes
profissionais agentes comunitários de Comunitários de Saúde (ACS), em uma
saúde (ACS) e ACE (BRASIL, 2018a). base territorial comum, é estratégico e
No que se refere às atividades desses desejável para identificar e intervir
profissionais, a legislação mais recente oportunamente nos problemas de saúde-
outorgou novos direitos às duas categorias, doença da comunidade, facilitar o acesso
como a contagem entre regimes de da população às ações e serviços de saúde
previdência para fins de concessão de e prevenir doenças.
benefícios, o adicional de insalubridade, a Integrar implica discutir ações a partir
definição de horário de trabalho da realidade local, aprender a olhar o
considerando as condições climáticas território e identificar prioridades,
locais, o fornecimento ou garantia de assumindo o compromisso efetivo com a
custeio do transporte para que exerçam saúde da população, desde o planejamento
suas atividades e, no caso específico dos e definição de prioridades, competências e
ACE, a obrigatoriedade de sua presença na atribuições até o cuidado efetivo das
estrutura da vigilância epidemiológica e pessoas, sob a ótica da qualidade de vida
ambiental. (BRASIL, 2008).
Importante destacar que, a depender do De acordo com o art. 3º da Lei Federal
código de saúde do estado ou município, o nº 13.595, de 5 de janeiro de 2018
ACE pode adquirir outras denominações (BRASIL, 2018a), as atribuições dos ACE
como agente de vigilância ambiental, consistem em:
agente de saúde ambiental, agente de - Desenvolver ações educativas e de
controle de endemias, entre outros, sem mobilização da comunidade relativas à
que isso interfira nas suas atribuições e prevenção e ao controle de doenças e
direitos garantidos legalmente. Neste agravos à saúde;
Manual, optou-se por utilizar o termo - Realizar ações de prevenção e
agente de combate às endemias por ser controle de doenças e agravos à saúde, em
esta a denominação constante nas normas interação com os ACS e as equipes de
vigentes, adotada, também, pela Atenção Básica;
129
Conhecimentos Específicos
- Identificar casos suspeitos de doenças medidas de proteção individual e coletiva
e agravos à saúde e encaminhá-los, quando e de outras ações de promoção à saúde
indicado, à unidade de saúde de referência, para a prevenção de doenças infecciosas,
assim como comunicar o fato à autoridade zoonoses, doenças de transmissão vetorial
sanitária responsável; e agravos causados por animais
- Divulgar, entre a comunidade, peçonhentos;
informações sobre sinais, sintomas, riscos - Planejamento, programação e
e agentes transmissores de doenças e sobre desenvolvimento de atividades de
medidas de prevenção coletivas e vigilância em saúde, de forma articulada
individuais; com as Equipes de Saúde da Família;
- Realizar ações de campo para - Identificação e comunicação, à
pesquisa entomológica e malacológica e unidade de saúde de referência, de
coleta de reservatórios de doenças; situações que, relacionadas a fatores
- Cadastrar e atualizar a base de imóveis ambientais, interfiram no curso de doenças
para planejamento e definição de ou tenham importância epidemiológica;
estratégias de prevenção e controle de - Realização de campanhas ou de
doenças; mutirões para o combate à transmissão de
- Executar ações de prevenção e doenças infecciosas e outros
controle de doenças, com a utilização de agravos.Ainda de acordo com a Lei
medidas de controle químico e biológico, Federal nº 13.595/2018 (BRASIL, 2018a),
manejo ambiental e outras ações de os ACE devem desenvolver outras
controle integrado de vetores; atividades, expressas na lei, assistidas por
- Executar ações de campo em projetos profissionais de nível superior e
que visem a avaliar novas metodologias de condicionadas à estrutura da Vigilância
intervenção para a prevenção e controle de em Saúde e da Atenção Básica.
doenças;
- Registrar informações referentes às Dessa forma, cabe ressaltar que as
atividades executadas, de acordo com as atividades dos ACE são diversas e não se
normas do SUS; restringem apenas às ações de controle das
- Identificar e cadastrar situações que arboviroses abordadas neste Manual.
interfiram no curso das doenças ou que Outros documentos importantes, tais como
tenham importância epidemiológica, a Política Nacional de Vigilância em
relacionada principalmente aos fatores Saúde, a Política Nacional de Atenção
ambientais; Básica e a Política Nacional de Promoção
- Mobilizar a comunidade para da Saúde , também trazem diretrizes gerais
desenvolver medidas simples de manejo para a atividade dos agentes que atuam no
ambiental e outras formas de intervenção controle de doenças, incluindo os ACE, na
no ambiente para o controle de vetores. lógica da territorialização e da
integralidade do cuidado à saúde da
A Lei Federal nº 13.595, de 5 de janeiro população.
de 2018 (BRASIL, 2018a), também define Importante salientar que, nas situações
algumas ações a serem desenvolvidas de em que os ACS desenvolverem ações de
forma integrada com os ACS (art. 4º-A), controle vetorial, as medidas
em especial no âmbito das atividades de recomendadas neste Manual também
mobilização social por meio da educação devem ser direcionadas a esse grupo de
popular, dentro das respectivas áreas trabalhadores.
geográficas de atuação, a saber:
- Orientação da comunidade quanto à Eixo 2 - Situações de risco
adoção de medidas simples de manejo identificadas no processo de trabalho
ambiental para o controle de vetores, de dos agentes de combate às endemias e
130
Conhecimentos Específicos
doenças relacionadas ao trabalho de saneamento e meio ambiente,
educação, ordenamento urbano, cidadania,
2.1 Processo de trabalho dos agentes entre outras.
de combate às endemias Para uma melhor compreensão do
Todo processo de definição e processo de trabalho do ACE no controle do
instituição de medidas de saúde e Aedes aegypti, as atividades
segurança com foco na atenção integral na correspondentes serão resumidas a seguir
saúde do trabalhador, bem como as em dois grandes grupos: visitas
correspondentes ações de vigilância em domiciliares e aplicação de adulticidas.
saúde, se inicia com a análise do trabalho,
dos trabalhadores e de seus componentes, Para compreender melhor:
a fim de estabelecer as possíveis TAREFA: é aquilo que é solicitado ao
repercussões dessa atividade na saúde. trabalhador para ser executado. Também
Dessa forma, é importante conhecer chamado de trabalho prescrito.
tanto as condições de trabalho, que ATIVIDADE: compreende o trabalho
envolvem a) o ambiente físico – real, o que é de fato realizado pelo
iluminação, ruído, poeira, substâncias trabalhador a partir dos meios que este
químicas etc., b) o ambiente biológico – possui para dar conta do que lhe é pedido,
bactérias, vírus, fungos etc., c) o posto de ou seja, para realizar uma tarefa.
trabalho – espaços físicos, condições das
máquinas, equipamentos e ferramentas 2.1.1 VISITAS DOMICIlIARES
utilizadas etc., quanto a organização do
trabalho, que abrange, principalmente, a A visita domiciliar é uma das principais
divisão das tarefas (o trabalho prescrito, ações desenvolvidas pelos ACE. Tem um
ordenado pelos organizadores) e a divisão marcado caráter educativo e pressupõe a
dos trabalhadores (FERREIRA, 2015). participação da população na adoção de
É a partir da compreensão do trabalho cuidados para a eliminação dos criadouros,
real (BRITO, 2008) – aquele que de fato é bem como para a identificação de casos
realizado pelos trabalhadores a partir dos suspeitos das arboviroses transmitidas pelo
meios estes que possuem para executá-lo – Aedes aegypti, além do aconselhamento ao
que são implementadas as intervenções morador com suspeita de doença para busca
necessárias à garantia da saúde e oportuna de atendimento junto à Rede de
segurança do trabalhador. Atenção à Saúde. A presença regular dos
Assim sendo, o conhecimento sobre as ACE nas residências em áreas prioritárias é
atividades e como estas são desenvolvidas uma importante medida para a promoção de
é essencial para identificar os fatores e informações que possam favorecer a
situações de risco aos quais os mudança de comportamento.
trabalhadores estão expostos e adotar As visitas domiciliares são precedidas
medidas para sua eliminação ou mitigação. de ações de planejamento, preparação e
Tradicionalmente, são conhecidas organização das atividades, e têm por base
várias formas de controle vetorial que o território de atuação. Tais ações
podem ser utilizadas de forma isolada ou envolvem os diferentes atores que atuam
integrada. Assim, têm-se os controles nos programas de controle, como os
mecânico, biológico, legal, químico e gestores da área de manejo vetorial, os
integrado, sendo este último atualmente supervisores de campo e os ACE. Nessas
preconizado pelo Ministério da Saúde. ações, são estabelecidos os locais de
Transversais a quaisquer formas de atuação de cada equipe, bem como o
controle estão as ações educativas junto à número de imóveis a serem inspecionados.
população, bem como as ações de caráter É importante considerar que o número
intersetorial, com envolvimento das áreas de visitas domiciliares e as metas de
131
Conhecimentos Específicos
rendimento médio devem ser programados mesmos à remoção, destruição ou
de acordo com a realidade do município, vedação, e em último caso, ao tratamento
levando em conta o tamanho dos imóveis, químico ou biológico, com a utilização de
as condições climáticas, o absenteísmo, a larvicidas nos depósitos que não são
carga horária diária, entre outros. Esses passíveis de eliminação mecânica ou
parâmetros podem ser utilizados para a cobertura. Durante as atividades de
adoção de estratégias diferenciadas, como o levantamento de infestação, os ACE
Levantamento Rápido de Índices (LIRAa), realizam a coleta de larvas para envio ao
que permite ações direcionadas para áreas laboratório de entomologia.
com maior risco. Em alguns imóveis, são detectados
De forma geral, os materiais de trabalho pontos de difícil acesso, com grande
utilizados pelos ACE são armazenados nos potencial de proliferação, como caixas
locais onde os integrantes das equipes se d’água descobertas, calhas e lajes com
encontram antes de iniciar as atividades problemas de limpeza e escoamento,
diárias, a fim de se munir dos cisternas e outros locais de
equipamentos, registrar frequência e trocar armazenamento de água. Para a inspeção
informações sobre situações encontradas no desses pontos, é necessário um esforço
território. Esses locais, denominados adicional, com utilização de escadas,
pontos de apoio (PA), encontram-se dentro cordas e outros mecanismos. Essa
da área de abrangência dos ACE e podem atividade é classificada como trabalho em
funcionar em diversos estabelecimentos, altura.
como unidades de saúde, centros Considera-se trabalho em altura toda
comunitários, escolas, entre outros atividade executada acima de 2,00m (dois
metros) do nível inferior, em que haja risco
O número de visitas domiciliares e as de queda. Para inspecionar depósitos de
metas de rendimento médio devem ser difícil acesso encontrados em locais
observados de acordo com a realidade do abrangidos pela definição de trabalho em
município. altura, é importante que sejam estruturadas
equipes especializadas, conforme a NR-35
Os materiais incluem as bolsas para (BRASIL, 2016).
armazenar os instrumentos de trabalho, Importante destacar que, normalmente,
como lápis, pranchetas, formulários, os ACE locomovem-se a pé ou de bicicleta
pesca-larvas e tubos para depósito das e percorrem extensas áreas, estando em
formas imaturas do vetor, bem como grande parte do tempo expostos à radiação
inseticidas, equipamentos de proteção solar e outras intempéries. Ao final do dia,
individual (EPI) e outros, a depender da os ACE retornam ao PA para devolver os
organização local e das atividades. materiais de trabalho, os quais não devem
A partir dos PA, os ACE se dirigem à ser levados às suas residências.
área de trabalho e iniciam o processo de
vistoria aos imóveis – domicílio e Para inspecionar depósitos de difícil
peridomicílio – para a identificação de acesso encontrados em locais abrangidos
potenciais criadouros do mosquito pela definição de trabalho em altura, é
transmissor da dengue e a adoção de importante que sejam estruturadas equipes
medidas de controle, com a participação especializadas e observadas as disposições
dos moradores/proprietários. A visitação é legais da NR-35 (BRASIL, 2016), que
também realizada em imóveis comerciais e estabelece os requisitos mínimos e as
terrenos baldios. medidas de proteção para o trabalho em
Caso sejam identificados criadouros, os altura, envolvendo o respectivo
ACE orientam ao morador a realização do planejamento, organização e execução, de
controle mecânico ou procedem eles forma a garantir a segurança e a saúde dos
132
Conhecimentos Específicos
trabalhadores envolvidos direta ou determina cuidados especiais no manuseio
indiretamente com essa atividade. A dos inseticidas e solventes, além da
equipe especializada deverá passar por operação, regulagem e manutenção dos
avaliação médica que a habilite trabalhar próprios equipamentos.
em altura, além de contar com treinamento No caso dos equipamentos portáteis,
e equipamentos de segurança para em geral são formadas duplas de trabalho,
executar esse tipo de tarefa. permitindo que os operadores apliquem o
produto por cerca de 20 minutos cada,
No decorrer da execução de seu trabalho revezando-se em seguida. Enquanto um
de rotina, os ACE podem passar por operador trabalha nebulizando, o outro
supervisão direta ou indireta, realizada atua no serviço de aviso à população sobre
pelos supervisores de campo, que os cuidados a serem observados nos
acompanham a execução das ações a fim de quintais e no intradomicílio, nas situações
verificar a qualidade do trabalho e orientar em que essa ação é permitida.
medidas de melhoria das atividades. Alguns imóveis que recebem a visita do
ACE são diferenciados dos demais e
2.1.2 Aplicação de adulticidas chamados de pontos estratégicos (PE), por
Consiste no uso de inseticidas para apresentarem grande concentração de
controle do mosquito adulto, seja em depósitos preferenciais para a oviposição
situações de rotina, como nos pontos do Aedes aegypti, como borracharias,
estratégicos (aplicação residual), ou em depósitos de sucata e materiais de
situações específicas, como nos bloqueios construção, garagens de transportadoras,
de transmissão ou de casos (aplicação cemitérios, entre outros. Esses imóveis,
espacial). normalmente, recebem inspeção em
Para a realização dessa atividade, além menor intervalo de tempo e com mais
do planejamento, outras tarefas merecem frequência.
destaque: preparação da calda, transporte e Nos PE, utiliza-se o tratamento químico
armazenagem dos inseticidas, manutenção para as formas imaturas (larvas) e o
dos equipamentos, lavagem dos residual (adulto), o qual necessita
equipamentos e veículos, tríplice lavagem preparação da calda, sendo a aplicação
das embalagens e lavagem dos realizada por meio de equipamento
Equipamentos de proteção Individual manual ou costal.
(EpI). Algumas destas serão descritas
separadamente. A. Preparação da calda
A aplicação de inseticidas para A atividade de preparação da calda é
tratamento espacial (gotículas realizada de maneira rotineira e consiste
micropulverizadas dos inseticidas em em proceder à diluição do inseticida na sua
determinado espaço e ambiente) pode ser apresentação comercial (concentração
realizada por meio de máquinas de inicial) nos solventes indicados,
Ultrabaixo Volume acopladas ao veículo normalmente em água ou em solventes
(UBV pesada) ou equipamentos costais oleosos como óleos vegetais ou óleo diesel
motorizados (UBV costal). nas formulações aquosas, conforme as
Essa metodologia de controle consiste normas estabelecidas pelos programas,
em colocar um pequeno volume de obtendo-se a concentração final desejada.
inseticida em um grande volume de massa A diluição é feita para reduzir a
de ar, com a finalidade de eliminar os concentração inicial e garantir que,
mosquitos que entrem em contato com durante a aplicação do produto, se consiga
essas gotículas. trabalhar com as doses de ingrediente ativo
A utilização dessa metodologia envolve preconizadas nos diversos programas, seja
o uso de equipamentos motorizados, o que em alvos planos como paredes (como as
133
Conhecimentos Específicos
aplicações residuais) ou em determinada endêmicas do vetor até o manuseio de
massa de ar, no caso das aplicações substâncias tóxicas usadas na tentativa de
espaciais (nebulização a UBV). erradicação e controle dos mosquitos
Tal atividade, em geral, é realizada nos (TORRES, 2009). Dentre esses riscos,
depósitos/armazéns de inseticidas, alguns destacam-se os químicos, ergonômicos e
denominados de Centrais de UBV. de organização do trabalho, sociais,
físicos, biológicos, mecânicos e de
b. Lavagem e manutenção de acidentes, muitas vezes concorrentes e
veículos e equipamentos simultâneos, podendo causar doenças e
Consiste na limpeza dos veículos e agravos a esses trabalhadores (MATOS,
equipamentos para descontaminação, 2017), conforme descrito a seguir.
sendo normalmente realizada pela própria
equipe de bloqueio. Em geral, os veículos 2.2.1 risco químico
devem ser lavados após cada operação Historicamente utilizados pelos
diária e lubrificados seguindo calendário serviços de saúde pública para o controle
específico. de endemias, os inseticidas representam
Orientações e outras atividades mais um dos fatores de risco mais importantes
detalhadas realizadas pelos agentes de para a saúde dos trabalhadores e para o
combate às endemias encontram-se meio ambiente. Os compostos, substâncias
descritas nos manuais e diretrizes ou produtos dos inseticidas podem ser
preconizadas pela Coordenação Geral de absorvidos por via respiratória, dérmica ou
Vigilância das Arboviroses – oral (BAHIA, 2012).
CGARB/DEIDT/SVS/MS. Dentre os pesticidas preconizados pela
Organização Mundial da Saúde (OMS, on-
2.2 Fatores de risco nas atividades line), os inseticidas se constituem no maior
desenvolvidas pelos agentes de combate grupo utilizado pelos programas de
às endemias controle de doenças transmitidas por
Guida et al. (2012) apontaram uma vetores, embora haja uma tendência
série de situações que podem levar à mundial de substituição dos produtos
ocorrência ou à complicação de doenças e químicos por outras formas de controle. O
agravos nos ACE, tais como: processo de indicação se baseia em buscar,
infraestrutura precária de trabalho; dentre aqueles produtos utilizados na
recursos e espaços físicos inadequados; agricultura, os que sejam seguros e
armazenamento incorreto dos materiais efetivos para uso em saúde pública. O
usados no controle vetorial; ausência de mesmo princípio ativo, dependendo da sua
local de trabalho fixo, uma vez que a maior utilização, pode ser registrado em
parte das atividades se desenvolve na rua, diferentes categorias, na Agência Nacional
expondo os trabalhadores à intempéries e de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou no
violência urbana; baixo reconhecimento Ministério da Agricultura, Pecuária e
profissional, tanto institucional quanto por Abastecimento (Mapa), adotando-se o
parte da população; pressão para o termo “agrotóxico” na agricultura (Lei nº
cumprimento de metas, ocasionando baixa 7.802, de 11 de julho de 1989 – “Lei dos
autoestima e desmotivação; falta de agrotóxicos”) e “desinfestante” na
informações sobre os produtos utilizados, vigilância sanitária (Lei nº 6.360, de 23 de
o que pode gerar danos à saúde por setembro de 1976, em que se enquadram
desconhecimento dos riscos. os saneantes domissanitários).
Dessa forma, os agentes de combate às Independentemente do termo
endemias estão historicamente expostos empregado, trata-se de substâncias
aos mais variados riscos à sua saúde, que químicas com diversos graus de toxicidade
vão desde a permanência em áreas que, embora sejam empregadas para o
134
Conhecimentos Específicos
controle de vetores de doenças, devem ser vírus, bactérias, parasitas, bacilos e
utilizadas observando-se as medidas de protozoários) e adquirir doenças e agravos
precaução estabelecidas. transmitidos por tais patógenos. O contato
Dentre os trabalhadores da saúde, os diário com a população, com os vetores e
ACE representam a categoria mais exposta com os reservatórios de doenças pode
aos efeitos dos inseticidas nas campanhas aumentar o risco do desenvolvimento
de controle vetorial (LIMA et al., 2009). desses agravos nesse grupo de
Conforme descrito nas atividades, os ACE trabalhadores. Além disso, durante as
podem estar expostos a inseticidas desde o visitas domiciliares, os ACE podem estar
fracionamento e preparo da calda até a sua expostos a águas contaminadas, resíduos
aplicação, participando também de sólidos e esgotos, em função das
atividades inerentes aos processos de condições precárias de saneamento
armazenagem, transporte, uso e descarte, ambiental em algumas localidades,
além da limpeza e manutenção dos potencializando o risco de adoecimento.
equipamentos de borrifação e veículos.
Atualmente, nos programas de controle 2.2.4 riscos mecânicos e de acidente
vetorial, são empregados o inseticida de trabalho
Malathion Emulsão Aquosa (EA 44%), o Os acidentes de trabalho são fenômenos
larvicida Pyriproxyfen (0,5 G) e o determinados por uma série de fatores
inseticida Bendiocarb PM 80 presentes nos ambientes laborais, nos
(Carbamato). Entretanto, esses produtos quais estão implicados, além das
sofrem constante avaliação para características próprias dos processos
verificação de resistência e podem ser produtivos, as formas de organização e de
substituídos sempre que indicado. Dessa gestão do trabalho, os critérios de seleção
forma, além dos atualmente utilizados, os de tecnologias, os julgamentos quanto à
seguintes produtos também são passíveis relação custo-benefício e as opções
de uso pelo Brasil, em substituição àqueles tomadas quanto à proteção da saúde dos
em uso: Spnosad, Fludora® Fusion, Cielo trabalhadores. Esses acidentes podem ser
e SumiShield. O Anexo A deste Manual considerados previsíveis e, portanto,
apresenta os produtos com suas passíveis de serem prevenidos, dado que
informações técnicas e possíveis efeitos os fatores causais estão sempre presentes
sobre a saúde. bem antes do desencadeamento da sua
ocorrência (BAHIA, 2012).
2.2.2 riscos físicos Os ACE estão sujeitos à ocorrência de
Os ACE, durante a execução de suas acidentes de trabalho durante o exercício
atividades, podem estar expostos da atividade laboral, tais como queda de
principalmente a raios solares (radiações diferentes alturas, choque contra
não ionizantes), calor, frio e umidade obstáculos, projeção de partículas ou
(BAHIA, 2012). Além disso, podem objetos, perfurações, cortes, contusões,
também estar expostos a ruídos, devido às ferimentos, ataques de cães, picadas ou
emissões sonoras (TEIXEIRA et al., 2003) contato com insetos e animais
dos equipamentos costais motorizados, peçonhentos, agressões interpessoais,
dos nebulizadores portáteis e dos assaltos, atropelamento e acidentes de
nebulizadores pesados utilizados no trânsito durante o exercício de suas
controle vetorial (BRASIL, 2009a). atividades em via pública, além de
acidentes de trajeto.
2.2.3 riscos biológicos
Assim como outros profissionais da 2.2.5 riscos ergonômicos e de
área da saúde, os ACE podem estar organização do trabalho e riscos sociais
expostos a agentes biológicos (fungos, Esses riscos decorrem de deficiências
135
Conhecimentos Específicos
na concepção, organização e gestão Quadro 1 Fatores de risco, condições de
laboral, bem como de um contexto social trabalho e possíveis agravos e doenças
de trabalho, podendo ter efeitos negativos relacionadas ao trabalho do agente de
nos níveis psicológico, físico e social, tais combate às endemias
como o estresse relacionado ao trabalho,
esgotamento ou depressão.
Os ACE estão expostos aos fatores de
risco ergonômico durante o manuseio de
equipamentos, aplicação de agrotóxicos,
elevação e transporte manual de peso,
trabalho em pé com deslocamento intenso,
esforço físico, agachamentos, flexão e
extensão de membros superiores e de
tronco, que podem ocasionar o surgimento
ou complicação de doenças e agravos. Em
relação ao peso dos equipamentos, os ACE
podem desenvolver desgaste nas estruturas
osteoarticulares e músculo-tendinosas,
levando a agravos como hérnia de disco,
lombalgias e tendinites (BAHIA, 2012).
A depender da atividade desenvolvida,
o ACE transporta uma série de materiais
em uma bolsa, em geral de uso lateral, tais
como: pasta com documentos (fichas
diárias, fichas de visita domiciliar),
prancheta, lanterna, pesca-larva,
recipientes contendo larvicidas, trena,
tubos de coleta de amostras, álcool, lápis e
caneta). Nos locais em que é realizado o
controle biológico com peixes, o agente
também transporta uma garrafa PET
(polietileno tereftalato) (CÂNDIDO;
FERREIRA, 2017).
Os ACE podem ainda estar submetidos
a sobrecarga de trabalho, exigências para
cumprimento das tarefas, problemas
relacionados à jornada e ritmo de trabalho,
problemas de relações interpessoais e Eixo 3 - Medidas de proteção à
pressão psicológica, por serem saúde dos agentes de combate às
supervisionados constantemente (BAHIA, endemias
2012).
Com relação aos riscos sociais, têm-se A promoção e proteção da saúde dos
a precariedade dos vínculos trabalhadores submetidos aos riscos e
empregatícios, situações de ameaças ou de agravos advindos das condições de
agressão, possíveis assédios e a exposição trabalho, bem como a recuperação,
a situações de violência urbana e rural reabilitação e assistência às vítimas de
durante as atividades laborais (BAHIA, acidentes doenças e agravos relacionados
2012). ao trabalho, é uma prerrogativa garantida
Os fatores de risco discutidos pela Lei nº 8.080, de 19 de setembro de
encontram-se resumidos no Quadro 1. 1990 (BRASIL, 1990).
136
Conhecimentos Específicos
As medidas de proteção visam a resumidas em atuações para eliminar o
prevenção de acidentes, doenças e outros perigo ou limitar a exposição a este,
agravos relacionados ao trabalho, a partir conforme demonstrado na Figura 3.
da adoção de medidas que podem ser
aplicadas individual ou coletivamente, Figura 3 Sequência de hierarquia de
pelo uso do melhor conhecimento controle de risco
disponível para a minimização dos riscos
nos ambientes e processos laborais.
Essas medidas envolvem tanto as ações
de intervenção na organização e no
processo de trabalho quanto as ações
relacionadas à gestão de saúde e
segurança, que deverão ser executadas
pela equipe técnica de saúde do município,
estado ou ente federal, a depender da
relação de trabalho. Destaca-se a
necessidade de estabelecer uma rede de
apoio matricial e institucional Existem três pontos (fonte, ambiente e
regionalizada para garantia da execução receptor) em que as medidas de proteção
das ações que serão discutidas nesse eixo. podem ser aplicadas:
3.1 Gestão da saúde e segurança no
trabalho do agente de combate às
endemias
Considerando a relevância social e
humana dos direitos garantidos pela
Constituição Federal (BRASIL, 1988),
como também assegurado pela Convenção
nº 155, da Organização Internacional do
A eliminação e a substituição atuam na
Trabalho (OIT) (BRASIL, 1994a), toda
fonte do perigo. Por outro lado, os
empresa ou organização tem
controles de engenharia, a sinalização, os
responsabilidade referente à saúde e
alertas e os controles administrativos
segurança do trabalhador e de outros que
visam reduzir a exposição do trabalhador
possam ser afetados por suas atividades.
ao evento perigoso, atuando geralmente no
Seguindo esse princípio, foram
percurso entre a origem do perigo até o
estabelecidas algumas medidas de controle
momento em que a exposição do
que buscam minimizar a exposição das
trabalhador ao risco cause danos à sua
pessoas a riscos ocupacionais, bem como
saúde. Por último, nos casos em que não se
identificar os diversos riscos inerentes ao
consegue eliminar o perigo ou controlar a
processo de trabalho do agente de combate
exposição ao evento danoso, utilizam-se
às endemias (ACE), indicando, dessa
os equipamentos de proteção individual,
forma, condutas de segurança que vão ou seja, medidas adotadas diretamente na
além do uso dos EPI. proteção do trabalhador. Importante
salientar que as medidas de proteção são,
3.2 Hierarquia de controle – medidas em geral, aplicadas de forma integrada e
de proteção coletiva e individual concomitante, além de serem
A hierarquia de controle de riscos tem constantemente avaliadas e revistas.
como finalidade estruturar as medidas de Dessa forma, os tópicos a seguir
proteção, segurança e saúde do trabalhador abordarão medidas de proteção em sua
de forma ampla. Essas medidas podem ser ordem didática – as quais, na prática,
137
Conhecimentos Específicos
podem ocorrer ao mesmo tempo –, comunicação e informação sobre perigos e
apresentando em sequência as medidas de riscos;
saúde e segurança, considerando os - Avaliação prévia dos produtos a
processos de trabalho e as ações dentro da serem utilizados quanto à toxicidade,
perspectiva das medidas de proteção formulação e cuidados na aquisição;
coletiva e individual. - Estabelecimento de limite de tempo
de exposição dos trabalhadores aos
3.2.1 medidas de proteção coletiva inseticidas;
As medidas de proteção coletiva visam - Realização de cálculo correto da área
controlar os perigos em sua origem, no a ser tratada e da quantidade de calda
ambiente ou no percurso de trabalho, necessária, limitando o tempo de
criando uma barreira entre o trabalhador e exposição aos produtos químicos;
a fonte de risco (BRASIL, 2001a). - Transporte adequado do produto;
Em sua maioria, são inerentes à própria - Descarte adequado, utilizando-se a
instalação ou processo de trabalho e logística reversa, para embalagens de
abrangem o coletivo dos trabalhadores, produtos químicos e produtos vencidos.
usuários e terceiros expostos à mesma
condição. Devem ser prioritárias em Como exemplos de Equipamentos de
relação à adoção de equipamentos de proteção Coletiva (EpC), estão:
proteção individual. Podem ter caráter - Cones, fitas e placas de sinalização;
técnico, administrativo e/ou educacional. - Alarmes e sinalização de emergência;
- Grades, guarda-corpos e corrimãos;
Entre os principais objetivos do uso da - Extintores de incêndio;
proteção coletiva, estão: - Equipamentos de ventilação e
- Evitar acidentes que envolvam tanto exaustão; - Isolantes acústicos.
os trabalhadores como também outras
pessoas que possam estar presentes 3.2.1.1 eliminação dos perigos
naquele local de trabalho; Eliminar um perigo por meio da
- Melhorar as condições de trabalho; remoção de um processo ou de uma
- Eliminar e/ou reduzir os riscos que substância é a melhor solução, porém nem
anteriormente eram comuns em um sempre viável. No caso do controle vetorial,
determinado local de trabalho. a estratégia ideal é a eliminação do vetor na
fonte: não permitir a presença de potenciais
Como medidas gerais de proteção criadouros do mosquito, seja por meio do
coletiva, têm-se: saneamento básico e/ou por controle
mecânico.
- Instalação de sistema de exaustão e
ventilação; As atividades de controle químico de
- Existência de iluminação adequada; vetores devem ser posteriores a todas as
- Limpeza e higienização do ambiente outras atividades de educação sanitária
de trabalho; geral: eliminação mecânica de focos de
- Organização dos locais e processos de reprodução de mosquitos, colocação de
trabalho; barreiras físicas para proteção de
- Sinalização de segurança; reservatórios de água e aplicação de
- Instalação de extintores de incêndio; medidas sanitárias de contenção de águas
- Proteção das partes móveis de residuais e de chuva.
máquinas e equipamentos;
- Manutenção e regulagem periódica O uso de produtos químicos pode ser
dos equipamentos; reduzido ou eliminado quando se opta pela
- Utilização de estratégias de remoção dos vetores por meio de manejo
138
Conhecimentos Específicos
integrado, com ênfase no controle corretiva de equipamentos e processos
mecânico e nas ações educativas, o que também compõe os recursos de controle de
resulta em benefícios para a saúde do engenharia. Assim, quando não for
trabalhador, para o meio ambiente e para a possível a eliminação dos perigos, a
população geral. Exemplos de ações que exemplo da utilização de inseticidas no
podem colaborar na eliminação: controle vetorial, algumas estratégias são
- Medidas de fundamentais, tais como:
saneamento: abastecimento adequado de A. Construção Ou Adequação DOS
água, esgotamento sanitário, limpeza Espaços Físicos DE Armazenagem E
urbana, drenagem urbana, manejos de Manuseio DE produtos químicos
resíduos sólidos e de águas pluviais; Quanto aos espaços físicos para
- Ordenamento armazenagem, distribuição e preparo de
territorial e planejamento urbano; inseticidas (adulticidas, larvicidas), de
- Educação em acordo com a localidade, os depósitos
saúde para a participação ativa da podem ser classificados em três tipos. A
população na eliminação de criadouros; - caracterização desses depósitos está
Controle mecânico dos criadouros: descrita nas “Diretrizes para projetos de
remoção, vedação, limpeza e drenagem. unidades de armazenagem, distribuição e
3.2.1.2 Substituição POR processamento de praguicidas” (BRASIL,
PROCESSOS, Operações, MATERIAIS 2002).
OU EQUIPAMENTOS MENOS Esses locais devem conter,
PERIGOSOS minimamente, uma área específica para
A substituição também envolve ações depósito de inseticidas, solventes, resíduos
que atuam na origem do perigo. Pressupõe e embalagens para descarte, de acordo
a alteração de substâncias químicas e/ou com as recomendações em vigência. O
processos por outros menos perigosos. São detalhamento dos itens que devem estar
exemplos de substituição: disponíveis nesses locais está apresentado
- Uso de no Anexo B deste Manual (BRASIL,
produtos mais seletivos, menos tóxicos e 2007).
com menor impacto ambiental, como os Embora não previstos como local de
provenientes da biotecnologia; armazenagem, na prática, os pontos de
- Uso de apoio (PA) servem também para a guarda
inseticidas de menor volatilidade; de pequenas quantidades de inseticidas de
- Uso de uso rotineiro nas ações de visita domiciliar
mochilas ao invés de bolsas laterais; dos ACE. Nesse caso, tais produtos devem
- Emprego de ser armazenados de forma segura, em local
sistemas de manejo integrado de vetores. que não permita o acesso de pessoas que
3.2.1.3 MEDIDAS DE CONTROLE não estejam envolvidas diretamente nas
DE Engenharia E Reorganização DO atividades de controle vetorial e, ainda,
Trabalho que conte com sinalização própria para
Em geral, são mais factíveis do que a indicar a presença de produtos químicos.
substituição de insumos, equipamentos e
instalações. Compreendem dispositivos Algumas características gerais devem
que melhoram as condições físicas gerais ser observadas na construção e
dos ambientes, como o aprimoramento dos funcionamento do depósito, que deve:
sistemas de exaustão e ventilação, o - Ser instalado em áreas afastadas de
redesenho de máquinas e equipamentos e aglomerados humanos, como escolas,
o enclausuramento de máquinas, de estabelecimentos de saúde, igrejas e
processos e de atividades potencialmente residências; distantes de mananciais e com
de risco. A manutenção preventiva e risco de inundação; que possuam lençol
139
Conhecimentos Específicos
freático profundo; e com espaço suficiente - Contar com sistema de controle de
para que estejam afastados dos limites do distribuição, armazenamento e estoque,
terreno e permita manobra de veículos de evitando o vencimento dos produtos;
grande porte; - Possuir sala de material de limpeza e
- Ser construído em alvenaria e em lavanderia para apoio à higienização dos
ambiente separado e não contíguo às ambientes e lavagem dos uniformes e
demais dependências utilizadas para equipamentos de proteção individual não
outras atividades; descartáveis;
- Ser construído de material não - Possuir separação para armazenagem
combustível, fechado, seco, ventilado e dos diferentes inseticidas, com isolamento
com proibição de acesso de pessoas não que impeça que gases e outros produtos
autorizadas e crianças; provenientes de um inseticida entrem em
- Possuir piso de alta resistência e de contato com outros ou com qualquer
fácil limpeza (lavável e impermeável); ambiente do depósito;
- Ser utilizado apenas para atividade - Impedir o contato direto dos
que envolva o uso de produtos químicos, inseticidas com o piso mediante uso de
como armazenagem, preparo, distribuição paletes ou outro meio que garanta o
e descarte temporário; afastamento desses produtos do solo;
- Ser bem iluminado por telhas - Ter cobertura que permita bom
translúcidas e lâmpadas elétricas condicionamento térmico nas áreas de
adequadas; armazenamento;
- Ter as áreas de apoio operacional e - Possuir placas informativas e
administração fora do ambiente de sinalização de segurança relativas ao risco
armazenamento; químico;
- Possuir sistema de prevenção de - Possuir proibição de armazenamento
descargas atmosféricas (SPDA) conforme de alimentos, bebidas, rações, sementes e
a ABNT NBR 5419 (Associação outros produtos de consumo humano e
Brasileira de Normas Técnicas – Normas animal.
Brasileiras) e normas vigentes;
- Possuir boa ventilação geral e sistema É importante que as licenças de
de ventilação artificial para remoção de funcionamento de órgãos ambientais e do
aerodispersoides, gases e vapores do ar; corpo de bombeiros estejam atualizadas e
- Possuir vestiário e sanitário em disponíveis no local para verificação.
conformidade com a Norma
Regulamentadora nº 24 (NR-24) Informações complementares podem ser
(BRASIL, 1993); obtidas nas "Diretrizes para projetos de
- Possuir chuveiro de emergência com unidades de armazenagem, distribuição e
lava-olhos em posição estratégica, processamento de praguicidas", disponível
próximo ao local de maior risco – por em
exemplo, onde se executa a manipulação http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/
dos produtos (estoque/ funasa/diretrizes_praguicidas.pdf
fracionamento/preparo); (BRASIL, 2002).
- Possuir estação de lavagem de mãos e
materiais após uso e manuseio de b. Manipulação de produtos
produtos; químicos
- Possuir drenagem pluvial e valas para Transporte de inseticidas
recolhimento de vazamentos de produtos Produtos perigosos, por definição, são
líquidos e posterior coleta; todos aqueles que representam risco à
- Contar com sistema de tratamento saúde das pessoas e ao meio ambiente. De
prévio de resíduo perigoso; acordo com esse conceito, os produtos
140
Conhecimentos Específicos
químicos do tipo inseticida e seus resíduos - Documento de inspeção técnica
estão incluídos nessa classificação, e seu veicular e demais declarações,
transporte deve atender as orientações das autorizações e licenças previstas;
legislações pertinentes no que se refere à - Acondicionamento dos produtos em
adequação, marcação e rotulagem de embalagens e volumes de boa qualidade e
embalagens, sinalização das unidades de resistentes para suportar os choques e as
transporte, documentação, entre outros. operações do transporte;
A regulação do transporte rodoviário de - Utilização de rótulos indicativos de
produtos perigosos por via pública é de risco afixados nos veículos
responsabilidade da Agência Nacional de transportadores;
Transportes Terrestres (ANTT). Sua - Orientações ao condutor do veículo que
condução deve ser submetida às regras e realiza transporte de produtos perigosos,
procedimentos estabelecidos pelo para evitar o trajeto em vias próximas a
Regulamento para o Transporte áreas densamente povoadas, de proteção de
Rodoviário de Produtos Perigosos, mananciais, de reservatórios de água e de
Resolução ANTT nº 3.665/11 e alterações, reservas florestais e ecológicas.
complementado pelas Instruções
aprovadas pela Resolução ANTT nº Informações adicionais podem ser
5.232/16 e suas alterações, sem prejuízo obtidas no endereço eletrônico:
do disposto nas normas específicas de cada http://www.antt.gov.br/cargas/arquivos_o
produto. ld/produtos_ perigosos.html, onde podem
Os inseticidas adquiridos pelo ser encontrados materiais explicativos e
Ministério da Saúde são distribuídos aos toda a legislação correspondente.
estados, que os repassam aos seus
municípios. Os procedimentos de Fracionamento dos inseticidas
distribuição de inseticidas envolvem O fracionamento consiste em retirar
veículos e motoristas que os conduzem até determinada quantidade de um produto da
o destino final, geralmente por via embalagem original para acondicioná-lo
terrestre; dessa forma, devem seguir a em recipientes menores, com a finalidade
legislação em vigência sobre transporte de de distribuí-los a outros usuários que
cargas perigosas. Em relação à logística, necessitam do produto em menor volume.
cabe a cada estado organizar a distribuição A ação de fracionamento é
adequada dos diversos inseticidas aos seus expressamente proibida no caso dos
municípios. agrotóxicos de uso agrícola, conforme
expresso na Lei nº 7.802, de 11 de julho de
Entre os itens necessários ao transporte 1989 (“Lei dos agrotóxicos”), justamente
adequado de produtos químicos por implicar riscos de contaminação e
(perigosos), incluem-se: intoxicação das pessoas envolvidas no
- Declaração de carga emitida pelo procedimento, e pela necessidade de
expedidor, contendo a descrição correta do combater o comércio ilegal desses
produto perigoso transportado; produtos em embalagens improvisadas.
- Instruções escritas sobre os Recomenda-se a aquisição de
procedimentos a serem adotados em caso inseticidas em volumes adequados,
de acidente; conforme as diversas situações de uso, a
- Documento comprobatório de fim de evitar o fracionamento. As compras
realização de curso de Movimentação de centralizadas realizadas pelo Ministério da
Produtos Perigosos (MOPP) pelo Saúde estão em consonância com essa
motorista; recomendação, para que os estados e
municípios recebam o produto final sem
necessidade de fracioná-lo.
141
Conhecimentos Específicos
Em situações emergenciais, a exemplo Medidas frente a vazamento de
da ocorrência de surtos e epidemias, produtos químicos
quando não houver disponibilidade de Em qualquer acidente de vazamento ou
produtos em embalagens menores, devem derramamento, deve-se, primeiramente,
ser observadas as legislações vigentes e adotar procedimentos para impedir a
contratada empresa especializada e dispersão do produto, a fim de minimizar
devidamente licenciada pelos órgãos possíveis danos à saúde dos trabalhadores,
competentes para a realização dessa às populações de áreas vizinhas ao local e
atividade. ao meio ambiente.
Aplicação dos inseticidas Abaixo estão descritas medidas a serem
Algumas medidas devem ser adotadas adotadas nessa situação:
quanto à aplicação dos inseticidas: - Girar o tambor ou a bombona de modo
- Utilizar o produto em conformidade a colocar a embalagem em posição que
com a orientação do fabricante, nas evite aumentar a contaminação;
aplicações descritas no rótulo e aprovadas - Ter disponíveis no local, além dos EPI
pelas autoridades reguladoras; indicados, materiais absorventes como
- Adquirir máquinas e equipamentos areia, serragem ou mantas, além de
seguros, em conformidade com a NR-12, tambores de boca larga para o
que trata da segurança no trabalho em recolhimento do produto. Esses tambores
máquinas e equipamentos (BRASIL, necessitam conter a identificação do
2018b); produto absorvido e a data da ocorrência,
- Realizar manutenção e regulagem devendo ser armazenados em cima de
periódica dos equipamentos de aplicação estrado até a destinação adequada do
para garantir o seu funcionamento resíduo;
adequado, em conformidade com NR-12 - Isolar e sinalizar a área contaminada
(BRASIL, 2018b); em todas as direções;
- Seguir orientações relativas aos - Manter pessoas não autorizadas
procedimentos seguros de operação e afastadas da área contaminada;
abastecimento (Anexo C); - Afastar possíveis fontes de ignição;
- Utilizar dosadores individuais ou - Não manusear embalagens rompidas,
outro mecanismo durante o processo de salvo com as indicações pertinentes;
diluição ou mistura, a fim de evitar o - Não tocar ou caminhar sobre o
contato manual ou acidental com o produto derramado;
produto; - Garantir que os trabalhadores
- Utilizar EPI para realizar a avaliação diretamente envolvidos na contenção
de rotina do tamanho das gotas geradas façam uso de EPI, conforme
pelos equipamentos, uma vez que a recomendações existentes nas fichas
permanência das gotículas no ambiente químicas dos produtos;
está diretamente relacionada ao tamanho - Coletar e descartar todos os resíduos e
destas; restos dos equipamentos de limpeza em
- Criar barreiras físicas entre os local apropriado para resíduos perigosos.
produtos e os trabalhadores, como durante
o transporte de produtos químicos, a fim C. lavagem dos veículos, dos
de evitar acidentes que resultem no contato equipamentos e dos EPI
direto do produto com o motorista; Conforme já apontado na descrição das
- Usar EPI conforme indicado. atividades dos ACE, recomenda-se que os
veículos usados na aplicação de UBV
passem por lavagem diária após o uso,
bem como os equipamentos, que antes de
142
Conhecimentos Específicos
passarem por manutenção, devem ser lavagem, para diluir e remover os resíduos
lavados para descontaminação. Ambas as da calda de pulverização;
lavagens devem ser realizadas em local - Realizar a lavagem de forma
adequado, com diques apropriados, piso cuidadosa, preferencialmente com sabão
impermeabilizado e desnível para neutro (sabão de coco), em barra ou em pó,
drenagem da água da lavagem. evitando o uso de alvejantes;
A lavagem periódica das vestimentas e - Não deixar de “molho” as peças a
dos EPI utilizados no controle de vetores serem lavadas;
em saúde pública após atividades com - Enxaguar bem as peças para remover
manuseio de inseticidas deve ser realizada todo o sabão;
de forma consciente e responsável pelos - Secar os EPI à sombra;
empregadores. - Virar para baixo, inicialmente, luvas e
Como não existe normatização própria botas para secagem, e, após determinado
no âmbito da saúde pública, a referência tempo, virá-las para cima para que a água
utilizada é a NR-31, que dispõe sobre evapore e não haja umidade residual;
segurança e saúde no trabalho na - Não levar os EPI a residências e lavá-
agricultura e demais áreas (BRASIL, los no ambiente doméstico, o que é
2018c). expressamente proibido;
Assim, o empregador deve fornecer os - Descartar os EPI quando seus níveis
equipamentos de proteção individual de proteção se tornarem ineficazes;
higienizados e em perfeitas condições de - Verificar a durabilidade das
uso, bem como ser o responsável por sua vestimentas nas instruções dos fabricantes,
descontaminação e substituição sempre a qual deve ser observada frequentemente
que necessário (item 31.8.9b da NR-31). pelos usuários;
Em situações nas quais não é possível - Lavar e posteriormente inutilizar as
ao empregador a contratação de empresa vestimentas ineficazes antes do descarte,
terceirizada com capacidade técnica e para evitar sua reutilização.
devidamente habilitada para prestação do
serviço de lavagem e descontaminação dos D. manejo de embalagens
EPI, deve ser estruturada lavanderia junto A questão das embalagens vazias
ao depósito/armazém de inseticidas com constitui um tema amplamente discutido,
características que permitam o objetivando-se estabelecer um processo
recolhimento e o tratamento da água sistemático e definitivo de recolhimento e
utilizada na lavagem. destinação adequada, com vistas a evitar a
Outra alternativa é a aquisição, por formação de grandes passivos ambientais
parte do empregador, de EPI descartáveis que conferem riscos à saúde do
e substituição destes em conformidade trabalhador e à população geral.
com as indicações do fabricante. A exemplo do processo da logística
reversa, instituída para recolhimento das
Quando ocorrer a opção por estruturar embala gens vazias de agrotóxico, as
as lavanderias nos depósitos de inseticidas, empresas fabricantes de produtos, de
alguns procedimentos de segurança devem acordo com os processos instituídos,
ser adotados para higienização dos EPI e buscam estabelecer procedimentos
vestimentas que componham os EPI, tais semelhantes para a destinação final das
como: embalagens oriundas das atividades de
controle de pragas urbanas e de uso em
- Lavar separadamente os EPI usados saúde pública.
na aplicação de produtos químicos; A instituição e implantação desses
- Enxaguar abundantemente as procedimentos deverá envolver as três
vestimentas com água corrente antes da esferas federadas, em razão da política de
143
Conhecimentos Específicos
gestão de insumos estratégicos. Além manutenção dos equipamentos; acidentes;
disso, para implantar esse sistema, doenças e agravos relacionados ao
técnicos dos três níveis de governo trabalho e primeiros socorros;
deverão ser capacitados sobre os detalhes - Limitação do acesso aos locais onde
a serem executados, especialmente são realizadas atividades de maior risco,
aqueles relacionados à tríplice lavagem, como os de armazenamento e preparo dos
estocagem intermediária e recolhimento. inseticidas;
O processo de tríplice lavagem de - Estabelecimento de limite de tempo
embalagens deve ser realizado conforme de exposição dos trabalhadores aos
as normas estabelecidas, as quais devem produtos perigosos;
ser, posteriormente, armazenadas em local - Proibição de comer, beber e fumar ao
apropriado até a destinação adequada. manusear inseticidas;
De forma geral, conforme descrito no - Acompanhamento para que as tarefas
Anexo B, as áreas de armazenagem de ao ar livre sejam realizadas, sempre que
inseticidas devem possuir estrutura física possível, nos momentos mais apropriados
que permita o armazenamento temporário para minimizar o estresse térmico;
e o descarte adequado de resíduos e - Implantação dos procedimentos
recipientes usados, bem como de produtos adequados para armazenagem temporária
vencidos. e descarte de resíduos e recipientes usados,
bem como de produtos vencidos;
3.2.1.4 USO DE CONTROLES - Disponibilização, nos locais de
ADMINISTRATIVOS trabalho, das fichas químicas dos produtos
Os controles administrativos incluem utilizados, bem como informações sobre
práticas de trabalho que podem ser manuseio e riscos à saúde;
adotadas para reduzir os riscos e - Atualização sistemática dos
minimizar impactos na saúde dos treinamentos dos trabalhadores sobre os
trabalhadores e no ambiente. Essas novos produtos introduzidos nos
práticas envolvem processos, organização programas.
e condições de trabalho, a exemplo dos
procedimentos adotados, treinamentos e 3.2.1.5 condições e organização do
competências. Inclui, ainda, mecanismos processo de trabalho do agente de
administrativos como sinalização combate às endemias
horizontal e vertical, sinais de advertência O trabalho real, conforme já descrito
e alarme, permissão de trabalho, controle anteriormente, é o foco das intervenções
de acesso, etiquetagem, inspeção, etc. de segurança e saúde, uma vez que as
Esses controles devem considerar as atividades executadas pelos trabalhadores
condições meteorológicas, o tempo de demonstram como as condições de
trabalho em horas, quem realiza o trabalho trabalho (espaço físico, máquinas,
e quem tem acesso à área de estoque de equipamentos e ferramentas), a
inseticidas. organização do trabalho (exigência do
tempo e cumprimento de metas,
Exemplos de controles administrativos hierarquias, jornada e demandas) e as
incluem: medidas de segurança e saúde empregadas
- Realização de treinamentos pela gestão influenciam na execução
periódicos em segurança e saúde, com os dessas atividades.
seguintes temas: noções de identificação Assim, a equipe técnica responsável
de perigos e riscos; medidas de prevenção pelas ações de segurança e saúde deverá se
e controle; produtos químicos e orientar pelo conteúdo das tarefas
toxicologia básica; métodos de trabalho executadas pelos trabalhadores (funções e
para controle vetorial; regulagem e atribuições) e pela observação das
144
Conhecimentos Específicos
atividades dos ACE e fatores de risco Trabalho, metodologia que requer estudo
identificados, buscando analisar e intervir minucioso do processo e da organização
nas situações concretas de trabalho. do trabalho.
No Brasil, a NR-17 foi instituída pela
Considerando o processo de trabalho do Portaria nº 3.751, de 23 de novembro de
ACE e os fatores de risco apresentados e 1990, que trata especificamente da
discutidos no Eixo 2, algumas estratégias ergonomia: “Esta norma visa estabelecer
são recomendadas: parâmetros que permitam a adaptação das
1.Realização de articulações condições de trabalho às características
intersetoriais para a melhoria dos psicofisiológicas dos trabalhadores, de
ambientes e processos de trabalho; modo a proporcionar um máximo de
2.Participação dos trabalhadores, e de conforto, segurança e desempenho
seus representantes, nas ações de saúde e eficiente” (BRASIL, 2018d).
segurança no trabalho; É necessário intervir na organização do
3.Comunicação com a população sobre trabalho, avaliando turnos, carga horária
as atividades desenvolvidas pelos ACE e das jornadas diárias e semanais, ritmo de
sua importância para a proteção da saúde trabalho, dimensionamento das atividades,
das comunidades; demandas e produtividade. Além disso, é
4.Desenvolvimento de estratégias de preciso considerar o sistema de promoção
educação em saúde e de atualização do ou desempenho, relação com chefia e
trabalhador quanto aos procedimentos colegas, bem como o tipo de vínculo.
adotados em campo; Como exemplo de intervenção frente
5.Informação aos ACE sobre os riscos aos riscos ergonômicos, ressalta-se o peso
existentes no local de trabalho e sobre seus da bolsa e dos materiais que os ACE
direitos, favorecendo a sua participação transportam. Logo, devem ser adotadas
nos modelos de gestão de saúde e recomendações quanto ao tipo de bolsa,
segurança para garantir ambientes de seu dimensionamento e a distância a ser
trabalho mais seguros. percorrida, com medidas de reorganização
do processo e de instrumentos de trabalho.
A. fatores ergonômicos/sociais e
medidas de proteção Quanto aos riscos sociais, algumas
As ações de Vigilância em Saúde do medidas de proteção podem ser tomadas
Trabalhador preconizam a importância da para permitir a segurança dos agentes no
investigação do processo e a organização trabalho. Como exemplos, destacam-se:
do trabalho e sua relação com a saúde. - Realização de treinamento para
Uma referência comum nas áreas do reconhecer e manejar situações de
trabalho e da saúde são as Normas violência;
Regulamentadoras (NR) definidas pela - Uso de crachás institucionais de
Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978, identificação e uniformes;
do Ministério do Trabalho e Emprego, e - Contato prévio entre gestores e líderes
usadas como base para regular as comunitários;
condições de trabalho e prevenção de - Estabelecimento de relação de
riscos (segurança em máquinas, trabalho confiança com a população da área de
em altura, eletricidade, proteções abrangência;
individuais e coletivas, riscos ambientais, - Suspensão do trabalho em situações
ergonomia etc.). No entanto, para de ameaça;
aprofundar a busca de determinantes, - Realização do trabalho em dupla;
especialmente os organizacionais, é - Adoção de acompanhamento
preciso observar a NR-17, que prevê a psicológico associado à análise
realização da Análise Ergonômica do organizacional;
145
Conhecimentos Específicos
- Denúncia de abusos e ameaças; da forma correta de manipulação dos
- Troca de área de trabalho em casos de inseticidas (LIMA et al., 2009) podem
situações reais de ameaça e risco de gerar riscos à saúde dos trabalhadores.
violência. Segundo a NR-06 (BRASIL, 2018e),
EPI é todo dispositivo ou produto de uso
3.2.1.6 direito à informação, individual, utilizado pelo trabalhador,
treinamentos e participação do destinado à proteção contra riscos capazes
trabalhador nas medidas de saúde e de ameaçar a saúde. O uso de EPI é
segurança regulamentado por meio da Lei nº 6.514, de
O gerenciamento participativo em 22 de dezembro de 1977, cujo art. 166
saúde do trabalhador baseia-se na determina que, em todas as atividades na
participação ativa deste, com o seu quais seja exigido seu uso, o empregador
conhecimento do trabalho real, como obrigatoriamente o forneça de forma
sujeito do processo de controle dos gratuita, observando a adequação ao risco e
agravos à saúde relacionados ao trabalho o seu perfeito estado de funcionamento e
(VILELA; MALAGONI; MORRONE, conservação, oferecendo completa proteção
2010). Essa forma de participação coloca a fim de prevenir a ocorrência de acidentes
em prática os princípios de gestão ou danos à saúde do trabalhador.
democrática do SUS e, assim, o saber do
trabalhador também é incorporado no Situações para o emprego de EPI de
mapeamento de riscos, contribuindo, acordo com a NR-06
inclusive, com o seu conhecimento na a. Sempre que as medidas de ordem
prática, para indicar as situações de risco geral não ofereçam completa proteção
no trabalho que podem não ter sido contra os riscos de acidentes do trabalho
contempladas nas medidas de saúde e ou de doenças profissionais e do trabalho;
segurança (VILELA; MALAGONI; b. Enquanto as medidas de proteção
MORRONE, 2010). coletiva estiverem sendo implantadas; e,
Dessa forma, reforça-se o direito dos c. Para atender a situações de
trabalhadores à participação e emergência.
conhecimento sobre o seu processo de
trabalho e os riscos aos quais estão De acordo com o Capítulo II do Anexo
expostos; além disso, com o seu saber, eles III da Portaria de Consolidação nº 4
podem mostrar as dificuldades de (Origem: PRT MS/ GM 1378/2013,
execução das suas atividades, a fim de Capítulo II) (BRASIL, 2017c) a
auxiliar na mudança das condições, responsabilidade de aquisição de EPI está
organização e processos de trabalho e, definida para as três esferas de gestão em
também, contribuir para as ações de todas as atividades de Vigilância em Saúde
vigilância em saúde. que assim o exigirem.
O EPI deve ser utilizado conforme
3.2.2 medidas de proteção individual especificado pelo fabricante, na
Destaca-se que a utilização de EPI é impossibilidade do controle da exposição
essencial e indispensável em todas as pela adoção de uma ou mais das medidas
etapas que envolvam o uso dos inseticidas coletivas pertinentes ou como medida
(desde a preparação da calda até a lavagem complementar aos demais controles.
de equipamentos e maquinários) e em O gestor, de acordo com as definições
outras situações necessárias (LEME et al., pactuadas para cada nível de gestão, deve
2014). No entanto, ressalta se que, além de garantir que todos os EPI sejam apropriados
a utilização do EPI não evitar totalmente a para a tarefa conforme indicado na Ficha de
exposição, o seu uso de forma incorreta Informações de Segurança de Produto
(LEME et al., 2014) e o desconhecimento Químico (FISPQ), no tamanho adequado
146
Conhecimentos Específicos
ao trabalhador, e que estejam prontamente “Ficha de Atividade Laboral”. No presente
disponíveis para substituição, limpos e em Manual, a partir do reconhecimento de
condições totalmente operacionais. Deve inúmeros riscos identificados durante o
também assegurar que os trabalhadores processo de trabalho dos agentes, houve
estejam devidamente treinados para o seu adequação dos procedimentos, inclusive
uso. Quando o EPI não for descartável, sua com a indicação de EPI específicos de
manutenção e higienização devem seguir as acordo com a atividade a ser executada
instruções do fabricante. (Anexo E deste Manual). No entanto,
destaca-se que a função do gestor é,
prioritariamente, procurar eliminar ou
reduzir os riscos e, caso isso não seja
possível, adotar o uso do EPI. Além disso,
ressalta-se que o gestor deve adquirir
peças de qualidade e que correspondam
aos diversos tamanhos de manequins,
tanto masculinos quanto femininos.
O quantitativo a ser disponibilizado a
cada servidor deve atender as necessidades
anuais e seu fornecimento pode ser
adequado pelo gestor, conquanto que esses
itens não faltem ao longo do ano.
Existe probabilidade de o EPI provocar
O EPI, de fabricação nacional ou
desconforto, irritação ou desidratação
importado, só poderá ser comercializado
devido às condições climáticas ou mau
ou utilizado com a indicação do
uso. Assim, essa situação deve ser
Certificado de Aprovação (CA) expedido
analisada e controlada com medidas de
pelo órgão nacional competente em
adequação ao clima e ao conforto, a fim de
matéria de segurança e saúde do trabalho
garantir uma maior adesão ao seu uso.
do Ministério do Trabalho e Emprego
(atualmente Secretaria Especial de
Como exemplos de EPI a serem
Previdência e Trabalho do Ministério da
utilizados no trabalho de controle de
Economia), conforme o Item 6.2 da NR-06
vetores, a depender dos riscos existentes
(BRASIL, 2018e). Devem, ainda, ser
na execução da atividade, têm-se:
escolhidos equipamentos adequados às
- Óculos
situações reais de trabalho e às
- Luva
características individuais dos
- Avental
trabalhadores.
- Respirador
As indicações dos diversos EPI devem
- Calçados
ser feitas depois de um processo de
- Vestimenta de proteção
reconhecimento e descrição detalhada das
- Capa de chuva
rotinas e dos eventuais riscos a que o
- Protetor auricular
executor da tarefa está exposto. É
importante que o EPI utilizado tenha sua
Adicionalmente, além dos EPI citados,
efetividade avaliada em seu uso cotidiano.
podem ser adotadas outras medidas de
A publicação do manual “Controle de
proteção pessoal, como utilização de
Vetores – Procedimentos de segurança”
protetor solar, uniformes, etc.
(BRASIL, 2001b), elaborado pela Funasa
Mais informações sobre os EPI,
em 2001, permitiu, na época, a indicação
incluindo indicação, cuidados,
dos diversos EPI com base na
manutenção, dentre outros detalhes, estão
identificação das atividades descritas na
apresentados no Anexo D (Ficha de
147
Conhecimentos Específicos
Atividade Laboral), Anexo E (Matriz de deverá ser exigido e avaliado pelo médico
Recomendação de EPI por Atividade), do trabalho.
Anexo F (Modelo de Ficha de Controle de Em relação à imunização, recomenda-
Entrega e Devolução de Equipamento de se que os agentes de endemias sigam as
Proteção Individual) e nos Anexos G e H indicações estabelecidas no Calendário
(Procedimentos de higiene no momento de Nacional de Vacinação do Programa
vestir e retirar os Equipamentos de Nacional de Imunizações, conforme o
Proteção Individual). Anexo LVIII da Portaria de Consolidação
É imprescindível que todas as nº 5 e atualizações (BRASIL, 2017d).
informações referentes às diversas ações Ressalta-se que, de acordo com a NR-
realizadas no sentido de melhorar a 32, o programa de imunização ativa contra
segurança e a qualidade dos serviços de tétano, difteria e hepatite B, e o
controle de vetores e de doenças sejam estabelecido no Programa de Controle
devidamente armazenadas. Para isso, deve Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO),
ser criada uma pasta de Segurança previsto na NR-07 (BRASIL, 2018f), deve
Individual. ser oferecido gratuitamente a todo
trabalhador dos serviços de saúde. Além
disso, pela NR-32, sempre que houver
vacinas eficazes contra outros agentes
biológicos a que os trabalhadores estejam
ou poderão estar expostos, o empregador
deverá fornecê-las gratuitamente.
O médico coordenador do PCMSO deve
complementar o programa de vacinação do
trabalhador com base na avaliação dos
riscos de contaminação apurados no
Programa de Prevenção dos Riscos
Ambientais (PPRA), estabelecido pela NR-
09 (BRASIL, 2018g). Para tanto, de acordo
3.2.2.1 Imunização com a atividade e as características do
Os riscos biológicos aos quais os ACE ambiente de trabalho, será definido o grau
podem estar submetidos no ambiente de de risco para as doenças infecciosas
trabalho são potencialmente prejudiciais à eficazmente preveníveis por vacinas, como
sua saúde. Para reduzir, eliminar e a vacina antirrábica.
prevenir a possibilidade de aquisição de
doenças infecciosas em trabalhadores da Eixo 4 - Ações de monitoramento da
saúde, incluindo os agentes de combate às situação de saúde dos agentes de
endemias, os programas de vacinação são combate às endemias
essenciais.
A NR-32 (BRASIL, 2011), publicada O monitoramento da situação de saúde
por meio da Portaria nº 485, de 11 de dos ACE tem como propósito prevenir
novembro de 2005, estabelece os acidentes e doenças relacionadas ao
requisitos legais para a implementação de trabalho e identificar precocemente
medidas de proteção à segurança e à saúde alterações clínicas e ou laboratoriais, a fim
dos trabalhadores dos serviços de saúde, de controlar os fatores de risco nos
bem como daqueles que exercem ambientes e processos de trabalho
atividades de promoção e assistência à mediante a adoção de medidas de proteção
saúde, sendo uma delas a vacinação. A e outras ações de vigilância em saúde e
comprovação da vacinação será realizada atenção integral ao trabalhador (Figura 4).
por meio de atestado de vacinação, o qual Para tanto, devem ser utilizados
148
Conhecimentos Específicos
parâmetros e critérios estabelecidos em relacionados ao trabalho. Além disso, deve
normas e outros regulamentos técnicos para incluir, entre outros, a realização
a realização de exames clínicos e obrigatória dos seguintes exames médicos
complementares, independentemente do clínicos e complementares:
vínculo empregatício ou forma de inserção - Exames admissionais;
desses trabalhadores no mercado de - Exames periódicos;
trabalho, uma vez que a saúde, incluindo - Exames de retorno ao trabalho;
ambientes de trabalho saudáveis, é um - Exames de mudança de função; e
direito social universal. - Exames demissionais.
Figura 4 Resumo das ações de vigilância
e monitoramento da situação de saúde dos
ACE
A realização de exames médicos é
importante para conhecer as características
individuais que possam contribuir para o
4.1 Exames clínicos e laboratoriais
agravamento das exposições
O acompanhamento da situação de
ocupacionais. Além disso, avaliações
saúde dos agentes de combate às endemias
periódicas das condições e dos processos
deve ter por base uma programação de
de trabalho devem ser consideradas, com o
exames periódicos de saúde, considerando
intuito de identificar, o mais precocemente
os riscos da exposição, e deverá ser
possível, mudanças na situação de saúde e
realizado por equipes técnicas instituídas
nos parâmetros clínicos e laboratoriais
nas Secretarias de Saúde ou no Governo
para o direcionamento de medidas de
Federal, a depender do vínculo de
proteção e prevenção pertinentes.
trabalho. Esse acompanhamento pode ser
realizado também por meio de serviços
Para melhor orientar os gestores e
contratados. Os Cerest, a equipe de
equipes responsáveis, as principais
Atenção Básica e os profissionais que
atividades a serem desenvolvidas para o
compõem o Núcleo de Apoio à Saúde da
monitoramento da saúde dos agentes são
Família (Nasf) do município também
(BAHIA, 2012):
podem estar envolvidos no cuidado à
- Realização de exames médicos, com
saúde dos ACE.
avaliações individuais e coletivas dos
resultados;
A NR-07 estabelece a necessidade da
- Encaminhamento e orientação aos
elaboração e implementação do PCMSO
ACE quanto ao atendimento adequado na
por parte de todos os empregadores e
rede de saúde pública ou serviço
instituições que admitam trabalhadores
contratado;
como empregados. O PCMSO tem como
- Acompanhamento periódico da
objetivo a promoção e preservação da
situação de saúde em caso de acidentes ou
saúde dos trabalhadores e deve ter caráter
doenças relacionadas ao trabalho;
de prevenção, monitoramento e
- Notificação de acidentes de trabalho,
diagnóstico precoce dos agravos à saúde
intoxicação exógena e doenças
149
Conhecimentos Específicos
relacionadas ao trabalho no Sistema de
Informação de Agravos de Notificação Exames laboratoriais devem ser
(Sinan), especialmente intoxicação por solicitados considerando os riscos aos
inseticidas; quais o trabalhador está exposto.
- Emissão da Comunicação de Acidente Recomendam-se, no mínimo, os seguintes
de Trabalho (CAT) para segurados da exames complementares:
Previdência Social; - Hemograma completo;
- Manutenção de informações - Proteínas totais e frações;
atualizadas sobre a situação de saúde dos - Bilirrubinas;
agentes e das condições de trabalho, pela - Fosfatase alcalina;
equipe técnica de saúde do trabalhador ou - AST (TGO), ALT (TGP) e gama-GT;
outra instância responsável pelo - Ureia e creatinina;
acompanhamento da situação de saúde; - Glicemia de jejum;
- Divulgação e disponibilização de - Sumário de urina;
recomendações e orientações relativas às - Radiografia de tórax;
medidas de proteção e à necessidade de - Colinesterase (em casos específicos).
afastamento da atividade laboral ou de
reabilitação. Como os ACE podem executar
atividades em diferença de nível, como
O atendimento clínico deve incluir uma inspeção de caixa d’água localizada em
anamnese capaz de levantar informações níveis elevados ou ações abaixo do solo,
para construção de histórico ocupacional e recomenda-se a solicitação de exames
exame clínico com pesquisa de sinais e específicos e liberação médica no atestado
sintomas de quadros clínicos compatíveis de saúde ocupacional para atuarem nessas
com os principais agravos e doenças atividades.
relacionados ao trabalho, tendo por base os É importante o envolvimento dos Cerest
riscos ocupacionais aos quais os ACE (estaduais e/ou regionais e/ou municipais),
estão submetidos. nas demandas e apoio aos trabalhadores do
Além disso, recomenda-se anamnese controle vetorial, bem como nas ações de
completa e dirigida para pesquisa de sinais inspeção do ambiente e processo de
e sintomas, de acordo com a toxicidade dos trabalho para identificar situações de risco.
inseticidas utilizados.
4.2 Exames de colinesterase
A colinesterase é a enzima responsável
pela hidrólise da acetilcolina, um
150
Conhecimentos Específicos
neurotransmissor presente nas sinapses ocupacionalmente expostos aos
(local de transmissão entre os neurônios), compostos químicos anticolinesterásicos
responsável por controlar a transmissão de (organofosforados e carbamatos),
impulsos do sistema nervoso central e principalmente no armazenamento,
periférico (CÂMARA et al., 2012). preparo e aplicação desses produtos, assim
Os inseticidas organofosforados e como na limpeza e manutenção dos
carbamatos são inibidores da equipamentos de borrifação.
colinesterase, especialmente a Assim, esses profissionais devem ser
acetilcolinesterase, levando a um acúmulo monitorados e submetidos ao exame
de acetilcolina nas sinapses nervosas. indicado com periodicidade regular,
Podem ser absorvidos pela pele, por independentemente do vínculo
ingestão ou por inalação (OPAS/OMS, empregatício, em observância às
1996). disposições legais estabelecidas na Norma
Regulamentadora nº 07 (BRASIL, 2018f).
A inibição da colinesterase pode O exame recomendado é o toxicológico de
provocar sintomas leves e até mesmo dosagem de colinesterase plasmática.
manifestações clínicas mais graves, tais A NR-07, além de estabelecer a
como: obrigatoriedade de elaboração e
implementação do PCMSO, também
preconiza o fornecimento dos exames de
colinesterase pelos empregadores.
Destaca-se que a realização do exame
basal da atividade da colinesterase nos
exames admissionais é importante e
servirá como valor de referência para fins
comparativos dos exames regulares desses
Os sinais e sintomas, como os trabalhadores.
apresentados acima, podem ser Essa recomendação se aplica para
observados nas intoxicações por produtos qualquer tipo de contratação, seja de
químicos, como os inseticidas, e suas caráter temporário ou permanente.
manifestações dependem do agente, do Ainda de acordo com a NR-07, a
tipo e da magnitude da exposição. De uma periodicidade recomendada para esse
forma geral, irritações dérmicas e exame é, no mínimo, semestral. No entanto,
oculares, irritações do trato respiratório as coletas e análises podem ser repetidas em
superior e inferior, respostas alérgicas, situações e períodos de maior exposição –
sintomas gastrintestinais e manifestações por exemplo, após aplicações em surtos ou
neurológicas podem ser observados em bloqueios de casos, ou sempre que houver
casos de intoxicação. sintomatologia, mediante solicitação
O controle da exposição ocupacional a médica.
compostos químicos é realizado por meio
da determinação da atividade
colinesterásica no sangue dos
trabalhadores, pois sua variação é
proporcional à intensidade e duração da
exposição às substâncias
anticolinesterásicas (CÂMARA et al.,
2012).
Os agentes que atuam no controle
vetorial em atividades de manipulação e
aplicação de inseticidas podem estar
151
Conhecimentos Específicos
monitorados todos os agentes que
compõem as equipes de controle de
adultos.
Caso as equipes sejam as mesmas nas
duas atividades, e em alguma delas exista
exposição a esses compostos químicos, os
níveis de colinesterase também deverão
ser monitorados.
Além das recomendações contidas na
NR-07, outras ações específicas precisam
ser definidas e analisadas seguindo as
recomendações do Ministério da Saúde e da
equipe responsável pela saúde ocupacional
dos ACE, tais como:
Ressalta-se que o monitoramento da
colinesterase está indicado apenas para
aqueles ACE que estão expostos a
inseticidas utilizados para o controle do
mosquito adulto ou larvas à base de
agentes inibidores da colinesterase.
O empregador/gestor deve realizar um
diagnóstico situacional para identificação
dos trabalhadores que deverão realizar
esse tipo de exame, de acordo com o
inseticida utilizado e o processo de
trabalho, além de considerar a organização
das equipes. Geralmente, na conformação Os resultados de todos os exames
das atividades de controle do Aedes, as precisam estar anexados ao prontuário do
equipes estão inseridas em dois tipos de trabalhador. Em caso de alterações, é
trabalho, baseado nas seguintes ações: essencial a realização de avaliações,
equipes que realizam o controle de larvas análises e intervenções nos ambientes e
e equipes que realizam o controle de processos de trabalho, com medidas de
mosquitos adultos. proteção à saúde e segurança dos
trabalhadores.
Assim, recomenda-se verificar as A partir do conhecimento acerca do
seguintes situações: trabalho, dos componentes relacionados e
- Utilização de inseticidas da identificação dos fatores ou situações de
organofosforados e carbamatos para o risco, devem-se adotar condutas para a
controle de larvas: deverão ser prevenção de doenças e acidentes laborais.
monitorados todos os agentes que Entretanto, diante de casos de acidentes e
executam atividades de controle larvário. doenças relacionados ao trabalho, além do
- Utilização de inseticidas atendimento imediato do trabalhador em
organofosforados e carbamatos para o rede de assistência loco-regional
controle de mosquitos adultos: deverão ser estruturada para atuar em todos os níveis de
152
Conhecimentos Específicos
atenção, ações de vigilância nos ambientes perda ou redução, permanente ou
e processos de trabalho precisam ser temporária, da capacidade para o trabalho
realizadas visando a prevenção de novos (BRASIL, 2006b, p. 11).
acidentes e doenças. Acidentes de trabalho são determinados
por uma série de fatores que podem estar
presentes nos processos produtivos, nas
formas de organização e gestão do
trabalho, na seleção de tecnologias, na
relação custo-benefício, ente outros.
Os acidentes de trabalho, incluindo
aqueles com exposição a material
biológico, são de notificação compulsória
no Sistema de Informação de Agravos de
Notificação (Sinan), do Ministério da
Saúde, conforme Lista Nacional de
Notificação Compulsória descrita no
Anexo 1 do Anexo V da Portaria de
Consolidação nº 4/GM/MS (BRASIL,
2017c). De acordo com a
CGSAT/DSASTE, a definição de caso para
acidente de trabalho e acidente de trabalho
com exposição a material biológico está
apresentada no Quadro 2.
Quadro 2 Agravos relacionados ao
trabalho e notificados por meio da
Eixo 5 - Ações de prevenção e estratégia de vigilância em Saúde do
condutas frente à ocorrência de Trabalhador
acidentes, doenças e agravos
relacionados ao trabalho
5.1 Acidentes, doenças e agravos
relacionados ao trabalho
No campo da saúde do trabalhador, os
acidentes de trabalho são compreendidos
como eventos multicausais e, em maior ou
menor grau, previsíveis – portanto,
preveníveis, uma vez que os fatores Além dos acidentes ligados à atividade
causais antecedem o desencadeamento de laboral, os trabalhadores podem estar
sua ocorrência. expostos a intoxicação exógena devido à
Conceitualmente, o acidente de exposição ocupacional e adquirir e
trabalho pode ser compreendido como desenvolver doenças relacionadas ao
Evento súbito ocorrido no exercício de trabalho.
atividade laboral, independentemente da As intoxicações exógenas são eventos
situação empregatícia e previdenciária do de notificação compulsória e importantes
trabalhador acidentado, e que acarreta no contexto da saúde dos agentes de
danos à saúde, potencial ou imediato, combates às endemias. Por definição, é
provocando lesão corporal ou perturbação considerado caso todo indivíduo que,
funcional que causa, direta ou tendo sido exposto a substâncias químicas
indiretamente (concausa) a morte, ou a (agrotóxicos, medicamentos, produtos de
153
Conhecimentos Específicos
uso doméstico, cosméticos e higiene Doenças Relacionadas ao Trabalho,
pessoal, produtos químicos de uso organizada pelo Ministério da Saúde a
industrial, drogas, plantas, alimentos e partir dos agentes patogênicos e/ou fatores
bebidas), apresente sinais e sintomas de risco potencialmente presentes no
clínicos de intoxicação e/ou alterações trabalho (Lista A), e dos agravos
laboratoriais provavelmente ou relacionados ao trabalho, sistematizados
possivelmente compatíveis. segundo a Classificação Internacional de
São consideradas doenças relacionadas Doenças (CID-10) na Lista B (BRASIL,
ao trabalho “...aquelas decorrentes da 2001c).
exposição do trabalhador a diversos riscos Além dessa lista, no Anexo LXXX da
à saúde relacionados à atividade laboral e Portaria de Consolidação nº 5/GM/MS
que, agindo lentamente no organismo, vão (BRASIL, 2017d), consta a Lista de
aos poucos produzindo doenças, algumas Doenças relacionadas ao Trabalho a ser
delas podendo se manifestar em até 20 adotada como referência dos agravos
anos” (BAHIA, 2012). Algumas doenças originados no processo de trabalho no
relacionadas ao trabalho são notificadas por SUS, para uso clínico e epidemiológico,
meio da estratégia de Vigilância em Saúde contendo agentes etiológicos ou fatores de
do Trabalhador, conforme o Anexo XLIII risco de natureza ocupacional e doenças
da Portaria de Consolidação nº 5/GM/MS causalmente relacionadas com os
(BRASIL, 2017d), conforme apresentado respectivos agentes ou fatores de risco
no Quadro 3. (denominadas e codificadas segundo a
CID-10).
Quadro 3 Doenças relacionadas ao Ressalta-se que os acidentes e as
trabalho notificadas por meio da estratégia doenças ligadas ao trabalho não ocorrem
de vigilância em Saúde do Trabalhador pelo simples desencadeamento de eventos
de forma linear. Pelo contrário, são
influenciados pelos elementos da situação
imediata de trabalho, como o maquinário,
a tarefa (o trabalho prescrito), o meio
técnico ou material e a organização do
trabalho, além das relações que se
estabelecem no trabalho e a partir dele, ou
seja, ocorre por razões ligadas à concepção
dos sistemas de trabalho, na interface com
a organização e demais fatores. Dessa
forma, são eventos complexos e não
associados diretamente aos trabalhadores
(ALMEIDA; VILELA, 2010; VILELA;
IGUTI; ALMEIDA, 2004).
Assim, para conhecer a forma como os
acidentes, doenças e outros agravos
relacionados ao trabalho se distribuem em
determinado território, a fim de definir
ações preventivas, é necessário entender,
dentre outras questões, a natureza do
trabalho, sua variabilidade, o modo como
ele se organiza e os problemas e
O reconhecimento da relação entre um dificuldades inerentes à sua execução, o
agravo à saúde ou doença e o trabalho que só é possível com a participação dos
pode ser facilitado pela consulta à Lista de próprios trabalhadores nesse processo
154
Conhecimentos Específicos
(ALMEIDA; VILELA, 2010; VILELA; trabalho;
IGUTI; ALMEIDA, 2004; DANIELLOU; - Inspeção dos ambientes e processos
SIMARD; BOISSIÈRES, 2010). de trabalho, a cargo de profissional da área
Nesse contexto, o processo de de vigilância em saúde do trabalhador
vigilância em saúde do trabalhador dotado de poder de polícia administrativa,
compreende a organização e a participação ou da vigilância sanitária. É importante
dos próprios trabalhadores, sendo o seu destacar que as ações de vigilância em
conhecimento sobre o trabalho real objeto saúde do trabalhador devem ser realizadas
de análise e orientador das ações de nos municípios, independentemente da
vigilância. presença ou não de Cerest;
Dessa forma, considerando a realidade - Investigação dos casos de doenças e
local, os municípios, os estados e a União acidentes de trabalho e intoxicação
devem estabelecer fluxos de atendimento, exógena relacionada ao trabalho, bem
acompanhamento e ações de vigilância como dos óbitos;
dos ambientes e processos de trabalho que - Organização de fluxo de referência e
incluam e contemplem a atenção integral à contrarreferência na rede;
saúde dos agentes de combate às - Notificação no Sinan dos casos de
endemias, garantindo a saúde e segurança acidentes, intoxicação exógena e doenças
desse grupo de trabalhadores conforme e agravos relacionados ao trabalho;
preconizado nas legislações e documentos - Acompanhamento periódico da
vigentes. situação de saúde;
- Reabilitação da saúde do trabalhador,
5.2 Atribuições dos empregadores ou de acordo com situações específicas;
responsáveis pelo vínculo do - Atualização das informações de saúde
trabalhador na organização da rede de dos ACE pela equipe técnica de saúde
atenção integral à saúde do trabalhador ocupacional responsável, a fim de realizar
O órgão ao qual o trabalhador está o acompanhamento da análise de situação
vinculado, bem como o gestor deste, é de saúde do trabalhador no nível local;
responsável pelas ações de saúde e - Emissão de recomendações e
segurança no trabalho, incluindo a orientações relativas às medidas de
organização de serviços de saúde que proteção e à necessidade de afastamento
garantam a atenção integral aos ACE. da atividade laboral ou reabilitação;
Diante de casos de acidentes de - Emissão da CAT;
trabalho, doenças e outros agravos - Identificação da situação de trabalho,
relacionados ao trabalho do agente de ocupação e ramo de atividade econômica
combate às endemias, a rede de serviços de em todos os registros de atendimento de
saúde deve estar estruturada para atendê- saúde do trabalhador, como parte essencial
los. A organização e estruturação da rede do histórico ocupacional;
de atenção à saúde dos trabalhadores deve - Realização de ações de comunicação
ser feita de acordo com a realidade local e e informação em saúde do trabalhador.
com a cadeia de responsabilidades em
relação aos ACE. 5.3 Ações de saúde do trabalhador na
Atenção básica/Equipes de Saúde da
Além do monitoramento da situação de Família
saúde do trabalhador, outras ações frente O modelo de atenção à saúde do
aos acidentes e doenças de trabalho devem trabalhador deve estar organizado na
ser desenvolvidas no nível loco-regional: própria rede do SUS (Figura 5),
- Realização do atendimento imediato privilegiando as estratégias da Atenção
do trabalhador em serviços de urgência e Básica segundo os princípios da
emergência nos casos de acidentes de universalidade de acesso, integralidade da
155
Conhecimentos Específicos
atenção, controle social, regionalização e do afastamento do trabalhador, como
hierarquização, com enfoque na promoção também o processo de retorno e reinserção
da saúde, conforme orientações contidas no trabalho.
no “Caderno de Atenção Básica: Saúde do b. No nível coletivo
Trabalhador e da Trabalhadora”, nº 41 - Realizar busca ativa e avaliação das
(BRASIL, 2018i). condições de trabalho, a fim de identificar
Quando é identificado ou diagnosticado se há outros casos de trabalhadores na
um agravo, como um acidente ou doença mesma situação do profissional vítima de
relacionada ao trabalho, ou alguma acidente ou adoecido e, em seguida, iniciar
situação de exposição ocupacional a um o processo de vigilância e
fator de risco para a saúde desenvolvimento de ações educativas e de
reconhecidamente perigoso por seu orientação;
potencial de dano, o cuidado ao - Comunicar o resultado das buscas ou
trabalhador deve contemplar tanto as situações de riscos à saúde dos
ações voltadas diretamente ao trabalhador trabalhadores às Vigilâncias em Saúde:
afetado (ações no nível individual) como Epidemiológica, Sanitária, Saúde
as ações em grupos de trabalhadores Ambiental e Saúde do Trabalhador;
(ações no nível coletivo) (BRASIL, - Identificar no território ou na região
2018i). outros recursos institucionais disponíveis
Essas atividades, definidas para o nível relacionados ao cuidado à saúde do
da Atenção Básica (BRASIL, 2018i) a trabalhador.
partir da análise do perfil de
morbimortalidade da população 5.4 Atribuições das unidades de
trabalhadora no território e agrupadas em urgência e emergência
individuais e coletivas, devem se integrar Ao receberem o trabalhador vítima de
às ações de Visat. Importante destacar que acidente laboral ou outro agravo
a integração entre a Atenção Básica e a relacionado ao trabalho, seja encaminhado
saúde do trabalhador pressupõe uma ou por demanda espontânea, os serviços de
articulação e troca permanente de urgência e emergência devem realizar as
informações entre as equipes. seguintes ações (BAHIA, 2012; BRASIL,
2017b):
A seguir serão apresentadas as ações a - Atender os casos referenciados ou por
serem desenvolvidas: demanda espontânea;
A. No nível individual - Diagnosticar e tratar conforme o caso.
- Assegurar que as orientações de saúde Nas situações de intoxicação, seguir as
recebidas pelo trabalhador em outro nível ações de assistência conforme as
de atenção sejam adotadas, como “Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas de
prescrições médicas, uso de medicações e Intoxicação por Agrotóxicos” – Portaria nº
curativos ou até mesmo as ações de 43, de 16 de outubro de 2018 (BRASIL,
reabilitação, como indicação de 2018j);
fisioterapia (BRASIL, 2018i); - Encaminhar ou reencaminhar o
- Orientar o trabalhador e a sua família paciente à Atenção Básica e ao Cerest,
sobre os procedimentos trabalhistas junto com relatório de atendimento e
ao empregador e à Previdência Social, orientações;
como a emissão da Comunicação de - Notificar o caso no Sinan e solicitar ou
Acidentes de Trabalho (CAT); emitir a CAT quando pertinente;
- Notificar o acidente e/ou doença no - Encaminhar o caso à rede de
Sistema de Informação de Agravos de referência e contrarreferência, para fins de
Notificação (Sinan/MS); continuidade do tratamento,
- Acompanhar os casos que necessitem acompanhamento e reabilitação do
156
Conhecimentos Específicos
trabalhador, seguindo os fluxos definidos; risco ou perigo e emitir termos legais,
- Realizar articulação com as equipes conforme previsto em normas sanitárias e
técnicas e os Cerest e, quando possível, com de saúde e segurança, para correção das
o Centro de Informações Toxicológicas falhas e prevenção de novos episódios.
(CIATox). Nos locais sem presença de Cerest, essa
atividade deve ser realizada por
profissional com autoridade sanitária que
componha a equipe de vigilância em
saúde;
- Orientar e recomendar ações quanto à
prevenção de doenças e agravos
relacionados ao trabalho;
- Garantir a notificação dos casos, de
forma qualificada, no Sinan e no Sistema
de Informações sobre Mortalidade (SIM).
Os Cerest regionais devem apoiar todos
5.5 Atribuições dos Centros de os municípios da sua área de abrangência
Referência em Saúde do Trabalhador em relação aos cuidados à saúde dos ACE.
Os Cerest são polos irradiadores de Municípios sem cobertura de Cerest devem
ações, centros articuladores e contar com a colaboração dos Cerest
organizadores das ações de saúde do estaduais no sentido da orientação e
trabalhador, no âmbito de seu território. capacitação da rede local para a atenção
Além disso, proporcionam conhecimento integral à saúde dos trabalhadores e para a
técnico especializado, que constitui um realização de ações de investigação e
importante papel de apoio matricial inspeção de ambientes e processos de
(BRASIL, 2017b). trabalho.
Frente aos casos de adoecimento dos
agentes de combate às endemias, os Cerest
devem:
- Auxiliar, como serviço especializado,
a rede de atenção à saúde de todos os
municípios da sua área de abrangência, no
diagnóstico e encaminhamento,
considerando as referências loco-
regionais, para tratamento conforme o
caso;
- Fornecer apoio técnico à rede de
atenção e às vigilâncias em toda sua área
de abrangência;
- Caracterizar a exposição e estabelecer
associação entre o quadro clínico e a
atividade de trabalho;
- Proceder à emissão da CAT e
relatório, quando pertinente;
- Encaminhar o trabalhador à rede
especializada, quando necessário;
- Realizar inspeção dos locais de
trabalho para identificação dos fatores de
157
Conhecimentos Específicos
vertical e transfusional e, no caso do Zika,
Plano de Contingência para Respostas às sexual. A transmissão vetorial ocorre pela
Emergências em Saúde Pública por picada de fêmeas de Ae. aegypti infectadas,
Dengue, Chikungunya e Zika no ciclo humano-vetor-humano. Esses vírus
são mantidos entre mosquitos no ambiente,
sendo estes os hospedeiros definitivos.
PLANO DE CONTINGÊNCIA Os insetos vetores de dengue,
PARA RESPOSTA ÀS chikungunya e Zika no Brasil são
EMERGÊNCIAS EM SAÚDE mosquitos da família Culicidae,
PÚBLICA POR DENGUE, pertencentes ao gênero Aedes, do
CHIKUNGUNYA E ZIKA subgênero Stegomyia. A espécie Aedes
aegypti é a única comprovadamente
1. INTRODUÇÃO responsável pela transmissão dessas
No Brasil, ocorre circulação11 arboviroses no Brasil, e pode ser
expressiva dos vírus da dengue (DENV), transmissora do vírus da febre amarela em
desde os anos 1980, e da chikungunya áreas urbanas. No Brasil, o mosquito
(CHIKV) e do Zika (ZIKV), introduzidos encontra-se em todas as unidades da
no País nos anos de 2014 e 2015. A partir Federação (UFs), disperso amplamente em
de 2019, evidenciou-se a recirculação no áreas urbanas. A espécie Aedes albopictus
País do sorotipo 2 do vírus da dengue também é encontrada no País desde 1986,
(DENV-2), e registrou-se o aumento de principalmente em ecótopos naturais e em
casos de dengue, em geral com maior peridomicílios arborizados, mas tem
gravidade. demonstrado elevada capacidade para
Múltiplos fatores, que agem utilizar ampla variedade de criadouros
simultaneamente em diferentes escalas de artificiais no território brasileiro (GOMES
espaço e tempo, incidem sobre a et al., 1999). O Aedes albopictus tem ampla
transmissão das arboviroses, criando dispersão, sendo transmissor de dengue,
padrões complexos de transmissão, chikungunya e Zika no Sudeste Asiático e
persistência e dispersão. A identificação encontrado naturalmente infectado por
dos padrões de transmissão e das escalas DENV e ZIKV em campo (REZENDE et
nas quais operam é uma necessidade al., 2020).
urgente imposta pela situação Cada arbovirose tem seu período de
epidemiológica vigente (OPAS, 2019a). incubação e transmissibilidade. O processo
Fatores relacionados à infraestrutura urbana de transmissão compreende um período de
e social do País geram condições ideais de incubação intrínseco (PII) – que ocorre no
proliferação do vetor, como o adensamento ser humano – e outro extrínseco, que
dos espaços urbanos e a irregularidade ou a acontece no vetor. Esses períodos se
ausência dos serviços públicos de diferenciam de acordo com o vírus
saneamento, como a coleta dos resíduos e o envolvido na transmissão e, no caso do
abastecimento de água para consumo; período de incubação extrínseco (PIE),
aliados a esses fatores, ainda há maior também em função da temperatura
movimentação de pessoas e bens, ambiente.
alterações ambientais e a resistência a Em relação ao DENV, o período de
inseticidas. incubação intrínseco pode variar de quatro
O modo de transmissão dos três a dez dias. Após esse período, inicia-se o
arbovírus ao homem é predominantemente período de viremia no homem, que
por via vetorial, podendo ser também geralmente se inicia um dia antes do
11
https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de- chikungunya-e-zika
conteudo/publicacoes/publicacoes-svs/dengue/plano-de-contingencia-
para-resposta-as-emergencias-em-saude-publica-por-dengue-
158
Conhecimentos Específicos
aparecimento da febre e se estende até o infestação pelo Aedes e da circulação de
quinto dia da doença. O período de DENV, CHIKV e ZIKV em cada território
incubação intrínseco do CHIKV pode (BRASIL, 2019a).
variar de 1 a 12 dias. O período de viremia É importante que se compare a
no homem pode perdurar por até dez dias e, ocorrência de casos no ano em curso, por
geralmente, inicia-se dois dias antes do semana epidemiológica (SE), com a
aparecimento dos sintomas. O período de transmissão esperada para o local, e que se
incubação intrínseco do ZIKV é de dois a analisem as notificações de dengue,
sete dias, em média. Estima-se que o chikungunya e Zika por data de início de
período de viremia no homem se estende sintoma dos casos prováveis e de forma
até o quinto dia do início dos sintomas. integrada, avaliando qual doença
O Aedes aegypti pode adquirir o vírus ao provavelmente predomina na localidade.
picar uma pessoa no período virêmico, A dengue, a chikungunya e a Zika
dando início ao PIE. Esse período compartilham diferentes sinais clínicos
corresponde ao tempo entre a ingestão de semelhantes, o que dificulta a suspeita
sangue virêmico, pelo mosquito suscetível, inicial pelo profissional de saúde, podendo,
até o surgimento de partículas infectantes em algum grau, confundir à adoção de
do vírus na saliva do inseto. Em relação ao manejo clínico adequado e, por
DENV e ao ZIKV, o PIE varia de 8 a 14 conseguinte, predispor à ocorrência de
dias; para o CHIKV, o período é menor, de formas graves, levando eventualmente a
3 a 7 dias. O período de incubação é óbitos (BRASIL, 2021).
influenciado por fatores ambientais, Os dados sobre os exames específicos
especialmente a temperatura. Após o PIE, o disponíveis no Gerenciador de Ambiente
mosquito permanece infectante até o final Laboratorial (GAL) devem ser
da sua vida (seis a oito semanas), sendo acrescentados às análises do Sistema de
capaz de transmitir o vírus para o homem. Informação de Agravos de Notificação
A suscetibilidade para arboviroses é (Sinan), para identificar a taxa de
universal. Quanto à imunidade, em relação positividade para cada uma dessas
à dengue, uma vez que haja infecção, a arboviroses, evitando que se subestime a
imunidade adquirida é permanente para um real situação do local. Ressalta-se que a
mesmo sorotipo (homóloga). A imunidade vigilância laboratorial será empregada para
cruzada (heteróloga), no entanto, persiste atender às demandas da vigilância
temporariamente no indivíduo, ou seja, epidemiológica, não sendo seu propósito o
quando induzida por um sorotipo é apenas diagnóstico de todos os casos suspeitos em
parcialmente protetora contra outros situações de epidemia.
sorotipos e desaparece rapidamente. À luz Além disso, o monitoramento detalhado
dos conhecimentos atuais, acredita-se que a dos arbovírus circulantes deve ser realizado
imunidade desenvolvida para o CHIKV de modo permanente, para detectar
seja duradoura e protetora contra novas oportunamente a circulação viral dos
infecções, ainda que produzida por sorotipos de DENV, CHIKV e ZIKV. Essa
diferentes genótipos desse vírus. As atividade é de fundamental importância,
evidências científicas disponíveis até o uma vez que a alternância dos sorotipos de
momento não permitem assegurar o tempo dengue e a
de duração da imunidade conferida pela introdução/reintrodução/predominância
infecção natural do ZIKV. desses arbovírus estão relacionadas à
As medidas de vigilância em saúde para ocorrência de epidemias.
dengue, chikungunya e Zika envolvem uma Quanto às ações de Manejo Integrado de
sequência de ações diferenciadas, Vetores (vigilância entomológica e o
estabelecidas de acordo com a situação controle do vetor), é importante orientar as
epidemiológica do município, do nível da medidas que devem ser tomadas para
159
Conhecimentos Específicos
reduzir a infestação do mosquito para ações integradas articuladas e coordenadas
consequente prevenção e controle da intra e intersetorialmente, baseando-se em
transmissão dos vírus, em especial para políticas e normativas vigentes, as
familiares e vizinhos. De forma rotineira, as estratégias recomendadas e os
atividades de remoção mecânica dos compromissos internacionais. Nesse
possíveis criadouros, mutirões de limpeza e contexto, o plano deve ser subsídio para a
orientação da população para cuidar das elaboração de planos regionalizados de
próprias residências e de seu entorno devem resposta, que levem em conta os cenários
ser realizadas e intensificadas em períodos específicos do contexto epidemiológico e
de surto e/ou epidemia. É importante dos arranjos socioambientais, incorporando
destacar a realização das ações de bloqueio experiências e iniciativas locais/regionais.
frente aos primeiros casos suspeitos na
localidade, com orientação à comunidade, 3. COMPETÊNCIAS E
aplicação de adulticida e controle casa a ATRIBUIÇÕES NO NÍVEL FEDERAL
casa no perímetro do local provável de O Regulamento Sanitário Internacional
infecção (LPI). – RSI, 2005 – (ANVISA, 2009) define as
Levando em consideração os aspectos da diretrizes para prevenir, proteger, controlar
vigilância e da assistência para e realizar ações de saúde pública contra a
enfrentamento de emergências por dengue, propagação internacional de doenças.
chikungunya e Zika, no período epidêmico Trata-se de instrumento jurídico
das doenças, este Plano de Contingência internacional vinculativo, e atribui, ao
orienta o enfrentamento às emergências Ministério da Saúde, entre outros, o papel
relacionadas a esses agravos. de aplicar o instrumento/algoritmo de
O Plano de Contingência para Respostas decisão e de notificar a Organização
às Emergências em Saúde Pública (ESP) Mundial da Saúde (OMS) sobre todos os
para arboviroses de ciclo urbano incorpora eventos em seu território que possam se
experiências e aprendizados históricos, constituir numa Emergência em Saúde
constituindo, assim, matéria de referência Pública de Importância Internacional
para estruturação das ações estratégicas de (Espii), bem como sobre qualquer medida
vigilância e assistência em resposta às ESP de saúde implementada em resposta a tal
por arboviroses a serem adotadas em todos evento, no prazo de 24 horas. Nesse
as esferas do Sistema Único de Saúde contexto, a atuação coordenada entre os
(SUS), com o objetivo de reduzir a entes federal, estaduais e municipais é
transmissão e a morbimortalidade das fundamental para atender oportunamente às
arboviroses no País. demandas decorrentes desse e de outros
acordos internacionais dos quais o Brasil é
2. OBJETIVOS signatário.
O Plano de Contingência para Resposta A Portaria GM/MS n.º 2.952, de 14 de
às ESP por Dengue, Chikungunya e Zika dezembro de 2011, regulamenta o Decreto
orienta as ações de vigilância e a resposta a n.º 7.616, de 17 de novembro de 2011, que
serem realizadas por todos os entes que dispõe sobre a declaração de Emergência
compõe o SUS e o Sistema Nacional de em Saúde Pública de Importância Nacional
Vigilância Epidemiológica (SNVE), cujas (Espin) e institui a Força Nacional do
atribuições são associadas com o conjunto Sistema Único de Saúde (FN-SUS).
de políticas e estratégias de vigilância, Conforme o art. 3º, a Espin será declarada
prevenção e controle das arboviroses. em virtude da ocorrência de situações
À medida que a transmissão das epidemiológicas, de desastres ou de
arboviroses ultrapassa limites político- desassistência à população. Consideram-se
administrativos e territoriais, este Plano situações epidemiológicas os surtos ou as
direciona o planejamento e a execução de epidemias que apresentem risco de
160
Conhecimentos Específicos
disseminação nacional, sejam produzidos ◾ Promoção da cooperação e do
por agentes infecciosos inesperados, intercâmbio técnico-científico com
representem a reintrodução de doença organismos governamentais e não
erradicada, apresentem gravidade elevada governamentais, de âmbito nacional e
ou extrapolem a capacidade de resposta da internacional.
direção estadual do SUS. ◾ Gestão dos estoques nacionais de
A Portaria de Consolidação GM/MS n.º insumos estratégicos, inclusive o
4, de 28 de setembro de 2017, que consolida monitoramento e a distribuição aos estados
as normas sobre os sistemas e os e ao Distrito Federal, de acordo com as
subsistemas do SUS, estabelece, no Anexo normas vigentes.
5, o Sistema Nacional de Vigilância
Epidemiológica, e define a A Política Nacional de Vigilância em
compulsoriedade da notificação de casos Saúde (PNVS), estabelecida pela
suspeitos de dengue, chikungunya e Zika a Resolução n.º 588, de 12 de junho de 2018,
todos os níveis de gestão do SUS em até do Conselho Nacional de Saúde (BRASIL,
sete dias. Já para casos suspeitos de Zika em 2018), define como responsabilidade da
gestantes (níveis estaduais e municipais) e União e competência do Ministério da
óbitos de ambas as doenças, o prazo Saúde as ações de vigilância em saúde, nas
máximo para notificação é de 24 horas após Emergências em Saúde Pública de
a suspeita inicial. Estabelece, ainda, as Importância Nacional e Internacional, em
competências da Secretaria de Vigilância consonância com o Regulamento Sanitário
em Saúde (SVS), entre as quais estão: Internacional, bem como a cooperação com
◾ Coordenação nacional das ações de estados, Distrito Federal e municípios em
vigilância em saúde, com ênfase naquelas situações de emergência em saúde pública.
que exigem simultaneidade nacional ou Na esfera federal do SUS, a
regional. Coordenação-Geral de Vigilância das
◾ Apoio e cooperação técnica junto Arboviroses (Cgarb), do Departamento de
aos estados, ao Distrito Federal e aos Imunização e Doenças Transmissíveis da
municípios para o fortalecimento da gestão. Secretaria de Vigilância em Saúde do
◾ Coordenação dos sistemas Ministério da Saúde (Deidt/SVS/MS), é
nacionais de informação de interesse da responsável pelas políticas de vigilância das
vigilância em saúde, incluindo o arboviroses; pela definição de estratégias de
estabelecimento de diretrizes, fluxos e vigilância, prevenção e controle das
prazos, a partir de negociação tripartite, doenças e de contenção de ESP por
para o envio dos dados para o nível arboviroses; além de fazer interface com
nacional. componentes de laboratório, assistência,
◾ Coordenação da preparação e comunicação, e de estabelecer agenda
resposta das ações de vigilância em saúde, intersetorial.
nas Emergências em Saúde Pública de A Coordenação-Geral de Laboratórios
Importância Nacional e Internacional, bem de Saúde Pública (CGLAB), vinculada ao
como a cooperação com estados, Distrito Departamento de Articulação Estratégica
Federal e municípios em emergências de de Vigilância em Saúde da Secretaria de
saúde pública. Vigilância em Saúde do Ministério da
◾ Promoção e implementação do Saúde (Daevs/SVS/MS), é responsável por
desenvolvimento de estudos, pesquisas e coordenar a Rede Nacional de Laboratórios
transferência de tecnologias que de Saúde Pública (RNLSP), formada pelos
contribuam para o aperfeiçoamento das Laboratórios Centrais de Saúde Pública
ações e para a incorporação de inovações. (Lacen) e por sua respectiva Rede
◾ Promoção e fomento à participação Descentralizada, localizados nos 26 estados
social. e no Distrito Federal, além de contar com
161
Conhecimentos Específicos
unidade sob gestão federal do Instituto do paciente. São, ainda, atribuições da Saes:
Evandro Chagas (IEC). A CGLAB é a implementação da política de regulação
responsável pela estruturação e organização assistencial do SUS; a certificação das
de rede de Laboratórios de Referência (LR) entidades beneficentes que prestam
nacional e regional, pela aquisição e serviços complementares à rede de saúde
distribuição de insumos laboratoriais pública, bem como o apoio ao
estratégicos para os Lacen e LR, pela desenvolvimento de mecanismos
padronização e pelo controle de qualidade inovadores que fortaleçam a organização e
dos métodos diagnósticos, além da a capacidade de gestão do Sistema nas três
definição dos fluxos de amostras e de esferas de governo; além das políticas de
informações na RNLSP. sangue e hemoderivados e da pessoa com
A Secretaria de Atenção Primária à deficiência.
Saúde (Saps) é responsável pela principal O Núcleo de Eventos, Cerimonial,
porta de entrada no SUS, coordenando o Agenda, Comunicação e Multimídia
cuidado e ordenando as ações e os serviços (Necom) da SVS e a Assessoria de
disponibilizados na rede. Além disso, suas Comunicação (Ascom) do MS são
ações devem abranger promoção, responsáveis pela elaboração de campanhas
prevenção, proteção, diagnóstico, publicitárias, pela divulgação de boletins
tratamento, reabilitação, redução de danos e epidemiológicos, de peças publicitárias, de
vigilância em saúde, com olhar voltado à informação e de materiais educativos
população em território definido, sobre a veiculados nos diversos meios de
qual as equipes assumem responsabilidade comunicação, incluindo a rede interna do
sanitária. Ministério da Saúde e de setores parceiros,
As equipes de Atenção Primária (AP) direcionadas à população em geral, a
devem atuar com base nos fluxos e profissionais de saúde e a outros públicos e
protocolos assistenciais, de forma regiões prioritários. Além disso, monitora o
articulada com os demais pontos da Rede de fluxo de informações nas redes sociais e na
Atenção à Saúde (RAS), a fim de qualificar mídia, a fim de esclarecer rumores, boatos,
e assegurar, sempre que necessário, informações equivocadas e notícias falsas
encaminhamentos seguros e em tempo (fake news).
oportuno. A atuação dos agentes
comunitários de saúde (ACS) e dos agentes 4. GESTÃO DE EMERGÊNCIAS
de combate às endemias (ACE) é de suma EM SAÚDE PÚBLICA PARA
importância, e ambos devem atuar de forma ARBOVIROSES
integrada e complementar nos domicílios e Em grande parte do Brasil, o cenário
nos demais espaços da comunidade, epidemiológico das arboviroses é
fortalecendo o vínculo e a comunicação da caracterizado pela alternância entre período
população com os serviços de Atenção sazonal e não sazonal para os agravos em
Primária, realizando as ações de vigilância suas diferentes regiões geográficas.
e busca ativa de casos com base no perfil Associado a isso, também pode existir
epidemiológico do território. cenário epidêmico, quando os agravos se
A Secretaria de Atenção Especializada à comportam com incidência acima da
Saúde (Saes) do Ministério da Saúde é esperada para o período.
responsável pelo controle da qualidade e Os principais componentes desse
pela avaliação dos serviços especializados cenário são a presença do vetor Aedes
disponibilizados pelo SUS à população, aegypti, a circulação de diferentes sorotipos
além de identificar os serviços de referência de DENV, além da cocirculação de CHIKV
para o estabelecimento de padrões técnicos e ZIKV. Outros fatores a serem
no atendimento de urgência e emergência, considerados, e de extrema relevância para
atenção hospitalar e domiciliar e segurança o aumento da transmissão, são a capacidade
162
Conhecimentos Específicos
de resposta dos serviços de saúde e a 5. MONITORAMENTO DOS
vulnerabilidade social e ambiental da CASOS DE ARBOVIROSES
população. TRANSMITIDAS PELO AEDES
Nas situações de ESP para arboviroses AEGYPTI (DENGUE,
(Figura 1), esses fatores descritos no final CHIKUNGUNYA E ZIKA)
do parágrafo anterior podem não suportar o
cenário criado pelas alterações nos dois 5.1 DIAGRAMA DE CONTROLE E
primeiros, como uma alta proliferação do CURVA EPIDÊMICA
vetor e alterações no padrão de circulação O diagrama de controle é uma
dos diferentes vírus ou sorotipos, ferramenta estatística que descreve, de
aumentando a suscetibilidade na população. forma resumida, a distribuição da
frequência de uma determinada doença para
FIGURA 1 • FATORES o período de um ano, com base no
RELACIONADOS À OCORRÊNCIA comportamento observado da doença
DE EMERGÊNCIAS EM SAÚDE durante vários anos prévios, e em sequência
PÚBLICA POR ARBOVIROSES DE (série histórica), em uma determinada
CICLO URBANO população. Auxilia na determinação de
situações de alerta epidêmico e na previsão
de epidemias, por meio da sobreposição da
curva epidêmica (frequência observada ou
incidência do ano atual) ao canal endêmico
(frequência esperada); ou seja, ele ajuda na
identificação do excesso de incidência
observada em relação à esperada (Figura 2).
Além disso, norteia a identificação dos
níveis de resposta aos diferentes cenários de
A situação das arboviroses dengue, risco em que incidem diferentes atividades
chikungunya e Zika no País reforça a de contenção. Para este documento, foram
necessidade de planejamento antecipado da considerados os níveis I, II e III para
resposta dos serviços de saúde em ativação do Plano de Contingência (Figura
diferentes níveis (municipal, estadual e 2).
nacional) para o enfrentamento de
emergências (surtos/epidemias) por FIGURA 2 • ESTRUTURAÇÃO DE
arboviroses. DIAGRAMA DE CONTROLE E SEUS
Para a execução de atividades de COMPONENTES (LIMITE
contingência, são planejadas estratégias SUPERIOR, MÉDIA MÓVEL E TAXA
específicas a serem implementadas em DE INCIDÊNCIA), POR SEMANA
diferentes cenários, organizadas em níveis EPIDEMIOLÓGICA, ANO DE 2019
de ativação, que serão acionados com o
monitoramento de casos, por diagrama de
controle ou por curva epidêmica, e com
critérios definidos.
Para a construção do diagrama de
controle, podem ser aplicadas diferentes
metodologias; para o monitoramento atual,
163
Conhecimentos Específicos
tem sido aplicada metodologia de mediana para o monitoramento de chikungunya e
e quartis para elaboração do diagrama de Zika (BORTMAN, 1999).
controle. Dessa forma, para cada semana Vale ainda ressaltar que a curva
epidemiológica, será calculada a mediana epidêmica, que consiste em um gráfico
dos casos prováveis por semana simples que mostra o número de casos no
epidemiológica dos últimos cinco anos. tempo, podendo ser apresentado segundo
Serão ainda calculados o primeiro e o dias, semanas epidemiológicas, meses ou
terceiro quartil, sendo considerados os anos, e pode ainda ser utilizada como
limites mínimo e máximo, respectivamente. ferramenta de monitoramento para o
O diagrama de controle deve ser produzido cenário de chikungunya e Zika em estados
como o apresentado na Figura 3. e municípios que não detêm um banco de
dados robusto que possibilite a elaboração
FIGURA 3 • DIAGRAMA DE de diagramas de controle, sendo essa a
CONTROLE DE DENGUE NO recomendação.
BRASIL, POR SEMANA As curvas epidêmicas permitem
EPIDEMIOLÓGICA, ANOS 2021/2022 conhecer a evolução da doença, algo
fundamental para o planejamento de ações
e para a tomada de decisão em saúde
pública. Além disso, produzem
informações relacionadas ao padrão de
propagação da epidemia e a tendência da
transmissão no tempo (Figura 4).
Toda epidemia tem início, um pico e
uma fase final – em que poderá extinguir-se
completamente ou manter um número
estável de casos (nível endêmico). É
O Ministério da Saúde realiza o fundamental utilizar essas ferramentas para
monitoramento dos casos de arboviroses projetar e acompanhar o comportamento e
nas unidades da Federação utilizando o ritmo desses agravos.
principalmente o diagrama de controle. As
Secretarias Estaduais de Saúde (SES), por FIGURA 4 – EXEMPLO DE
sua vez, acompanham as capitais, as regiões CURVA EPIDÊMICA DOS CASOS
metropolitanas e os municípios prioritários REGISTRADOS, POR SEMANA
de acordo com a taxa de incidência para a EPIDEMIOLÓGICA, BRASIL, ANOS
ocorrência de epidemias de dengue. As XEY
Secretarias Municipais de Saúde (SMS)
também devem manter em sua rotina o uso
do diagrama de controle para
monitoramento da situação da transmissão
de casos.
Para o monitoramento da situação
epidemiológica dos casos de chikungunya e
Zika, arboviroses recentemente
introduzidas no Brasil (sete anos), pode-se
adotar a análise da curva epidêmica.
Contudo, considerando que há estudos que A redução gradual das atividades
abordam a elaboração de diagramas de preconizadas no Plano de Contingência é
controle considerando apenas os últimos realizada à medida que se observa a redução
cinco anos da doença, para este Plano, o da incidência por quatro semanas
diagrama de controle será também utilizado consecutivas no caso da curva epidêmica,
164
Conhecimentos Específicos
ou quando a curva de incidência retorna ao apresentando a tendência de casos
canal endêmico, considerando o diagrama estimados para arboviroses, que pode ser
de controle. obtida em https://info.dengue.mat.br/.
6. AÇÕES PREPARATÓRIAS ÀS Nessas atividades preparatórias, vale
EMERGÊNCIAS EM SAÚDE destacar a função dos Grupos Intersetoriais
PÚBLICA POR DENGUE, para Arboviroses, que são estabelecidos a
CHIKUNGUNYA E ZIKA partir de uma agenda conjunta com
No período não epidêmico, devem ser diferentes áreas técnicas da saúde e setores
executadas as ações preparatórias ao de saneamento, educação, meio ambiente,
período epidêmico, considerando também o assistência social, entre outros. Os Grupos
monitoramento de eventos à previsão de Intersetoriais têm sido utilizados como
surtos/epidemias, além daquelas atividades estratégia para constituir uma Sala de
normais à rotina dos serviços. O Ministério Situação para arboviroses, que tem como
da Saúde publica, periodicamente, objetivo acompanhar o cenário
orientações para atividades voltadas à epidemiológico, e elaborar estratégias para
vigilância das arboviroses, ao controle do monitorar e analisar atividades,
vetor e à assistência aos pacientes acompanhar e discutir dados acerca do
(BRASIL, 2021). comportamento das arboviroses e para
disseminação de informações.
As ações preparatórias vêm no sentido Outro instrumento a ser elaborado no
de prover condições satisfatórias, para o período das atividades preparatórias é o
monitoramento, a prevenção e o controle de Plano de Comunicação de Risco. Tal Plano
eventuais surtos/epidemias em nível apresenta estratégias como a publicação em
nacional. As diferentes áreas técnicas formato de boletins epidemiológicos e de
envolvidas devem, preferencialmente no outros materiais informativos divulgados
período com baixa transmissão, realizar as por diferentes canais (painéis informativos,
ações preparatórias até setembro/outubro, portais eletrônicos, aplicativos); propostas
na proximidade do início do período com de comunicação e mobilização social com
maior transmissão de casos (novembro a intervenções em espaços públicos; estandes
maio), de forma a qualificar a capacidade de em eventos; produção de peças gráficas;
resposta à eventual ESP por dengue, campanhas publicitárias voltadas aos
chikungunya ou Zika. públicos-alvo e à população em geral;
interação nas redes sociais; e ações para
Nas ações preparatórias, é muito engajamento de gestores, líderes
importante a utilização de modelos para comunitários, imprensa e sociedade.
estimativa de transmissão de arboviroses,
usados como alertas para o aumento de Caso se estabeleça uma situação de ESP
casos, a partir da tendência observada pelas por arboviroses, para organizar ações
condições climáticas, pelos rumores sobre relativas a gestão, vigilância
as doenças, pelo histórico da transmissão, epidemiológica, vigilância laboratorial,
entre outras informações. Há sistemas manejo integrado de vetores, rede de
como o InfoDengue, que traz alertas assistência e comunicação/mobilização
baseado em dados híbridos gerados por social e educação em saúde, serão definidos
meio da análise integrada de dados diferentes cenários, de acordo com critérios
minerados a partir da web social, de dados epidemiológicos monitorados por diagrama
climáticos e epidemiológicos. Tal sistema de controle ou curva epidêmica, a serem
gera indicadores da situação apresentados posteriormente ao longo deste
epidemiológica da dengue e de outras documento.
arboviroses até o nível municipal,
165
Conhecimentos Específicos
6.1 AÇÕES PREPARATÓRIAS ◾ Analisar e esclarecer informações
GESTÃO geradas pelo monitoramento das
◾ Articular com as áreas técnicas do arboviroses, por levantamentos
MS e parcerias o planejamento das ações entomológicos e rumores de notícias,
em resposta às potenciais emergências. pesquisas e redes sociais.
◾ Apresentar periodicamente a ◾ Elaborar, semanalmente (período
situação epidemiológica e entomológica sazonal) ou quinzenalmente (período não
aos tomadores de decisão, a partir do sazonal), o boletim epidemiológico acerca
monitoramento de eventos (CME). do monitoramento dos casos de arboviroses
◾ Articular e apoiar as SES para a causados por vírus transmitidos pelo Aedes
elaboração, revisão e implementação dos aegypti.
Planos de Contingência Estaduais. ◾ Emitir alertas para as SES a partir
◾ Divulgar normas técnicas e material do monitoramento epidemiológico dos
educativo (manuais, guias, notas técnicas e casos de dengue, chikungunya e Zika.
informativas). ◾ Acompanhar a detecção e o
◾ Articular estratégias e mecanismos monitoramento viral, de acordo com dados
de cooperação de diferentes áreas técnicas laboratoriais.
do setor saúde com outros setores, e ◾ Analisar semanalmente os dados
reforçar, junto aos gestores locais, a consolidados de laboratório (biologia
importância da integração do setor saúde molecular e sorologia) para análises
para o planejamento e a execução das ações. epidemiológicas.
◾ Avaliar os estoques dos insumos ◾ Monitorar mensalmente os
nos estados. indicadores de oportunidade de notificação,
◾ Garantir estoque estratégico de investigação, encerramento.
insumos (inseticidas e kits diagnósticos). ◾ Monitorar mensalmente a validade
◾ Monitorar periodicamente as metas e a completude das variáveis relacionadas
e ações do presente Plano de Contingência aos critérios de classificação dos casos
juntamente às áreas técnicas-chave. graves e óbitos.
◾ Criar agenda com estados para ◾ Monitorar mensalmente os
oficinas, webinários, entre outros, com o indicadores de qualidade dos dados
objetivo de capacitação e alinhamento das (validade e completitude).
recomendações. ◾ Incentivar a formação de comitês
◾ Estabelecer critérios (indicadores) estaduais de investigação de óbitos.
de monitoramento e avaliação do Plano, ◾ Assessorar as SES na
visando à elaboração de estratégias para seu implementação, no acompanhamento e na
aperfeiçoamento. avaliação das ações de vigilância
◾ Acompanhar o desenvolvimento epidemiológica desenvolvidas.
das ações dos demais componentes. ◾ Apoiar as estratégias de
◾ Verificar a necessidade de comunicação, campanha publicitária e
atualização de documentos existentes, bem mídia social sobre prevenção e controle das
como de produção de novos materiais arboviroses.
técnicos. ◾ Divulgar e orientar os manuais
◾ Estabelecer agenda quinzenal com técnicos, os protocolos clínicos, o guia de
as unidades da Federação com apoio de vigilância e os fluxos de classificação de
técnicos e pontos focais. risco e manejo clínico.
◾ Verificar a necessidade de
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA capacitação e/ou atualização dos técnicos
◾ Elaborar e monitorar regularmente em vigilância epidemiológica dos estados e
o diagrama de controle e a curva epidêmica municípios.
das arboviroses por UF e Brasil. ◾ Apoiar, desenvolver ou realizar
166
Conhecimentos Específicos
cursos de capacitação sobre aspectos transporte, acondicionamento de amostras,
epidemiológicos, clínicos e laboratoriais além de
para os profissionais de saúde dos estados e ajustar fluxos de informações e de
municípios. amostras na rede.
◾ Apoiar ações de educação em saúde ◾ Divulgar as recomendações e as
e a divulgação das medidas de prevenção e orientações planejadas para o período de
controle da doença junto à população e nas monitoramento sazonal.
redes de serviços de saúde públicas e ◾ Avaliar sistematicamente as
privadas. informações a respeito das ações
◾ Apoiar as equipes de vigilância desenvolvidas, a fim de subsidiar a tomada
estaduais, por meio de contato telefônico, e- de decisão sobre a necessidade de novas
mail, vídeo, áudio e webconferência, estratégias.
reuniões nacionais de discussão, entre ◾ Apoiar as equipes de vigilância
outras atividades. estaduais, por meio de contato telefônico, e-
◾ Avaliar sistematicamente as mail, vídeo, áudio e webconferência,
informações sobre as ações desenvolvidas, reuniões nacionais de discussão, entre
a fim de subsidiar a tomada de decisão outras atividades.
acerca da necessidade de novas estratégias ◾ Apoiar, desenvolver ou realizar
e dimensionar recursos adicionais cursos de capacitação.
(humanos e materiais), conforme ◾ Articular com as áreas envolvidas
necessário. no desenvolvimento das medidas propostas
◾ Apoiar os estados e os municípios para enfrentamento de epidemias, visando a
na investigação dos óbitos, dos surtos e das uma resposta integrada em apoio aos
situações inusitadas, sempre que solicitado estados.
ou quando identificada a necessidade por
parte da esfera federal. MANEJO INTEGRADO DE
◾ Apresentar a situação VETORES (VIGILÂNCIA
epidemiológica, nas reuniões do CME, aos ENTOMOLÓGICA E CONTROLE
gestores para acompanha- mento do cenário VETORIAL)
e eventual tomada de decisão. ◾ Assessorar e orientar as SES com
◾ Articular, intersetorial e relação às seguintes atividades:
interinstitucionalmente, junto às demais » avaliar os indicadores entomológicos
áreas envolvidas no desenvolvimento das dos municípios considerados estratégicos
medidas propostas para enfrentamento de e/ou das capitais e regiões metropolitanas,
epidemias, visando a uma resposta onde normalmente estão concentrados o
integrada em apoio aos estados. maior quantitativo de casos das
arboviroses;
VIGILÂNCIA LABORATORIAL » monitorar estoques, condições de
◾ Acompanhar, avaliar, planejar, armazenamento, uso e distribuição de
adequar e preparar o sistema de vigilância insumos (inseticidas, equipamentos,
laboratorial para o monitoramento, levando veículos e proteção individual – EPI);
em consideração a avaliação das ações » planejar ações em pontos estratégicos
executadas no período anterior. e áreas propensas a maior circulação de
◾ Orientar os fluxos de exames pessoas (áreas com grande fluxo de
laboratoriais específicos às arboviroses pessoas, como instituições de ensino
para identificação precoce do início da públicas e privadas, unidades de saúde,
transmissão. clubes, centros comerciais, instituições
◾ Avaliar e garantir o estoque religiosas e outros);
estratégico de insumos nos Lacen. » estabelecer e manter fluxo de
◾ Articular as orientações de coleta, informação de vigilância entomológica e
167
Conhecimentos Específicos
controle de vetor com as demais áreas ao atendimento de pacientes com suspeita
técnicas; de dengue, chikungunya e Zika.
» realizar ações com outros setores,
devido aos potenciais riscos de proliferação ASSISTÊNCIA PRIMÁRIA
vetorial, tais como: abastecimento irregular ◾ Incentivar a criação de grupo de
de água, educação ambiental, coleta de trabalho com equipe técnica para discussão
resíduos, defesa civil e assistência social de assuntos relacionados ao manejo clínico,
(ações com acumuladores de resíduos, entre à classificação de risco do paciente com
outras). suspeita de dengue, chikungunya ou Zika, e
◾ Estimular ou realizar a capacitação às capacitações das equipes de Atenção
e a atualização dos profissionais que Primária.
trabalham com as atividades de vigilância e ◾ Incentivar e orientar a utilização dos
controle de Aedes aegypti, em especial protocolos de manejo das arboviroses na
quanto às atividades de educação e Atenção Primária.
comunicação em saúde para a população; ◾ Fomentar e orientar a criação de
biologia do vetor; principais criadouros; estratégias de busca ativa de casos suspeitos
métodos de vigilância e controle; além de em territórios com grande incidência.
segurança no trabalho. ◾ Orientar e incentivar a oferta de
hidratação venosa precoce nas Unidades
◾ Apoiar a realização de Básicas de Saúde (UBS); na
monitoramento entomológico impossibilidade disso, orientar o
sistematizado, por levantamento de índices estabelecimento de fluxo de referência local
larvários (LIRAa/LIA) ou armadilhas. por meio de encaminhamento seguro.
◾ Realizar análise dos indicadores ◾ Estimular e apoiar a qualificação da
entomológicos LIRAa/LIA e/ou detecção oportuna do surgimento dos sinais
armadilhas, e das informações operacionais de alarme e sinais de choque.
(cobertura de visitas). ◾ Incentivar e orientar estratégias que
◾ Apoiar a realização de medidas de fomentem o acompanhamento longitudinal
controle do vetor para redução da do usuário após a primeira consulta,
infestação e do seu contato com a ofertando os retornos para reavaliação,
população humana, como forma de conforme os prazos estabelecidos. Se
minimizar o risco de transmissão das houver impossibilidade de reavaliação na
doenças, a partir da estratificação de risco UBS, orientar o encaminhamento
(dados entomológicos, dados responsável às unidades de referência, por
epidemiológicos e outros). exemplo, aos finais de semana e feriados.
◾ Articular com as áreas envolvidas e ◾ Incentivar a coordenação e a
outros setores para o desenvolvimento das garantia dos fluxos de referência e
medidas propostas ao enfrentamento de contrarreferência no território, com base no
epidemias, visando a uma resposta fluxo de encaminhamento responsável do
integrada em apoio aos estados. Ministério da Saúde.
◾ Apoiar as estratégias de ◾ Orientar a respeito da importância
comunicação, campanha publicitária e da garantia de transporte adequado para o
mídia social sobre prevenção e controle das encaminhamento dos usuários aos demais
arboviroses. níveis de atenção durante todo o
funcionamento do serviço.
REDE DE ASSISTÊNCIA ◾ Incentivar o estabelecimento do
Apoiar com orientações a organização fluxo de comunicação direta com a Rede de
da rede assistencial, a fim de ofertar uma Urgência e Emergência (RUE), definida
assistência integral, bem como prover previamente, para a referência (hospital,
recursos e insumos estratégicos necessários Unidade de Pronto Atendimento, Unidade
168
Conhecimentos Específicos
de Reposição Volêmica), ou a utilização de prevenção de arboviroses.
dispositivos de regulação. ◾ Articular com as áreas envolvidas e
◾ Orientar quanto à importância da outros setores para o desenvolvimento das
reclassificação do usuário a cada retorno medidas propostas ao enfrentamento de
programado à unidade. epidemias, visando a uma resposta
◾ Orientar e incentivar a criação de integrada em apoio aos estados.
estratégias de realização de busca ativa dos
usuários vinculados à área de abrangência ASSISTÊNCIA ESPECIALIZADA
da unidade (casos novos e pacientes ◾ Encaminhar aos estados orientações
faltosos no retorno programado). técnicas prevendo o preparo para o
◾ Orientar quanto à importância do atendimento de pacientes com dengue,
acompanhamento da evolução dos casos, chikungunya e Zika.
por meio de visita domiciliar, consulta de ◾ Fomentar e orientar a discussão dos
enfermagem, contato telefônico ou visita do casos suspeitos entre profissionais da
agente comunitário de saúde. assistência especializada em territórios com
◾ Incentivar a garantia de suporte para grande incidência.
coleta de amostra de exames específicos e ◾ Articular, intersetorial e
inespecíficos na própria unidade, em tempo interinstitucionalmente, junto às áreas
oportuno. Quando indisponível, orientar o envolvidas no desenvolvimento das
fluxo de encaminhamento responsável ao medidas propostas para enfrentamento de
laboratório de referência. epidemias, visando a uma resposta
◾ Incentivar a garantia do retorno dos integrada em apoio aos estados.
exames inespecíficos em tempo hábil, para ◾ Disponibilizar, aos
a adequada condução do caso, respeitando estabelecimentos assistenciais de saúde
o prazo máximo de quatro horas. federais, estaduais, municipais (públicos e
◾ Incentivar estratégias que garantam privados), os fluxogramas com
a hidratação oral na sala de espera a todos classificação de risco e manejo do paciente
os pacientes acolhidos, com atenção com suspeita de dengue, chikungunya e
contínua e permanente. Zika, bem como as diretrizes clínicas para a
◾ Orientar quanto à garantia do acesso Rede de Atenção à Saúde.
venoso e ao início da reposição volêmica ◾ Disponibilizar os informes sobre
aos pacientes classificados como Grupo C e dengue, chikungunya e Zika (boletim
D, antes de encaminhá-los para as unidades epidemiológico) com o objetivo de traçar
de referência. um panorama de vigilância e assistência aos
◾ Incentivar a implantação do serviço profissionais de saúde, aos gestores e à
de notificação de casos suspeitos de população em geral.
arboviroses e o estabelecimento de fluxo de ◾ Sensibilizar, por meio de
informação diária para a vigilância informações técnicas, cursos de ensino a
epidemiológica. distância (EaD), boletim epidemiológico,
◾ Fomentar e incentivar a integração e entre outros meios, os profissionais de
a articulação com os agentes comunitários saúde para a classificação de risco e manejo
de saúde e agentes de combate às endemias, clínico do paciente nos estabelecimentos de
com base no mapeamento de risco, a fim saúde.
planejar intervenções de enfrentamento aos ◾ Orientar gestores locais acerca da
focos/criadouros em áreas com grande importância da integração do setor saúde
incidência. para o planejamento e a execução das ações,
◾ Orientar o desenvolvimento do tornando o resultado mais efetivo e eficaz.
autocuidado de forma permanente nas
comunidades, o acesso à informação e as
ações de educação em saúde para a
169
Conhecimentos Específicos
COMUNICAÇÃO E presença do vetor Aedes aegypti em áreas
MOBILIZAÇÃO SOCIAL com circulação viral; a capacidade de
◾ Definir a equipe focal para a resposta dos serviços de saúde; e a
produção e a execução das ações de vulnerabilidade social e ambiental da
comunicação junto à Ascom. população.
◾ Elaborar campanha e materiais de O Plano Nacional de Contingência para
comunicação, informação e educação em Emergências em Saúde Pública por
saúde, com subsídios das áreas técnicas, a Dengue, Chikungunya e Zika possui
partir do cenário ambiental e cenários de risco definidos a partir da
epidemiológico atualizado, voltados à situação epidemiológica das arboviroses,
população em geral, aos profissionais de para os quais são previstas ações de acordo
saúde e às unidades federativas prioritárias. com os níveis de ativação estabelecidos
◾ Definir os meios de veiculação dos (Quadros 1, 2 e 3), levando-se em
materiais e os locais para as ações consideração a taxa de incidência por 100
planejadas. mil habitantes dos casos prováveis de
◾ Ampliar a divulgação, para a dengue, chikungunya e Zika, a gravidade
população em geral e para os profissionais dos casos e a ocorrência de óbitos
e gestores do SUS, das informações Este Plano de Contingência será ativado
relacionadas à ocorrência de casos e óbitos, a partir da identificação de que a taxa das
sintomas e tratamento, caracterização arboviroses está acima do limite esperado
ambiental, perfil entomológico, medidas de para o período, considerando os meses
controle do vetor, por meio das diferentes epidêmicos, utilizando- se a ferramenta
estratégias e meios de comunicação. “diagrama de controle”, e “curva
◾ Disponibilizar canais de epidêmica” para as localidades que não
comunicação para orientar as UFs no possibilitarem a elaboração de diagrama de
desenvolvimento de ações de comunicação, controle. E, a partir dos cenários
mobilização social e educação em saúde. identificados nas unidades da Federação,
◾ Produzir mensagens-chave e pode ser ativado um Centro de Operações
tópicos prioritários de discussão de Emergências (COE), que será
(atualização/construção de FAQ). responsável pela coordenação das ações de
◾ Produção de indicadores resposta à ESP entre as três esferas de
específicos para monitoramento e avaliação gestão do SUS.
das ações de comunicação/mobilização Foram elencados critérios para a
social e educação em saúde. definição de níveis de ativação em três
◾ Definir porta-vozes para interação cenários de risco para dengue, para
com mídias sociais e comunicados à chikungunya e para Zika (Quadros 1, 2 e 3,
sociedade. respectivamente), com o intuito de
promover a organização das ações.
7. CENÁRIOS DE RISCO E NÍVEIS
DE ATIVAÇÃO E ORGANIZAÇÃO
DA RESPOSTA
A determinação multifatorial das
arboviroses, ocasionada por diferentes
fatores ecológicos, políticos, econômicos e
sociais, amplifica os riscos para
transmissão das doenças. Os principais
fatores do cenário de risco às arboviroses de
ciclo urbano são notadamente a circulação
de diferentes sorotipos de DENV, além da
cocirculação de CHIKV e ZIKV; a
170
Conhecimentos Específicos
7.1 DENGUE 7.3 ZIKA
QUADRO 1 • NÍVEIS DE QUADRO 3 • NÍVEIS DE
RESPOSTA, CENÁRIOS DE RISCO E RESPOSTA, CENÁRIOS DE RISCO E
CRITÉRIOS PARA ATIVAÇÃO DE CRITÉRIOS PARA ATIVAÇÃO DE
AÇÕES EM RESPOSTA ÀS ESPs POR AÇÕES EM RESPOSTA ÀS ESPs POR
DENGUE ZIKA
8. AÇÕES EM RESPOSTA ÀS
EMERGÊNCIAS
7.2 CHIKUNGUNYA Para cada cenário, deverão ser
QUADRO 2 • NÍVEIS DE executadas ações relacionadas aos
RESPOSTA, CENÁRIOS DE RISCO E componentes do Plano: gestão, vigilância
CRITÉRIOS PARA ATIVAÇÃO DE epidemiológica e laboratorial, vigilância
AÇÕES EM RESPOSTA ÀS ESPs POR entomológica e controle do vetor, rede de
CHIKUNGUNYA assistência, comunicação/mobilização
social e educação em saúde. As ações ora
descritas são comuns para dengue,
chikungunya e Zika; e, quando houver
ações específicas para algumas das
doenças, isso será destacado no texto.
8.1 NÍVEL 1
Indicadores para dengue, chikungunya e
Zika: incidência e óbitos.
Este nível se configura com a
continuidade das ações do cenário de
preparação, aliando-se com a realização de
outras ações específicas ao novo cenário. O
objetivo das ações é evitar que a incidência
ultrapasse os limites do diagrama de
controle, por meio de estratégias que visem
à contenção da transmissão viral.
171
Conhecimentos Específicos
AÇÕES GESTÃO VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA
◾ Articular com as áreas técnicas o ◾ Intensificar a emissão de alertas
desenvolvimento das ações e das atividades para estados e Distrito Federal.
propostas para o cenário. ◾ Assessorar as SES e as SMS na
◾ Apoiar a gestão de insumos definição dos indicadores que devem ser
estratégicos (inseticidas e kits diagnósticos) monitorados no nível local.
junto ao Departamento de Logística em ◾ Consolidar semanalmente as
Saúde da Secretaria-Executiva do informações epidemiológicas, laboratoriais
Ministério da Saúde (Dlog/ SE/MS) e a e entomológicas para subsidiar a tomada de
outros atores. decisão.
◾ Integrar as reuniões de ◾ Apoiar os estados e os municípios
monitoramento (CME) com apresentação na investigação dos óbitos, sempre que
da situação entomoepidemiológica das necessário.
arboviroses, da Sala de Situação e de outros ◾ Participar de reuniões da Sala de
canais de informação. Situação, acompanhando indicadores
◾ Viabilizar o deslocamento das epidemiológicos.
equipes de acompanhamento da
Coordenação-Geral de Vigilância das MANEJO INTEGRADO DE
Arboviroses do Departamento de VETORES (VIGILÂNCIA
Imunização e Doenças Transmissíveis da ENTOMOLÓGICA E CONTROLE
Secretaria de Vigilância VETORIAL)
(Cgarb/Deidt/SVS) às UFs com ◾ Acompanhar os indicadores
necessidade de apoio técnico. entomológicos e operacionais de
◾ Encaminhar às SES ofícios monitoramento entomológico e avaliação
orientando o acompanhamento da execução das atividades de controle vetorial.
dos planos de contingência estaduais e ◾ Orientar a logística de distribuição
municipais. de insumos e equipamentos para controle
◾ Reforçar junto às UFs a importância vetorial.
do desenvolvimento de ações articuladas, ◾ Apoiar tecnicamente as SES na
possibilitando uma atuação oportuna e definição dos municípios e localidades
eficaz no monitoramento. onde as ações de controle vetorial deverão
◾ Manter comunicação e articulação ser intensificadas, bem como o tipo de
com as SES para acompanhamento das intervenção.
ações de saúde estabelecidas. ◾ Orientar estratégias de controle de
◾ Apresentar a situação vetor às SES, de acordo com estruturas e
epidemiológica das arboviroses nas cenários locais, na perspectiva de
reuniões do CME. estratificação risco.
◾ Apoiar a atualização de planos de ◾ Alertar as UFs para acompanhar os
contingência locais. níveis de infestação e propor ações para
◾ Pautar a temática das arboviroses no redução de criadouros potenciais.
Conselho Estadual de Saúde, no Conselho ◾ Orientar ações de bloqueio de
de Secretarias Municipais de Saúde transmissão de casos de acordo com o
(Cosems), na Comissão Intergestores cenário epidemiológico.
Bipartite (CIB) e na Comissão Intergestores ◾ Orientar grupo intersetorial e/ou
Regionais (CIR), para fortalecer o Sala de Situação para arboviroses, para
compromisso dos representantes e intensificar as ações de mobilização social
apresentar evidências para realização de e as atividades de setores parceiros, de
atividades para enfrentamento de dengue, acordo com os indicadores entomológicos e
chikungunya e Zika. operacionais relativos ao controle do vetor,
considerando as especificidades territoriais
172
Conhecimentos Específicos
ou regionais. ◾ Incentivar a criação de estratégias
◾ Consolidar as informações que qualifiquem a notificação dos casos
entomológicas e de controle vetorial para suspeitos por parte das equipes.
elaboração de boletins.
◾ Realizar e/ou apoiar a preparação de ATENÇÃO ESPECIALIZADA À
pessoal para ações de intensificação e de SAÚDE (URGÊNCIA, EMERGÊNCIA
controle de transmissão. E REGULAÇÃO)
◾ Intensificar o apoio técnico às UFs
VIGILÂNCIA LABORATORIAL e aos municípios na organização da Rede de
◾ Garantir insumos para os exames Atenção à Saúde para atendimento dos
laboratoriais pré-estabelecidos. casos de dengue, chikungunya e Zika.
◾ Monitoramento viral (priorizar ◾ Motivar o gestor local para a revisão
diagnósticos diretos). e a divulgação dos fluxos assistenciais, tais
◾ Apoiar estados para monitoramento como leitos de retaguarda de UTI e
de sorotipos circulantes. cirúrgico, serviços de diagnóstico,
◾ Priorizar diagnóstico de amostras de transporte sanitário, notificação, referências
pacientes oriundos de municípios sem e contrarreferência.
confirmação de casos por critério ◾ Intensificar o apoio técnico aos
laboratorial. estados e municípios para desenvolvimento
de atividades de educação permanente
ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE visando à sensibilização, qualificação e
◾ Fortalecer o apoio técnico aos atualização dos profissionais de saúde sobre
gestores, auxiliando-os na organização dos manejo clínico para dengue, chikungunya e
serviços de Atenção Primária. Zika.
◾ Orientar e incentivar a utilização ◾ Apoiar tecnicamente os estados e
dos fluxos e protocolos assistenciais frente municípios para o monitoramento e o
ao manejo das arboviroses. acompanhamento de indicadores
◾ Orientar e incentivar a adesão ao assistenciais.
Programa Saúde na Hora, a fim de ampliar ◾ Alertar estados e municípios para
o funcionamento das UBS para horário identificação das unidades de apoio
estendido. referentes à continuidade do cuidado dos
◾ Incentivar ações de capacitação e pacientes que evoluírem para formas graves
educação permanentes das equipes de de dengue, chikungunya e Zika.
Atenção Primária no contexto das ◾ Alertar os gestores para a
arboviroses. importância da notificação dos casos nas
◾ Divulgar cursos sobre arboviroses, unidades de atenção à saúde para a
já disponíveis no portal da Universidade vigilância.
Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA- ◾ Motivar o gestor local para a revisão
SUS) e/ou em outras plataformas, para e a divulgação dos fluxos assistenciais da
capacitação dos profissionais. rede.
◾ Fomentar a integração contínua
entre as ações de Atenção Primária e
Vigilância em Saúde. COMUNICAÇÃO E
◾ Orientar e incentivar a utilização do MOBILIZAÇÃO SOCIAL
Telessaúde como estratégia de qualificação ◾ Intensificar divulgação do plano de
dos profissionais da Estratégia Saúde da comunicação de risco.
Família (ESF) ◾ Divulgar, junto à rede de serviços de
◾ Estimular o aumento da cobertura saúde, boletins epidemiológicos,
(cadastro) da Atenção Primária, por meio protocolos técnicos e informações
do Programa Previne Brasil. pertinentes para prevenção, controle e
173
Conhecimentos Específicos
preparo da resposta a arboviroses. Ministério da Saúde envolvidas, a resposta
◾ Executar campanha publicitária sobre o potencial acionamento de recursos
para arboviroses, em nível nacional, adicionais para atendimento à emergência.
utilizando todas as mídias (TV, rádio, ◾ Acionar e articular instituições
internet) e peças específicas às redes sociais parceiras para oferecer suporte às
e aos conselhos profissionais de saúde. Secretarias de Saúde.
◾ Executar campanhas de ◾ Recomendar o estabelecimento do
comunicação e orientar atividades para Centro de Operações de Emergências
engajamento da população, de profissionais (COE) e de seu
de saúde, de diferentes setores e parcerias objetivo no intuito de acionar recursos
para ações de vigilância, controle e cuidado humanos e financeiros.
relativas às arboviroses. ◾ Fortalecer o planejamento e as
◾ Divulgar informações ações integradas no Ministério da Saúde em
epidemiológicas e de prevenção e controle apoio à gestão local.
das doenças no site e nas redes sociais do ◾ Apoiar os estados e municípios na
Ministério da Saúde. elaboração da estratégia para promoção e
cuidado em saúde mental e atenção
8.2 NÍVEL 2 psicossocial dos trabalhadores e pacientes
Indicadores para dengue: incidência, da Rede de Atenção à Saúde, com base na
óbitos, casos graves e/ou casos com sinais atenção recomendada para emergências.
de alarme. ◾ Caso sejam abertos COEs nas UFs,
Indicadores para chikungunya e Zika: um técnico do Ministério da Saúde deve ser
incidência, óbitos, positividade designado para acompanhar/monitorar as
laboratorial. atividades e reuniões.
Este nível é identificado quando a taxa
de incidência de dengue ultrapassa o limite VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA
superior do canal endêmico; e, para ◾ Manter e intensificar atividades do
chikungunya e Zika, é ultrapassada a taxa cenário 1.
de incidência do mesmo período em ◾ Participar de reuniões do COE-
comparação (mesmo período do ano Arboviroses, acompanhando indicadores
anterior ou anos epidêmicos). Outros epidemiológicos e direcionando estratégias.
critérios determinados para o nível 2 e ◾ Orientar e apoiar estratégias
respectivo cenário são descritos nos estaduais e municipais a partir dos
Quadros 1, 2 e 3. indicadores epidemiológicos.
◾ Subsidiar tecnicamente atividades
AÇÕES de comunicação, mobilização social e de
GESTÃO setores parceiros.
◾ Adquirir, de forma emergencial, os ◾ Acompanhar, junto à rede
insumos essenciais para a garantia das assistencial, indicadores e investigação de
ações. casos de Zika em mulheres em idade fértil.
◾ Acompanhar junto à SES o
desenvolvimento das ações de saúde VIGILÂNCIA LABORATORIAL
estabelecidas para resposta às arboviroses. ◾ Manter e intensificar atividades do
◾ Avaliar a necessidade de apoio a cenário 1.
estados com recursos adicionais (insumos, ◾ Priorizar o diagnóstico nas amostras
materiais, equipes). de pacientes gestantes e que evoluíram a
◾ Apresentar, monitorar e propor casos graves e óbitos.
ações frente à situação da emergência nas
reuniões do CME.
◾ Avaliar, junto às Secretarias do
174
Conhecimentos Específicos
VIGILÂNCIA ENTOMOLÓGICA E ASSISTÊNCIA ESPECIALIZADA
CONTROLE VETORIAL (URGÊNCIA, EMERGÊNCIA E
◾ Manter e intensificar atividades do REGULAÇÃO)
cenário 1. ◾ Manter e intensificar atividades do
◾ Acompanhar os indicadores cenário 1.
entomológicos operacionais para direcionar ◾ Avaliar a necessidade de envio de
estratégias de acordo com o cenário equipe de gestão da Força Nacional do SUS
epidemiológico. (FN-SUS) para realização de apoio ao
◾ Avaliar a efetividade do bloqueio de preparo da rede de urgência para aumento
transmissão em amostra de municípios dos casos graves.
acima de 100 mil habitantes. ◾ Apoiar tecnicamente os estados e
◾ Participar de reuniões do COE- municípios prioritários no planejamento da
Arboviroses, acompanhando indicadores ampliação do acesso dos pacientes nas
entomológicos, operacionais, e orientando unidades de saúde, garantindo o
estratégias. atendimento oportuno dos casos suspeitos
de dengue, chikungunya e Zika.
REDE DE ASSISTÊNCIA ◾ Orientar a gestão local para a
ATENÇÃO PRIMÁRIA A SAÚDE necessidade de reorganização da rede para
◾ Manter e intensificar atividades do ampliação da capacidade instalada.
cenário 1. ◾ Monitorar a ocorrência de casos
◾ Intensificar o apoio técnico aos graves e óbitos por dengue, chikungunya e
gestores. Zika.
◾ Orientar e apoiar os estados ◾ Apoiar a abertura de canais de
prioritários a intensificar as ações de busca comunicação com especialistas para
ativa de casos fortalecimento da atenção à saúde no
suspeitos. cuidado dos casos de dengue, chikungunya
◾ Reunir-se com gestores de estados e Zika, principalmente os casos graves.
prioritários para discutir estratégias de ◾ Apoiar os estados e municípios na
qualificação da assistência. elaboração do cuidado em saúde mental e
◾ Avaliar o plano de investimento atenção psicossocial dos trabalhadores e
emergencial do nível local para ampliação pacientes da rede de urgência e emergência.
de recursos humanos (RH), e/ou oferta de
insumos, e/ou contratualização de leitos, COMUNICAÇÃO E
e/ou criação de unidades extras para MOBILIZAÇÃO SOCIAL
atendimento. Publicar portaria com ◾ Manter e intensificar atividades do
aprovação de recursos e definição do plano cenário 1.
de investimento. ◾ Estabelecer porta-vozes.
◾ Apoiar os gestores na elaboração ◾ Intensificar as atividades do Plano
dos planos de contingência local. de Comunicação de Risco (campanhas de
◾ Desenvolver ações articuladas entre comunicação e da orientação para
as diferentes áreas técnicas que compõem a mobilização social).
Secretaria de Atenção Primária no âmbito ◾ Apoiar as assessorias de
do Ministério da Saúde. comunicação locais para planejamento de
◾ Viabilizar, junto aos estados estratégias.
prioritários, a necessidade de criação de ◾ Divulgar, em canais de
unidades de referência, em caráter comunicação e redes sociais do Ministério
excepcional, para a oferta de hidratação da Saúde e parcerias, as ações para
venosa. contingência da ESP.
175
Conhecimentos Específicos
8.3 NÍVEL 3 intensificar atividades da vigilância
Indicadores para dengue e chikungunya: laboratorial.
incidência e óbitos.
Indicadores para Zika: incidência, MANEJO INTEGRADO DE
óbitos, positividade laboratorial em VETORES (VIGILÂNCIA
gestantes. ENTOMOLÓGICA E CONTROLE
Este nível é ativado quando a taxa de VETORIAL)
incidência de dengue ultrapassa o limite ◾ Manter e intensificar atividades dos
superior do canal endêmico/diagrama de cenários 1 e 2.
controle e há óbitos confirmados para ◾ Orientar as SES para avaliar a
dengue. Para chikungunya e Zika, há situação local e a continuidade de
aumento da incidência por quatro semanas atividades de monitoramento
consecutivas (mesmo período do ano entomológico, para direcionar força de
anterior ou de anos epidêmicos) e óbito trabalho às ações de controle.
confirmado. Para Zika, considera-se ◾ Apoiar tecnicamente as UFs para
também o aumento de positividade em intensificar o monitoramento de
gestantes. indicadores entomológicos e operacionais,
bem como as atividades para controle do
AÇÕES vetor.
GESTÃO
◾ Intensificar as atividades dos REDE DE ASSISTÊNCIA
cenários 1 e 2. ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
◾ Manter e intensificar atividades dos
◾ Encaminhar, para o secretário de cenários 1 e 2.
Vigilância em Saúde, relatório do COE. ◾ Avaliar a necessidade de apoio
◾ Designar pontos focais para técnico presencial.
assessoria técnica às UFs e ao porta-voz.
◾ Formalizar atividades pactuadas e ASSISTÊNCIA ESPECIALIZADA
oficializá-las entre as esferas de governo (URGÊNCIA, EMERGÊNCIA E
federal, estadual REGULAÇÃO)
e municipal. ◾ Manter e intensificar atividades dos
◾ Apoiar as ações do Plano de cenários 1 e 2.
Contingência Estadual, que deve ter ◾ Apoiar a gestão local no
coordenação do COE local. fortalecimento da resposta especializada,
◾ Apoiar o desenvolvimento das principalmente em relação ao cuidado dos
ações intersetoriais e interinstitucionais. casos graves.
◾ Apoiar tecnicamente os estados e
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA municípios para intensificar o
◾ Manter e intensificar atividades dos monitoramento e o
cenários 1 e 2. acompanhamento de indicadores
◾ Subsidiar a tomada de decisão para assistenciais.
acionamento da Força Nacional do SUS. ◾ Apoiar a reorganização dos serviços
◾ Apoiar a investigação de casos e pertencentes à Rede de Assistência à Saúde,
óbitos de gestantes com suspeita de assim como, se necessário, a ampliação da
infecção por Zika. capacidade da rede especializada de
atenção à saúde com recursos adicionais
VIGILÂNCIA LABORATORIAL (insumos, materiais e equipes) para
◾ Manter e intensificar atividades dos atendimento à emergência.
cenários 1 e 2. ◾ Subsidiar a tomada de decisão para
◾ Apoiar tecnicamente as UFs para acionamento da FN-SUS.
176
Conhecimentos Específicos
◾ Articular, intersetorial e independentes da ativação do COE, de
interinstitucionalmente, junto às áreas forma que as orientações descritas se
envolvidas na intensificação das medidas aplicam ao cenário de risco apresentado
propostas para enfrentamento de epidemias neste Plano.
de dengue, chikungunya e Zika, para cada O COE poderá ser ativado no âmbito
nível de alerta. federal quando: (i) forem superadas as
capacidades relacionadas à vigilância, à
COMUNICAÇÃO E assistência e ao diagnóstico nas esferas
MOBILIZAÇÃO SOCIAL municipal e/ou estadual; ou (ii) houver
◾ Manter e intensificar atividades dos necessidade de mobilização regional para
cenários 1 e 2. coordenação intra e intersetorial e
◾ Organizar e coordenar entrevistas interfederativa das ações de resposta.
do porta-voz do Ministério da Saúde. Porém, para a ativação do COE, deve ser
◾ Desenvolver, monitorar, revisar e realizada avaliação em conjunto pelas áreas
propor estratégias em relação às ações de técnicas envolvidas na resposta às ESPs, a
comunicação previstas no planejamento. partir de situações que configurem
◾ Intensificar campanha publicitária a potencial risco à saúde pública. Com a
ações em mídias nas regiões onde há maior avaliação, realiza-se a recomendação ao
incidência de casos de arboviroses, com secretário de Vigilância em Saúde,
enfoque nos sinais, nos sintomas e na responsável pela tomada de decisão.
gravidade. A desativação do COE, por sua vez, a
◾ Responder as demandas de depender dos critérios que motivaram a
imprensa sobre arboviroses destinadas ao ativação, ocorrerá quando: (i) as
Ministério da Saúde. capacidades locais/regionais forem
◾ Intensificar atividades estabelecidas restauradas; e/ou (ii) a ESP for controlada,
no Plano de Comunicação de Risco. com redução do risco de transmissão; ou,
É importante considerar que a definição ainda, (iii) quando houver remissão da
das etapas não é estanque, sendo assim, a transmissão pela deterioração das
avaliação e o monitoramento dos cenários condições epidemiológicas, ambientais e
de risco identificados de acordos com os climáticas, que geralmente ocorre ao final
níveis de ativação são permanentes. do período sazonal. A partir da ativação do
COE, poderá ser avaliada a recomendação
9. CENTRO DE OPERAÇÕES DE de declaração de Emergência em Saúde
EMERGÊNCIA Pública de Importância Nacional ao
O Centro de Operações de Emergência Ministro da Saúde, bem como de
(COE) é uma estrutura organizacional que mobilização de recursos humanos,
tem como objetivo promover a resposta materiais e financeiros adicionais,
coordenada por meio da articulação e da incluindo apoio internacional especializado
integração dos atores envolvidos. Sua
ativação tem como finalidade coordenar as SALA DE SITUAÇÃO
ações de resposta a emergências em saúde Com o objetivo de um acompanhamento
pública, incluindo a mobilização de detalhado de um cenário específico, a
recursos para o restabelecimento dos criação de uma Sala de Situação em saúde
serviços de saúde e a articulação da é fundamental. Nesse ambiente, são
informação entre as três esferas de gestão elaboradas estratégias para monitorar e
do SUS. É responsável ainda por identificar analisar atividades, acompanhar e discutir
a necessidade do envio de recursos dados acerca do comportamento das
adicionais (humanos e materiais). doenças, para disseminação de informações
Vale destacar que as ações descritas e execução de atividades específicas.
neste Plano de Contingência são A Sala de Situação pode ser utilizada em
177
Conhecimentos Específicos
diversas áreas além das emergências de Contingência, o COE e a Sala de Situação
saúde pública (ESP). Na área da saúde, esse podem ser implantados para fortalecer a
ambiente é caracterizado como um espaço resposta às ESPs por arboviroses. O Quadro
físico e virtual, dotado de visão integral e 4 apresenta as principais diferenças entre os
intersetorial, em que os dados de saúde e dois.
doença são analisados por uma equipe
técnica, que indica a situação da saúde em
uma região definida. A Sala de Situação
possibilita análise de informações que
subsidiam a tomada de decisões visando à
melhoria das condições de saúde
(COIFMAN, 2020).
Os dados levantados e analisados na Sala
de Situação dão embasamento para a
elaboração de estratégias, direcionando
uma melhoria contínua à gestão dos planos
Nota orientativa 01/2020 do Governo do
de contingência. A partir das informações
Estado do Paraná sobre A Organização da
levantadas pelos componentes de um plano Rede de Atenção à Saúde para
de contingência (gestão, vigilância Enfrentamento da Dengue no Paraná.
epidemiológica, vigilância laboratorial,
manejo integrado de vetores, assistência em
saúde, comunicação e mobilização social)
são conjugados conhecimentos para Nota orientativa 01/2020 do Governo do
compreender o processo saúde-doença, Estado do Paraná sobre A Organização
prever as necessidades, identificar as da Rede de Atenção à Saúde para
condições de risco e orientar a definição de Enfrentamento da Dengue no Paraná.12
prioridades e a utilização de recursos
disponíveis para planejar e administrar os A ORGANIZAÇÃO DA REDE DE
sistemas de saúde. ATENÇÃO À SAÚDE PARA
As principais atribuições de uma Sala de ENFRENTAMENTO DA DENGUE NO
Situação em saúde são, em suma: PARANÁ
◾ Apoio no planejamento de ações
e/ou na construção de planos de A Dengue é uma doença febril aguda,
enfrentamento de ESP. considerada a mais importante arbovirose
◾ Realização de monitoramento de que afeta o ser humano. Provocada por um
vários temas de interesse. vírus do gênero Flavivírus, é transmitida
pelo mosquito Aedes aegypti, seu vetor nas
◾ Avaliação da probabilidade da
Américas. A evolução clínica pode cursar
ocorrência do risco de cada tema.
desde as formas oligo ou assintomáticas, até
◾ Detecção da alteração do padrão
com sinais de alarme ou quadros graves.
epidemiológico.
◾ Ativação permanente ou
INFORMAÇÕES GERAIS
temporária.
◾ Não necessita de resposta
A Secretaria de Estado da Saúde do
coordenada e de articulação com outras
Paraná (SESA PR) enfatiza a necessidade
esferas.
dos serviços de saúde estarem organizados
◾ Pode indicar a ativação de um COE.
em rede, garantindo ao usuário do Sistema
Como observado no Plano de
12 11/Nota%20Orientativa%20Arboviroses%20n%C2%BA%2001_2020%2
https://www.dengue.pr.gov.br/sites/dengue/arquivos_restritos/files/docum 0vers%C3%A3o1_0.pdf
ento/2020-
178
Conhecimentos Específicos
Único de Saúde (SUS) atendimento hematológicas crônicas, doença renal
oportuno e resolutivo em todos os níveis de crônica, doenças autoimunes;
atenção, independente do estadiamento e Realizar o manejo clínico dos casos
evolução clínica da Dengue. suspeitos ou confirmados, conforme
É fundamental a atuação integrada das recomendação do Manual Dengue:
equipes de atenção e vigilância em saúde, diagnóstico e manejo clínico – adulto e
como forma de capilarizar as orientações criança, Ministério da Saúde, 3ª edição –
padronizadas, e garantir uma atenção à 2016, se atentando para:
saúde de qualidade. - aferição de sinais vitais na triagem e
Destaca-se que no último período atendimentos subsequentes, com atenção
epidemiológico de 2019-2020, o Paraná para os sinais de hipotensão;
registrou 227.724 casos confirmados e 177 - prova do laço em todos os casos
óbitos desencadeados pelo agravo, suspeitos para pesquisa de fragilidade
representando os maiores registros da série capilar;
histórica da doença desde 2007 no estado. - utilização do teste rápido de Dengue
Na análise dos óbitos registrados no para triagem de casos, e não como critério
último período epidemiológico, ficou de diagnóstico;
evidente que a ausência de estadiamento e - identificação dos sinais de alarme:
o manejo clínico inadequado dos casos em sangramento espontâneo, dor abdominal,
idosos e com comorbidades contribuíram vômitos, hipotensão, hepatomegalia
para os desfechos desfavoráveis dos casos. dolorosa, hematêmese e/ou melena,
Esta nota tem por objetivo orientar e sonolência, irritabilidade, diminuição da
apoiar as secretarias municipais e equipes diurese, aumento repentino do hematócrito,
de saúde da Atenção Primária à Saúde, queda abrupta de plaquetas, desconforto
Urgência e Emergência e Hospitais, em respiratório, e choque;
relação a organização dos serviços para - instituição das medidas terapêuticas já
atendimento de casos suspeitos ou na suspeita do agravo, não sendo necessário
confirmados de Dengue. aguardar o resultado de exames
laboratoriais;
ORIENTAÇÕES PARA - solicitação de hemograma completo,
ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE para avaliação de hemoconcentração, com
SAÚDE resultado em tempo oportuno (até 4 horas);
- hidratação oral e/ou endovenosa
1. Comuns a todos os pontos de precoce, conforme recomendado para cada
atenção: estadiamento clínico;
- Realizar acolhimento do usuário com - não prescrição de salicilatos e anti-
suspeita ou confirmação de dengue; inflamatórios não esteróides;
- Classificar o risco e o estadiamento - monitoramento constante da evolução
clínico de acordo com o Fluxograma de clínica durante toda a sua permanência no
Classificação de Risco e Manejo do serviço de saúde, para detecção precoce de
Paciente disponível no site da SESA PR; complicações;
- Priorizar o atendimento de usuários - Fornecer e preencher corretamente
com condições especiais, risco social ou todos os campos do “Cartão de
comorbidades que podem agravar quadros Identificação do Paciente com Dengue”;
de dengue: lactentes menores de 2 anos, - Notificar por meio da ficha de
gestantes, adultos com idade acima de 60 investigação “Dengue e Febre de
anos, portadores de Hipertensão Arterial Chikungunya”, e comunicar de forma
Sistêmica, doenças cardiovasculares imediata (preferencialmente por telefone) a
graves, Diabetes Mellitus, Doença vigilância epidemiológica do município os
Pulmonar Obstrutiva Crônica, doenças
179
Conhecimentos Específicos
casos de dengue grave ou óbitos - Manejar os usuários estadiados como
suspeitos/decorrentes do agravo; grupo A, que não possuem sangramento
- Coletar exames laboratoriais espontâneo ou induzido (prova do laço
específicos, conforme orientação da Nota negativa), sem sinais de alarme, e que não
Técnica nº6/2019/CVIA/LACEN/DAV; possuem comorbidades;
- Realizar o registro no prontuário do - Organizar espaço na Unidade de Saúde
usuário de todas as informações com poltronas ou macas para acomodar os
relacionadas ao atendimento, com destaque usuários para hidratação oral e/ou
para a data do início dos sintomas, endovenosa, enquanto aguardam resultado
estadiamento clínico, solicitação e de exames ou reavaliação clínica;
resultado do hemograma e demais exames - Programar retorno dos usuários
laboratoriais, manejo clínico, detalhamento estadiados como grupo A no 3º a 6º dia da
da hidratação oral e/ou endovenosa, doença, reforçando a importância do
encaminhamentos e orientações realizadas; retorno imediato se sinais de alarme;
- Promover a educação permanente e - Iniciar o manejo de usuários estadiados
continuada de todos os profissionais de como grupo B na APS, e avaliar o resultado
saúde envolvidos no atendimento aos do hemograma em até 4 horas;
usuários com suspeita ou diagnóstico de - Caso a APS não possua retaguarda para
dengue, abordando temas relevantes como resultado de hemograma em tempo
classificação de risco, estadiamento, oportuno, encaminhar o usuário para
diagnóstico clínicoepidemiológico, serviço de saúde de maior complexidade
laboratorial e diferencial, sinais de alarme, pactuado, que garanta reavaliação clínica e
manejo clínico, indicações para resultado de hematócrito em até 4 horas;
internamento e critérios de alta hospitalar; - Providenciar o encaminhamento e
- Facilitar o acesso dos profissionais de transporte sanitário adequado do usuário
saúde aos materiais e fluxos oficiais de para outros níveis de atenção;
classificação e manejo clínico da Dengue - Comunicar o serviço de saúde de
do Ministério da Saúde e da SESA PR; destino o motivo do encaminhamento, por
Participar do processo de investigação meio de comunicação direta ou contra
dos óbitos suspeitos, quando solicitado pelo referência;
município e/ou Estado, promovendo o - Monitorar diariamente a evolução do
acesso aos dados referentes ao atendimento agravo nos usuários estadiados como grupo
prestado. A e B, sem sinais de alarme, e com
resultado de exames laboratoriais normais,
2. Atenção Primária à Saúde (APS) por meio de visitas domiciliares e/ou
- Executar as ações comuns a todos os contato telefônico, e programar retorno
pontos de atenção descritas no item 1; presencial (consulta de enfermagem e/ou
- Fomentar a atuação integrada do médica);
Agente Comunitário de Saúde e Agente de
Combate de Endemias no território; Reclassificar o risco e o estadiamento
- Intensificar as ações de promoção à clínico a cada retorno, para monitorar a
saúde, reforçando os sinais e sintomas da evolução clínica do agravo;
Dengue (em sala de espera, reuniões do - Realizar a busca ativa precoce dos
Conselho Local de Saúde, entre outros); usuários que faltarem nos retornos
- Facilitar o acesso dos usuários que programados;
procurarem o serviço por demanda - Fornecer o primeiro atendimento aos
espontânea, organizando as agendas usuários estadiados como grupo C e D que
programadas, garantindo o acolhimento de procurarem a Unidade de Saúde, instituindo
casos agudos durante todo o horário de as terapêuticas iniciais (acesso venoso,
funcionamento da Unidade de Saúde; reposição volêmica, entre outras), o
180
Conhecimentos Específicos
encaminhamento e transporte sanitário enfoque nos cuidados críticos e choque
adequado para o serviço de saúde de maior hipovolêmico;
complexidade. - Seguir as recomendações de manejo
clínico descritas no Manual Dengue:
3. Unidade de Pronto Atendimento diagnóstico e manejo clínico – adulto e
(UPA), Pronto Atendimento (PA) e criança, Ministério da Saúde, 3ª edição –
Hospitais portas de entrada para casos 2016, se atentando para: - indicação de
de urgência e emergência procedimentos invasivos desnecessários,
- Executar as ações comuns a todos os que podem provocar ou agravar quadros de
pontos de atenção descritas no item 1; choque hipovolêmico;
- Organizar salas de observação com - critérios de alta hospitalar
poltronas ou macas para acomodar os (preenchimento dos 6 critérios
usuários em hidratação oral e/ou estabelecidos);
endovenosa; - Organizar os fluxos internos de
- Capacitar as equipes de saúde para o notificação de casos suspeitos ou
manejo do usuário com Dengue, com confirmados, e estabelecer contato
enfoque nos cuidados críticos e choque frequente com a vigilância epidemiológica
hipovolêmico; do município de residência do usuário para
- Seguir as recomendações de manejo comunicar evolução do quadro clínico;
clínico descritas no Manual Dengue: - Coletar amostra de Pesquisa de
diagnóstico e manejo clínico – adulto e Arbovírus – Biologia Molecular (PCR) para
criança, Ministério da Saúde, 3ª edição – todos os casos de dengue grave, conforme
2016 com atenção às indicações de orientação da Nota Técnica
internação hospitalar; nº6/2019/CVIA/LACEN/DAV;
- Comunicar de forma imediata a - Comunicar de forma imediata a
Secretaria de Saúde do município de vigilância epidemiológica do município de
residência dos usuários estadiados como residência do usuário sobre o desfecho do
grupo C e D, conforme fluxo de internamento (se alta hospitalar, unidade de
comunicação pactuado na região, internação, unidade de terapia intensiva ou
informando o desfecho do atendimento óbito);
(internação hospitalar ou óbito); - Realizar plano de alta para todos os
- Comunicar diariamente a vigilância usuários que receberem alta hospitalar,
epidemiológica dos municípios de garantindo o compartilhamento e
residência dos usuários estadiados como continuidade do cuidado na APS.
grupo A ou B com indicação de tratamento
ambulatorial, que não possuam sinais de Questão
alarme e com resultado de exames
laboratoriais normais, para monitoramento 01. Os hospitais de retaguarda para
da evolução clínica do agravo, conforme internação, deverão EXCETO:
fluxo de comunicação pactuado na região. A - Executar as ações comuns a todos os
pontos de atenção
4. Hospitais de retaguarda para B - Monitorar os usuários internados
internação com confirmação de Dengue, excluindo-se
- Executar as ações comuns a todos os os casos de suspeita;
pontos de atenção descritas no item 1; C - Capacitar as equipes de saúde para o
- Monitorar os usuários internados com manejo do usuário com Dengue, com
suspeita ou confirmação de Dengue; enfoque nos cuidados críticos e choque
- Capacitar as equipes de saúde para o hipovolêmico;
manejo do usuário com Dengue, com D- Seguir as recomendações de manejo
clínico descritas no Manual Dengue.
181
Conhecimentos Específicos
Alternativa epidêmicos e não epidêmicos 2020/2021, e
o Plano Estadual de Contingência para
01.B Epidemias de Dengue, Zika vírus e Febre
Chikungunya no Paraná, a presente nota
tem por objetivo orientar os municípios e
Nota orientativa 02/2021 do Governo do equipes de saúde em relação as atividades
Estado do Paraná sobre a Integração comuns dos ACS e ACE e atribuições
entre o Agente Comunitário de Saúde e o específicas que devem ser desempenhadas
Agente de Combate as Endemias Frente por cada categoria.
às Arboviroses.
INTEGRAÇÃO ENTRE ATENÇÃO
E VIGILÂNCIA EM SAÚDE
Nota orientativa 02/2021 do Governo do A PNAB (2017) salienta que a Atenção
Estado do Paraná sobre a Integração Básica possui como escopo as ações de
entre o Agente Comunitário de Saúde e saúde individuais, familiares e coletivas
o Agente de Combate as Endemias que envolvem atividades voltadas para
Frente às Arboviroses.13 promoção, prevenção, proteção,
diagnóstico, tratamento, reabilitação,
A Dengue é uma doença febril aguda, redução de danos, cuidados paliativos e
considerada a mais importante arbovirose vigilância em saúde, por meio de práticas
que afeta o ser humano. Provocada por um de cuidado integrado, em território
vírus do gênero Flavivírus, é transmitida definido.
pelo mosquito Aedes aegypti, seu vetor nas A PNVS (2018) também destaca o papel
Américas. A evolução clínica pode cursar da vigilância em saúde nas ações de
desde as formas oligo ou assintomáticas, até promoção, proteção, e prevenção de
com sinais de alarme ou quadros graves. doenças e agravos, bem como a inserção de
ações de vigilância em todas as instâncias e
INFORMAÇÕES GERAIS pontos da Rede de Atenção à Saúde (RAS),
mediante articulação e construção conjunta.
A Secretaria de Estado da Saúde do A integração entre a atenção e vigilância
Paraná (SESA PR) enfatiza a necessidade em saúde é a condição essencial para o
da atuação integrada das equipes de atenção alcance de resultados que atendam às
e vigilância em saúde também no combate necessidades de saúde da população,
às endemias, como forma de garantir possibilitando a articulação para a adequada
qualidade e integralidade do cuidado. identificação de problemas de saúde e
O agente comunitário de saúde (ACS) e intervenções oportunas.
o agente de combate a endemias (ACE) No âmbito da saúde, é necessário buscar
desempenham papel de relevância no a articulação sistemática da vigilância
enfrentamento da Dengue, Zika vírus e epidemiológica e
Febre Chikungunya no território, sendo entomológica com a atenção, integrando
suas atividades e atribuições definidas pela suas atividades de maneira a potencializar o
Política Nacional de Atenção Básica trabalho, evitar a duplicidade das ações,
(PNAB) e Política Nacional de Vigilância para alcançar melhores resultados, visando
em Saúde (PNVS), respectivamente. o planejamento e a implementação de
Considerando o Plano de Ação para o medidas de saúde pública, para proteção da
Enfrentamento da Dengue, Zika vírus e saúde da população, a prevenção, e controle
Febre Chikungunya– momentos
13 11/Nota%20Orientativa%20Arboviroses%20n%C2%BA%2001_2020%2
https://www.dengue.pr.gov.br/sites/dengue/arquivos_restritos/files/docum 0vers%C3%A3o1_0.pdf, visitado em: 18.11.2022.
ento/2020-
182
Conhecimentos Específicos
de riscos, agravos, e doenças, bem como a Plano de Contingência Municipal de
promoção da saúde. enfrentamento às arboviroses;
Os ACS e ACE possuem vínculo - Participar do processo de
estratégico com as famílias, o território e a territorialização e mapeamento da área de
comunidade, facilitando as ações e atuação da equipe, identificando grupos,
fortalecendo a informação e mobilização da famílias e indivíduos expostos a riscos e
população. Dessa forma, promover vulnerabilidades, podendo utilizar a reunião
integração das ações agrega esforços para o de equipe como um momento oportuno
controle de doenças e agravos à saúde, para discussão, análise, e realização do
contribuindo na articulação e adoção de diagnóstico do território, cartografia, e
estratégias intersetoriais para eliminação ou estratificação de risco;
redução dos riscos e danos. - Orientar a população de maneira geral
Destaca-se que como membros das sobre os riscos, o agente transmissor e os
equipes que atuam na Atenção Básica, o sinais e sintomas relacionados às
ACS e ACE possuem atribuições comuns a arboviroses, além de reforçar as medidas de
serem executadas, em conjunto com os prevenção individual e coletiva;
demais profissionais de saúde, entretanto, - Promover a mobilização da
devido ao fato de pertencerem a diferentes comunidade para a execução das medidas
categorias profissionais, possuem de manejo ambiental, remoção e eliminação
atribuições específicas dentro do escopo de de criadouros;
conhecimento e atuação de cada área. - Acompanhar os usuários com quadros
Importante destacar que a integração se suspeitos ou confirmados, em conjunto com
refere ao planejamento e execução conjunta a equipe de saúde, por meio de busca ativa
de ações, levando em consideração as para monitoramento da evolução do agravo
especificidades de cada categoria (visita domiciliar e contato telefônico);
profissional. Integrar, portanto, não - Durante visita domiciliar,
significa desempenhar as atribuições de preferencialmente no peridomicílio e
competência de outra categoria ou unificar acompanhado pelo morador, ao identificar
categorias profissionais que já estão possíveis criadouros do mosquito
instituídas por políticas públicas de âmbito transmissor, orientar a remoção mecânica
nacional. dos ovos (ex: lavar com escova e sabão
potes de água de animais), e na remoção
COMPETÊNCIAS DO ACS E ACE mecânica de larvas do mosquito (ex: virar
NO ENFRENTAMENTO ÀS garrafas);
ARBOVIROSES - Realizar a remoção mecânica de ovos e
larvas do mosquito e outras ações de
Considerando o exposto, as áreas manejo integrado de vetores definidas pelo
técnicas da atenção e vigilância em saúde gestor municipal (com exceção da
da SESA PR, com base na PNAB (2017), aplicação de inseticidas –
na PNVS (2018) e nas Diretrizes Nacionais adulticidas/larvicidas, que caracteriza
para a Prevenção e Controle de Epidemias atribuição específica do ACE);
de Dengue (2009) recomendam que os ACS - Em caso de verificação de local
e ACE executem ações integradas para elevado que necessite de escada para
enfrentamento das arboviroses, bem como visualização, contatar coordenação da
intensifiquem as ações referentes às dengue do município para apoio;
atribuições específicas de cada categoria. - Encaminhar os usuários com sintomas
sugestivos de Dengue, Zika vírus ou Febre
Ações integradas do ACS e ACE Chikungunya para atendimento nas
- Contribuir na elaboração, unidades de saúde, que realizarão o
desenvolvimento e implementação do acolhimento, a notificação e o manejo
183
Conhecimentos Específicos
clínico dos casos, se considerados - Comunicar ao supervisor os obstáculos
suspeitos; observados durante as visitas domiciliares
- Identificar e registrar situações de para a execução de sua rotina de trabalho;
importância epidemiológica relacionadas - Atualizar o cadastro de imóveis, por
aos fatores ambientais, acionando demais intermédio do reconhecimento geográfico,
integrantes da equipe de saúde e da gestão e o cadastro de pontos estratégicos.
municipal sobre os riscos presentes no
território; Atribuições específicas do ACS
- Preencher o Prontuário Eletrônico do - Comunicar ao enfermeiro responsável
Cidadão (PEC) ou outro sistema de e ao ACE a existência de criadouros de
prontuário utilizado pelo município, com as larvas ou dos mosquitos transmissores
atividades de visitas domiciliares realizadas identificados e realizar o registro no sistema
no território adstrito à equipe da Unidade de de informação (PEC ou outro sistema
Saúde, pelo ACS e o ACE (cadastrados e utilizado pelo município) e no Boletim
integrados nas Equipes de Atenção Diário de Campo Antivetorial;
Primária); - Informar ao enfermeiro responsável
- Realizar o preenchimento das ações de sobre os casos de verificação de criadouros
controle no Boletim Diário de Campo de difícil acesso ou que necessitem do uso
Antivetorial ou em outro documento de inseticidas – adulticidas/larvicidas;
padronizado pelo município, com o - Comunicar ao enfermeiro responsável
objetivo de alimentar o Sistema do e ao ACE os imóveis fechados e as recusas
Programa Nacional de Controle da Dengue à visita;
(SisPNCD). - Realizar visitas domiciliares e/ou
contatos telefônicos aos pacientes com
Atribuições específicas do ACE quadro suspeito ou confirmado de dengue
- Realizar a pesquisa larvária em imóveis para monitoramento da evolução do quadro
para levantamento de índices de infestação clínico e identificação de possíveis sinais de
e descobrimento de focos, bem como em alarme;
armadilhas e pontos estratégicos, conforme - Realizar visita domiciliar para os
orientação técnica; usuários que foram hospitalizados devido o
- Executar a aplicação focal química, agravamento das arboviroses, após a alta
residual e espacial, quando indicado, como hospitalar, para garantia da integralidade e
medida complementar ao controle continuidade do cuidado na APS.
mecânico, conforme orientação técnica;
- Registrar no SisPNCD os dados das RECOMENDAÇÕES PARA
fichas de campo do Programa Nacional de ATUAÇÃO ANTIVETORIAL
Controle da Dengue, de forma correta e DURANTE A PANDEMIA PELA
completa, com o objetivo de alimentar o COVID-19
sistema de informações vetoriais;
- Vistoriar e tratar os imóveis Diante do contexto epidemiológico
cadastrados e informados pelo ACS que relacionado à pandemia da COVID-19 e as
necessitem do uso de inseticidas, bem como medidas preconizadas para evitar o
vistoriar depósitos de difícil acesso contágio durante as atividades de campo e
informado pelo ACS; visitas domiciliares do ACE e ACS,
- Informar a equipe de Atenção Primária recomenda-se:
à Saúde (APS) sobre a evolução dos índices - Realizar higiene das mãos
de infestação por Aedes aegypti da área de frequentemente, com água e sabão. Se não
abrangência e as medidas que necessitarão houver água e sabão disponíveis, utilizar
ou foram adotadas para álcool em gel 70%;
contenção da proliferação; - Uso de máscaras cirúrgicas;
184
Conhecimentos Específicos
- Realizar preferencialmente visitas no para o alcance de resultados que atendam às
peridomicílio (frente, lados e fundo do necessidades de saúde da população,
quintal ou terreno); possibilitando a articulação para a adequada
- Nas ações de levantamento de índice de identificação de problemas de saúde e
infestação predial realizadas pelos ACE, intervenções oportunas.
realizar a pesquisa entomológica apenas na ( ) certo ( ) errado
área peridomiliciar;
- Evitar visitas intradomiciliares e, caso 02. São atribuições específicas do ACE,
seja necessário adentrar ao domicílio, não EXCETO:
tocar em nenhuma superfície da casa A Realizar a pesquisa larvária em
durante a visita; imóveis para levantamento de índices de
- Em todas as situações em que houver a
necessidade de tratamento do criadouro ou infestação e descobrimento de focos, bem
qualquer outra atividade no ambiente como em armadilhas e pontos estratégicos,
domiciliar (preferencialmente conforme orientação técnica;
peridomicílio), deve-se utilizar luvas B - Executar a aplicação focal biológica,
descartáveis; residual e espacial, quando indicado, como
- Atentar para o distanciamento físico de medida suplementar ao controle mecânico,
1,5 metros; conforme orientação técnica;
- Priorizar as ações de controle vetorial C - Registrar no SisPNCD os dados das
nas áreas com maior risco de transmissão de fichas de campo do Programa Nacional de
Dengue, baseadas no cenário
epidemiológico ou áreas com maior Controle da Dengue, de forma correta e
potencial de transmissão; completa, com o objetivo de alimentar o
- Manter as atividades de controle sistema de informações vetoriais;
vetorial nos pontos estratégicos e imóveis D - Vistoriar e tratar os imóveis
especiais; cadastrados e informados pelo ACS que
- Estimular autocuidado da população necessitem do uso de inseticidas, bem como
sobre as ações de remoção mecânica de vistoriar depósitos de difícil acesso
criadouros; informado pelo ACS;
- O ACE deve priorizar a realização do
bloqueio da transmissão em áreas com Alternativas
circulação viral e a análise recente de 01.certo – 02.B
indicadores epidemiológicos. Iniciar o
bloqueio com remoção prévia dos focos,
intensificação de visitas e manejo ambiental Nota orientativa 05/2021 do Governo do
e, se necessário, complementar a ação com Estado do Paraná sobre a Metodologia
aplicação de inseticida a ultra baixo volume para Avaliação da Efetividade do Uso do
Inseticida Cielo Ulv® Aplicado a
(UBV);
Ultrabaixo Volume (UBV) Acoplado a
- Observar às demais recomendações e Veículo.
notas técnicas do Ministério da Saúde e da
SESA PR que são pertinentes à atuação de
cada categoria no período de pandemia pela Nota Orientativa 05/2021 do Governo
COVID-19. do Estado do Paraná sobre a
Metodologia para Avaliação da
Questões Efetividade do Uso do Inseticida Cielo
Ulv® Aplicado a Ultrabaixo Volume
01. A integração entre a atenção e (UBV) Acoplado a Veículo.14
vigilância em saúde é a condição essencial
14 11/NO%20arboviroses%20n%C2%BA05_2021_efetividade%20Cielo.pdf
https://www.dengue.pr.gov.br/sites/dengue/arquivos_restritos/files/docum , visitado em: 18.11.2022.
ento/2021-
185
Conhecimentos Específicos
O controle das arboviroses é uma Ressalta-se que as ações de bloqueio
atividade complexa, tendo em vista os devem ser desencadeadas de forma
diversos fatores externos ao setor saúde, integrada, priorizando o controle mecânico,
que são importantes determinantes na manejo ambiental, mobilização social e
manutenção e dispersão do vetor e dos educação em saúde, ações de caráter
patógenos vinculados a ele. Para o efetivo intersetorial com envolvimento de áreas de
enfrentamento se faz necessária a ordenamento urbano, educação, meio
implementação de uma política baseada na ambiente, saneamento e fazendo uso de
intersetorialidade, de forma a envolver e instrumentos legais que obrigam a
responsabilizar os gestores e a sociedade. destinação adequada dos potenciais
Tal entendimento reforça o fundamento de criadouros, bem como auxiliem nas
que o controle vetorial é uma ação de tomadas de decisões frente a situações de
responsabilidade coletiva e que não se difícil acesso e risco iminente. Somente,
restringe apenas ao setor saúde. então, após avaliação, se ainda persistir a
confirmação de transmissão viral instalada,
INTRODUÇÃO recomenda-se a utilização de controle
químico a ultra baixo volume acoplado a
O controle do Aedes aegypti, de forma veículo.
sistemática, é baseado na redução das Ademais é fundamental o uso racional e
condições favoráveis a sua reprodução, seguro dos inseticidas nas atividades de
efetivado em uma vigilância entomológica controle vetorial, tendo em vista que o seu
ativa. Três papéis se destacam para este uso indiscriminado determina impactos
componente: o acompanhamento da ambientais, além da possibilidade de
densidade e distribuição vetorial, a seleção de insetos resistentes aos produtos.
identificação dos principais determinantes A utilização de inseticidas em saúde
da infestação e a articulação com os demais pública tem por base normas técnicas e
componentes municipais e estaduais, para operacionais oriundas de um grupo de
estabelecer ações e medidas sustentáveis a especialistas em praguicidas da
direcionar a eliminação dos potenciais Organização Mundial da Saúde (OMS), que
criadouros. preconiza os princípios ativos desses
Dentre as medidas de controle vetorial as produtos e recomenda as concentrações
atividades de rotina de campo são para vários tipos de tratamentos
mandatórias e fundamentais, sendo de disponíveis.
última escolha a complementaridade com
as ações que envolvam o uso de inseticidas, JUSTIFICATIVA
uma vez que o Aedes aegypti é um vetor O Ministério da Saúde, por meio da Nota
domiciliado. É de fundamental importância Informativa nº 103/2019, elaborou
que gestores e sociedade compreendam que recomendações para o manejo da
a utilização de equipamentos de aspersão de resistência de Aedes aegypti a inseticidas e
inseticidas tem caráter complementar às preconizou a utilização de novos princípios
demais ações, em virtude de seu alcance ativos com mecanismos de ações diferentes
limitado e do grande impacto ambiental. O dos anteriormente utilizados. Desta forma,
uso de inseticida a ultra baixo volume o adulticida Malathion até então utilizado
(UBV) de forma isolada terá ação apenas para ações de bloqueio e controle de surtos
em uma porcentagem da forma alada do e epidemias foi substituído pelo Cielo
vetor, permanecendo ovos, pupas e larvas ULV® cujas especificações técnicas são
nos criadouros não eliminados, o que abordadas na Nota Técnica nº 1/2020 –
permitirá a continuidade do ciclo de vida do CGARB/DEIDT/SVS. Visto a
inseto. complexidade desta ação e da necessidade
de integral realização das recomendações
186
Conhecimentos Específicos
prestadas, se faz necessário manter o Constitui método sensível e econômico
controle das atividades de ação de bloqueio para identificar a presença do vetor, sendo
preconizadas, averiguar os resultados da eficiente, em especial, na detecção precoce
aplicação, bem como verificar a eficácia do de infestações em áreas onde o mosquito foi
produto nas ações de controle vetorial. eliminado ou recentemente introduzido.
Além disso, é amplamente utilizada para
OBJETIVO vigilância de portos e aeroportos e tem
Avaliar a efetividade da ação de também como finalidade a avaliação do
bloqueio de transmissão a partir da impacto das aplicações espaciais a UBV.
utilização do adulticida Cielo ULV® nas As armadilhas constituem-se em
ações de controle químico vetorial. depósitos de plástico, na cor preta, com
capacidade de 500 ml, contendo uma
METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO palheta de eucatex para coletar as
Os municípios que estiverem oviposições das fêmeas. Sua inspeção é
autorizados, pelo ente Estadual, a utilização semanal, para o recolhimento das palhetas,
do adulticida Cielo ULV® aplicado por que são encaminhadas para o laboratório
equipamento de UBV acoplado a veículo, para análise, não devendo ocorrer
deverão realizar avaliação da efetividade do interrupções ou ampliações de dias de
inseticida, preferencialmente, conforme recolhimento. Sendo de fundamental
propõem este documento, com limpeza da importância o comprometimento do
área a ser tratada, e disposição de recolhimento e substituição regular dessas
armadilhas ovitrampas antes, durante e palhetas, visto que as armadilhas poderão
após a realização dos ciclos de aplicação do virar criadouros no ambiente.
adulticida Cielo ULV®. A distribuição de ovitrampas deve
Esta ação é de responsabilidade do atender a proporção mínima de uma
município, que deverá providenciar todos armadilha para cada nove quarteirões, uma
os requisitos necessários para a para cada 225 imóveis ou, ainda, a
aplicabilidade desta metodologia, ficando o instalação de armadilhas com 300 metros
estado, por meio de suas regionais de saúde, de distância entre uma e outra, seguida do
responsável pela capacitação e apoio no número de controle e devem ser colocadas
desenvolvimento desta atividade, nos casos a uma altura máxima de 1,5 metros do chão,
em que se fizerem necessários. em local abrigado da luz solar direta e não
exposta a chuvas. Toda armadilha instalada
LIMPEZA DA ÁREA A SER deve constar de listagem e ter sua
TRATADA localização indicada e georreferenciada, de
forma a ser identificada precisamente,
Antes do início dos ciclos de aplicação visando que não ocorram erros de
espacial a UBV deve-se realizar um instalação e perdas de armadilhas no
mutirão de limpeza em todo o município ou momento de recolhimento.
área definida a ser tratada de forma a
remover todos os potenciais criadouros para Esta metodologia gera dois índices
desenvolvimento da fase larval. Esta ação utilizados para estimar a infestação de
deve ser esquematizada de forma a Aedes aegypti:
envolver todos os entes da gestão municipal
responsáveis pela limpeza, manutenção e Índice de Positividade de Ovo (IPO):
sanidade local. indica a porcentagem de armadilhas
positivas.
ARMADILHAS DE OVIPOSIÇÃO
A ovitrampa é uma armadilha utilizada
para postura de ovos de mosquitos.
187
Conhecimentos Específicos
Índice de Densidade de Ovo (IDO): e Resolução SESA nº459/2014 antes do
indica o número médio de ovos por início da utilização do inseticida de
armadilha positiva. aspersão a ultra baixo volume.
ROTEIRO PARA REALIZAÇÃO
DA AVALIAÇÃO DE EFICÁCIA
PROTOCOLOS PARA Para implantação das atividades de
APLICAÇÃO DO ADULTICIDA avaliação e eficácia do uso do Cielo UVL®
CIELO ULV® deve-se seguir a seguinte cronologia de
execução:
O Cielo-ULV é um inseticida de pronto • Programar a realização de mutirão de
uso utilizado no tratamento espacial de limpeza no município ou região a ser
ambientes externos com função específica tratada de forma a eliminar o maior número
para a eliminação de Aedes aegypti e deve possível de potenciais criadouros;
ser utilizado somente para bloqueio de • Somente após a realização do mutirão
transmissão e para controle de surtos ou de limpeza, identificar e instalar as
epidemias. armadilhas de oviposição segundo a
Pelo fato da aplicação a ultra baixo metodologia preconizada e realizar os
volume ter muitas variantes e implicações, devidos registros, na área epidêmica a ser
tendo como alvo somente os insetos adultos trabalhada;
que estiverem em voo no momento da • Após a primeira vistoria das armadilhas
pulverização do inseticida e por ele instaladas, pode-se dar início ao primeiro
atingido, somado ao modo de vida ciclo de aplicação a UBV;
preferencialmente intradomiciliar do Aedes • Vistoriar todas as armadilhas de
aegypti, o que dificulta a ação do inseticida. oviposição quatro dias após a primeira
Assim como, as implicações de eficiência instalação. Fazer a retirada das palhetas,
condicionadas por inúmeros fatores, como limpeza dos recipientes e reinstalação de
o clima, as condições dos equipamentos, palheta nova. A lavagem das armadilhas
vazão, faixa efetiva de aplicação, deve ser criteriosa, pois corre o risco de
habilidade do operador, velocidade de ovos ficarem presos na armadilha. Este
aplicação, dentre outras e sabendo-se que procedimento deverá ser realizado a cada
mesmo em condições ótimas de aplicação, quatro dias até o término dos ciclos de
o inseticida a ultra baixo volume não é aplicações a UBV;
capaz de eliminar todos os insetos alados, • Após o término dos ciclos de aplicação
permanecendo, também ainda, em a UBV, as armadilhas de oviposição
criadouros não eliminados, as larvas, pupas deverão ser mantidas e vistoriadas por mais
e ovos, conservando uma população dois ciclos de forma a verificar a
residual de insetos que podem manter uma continuidade do efeito do inseticida no
transmissão sustentada. ciclo biológico do inseto;
Sendo assim, recomenda-se utilizar 3 a 5 • A cada ciclo de vistoria as palhetas
ciclos de aplicação espacial na área a ser recolhidas devem ser encaminhadas ao
tratada, com uma periodicidade específica laboratório para realização da contagem dos
de três a cinco dias com o objetivo de ovos, cálculo dos índices, formatação e
impactar as sucessivas gerações de Aedes análise dos dados obtidos;
aegypti. Se após o quinto ciclo for avaliada • As palhetas levadas ao laboratório
a necessidade de mais aplicações, devem ser armazenadas de maneira
recomendam-se mais dois ciclos. adequada a fim de evitar a predação dos
Realizar a integral leitura da Nota ovos por outros insetos.
Técnica nº 1/2020 – CGARB/DEIDT/SVS
188
Conhecimentos Específicos
• Após contagem dos ovos, caso as devidos registros, na área epidêmica a ser
palhetas venham a ser reutilizadas estas trabalhada;
dever ser higienizadas e devidamente C - Após a primeira vistoria das
escovadas, bem como deve-se realizar armadilhas instaladas, pode-se dar início ao
microscopia para certificação de que todos primeiro ciclo de aplicação a UBV;
os ovos foram eliminados. D - Vistoriar todas as armadilhas de
• Após a última vistoria, as palhetas oviposição dois dias após a primeira
devem ser encaminhadas ao laboratório e instalação. Fazer a retirada das palhetas,
todas as armadilhas recolhidas e limpeza dos recipientes e reinstalação de
higienizadas; palheta nova. A lavagem das armadilhas
• Assim que finalizada a retirada deve ser criteriosa, pois corre o risco de
definitiva das armadilhas de oviposição, ovos ficarem presos na armadilha. Este
sugere-se a realização de levantamento de procedimento deverá ser realizado a cada
índice entomológico de forma a quatro dias até o término dos ciclos de
complementar os dados coletados, e para aplicações a UBV.
orientação de ações futuras através da
comparação do índice de infestação predial 02. A ovitrampa é uma armadilha
obtido; utilizada para postura de ovos de
• Todos os dados gerados ao longo do mosquitos. Constitui método sensível e
processo devem ser analisados e econômico para identificar a presença do
condensados em forma de relatório vetor, sendo eficiente, em especial, na
mostrando todos os passos realizados de detecção precoce de infestações em áreas
forma cronológica, apontando os índices onde o mosquito foi eliminado ou
obtidos e as análises de conclusão quanto a recentemente introduzido.
metodologia aplicada, além de conter a
informações da ficha de acompanhamento ( ) certo ( ) errado
de aplicação (ANEXO I);
• Este relatório deve ser encaminhado a Alternativas
Regional de Saúde no prazo máximo de 30
dias após o fim dos ciclos de UBV e esta 01.D – 02.certo
deve submeter o mesmo de imediato a
Divisão de Doenças Transmitidas por
Vetores da SESA. Resolução SESA n° 0029/2011 do
Governo do Estado do Paraná, que dispõe
Questões das Normas Técnicas da Prevenção à
Proliferação do Mosquito Aedes Aegypti.
01. Para implantação das atividades de
avaliação e eficácia do uso do Cielo UVL®
deve-se seguir a seguinte cronologia de RESOLUÇÃO SESA Nº 0029/201115
execução, EXCETO:
A - Programar a realização de mutirão de Dispõe sobre a Norma Técnica de
limpeza no município ou região a ser Prevenção à Proliferação do mosquito
tratada de forma a eliminar o maior número Aedes aegypti, agente transmissor da
possível de potenciais criadouros; Dengue e Febre Amarela, no Estado do
B - Somente após a realização do Paraná.
mutirão de limpeza, identificar e instalar as
armadilhas de oviposição segundo a
metodologia preconizada e realizar os
15
_instumentos/Resolucao_Sesa_0029-2011.pdf, visitado em: 18.11.2022.
https://saude.mppr.mp.br/arquivos/File/dengue/novos_atos_normativos_e
189
Conhecimentos Específicos
O Secretário de Estado da Saúde no uso diretrizes para conscientizar e disciplinar a
da atribuição que lhe confere o Artigo 45, população acerca da importância de efetiva
inciso XIV, da Lei nº 8.485, de 03/06/1987, participação na prevenção, no combate e na
considerando os termos dos Artigos 15, erradicação do mosquito causador da
incisos XVI e XX, Artigo 18, incisos IV e dengue;
VI, da Lei Federal nº 8080/1990 e da Lei
Federal nº 6437/1977; Artigo 12º, incisos Considerando a Lei Federal 6437, de 20
XII e XIII, Artigo 32, inciso II, Artigos 37, de agosto de 1977, que configura as
45, 47 e 63 da Lei Estadual nº 13.331/2001, infrações à legislação sanitária federal,
Artigos 10, 11, 15, inciso II, item D, 91, 92, estabelece as sanções respectivas;
156, incisos I e II, 261,
262, incisos I e IV, 263, 301, 317, 320, Considerando que o Plano Emergencial
321, 322, 324, § 2º, 328, 363 e 543, incisos de Controle da Dengue prevê a edição da
XXVIII, XLIII, XLIV e XLVII do Decreto Norma Técnica de Prevenção à Proliferação
5.711/2002, e do Mosquito Aedes aegypti – transmissor
da Dengue e Febre Amarela, tornando
Considerando que a dengue é um dos obrigatória a elaboração de um Plano de
principais problemas de saúde pública no Gerenciamento para Prevenção e Controle
mundo, no Brasil e no Paraná; da Dengue – PGPCD;
Considerando que a Secretaria de Estado RESOLVE
da Saúde vem desenvolvendo, em 2011,
ações de combate ao mosquito Aedes Artigo 1º - Aprovar a Norma Técnica
aegypti em caráter emergencial; para Prevenção à Proliferação do mosquito
Aedes aegypti, constante do Anexo I, parte
Considerando que o mosquito Aedes integrante da presente resolução.
aegypti encontrou no meio urbano
condições favoráveis para uma rápida Artigo 2º - Os estabelecimentos e locais
expansão, devido às condições de objetos da presente Norma deverão
deficiência de limpeza, armazenamento e adequar-se ao disposto no Anexo I.
intensa utilização de material recicláveis e
não-biodegradável; Artigo 3º - Ficam os proprietários e/ou
responsáveis de estabelecimentos públicos
Considerando a necessidade de fomentar ou privados, comerciais e/ou industriais,
mudanças de comportamento da população, citados na Norma Técnica, obrigados a
responsabilizando-a pela adoção de apresentar um Plano de Gerenciamento
medidas preventivas para evitar a para Prevenção e Controle da Dengue -
proliferação do Aedes aegypti; PGPCD quando solicitado pela autoridade
sanitária local, conforme termo de
Considerando a necessidade de adotar referência constante do Anexo II.
mecanismos que contribuam efetivamente
na redução do número de potenciais Artigo 4º - Os proprietários ou
criadouros do mosquito Aedes aegypti; responsáveis dos estabelecimentos citados
na Norma Técnica, Anexo II da presente
Considerando a gravidade da doença, resolução, devem realizar ações de
causando grande debilidade física por sensibilização e educação ambiental aos
semanas podendo levar a óbito; seus funcionários com o objetivo de
contribuir no processo de prevenção e
Considerando a Lei Estadual nº 16.050 controle da proliferação do mosquito Aedes
de 19 de fevereiro de 2009, que estabelece aegypti.
190
Conhecimentos Específicos
Artigo 5º - A inobservância ou 1. Alcance
desobediência ao disposto na presente 1.1. Objetivo
resolução configura infração de natureza Estabelecer critérios para o combate,
sanitária na forma da Lei Federal nº controle e monitoramento do agente
6437/1977, artigo 10, incisos VII, X, transmissor da Dengue e Febre Amarela,
XXIV, XXIX e XXXI e do Decreto mosquito Aedes aegypti, a fim de garantir
Estadual nº 5.711 de 2002, sujeitando o as condições de saúde e qualidade de vida
infrator às penalidades previstas no seu da população.
Artigo 532.
1.2. Âmbito de aplicação
Artigo 6º - Considera-se Infração Esta norma se aplica aos proprietários,
Sanitária, além das previstas na legislação, locatários, imobiliárias, ou responsáveis
as seguintes: das seguintes empresas ou
I. Obstar ou dificultar a ação estabelecimentos:
fiscalizadora das autoridades sanitárias • Imóveis particulares, comerciais e
competentes, no exercício de suas funções, ou industriais;
em relação ao controle da proliferação do • Terrenos baldios;
mosquito Aedes aegypti; • Laminadoras de pneus, postos de
II. Inobservância, por parte do recebimento de pneumáticos e borracharias
proprietário ou de quem detenha posse, de e qualquer outro empreendimento que
exigência sanitária relativa a imóvel ou armazene e/ou comercialize pneumáticos;
equipamento para o controle da • Depósitos de material em geral,
proliferação do mosquito Aedes aegypti; inclusive material reciclável e de
III. Transgredir qualquer norma legal ou construção, comércios de ferro-velho e
regulamentar destinada à promoção, sucatas, empresas de veículos sinistrados,
proteção e recuperação da saúde em relação leilões de carros e peças, empresas
ao controle da proliferação do mosquito fabricantes e instaladoras de calhas, e
Aedes aegypti; comércios similares;
IV. Não adotar medidas preventivas de • Empreiteiras de construção civil;
controle ou favorecer as condições para • Empresas de transporte de
proliferação de vetores de interesse à saúde passageiros e cargas, garagens e
pública, especialmente o mosquito Aedes estacionamento de veículos;
aegypti. • Matadouros e curtumes;
• Cemitérios;
Artigo 7º - Esta resolução entrará em • Floricultura e paisagismo;
vigor na data de sua publicação. • Outros estabelecimentos públicos
ou privados a critério da autoridade
Curitiba - Paraná, em 18 de fevereiro sanitária de interesse em relação ao controle
de 2011. da proliferação do mosquito Aedes aegypti;
Michele Caputo Neto
Secretário de Estado da Saúde 2. Definições
Para efeito desta norma considera-se:
• Aedes aegypti – é uma espécie de
Anexo I mosquito responsável pela transmissão do
Norma Técnica de Prevenção à vírus da Dengue e da Febre Amarela
Proliferação do mosquito Aedes aegypti Urbana.
- Agente transmissor da Dengue e Febre • Acondicionamento – guardar em
Amarela, no Estado do Paraná. lugar ou em condições adequadas.
191
Conhecimentos Específicos
• Coleções hídricas – acúmulo de 3.2 Conservar as caixas d’água e
água potável ou não em determinado depósitos de água vedados de forma a
local/recipiente. impedir o acesso do mosquito;
• Criadouros – locais com água, 3.3 Manter em imóveis desocupados, os
utilizado por insetos para sua reprodução. vasos sanitários e ralos vedados, bem como,
• Croqui – esboço a mão de desenho, piscinas, espelhos d’água, fontes,
pintura, planta, projeto arquitetônico. chafarizes e piscinas permanentemente
• Educação Ambiental - processos esvaziados;
por meio dos quais o indivíduo e a 3.4 Manter piscinas em uso, chafariz,
coletividade constroem valores sociais, espelhos de água, fontes ornamentais e
conhecimentos, habilidades, atitudes e afins com as bordas escovadas
competências voltadas para a conservação semanalmente e a água das piscinas tratada
do meio ambiente, é um bem de uso comum de acordo com as normas técnicas vigentes;
do povo, essencial à sadia qualidade de vida 3.5 Conservar lajes, toldos, calhas,
e sua sustentabilidade. canaletas, ducto de drenagem, pias e
• Endemia - é uma doença que ocorre tanques e afins desobstruídos e mantidos
em determinada incidência e se restringe a com inclinação suficiente para o total
um determinado local/cidade. escoamento de água;
• Estadia – permanência por tempo 3.6 Eliminar quaisquer recipientes e
limitado. estruturas que possam servir de criadouros
• Manejo – cuidado com os para o Aedes aegypti.
criadouros existentes no local.
• Periodicidade – que ocorre em 4. Aos proprietários de terrenos
intervalos regulares. baldios compete:
• Pneumáticos – pneu e derivados. 4.1 Manter o terreno livre de entulhos,
• Prevenção – conjunto de medidas pneus, caliça, lixo e outros objetos que
que visam evitar algo. possam reter água e servir de criadouro para
• Proliferação – multiplicar, o mosquito Aedes aegypti;
reproduzir. 4.2. Realizar drenagem, quando
• Segregação – separação. necessário para evitar acúmulo de água;
• Sensibilização – tornar sensível à 4.3. Conservar os terrenos limpos e
ação. capinados;
• Sucatas – ferro-velho, sobras, coisa 4.4 Eliminar quaisquer recipientes e
imprestável ou sem importância. estruturas que possam servir de criadouros
• Triagem – separação, seleção, para o Aedes aegypti.
escolha.
• Veículos sinistrados – veículos 5. Aos comerciantes e proprietários de
batidos, danificados, que estão sob seguro. estabelecimentos prestadores de serviços
nos ramos de laminadoras de pneus, postos
3. Aos proprietários, locatários, de recebimento de pneumáticos e
imobiliárias ou responsáveis por imóveis borracharias e qualquer outro
particulares, comerciais e industriais, empreendimento que armazene e/ou
compete: comercialize pneumáticos compete:
3.1 Manter os imóveis 5.1. Manter os pneus secos e abrigados
permanentemente isentos de coleções da chuva;
hídricas em pneus, latas, plásticos, vasos, 5.1.1 O material utilizado para
plantas e outros objetos, recipientes e abrigar os pneus deve estar integro ser
estruturas que possam servir de criadouro resistente a intempéries e disposto de forma
do mosquito Aedes aegypti; a não propiciar retenção de água;
192
Conhecimentos Específicos
5.2 Encaminhar os resíduos de 7. Aos industriais, proprietários,
pneumáticos gerados em seus empreiteiras de construção civil,
estabelecimentos, a postos de recebimento engenheiros responsáveis técnicos de
para que sejam encaminhados ao destino construções e afins, além dos dispostos no
final; item 6 compete ainda:
5.3 Manter documentação de destino 7.1 Manter o canteiro de obras
final dos materiais arquivado no organizado de modo que objetos,
estabelecimento, para pronta consulta, recipientes e estruturas não acumulem água
pelas autoridades sanitárias; em sua superfície ou interior e possam
5.4 Implantar estratégias de prevenção, servir de criadouro do mosquito Aedes
controle e monitoramento do mosquito aegypti;
Aedes aegypti; 7.2 Promover o devido nivelamento de
5.5 Eliminar quaisquer recipientes e construções ou estruturas, de modo a evitar
estruturas que possam servir de criadouros acúmulo de água em sua superfície;
para o Aedes aegypti. 7.3 Manter drenagem do terreno, bem
como pisos, porões, calçamentos, diques de
6. Aos industriais, comerciantes e garagem e esgoto limpos para evitar
proprietários de estabelecimentos acúmulo de água;
prestadores de serviços nos ramos, 7.4 Manter todos os elementos
depósitos de material em geral, inclusive construtivos e decorativos de forma a não
material de construção, comércios de ferro- permitir a estagnação de água;
velho, sucatas, empresas de veículos 7.5 Manter as condições exigidas nos
sinistrados, leilões de carros e peças, incisos I, II, III e IV mesmo em obras
empresas fabricantes e instaladoras de interrompidas por qualquer natureza;
calhas, e comércios similares, além do 7.6 Implantar estratégias de prevenção,
disposto no item 5, compete ainda: controle e monitoramento do mosquito
6.1 Manter seco e/ou preferencialmente Aedes aegypti;
abrigado da chuva qualquer material 7.7 Eliminar quaisquer recipientes e
passível de acumulação de água; estruturas que possam servir de criadouros
6.2 Manter os materiais existentes em para o Aedes aegypti.
seu estabelecimento dispostos de forma a
evitar o acúmulo hídrico durante todo o 8. Aos proprietários e prestadores de
tempo de estadia destes no local; serviços de transporte de passageiros e
6.3 Armazenar/acondicionar os cargas, garagens e estacionamento de
materiais em locais apropriados de maneira veículos compete:
a facilitar a vistoria pelos funcionários da 8.1 Manter cobertura das cargas
manutenção, dos agentes de endemias e íntegras e dispostas de forma a evitar a
autoridades sanitárias, sem prejudicar o formação de coleções hídricas;
andamento das atividades do 8.2 Após as paradas nas diversas
empreendimento; localidades, cidades ou estradas,
6.4 Implantar estratégias de prevenção, inspecionar interior do veículo e outros
controle e monitoramento do mosquito compartimentos que possam abrigar o
Aedes aegypti; mosquito adulto e promover sua
6.5 Manter documentação de origem e eliminação;
destino dos materiais arquivado no 8.3 Manter outros recipientes
estabelecimento, para pronta consulta, protegidos e dispostos de forma a evitar o
pelas autoridades sanitárias; acúmulo de água;
6.6 Eliminar quaisquer recipientes e 8.4 Implantar estratégias de prevenção,
estruturas que possam servir de criadouros controle e monitoramento do mosquito
para o Aedes aegypti. Aedes aegypti;
193
Conhecimentos Específicos
8.5 Eliminar quaisquer recipientes e similares, conforme normas estabelecidas
estruturas que possam servir de criadouros pelo Ministério da Saúde;
para o Aedes aegypti. 11.2 Promover atividades de
mobilização da sociedade em geral sobre a
9. À administração dos cemitérios prevenção da Dengue e Febre Amarela,
compete: além de divulgação por meio de cartazes,
9.1 Manter permanentemente vasos de folhetos e outros materiais educativos
flores, recipientes e estruturas livres da referentes a cuidados a serem tomados no
possibilidade de acúmulo de água em todo combate às referidas doenças.
o cemitério;
9.2 Dispor de estratégias para orientar 12. Os proprietários e/ou responsáveis
proprietários, visitantes e funcionários de estabelecimentos públicos ou privados,
sobre os cuidados a serem tomados na comerciais e/ou industriais citados na
prevenção da Dengue, especialmente sobre presente norma devem apresentar o Plano
a proibição de vasos com água nos túmulos de Gerenciamento para Prevenção e
e jazigos; Controle da Dengue - PGPCG quando
9.3 Implantar estratégias de prevenção, solicitado pela autoridade sanitária local,
controle e monitoramento do mosquito conforme disposto no anexo nº 02.
Aedes aegypti;
9.4 Eliminar quaisquer recipientes e 13. Os proprietários dos
estruturas que possam servir de criadouros estabelecimentos citados na presente norma
para o Aedes aegypti. técnica devem realizar ações de
sensibilização e educação ambiental aos
10. Aos comerciantes e proprietários de seus funcionários com o objetivo de
estabelecimentos nos ramos de floricultura contribuir no processo de prevenção e
e paisagismo compete: controle da proliferação do mosquito,
10.1 Manter permanentemente vasos de Aedes aegypti no município, mantendo
flores, bromélias, recipientes e estruturas registro atualizado dos treinamentos
físicas livres da possibilidade de acúmulo realizados no qual conste lista de presença
de água; dos funcionários envolvidos.
10.2 Dispor de estratégias para orientar
os clientes sobre os cuidados a serem 14. Os produtos e processos utilizados
tomados para prevenção e controle da no combate ao Aedes aegypti deverão
proliferação do mosquito Aedes aegypti; obedecer às normas de segurança vigentes
10.3 Implantar estratégias de prevenção, de proteção ao meio ambiente, água de
controle e monitoramento do mosquito abastecimento e alimentos “in natura” não
Aedes aegypti; expondo a população a riscos de saúde.
10.4 Eliminar quaisquer recipientes e
estruturas que possam servir de criadouros Anexo II
para o Aedes aegypti. TERMO DE REFERÊNCIA PARA
ELABORAÇÃO DO PLANO DE
11. Compete a Secretaria Municipal de GERENCIAMENTO PARA
Saúde, através de seus setores competentes: PREVENÇÃO E CONTROLE DA
11.1 Realizar inspeções rotineiras em DENGUE (PGPCD) NO ESTADO DO
todo o município para a eliminação do ciclo PARANÁ.
de desenvolvimento do vetor e o
levantamento de índice de infestação do Este Termo de Referência tem como
mesmo, nos domicílios, propriedades e finalidade orientar os responsáveis pelos
estabelecimentos comerciais, industriais e estabelecimentos, cuja atividade propicia
condições ambientais favoráveis para a
194
Conhecimentos Específicos
proliferação do mosquito Aedes aegypti, na potenciais criadouros do mosquito Aedes
elaboração do Plano de Gerenciamento para aegypti.
Prevenção e Controle da Dengue (PGPCD)
no Estado do Paraná. Os proprietários são responsáveis pelo
gerenciamento dos materiais existentes em
A obrigatoriedade de elaboração do seu estabelecimento e deverão realizar o
Plano de Gerenciamento de Prevenção e manejo adequado do ambiente e materiais
Controle da Dengue foi instituída por meio estabelecendo rotinas e procedimentos para
da Resolução SESA nº 029/2011. a eliminação de potenciais criadouros do
mosquito Aedes aegypti.
A Resolução SESA nº 029/2011
estabelece a elaboração do Plano de Conteúdo: No PGPCD deverão constar
Gerenciamento como forma de melhorar o os seguintes itens:
processo de prevenção e controle da dengue 1. Identificação do Empreendedor
no Estado do Paraná. Pessoa Jurídica:
• Razão Social
O Plano de Gerenciamento se apresenta • Nome Fantasia
em formato de formulário simplificado • Endereço Completo
específico dirigido aos estabelecimentos • CNPJ
citados no item 1.2 do Anexo I. • Alvará
• Responsável Legal pela Empresa
Este formulário estará disponível na (nome, CPF, telefone, fax e e-mail)
página do Estado do Paraná,
www.dengue.pr.gov.br e Pessoa Física:
www.saude.pr.gov.br/. • Nome
• Endereço Completo
O empreendedor deverá protocolar o • CPF
documento nas Secretarias Municipais da • Documento de Identidade
Saúde, quando do início das atividades de • Telefone
funcionamento (alvará), reforma, • e-mail
ampliação, ou havendo alteração no •
referido plano ou a qualquer momento Responsável pela Elaboração e
quando solicitado pela autoridade sanitária Implementação do PGPCD:
competente. • Nome
• Endereço Completo
Objetivo: • Telefone/Fax / e-mail
Prover diretrizes aos responsáveis desses 2. Caracterizações do
estabelecimentos para a elaboração do Empreendimento
PGPCD, contribuindo para a redução do • Localização: endereço completo e
risco de proliferação do mosquito Aedes indicação fiscal
aegypti no Município. • Descrição sucinta das instalações
físicas
O PGPCD deve descrever a • Apresentar um croqui da área total
caracterização, a segregação, o do imóvel especificando:
armazenamento, o acondicionamento, o - Identificação dos diversos ambientes
transporte e a destinação final dos materiais existentes;
recebidos, armazenados e/ ou - Metragem de área coberta e descoberta;
comercializados por esses - Identificar as áreas de recebimento,
estabelecimentos, e/ou o manejo dos armazenamento;
195
Conhecimentos Específicos
- Manipulação, expedição; 7. Cronograma de implementação: O
- Descrição sucinta da atividade PGPCD deverá ser apresentado um
desenvolvida; cronograma de implantação e
- Relação de material trabalhado; implementação do PGPCD.
- Número total de trabalhadores,
incluindo diaristas e terceirizados.
3. Rotinas e procedimentos:
3.1 Procedência dos materiais: O
responsável deverá descrever o local
(município, estado) de origem e/ou
procedência dos materiais adquiridos.
3.2 Triagem de materiais: O
responsável deverá descrever os
procedimentos quanto à
segregação/separação dos materiais a partir
do recebimento dos mesmos.
3.3 Acondicionamento/armazenagem
dos materiais: O responsável deverá
informar os procedimentos adotados para
acondicionamento dos materiais, citando o
tempo médio de permanência no
estabelecimento, desde o recebimento até a
destinação final.
3. Prevenção e manejo dos potenciais
criadouros do mosquito Aedes aegypti: No
PGPCD o responsável deverá relacionar e
descrever os procedimentos para a
prevenção, tratamento e manejo dos
potenciais criadouros, bem como informar
a periodicidade de aplicação dos
procedimentos adotados. OBS: É vedado o
uso de produtos químicos para combate ao
mosquito, salvo em situações de solicitação
da autoridade sanitária local.
4. Destinação Final: No PGPCD o
responsável deverá informar a destinação
final para cada tipo de material e manter
documentação comprobatória arquivada no
estabelecimento para pronta consulta pelas
autoridades sanitárias.
6. Plano de Capacitação: No PGPCD o
responsável deverá descrever as ações de
sensibilização e educação ambiental para os
trabalhadores que tenham o objetivo de
contribuir no processo prevenção e controle
do mosquito, Aedes aegypti.
196
Conhecimentos Específicos
• considerando o disposto na Nota
Técnica nº 013/2009 CGPNCD/MS, de
13.01.2009;
• considerando o disposto na Nota
Técnica nº 041/2006 CGPNCD/MS, de
19.05.2006;
• considerando o disposto na Nota
Técnica nº 118/2010 CGPNCD/MS;
• considerando o disposto no art. 2º, 21 e
25, Parágrafo Único da Portaria nº
1.399/MS, de 15.12.1999 e suas alterações
posteriores, que atribuiu aos Estados a
gestão do componente estadual do Sistema
Resolução SESA n° 0459/2014 do Nacional de Vigilância Epidemiológica e
Governo do Estado do Paraná, que dispõe Ambiental em Saúde e descentralizou, da
sobre os critérios técnicos para utilização Fundação Nacional de Saúde FUNASA
do equipamento de Ultrabaixo Volume para o Estado, a execução das ações de
acoplado a veículo (UBV pesado).
epidemiologia e controle de doenças
transmitidas por vetores;
• considerando a disponibilidade das
RESOLUÇÃO SESA Nº 0459/2014 instalações, equipamentos e recursos
humanos da FUNASA e a necessidade de
serem compatibilizados com a estrutura do
Dispõe sobre a reestruturação da Central Nível Central do gestor estadual para a
de Apoio Logístico de Insumos e garantia da continuidade do funcionamento
Equipamentos no Estado do Paraná e das atividades até então desenvolvidas pelo
estabelece critérios técnicos para utilização órgão;
do equipamento de Ultra Baixo Volume • considerando a recomendação do
acoplado a veículo (UBV pesado), bem Ministério da Saúde acerca da necessidade
como normatiza os modelos documentais a de organizar estruturas específicas capazes
serem utilizados. de realizar todas as atividades de
responsabilidade do gestor estadual de
O SECRETÁRIO DE ESTADO DA forma integrada, evitando-se a separação
SAÚDE, no uso de suas atribuições legais entre atividades de vigilância
que lhe confere o art. 45, Inciso XIV, da Lei epidemiológica, vigilância ambiental em
nº 8.485, de 03.06.1987 e, considerando o saúde e operações de controle de doenças;
disposto no art. 17, inciso IV, alínea “a” e • considerando a necessidade de serem
“b” da Lei Federal nº 8.080, de 19.09.1990; estabelecidas diretrizes para a estruturação,
• considerando o disposto na Nota implementação e a normatização das ações
Técnica nº 109/2010 CGPNCD/MS, de de controle seletivo de vetores no Estado do
31.08.2010; Paraná,
• considerando o disposto na Portaria nº
2142/GM, de 09.10.2008; RESOLVE:
• considerando o disposto na Nota Art. 1º - Estabelecer na
Técnica nº 074/2006 CGPNCD/MS; Superintendência de Vigilância em Saúde
• considerando o disposto na Portaria nº (SVS), Centro de Vigilância Ambiental
1172/GM, de 15.06.2004; (CEVA), Divisão de Doenças Transmitidas
• considerando o disposto na Nota por Vetores (DVDTV), a Central de Apoio
Técnica nº 032/2011 CGPNCD/MS, de Logístico de Insumos e
fevereiro de 2011; Equipamentos/Maringá (CALI), que passa
197
Conhecimentos Específicos
a ser denominada como Seção de Apoio Art. 7º - Serão atribuições do
Logístico de Insumos e Equipamentos coordenador técnico da SCALI, observados
(SCALI). os incisos I a V do artigo 2º desta resolução,
Parágrafo único: A seção de Apoio bem como a legislação vigente e pertinente:
Logístico de Insumos e Equipamentos I. Planejamento, execução, avaliação e
(SCALI) fica subordinada monitoramento do processo de trabalho;
administrativamente a 15ª Regional de II. O estabelecimento de objetivos,
Saúde. responsabilidades, metas e resultados, para
monitorar os procedimentos de uso
Art. 2º - Serão atribuições da Seção de adequado de inseticidas e larvicidas, em
Apoio Logístico de Insumos e conjunto com as regionais de saúde;
Equipamentos (SCALI): III. Orientação e fiscalização do fluxo
I. Controle do estoque de insumos pelo reverso dos resíduos de insumos e
SIES (Sistema de Informação de Insumos embalagens enviados as Regionais de
estratégicos), bem como a rede de logística Saúde para sua destinação final;
da sua distribuição às regionais de saúde do
estado, o recolhimento dos insumos Art. 8º - A vinculação técnica da SCALI
vencidos e embalagens vazias, para a será na DVDTV, respeitadas as demais
destinação final adequada; disposições desta resolução e as normas
II. Guarda e manutenção dos legais vigentes.
equipamentos, veículos e materiais de uso
da SCALI; Art. 9º - Esta resolução contém os
III. Assessoria técnica, supervisão seguintes anexos:
(anexo IV), orientação e acompanhamento • Anexo I – “Normas Técnicas
em conjunto com as Regionais de Saúde nas Obrigatórias para Utilização de
operações que envolvam a utilização dos equipamento UBV Acoplado a Veículo”;
insumos e equipamentos; • Anexo II – “Termo de Solicitação de
IV. Realização de treinamentos e Uso de equipamento UBV Pesado
capacitações em conjunto com as regionais Acoplado a Veículo”.
de saúde na utilização de insumos e • Anexo III – “Inquérito Semestral sobre
equipamentos leves e pesados no controle a Situação da Utilização de Inseticidas e
de vetores; Larvicidas no Combate a Dengue”.
V. Avaliação e aferição de espectro de • Anexo IV – Roteiro de supervisão de
gotas dos equipamentos de Ultra Baixo ações de aplicação espacial a ultra-baixo-
Volume Acoplado (Fumace). volume com equipamentos acoplado a
veículos.
Art. 3º - Implantar as ações previstas no Parágrafo único: Os anexos previstos
programa de prevenção de riscos neste artigo são partes integrantes e
ambientais – PPRA. indissolúveis da mesma, e o seu
Art. 4º - Submeter os funcionários aos descumprimento, na sua integralidade ou
exames médicos previstos no PCMSO. nas suas partes, implica no não
cumprimento desta resolução.
Art. 5º - Estabelecer os procedimentos
operacionais padrão (POPs) das atividades Art. 10 - Esta resolução entrará em vigor
realizadas; a partir da data de sua publicação, sendo
revogadas as disposições em contrário.
Art. 6º - Instituir coordenação técnica a Dispositivos complementares poderão ser
ser indicado pela DVDTV/CEVA/SVS. apensados, estudadas as condições futuras,
e mediante estudo técnico.
198
Conhecimentos Específicos
Art. 11 - Esta Resolução revoga a II. Toda operação de UBV pesado deve
Resolução SESA nº 546/2012, publicada no ser precedida e/ou complementada
Diário Oficial do Estado DOE n° 8843, de concomitantemente por operações de UBV
22 de novembro de 2012. costal leve;
III. O operador deve ser capacitado em
Curitiba, 18 de junho de 2014. curso de operador de UBV pesado e com
Michele Caputo Neto atualização no mínimo a cada 5 anos;
Secretário de Estado da Saúde IV. Por se tratar de veículo oficial do
Estado, o condutor deverá ter vínculo com
ANEXO I – RESOLUÇÃO SESA N° a Secretaria de Estado da Saúde e carteira
459/2014 de habitação válida.
NORMAS TÉCNICAS V. A solicitação pelo município da
OBRIGATÓRIAS PARA aplicação técnica de UBV Pesado – Ultra
UTILIZAÇÃO DE ULTRA Baixo Volume acoplado a veículo
BAIXO VOLUME ACOPLADO A (Fumacê) deverá ser remetida à Regional de
VEICULO (UBV PESADO) Saúde que encaminhará imediatamente,
Considerando que: com o devido parecer, favorável ou
- As Notas Técnicas nº 41/2006 e nº contrário, baseado em análise técnica à
109/2010 CGPNCD/DIGES/SVS/MS, Divisão de Doenças Transmitidas por
apontam que a ocorrência de surtos de Vetores da Secretaria de Estado da Saúde
dengue normalmente indicam falhas nas do Paraná via fax ou digitalizada
ações básicas de rotina e necessidade de ([email protected]), e posteriormente
reavaliação perante o surto; o documento original;
- O emprego de UBV pesado deve ser VI. A autorização da utilização de UBV
considerado como medida sempre Pesado – Ultra Baixo Volume acoplado a
complementar às ações de bloqueio de veículo (Fumacê) fica condicionada ao
casos com eliminação de criadouros, envio do Termo de Compromisso assinado
mobilização da população, limpeza pública pelo Prefeito e Secretário Municipal de
e saneamento urbano ou para controle Saúde, documento este a ser remetido ao
vetorial em condições de circulação viral Ministério Público, conforme modelo;
com alto índice de infestação predial; VII. Que a operação de equipamentos de
- As atividades de campo na rotina são UBV acoplado a veículos deverá ser
mandatórias e fundamentais, pois a executada por profissionais capacitados,
aplicação de inseticidas através de UBV cuja formação tenha conteúdo
tem ação apenas sobre pequena programático analisado e autorizado pela
percentagem da forma alada do vetor e Divisão de Doenças Transmitidas por
novos mosquitos continuam emergindo dos Vetores da SESA;
criadouros existentes, de forma continuada VIII. Fica a cargo da Secretaria de
e exponencial. Estado da Saúde (SESA) por intermédio da
Fica então estabelecido: SVS/CEVA/DVDTV definir os recursos
I. Que toda e qualquer operação com humanos que operacionalizarão os
UBV acoplado a veículos deverá ser equipamentos e a quantidade de veículos
AUTORIZADA, obedecidos os ritos necessários para a execução das ações;
administrativos de praxe, pela Secretaria de IX. Que os operadores dos veículos de
Estado da Saúde (SESA) por intermédio da UBV Pesado em seus processos de trabalho
DVDTV/CEVA/SVS, sendo o deverão cumprir, as normas de segurança
descumprimento desta resolução fator de no trabalho previstas na legislação vigente,
notificação imediata ao Ministério Público utilizandose dos EPIS e uniformes para sua
do Estado; execução e de acordo com os POPs
estabelecidos;
199
Conhecimentos Específicos
X. O Ciclo de Aplicação de UBV Pesado 1.3. A verificação do aumento de
– Ultra Baixo Volume acoplado a veículo número de casos suspeitos nas últimas
(Fumacê) terá como intervalo de aplicação semanas caracterizando verticalização da
ideal o preconizado pelo Ministério da curva de notificados;
Saúde, e a quantidade de ciclos a serem 1.4. A verificação do aumento de
realizados no município irá depender da número de casos confirmados nas últimas
análise da curva epidemiológica e dados semanas caracterizando verticalização da
entomológicos em intervalos de análise curva de confirmados e seu coeficiente de
seguindo os critérios definidos nas incidência;
diretrizes norteadoras do processo de 1.5. A distribuição espacial e temporal
trabalho; dos casos notificados e confirmados;
XI. Que as solicitações para aplicação de 1.6. O perfil de isolamento viral
UBV acoplado a veículos autorizadas ou circulante no município, região ou estado;
negadas, serão noticiadas ao Ministério 1.7. Outros fatores que possam ser
Público Estadual através do Comitê Gestor relevantes para a situação identificada
Intersetorial para o Controle da Dengue; mediante relatório técnico que justifique a
XII. Que a Secretaria de Estado da necessidade;
Saúde, em seus níveis (Central e Regional), 2. Análise Entomológica:
realizará acompanhamento e 2.1 Frequência de infestação anual, por
monitoramento das atividades de aplicação ciclo de trabalho da localidade em questão,
de inseticidas a UBV acoplado a veículos, com análise dos relatórios, sendo facultada
com supervisão pontual, bem como à SESA, a conferência in loco dos índices
também das atividades de rotina que devem fornecidos.
ser realizadas concomitantemente; 2.2 O Índice de Infestação Predial – IIP
XIII. Que a Secretaria de Estado da do município, das localidades e na
Saúde, através das equipes Central e da abrangência do raio de bloqueio de casos,
Regional de Saúde, realizará auditorias em considerando a realidade atual mediante
todas as etapas de controle segundo a sua verificação “in loco” pela equipe técnica da
conveniência, concepção e/ou relatório Regional de Saúde;
técnicos; XVI. Que serão condicionantes para as
XIV. Que, em hipótese alguma, os atividades de UBV pesado nos municípios:
veículos destinados às ações de bloqueio 1. Obrigação da veiculação prévia
poderão ser utilizados para outros fins através dos diversos meios de comunicação
diversos da sua finalidade principal; presentes e utilizáveis no município, da
XV. Que objetivando o uso racional de passagem da UBV nos locais de operação
UBV acoplado a veículos nos municípios informando que:
com vistas a um menor impacto ambiental 1.2. O veículo não trafega em condições
e proteção da população, a Secretaria de climáticas desfavoráveis como chuva,
Estado da Saúde, através da garoa, neblina, ventos acima de 6 km/h,
DVDTV/CEVA/SVS, utilizará dos dentre outras, obedecida a concepção
critérios técnicos elencados abaixo, para técnica do operador qualificado;
liberação das operações, levando em 1.3. Há a necessidade de proteção eficaz
consideração a análise individual de cada das pessoas com problemas alérgicos,
caso: respiratórios, em situação de saúde
1. Análise Epidemiológica: precária, crianças, idosos, gestantes,
1.1. Alteração do comportamento animais domésticos, assim como veículos
histórico-epidemiológico de casos ou outros objetos que possam ter sua
notificados; cobertura danificada pela ação do veneno;
1.2. Média histórica dos casos Entende-se por “proteção eficaz” toda
autóctones; proteção necessária para produzir os efeitos
200
Conhecimentos Específicos
desejáveis, prevista em normas, ou dispositivos legais que obrigam qualquer
produzida de forma a atender demandas estabelecimento a dar destino adequado a
surgidas no momento, de forma a garantir o resíduo, embalagens e pneus, dentre outros.
resguardo da população, considerando o Sendo assim, será feita a análise situacional
inciso X do Anexo I desta resolução, das condições que levaram à utilização de
ficando a cargo do órgão solicitante da UBV e através de relatório circunstanciado
aplicação de UBV o cumprimento das será noticiado ao Ministério Público do
medidas que se fizerem necessárias. Estado que, por meio de Termo de Ajuste
1.4. Há necessidade de serem abertas de Metas com os municípios, poderá atuar
janelas e portas para que o inseticida possa na fiscalização conjunta das ações, sem o
entrar nos imóveis, obedecidos e orientados prejuízo de suas outras ações previstas na
todos os meios de proteção da população. Constituição Federal.
2. Verificar junto a hospitais, serviços de XIX. Nos municípios onde não houver
saúde e locais de atendimento da população indicação para utilização de UBV Pesado-
em geral quais os melhores horários para a Ultra Baixo Volume Acoplado a Veículo
passagem dos veículos, obedecidos e (Fumacê) diante da análise técnica, deverão
respeitados os períodos para a aplicação do intensificar todos os mecanismos de
veneno. controle preconizados como: mobilização
3. Providenciar a orientação do trânsito social, ações de campo, busca ativa,
com policiamento adequado, através do vigilância epidemiológica, educação em
BPTRAN ou Polícia Municipal nos saúde, divulgação dos dados à população
quarteirões que serão alvo das operações, (comunicação de risco) e quando indicado,
tendo em vista que o veículo muitas vezes aplicação espacial com Bomba
necessita trafegar na contra-mão das vias, Nebulizadora Portátil seguindo as
em locais de alto tráfego e vias com grande especificações técnicas recomendadas pelo
movimento populacional. Fechamento de Ministério da Saúde. A SESA/Regional de
vias e orientação de trânsito prévios Saúde deverá monitorar de forma solidária,
deverão ser efetuados e são fatores de todas as etapas do processo de controle
grande importância para a garantia do vetorial.
transito do veículo, sem as quais o operador XX. As ações desenvolvidas deverão ser
não estará autorizado a dar continuidade a permanentemente avaliadas para identificar
operação. possíveis falhas e necessidades de
XVII. Comunicar a situação de risco aos mudanças e/ou correções. A
órgãos ambientais (estado e município) SESA/Regional de Saúde deverá monitorar
responsáveis pela coleta de lixo e limpeza as aplicações de UBV Pesado – Ultra Baixo
urbana para intensificação das ações de Volume Acoplado a Veículo (Fumacê) em
remoção no período epidêmico, devendo o seu território junto aos municípios
município apresentar cronograma das atendendo aos critérios técnicos de
atividades contendo periodicidade do utilização de acordo com o preconizado no
serviço e a continuidade do mesmo; manual de aplicação de inseticidas.
XVIII. O uso de UBV pesado está
relacionado ao descontrole da proliferação
vetorial indicando dentre outras situações a
deficiência nas atividades básicas no
combate ao Aedes aegypti e a necessidade
de reavaliação crítica destas atividades,
como é o caso de políticas deficientes de
recolhimento e tratamento de lixo,
saneamento e sanidade dos quintais e
propriedades e não cumprimento de
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