Normas correlatas
Lei no 13.455/2017
Dispõe sobre a diferenciação de preços de bens e serviços oferecidos ao público em função do prazo
ou do instrumento de pagamento utilizado, e altera a Lei no 10.962, de 11 de outubro de 2004.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA �������������������������������������������������������������������������������
Faço saber que o Congresso Nacional decreta Art. 3o Esta Lei entra em vigor na data de sua
e eu sanciono a seguinte Lei: publicação.
Art. 1o Fica autorizada a diferenciação de Brasília, 26 de junho de 2017; 196o da Indepen-
preços de bens e serviços oferecidos ao públi- dência e 129o da República.
co em função do prazo ou do instrumento de
pagamento utilizado. MICHEL TEMER – Henrique Meirelles – Ilan
Parágrafo único. É nula a cláusula contra- Goldfajn
tual, estabelecida no âmbito de arranjos de pa-
gamento ou de outros acordos para prestação de Promulgada em 26/6/2017 e publicada no DOU de
serviço de pagamento, que proíba ou restrinja 27/6/2017.
a diferenciação de preços facultada no caput
deste artigo.
Código de Defesa do Consumidor
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Lei no 12.965/2014
Estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil.
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA VI – responsabilização dos agentes de acordo
com suas atividades, nos termos da lei;
Faço saber que o Congresso Nacional decreta VII – preservação da natureza participativa
e eu sanciono a seguinte Lei: da rede;
VIII – liberdade dos modelos de negócios
promovidos na internet, desde que não con-
CAPÍTULO I – Disposições Preliminares flitem com os demais princípios estabelecidos
nesta Lei.
Art. 1o Esta Lei estabelece princípios, garan- Parágrafo único. Os princípios expressos
tias, direitos e deveres para o uso da internet no nesta Lei não excluem outros previstos no
Brasil e determina as diretrizes para atuação da ordenamento jurídico pátrio relacionados à
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos matéria ou nos tratados internacionais em que
Municípios em relação à matéria. a República Federativa do Brasil seja parte.
Art. 2o A disciplina do uso da internet no Bra- Art. 4o A disciplina do uso da internet no
sil tem como fundamento o respeito à liberdade Brasil tem por objetivo a promoção:
de expressão, bem como: I – do direito de acesso à internet a todos;
I – o reconhecimento da escala mundial II – do acesso à informação, ao conheci-
da rede; mento e à participação na vida cultural e na
II – os direitos humanos, o desenvolvimento condução dos assuntos públicos;
da personalidade e o exercício da cidadania em III – da inovação e do fomento à ampla
meios digitais; difusão de novas tecnologias e modelos de uso
III – a pluralidade e a diversidade; e acesso; e
IV – a abertura e a colaboração; IV – da adesão a padrões tecnológicos aber-
V – a livre iniciativa, a livre concorrência e tos que permitam a comunicação, a acessibili-
a defesa do consumidor; e dade e a interoperabilidade entre aplicações e
VI – a finalidade social da rede. bases de dados.
Art. 3o A disciplina do uso da internet no Art. 5o Para os efeitos desta Lei, considera-se:
Brasil tem os seguintes princípios: I – internet: o sistema constituído do con-
I – garantia da liberdade de expressão, co- junto de protocolos lógicos, estruturado em
municação e manifestação de pensamento, nos escala mundial para uso público e irrestrito,
termos da Constituição Federal; com a finalidade de possibilitar a comunicação
II – proteção da privacidade; de dados entre terminais por meio de diferentes
III – proteção dos dados pessoais, na forma redes;
da lei; II – terminal: o computador ou qualquer
IV – preservação e garantia da neutralidade dispositivo que se conecte à internet;
Normas correlatas
de rede; III – endereço de protocolo de internet (en-
V – preservação da estabilidade, segurança dereço IP): o código atribuído a um terminal
e funcionalidade da rede, por meio de medidas de uma rede para permitir sua identificação,
técnicas compatíveis com os padrões interna- definido segundo parâmetros internacionais;
cionais e pelo estímulo ao uso de boas práticas; IV – administrador de sistema autônomo: a
pessoa física ou jurídica que administra blocos 55
de endereço IP específicos e o respectivo sis- V – manutenção da qualidade contratada da
tema autônomo de roteamento, devidamente conexão à internet;
cadastrada no ente nacional responsável pelo VI – informações claras e completas cons-
registro e distribuição de endereços IP geogra- tantes dos contratos de prestação de serviços,
ficamente referentes ao País; com detalhamento sobre o regime de proteção
V – conexão à internet: a habilitação de um aos registros de conexão e aos registros de
terminal para envio e recebimento de pacotes acesso a aplicações de internet, bem como sobre
de dados pela internet, mediante a atribuição práticas de gerenciamento da rede que possam
ou autenticação de um endereço IP; afetar sua qualidade;
VI – registro de conexão: o conjunto de VII – não fornecimento a terceiros de seus
informações referentes à data e hora de início dados pessoais, inclusive registros de conexão,
e término de uma conexão à internet, sua du- e de acesso a aplicações de internet, salvo me-
ração e o endereço IP utilizado pelo terminal diante consentimento livre, expresso e informa-
para o envio e recebimento de pacotes de dados; do ou nas hipóteses previstas em lei;
VII – aplicações de internet: o conjunto de VIII – informações claras e completas so-
funcionalidades que podem ser acessadas por bre coleta, uso, armazenamento, tratamento e
meio de um terminal conectado à internet; e proteção de seus dados pessoais, que somente
VIII – registros de acesso a aplicações de poderão ser utilizados para finalidades que:
internet: o conjunto de informações referentes a) justifiquem sua coleta;
à data e hora de uso de uma determinada apli- b) não sejam vedadas pela legislação; e
cação de internet a partir de um determinado c) estejam especificadas nos contratos de
endereço IP. prestação de serviços ou em termos de uso de
aplicações de internet;
Art. 6 o Na interpretação desta Lei serão IX – consentimento expresso sobre coleta,
levados em conta, além dos fundamentos, uso, armazenamento e tratamento de dados
princípios e objetivos previstos, a natureza da pessoais, que deverá ocorrer de forma desta-
internet, seus usos e costumes particulares e sua cada das demais cláusulas contratuais;
importância para a promoção do desenvolvi- X – exclusão definitiva dos dados pessoais
mento humano, econômico, social e cultural. que tiver fornecido a determinada aplicação
de internet, a seu requerimento, ao término da
relação entre as partes, ressalvadas as hipóteses
CAPÍTULO II – Dos Direitos e Garantias de guarda obrigatória de registros previstas
dos Usuários nesta Lei;
XI – publicidade e clareza de eventuais
Art. 7o O acesso à internet é essencial ao exer- políticas de uso dos provedores de conexão à
cício da cidadania, e ao usuário são assegurados internet e de aplicações de internet;
os seguintes direitos: XII – acessibilidade, consideradas as caracte-
I – inviolabilidade da intimidade e da vida rísticas físico-motoras, perceptivas, sensoriais,
privada, sua proteção e indenização pelo dano intelectuais e mentais do usuário, nos termos
Código de Defesa do Consumidor
material ou moral decorrente de sua violação; da lei; e
II – inviolabilidade e sigilo do fluxo de suas XIII – aplicação das normas de proteção e
comunicações pela internet, salvo por ordem defesa do consumidor nas relações de consumo
judicial, na forma da lei; realizadas na internet.
III – inviolabilidade e sigilo de suas co-
municações privadas armazenadas, salvo por Art. 8o A garantia do direito à privacidade e
ordem judicial; à liberdade de expressão nas comunicações é
IV – não suspensão da conexão à internet, condição para o pleno exercício do direito de
salvo por débito diretamente decorrente de sua acesso à internet.
utilização;
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Parágrafo único. São nulas de pleno direito comutação ou roteamento, é vedado bloquear,
as cláusulas contratuais que violem o disposto monitorar, filtrar ou analisar o conteúdo dos
no caput, tais como aquelas que: pacotes de dados, respeitado o disposto neste
I – impliquem ofensa à inviolabilidade e artigo.
ao sigilo das comunicações privadas, pela
internet; ou
II – em contrato de adesão, não ofereçam SEÇÃO II – Da Proteção aos Registros, aos
como alternativa ao contratante a adoção do Dados Pessoais e às Comunicações Privadas
foro brasileiro para solução de controvérsias
decorrentes de serviços prestados no Brasil. Art. 10. A guarda e a disponibilização dos
registros de conexão e de acesso a aplicações
de internet de que trata esta Lei, bem como de
CAPÍTULO III – Da Provisão de Conexão e dados pessoais e do conteúdo de comunicações
de Aplicações de Internet privadas, devem atender à preservação da inti-
SEÇÃO I – Da Neutralidade de Rede midade, da vida privada, da honra e da imagem
das partes direta ou indiretamente envolvidas.
Art. 9o O responsável pela transmissão, comu- § 1o O provedor responsável pela guarda
tação ou roteamento tem o dever de tratar de somente será obrigado a disponibilizar os
forma isonômica quaisquer pacotes de dados, registros mencionados no caput, de forma
sem distinção por conteúdo, origem e destino, autônoma ou associados a dados pessoais ou
serviço, terminal ou aplicação. a outras informações que possam contribuir
§ 1o A discriminação ou degradação do para a identificação do usuário ou do terminal,
tráfego será regulamentada nos termos das atri- mediante ordem judicial, na forma do disposto
buições privativas do Presidente da República na Seção IV deste Capítulo, respeitado o dis-
previstas no inciso IV do art. 84 da Constituição posto no art. 7o.
Federal, para a fiel execução desta Lei, ouvidos § 2o O conteúdo das comunicações privadas
o Comitê Gestor da Internet e a Agência Na- somente poderá ser disponibilizado mediante
cional de Telecomunicações, e somente poderá ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a
decorrer de: lei estabelecer, respeitado o disposto nos incisos
I – requisitos técnicos indispensáveis à II e III do art. 7o.
prestação adequada dos serviços e aplicações; e § 3o O disposto no caput não impede o
II – priorização de serviços de emergência. acesso aos dados cadastrais que informem
§ 2o Na hipótese de discriminação ou degra- qualificação pessoal, filiação e endereço, na
dação do tráfego prevista no § 1o, o responsável forma da lei, pelas autoridades administrativas
mencionado no caput deve: que detenham competência legal para a sua
I – abster-se de causar dano aos usuários, requisição.
na forma do art. 927 da Lei no 10.406, de 10 de § 4o As medidas e os procedimentos de
janeiro de 2002 – Código Civil; segurança e de sigilo devem ser informados
II – agir com proporcionalidade, transpa- pelo responsável pela provisão de serviços de
rência e isonomia; forma clara e atender a padrões definidos em
III – informar previamente de modo trans- regulamento, respeitado seu direito de confi-
parente, claro e suficientemente descritivo aos dencialidade quanto a segredos empresariais.
seus usuários sobre as práticas de gerenciamen-
to e mitigação de tráfego adotadas, inclusive as Art. 11. Em qualquer operação de coleta,
Normas correlatas
relacionadas à segurança da rede; e armazenamento, guarda e tratamento de re-
IV – oferecer serviços em condições comer- gistros, de dados pessoais ou de comunicações
ciais não discriminatórias e abster-se de praticar por provedores de conexão e de aplicações de
condutas anticoncorrenciais. internet em que pelo menos um desses atos
§ 3o Na provisão de conexão à internet, ocorra em território nacional, deverão ser obri-
onerosa ou gratuita, bem como na transmissão, gatoriamente respeitados a legislação brasileira 57
e os direitos à privacidade, à proteção dos dados SUBSEÇÃO I – Da Guarda de Registros de
pessoais e ao sigilo das comunicações privadas Conexão
e dos registros.
§ 1o O disposto no caput aplica-se aos dados Art. 13. Na provisão de conexão à internet,
coletados em território nacional e ao conteúdo cabe ao administrador de sistema autônomo
das comunicações, desde que pelo menos um respectivo o dever de manter os registros de
dos terminais esteja localizado no Brasil. conexão, sob sigilo, em ambiente controlado
§ 2o O disposto no caput aplica-se mesmo e de segurança, pelo prazo de 1 (um) ano, nos
que as atividades sejam realizadas por pessoa termos do regulamento.
jurídica sediada no exterior, desde que oferte § 1o A responsabilidade pela manutenção
serviço ao público brasileiro ou pelo menos dos registros de conexão não poderá ser trans-
uma integrante do mesmo grupo econômico ferida a terceiros.
possua estabelecimento no Brasil. § 2o A autoridade policial ou administrativa
§ 3o Os provedores de conexão e de aplica- ou o Ministério Público poderá requerer cau-
ções de internet deverão prestar, na forma da telarmente que os registros de conexão sejam
regulamentação, informações que permitam a guardados por prazo superior ao previsto no
verificação quanto ao cumprimento da legis- caput.
lação brasileira referente à coleta, à guarda, ao § 3o Na hipótese do § 2o, a autoridade reque-
armazenamento ou ao tratamento de dados, rente terá o prazo de 60 (sessenta) dias, conta-
bem como quanto ao respeito à privacidade e dos a partir do requerimento, para ingressar
ao sigilo de comunicações. com o pedido de autorização judicial de acesso
§ 4o Decreto regulamentará o procedimento aos registros previstos no caput.
para apuração de infrações ao disposto neste § 4o O provedor responsável pela guarda
artigo. dos registros deverá manter sigilo em relação ao
requerimento previsto no § 2o, que perderá sua
Art. 12. Sem prejuízo das demais sanções eficácia caso o pedido de autorização judicial
cíveis, criminais ou administrativas, as infra- seja indeferido ou não tenha sido protocolado
ções às normas previstas nos arts. 10 e 11 ficam no prazo previsto no § 3o.
sujeitas, conforme o caso, às seguintes sanções, § 5o Em qualquer hipótese, a disponibili-
aplicadas de forma isolada ou cumulativa: zação ao requerente dos registros de que trata
I – advertência, com indicação de prazo para este artigo deverá ser precedida de autorização
adoção de medidas corretivas; judicial, conforme disposto na Seção IV deste
II – multa de até 10% (dez por cento) do Capítulo.
faturamento do grupo econômico no Brasil § 6o Na aplicação de sanções pelo descum-
no seu último exercício, excluídos os tributos, primento ao disposto neste artigo, serão consi-
considerados a condição econômica do infra- derados a natureza e a gravidade da infração, os
tor e o princípio da proporcionalidade entre a danos dela resultantes, eventual vantagem aufe-
gravidade da falta e a intensidade da sanção; rida pelo infrator, as circunstâncias agravantes,
III – suspensão temporária das atividades os antecedentes do infrator e a reincidência.
Código de Defesa do Consumidor
que envolvam os atos previstos no art. 11; ou
IV – proibição de exercício das atividades
que envolvam os atos previstos no art. 11. SUBSEÇÃO II – Da Guarda de Registros de
Parágrafo único. Tratando-se de empresa Acesso a Aplicações de Internet na Provisão
estrangeira, responde solidariamente pelo de Conexão
pagamento da multa de que trata o caput sua
filial, sucursal, escritório ou estabelecimento Art. 14. Na provisão de conexão, onerosa ou
situado no País. gratuita, é vedado guardar os registros de acesso
a aplicações de internet.
58
SUBSEÇÃO III – Da Guarda de Registros de de acesso a aplicações de internet não implica
Acesso a Aplicações de Internet na Provisão responsabilidade sobre danos decorrentes do
de Aplicações uso desses serviços por terceiros.
Art. 15. O provedor de aplicações de internet
constituído na forma de pessoa jurídica e que SEÇÃO III – Da Responsabilidade por
exerça essa atividade de forma organizada, Danos Decorrentes de Conteúdo Gerado por
profissionalmente e com fins econômicos de- Terceiros
verá manter os respectivos registros de acesso a
aplicações de internet, sob sigilo, em ambiente Art. 18. O provedor de conexão à internet
controlado e de segurança, pelo prazo de 6 não será responsabilizado civilmente por danos
(seis) meses, nos termos do regulamento. decorrentes de conteúdo gerado por terceiros.
§ 1o Ordem judicial poderá obrigar, por
tempo certo, os provedores de aplicações de Art. 19. Com o intuito de assegurar a liberda-
internet que não estão sujeitos ao disposto de de expressão e impedir a censura, o provedor
no caput a guardarem registros de acesso a de aplicações de internet somente poderá ser
aplicações de internet, desde que se trate de responsabilizado civilmente por danos decor-
registros relativos a fatos específicos em período rentes de conteúdo gerado por terceiros se, após
determinado. ordem judicial específica, não tomar as provi-
§ 2o A autoridade policial ou administrativa dências para, no âmbito e nos limites técnicos
ou o Ministério Público poderão requerer cau- do seu serviço e dentro do prazo assinalado,
telarmente a qualquer provedor de aplicações tornar indisponível o conteúdo apontado como
de internet que os registros de acesso a aplica- infringente, ressalvadas as disposições legais
ções de internet sejam guardados, inclusive por em contrário.
prazo superior ao previsto no caput, observado § 1o A ordem judicial de que trata o caput
o disposto nos §§ 3o e 4o do art. 13. deverá conter, sob pena de nulidade, identifi-
§ 3o Em qualquer hipótese, a disponibili- cação clara e específica do conteúdo apontado
zação ao requerente dos registros de que trata como infringente, que permita a localização
este artigo deverá ser precedida de autorização inequívoca do material.
judicial, conforme disposto na Seção IV deste § 2o A aplicação do disposto neste artigo
Capítulo. para infrações a direitos de autor ou a direitos
§ 4o Na aplicação de sanções pelo descum- conexos depende de previsão legal específica,
primento ao disposto neste artigo, serão consi- que deverá respeitar a liberdade de expressão e
derados a natureza e a gravidade da infração, os demais garantias previstas no art. 5o da Cons-
danos dela resultantes, eventual vantagem aufe- tituição Federal.
rida pelo infrator, as circunstâncias agravantes, § 3o As causas que versem sobre ressarci-
os antecedentes do infrator e a reincidência. mento por danos decorrentes de conteúdos
disponibilizados na internet relacionados à
Art. 16. Na provisão de aplicações de internet, honra, à reputação ou a direitos de persona-
onerosa ou gratuita, é vedada a guarda: lidade, bem como sobre a indisponibilização
I – dos registros de acesso a outras aplicações desses conteúdos por provedores de aplicações
de internet sem que o titular dos dados tenha de internet, poderão ser apresentadas perante
consentido previamente, respeitado o disposto os juizados especiais.
no art. 7o; ou § 4 o O juiz, inclusive no procedimento
Normas correlatas
II – de dados pessoais que sejam excessivos previsto no § 3o, poderá antecipar, total ou
em relação à finalidade para a qual foi dado parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no
consentimento pelo seu titular. pedido inicial, existindo prova inequívoca do
fato e considerado o interesse da coletividade na
Art. 17. Ressalvadas as hipóteses previstas disponibilização do conteúdo na internet, desde
nesta Lei, a opção por não guardar os registros que presentes os requisitos de verossimilhança 59
da alegação do autor e de fundado receio de mento de registros de conexão ou de registros
dano irreparável ou de difícil reparação. de acesso a aplicações de internet.
Parágrafo único. Sem prejuízo dos demais
Art. 20. Sempre que tiver informações de requisitos legais, o requerimento deverá conter,
contato do usuário diretamente responsável sob pena de inadmissibilidade:
pelo conteúdo a que se refere o art. 19, caberá I – fundados indícios da ocorrência do
ao provedor de aplicações de internet comu- ilícito;
nicar-lhe os motivos e informações relativos à II – justificativa motivada da utilidade dos
indisponibilização de conteúdo, com informa- registros solicitados para fins de investigação
ções que permitam o contraditório e a ampla ou instrução probatória; e
defesa em juízo, salvo expressa previsão legal ou III – período ao qual se referem os registros.
expressa determinação judicial fundamentada
em contrário. Art. 23. Cabe ao juiz tomar as providências
Parágrafo único. Quando solicitado pelo necessárias à garantia do sigilo das informações
usuário que disponibilizou o conteúdo tornado recebidas e à preservação da intimidade, da vida
indisponível, o provedor de aplicações de inter- privada, da honra e da imagem do usuário, po-
net que exerce essa atividade de forma organi- dendo determinar segredo de justiça, inclusive
zada, profissionalmente e com fins econômicos quanto aos pedidos de guarda de registro.
substituirá o conteúdo tornado indisponível
pela motivação ou pela ordem judicial que deu
fundamento à indisponibilização. CAPÍTULO IV – Da Atuação do Poder
Público
Art. 21. O provedor de aplicações de internet
que disponibilize conteúdo gerado por terceiros Art. 24. Constituem diretrizes para a atuação
será responsabilizado subsidiariamente pela da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
violação da intimidade decorrente da divul- Municípios no desenvolvimento da internet
gação, sem autorização de seus participantes, no Brasil:
de imagens, de vídeos ou de outros materiais I – estabelecimento de mecanismos de
contendo cenas de nudez ou de atos sexuais de governança multiparticipativa, transparente,
caráter privado quando, após o recebimento de colaborativa e democrática, com a participação
notificação pelo participante ou seu represen- do governo, do setor empresarial, da sociedade
tante legal, deixar de promover, de forma dili- civil e da comunidade acadêmica;
gente, no âmbito e nos limites técnicos do seu II – promoção da racionalização da gestão,
serviço, a indisponibilização desse conteúdo. expansão e uso da internet, com participação
Parágrafo único. A notificação prevista no do Comitê Gestor da internet no Brasil;
caput deverá conter, sob pena de nulidade, III – promoção da racionalização e da
elementos que permitam a identificação es- interoperabilidade tecnológica dos serviços
pecífica do material apontado como violador de governo eletrônico, entre os diferentes Po-
da intimidade do participante e a verificação deres e âmbitos da Federação, para permitir o
Código de Defesa do Consumidor
da legitimidade para apresentação do pedido. intercâmbio de informações e a celeridade de
procedimentos;
IV – promoção da interoperabilidade entre
SEÇÃO IV – Da Requisição Judicial de sistemas e terminais diversos, inclusive entre os
Registros diferentes âmbitos federativos e diversos setores
da sociedade;
Art. 22. A parte interessada poderá, com o V – adoção preferencial de tecnologias,
propósito de formar conjunto probatório em padrões e formatos abertos e livres;
processo judicial cível ou penal, em caráter VI – publicidade e disseminação de dados
incidental ou autônomo, requerer ao juiz que e informações públicos, de forma aberta e
60 ordene ao responsável pela guarda o forneci- estruturada;
VII – otimização da infraestrutura das redes acesso às tecnologias da informação e comuni-
e estímulo à implantação de centros de arma- cação e no seu uso; e
zenamento, gerenciamento e disseminação de III – fomentar a produção e circulação de
dados no País, promovendo a qualidade técnica, conteúdo nacional.
a inovação e a difusão das aplicações de inter-
net, sem prejuízo à abertura, à neutralidade e Art. 28. O Estado deve, periodicamente,
à natureza participativa; formular e fomentar estudos, bem como fixar
VIII – desenvolvimento de ações e progra- metas, estratégias, planos e cronogramas, re-
mas de capacitação para uso da internet; ferentes ao uso e desenvolvimento da internet
IX – promoção da cultura e da cidadania; e no País.
X – prestação de serviços públicos de atendi-
mento ao cidadão de forma integrada, eficiente,
simplificada e por múltiplos canais de acesso, CAPÍTULO V – Disposições Finais
inclusive remotos.
Art. 29. O usuário terá a opção de livre escolha
Art. 25. As aplicações de internet de entes do na utilização de programa de computador em
poder público devem buscar: seu terminal para exercício do controle parental
I – compatibilidade dos serviços de governo de conteúdo entendido por ele como impróprio
eletrônico com diversos terminais, sistemas a seus filhos menores, desde que respeitados
operacionais e aplicativos para seu acesso; os princípios desta Lei e da Lei no 8.069, de 13
II – acessibilidade a todos os interessados, de julho de 1990 – Estatuto da Criança e do
independentemente de suas capacidades físico- Adolescente.
motoras, perceptivas, sensoriais, intelectuais, Parágrafo único. Cabe ao poder público, em
mentais, culturais e sociais, resguardados os conjunto com os provedores de conexão e de
aspectos de sigilo e restrições administrativas aplicações de internet e a sociedade civil, pro-
e legais; mover a educação e fornecer informações sobre
III – compatibilidade tanto com a leitura hu- o uso dos programas de computador previstos
mana quanto com o tratamento automatizado no caput, bem como para a definição de boas
das informações; práticas para a inclusão digital de crianças e
IV – facilidade de uso dos serviços de go- adolescentes.
verno eletrônico; e
V – fortalecimento da participação social Art. 30. A defesa dos interesses e dos direitos
nas políticas públicas. estabelecidos nesta Lei poderá ser exercida em
juízo, individual ou coletivamente, na forma
Art. 26. O cumprimento do dever constitu- da lei.
cional do Estado na prestação da educação, em
todos os níveis de ensino, inclui a capacitação, Art. 31. Até a entrada em vigor da lei específi-
integrada a outras práticas educacionais, para o ca prevista no § 2o do art. 19, a responsabilidade
uso seguro, consciente e responsável da internet do provedor de aplicações de internet por danos
como ferramenta para o exercício da cidadania, decorrentes de conteúdo gerado por terceiros,
a promoção da cultura e o desenvolvimento quando se tratar de infração a direitos de autor
tecnológico. ou a direitos conexos, continuará a ser discipli-
nada pela legislação autoral vigente aplicável na
Art. 27. As iniciativas públicas de fomento à data da entrada em vigor desta Lei.
Normas correlatas
cultura digital e de promoção da internet como
ferramenta social devem: Art. 32. Esta Lei entra em vigor após decorri-
I – promover a inclusão digital; dos 60 (sessenta) dias de sua publicação oficial.
II – buscar reduzir as desigualdades, so-
bretudo entre as diferentes regiões do País, no Brasília, 23 de abril de 2014; 193o da Indepen-
dência e 126o da República. 61
DILMA ROUSSEFF – José Eduardo Cardozo – Promulgada em 23/4/2014 e publicada no DOU de
Miriam Belchior – Paulo Bernardo Silva – Clélio 24/4/2014.
Campolina Diniz
Código de Defesa do Consumidor
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